Abstinência de Internet

Depois desses dois guias ainda teve mais um que foi MUITO interessante, mas que vou deixar pra contar posteriormente. Fazer o “Gran Finale”.
Após o passeio por todos os monumentos depravados de Kajuharo, eu e Samanta voltamos para o nosso hotel para poder tomarmos um banho (separados, claro!) e descansar um pouco, pois estávamos planejando sair a noite. Tomei meu banho e quando a Samanta foi ao banheiro pra tomar o dela eu simplesmente CAPOTEI na cama! Detalhe, isso era plena cinco horas da tarde! Eu tava tão, mas TÃO cansado que nem agüentei fazer nada! Desmaiei na cama e dormi que nem uma pedra. Sobrou pra pobre da Samanta que, sem ter o que fazer, acabou indo dormir cedo também.
No outro dia, como não podia deixar de ser, acordei muito, mas MUITO cedo! Acordei eram cinco horas da manhã e não consegui dormir mais. Fiquei vagando pelo quarto e depois comecei a ler um livro. Quando eu abri o livro eu me lembrei:
“Ei rapaz, ontem a tarde (horário do Brasil) saiu o resultado do vestibular de Claudio Augusto (meu irmão que tinha prestado Relações Internacionais na UnB)!
Fiz as contas acerca do fuso horário e me dei conta que o resultado já se encontrava na internet! Nessa hora eu me desesperei! Caramba! Meu irmão poderia ter ou não passado no vestibular e eu não sabia!!
Corri para fora do hotel e comecei a, desesperadamente, procurar uma Lan House na vã esperança de achar alguma 24 horas. CLARO que não havia Lan Houses 24 horas naquela cidade! Pra falar a verdade, foi até difícil achar uma Lan House por lá.
O que fazer? Eu não ia agüentar esperar cinco ou seis horas pra saber o resultado do vestibular do meu irmão! Não tive dúvidas! A primeira Lan House que eu vi na minha frente eu comecei logo foi a esmurrar. Não obstante eu estar esmurrando eu ainda gritava: SOCORRO!!! INTERNEEEETTTT!! AAAAAHHHHH!!! EU PRECISO DE INTERNET!! ABRA ESSA LAN HOUSE PELO AMOR DE DEUS!! ABRE ESSA PORTA!! AAAAAAAAAHHH!!
Eu juro que durante essa cena eu fiquei até imaginando a cena: O cara, deitado, dormindo e DO NADA vem um gringo e começa a ESMURRAR a porta da Lan House dele e ainda por cima gritando INTERNEEETTTT!!! Hahahaha. Eu fiquei imaginando ele pensando: – Meu amigo! Eu aqui querendo dormir e chega um louco esmurrando a porta em crise de abstinência. Eu já vi muito cara viciado em internet, mas esse aqui SEM SOMBRA DE DÚVIDAS se superou! Vai ser viciado assim na cacha-prego!
Depois de eu muito eu esmurrar a Lan House, abriu um homem com uma cara de “que foi, doido”:
– Que cê quer, maluco?
– Cara, eu preciso, DESESPERADAMENTE, usar a internet!
– Você não acha que tá muito cedo ainda não? Ainda não são nem seis horas da manhã!
– Cara, mas eu preciso usar desesperadamente!
– Desculpa, a Lan House tá fechada e não tem nada no mundo que me faça abri-la uma hora dessas!
– Nem se eu te pagar cinco vezes a mais pela hora?
– Tá bom, tou ligando o estabilizador aqui…
O que eu gosto na Índia é que para o bem ou para o mal, grana sempre resolve os piores problemas. No final, sim, meu irmão tinha sido aprovado pra Relações Internacionais na UnB 🙂

Trem de Varanasi a Kajuharo

Cara, pra começar, vou escrever sobre como foi o meu trem de Varanasi para Kajuharo.

Só pra deixar vocês a par da situação e do meu humor, apenas alguma horas após a confusão em Varanasi (confira a história clicando aqui) eu já estava dentro de um trem indo em direção a Kajuharo. Meu estado de nervos não era dos melhores.
Eu e Coração Gelado compramos passagens de trem na classe SL que significa “sleeper”. Era a classe mais barata. Tínhamos direito a uma cama acoplada à parede e sem ar-condicionado. Acima da minha cama ainda havia mais duas camas acopladas com a mais alta sendo a da Samanta.
Pegamos o trem à noite e quando começou a amanhecer as pessoas começaram a acordar. O que todo mundo fazia? O povo que estava nas camas de cima, descia e, simplesmente, sentava nas camas de baixo pertencentes a outras pessoas para poderem ficar conversando. Tudo bem, isso é normal e as pessoas das camas de baixo costumam aceitar isso na boa. Comigo seria o mesmo se eu não estivesse já uma pilha de nervos e com uma raiva miserável de qualquer indiano que eu pudesse ver pela frente. Quando o primeirinho sentou na minha cama eu já fui logo mandando ir embora e fiquei dando uns chutinhos em todo e qualquer cidadão que viesse a sentar à minha cama. Cheguei a ser grosso várias vezes com várias pessoas diferentes.
Tecla PAUSE
Mais uma vez não sinto o menor ORGULHO em contar essa história, cara! Eu estava agindo como um grande babaca e hoje eu mais que concordo que minha atitude era típica de uma pessoa mesquinha e egoísta. Mais uma vez, gostaria de reiterar que estou apenas ilustrando como andava o meu estado de nervos depois de tanto tempo viajando pela Índia. Como me tornei uma pessoa totalmente diferente de mim e me envergonho um pouco disso.
Tecla PLAY
 

GUIAS MALACOS E MUITA CONFUSÃO

Pois bem, chegamos à Kajuharo e conseguimos um lugarzinho aprazível para ficar. Largamos as coisas no hotel e alugamos um táxi. O táxi nos levou ao nosso primeiro monumento e lá o show já começou. Quando fui entrando no monumento e comecei a bater algumas fotos, um cidadão chegou pra mim e, sem eu pedir nem nada, começou a explicar tudo. Eu fui indo na dele já sabendo o que ia ocorrer. O cara foi falando, falando, falando… “E essa pilastra aqui é em homenagem à Vishnu, essas estátuas (foto abaixo) tiveram as cabeças cortadas durante uma invasão de muçulmanos ao sul da Índia” e pá pá pá… Ele foi falando, falando, falando… No final, quando eu vi que ele terminou, virei as costas e saí andando. Ele me olhou por um tempo e no final ainda gritou:
– Ow amigo, você não vai me pagar nada?
Só gritei lá debaixo:
– Não, eu não te pedi pra tu me dares informação. Fizeste porque quis. Obrigado por ser tão “gentil”.
Não entendi o que o cara me falou depois, até porque ele me xingou por MUITO tempo em Hindi e eu não entendi nada. Boto fé que o cara me xingou por pelo menos uma vinte gerações depois!
Depois dessa no quarto monumento ainda teve outro gaiato com o mesmo golpe. Chegou pra mim e começou a explicar um bando de coisa, mais uma vez sem eu pedir. Como havia ficado com pena do cara que me deu a explicação de graça antes (sim, cara, apesar de tudo eu ainda tenho um coração no peito), quando o outro começou a explicar eu já o interrompi e falei que não tinha dinheiro. Ele falou que não, que não sei o que, que ele fazia isso porque queria, olha só, melhorar o inglês dele e apresentar a belíssima cidade dele para os estrangeiros. Eu como, mais uma vez, já sabia o que ia acontecer fiz que não entendi nada e mais uma vez deixei o cara ir falando.
Na hora de ir embora o figura veio pra mim pra pedir dinheiro. Dessa vez foi até engraçado porque, ao invés das outras vezes do “me dá um dinheiro por isso”, ele me veio com outro papo, todo gaiato:
– Sabe, cara, eu só queria saber se teria como você me dar uma grana pelo o que eu te apresentei. Eu faço coleção (sim, ele realmente utilizou essa palavra! “Coleção”) de dinheiro e se você me desse um pouco mais, minha coleção ficaria melhor, sabe? Você não teria alguns dólares, euros, ienes ou até mesmo rúpias pra me ajudar a colecionar não?
Pombas, eu já tinha visto cara pedir dinheiro dizendo que precisava pagar faculdade de filho, outro falando que tinha uma família com quinze crianças pra criar, mas um cidadão falar que “colecionava” dinheiro pra mim foi o cúmulo da cara de pau! Depois dessa não tive escolha, né? Tive que contribuir com o cara!
Tirei uma nota de Bath tailandês (que valia menos que um dólar), dei pra ele e saí com a alma leve sabendo que, o ajudando a colecionar, havia realizado a minha boa ação do dia.
Ele deve ter adorado!
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Galera, mais uma vez preciso conversar francamente com a galera.
Acho que, mais uma vez, não ficou tão claro o que eu quis passar pra vocês.
Vi em alguns comentários a galera ou falando “Claudiomar, acho que você está pegando pesado com a Índia” ou “Nuuss, depois de ler esse blog eu NUNCA mais quero ir na Índia”.
Amigos, ambas as interpretações são equivocadas.
1 – Se estou postando as diversas “passadas de raiva” que tive na Índia é porque, como alguém disse em alguns do tópicos, quero deixar a galera mais por dentro de como é o dia a dia de alguém que viaja na Índia. Nunca tive intenção de ser racista ou algo do tipo. Crápulas existem em todos os lugares e na Índia não podia ser diferente. Apenas fiquei impressionado de como na Índia eles conseguem se sobresair TANTO em relação às pessoas gentis. Não ODEIO e nunca odiei indianos como povo. Na verdade nutro um respeito muito grande pela Índia e toda a sua história. Só escrevo sobre essas paradas porque se eu só escrever “fui em tal lugar e lá é assim, assim e assim” vai ser uma parada muito Zeca Camargo 😛
2 – Gente eu NUNCA quis desencorajar NINGUÉM a ir para a Índia. Mas NUNCA mesmo. De todos os lugares foi o meu preferido. Sempre que algum amigo me pergunta “qual foi seu país preferido” eu responto de “bate-pronto”: Índia! A Índia foi o país onde eu mais me encantei e onde eu mais gastei tempo viajando também. Mesmo gastando quase 7 semanas da Índia ainda tem MUITOS lugares pra visitar e com certeza quero voltar lá alguma outra vez na vida. Se vocês tiverem paciência, assistam a novela “Caminho das Índias” que realmente eles mostram vários monumentos super interessantes e irados da Índia. País sensacional.
Por último. Galera, eu ia colocar agora o post acerca de Kajuharo, mas só agora me toquei que o texto só está gravado no meu pen drive que se encontra entocado em algum lugar daqui de casa! Amanhã vou ter que procurar e assim que encontrar prometo que posto.
Abraços maranhenses

E com vocês, a tal esperada continuação do post: "Enfim, chego ao limite!"

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(Esse post é uma continuação do post do dia 17/01, post abaixo. Se você não ler o post abaixo posteriormente, você não entenderá o conteúdo aqui escrito)
Como havia dito no post passado, depois de algum tempo gritando comigo, o meliante cada vez mais ficava irritado e gritava mais alto. Depois de alguns minutos comigo o ignorando, ele resolveu mudar de estratégia e isso o levou a sua derrocada…
Uma das fotos que tirei do monumento o qual pude relembrar como voltar para minha pensão
O que ele fez? Vendo que eu o ignorava, ele mudou o seu “alvo”. Foi lá, puxou a Samanta pelo braço e gritou:
– “Ei, eu estou falando com você também”.
Foi o estopim.
Nessa hora eu simplesmente explodi. Na hora queria que se danasse o fato de eu estar na Índia, o fato de eu não estar no meu país, o fato de que eu provavelmente teria grandes problemas e possivelmente seria até preso. Na hora não pensei em nada. Virei as costas e fui pra espancar o cara. Todo o meu ressentimento de semanas sendo roubado na Índia seriam descontados naquele pobre ladrão. Voei pra cima dele pra descer a porrada e fui impedido pela Samanta que, assustada, tentava me segurar de qualquer jeito. Eu me debatia e gritava:
– SEU F.D.P! POR QUE VOCÊ ESTÁ TOCANDO NA MINHA MULHER? QUEM LHE DEU AUTORIZAÇÃO PRA ISSO? VOCÊ É MALUCO? PERDEU A NOÇÃO DO PERIGO? NO MEU PAÍS QUANDO ALGUÉM TOCA NA MULHER DE OUTRO, NÓS OS MATAMOS A PAULADAS! EU NÃO QUERO SABER SE VOCÊ ESTÁ NA ÍNDIA OU NÃO! EU VOU TE MOSTRAR COMO A GENTE FAZ NO BRASIL! VOU TE MOER NA PANCADA É AGORA, VOCÊ E ESSE SEU AMIGO DE M* JUNTOS! ME SOLTA, SAMANTA! ME SOLTA QUE EU QUERO MOSTRAR PRA ELE COMO SE EDUCAM AS PESSOAS DE ONDE EU VENHO! EU QUERO ENCHER A CARA DELE DE PORRADA! VOU DEIXAR A CARA DELE MAIS REMENDADA QUE A CARA DO FRANKSTEIN!
Cara, e o pior que eu não fiz isso, tais quais as outras vezes, só pra ameaçar não. Dessa vez eu estava realmente determinado a sair na porrada com o cara! Eu realmente estava determinado a TRUCIDAR o cidadão. Diga aí, cara! O cara querer sair na porrada por causa de vinte e cinco centavos é ter muita estresse, né não? Pra você ver como estava meu estado de nervos na Índia.
Ouvindo os meus gritos, as veias do meu pescoço saltando para fora e vendo que a situação ia ficar feia, alguns populares ainda se meteram no meio da gente, ajudaram a me separar e mandaram os outros dois irem embora. Eles, já meio assustados, resolveram ir. Acabou que tudo isso ocorreu a poucos metros da nossa pensão.
Chegando à pensão, a Samanta até falou:
– Claudio, eu tou ligado que depois que formos para Kajuharo você que ir direto pra Goa, né? Acho melhor você não fazer isso. Cara, você está muito estressado! Vamos fazer assim, você vai comigo pra Deli, fica lá alguns dias sem fazer nada, só relaxando. Depois de alguns dias de descanso, você pega seu trem pra Goa! Acho melhor assim porque, afinal, no nível de estresse que você se encontra, você vai acabar tendo SÉRIOS problemas por aqui.
Acabei acatando a sugestão da Samanta e mudei um pouco a minha rota na Índia. Acabei indo com ela à Deli antes de ir à Goa!
 
Pingos nos “i”s
 
Gente, só um parênteses. Eu escrevo essas coisas, as vezes que agi como um troglodita na Índia, não porque eu fico na ilusão de que alguém vai imaginar: – “Nossa, olha o Claudio! Olha como ele é violento! Olha como ele é “Bad Boy! Olha como ele é brasiliense! Daqui a pouco tá queimando índio! Pensando bem, olha só, índio e indiano é tudo a mesma coisa, né? O radical da palavra (“indi”) é o mesmo, só muda o sufixo no final das contas (“o” em índio e “ano” em indiano)!”.
Muito pelo contrário! Eu sou longe desse tipo de gente e ODEIO as pessoas que agem assim no dia a dia. Além disso, se um dia eu REALMENTE saísse na mão com alguém na Índia eu estaria profundamente enrascado! Se eu tivesse “sorte”, eu provavelmente iria para uma prisão em um país TOTALMENTE insalubre como a Índia e com isso gastaria uma grana ABSURDA ou pra sair da cadeia ou pra subornar alguém. Além de que uma situação dessas provavelmente acabaria com minha viagem, já que eu poderia ser deportado para o Brasil. Sim, essa situação seria se eu “tivesse sorte”.
E como seria a mais provável?
Gente, imaginem vocês andando no meio da rua e quando você olha pro lado se depara com um gringo dando uma bolacha num trombadinha? Você vai pensar que o trombadinha tentou roubar o gringo? Claro que não! Você vai pensar: – “Gringo safado! Ta no Brasil e ainda por cima quer bater em brasileiro”. Eu que sou um cara calmo provavelmente já chegaria na voadora! Um brasiliense chegaria com um isqueiro e álcool!
Por isso que falo que se fosse “pego pelo Estado” eu teria sorte, pois o mais provável era que a população (grande parte deles amigos dos dois e provavelmente atuando no mesmo “ramo” de enganar as pessoas) me vendo espancando um cara daquele iria facilmente querer me linchar. No mínimo eu iria ter alguns ossos quebrados e iria passar uma temporada no hospital em um país insalubre como a Índia. Gastaria um dinheiro louco além de que deixaria meus pais ainda mais preocupados! Eu tinha isso claramente em minha cabeça ao chegar na Índia e isso foi um dos principais motivos que não me fizeram sair na porrada com alguém antes. Mas na hora você pensa nisso? Pombas, eu também sou um ser humano, né? Uma hora eu iria estourar!
Eu falo essas coisas, eu descrevo esses momentos, pra poder demonstrar pra vocês como ficam os nervos de um cidadão viajando por muito tempo na Índia. É por essas e outras que eu sempre digo que a Índia não é um lugar pra fazer uma viagem de férias de trabalho. “Ah, eu trabalhei onze meses e meio como corretor na Bovespa e agora vou passar quinze dias na Índia”, vai! Vai lá pra você ver se você não faz uma chacina antes de voltar pra casa…
Espero que vocês entendam o recado 😛

Enfim, chego ao limite! – Viajando na Índia

(Galera, eu sei que eu já havia publicado o post da viagem após Varanasi, da viagem à Kajuharo. Como expliquei no post passado, não publiquei o final das histórias de Varanasi por não possuir as fotos comigo. Portanto vamos voltar às últimas postagens sobre Varanasi, sobre o dia em que atingi o meu limite de stress. Espero que vocês se divirtam…)

Eu e Samanta saímos pra poder comprar a nossa passagem de trem em direção à nossa próxima cidade, Kajuharo. Fomos à estação de trem, compramos a passagem e foi tudo de boa. Estávamos saindo da estação de trem e… e… E começamos a pensar: – “Opa, como vamos fazer pra voltar pra casa agora?”. Danou-se, não sabíamos como voltar, estávamos perdidos! Paramos um táxi e perguntamos se ele sabia onde ficava a nossa pensão. Logicamente ele falou que sim (taxistas na Índia NUNCA dizem que não sabem o lugar que você está procurando). Pegamos o táxi e depois de uns dez minutos ficou claro que o cara não sabia patavina nenhuma onde era a nossa pensão. Depois de um tempo ele simplesmente nos largou em um lugar próximo à pensão e a gente acabou tendo que se virar.

Bagunça na estação de trem em Varanasi! Geral dormindo no chão à espera do trem…


O grande problema é que, como já havia explicado, Varanasi é uma cidade milenar e, como todas as cidades milenares, é cheia de ruas sinuosas que mais parecem corredores onde duas pessoas mal conseguem passar ao mesmo tempo. As casas são tão próximas que os telhados das duas chegam quase a se tocar acima da sua cabeça e tapam o sol. O seu senso de direção fica inexistente. Samanta tinha uma bússola que usávamos para tentar nos localizar, mas mesmo assim não tava ajudando muito.
Depois de algum tempo, mais perdido que só um cachorro que caiu da mudança, resolvemos pagar um cara com uma charrete movida a bicicleta (igual à que pegamos no Nepal) para ele nos levar na nossa pensão, já que, como falei, carros não chegavam lá. Cheguei pro cara (já bravo que só siri dentro de lata pelo fato de ter sido enrolado previamente pelo motorista do táxi) com o cartãozinho da pensão e perguntei:
– Tu sabes onde fica esta pensão, cara?
– Eu sei.
– Tu sabes mesmo?
– Eu sei.
– TU TENS CERTEZA QUE TU SABE ONDE FICA ESTA PENSÃO?
– Eu sei
– Se tu não souberes a gente não vai te pagar. Ouviu? Não vamos te pagar! Já que tu sabes onde fica, segue com a charrete e só olha pra frente!
Lá foi o cara pedalando. O cara foi pedalando, pedalando, pedalando e a agulhazinha da bússola da Samanta só apontando pro lado contrário. Quando ele parou pra pedir informação, não deu certo! Eu explodi e desci da carroça gritando:
– VOCÊ NÃO FALOU QUE SABIA ONDE ERA? VOCÊ NÃO FALOU, SEU VELHO MENTIROSO? VOCÊ MENTIU PRA MIM! VOCÊ NÃO PASSA DE UM MENTIROSO BARATO E POR CAUSA DISSO AGORA NÃO VOU TE DAR NENHUM TOSTÃO! VAI TE EMBORA DAQUI!
Descemos da charrete e começamos a ir embora. Ah, cara, pra que? Quando a gente falou que não ia pagar o velho (cara, só pra você ter uma idéia, o velho tinha cobrado a gente menos do que 25 centavos de real pela “corrida”, mas como já falei, se o cara tá querendo me roubar, pode ser um centavo que eu não vou pagar!) juntou UMA PENCA de gente na rua nos cercando, perguntando o que tava acontecendo se oferecendo pra “ajudar”. Nessa hora eu comecei a ficar assustado, mas como não podia mostrar sinal de fraqueza (seria meu fim. Aí sim o velho ia querer arrancar uns dez dólares da minha mão), me recusei a pagar e a situação começou a ficar tensa com mais gente se amontoando.

E no meio da multidão parece surgir uma esperança


Um indiano lá do meio da multidão, que falava um bom inglês, se ofereceu pra nos “ajudar”. Foi lá e falou que se todo o problema era por causa de 25 centavos que ele pagava ao velho. O cara parecia ser realmente simpático e bem educado e devido a isso aceitei a ajuda dele. Ele pagou os vinte cinco centavos do velho pilantra. A multidão se dispersou e ele veio falar comigo:

– Mas então cara, onde você tá indo?
– Rapaz, eu tou indo pra essa pensão aqui. Tu sabes onde é?
– Claro que eu sei. Vamo lá, eu te levo lá.
– Quanto você vai me cobrar por isso?
– Não, não vou te cobrar nada. Pode vim, eu te levo lá.
Indiano querendo te ajudar, sendo gente boa e ainda por cima de graça? Isso logicamente era uma armadilha. Lá na hora falei pra ele que ia pagar 20 rúpias (um real. Dez rúpias ele já tinha dado pro velho ir embora) pra ele e pro amigo dele que apareceu depois pra nos levar à nossa pensão. Depois de muita relutância (pombas, o cara parecia REALMENTE ser gente boa) ele acabou aceitando a gorjeta e fomos indo seguindo ele por aquelas ruas medievais e sinuosas de Varanasi.
Andamos por volta de uns cinco minutos e eu comecei a sacar tudo. O cara parou numa loja que vendia uma PANCADA de bugigangas e nos convidou pra entrar. Eu falei bem enfático que eu não queria ir a loja nenhuma, que ele nos levasse à nossa pensão. Ele insistiu, eu falei “não”, insistiu mais uma vez, eu fui bem enfático e acho que ele desistiu. Virou, saiu andando e fomos lhe seguindo. Cinco minutos depois ele parou em OUTRA loja e nos convidou pra entrar e, mais uma vez, Claudiomar Hulk, estourou com o cara! Comecei a ser bem grosso com ele e falei que ele dissesse logo o que ele queria, que se ele queria fazer dinheiro com a gente que procurasse outro idiota e toda a “ceninha” que eu já expliquei em detalhes em outras situações. Nessa hora, como já de era de se esperar (afinal ele não tava esperando minha reação, ele ficou meio assustado), saiu andando com nós dois os seguindo.
Quando os estávamos seguindo, eu tive uma idéia. Puxei Samanta um pouco para trás de mim e deixei os caras se distanciarem, assim, uns dez metros. Quando vi que eles só olhavam pra frente, puxei a Samanta pelo braço e entramos em uma ruela totalmente estreita. Saí rodando, pelas ruas labirínticas de Varanasi com o intuito de escapar dos dois malas. Deu certo, depois de alguns minutos estávamos no meio de um labirinto e sem sinal dos dois malas perto da gente. Pra melhorar ainda mais a questão, um dos malas ainda tinha dado uma grana dele pra solucionar o problema do velho. Sei que ele havia dado apenas vinte e cinco centavos, mas me senti profundamente bem de saber que eu tinha ocasionado um prejuízo a ele e roubado o ladrão.
Restava um problema: Ainda estávamos perdidos, sem a mínima noção de onde era nossa pensão e ainda por cima com dois malas que, com certeza, estavam na febre atrás da gente…
Só sei que andando um pouco acabei chegando ao Rio Ganges. Ao chegar ao Ganges, de longe, avistei um prédio de onde havia tirado uma foto. Olhei na máquina e confirmei o local. Daí tive uma idéia genial. Bastava apenas seguir o curso do Ganges, atingir o prédio e de lá caminhar para a pensão (já que o prédio era quase que do lado). Quando começamos a seguir o curso do rio, meu amigo, apareceu os dois meliantes BABANDO de raiva. O cara já veio gritando: – “Onde vocês tavam? Quem mandou vocês virem por aqui?”. Eu que já não tava com muita paciência mandei ele calar a boca, falei que não precisava da autorização dele pra andar em Varanasi e mandei ele ir embora porque eu já sabia como voltar pra casa. O cara não gostou mesmo. Falou que queria o dinheiro dele. Fui lá e devolvi os vinte e cinco centavos que ele havia pagado ao velho da charrete e mandei ele ir embora. Pensa que foi? Na terra dos mil roubos um safado nunca sai com as mãos abanando…
Deixei ele falando sozinho. Peguei Samanta pelos braços e fomos indo em direção a nossa pensão. O cara veio frenético nos seguindo e gritando: – “Como assim você vai me dar só isso? Você é louco? Pode me pagar mais! Eu servi como guia pra você! Você prometeu me pagar 20 rúpias! Vamos, me pague! Me pague o que prometeu!”. Eu fiquei ignorando o que ele falava, já que ele não tinha feito nada de útil, só tentado ganhar grana as minhas custas. Apesar de o estar ignorando, o fato dele me ir gritando comigo no meio da rua me irritava cada vez mais e vi que seria questão de tempo eu explodir com ele. Depois de um dez minutos vendo que eu o estava ignorando, ele tentou outra estratégia… Mas isso é assunto para o próximo capítulo….
O post já ta muito grande e vou deixar vocês com um gostinho de curiosidade do que aconteceu. Daqui a dois dias posto o resto 🙂

Kajuharo

Galera, eu sei que havia prometido postar sobre a crise de stress por que passei na Índia. Realmente havia me preparado pra isso. Escrevi toda a história, fiz todas as revisões, mas quando abri o meu pen drive aqui na lan house em Jericoacoara me toquei que havia esquecido as fotos do post. Não vou postar a história sem as fotos, pois post sem fotos fica muito sem graça. Devido a isso, vou adiantar as postagens acerca da cidade que fui após Varanasi. A cidade do Kama-Sutra, Kajuharo!
Após a mais do que estressante experiência de Varanasi, era chegada a hora de pegarmos um busão e sairmos em direção à nossa próxima parada: Kajuharo!
Kajuharo é uma cidade na Índia famosa pelas ruínas de suas civilizações antigas. Até aí nenhuma novidade, certo? Pois é! Mas o que faz as ruínas de Kajuharo serem acima de tudo especiais são a que elas são dedicadas. Kajuharo é famosa devido às suas ruínas do Kama Sutra!!!
Sim, cara! Kama Sutra!! Você caminha pelos diversos monumentos absurdamente bem preservados e, quando menos se espanta, se depara com esculturas esculpidas nas paredes de pessoas fazendo as mais loucas posições sexuais! Essas esculturas seculares servem pra demonstrar que a depravação já faz parte das nossas vidas há muito mais tempo do que imaginávamos! 
Brinque de “onde está o Wally” e descubra onde estão as esculturas eróticas nas fotos que postei
 
Perguntei a alguns guias o significado daquelas esculturas, por que elas estavam naquelas paredes de formas tão explícitas. Um dos guias me explicou que isso era devido a um problema de fertilidade que atingiu um número grande de mulheres daquela vila alguns séculos atrás. As esculturas de diversas posições do Kama Sutra (que significa, segundo ele, “sexo dos deuses” em tradução literal) seria um pedido de ajuda aos deuses para resolver tais problemas. Se isso é verdade ou não, não sei. Só que me diverti muito vendo as esculturas 😛
Não há muito o que se escrever ou falar acerca da cidade até porque eu não pesquisei muito sobre a história de Kajuharo em si e passei apenas um dia lá, mas esse é um post onde a expressão “uma imagem vale mais que mil palavras” adquire todo um significado especial. Vou escrever mais acerca das presepadas que ocorreram em Kajuharo no próximo post.
P.s: Como prometido, três dias de intervalo entre as postagens 🙂
P.s2: Vocês aprovaram a mudança do mapa da rota no topo do post? Ficou mais claro?

O caso dos créditos de celular fantasmas


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Há vários posts atrás acho que já tinha dado pra perceber o estado de nervos que eu me encontrava ao viajar pela Índia. Por diversas vezes tive alguns problemas de stress formidáveis e impossíveis de se comparar com nenhum outro que eu já tive em toda minha vida. Em Varanasi eu atingi o limite.
Se liga na história, no post de hoje contarei apenas a “introdução” do stress máximo.
A Samanta me deixou numa lan house e foi numa dessas casinhas telefônicas pra poder comprar créditos pro celular dela. Conversa com o atendente daqui, conversa dali, ela foi lá e deu dez dólares pro cara colocar de crédito. O cara pegou o dinheiro e depois de alguns minutos mexendo no celular dela disse que havia colocado os créditos e a mandou ir embora. Ela, desconfiada do figura, testou e viu que o celular ainda continuava sem crédito. Na mesma hora ela foi reclamar pro cara e o bicho falou que era assim mesmo, os créditos iam cair depois e foi colocando ela pra fora da loja. Ela ficou insistindo que os créditos não tinham caído e o cara começou a ignorá-la. Ela falou: – “É? Pois então tá bom. Fica sentadinho aí que eu vou chamar o meu marido”. Quem era o marido dela? Sim, esse mesmo que você pensou, o maranhense aqui, né brother? (Não, gente! Mais uma vez, não peguei!).
A Samanta saiu direto de lá e foi à lan house pra me chamar. Só pra vocês entenderem melhor, fazia menos de dez horas que tínhamos saído do ônibus que eu quase saí no tapa com o cobrador, logo, vocês devem estar imaginando como estava o meu humor, como eu deveria estar um doce de pessoa. Na mesma hora eu já levantei da cadeira, corri pra loja do bicho. Entrei na loja já aos gritos de “Você acha que tem algum imbecil aqui?” e alguns outros impropérios impublicáveis… Quando vi que o atendente era franzino e pequenino, aí mesmo que eu me enchi! Comecei logo foi a ESMURRAR o balcão exigindo a devolução do dinheiro dela.
Gente, mais uma vez, CLARO que eu não ia dar no cara, né? Mas depois de um tempo você aprende que na Índia a única maneira dos caras não te tratarem como um gringo imbecil é você sendo um troglodita!
O cara não tentou nem argumentar, deu o dinheiro, pediu desculpas, falou que tava tudo bem e tinha sido um “engano”. Depois a Samanta ainda ficou comentando comigo: – “Será se esse cara achava que realmente eu era uma imbecil? Será se ele acha que realmente eu não iria testar o celular, ver que ele não colocou créditos e depois não ia voltar lá e pedir meu dinheiro de volta?”. Concordamos que de todas, essa foi a tentativa mais imbecil de nos enrolar que alguém já tinha tentado na Índia.
A Índia é como uma caixinha de surpresas. Os indianos não medem esforços de demonstrar a criatividade deles tentando te roubar. Não nego que ser roubado na Índia é uma atração a parte.
Mas essa não foi a melhor parte. Próximo post publico sobre como cheguei ao limite de stress na Índia. Esse sim vocês vão ficar impressionados…

Enfim, o post sob Varanasi

Varanasi é uma cidade fantástica! Poucas são as cidades por onde passei que eu poderia dizer que carregam tanto aquele estereótipo de Índia como conhecemos. Cara, a cidade é impressionante com suas ruas milenares, finas e com suas vacas andando pra cima e pra baixo. Sim, porque se em Delhi era possível ver algumas vacas andando pelas ruas e às vezes parando o trânsito, em Varanasi isso era via de regra. Por quê?

Mimosas descansando um pouquinho

Varanasi é a cidade mais importante para religião hindu. Seria como uma Meca, Jerusalém ou então o Vaticano. Ela é cortada de cima a baixo pelo rio Ganges, rio sagrado, que, como já expliquei neste post, acredita-se que ele flui diretamente do Deus Vishnu. Milhões de indianos vão para lá para poder se abençoar nas suas águas sagradas. O Rio é tão sagrado, cara, que nos restaurantes a menos de cem metros do Rio não é permitido vender carne de qualquer tipo, seja peixe ou galinha! Além de que se você quiser ter uma morte sumária sendo espancado por uma turba enfurecida, basta apenas abrir uma garrafa de cerveja e começar a beber às margens do Ganges! Meu amigo, eu não consigo nem imaginar uma situação dessas. Acho que até eu ia lá pra descer o cacete em um gringo desavisado se eu visse bebendo.

No Ganges é comum ver pessoas por todos os locais se banhando, escovando os dentes, bebendo a água, limpando os seus búfalos, em suma, uma beleza! A água… Meu amigo, limpa que só chão de oficina! Antes de chegar a Varanasi e ver o Rio Ganges em si, eu estava planejando tomar banho e ficar nadando em suas águas. Depois de alguns relatos de viajantes mais experientes, fiquei mais cauteloso e falei pra mim mesmo que iria apenas dar um pulo e sair correndo. Depois, quando vi o Rio, tive que tomar uma bela coragem só pra encostar o dedinho do pé lá, viu? Meu amigo, que água suja!! Eu nunca tinha visto nada igual! A água do Tietê parece água mineral comparada com o Rio Ganges e EU NÃO ESTOU EXAGERANDO!

Outro fator interessante e que faz Varanasi ser umas das cidades must see (que você tem que ver) da Índia deve-se ao fato das Gaths. Todos os indianos que possuem algum poder aquisitivo têm como último desejo ser cremado às margens do Ganges! Agora, imagina um país com um BILHÃO de habitantes com o mesmo desejo? Cara, diz que é um espetáculo ver as milhares de pessoas sendo cremadas às margens e um das maiores demonstrações de fé que um ser humano pode presenciar. Infelizmente não pude presenciar porque fui na época da cheia do Rio, quando não há tantas cremações 😦

Macaquinhos passeando no meio de uma das principais avenidas de Varanasi

Mas e as vacas? Enrolei, enrolei e acabei não falando. Por ser uma das cidades mais sagradas e religiosas, Varanasi realmente venera as suas vacas. Para ilustrar o que eu estou falando, os donos de restaurantes quando têm restos de comida, os jogam em frente aos seus estabelecimentos pra dali a pouco vacas errantes comerem o que ele colocou. Agora cara, é MUITA gente fazendo isso, MUITO restaurante jogando comida na frente da porta. Logo a cidade ENTOPE de vacas procurando por comida farta e fácil. Meu amigo, por onde você anda é vaca e gente jogando comida nas ruas, coisa de louco! Sem brincadeira, Varanasi foi uma das poucas cidades na Índia que eu pude me sentir realmente como em uma era medieval, dada a religiosidade do povo, à sujeira da rua devido à comida que os caras jogam na porta dos restaurantes, às vacas passando e às ruas sinuosas. SENSACIONAL!

Chegando a Varanasi

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(Sim, amigo, a história ainda não acabou! Quando eu digo que a viagem de volta do Nepal em direção à Índia foi um inferno, eu não estou brincando!)
Pois é, depois do stress concentrado que pegamos por todo esse caminho pra chegarmos ilesos, quando enfim encontramos o ônibus que ia em direção a Varanasi, achamos que tudo já estava terminado. Ledo engano.
Foi só entrar no ônibus que o show começou.
Alguns vendedores ambulantes nas ruas haviam nos informado que o preço da passagem de ônibus até Varanasi sairia por volta de dez reais. Separamos a grana, entramos no ônibus e sentamos lá atrás. Veio o cara lá da frente cobrando um por um até chegar a nossa vez. Quando chegou a nossa vez, a surpresa, o cara tava cobrando, na maior cara dura, 25 reais pra gente. Obviamente nos recusamos a pagar e começamos a discutir com o cobrador. Depois de sucessivas tentativas de perguntar a alguns dos passageiros de dentro do ônibus quanto custava a passagem (ninguém no ônibus falava inglês, só o cobrador), acabou ficando por isso mesmo e tivemos que pagar quinze reais a mais, pois, ou era isso, ou ficaríamos no meio do nada.
Depois de uns quinze minutos, não satisfeito de já nos ter roubado mais de cem reais (éramos um grupo grande), o cobrador ainda teve a cara de pau de chegar pra gente e cobrar pelas mochilas. Veio com a boca cheia de dentes, sorrindo que só professor de aeróbica, e começou a cobrar na maior cara de pau uma bag’s fee (taxa de bagagem. Pra quem se interessa por conhecer os indianos e a sua infinita capacidade de nos roubar através de taxas, checar este post). Ah meu amigo! Isso foi o estopim! Mas nessa hora eu estourei. Mas estourei feio, cara! Pombas, mas já tinha sido o dia inteirinho com geral querendo roubar a gente, dos dois lados da fronteira. Já era plena dez horas da noite e ganância do ladrão parecia não terminar. Não agüentando mais aquilo e sem mais conseguir pensar racionalmente, me levantei do banco, aos gritos, em direção ao cara mandando ele parar o ônibus que iríamos descer. Mas cara, fui de um jeito, com tanta raiva e com tanto sangue nos olhos que até eu mesmo fiquei com medo do que eu poderia fazer caso o cara gritasse de volta pra mim. Na hora ele viu que se nos largasse no meio da estrada ia ser ruim pra gente porque não teríamos para onde ir, mas ia ser pior pra ele porque ele ia perder MUITA grana, já que, nem que fosse na base da porrada, ele teria que devolver nosso dinheiro.
Essa foto eu peguei na internet. Não foi o ônibus do post mas serve pra ilustrar e demonstrar pra vocês como foram a maioria dos ônibus que viajei pela Índia. Era REALMENTE dessa maneira. O ônibus só saía quando eles não conseguissem enfiar NINGUÉM dentro do ônibus. Mas NINGUÉM mesmo…

Na hora que eu parti pra cima dele (gente, claro que eu não fui pra bater nele, né? Foi só pra intimidar o figura!), na hora que os outros gringos começaram a gritar que iam descer, ele meteu o rabo entre as pernas, falou que ia dar um “desconto” especial pra gente e ficou tudo por isso mesmo, não pagamos a mais pela bagagem. Não nos restou outra escolha depois disso a não ser tentar dormir.
Digo tentar dormir porque era tentar mesmo, pois o ônibus não tinha encosto pra cabeça!!! Sim, cara, sentar num banquinho num bar pra tomar uma cerveja e se escorar no balcão é de boa. Sentar num banco da praça sem encosto pras costas e pra cabeça e colocar a namorada no colo é até gostoso. Agora, imagine você dormir assim? Tendo que ficar a noite inteira se escorando na cadeira da frente ou na janela? Cara, foi sem sombra de dúvidas a PIOR de todas as viagens, pois no Nepal apesar da montanha-russa maluca, ainda havia muita diversão. Não sabia que a minha temporada de stress na Índia estava apenas começando…
A foto não também é minha, mas serve pra demonstrar perfeitamente como era o banco que dormi por toda aquela noite! NUNCA mais reclame por ter que dormir em uma viagem de ônibus pelo Brasil!

Premiê paquistanês diz que o país está pronto para guerra contra a Índia

O premiê paquistanês, Yousuf Raza Gilani, disse nesta segunda-feira que Islamabad não quer guerra com nenhum país, mas que está pronto para reagir caso um conflito “seja imposto”. A declaração foi uma resposta à pressão da vizinha Índia para que o governo paquistanês detenha os terroristas envolvidos com os atentados em Mumbai, que deixaram 172 mortos.
“Não queremos guerra com nenhum país, mas se a guerra nos for imposta, então estamos totalmente preparados para ela. Nosso Exército é completamente capaz”, disse o premiê em declarações ao Parlamento, retransmitidas pelos canais locais de TV.
Reportagem completa em:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u479602.shtml

Comentário:

Meu amigo, a situação lá parece que começou a ficar realmente séria! Isso é complicado e assustador, principalmente quando leva-se em consideração que os dois países somados tem uma população de quase um bilhão e meio de pessoas e armas atômicas de ambos os lados!! O que pode morrer de pessoas não tá escrito!! Além do fato de que pode seriamente abalar o frágil equilíbrio de uma das instáveis regiões do planeta (só lembrar que a Tailândia tá pegando fogo e o Mianmar possui uma das mais fraticidas ditaduras contemporâneas). Ai ai

Abraços maranhenses

P.s: Hoje a noite tem post novo!