Trinidad – Playa Ancon

Saí do mergulho e fui ver essa tal dessa Playa Ancon, pedala daqui, de lá e quando chego. Bem, só uma praia com um bando de gringo velho, branquelo e gordo tomando sol. Parecia ser um praia nórdica, não uma cubana. Depois que fui me tocar que aquela praia fazia parte do apartheid turístico em Cuba. Você fecha a praia, estabelece um preço em CUCs para entrar e como está fora de questão para os cubanos pagarem isso, você tem uma praia para os gringos tomarem sol sem se preocupar com cubanos esmolando ou vendendo bugigangas. E Viva la Revolución!
As únicas pessoas não nórdicas que pude ver na ilha foram essas três mulheres com um gringo gordo. Tire suas conclusões…
Lógico que aquele sofrimento todo do banco estuprador não valeu a pena. Cara, para eu fazer uma viagem igual a aquela novamente, o prêmio tem que ser alto, tem que ter no mínimo suec… ups… posso me encrencar… Pode ter no mínimo… er… sei lá… sorvete de graça para valer todo aquele esforço. Pelo menos comer lá me saiu mais barato do que comer em Trinidad (!!!!!!) ainda que no restaurante tivesse uma tia totalmente embriagada achando que estava em um karaokê como pode ser visto no vídeo abaixo…

Eu queria ser, o selim da sua bicicleta… Pedalando em Trindade-Cuba


Adoro galera com uma plaquinha indo me buscar. Virei o senhor “Claudiomark”

Se há uma unanimidade sobre Trinidad é que se você tem um tempo a mais na cidade, aproveite para ir a uma praia próxima, chamada Playa Ancon. São apenas 12 km de lá. Mas se for para ir para essa praia, você tem que ir de bicicleta. Pombas, 12 kms não é nada, quando fui fazer as contas pensei “bem, em Brasília quando saio para pedalar faço pelo menos três vezes isso, então 24 kms não vai ser nada”. É bicho, eu só esqueci de uma variável importante, a bicicleta.

Fui de boa em um vizinho da minha casa particular e o cara me falou que alugavadf a bicicleta por três dólares. Filé, fechei com ele e no outro dia tava a bicicleta na porta da casa particular. Mas, assim, foi eu sentar e eu já ver que havia problemas. Cara, o selim da bicicleta era de alumínio com um pano por cima cobrindo. Aquilo não era um Selim, aquilo era um estupro. 
Queria ver alguém encarar um selim desses…
 Selim no dos outros é refresco. Não pensei duas vezes, subi na bicicleta e fui embora. Fui saindo da cidade e pedalando. Passei por uma placa “Cienfuegos 80km”. Quando passei a placa “Cienfuegos 75 km” comecei a imaginar que havia algo de errado. Como não havia nada dos dois lados da rodovia, tive ficar esperando uns dez minutos até a hora de passar uma carroça para eu perguntar para que lado era Playa Ancon e constatar o inevitável, eu havia pego a saída errado. Sabe aquela sensação de descarregar um caminhão de tijolo no lugar errado? Pois é, 10 km de aquecimento até que não pareciam tão ruins.
Vai um pão?
Já na saída da cidade…
Voltei, peguei a saída certa e parei no meio do caminho para Playa Ancon porque havia marcado um mergulho em uma baía próxima. Havia marcado de chegar lá as 10h. Consegui chegar as 10:20. Quando cheguei o mergulhador me falou que eu estava deveras atrasado. Pensei “esse mergulhador acha que tá onde? Alemanha? Isso aqui é America Latina, temos sempre 30 minutos de tolerância”, só depois que eu fui descobrir que naquele dia havia começado o horário de verão e, sim, eu estava uma hora e vinte atrasado.
Pizza, a comida nacional de Cuba, ainda que só queijo e molho de tomate. Quem se importa? Custava 50 centavos de real…
Óh meus amigos gringos, por que vocês sempre tem que ser tão estranhos?
Não faz mal. O mergulho foi fantástico. Pela primeira vez fiz mergulho em cavernas. Cara, como aquilo é lindo. Parece que você está voando. Saímos da última caverna bem em uma parede onde você via o fundo do mar até onde a vista alcançava!! E isso a gente já a quase 40 metros? Parece pouco, só para efeito de informação, a cada 10 metros a pressão em cima de você aumenta em 1 atm. Estava portanto, a quase 5 atmosferas e nem percebia, tanto era a fascinação de ver aqueles paredões de corais! Indescritível! O melhor foi no final quando já estávamos voltando para a costa eu ver que tinha um peixe literalmente nadando entre as minhas pernas. Quando fui ver era um peixe rêmora achando que eu era um tubarão e tentando colar em mim para pegar uma carona. Peixe engraçado, a boca parece uma ventosa! Quando eu perceber qual era a real intenção do peixe, ele já tinha indo embora.
Pobre tubarão cercado por rêmoras…

Cienfuegos e Trinidad – Você conhece Frei Beto?

Esse figura no caminhão viu que eu estava batendo fotos e não se aquietou enquanto eu não batesse uma foto dele.

Depois de Havana, segui para Cienfuegos e depois Trinidad. As duas eram cidades patrimônio da humanidade. Porém, longe da magnitude que é Havana. Meio que me arrependi de passar nessas duas, em Cienfuegos passei só uma tarde e uma manhã, o que foi mais do que suficiente. Só dois momentos dignos de nota.
Che Guevara e Cienfuegos nos quadros dentro de uma casa cubana…
Em Cienfuegos, eu fui comprar um imã de geladeira e quando disse pro camelô que eu era do Brasil o bicho começou a me citar todas as obras de Frei Beto que ele havia lido e como ele achava genial a Teologia da Libertação. Até perguntou se eu não tinha nenhum livro em português para presenteá-lo, haja vista que estava querendo aprender português para ler sobre Frei Beto no original, pois segundo ele, você perde muito na tradução. Ah sim, o imã de geladeira na banquinha dele custava 2 CUCs. 
Esse garçom me chamou bastante a atenção. Não, ele não é um gringo preso em Cuba. Ele era cubano, nascido e criado em Cuba

Outra foi o do dono da Casa Particular onde eu morava tentando consertar o chuveiro.  Ele ligava o chuveiro, deixava a água sair e enfiava a chave de fenda na resistência. E eu ali, só esperando para ver ao vivo como se contorcia um condenado sendo executado em uma cadeira elétrica. Saía faísca para todo lado e eu falando pro homem “rapaz, desliga isso, mexe no chuveiro desligado” e ele só dizendo que tinha que mexer daquele jeito mesmo.
Em Cuba os pedreiros jogam xadrez..
Cienfuegos era uma cidade histórica parecida com São Luís. Um estilo arquitetônico que não diferia em muito ao que já conhecia.
Trinidad como centro histórico foi pior ainda. Era só uma pracinha, alguns prédios coloniais, nada muito diferente do Brasil. Agora, assim, cara, muito CARA! Bicho, qualquer pratinho de comida me custava o dobro do que eu pagava em Havana. A parte legal mesmo foi um mergulho que eu fiz em uma praia próxima e a visita a uns engenhos abandonados, menos pelo lugar, mais pela companhia do taxista, um cara muito legal. Histórias que escrevo com mais detalhes abaixo.
 Acho que no final seria melhor ter deixado Havana por último e ter me concentrado primeiro nessas duas. Depois de Havana, cidade nenhuma é mais tão interessante…

Perambulando por Havana

Havana parece possuir um museu em cada esquina. Fora os óbvios que você espera encontrar, como Museu da Revolução (que segundo um amigo meu, a parte em espanhol podia até ser completa, mas a parte em inglês as vezes aparecia pela metade, como se alguém tivesse com preguiça e resolvido deixar assim mesmo), da História de Cuba ou coisas assim, um que me impressionou em especial foi um museu sobre Napoleão
Busão lotado em Havana. Acho que a sacola do Mickey sorrindo abaixo serve para completar a ironia

Em Havana há um museu napoleônico extremamente grande e com milhares de peças. Tinha desde quadros, mobílias, representações de suas batalhas, miniaturas de seus exércitos, até a máscara mortuária que foi feita em seu leito de morte. EM HAVANA!!!! Não tou dizendo de Paris! HAVANA!! E aí? Alguém consegue explicar?!?! Para mim isso é mais ou menos inexplicável como achar um museu do Michel Teló no Congo!!!
Claro que eu tive que ir para checar como diabos isso poderia ser possível. Chegando lá me foi explicado que tudo aquilo foi reunido por um cubano que fez fortuna com cana-de-açúcar (na verdade ele era o maior produtor mundial) e tinha como hobbie colecionar peças de Napoleão, o seu grande ídolo, em suas viagens por Estados Unidos e Europa. Organizou um acervo invejável. Quando estouro a Revolução, ele fugiu de Cuba e seu acervo foi “incorporado ao patrimônio público cubano”. Mas onde deveriam colocar todas essas peças? Ah, em Cuba nunca há problema. Aproveitaram a casa de um outro notável que havia fugido da Revolução para isso. A casa era uma obra de arte em si. Desenhada tendo como inspiração a arquitetura de Florença e, pronto, estava feito um dos museus mais impressionantes que pude visitar. Sobre Napoleão. EM HAVANA!!!!
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Estrangeiros em Cuba

Assim como na Coréia do Norte, em Cuba também esperava encontrar a mesma mescla de mochileiro que encontrei em Pyongyang. Parte dos mochileiros de esquerda, parte de direita e a maioria não dando a mínima para política. Porém, em Cuba foi algo totalmente diferente. Pude perceber que mochileiros como eu, que foram a Cuba apenas para conhecer o país mesmo e saber como as pessoas vivem por lá, são minoria. A maioria da galera que aparece por Cuba efetivamente são pessoas que acreditam na Revolução e em países de economia planificada, ainda que seja difícil acreditar que pessoas desse jeito existam até hoje.

Lá atrás, escritório para tratar de interesses americanos na ilha. Uma ação de reaproximação realizada por Jimmy Carter em relação a Cuba. Dá para ver facilmente a felicidade que eles tem pelo lugar…

Às vezes eu tava voltando de um dia de caminhada por Havana e quando perguntava a galera do albergue o que eles haviam feito eu só recebia resposta do tipo “nada, só fiquei lendo mesmo”, você olha o livro do cara e é aquele panfleto do partido comunista cubano, títulos como “a supremacia do socialismo sobre o imperialismo” e outras alucinações.

Em Cuba todo ser humano tem moradia, ainda que viva em um cortiço

Eu virei para uma francesa que estava no grupo e falei “pô, é interessante a gente ouvir também o que falam a galera pobre de Cuba, né?”. Ela só me mandou um “arf… para mim ele é que nem aquele povo da França, que tem tudo e não para de reclamar da vida”. Tem tudo?!?!?! Meu, o cara tava reclamando que tinha que usar jornal não só para ler e a mina me falou isso!O que é mais triste é que alguns deles efetivamente parecem querer acreditar que o sistema cubano é perfeito, lindo e distributivo, apesar das evidências contrárias. No dia que a gente tava conversando com o cara no bar e ele reclamava para gente o quanto era difícil viver em Cuba, como às vezes até um litro de detergente ou um papel higiênico poderia ser um problema, o grupo inteiro ficava falando para ele “mas que nada, cara, não deve ser tão ruim assim. Você tem saúde, educação e moradia!”. E o bicho só respondia, “posso até ter moradia, mas tenho que morar com meus avós e meus pais para ter um teto”

Sorveteria Coppelia, um dos principais pontos turísticos de Cuba. Lá eles vendem um sorvete de seis bolas por aproximadamente quarenta centavos de real A PORÇÃO! A variedade é de geralmente um ou dois sabores por dia, mas quem se importa? São QUARENTA CENTAVOS!!! Nos fins de semana, balada de cubano é pegar filas quilométricas para provar do famoso sorvete.

Sabe aquelas horas que é melhor você ficar calado? Pois é, eu não tenho esse dom. Só emendei um “lógico que ele tem tudo e tão reclamando, inclusive semana que vem ele vai ter a oportunidade de fazer um mochilão na França e no Brasil que nem a gente, né?”. Lógico que ela não falou nada depois disso e na verdade não falou mais nada comigo até eu ir embora de Havana. Nem bom dia me dava.

Mais uma inimizade para coleção…

Revolução no país dos outros é sempre muito legal.

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Plaza de la Revolución

Depois de andar quase meia hora, descobri que estava indo para o lado errado de Havana ao invés do caminho para meu albergue. O jeito foi voltar para a Plaza de la Revolución e fazer um take noturno. A vida é dura quando você não sabe para onde seguir…

Plaza de Revolucion

Um dos principais pontos históricos e turísticos de Havana, a Plaza de la Revolucion homenageia dois dos maiores heróis da Revolução Cubana: Che Guevara e Cienfuegos. A Plaza de la Revolucion é palco de grandes demonstrações de apoio ao regime e também onde ocorrem grandes discursos como Fidel ou o Papa.

Pôr-do-sol em Havana

Depois de toda a loucura e toda a tensão de Caracas, o constraste da calma e bela Havana, uma das poucas capitais latino-americanas onde você pode andar pela noite tranquilamente sem medo de ter as suas tripas arrancadas em um assalto no meio da rua.

Sociedade em Cuba

O que posso dizer de Cuba com toda a certeza é que poucos lugares conheci pessoas tão legais como conheci em Cuba. Cara, não é aquele velho clichê de “os locais são simpáticos e todos querem ajudar” como a gente lê em todos os guias de turismo. Os locais eram gente boa mesmo!
Porém uma coisa que ninguém pode falar que não há em Cuba é acesso a cultura. Tudo relacionado a cultura na sociedade cubana é MUITO barato e acessível para eles. Apresentações teatrais, balés, cinemas, apresentações musicais, tudo é absurdamente barato e Havana sempre está fervilhando de atrações culturais. Além disso, o acesso a educação é muito barato. Além da educação ser gratuita, os livros custam uma bagatela, como já havia dito.
Mas Cuba em si é uma viagem que vale a pena pelas pessoas que você conhece, pelas pessoas com que você conversa e escuta a sua história.
Cuba também é um país absurdamente seguro. A gente ia visitar os lugares, a última das nossas preocupações era fechar vidro de carro ou checar se a sua mochila ainda tava no mesmo lugar.
Outro fato que me chamou bastante a atenção e que inclusive é alertado no Guia do Lonely Planet para mulheres viajando sozinha é que os caras em Cuba não perdem tempo. Os bichos chegam “chegando”. É muito engraçado! É só passar uma mulher com uma saia mais ou menos que você fica ouvindo os caras assoviando, mandando beijo e gritando “ei sua linda!!!”.
Flagras que eu peguei de caras na rua, digamos, “checando” o material… Viva a alma pedreira!
 Imagine aquela cena quando uma mulher passa em frente a uma obra comendo uma banana bem na hora que aquela pedreirada tá mandando ver na marmita. Pois é, coloque isso na escala de um país inteiro e você tem um retrato do que é Cuba. Teve uma vez que eu tava andando em Havana que eu parei só para poder ficar observando dois taxistas fazendo o maior barulho para mulherada que passava. Era assovio, “te amo”, “que bela muchacha” e por aí vai. Eu chega ficava do lado e só dando risada. No dia que a gente saiu para ver a “homenagem a Chávez” uma das meninas do albergue achou por apropriado colocar uma peça de roupa que para ser uma mini-saia precisava de pelo menos uns 15 cms de pano a mais. Mas era como arame farpado, protege a propriedade sem atrapalhar a vista. Juntando isso ao fato de que ela por si só era um espetáculo temos Havana inteira parando de chorar por alguns segundos a morte de Chávez no melhor estilo “ah se ela soubesse que quando ela passa o mundo sorrindo se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor”. Amigo, quando ela passava era o cara vendendo sorvete, o outro dirigindo o táxi, o policial,velho, mendigo… todo mundo checando aquela bela combinação de genes. Eu, lógico, andando há alguns metros atrás e só rindo da situação, tentando de toda forma tirar uma foto de alguém secando ela, mas não consegui. Essa gostava de chamar a atenção.
Outro que eu também dei risada foi um dia a tarde em Trinidad. Depois do expediente, uns cubanos se reuniram em frente a igreja central da cidade com umas garrafas de rum e toda gringa que passava eles só mandavam um “uuuhhhh… I love this white skin” (Eu amo essa pele branquinha…). Mas bicho, eu fiquei uns quinze minutos observando os caras que só falavam a MESMA coisa para toda gringa que passava. Eles pareciam que estavam esperavam uma passar e falar assim “nossa, como você descobriu que eu ADORO quando alguém fala assim da minha pele, vou ali me lavar agora para você me usar, ok?”. Só podia ser isso para eles acharem tão esperto o que estavam fazendo. O negócio é que no final seja rico, pobre, flamenguista, sueco ou cubano, todo homem sempre sabe o que quer…
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