





















Depois do café da manhã na fronteira seguimos para entrar no parque e já tive a primeira experiência de como país funciona. Fui a uma lanchonete do lado do posto de entrada no parque, comprei uma água e pedi para a tia para poder usar o banheiro. Ela me falou que para usar o banheiro eu teria que pagar (na Bolívia sempre há que se pagar por todo e qualquer banheiro), porém não seria possível porque ele estava congelado (a Bolívia é fria para dedéu!!!!). Meu dia já começou bem. Acabei me resolvendo no banheiro “ao natural” nas paredes do posto de fronteira, outra coisa que aprenderia que se faz bastante na Bolívia.![]() |
| Lago congelado |

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| Enquanto eu sofria com o frio e a altitude, nosso amigo aí ia de bicicleta. Esse sim é macho! |
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| Laguna Colorada de cor rosa. Ao fundo os flamingos que Deus sabe como conseguem viver nesse lugar |


Logo no começo de nossa viagem, paramos em um lugar com piscinas termais. Cara, não importa se você tem roupas de banho ou não, toalhas ou não, a resposta é sempre: “- Sim, eu vou pular na água”. Na primeira noite dorme-se no lugar mais tosco possível, mais frio, mais alto e onde não há chuveiro quente. Logo, ou você é muito macho para tomar banho em um chuveiro ou a piscina termal vai ser o seu único banho no dia.

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| Esse lugar eles chamam de “Vale do Dalí” porque tem um visual parecido com os quadros que ele pintava. Achei que faz um pouco de sentido… |
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| Hospedaria |
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| Local onde dormimos |
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| O visual do lugar onde dormimos até que é legal |
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| Pôr-do-sol em frente a hospedaria |
P.s: Na foto, montanhas bolivianas a caminho do Salar de Uyuni. Na frente, o outro Jipe que íamos acompanhando
No outro dia acordei quase de madrugada e fui de camionete para o passeio do Salar de Uyuni. Apesar de todos chamarem desse jeito, o Salar de Uyuni é só uma das dezenas de atrações e paisagens que vemos pelas montanhas da Bolívia sendo o ponto final.
No caminho para atravessar a fronteira, conheci uma brasileira que estava simplesmente desesperada. A amiga havia esquecido o passaporte na fronteira da Bolívia e aquilo tinha um potencial gigantesco para dar problema a elas caso fosse perdido. Por sorte quando chegamos a fronteira os guardas bolivianos haviam guardado o passaporte e entregaram de volta. Sem antes, lógico, não cobrarem uma “multa” de 150 reais relativo a “esquecimento de passaporte na fronteira” que obviamente foi inventada ali na hora e direto para o bolso deles. Logo no primeiro lugar que eu pisei na Bolívia já dava para começar a perceber como era que o país funcionava.
No posto de fronteira já descemos para tomar o café da manhã em um sol de rachar e um frio de doer as canelas. Estranho isso, sol com frio. Rapaz, e quando batia o vento então… Fomos divididos e eu acabei ficando com um casal de chilenos e o guia Jonnhy, boliviano e gente boa demais. Ele era engraçado. Não podia a gente parar o carro que ele se enfiava debaixo. Eu olhava aquilo e ficava torcendo para que fosse um costume boliviano e não o fato do carro estar quebrando. Não era quebrado não, ele simplesmente gostava de ficar deitado embaixo. Vai saber…

Uma curiosidade que ele me falou é que para ser motorista dentro do Parque você tem que ser boliviano. Achei engraçada essa reserva de mercado.





San Pedro do Atacama é uma cidadezinha pequena e é como Bonito no Rio Grande do Sul (veja o post sobre Bonito aqui), vive nitidamente apenas para o turismo. Para onde você olha é agência de turismo, restaurantes, baladas, hotéis e albergues para acomodar a galera que quer se aventurar no Atacama ou seguir para Uyuni na Bolívia. Outra coisa engraçada que logo descobri é que tem tanto, mas TANTO brasileiro viajando por lá que um guia me falou que eles tão quase para mudar o nome da cidade para “São Paulo do Atacama”. Inclusive cheguei a conhecer alguns brasileiros que moravam lá pela cidade mesmo. Arrumaram um emprego e me disseram gostar de viver por lá devido a tranquilidade do lugar. Não consegui conversar muito com eles, pois eles pareciam meio arredios, não me davam muito papo e realmente pareciam não querer conversar comigo. Acho que é tanto brasileiro por lá, fazendo tantas vezes a mesma pergunta “como é morar aqui em San Pedro” que os caras acabam por encher o saco.
Inclusive conheci um filha da puta lá que me colocou maior medo sobre as montanhas bolivianas. Disse-me que fazia um frio de matar qualquer um. Quando eu disse que só tinha um sobretudo, um agasalho, uma calça e algumas meias, ele só faltou dizer que eu ia morrer congelado por lá. Gastei uma grana na cidade comprando meias, calças, gorros, luvas com preços extorsivos. No final nem precisei usar. Comprei tudo só por causa do medo que aquele filho da puta me colocou.

Além disso, escutei relatos de se você pagar barato corre o risco de pegar um motorista bêbado, louco ou sacana. Ou os três juntos. Ou, pior, acontecer como o ocorrido com uma amiga de um brother nosso que estava viajando no meio do Salar quando do nada o motorista pergunta se alguém tinha uma bússola. Com a negativa de todos, após duas horas rodando, o motorista começou a chorar dizendo que estava perdido e que não podia morrer porque tinha mulher e filhos para sustentar. Assim, nessa sutileza. Cara, se o motorista que é a base da sua confiança em um deserto começa a chorar, você faz o que? Pois é, paguei caro para tentar evitar esse risco.



Desci direto em Santiago e fiquei uma noite na casa de uma grande amiga que durante muito tempo foi membra do Couchsurfing Brasília, hoje casou com um chileno e tem um filhinho. Cheguei à casa dela e ela já estava hospedando dois outros couchsurfers nordestinos. Conversando com esses caras me veio o primeiro choque do que seria a minha viagem pela Bolívia. Eles não gostaram da Bolívia. E DETESTARAM os bolivianos, que eles só chamavam de mau-caráter. Disse que tudo eles tentavam enganar e que ficasse de olho nos pacotes turísticos que eles iriam me vender, principalmente os ônibus, porque eles te vendiam a passagem em um ônibus que na foto era uma beleza. Tinha calefação, cadeira-cama, mas quando você chegava era um caindo aos pedaços, que só comprasse as passagens momentos antes de subir no ônibus sob pena de ser enganado. Quiseram economizar na empresa onde compraram o passeio para o Salar de Uyuni e foi a pior coisa que puderam fazer, pois o motorista era um babaca e a comida que lhes foi oferecida era quase que inexistente.
No final acabei por perceber que o que eles diziam não era tanto assim. Tanto assim. Porque sim, de todos os povos da América Latina que já pude presenciar, os bolivianos foram, de longe, as piores experiências. Realmente os mais safados e, pior, os menos amigáveis de todos os latinos (Cuba também é um país pobre e também se aplicam golpes como é possível ver nesse post aqui, porém era um povo muito amigável. Os bolivianos parecem não gostar de estrangeiros). Porém, no final, não achei algo tão alarmante como eles me falaram. Talvez porque quando me falam de um lugar com gente safada, penso logo na Índia, lugar onde há mais filhas da puta por metro quadrado neste planeta, e que, sim é bem pior que a Bolívia. Conversei pouco com os nordestinos que estavam hospedados lá, mas foi de grande valia pelo alerta relativo aos bolivianos.


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| Da floresta tira-se remédio para tudo, de colesterol a derrame! |