Aviso aos navegantes

Eu tou ligado que a galera deve ter achado estranho o que ocorreu, logo após do post da Malásia, eu já fiz um post sobre a Guerra do Vietnã.
 
Então, é que após a Malásia, decidi fazer o post sobre o Vietnã, mas só que, devido ao término do meu tempo na lan house, tive que desconectar e deixar postado só a guerra do Vietnã. Enfim, hoje ou amanhã eu vejo se já normalizo e coloco o post completo sobre o Vietnã.
 
Enquanto isso, dêem uma lida no blog de uma grande amiga minha, a Helena. Ela fez um comentário muito engraçado sobre uma história que tinha ocorrido com a gente enquanto eu ainda estava nos EUA…
 
 
O comentário tá na parte de baixo do blog dela.
 
Abração, galera!
 
P.s: Lulão, leitor assíduo do blog “omundonumamochila” resolveu mostrar que aprendeu bastante lendo o blog e foi ontem ao Vietnã visitar um local dedicado aos heróis de guerra. Segue o link:
 
Porque o blog “omundonumamochila” agora já
influencia até mesmo a política externa brasileira.

Saindo da rodoviária

Assim que cheguei a Vilnius, a primeira coisa que tentei fazer, claro, foi tentar achar o lugar onde a minha host morava, largar minhas mochilas por lá e sair perambulando pela cidade.

Na rodoviária, tentei por diversas vezes ver se alguém falava inglês, mas lá não tinha ninguém jovem e, na Europa Oriental, se você não tem menos de trinta anos, você fatalmente não falará inglês. Depois de várias tentativas frustradas não me restou outra opção senão utilizar uma velha tática que nunca falhava em nenhum lugar do mundo: Escrever em um papel o nome do bairro da minha host, chegar perto de qualquer transeunte, apontar para qualquer busão, apontar pro pedaço de papel e fazer uma cara de bobo do tipo “qual busão eu entro”?

Cheguei pra um tiozão barbudo, careca e que parecia realmente pegar busão todos os dias e fiz a técnica do “pedaço-de-papel-qual-onibus-cara-de-bobo”. Vi que o tiozão meio que ficou achando graça da minha cara de bobo (cara, eu sou muito bom em fazer uma cara assim, pode acreditar!) e depois de algum tempo apontou pra um busão qualquer em que eu entrei sem pestanejar.

Entrando no ônibus, era chegada a hora do segundo round: Descobrir como se fazia pra PAGAR o ônibus. É, pode parecer besteira, mas parece que cada país que ser mais criativo que o outro quando a matéria é cobrança nos ônibus. Em cada país diferente acontece uma verdadeira epopéia para descobrir como se fazer pra pagar a passagem. Assim que entrei, tentei procurar alguém que aparentasse ter menos que 20 anos pra perguntar, mas não foi preciso, uma tiazona veio ao meu encontro chacoalhando o que parecia ser um cilindro de alumínio e pelo som que fazia dentro daquele “chocalho lituano” parecia haver moedas dentro dele. Saquei logo, ela era a cobradora.

Como não tinha a mínima ideia de quanto seria a passagem, peguei o equivalente a 10 dólares em moeda lituana e dei pra mulher. Pô, mais que dez dólares eu tinha certeza que não ia ser! A veia ficou injuriada e vi que ela gesticulava e mandava eu pegar uma nota menor. Peguei o equivalente a cinco dólares e ela a contragosto me deu umas seis notas diferentes de troco!

Pelo menos eu já tinha aprendido a pegar ônibus na Lituânia…

Mostrei pra ela aonde iria e pedi pra ela me avisar o momento certo de descer.

Fiquei sussa e quando foi a hora certa, a tia me cutucou e eu desci na parada que ela me mostrou.

Tentando chegar em casa

Assim que desci do ônibus, peguei o mapinha que tinha imprimido com as coordenadas de como chegar ao apartamento e segui caminhando. Teria que ir rápido, pois já eram rodados 07h50min da manhã e ela falou que tinha que sair de casa às 8h para seguir para o trabalho. Andei até o ponto que ela havia me falado para que assim que chegasse ligasse ou mandasse uma mensagem.

Mandei uma mensagem e esperei um tempinho. Deu uns dez segundos e meu celular começou a tocar, era ela! Quando fui atender, veio a melhor parte: a minha bateria caiu e não teve como atender. E agora? O que eu deveria fazer? Teria ela ligado pra avisar que já tinha ido ao trabalho? Pra avisar que me via da janela do apartamento dela? Pra avisar que estava indo me buscar? Eu não sabia! De uma maneira ou de outra, o melhor a se fazer era esperar e ver o que iria acontecer.

A melhor parte era onde eu estava. No meio de um descampado! Imagina a cena! No meio de um descampado enorme, um latino moreno, com uma mochila nas costas, de pé, olhando pros lados e esperando ser resgatado por a sua host. TODO mundo que passava, aquela galera branquinha e de olhos claros, indo pro trabalho ou levando as crianças pra escola, parava e ficava me olhando com uma cara de “que porra é essa”?

Depois de meia hora, vi que havia ocorrido um problema e resolvi pegar a minha mochila e tentar ligar pra mina de algum lugar pra poder ver o que tinha ocorrido. Comprei um cartão telefônico de uma velha que não sabia falar inglês (tirei o meu cartão de crédito do bolso, apontei para ele e depois apontei pra um orelhão como que dizendo “cartão para o telefone” e ela acabou entendendo) e tentei ligar pra mina, mas sem sucesso. Já era quase nove e deu pra perceber que realmente não ia dar pra eu encontrá-la pela manhã. Peguei minha mochila e resolvi ir dar uma volta no centro.

Tentando chegar ao centro

Aproveitei que tinha uma galera indo pra escola e perguntei pra uns meninos lá que busão eu poderia pegar pra ir ao centro. Eles me apontaram um e eu fui entrando. Entrei, sentei e fiquei esperando o cobrador chegar pra me cobrar a passagem assim como a tiazona tinha feito no primeiro busão que eu pegara na rodoviária. Rapaz, pra que…

Passou uns dez minutos e nada de aparecer ninguém pra me cobrar, como não sabia o que fazer, resolvi descer do ônibus e perguntar pra alguém nas paradas como eu fazia pra pagar o diabo do busão que ia para o centro. Ledo engano…

Rapaz, pela mesma porta que eu ia descendo, subiu um tiozão barbudo NA FEBRE e bufando pra cima de mim. Ele não deixou eu descer e começou a me xingar miseravelmente em lituano e falou que eu teria que pagar pra andar no ônibus (Jura? Na Lituânia vocês pagam pra andar de ônibus? É que no Maranhão não tem isso – deu vontade de falar pra ele quando ele veio me xingando!)!! Chega os olhos verdes dele pareciam duas tochas! Ele babava de raiva e gritava pra mim assim, basicamente, no meio do busão LOTADO, com uma galera indo pro trabalho e, lógico, com uma pancada de gatinha indo pra escola. Eu não merecia toda aquela vergonha…

Tentei explicar pro figura, em inglês, que eu estava apenas esperando algum cobrador que nem ele aparecer (país estranho esse, os cobradores ficam nas paradas e não dentro dos ônibus!) que eu prontamente iria pagar pela passagem. Não adiantou. O tiozão não falava inglês e quando viu que eu não falava lituano, a única palavra que ele falava, ou gritava, em inglês era “PAY, PAY, PAY!!”. Me lembrou até o indiano de Delhi que só sabia falar “Fee, Fee, Fee”. Como não tava afim de ficar pegando grito de graça, resolvi tirar dois dólares do bolso e dar pra ele pra ver se ele me deixava em paz. Quem disse que ele aceitou?? Depois caiu a ficha! O cidadão que tava me xingando e gritando comigo não era um cobrador de ônibus! Não, ele era mais que isso!! Ele era um FISCAL!! Daqueles que sobem pra checar se a galera pagou pela passagem. E não, ele não estava me cobrando pela passagem, ele tava era ME APLICANDO UMA MULTA!

Ah meu amigo, mas aí a gente ia sair no tapa, porque multa eu não ia pagar. Só pra vocês terem uma ideia, todas as informações de como proceder com o tíquete estava em lituano e a última multinha que eu tinha pago por andar sem passagem no ônibus (deve vez de sem-vergonhagem mesmo, pois tava usando o tíquete errado de propósito) foi na Austrália e me custou a bagatela de cem dólares. A multa por andar sem tíquete na Polônia custava 50 euros. Geralmente a multa de andar sem passagem custa de 50 a 100 vezes o preço do tíquete. Devido ao showzinho todo do fiscal, a multa na Lituânia devia ser pra lá de uns 1000 dólares.

O tiozão não parava de gritar “PAY, PAY, PAY”. Eu comecei foi a balançar a cabeça negativamente a e falar pra ele em português: “Pay porra nenhuma”. A gente ficou nessa de “PAY, PAY, PAY” e de “Pay, porra nenhuma” um tempão. Eu tava era esperando ele me dar voz de prisão e me levar pra uma delegacia, porque enquanto eu não achasse alguém que falasse inglês e para quem pudesse explicar que eu não tinha como ADIVINHAR como se fazia pra poder pagar uma porra de uma passagem, eu não ia aquietar. E isso, claro, esqueci de falar, o ônibus parado com o motorista esperando o fiscal descer. Depois de uns dez minutos nessa putaria, veio um moleque lá e começou a intermediar o conflito.

Ele tentou falar com o fiscal, explicar que eu era estrangeiro, mas o fiscal tava irredutível. Sem sucesso com o fiscal, o moleque veio falar comigo:

– Pô brother, o cara não vai livrar essa de você não.

– Amigo, então não tem o que fazer! Não é culpa minha se todas as informações estão em lituano! Até agora eu não sei como funciona esse sistema de passagem – falei pro menino que tentava me ajudar.

– Tou ligado, cara. É complicado mesmo, mas isso não é culpa dele. Ele tá apenas cumprindo o serviço dele que é multar quem tá sem passagem.

– Boto fé, mas também não é culpa minha.

– Cara, vou jogar a real pra você, paga logo o fiscal porque tá todo mundo indo pro trabalho aqui, o ônibus tá parado e ele pode te dar voz de prisão, o que vai acabar sendo bem pior pra você!

– Não quero nem saber! Eu não tenho dinheiro pra ficar pagando multa assim de graça não, amigo!

– Pombas, se esse for o problema, pode deixar que eu pago sua multa e assim podemos seguir viagem!

(Esse cara deve ser muito rico – pensei)

– Não meu, paga essa multa não!

– Ah cara, relaxa, 15 litas não vão me fazer falta.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

– ÃHN?!?!?!?! Quer dizer que a porra da multa é só de SETE DÓLARES?!?!??!?!

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

– Sim! Por isso que eu não entendo porque você não quer pagar!

– Porra, nós tamos nesse auê todo só por causa de SETE DÓLARES?? Eu achei que ia ter que pagar era uns cinqüenta euros!! Pombas!! Toma aqui fiscal imbecil!! Se quiser eu pago é cem multas!!

Sim, cara!! Acredita nisso? Eu quase fui preso ou linchado por uma multidão lituana ensandecida querendo ir pro trabalho por causa de quinze reais!! Pô, a multa era menos que quinze vezes o valor da passagem!! Eu hein!!

A Lituânia sempre pronta para lhe surpreender

Se você tá achando que as bizarrices do sistema de transporte da Lituânia param por aí, você está enganado! Até agora você deve estar se perguntando como é que os bichos faziam pra cobrar a passagem naquele busão, né? Eu também desci no centro me perguntando… Tive que ir num quiosque de ajuda ao turista pra poder descobrir como proceder pra fazer uma das coisas aparentemente mais fáceis do mundo: Pagar uma maldita passagem de ônibus. Chegando lá descobri que a mulher do quiosque não falava inglês! Juro que fiquei me perguntando de que serve um quiosque de ajuda ao turista que só sabe uma língua falada por menos de 4 milhões de pessoas! Até o Maranhão tem mais gente que isso!

Um cara que ia passando pelo local, ao notar meu calvário, resolveu me explicar. Era bem simples, cara… Se liga no cara me explicando:

– É bem simples, amigo, basta você prestar atenção na numeração dos ônibus!! Os ônibus de 11 a 20, você paga para o cobrador que estará dentro. Os de 21 a 40 você paga diretamente ao motorista. Os de 41 a 60, você precisa comprar o tíquete com antecedência em um quiosque e entregar para o motorista. Os de 61 a 80 você deve comprar um tíquete na banca, entrar no ônibus e furá-lo numa maquininha que vai ter lá dentro! Por último tem os de número 90, mas esses são apenas para fazer city-tour pela cidade…

Anotaste? Sabe aquela história que eu falei que cada país tenta ser o mais criativo possível quando o assunto é ônibus? Pois é! Na Lituânia é simples como passar raiva em Teresina.

Feito para turista. Se for para Vilnius, alugue um elefante, deve ser mais fácil se movimentar pela cidade…

Melhor, não compre o tíquete! Pague os sete dólares da multa! Confesso que vai valer a pena ver o tiozão na febre pra cima de você…

Comentarios Comentados

Galera, mais uma vez desculpas por todo esse tempo sem postar.

Domingo agora foi meu concurso, a batalha final. Como nao podia deixar de ser essa ultima semana foi um inferno e por isso nao deu pra eu postar nada. Alem disso, meu computador pifou e fique impossibilitado de postar. Instalei o Windows 7 nele e o bichinho ta rodando bem que um danado. Vou tentar pelo menos por algumas semanas retomar a normalidade dos posts.

Espírito Empreendedor

Marcamos de nos encontrar no albergue delas. Desci pra lá como combinado e começamos a procurar uma balada pra poder entrar. Descemos pro cais onde havia várias baladas diferentes e entramos na primeira que vimos. Não precisava pagar pra entrar.
Sentamos numa mesa e ficamos vendo de qual era da balada. Ficamos conversando um pouco. A balada chegava a ser engraçada se não fosse trágica. Só tinha homem pra tudo que era lado, todo mundo sentado e ninguém, absolutamente NINGUÉM, dançando. Claro que aquilo não seria um problema pra gente.
Enquanto estávamos sentados conversando sobre o que iríamos fazer veio um cara, que mais parecia um garçom, e perguntou se não queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de uns dez minutos voltou e perguntou se queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de mais uns dez minutos ele voltou e perguntou se queríamos algo e ficou nessa de dez em dez minutos. Me senti como nesse vídeo do Hermes e Renato abaixo:
Pra fugir do garçom mala, nos levantamos e fomos dançar um pouco. Cara, o que foi aquilo? A balada simplesmente PAROU pra poder ver as minas dançando. Elas também não contribuíam, né? Polacas, lindas, num lugar que só tinha homens de bigodes por todos os lados, elas dançavam de uma maneira muito sensual. Mermão, até eu parei um pouco pra ver. O que era aquilo, meu amigo? Por entre bigodes eriçados elas dançavam e rebolavam em frente a uma plateia que ia a loucura. Depois eu meio que fiquei de lado com vergonha dos caras ENCARANDO as minas sem parar. Me lembrou de uma foto célebre do tempo da Polônia.
Elas ainda por cima eram banqueiras. Toda hora iam no Dee Jay e pediam uma música diferente e quando ele não colocava, elas ainda iam reclamar. Enfim, acho que era o preço a pagar pra aquela balada ter um pouquinho de graça.
Depois de um tempo sentamos e começamos a conversar novamente. Adivinha o que aconteceu? Sim, eu tenho certeza que você já adivinhou:
– Deseja alguma coisa senhor?
– Rapaz, não, doido, obrigado! Eu REALMENTE não quero nada agora!
– Mas, você vai ficar aí sem consumir nada?
– Rapaz, pelo menos por agora sim, por quê?
– Porque você não pode fazer isso.
– Como assim?
– Você não pode ficar sem consumir nada.
– Uai, mas a festa não era de graça pra entrar?
– Sim, é de graça pra entrar, mas pra ficar tem que consumir algo.
– Tá, tá bom, eu consumo mais tarde.
– Não, senhor. Você tem que fazer um pedido.
– Uai, cara! Não tou te entendendo. Por que você tem que me FORÇAR a consumir algo?
– Senhor, como é que as pessoas fazem dinheiro no país que você vem? Meu patrão prefere não cobrar entrada, mas em compensação a única maneira de ele fazer dinheiro é assim. Quando as pessoas pedem uma bebida ou algo do tipo.
– Tá, se eu não pedir agora você vai me colocar pra fora, é isso?
– Provavelmente…
Levantei, fui lá onde as meninas estavam dançando e deixei ele falando sozinho.
Pensa que ele se fez de rogado? Naadaaa… Pegou as bolsas que as meninas tinham deixado na mesa e começou a levar na direção da porta. Eu não paguei pra ver se ele ia jogá-las pela porta ou não, mas pelo jeito que o bicho ia REALMENTE parecia que ele iria fazer isso. Pegamos as coisas delas e ele nos apontou a porta da rua. Simples assim. As ÚNICAS mulheres da festa foram expulsas porque não estavam consumindo nada dentro do bar. Tristeza geral entre os marmanjos que estavam lá dentro quando a atração estava indo embora. Pude perceber que espírito empreendedor não era lá o forte do dono da balada.
E lá vamos nós
Expulsos da balada, fomos procurar outro lugar. Paramos em um bar, dessa vez, por via das dúvidas, compramos logo uma cerveja e ficamos lá vendo que o iríamos fazer. Do nada um turco em uma outra mesa começou a gesticular um coração no ar e a gritar algumas coisas em turco apontando pra uma das meninas que estavam na minha mesa. Ele parecia querer dizer que estava apaixonado por uma das polonesas que estavam sentadas conosco. A gente tentou ignorar, mas o cidadão simplesmente não parava. Um peão de obras aqui era um lord comparado com o cara. O figura REALMENTE não parava e começou a ficar chato. Isso NO MEIO DE UM BAR LOTADO. Eu fiquei me perguntando se é assim mesmo que eles chegam em mulher na Turquia ou se de tanto as mulheres viverem cobertas, os caras quando olham uma mulher de saia simplesmente ficam mais loucos que o batman!
Enfim, como não podíamos ficar assistindo aquele show de desespero por uma mulher, resolvemos sair do bar antes que ele pegasse um tacape, desse na cabeça dela e a levasse arrastando pelos cabelos. Fomos para um outro bar e ficamos lá de boa. Do nada chegou um outro cara, mas dessa vez falando em inglês com a gente e sendo gente boa. Era o dono do bar.
O cara era REALMENTE muito sangue bom e virou nosso amigo. Depois de um tempo conversando, ele perguntou se não queríamos entrar na casa dele (o bar ficava nos fundos da casa dele) que ele queria nos mostrar algo. Eu não gostei dessa história de “vamos entrar aqui na minha casa”, fiquei com medo do cara querer fazer alguma maldade ou algo do tipo, mas as minas não tavam nem aí e foram logo entrando. Eu acabei tendo que ir mesmo.
Não era nada demais. Ele apenas foi mostrando a casa dele e no final mostrou uns gatinhos que a gatinha dele tinha acabado de parir. Claro que desmanchou o coração das minas, pois se tem algo que amolece coração de mulher é gatinho filhote sedendo de carinho. Ficamos conversando lá por um tempo e ele perguntou se não estávamos a fim de ir numa balada com ele. Eu mais uma vez fiquei escabreado e com medo de acordar numa banheiro de gelo com um rim a menos (pô, eu sou do Brasil, né, fera?), mas mais uma vez as meninas foram na frente e nem me deram tempo de titubear.
No final o cara levou a gente pra uma balada GIGANTESCA!!! Custava 30 euros pra poder entrar, mas ele nos colocou de graça lá dentro! O bicho era REALMENTE gente boa! A balada era coisa de outro mundo, o único porém é que já estava fechando. Ficamos curtindo um pouco lá até que deu umas quatro horas da manhã. Ficamos ainda dando um rolê, mas eu acabei indo embora e me despedindo das meninas e do cara, que, infelizmente, nem o nome mais eu lembro.
Noite surreal, amigo.
Voltei pra casa e comecei meus preparativos pra poder viajar Síria no outro dia.

Cienfuegos e Trinidad


Depois de Havana, segui para Cienfuegos e depois Trinidad. As duas eram cidades patrimônio da humanidade. Porém, longe da magnitude que é Havana. Meio que me arrependi de passar nessas duas. Em Cienfuegos passei só uma tarde e uma manhã, o que foi mais do que suficiente.
Só dois momentos dignos de nota.
Eu fui comprar um imã de geladeira e quando disse pro camelô que eu era do Brasil o bicho começou a me citar todas as obras de Frei Beto que ele havia lido e como ele achava genial a Teologia da Libertação. Até perguntou se eu não tinha nenhum livro em português para presenteá-lo, haja vista que estava querendo aprender português para ler sobre Frei Beto no original, pois segundo ele, você perde muito na tradução. Ah sim, o imã de geladeira na banquinha dele custava 2 CUCs.
Outra foi o do dono da Casa Particular onde eu morava tentando consertar o chuveiro.  Ele ligava o chuveiro, deixava a água sair e enfiava a chave de fenda na resistência. E eu ali, só esperando para ver ao vivo como se contorcia um condenado sendo executado em uma cadeira elétrica. Saía faísca para todo lado e eu falando pro homem “rapaz, desliga isso, mexe no chuveiro desligado” e ele só dizendo que tinha que mexer daquele jeito mesmo.
Trinidad como centro histórico foi pior ainda. Era só uma pracinha, alguns prédios coloniais, nada muito diferente do Brasil. Agora, assim, cara, muito CARA! Bicho, qualquer pratinho de comida me custava o dobro do que eu pagava em Havana. A parte legal mesmo foi um mergulho que eu fiz em uma praia próxima e a visita a uns engenhos abandonados, menos pelo lugar, mais pela companhia do taxista, um cara muito legal. Histórias que escrevo com mais detalhes abaixo.

Coisas que aprendi com o Chaves

Repasso e-mail que recebi esses dias e que achei bem interessante

O seriado chaves me ensinou muita coisa, tenho certeza que não seria essa pessoa boníssima se não fosse a turma do chaves, eu listei as 50 coisas que aprendi assistindo o seriado Chaves.
 
1. Seria muito melhor ter ido assistir o filme do Pelé.
 
2. As crianças mexicanas tem rugas.
 
3. JAMAIS encostar em alguém que esteja tomando um choque.
 
4. Seu Madruga paga o aluguel todos os meses. Por isso sempre deve 14 meses, não 15, 16, 17…
 
5. Brasília já foi carrão.
 
6. Não basta ser o maior professor do mundo. Tem que ter um pouco de pepsicologia.
 
7. Pessoas bebem leite de burra.
 
8. Existe uma fruta chamada tamarindo.
 
9. O Quico é emo.
 
10. Devemos deixar os outros fazerem nosso trabalho para evitarmos a fadiga.
 
11. A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena.
 
12. As tintas verde-limão são as mais baratas no México.
 
13. Trabalho não é a pior coisa do mundo. Pior é ter que trabalhar.
 
14. Uma epístola é uma carabina, só que menor.
 
15. Azul escuro em inglês é blue marinho.
 
16. Equilibrar cabo de vassoura com o pé é maneiro.
 
17. Deixar uma casca e banana no chão pode causar um grande acidente.
 
18. O segundo episodio do Guilherme Tell é o mais caro do mundo. Por isso o Sílvio Santos não comprou.
 
19. Alguns móveis são feitos de isopor.
 
20. Portas também.
 
21. Se me acordarem às 11h, tragam o café na cama.
 
22. Socos têm barulhos de sinos.
 
23. Sempre tem um filho da puta que rouba as moedas nas fontes dos desejos.
 
24. Leite é muito parecido com gesso.
 
25. “Quero ver outra vez seus olhos olhinhos em noite serena” é a talvez a única música mexicana que metade da população brasileira conheça.
 
26. Um cabo de vassoura com um lençol amarrado na ponta equivale a uma mala.
 
27. O pai do Quico na verdade está vivo, ele simplesmente fugiu de casa.
 
28. Alguns alunos são tão tímidos que nem os professores percebem sua presença em sala de aula.
 
29. Uma caveira significa prerigo. PRE-RI-GO.
 
30. Ninguém tranca as portas nas vilas mexicanas.
 
31. As marcas de catapora feitas com caneta hidrocor ficariam muito estranhas na TV Digital.
 
32. Qualquer McDonald’s da América do Sul lucraria caso vendesse o McSanduíche de Presunto.
 
33. Hector Bonilha é o Antônio Fagundes acima da linha do Equador.
 
34. As pessoas boas devem amar seus inimigos.
 
35. Deus é um cara legal por não deixar as vacas voarem.
 
36. Os carrinhos feitos com caixas de sapatos são os mais maneiros.
 
37. Não é indicado deixar uma máquina de lavar no meio da sala.
 
38. Nunca acredite em boatos de que seus ídolos morreram num acidente de avião.
 
39. Bolinhas de tênis de mesa são parecidíssimas com ovos.
 
40. Pirulitos podem ter o tamanho de raquetes de tênis.
 
41. O trabalho infantil é legalizado no México.
 
42. Os roteiristas da série não sabiam o que era a aritmética.
 
43. O estilingue pode ser uma arma mortal.
 
44. Tem vez que Acapulco é no Guarujá.
 
45. Se você é jovem ainda um dia velho será.
 
46. Pouco me importa se você quer. Compre.
 
47. Algumas pessoas são idiotas a nível executivo.
 
48. As dívidas são sagradas.
 
49. Se você quiser vir a ser alguma coisa, que devore os livros.
 
50. Se capivaras tivessem trombas seriam trapezistas em um circo tchecoslovaco.

 

 

Viagem à Mauritânia – Todas suas flores – Curiosidades sobre a Mauritânia

Nouakchott
Antes de viajar, conhecia muito pouco desse país. Na verdade, na verdade, apenas sabia do bizarro fato de que a Mauritânia foi o último país do mundo a oficialmente abolir a escravidão, há menos de quarenta anos atrás (o Brasil foi o último entre os países ocidentais em 1888).
Bem, não é por proibir alguma coisa que ela deixa de existir. A ONU estima que existam hoje por volta de 340 mil escravos na Mauritânia. A título de comparação, supõe-se que no Brasil existam 200.000 trabalhadores em regime análogo a escravidão, desde os bolivianos trabalhando em oficinas têxteis subterrâneas em São Paulo aos agricultores esquecidos no interior do Pará e Amazonas. Porém estamos falando de um país com 200 milhões de habitantes de dimensões continentais, enquanto a Mauritânia tem menos de quatro milhões.
As mulheres também têm problemas no país. Apenas um terço delas são alfabetizadas e ainda ocorre a mutilação genital em zonas rurais. Homossexualismo não é só proibido como punido com pena de morte.
Países onde o homossexualismo é punido com pena de morte estão pintados em preto no mapa. Se liga na Mauritânia

Ademais, o autor do Pequeno Príncipe, Saint Exupéri, como piloto da Força Aérea da França, viajava bastante ao lugar. Nouakchott era um posto francês no Saara, deserto onde é ambientado o seu livro, àquela época.Na verdade, a Mauritânia tem uma história muito parecida com os dos países do Norte da África, como o Marrocos. Foi inicialmente colonizada pelos bérberes, depois pelos árabes e, por fim, pelos franceses. Conseguiu independência e tem um histórico de ditadores se matando uns aos outros por meio de golpes. Hoje é um país majoritariamente islâmico e, em sua maioria, desértico.

Operário dando uma pausa no trabalho para realizar uma das cinco orações diárias dos muçulmanos

Não é permitido entrar no país com bebidas alcoolicas. Até cheguei a ver uma galera em fóruns de internet sugerindo que você esvasiasse garrafas de plástico de água mineral e colocassem gin ou cachaça dentro, que elas parecem água e você com certeza iria conseguir passar na imigração. Juro que fiquei pensando o tanto que o cidadão deve gostar de encher a cara para vir a fazer uma patacada dessas. O produto de exportação da Mauritânia é o ferro e o país basicamente vive de minerais e pescados.

Pôr do sol no Saara

Era um país que dificilmente eu iria visitar em um futuro próximo.

Acontece que um amigo meu diplomata, o Emanuelzinho, foi alocado por um tempo na Mauritânia. Ele me convidou a visitá-lo e eu, obviamente, topei.
Eu e o Manolo em uma praia próxima a Nouakchott
A gente a caminho da praia

Foi uma boa oportunidade, até porque segundo o site inglês foreign advice travel (algo como conselho acerca de viajar a um país), site que uso como base para saber a segurança de um lugar para onde estou viajando, metade da Mauritânia só deve ser visitada para viagem indispensáveis e não evitáveis e a outra metade em hipótese alguma.
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Curitiba

Semana passada ocorreu o quarto Encontro Nacional do Couchsurfing em Curitiba. Aproveitando-se do feriado, o pessoal de lá realizou um evento bem legal onde centenas de couchsurfers de diversas partes do país puderam se conhecer e se divertir durante quase uma semana em Curitiba. O encontro foi bem estafante e até hoje, uma semana e meia depois, minha garganta ainda sofre as conseqüências de tantas noites de esbórnia.

Couch em Curitiba

Bem, pra começar o post acho que não teria como eu deixar de falar de uma das partes mais legais do evento que foi o couch que pude ficar em Curitiba. Fiquei na casa de Ana Cláudia, uma amiga minha do colégio dos tempos do Maranhão. Cara, foi aquilo que eu chamo de couch cinco estrelas como esse aqui e esse aqui. A Cláudia passava o dia inteiro com a gente, pra cima e pra baixo no carro dela e sempre estava a disposição pra poder ir pra qualquer lugar!

A Cláudia não morava sozinha, ela tinha, digamos, uma “companheira de casa” e que no final sempre era o centro das atenções. Ela se chamava Zaha e era da raça maltês, uma cachorra MUITO fofa e que fazia muita bagunça. Deixar a Zaha solta pelo apartamento era pedir pra casa virar do avesso.

Por último, mas não menos importante, a Cláudia também hospedou uma outra menina durante o meeting. Ela se chamava Larissa e era estudante de medicina, o que foi de muita valia enquanto estivemos em Curitiba. Por que, Claudiomar? Você ou a Claudia passaram mal? Não, nós não, Zaha sim. Mas a Larissa era médica ou veterinária? Bem, deixa eu explicar.

Larissa e Claudia

A Larissa é médica e, como todos os médicos devem ser a meu ver, ela tinha um conceito de “nojo” meio que diferente das pessoas normais. Um catarro pras pessoas normais é uma coisa asquerosa, mas pra ela nada mais é do que uma mistura de proteína, água e restos celulares, comum em pessoas que ela um dia virá a tratar quando se formar. Tem que ser assim mesmo, né amigo? Imagina o que seria um médico com nojo de catarro e outros excrementos orgânicos? Eles parecem simplesmente relevar tudo isso. A Larissa foi muito útil nesse ponto.

Bem, teve um dia que resolvemos dar uma volta por uma feirinha de Curitiba e levamos a Zaha pra poder dar uma volta também. E cachorro, ainda mais filhote, vocês sabem como é, né? Sai comendo tudo que vê pela frente. E gente, só uma pausa. Esses cachorros de hoje em dia tão muito fresco, né? Hoje cachorro de madame não pode comer uma carnezinha mais gordurosa que já passa mal. Tem cachorro hoje em dia que não pode mais nem, PASMEM, comer osso porque se engasga. É muita frescura! Essa meninada que hoje passa o dia ouvindo Restart…

Cara, porque a gente tava caminhando com a Zaha e ela comeu um pedaço de bacon que tava no chão. Rapaz, pense num aperreio depois disso? “Ah, meu Deus, a Zaha vai passar mal” – dizia a pobre da Cláudia desesperada. E eu tentando acalmar a coitada, falando que não ia dar nada. A Zaha, apesar de fofinha e cheia de pelos ainda era um cachorro e cachorros são carnívoros, oras! É cara, mas depois de meia hora tive que me render aos fatos.
Não, isso não machuca. A corrente passa no meio do peito dela

Estávamos dentro do carro, já voltando pra casa. Eu e a Cláudia na frente e a Larissa atrás com a Zaha no colo. Sim, se eu enrolei esse tempo todinho pra explicar, você sabe do que eu tou falando. Dali a pouco a gente só escuta um barulhinho: Bleerrrgggghhh!!! A Zaha vomitou tudo o que tinha no estômago em cima da pobre da Larissa. Aí, meu amigo, aí foi banco pra um lado, ração de cachorro de madame pro outro, jantar da noite passada TUDO em cima da pobre da Larissa. Rapaz, pense em alguém que ficou desesperado? Ela? Não, eu e Cláudia ficamos desesperados preocupados com a Larissa e ela só de boa! A gente desesperado pra poder chegar em casa pra menina poder se lavar logo e a Larissa, que tava vomitada, falando pra gente ficar de boa, aquilo era só, cara, eu não lembro como era a palavra que ela utilizava, mas era algo como “Ah gente, isso é só fisiológico!”. Cara, sério! Imagine como seria uma menina, digamos, “normal”? Ela já estaria gritando mais que uma arara tendo os intestinos arrancados! Larissa não, Larissa tava lá, serena!

Além desse teve outro dia que a gente tava em casa se preparando pra sair e resolvemos soltar a Zaha dentro de casa pra poder dar um pouco mais de alegria no recinto. Ela ficou doida pra cima e pra baixo na casa. Como estávamos nos arrumando, não pudemos dar muita atenção a ela. Como cachorro hoje é bicho inteligente, ela pensou que só tinha uma maneira de chamar a nossa atenção. Subiu em cima do meu colchão, próximo ao meu travesseiro e ficou em posição de ataque. Começou a se contorcer e aquele negócio marrom começou a descer de dentro da cachorra! Rapaz, foi um Deus nos acuda dentro do apartamento! “A cachorra tá cagando, a cachorra tá cagando!” – gritava alguém de dentro do banheiro quando Larissa mais veloz que o Papa-Léguas só enrolou a sua mão em um saco plástico de supermercado e colocou embaixo da cachorra no exato local da, digamos, aterrissagem do projétil marrom. Missão cumprida, cachorra amarrada depois disso e eu e a Cláudia impressionados com a coragem da menina! “Ah gente, isso é só fisiológico” – ela repetia seu velho bordão.

Nada mais irônico e apropriado que ela vir de uma cidade que se chamava “Vassouras”.

Dia na feirinha

Esse dia na feirinha foi até legal. Não que eu ache interessante ficar visitando feira e mercado, isso é coisa pra gringo, mas como as companhias eram legais, valia o passeio. No caminho eu tentei bater foto, mas não deu tempo, de uma “pichação” que era comum pelo centro da cidade de Curitiba. Algum figura saiu escrevendo pelas paredes da cidade o endereço do MySpace dele pras pessoas poderem lhe visitar. A que ponto chega uma pessoa no afã de quere ser famoso.

Demos uma volta pela feirinha e depois fomos voltar pra casa. Na hora de voltar pro carro, alguma coisa estava faltando. Chave da casa? Carteira? Juízo? Não, Cláudia deu por falta do carro. Ah, meu amigo, aí começou o desespero. Cláudia começou a se desesperar, o carro fora roubado! E se desespera daqui; liga dali; o carro não tem seguro; ah meu Deus, o que fazemos agora; Fulano no telefone falando pra ligar pra polícia. O desespero tomou conta de todos nós e, principalmente, de Cláudia.

Eu, no meu íntimo particular, também estava um pouco desesperado. Além do fato de Cláudia ter perdido o carro, lembrei que dentro dele eu havia deixado o meu casaco do Brasil. Sim, aquele casaco que vocês já conhecem que está em todas minhas fotos e que viajou o mundo comigo! Se vocês olharem as fotos lá de cima, dá pra ver que ele está em três delas!

Tudo bem, um casaco não tem o mesmo valor de um carro, mas pô, foi o casaco que viajou comigo o mundo inteiro, né? Quando eu o teria novamente? Tinha um valor sentimental meio grande naquela peça de algodão e poliéster. Agora que eu o perdera, eu teria que comprar um outro casaco e dar outra volta ao mundo com ele! E pô, eu pensando em tudo isso, mas não podia nem comentar com a Cláudia, né? Imagina, ela desesperada com um carro e eu preocupado com um casaco? Enfim, Cláudia era a prioridade.

Enquanto o desespero tomava conta do clima, tive uma ideia sublime. Senão genial! Cara, sabe aquela ideia que se fosse na área da ciência lhe valeria um Nobel? Poderia me chamar de Claudiomar Einstein depois dessa. Qual foi a minha brilhante sugestão? “Gente, que tal a gente descer mais um pouco e ver se o carro não ficou mais abaixo?”.

Sim, exatamente como você pensou. O carro se encontrava uma quadra abaixo e meu casaco estava lá dentro. Ela havia estacionado uma rua abaixo e não lembrava… Alívio geral e a constatação que essa juventude anda usando drogas demais…

Obs: Sim, galera, eu vou continuar escrevendo sobre as viagens de volta ao mundo, mas só tou escrevendo sobre outra viagens minhas porque uma hora ou outra esse blog vai acabar e não quero que seja tão rápido…

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Cruzando a fronteira da Turquia com a Síria

No outro dia consegui pegar o meu busão em direção a Damasco na Síria. Ainda estava meio confuso se eu conseguiria ou não o maldito visto pra poder entrar no país. Uns me falavam que era super de boa pra poder tirar, que era só pagar a taxa que você estava dentro enquanto outros me falavam que era maior embaço e complicado. Isso era um tanto quanto preocupante, haja vista que não ter todas as informações necessárias em um ambiente possivelmente hostil como aquele não é o melhor dos cenários. Se os caras da fronteira percebessem isso, eles poderiam tentar me enrolar (fazendo eu pagar mais pela taxa do visto, que eu sequer sabia de quanto era) ou então me pedir suborno, o que eu só faria em último caso.

Abaixo dá para ver o sentimento que eu tava na fronteira:

Pra piorar, todos no busão pareciam ser turcos e ninguém parecia que sabia falar inglês, muito menos o motorista. Enfim, o jeito foi seguir viagem. Quando fui cruzar a fronteira, fiquei impressionado, pela primeira vez desde quando havia começado a viajar, me deparei com guardas de fronteira que não falavam uma palavra em inglês. Os caras não sabiam falar nem hot-dog. Pode parecer besteira, mas lembre-se que eles trabalham com fronteira, cara! Eles são os responsáveis por deixar ou não uma pessoa passar pra dentro de um país ou outro. Eles pareciam falar só turco e árabe. Não parecia que forasteiros de outras nacionalidades eram muito comuns por aquelas bandas. Quando foi pra poder sair do país, havia uma fila para sírios, outra para turcos e outra para “o resto”. Qual não foi a minha surpresa ao ver que um outro cara ia comigo pra fila do “resto”. Opa, um estrangeiro em lugares isolados como esses sempre são bons, duas cabeças pensam melhor que uma e sempre podemos nos ajudar caso algo aconteça.
Fui trocar uma ideia e ele me saiu melhor que o esperado. O cara, apesar de falar pouco inglês, sabia falar turco e árabe! BINGO!! Tudo certo, amigo!! Agora nada pode dar errado!!! O bicho era búlgaro (sim, já pode ir contando línguas faladas: turco, inglês, árabe e búlgaro. Pelo menos), marinheiro e gente boa pacas. Depois que cruzamos a fronteira da Turquia sentei do lado dele e fomos conversando no caminho. Ele me contou que já havia viajado pro Brasil e visitado dois portos: Santos e um tal de Madieiria. Maidieiria?? Que diabo é isso?? Tá certo que eu não sei todos os portos do Brasil, mas com certeza a gente não teria um porto com esse nome. Devia ser um nome parecido. Fiquei pensando, pensando… Rapaz, depois de um tempo eu não fui me tocar do porto que ele tava falando? Era o porto de PONTA DA MADEIRA!! O que é Ponta da Madeira??? É o porto do ITAQUI!! O que é o Itaqui?? É um dos maiores portos do Brasil e fica situado numa cidade patrimônio da humanidade!! SIM, O CARA JÁ HAVIA PASSADO POR SÃO LUÍS!! Rapaz, que felicidade!!
Fiquei todo feliz e fui bombardeando o cara de perguntas: o que ele havia visto, se tinha gostado, se tinha passado muito tempo e talz. Pô, não é todo dia que se conhece alguém que já foi a São Luís NO MEIO DO ORIENTE MÉDIO, né? Enfim, eu vi que ele meio que não entendeu o que eu tava perguntando (ele não falava inglês tão bem, como já falei) e foi me contando como foi essa “excursão” dele por terras ludovicenses.
Diz ele que ficou quase uma semana esperando pra poder descer do navio. Ele me contou que quando eles chegam, eles ficam numa fila de barcos esperando obter autorização pra poder descer em terra firme. Falou que era um saco. Você dorme e acorda todo o dia olhando a terra firme e não pode descer! Isso depois de provavelmente ter cruzado um oceano inteiro! Depois que ele enfim conseguiu descer, tentou ver como faria pra poder dar uma volta na cidade, mas foi informado que o centro histórico era MUITO longe do porto do Itaqui (e bicho, real? É longe MESMO!!). Juntou quatro amigos pra tentar rachar um táxi, mas o taxista que fez mais barato queria 100 reais POR CABEÇA pra levá-los ao centro e trazê-los de volta ao porto do Itaqui, o que fica mais que demonstrado que seja na Índia ou seja no Maranhão não há raça mais FILHA DA PUTA do que taxista pra querer te roubar. Só pra vocês terem uma ideia, eu paguei uma vez uns 250 reais pra viajar de Brasília a São Luís de ônibus. Como eles não estavam lá tão a fim de conhecer a cidade, resolveram buscar um programa um pouco mais educativo e saudável. Compraram uma garrafa de vodca e foram atrás de um puteiro.
Bem gente. Eu vou falar uma coisa pra vocês. São Luís é uma cidade bonita, mas mulher é uma situação complicada. Se tu olha uma mulher gatinha caminhando na rua tu achas logo que é turista. É… a situação aqui é braba mesmo. Agora imagina como deve ser isso em um puteiro?? Imaginou? Agora pensa como deve ser assim em um puteiro baixo, mas BAIXO nível como são os ao redor do porto (dizem que o mais rico dos que lá frequentam chega de bicicleta)? Pensou, pois é!! Foi isso que ele me falou… E o coitado ainda espocou 100 dólares com o pacote completo: Vodca, entrada, mulher e tudo… Gringo só se complica…
Eu percebi que a experiência que ele teve com São Luís não foi das melhores, por isso mudei logo de assunto: – Olha, chegamos no posto de fronteira da Síria!! Vamos descendo??
Descemos e ele foi na frente, pois, como disse, falava árabe. Rapaz, assim que entrei no posto eu só faltei foi rir. Imagina um bando de gordo, de bigodinho e farda por todos os cantos?? Pois era assim o posto de fronteira. Mas parecia um bando de Saddam Hussein por todos os lados. Engraçado DEMAIS!! Perguntei quanto era pra poder pagar pelo visto e o marinheiro me falou que era uns 30 dólares. Tirei 30 dólares e quando ia pagar ele me falou que só podia ser pago em moeda local. Ow beleza, que boa notícia. E onde eu iria trocar? “Seus problemas acabaram”, tinha uma casa de câmbio DENTRO do posto de fronteira só pra isso. Agora pense comigo. Aquela era a casa de câmbio em centenas de quilômetros. Já deduziu? Claro que a conversão foi a PIOR possível e o visto que era pra sair por uns 30 dólares, acabou saindo por 40 só com o tanto que eles me roubaram no câmbio.
No final graças a Deus deu tudo certo e eu conseguia atravessar, são e salvo, a fronteira da Síria…