Como chegar ao Saara Ocidental

Conforme já falei, hoje o Saara Ocidental não é mais do que, de fato, uma província do Marrocos. É possível chegar lá de ônibus ou, conforme fiz, de voo direto de Casablanca. No momento em que viajei (2015), a fronteira por terra com Mauritânia estava fechada.
Não há necessidade de visto haja vista que, conforme expliquei, o Marrocos domina de fato o Saara Ocidental. A única checagem de passaporte é quando se chega ao Marrocos, onde não precisamos de visto.
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Saara Ocidental

Lembro do dia em que vi o Saara Ocidental em um mapa velho da minha casa quando criança.
O nome do país me intrigou (“Saara é um país? Não era um deserto?” – eu me questionava), ficando guardado na minha cabeça por esses anos. Mal sabia eu que algumas décadas depois eu teria a oportunidade de visitá-lo, ainda que sob ocupação do Marrocos.
O Saara Ocidental era uma colônia espanhola. Quando os espanhóis saíram da região, a ONU concluiu que o Marrocos não tinha laços históricos assim tão fortes com eles e que o Saara Ocidental era um país livre. Os marroquinos “interpretaram” diferente e começaram a organizar a “Marcha Verde”. 300.000 marroquinos saem de Marrakesh, ocupam a região, assumem o controle de fato do país e anexam-no ao seu território. Após isso o Marrocos quase dobra de tamanho.
Obviamente isso não foi cedido de forma tão tranquila e os dois países entraram em guerra. Em 1991 a ONU mediou um cessar fogo e ficou-se de organizar um plebiscito para saber se o Saara Ocidental desejaria ou não se tornar independente. O Marrocos, que de besta não tem nada, começou a incentivar que marroquinos mudassem para o Saara Ocidental, de olho no futuro plebiscito, por meio de subsídios a aluguéis e outros incentivos tornando a população nativa minoria em seu próprio país.
Os nativos do Saara Ocidental hoje lutam e negociam para que a ONU realize o plebiscito apenas com a população que morava no Saara Ocidental antes de 1991 e o Marrocos, obviamente, quer que o plebiscito seja realizado com a população atual. Pelo sim, pelo não, tudo continua do jeito que está.
Esse foi o principal motivo da minha passagem de Marrakesh para Laayoune, capital do Saara Ocidental, ser tão barata, o fato do Saara Ocidental ser, hoje, de fato, apenas uma província do Marrocos.
Mas essa anexação está longe de ser uma unanimidade mesmo entre os marroquinos. A região é rica em fosfato. Porém, com a queda do preço desta commodity, hoje se questiona se a ocupação militar, que custa centenas de milhões de dólares anuais aos marroquinos, por um terreno desértico e pobre vale mesmo a pena.
O Saara Ocidental tem um reconhecimento meio errático na comunidade internacional. Não é reconhecido pela ONU, mas é reconhecido pela União Africana.
Bandeiras do Marrocos espalhadas por Laayoune deixam claro quem manda no lugar

Praça “Marcha Verde”
Sede do órgão marroquino responsável pela extração de fosfato, um dos principais motivos da ocupação
Igreja Católica do tempo da colonização espanhola
Nunca havia visto tantos carros da ONU quanto quando estava no Saara Ocidental
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Palácio Al Jadi e o Sebastianismo – Onde as histórias do Maranhão e do Marrocos se cruzam

Havia vários palácios para serem visitados em Marrakesh, mas nenhum entre eles me foi tão especial quanto o Al Badi.
Ali, as histórias do Maranhão e do Marrocos se misturaram.
O palácio de Al Badi (o incomparável em árabe) foi construído para comemorar a vitória dos árabes na batalha de Alcácer-Quibir ou batalha dos três reis. Um rei marroquino, deposto por outro apoiado pelos turcos, pediu apoio a Portugal. Devido a fatores como interesse comercial, proximidade geográfica, apoio do reino a ataques de piratas a embarcações portuguesas e, principalmente, devido ao fervor religioso, Dom Sebastião, rei de Portugal, resolveu entrar nessa empreitada. Empolgado com as sucessivas vitórias dos portugueses contra os árabes na Península Ibérica, resolveu partir para uma aventura e combater os árabes no Norte da África.
Portugal levou uma pêia que acabou por dizimar o exército português e grande parte de sua nobreza. Dom Sebastião “desapareceu” durante esta batalha e nunca mais foi encontrado. O problema foi que ele não havia deixado herdeiros e, em uma movimentação orquestrada com a nobreza de Portugal, o rei da Espanha reivindicou o trono português e Portugal foi unificado com a Espanha. Isso foi bom para o Brasil, pois, com essa fusão, não havia mais sentido em respeitar o Tratado de Tordesilhas o que acabou por contribuir para a expansão do Brasil rumo a oeste.
Os portugueses inicialmente não acreditaram que Dom Sebastião havia sido morto no combate. Acreditaram que ele só tinha fugido. Isso deu origem a uma crença conhecida como Sebastianismo, onde os portugueses acreditavam que Dom Sebastião a qualquer momento iria voltar para salvar Portugal da dominação espanhola e também para ajudar todos os pobres sofredores daquele reino. A questão é que ele nunca voltou e essa crença perdura até hoje. Para vocês terem uma ideia, Antônio Conselheiro acreditava que Dom Sebastião iria retornar dos mortos para restaurar a Monarquia no Brasil.
E onde entra o Maranhão nessa história? Bem, entre as diversas vilas que existem hoje nos Lençóis Maranhenses está uma com alta concentração de albinos. Sim, albinos! Aquela galera que não tem melanina na pele e é branca demais. É um mistério como eles chegaram e se estabeleceram lá, haja vista que os Lençóis Maranhenses são o pior tipo de ambiente possível para eles viverem. Lá é extremamente ensolarado e eles não tem defesa na pele contra o sol pois são… albinos. Mas o mais curioso dos albinos dos Lençóis Maranhenses, na verdade de grande parte das pessoas que moram nessa região, é que eles são Sebastianistas. Jovens e adultos celebram a presença abstrata do Rei Sebastião, o protetor das terras, mares e areias de Lençóis. Lá é tido como um pai para os nativos e até aparece para eles, montado em um cavalo, na praia ou nas dunas, e um dia voltará de vez para socorrê-los, emergindo, debaixo das dunas e areias dos Lençóis Maranhenses, o seu castelo. É um mistério também porque eles são Sebastianistas, mas acredita-se que isso se deve ao Padre Antônio Vieira que em suas pregações, propunha que o Maranhão seria o lugar mais provável para a volta de Dom Sebastião.
E foi lá onde a história do Marrocos se cruzou com a história do Maranhão.
O palácio foi uma das maiores construções do seu tempo e foi construído em grande parte com os vultosos resgastes pagos para trazer de volta o que restou da nobreza portuguesa. Com o fim da dinastia saadiana, vencedora desta batalha, o rei da nova dinastia, alauita, decretou Méknes como capital e utilizou azulejos e outros materiais deste palácio para construir outro na nova capital. Assim, deixou o Al Badi à míngua para não dar crédito a glórias alheias
A história do palácio de Al Badi serve para demonstrar que a mania dos políticos brasileiros de não continuar obras de seus antecessores (para não dar créditos a eles) é algo bem mais antigo do que muita gente imagina.
Quartos para os embaixadores

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Marrakech, Marrocos – Comprando vestidos em Liquidação

Conforme falei, a principal atração do centro histórico de Marrakesh é se perder por lá sem saber pode para onde se está indo.
Um dia desses me perdendo, caminhando por aquelas vielas e seus diversos vendedores, escutei um cara batendo palmas e gritando algo que não entendi, mas que tava na cara que era aquele famoso gesto de quem grita uma liquidação. Corri para lá e, quando cheguei, pude constatar que realmente era uma queima de estoque.
Lá tava um bando de tia se estapeando e puxando vestido de um lado, de outro, jogando para cima e bagunçando tudo dentro da lojinha do brother. Cara, ele tava vendendo aqueles vestidos por 12 reais. Cada um!!! É óbvio que as tias foram a loucura! E não eram uns vestidos ruins não, eram aqueles bons, que você as vê usando pelas ruas do Marrocos.
Obviamente eu não me fiz de rogado. Joguei-me lá no meio e comecei a procurar uns vestidos para dar de presente no Brasil. Mano, o mais engraçado era que era só mulher no meio daquele bando de vestido. E eu.
Depois que vi os vendedores olhando para mim e pensando “hhhhuumm… esse aí … de cabelinho grande… doiidoo para um vestido… sei não…”. Lembrou experiência parecida que tive tentando comprar uma cueca na China e que relatei no post “Porque todo mundo tem um dia de `gringo solta-franga´”(quem quiser ler, pode visitar o link aqui). Eu não tava era nem aí! Tava barato que tava danado e juro que eu quase comprei para revender, só não o fiz porque ia pesar na minha mochila. Só sei que quem ganhou o vestido ficou mais do que satisfeita (ênfase no satisfeitA antes que a galera ache que o vestido ficou para mim).
Encantador de serpentes na Djemaa el Fna, principal praça de Marrakech
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Hospedagem em Marrakech – Marrocos. Onde ficar?

Eu tinha conseguido um lugar pelo Couchsurfing para poder ficar em Marrakech.
O cara parecia até ser gente boa. Porém, do nada, uma semana antes de eu viajar, ele me veio com uma história de que estaria muito ocupado e por isso não ia poder me hospedar mais. Mas, claro, que isso não seria um problema já que eu poderia ficar hospedado no albergue em que ele trabalhava e que era bem baratinho. O mal do esperto é achar que todo mundo é besta. Obviamente não fiquei no albergue dele e reportei isso ao Couchsurfing.
Por meio de sugestões de amigos, acabei ficando em um albergue chamado Equity Point. Cara, que boa escolha. Mano, o lugar era cinematográfico, situado no meio da Medina e era uma mansão particular. Tinha um terraço muito da hora onde era possível ver toda a cidade medieval e onde pude bater ótimas fotos. Além de que dentro da casa havia fontes, azulejos, quadros, nossa, irado demais o lugar.
O albergue é tão labiríntico que tem até placas apontando para onde é a saída porque senão você, literalmente, se perde lá dentro. Uma das poucas vezes em que o albergue foi uma das principais atrações da viagem

Fonte
O pessoal que trabalhava lá também era gente boa. Uma menina, toda vez que chegava da rua, estava com véu na cabeça e tirava quando entrava no albergue. Ela me disse que na rua sempre andava de véu, mas que lá dentro não era permitido, haja vista que ela trabalhava com ocidentais. Perguntei por que ela tinha que usar do lado de fora e ela só me explicou que os caras a respeitavam mais se assim ela fizesse. Fiquei imaginando que ela sem véu deva receber o mesmo assédio que uma menina recebe com minissaia no Brasil, por exemplo.

Se forem a Marrakesh, fiquem noEquity Point, sugiro demais.

O albergue é tão labiríntico que tem até placas apontando para onde é a saída porque senão você, literalmente, se perde lá dentro. Uma das poucas vezes em que o albergue foi uma das principais atrações da viagem

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Marrakech no Marrocos – Perambulando pela cidade

O termo Marraquexe vem da língua nativa dos berberes e significa “A terra de Deus”. Ela foi por mais tempo capital que Fez, Rabat, Casablanca ou qualquer outra cidade do Marrocos.

Lógico que na primeira noite eu não tive coragem de sequer pisar fora do albergue. Vai que eu me perdesse e tivesse que sair perguntando novamente?

No outro dia pela manhã andava dois passos, parava, olhava para trás para decorar o caminho. Mais dois passos, olhava para trás. Cara, sério, eu tava pensando em fazer como João e Maria e sair jogando umas pedrinhas no chão para ir marcando o caminho de volta. Depois que fui descobrir que eu estava ficando do lado de uma das mais famosas mesquitas da Medina (centro histórico em Marraquexe), a Moassine. Eu falava em Moassine e o pessoal me apontava o caminho.

Mouassine

E essa acaba sendo a principal atração de lá. Se perder em uma cidade que foi fundada há mil anos. Fui a mesquitas e a zonas turísticas indicadas no guia. Eram até bonitas, mas legal mesmo era ficar perambulando por lá e pensar que há quase mil anos as pessoas trabalham da mesma forma com pouco mudando desde então.Esse receio todo, na verdade, foi só no primeiro dia. Cara, é impressionante, no segundo dia eu já tava me orientando muito bem dentro da Medina. Apesar das ruas apertadas e medievais, já não me perdia mais.

Ferreiros artesanais
Vendedores de artigos de couro

Engraçado que eu passava do lado dos vendedores e eles começavam “Hello, my friend. Como estas, tudo bien? Sa vá? Bongiorno!” iam mandando em várias línguas diferentes até achar qual era a minha para ganhar a minha simpatia e me vender algo. Vez ou outra até um “obrigado” rolava entre essas tentativas, ao que meu sorriso acabava denunciando que eles tinham acertado.Comerciam os mesmos artigos. As cores e o colorido, os diferentes tipos de cheiro de ervas, de especiarias e de sons, a gritaria dos mercantes, tudo era muito interessante. Senti-me tão extasiado quanto o guia da Coreia do Norte me falou que se sentiria se um dia viajasse pela Venezuela (confira a história aqui). A disposição das lojinhas, as vielas, os produtos expostos… Desviar da meninada correndo, das motinhas atravessando no meio da galera, dos burros puxando carroças (!!!) em caminhos que mal passavam três pessoas ao mesmo tempo… parecia demais aquelas cenas de filmes da idade média.

Outro dia eu tava parado do lado de uma mesquita com um mapa aberto e um cara se ofereceu para me ajudar. Pensei que, bem, quem sabe ele não queria só me ajudar mesmo? Lembrei inclusive de um ocorrido no Egito onde todo mundo foi super gente boa e sem interesse (história do Egito aqui).

O cara perguntou de onde eu era, puxando papo, e eu falei que era do Brasil. Depois de um tempo eu fui perceber que ele era um guia e, agradeci, falei que não queria o serviço. Cara, mas foi engraçado. Aí foi até o fim do dia todo mundo falando em um português comigo. Mano, esses bichos só podem ter um grupo do whatsapp onde compartilham “Brasileiro com cara de idiota caminhando pela cidade. Ataquem-no!”.

Fica o recado do nosso amigo

O cara se enfia com a moto mesmo. Tá nem aí

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Marrakesh – A chegada mais estressante do Marrocos

Cheguei ao aeroporto de Marrakesh quase onze da noite e fui pegar um táxi. Já de saída, tive que quase sair na porrada com o taxista para ele me cobrar o preço que era TABELADO no aeroporto. Ele obviamente ele dizia que não iria fazer porque era a noite. Fui deixado na entrada do centro histórico de Marrakesh e ele me disse que dali não poderia me levar, que não passava mais carro e que era só seguir em frente que estava tudo bem.
Tentei discutir, mas ele quase não falava inglês e não adiantou. Eu ia ter que, de qualquer jeito, achar o meu albergue. Na hora que eu paguei o taxista outro cara já voou em cima de mim e começou a gritar. Dizia que iria me levar a meu albergue… pelo mesmo preço que paguei ao táxi. Obviamente falei para ele que não iria dar dinheiro a ele e o mandei ir pastar. Obviamente ele disse que eu não iria conseguir chegar a meu albergue. Obviamente o ignorei. Obviamente ele ficou me seguindo e gritando no meu ouvido que ele podia me levar. Obviamente aquilo foi me irritando. Depois de quase 30 horas entre deslocamentos para aeroportos, voos, esperas em conexões, novos voos, eu estava cansado e, obviamente, irritado. Obviamente o figura continuou gritando no meu ouvido e obviamente não parecia querer me deixar em paz. Pensei que no Marrocos eles podem ter problemas com qualquer coisa, menos com armas de fogos e também que, segundo li, a zona turística de Marrakesh passa semanas sem casos sérios de violência.
Virei e com, sangue nos olhos, comecei a gritar com ele para ele me deixar paz. Mas gritando a plenos pulmões. Obviamente eu NUNCA faria o mesmo em qualquer cidade do Brasil, mas no Marrocos era de boa. Gritei, gritei, gritei o mais alto que pude e comecei a peitar ele. Não foi preciso se preocupar muito em fazer isso. Foi só deixar a raiva ir embora. Eu acho que ele meio que não esperava aquilo, ficou assustado e resolveu me deixar em paz. Um problema a menos. Rapaz, eu fiquei tão bravo que me lembrou algo parecido que ocorreu em Varanasi na Índia (confira a história aqui)
O ruim é que continuava o meu problema principal: Como diabos eu iria chegar no meu albergue? Estava escuro e a parte histórica, a Medina, é assustadora a noite, pois consiste de vielas escuras, labirínticas e claustrofóbicas sem nenhuma sinalização. Saí andando a esmo até que cheguei à praça principal. Bem, eu sabia que o albergue era próximo a praça principal. Comecei a perguntar aos vendedores das lojas vi que estava chegando perto.
Quando percebi que estava chegando bem perto um cara gritou lá de trás “Amigo, você está perdido? Posso te levar para onde está procurando”. Pronto, outro daqueles.
Por mais que eu tentasse, o bicho não me deixava em paz e ficava gritando que me levaria de graça. Fiquei ignorando e ele gritando “Amigo, não quero nada! Só quero lhe ajudar! Não vou lhe cobrar nada” – enquanto eu pensava que esse de graça iria me render pelo menos um assalto. Acabou que teve uma hora que eu parei, virei para ele, falei que eu REALMENTE não tinha dinheiro algum e ele falou que ainda assim só queria me ajudar.
Ele me levou por aquelas vielas e eu só pensando nos meus rins. No final me deixou na porta do albergue e começou um longo discurso de que ele era árabe, que os muçulmanos não são os israelenses para serem traiçoeiros, que eu podia sempre confiar nos marroquinos. Eu agradeci e apertei na mão. No final, ele gritou “Brasil! Esqueci de te falar, se você quiser comprar haxixe, pode falar comigo!”.
Sim, ele era traficante de haxixe. Toda hora que eu saía do albergue, dia ou noite, tava o cidadão na mesma esquina vendendo seu produto.
Trabalhador…
Pelo menos me levou até o albergue. Duvido que um israelense faria isso de graça (/ironic).
Vielas de Marrakesh. Meu albergue tá lááá no fundo da foto. Como eu iria achar isso no escuro?
Engraçado de Marrakesh é que, apesar de ser difícil passar entre as vielas, isso não é um problema para os caras da motos. Cara, às vezes cê tá andando no meio do mundaréu de gente, loja… E quando vê passa uma motinha tirando fino de você. Olha só a velocidade desse cara se metendo no meio de todo mundo. Eles são meio doidos por lá mesmo
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Marrocos – Comendo por lá

Uma coisa que me deixou um pouco preocupado no Marrocos foi a higiene. O país não é um lugar tão ogro quanto a Índia, mas no quesito comida eles são parecidos. Cara, alguns lugares você para para comer e vê o bicho preparando, sei lá, um sanduíche. Obviamente ele não usa luva. Ele vai lá pega o dinheiro e com a mesma mão pega o pão que você vai comer, a carne, o queijo… o que for. Além de que eles são tudo peludo.
Um dia a noite eu tava morrendo de fome em Fes e saí para comprar algo. Não queria comprar pacote de biscoitos ou algo assim de forma que decidi comprar um sanduíche. Cara, quando cheguei na banquinha… O peito de frango era simplesmente exposto cru e eu tenho certeza que tava lá o dia inteiro. O cara fumando dentro do lugar… Encarei, mas até hoje fico com medo de ter um revestério.
Isso quando eu não cheguei em um outro restaurante e tava o cozinheiro lavando os pés. Na pia do banheiro…
Peixe sendo vendido na feira sem nenhuma refrigeração. Olha o tanto de moscas no recipiente

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Marrocos – A terra dos bérberes – Relação Marrocos x França. Afinal, fica em qual continente?

O Marrocos tem uma história incrível com fenícios, romanos, bizantinos, árabes, portugueses, espanhóis… já tendo se estabelecido por lá. É um dos países africanos com história mais próxima de Portugal e, por tabela, do Brasil.
Nos tempos romanos, o Marrocos já chamava a atenção e gerava riquezas por ser a única província que conseguia sintetizar e vender um corante de cor roxa proveniente das conchas de caracóis marinhos. Havia várias corantes diferentes no Império, porém, com o grama desse corante valendo 15 a 20 vezes mais que o quilo do ouro, só os muito ricos tinham roupas com essa tonalidade. Caracol ostentação.
Os romanos nomearam o povo nativo como bérberes. Inicialmente esse era um termo pejorativo, já que vem da palavra “bárbaro” em latim, porém, com o passar dos anos, os marroquinos adotaram o termo bérbere como uma identidade nacional.
O Marrocos durante muito tempo foi uma colônia da França com essa influência sendo muito visível em todos os lugares. É engraçado. Você está andando por algumas vielas milenares e dá de cara com uma confeitaria com tortas e bolos com glacê, chantili, diversas caldas, sabores e coberturas que parecem ser tirados diretamente de um filme franco além de que o francês é quase que falado por todo mundo.
A europeuzada desce em massa para o Marrocos devido as belas praias e preços bem baratos. Isso inclui as drogas. Várias pessoas, quando eu falava que ia viajar ao Marrocos, me falavam “cara, você tem que experimentar o haxixe de lá!”. Fica aí a dica para galera Zé Droguinha, apesar de eu não recomendar isso em países islâmicos.Entre os países árabes e islâmicos o Marrocos é um dos mais liberais e não são muitas as mulheres de véu na cabeça (ainda que eu tenha visto mais mulheres usando aquele véu que só deixa os olhos de fora lá do que no Egito).
Fui surpreendido por uma ótima promoção de passagem aérea para o Marrocos onde paguei a bagatela de 1500 reais ida e volta saindo de São Paulo. Com taxas inclusas. Essa promoção fez tanto sucesso que acabei me deparando com vários brasileiros por lá. Todos que eu perguntava me diziam que tinham comprado a mesma promoção que a minha!
Confesso que o Marrocos é um país interessante, mas achava uma semana muito tempo e fiquei pensando em viajar para algum país diferente nem que fosse para passar só alguns dias. Procurando pelo Google Flights, qual não foi a minha surpresa em ver que era extremamente barato voar para um país bem diferente e esquecido pela comunidade internacional, o Saara Ocidental, onde acabei indo alguns dias depois.

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Lima! E a viagem então chega ao fim.

Depois de todo esse rolê por Chile, Bolívia e Peru, todos esses perrengues, quando cheguei em Lima eu estava só o pó da rabiola. Cansado demais.

Lá fiquei hospedado na casa de alguém que já foi famoso nesse blog aqui. O meu fiel escudeiro e parceiro de perrengues e presepadas do tempo da Austrália. Sim, fiquei na casa do grande Jonas!

Ao contrário da época da Austrália, onde eu e o Jonas éramos apenas dois moleques desesperados por tentar sobreviver na Austrália, em Lima a situação era totalmente o contrário. Jonas hoje é diplomata e mora em um apartamento super legal, em um bairro super legal chamado Miraflores.

Não teve jeito. Combinou meu cansaço, com aquele friozinho bom de ficar dormindo o dia inteiro, com o apartamento do Jonas, com o fato de que eu iria voltar a trabalhar logo depois quando voltasse ao Brasil (portanto não poderia chegar todo moído)… Passei dias só dormindo.

A maioria dos passeios foram aproveitar da diversidade gastronômica de Miraflores com o Jonas, o que na verdade foi bem bom.

Jonas começou a querer fazer eu me mexer:

– Levanta daí, seu cabra! Vai procurar alguma coisa para conhecer em Lima!

– Mas, Jonas, Lima é exatamente como todas as outras cidades que eu já fui no Peru e na Bolívia. Plaza del armas para cá, Catedral para lá, Incas para cá, Pizarro para lá.

– Sim, mas levanta e vai fazer alguma coisa da sua vida! Você viajou até aqui para ficar dormindo?

Lima

Acabou que um dia resolvi ir para o centro de Lima. Miraflores é um subúrbio de Lima, loooonnggeee de tudo. Peguei um táxi e gastei quase uma hora e meia para chegar. Quando cheguei lá, o que tinha?

Plaza del armas para cá, Catedral para lá, Incas para cá, Pizarro para lá. ¬¬

Melhor foi a hora de voltar.

Nenhum taxista queria me trazer de volta, pois era horário de pico e para eles compensava mais fazerem corridas curtas do que ficar uma hora e meia no trânsito para me deixar em Miraflores. Tive que pagar o dobro para um taxista aceitar me levar de volta. ¬¬

SAINDO A NOITE EM LIMA

Outra coisa digna de nota foi que uma noite resolvi ficar em um albergue, sei lá, para ver se conhecia gente nova. Escolhi um quarto com duas beliches. Quem viria a ocupar as camas de cima? Os irmãos Ortiga que eu havia encontrado algumas vezes pelo caminho e inclusive escrevi sobre elas na história da truta maldita em Copacabana (se quiser conferir a história, clique aqui). Coincidência demais.

Fomos sair a noite por Miraflores.

Paramos em um bar para tomar uma caneca de cerveja que lá estava em promoção. Um litro de chopp! Ficamos lá conversando e tentando matar aquela monstruosidade de cerveja.

Depois seguimos pela rua, no centro de Miraflores e nunca fui tão assediado para ir em um puteiro quanto naquela vez. Toda hora chegava um cara querendo rebocar a gente para um. Fomos em um Subway para comer um lanche e um gordinho, segurança de uma balada de dentro do shopping, começou a conversar com a gente. Bicho, o cara era tão gente boa que acabou convencendo a entrar na balada dele. Falou que era de graça e lá a cerveja era barata.

Quando a gente entrou…

Não era um puteiro? Dentro de um shopping!!!!  Tudo bem que era um minishopping e só funcionava a noite! Mas ainda assim era um puteiro dentro de um shopping!

O lugar ainda era decrépito, as pobres das meninas tinham aquelas caras de abandono e um bando de velho barrigudo lá dentro. Visão do inferno!

Acabou que ficamos zanzando por lá e eu fui dormir cedo, haja vista que no outro dia tinha meu voo de volta ao Brasil.

Olha o nome do restaurante… O melhor é “Todos los sentidos” logo abaixo que dá uma conotação especial

Encontrei várias dessas placas pelo Peru


 

E esses gatos enfileirados

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