Saindo da rodoviária
Assim que cheguei a Vilnius, a primeira coisa que tentei fazer, claro, foi tentar achar o lugar onde a minha host morava, largar minhas mochilas por lá e sair perambulando pela cidade.
Na rodoviária, tentei por diversas vezes ver se alguém falava inglês, mas lá não tinha ninguém jovem e, na Europa Oriental, se você não tem menos de trinta anos, você fatalmente não falará inglês. Depois de várias tentativas frustradas não me restou outra opção senão utilizar uma velha tática que nunca falhava em nenhum lugar do mundo: Escrever em um papel o nome do bairro da minha host, chegar perto de qualquer transeunte, apontar para qualquer busão, apontar pro pedaço de papel e fazer uma cara de bobo do tipo “qual busão eu entro”?
Cheguei pra um tiozão barbudo, careca e que parecia realmente pegar busão todos os dias e fiz a técnica do “pedaço-de-papel-qual-onibus-cara-de-bobo”. Vi que o tiozão meio que ficou achando graça da minha cara de bobo (cara, eu sou muito bom em fazer uma cara assim, pode acreditar!) e depois de algum tempo apontou pra um busão qualquer em que eu entrei sem pestanejar.
Entrando no ônibus, era chegada a hora do segundo round: Descobrir como se fazia pra PAGAR o ônibus. É, pode parecer besteira, mas parece que cada país que ser mais criativo que o outro quando a matéria é cobrança nos ônibus. Em cada país diferente acontece uma verdadeira epopéia para descobrir como se fazer pra pagar a passagem. Assim que entrei, tentei procurar alguém que aparentasse ter menos que 20 anos pra perguntar, mas não foi preciso, uma tiazona veio ao meu encontro chacoalhando o que parecia ser um cilindro de alumínio e pelo som que fazia dentro daquele “chocalho lituano” parecia haver moedas dentro dele. Saquei logo, ela era a cobradora.
Como não tinha a mínima ideia de quanto seria a passagem, peguei o equivalente a 10 dólares em moeda lituana e dei pra mulher. Pô, mais que dez dólares eu tinha certeza que não ia ser! A veia ficou injuriada e vi que ela gesticulava e mandava eu pegar uma nota menor. Peguei o equivalente a cinco dólares e ela a contragosto me deu umas seis notas diferentes de troco!
Pelo menos eu já tinha aprendido a pegar ônibus na Lituânia…
Mostrei pra ela aonde iria e pedi pra ela me avisar o momento certo de descer.
Fiquei sussa e quando foi a hora certa, a tia me cutucou e eu desci na parada que ela me mostrou.
Tentando chegar em casa
Assim que desci do ônibus, peguei o mapinha que tinha imprimido com as coordenadas de como chegar ao apartamento e segui caminhando. Teria que ir rápido, pois já eram rodados 07h50min da manhã e ela falou que tinha que sair de casa às 8h para seguir para o trabalho. Andei até o ponto que ela havia me falado para que assim que chegasse ligasse ou mandasse uma mensagem.
Mandei uma mensagem e esperei um tempinho. Deu uns dez segundos e meu celular começou a tocar, era ela! Quando fui atender, veio a melhor parte: a minha bateria caiu e não teve como atender. E agora? O que eu deveria fazer? Teria ela ligado pra avisar que já tinha ido ao trabalho? Pra avisar que me via da janela do apartamento dela? Pra avisar que estava indo me buscar? Eu não sabia! De uma maneira ou de outra, o melhor a se fazer era esperar e ver o que iria acontecer.
A melhor parte era onde eu estava. No meio de um descampado! Imagina a cena! No meio de um descampado enorme, um latino moreno, com uma mochila nas costas, de pé, olhando pros lados e esperando ser resgatado por a sua host. TODO mundo que passava, aquela galera branquinha e de olhos claros, indo pro trabalho ou levando as crianças pra escola, parava e ficava me olhando com uma cara de “que porra é essa”?
Depois de meia hora, vi que havia ocorrido um problema e resolvi pegar a minha mochila e tentar ligar pra mina de algum lugar pra poder ver o que tinha ocorrido. Comprei um cartão telefônico de uma velha que não sabia falar inglês (tirei o meu cartão de crédito do bolso, apontei para ele e depois apontei pra um orelhão como que dizendo “cartão para o telefone” e ela acabou entendendo) e tentei ligar pra mina, mas sem sucesso. Já era quase nove e deu pra perceber que realmente não ia dar pra eu encontrá-la pela manhã. Peguei minha mochila e resolvi ir dar uma volta no centro.
Tentando chegar ao centro
Aproveitei que tinha uma galera indo pra escola e perguntei pra uns meninos lá que busão eu poderia pegar pra ir ao centro. Eles me apontaram um e eu fui entrando. Entrei, sentei e fiquei esperando o cobrador chegar pra me cobrar a passagem assim como a tiazona tinha feito no primeiro busão que eu pegara na rodoviária. Rapaz, pra que…
Passou uns dez minutos e nada de aparecer ninguém pra me cobrar, como não sabia o que fazer, resolvi descer do ônibus e perguntar pra alguém nas paradas como eu fazia pra pagar o diabo do busão que ia para o centro. Ledo engano…
Rapaz, pela mesma porta que eu ia descendo, subiu um tiozão barbudo NA FEBRE e bufando pra cima de mim. Ele não deixou eu descer e começou a me xingar miseravelmente em lituano e falou que eu teria que pagar pra andar no ônibus (Jura? Na Lituânia vocês pagam pra andar de ônibus? É que no Maranhão não tem isso – deu vontade de falar pra ele quando ele veio me xingando!)!! Chega os olhos verdes dele pareciam duas tochas! Ele babava de raiva e gritava pra mim assim, basicamente, no meio do busão LOTADO, com uma galera indo pro trabalho e, lógico, com uma pancada de gatinha indo pra escola. Eu não merecia toda aquela vergonha…
Tentei explicar pro figura, em inglês, que eu estava apenas esperando algum cobrador que nem ele aparecer (país estranho esse, os cobradores ficam nas paradas e não dentro dos ônibus!) que eu prontamente iria pagar pela passagem. Não adiantou. O tiozão não falava inglês e quando viu que eu não falava lituano, a única palavra que ele falava, ou gritava, em inglês era “PAY, PAY, PAY!!”. Me lembrou até o indiano de Delhi que só sabia falar “Fee, Fee, Fee”. Como não tava afim de ficar pegando grito de graça, resolvi tirar dois dólares do bolso e dar pra ele pra ver se ele me deixava em paz. Quem disse que ele aceitou?? Depois caiu a ficha! O cidadão que tava me xingando e gritando comigo não era um cobrador de ônibus! Não, ele era mais que isso!! Ele era um FISCAL!! Daqueles que sobem pra checar se a galera pagou pela passagem. E não, ele não estava me cobrando pela passagem, ele tava era ME APLICANDO UMA MULTA!
Ah meu amigo, mas aí a gente ia sair no tapa, porque multa eu não ia pagar. Só pra vocês terem uma ideia, todas as informações de como proceder com o tíquete estava em lituano e a última multinha que eu tinha pago por andar sem passagem no ônibus (deve vez de sem-vergonhagem mesmo, pois tava usando o tíquete errado de propósito) foi na Austrália e me custou a bagatela de cem dólares. A multa por andar sem tíquete na Polônia custava 50 euros. Geralmente a multa de andar sem passagem custa de 50 a 100 vezes o preço do tíquete. Devido ao showzinho todo do fiscal, a multa na Lituânia devia ser pra lá de uns 1000 dólares.
O tiozão não parava de gritar “PAY, PAY, PAY”. Eu comecei foi a balançar a cabeça negativamente a e falar pra ele em português: “Pay porra nenhuma”. A gente ficou nessa de “PAY, PAY, PAY” e de “Pay, porra nenhuma” um tempão. Eu tava era esperando ele me dar voz de prisão e me levar pra uma delegacia, porque enquanto eu não achasse alguém que falasse inglês e para quem pudesse explicar que eu não tinha como ADIVINHAR como se fazia pra poder pagar uma porra de uma passagem, eu não ia aquietar. E isso, claro, esqueci de falar, o ônibus parado com o motorista esperando o fiscal descer. Depois de uns dez minutos nessa putaria, veio um moleque lá e começou a intermediar o conflito.
Ele tentou falar com o fiscal, explicar que eu era estrangeiro, mas o fiscal tava irredutível. Sem sucesso com o fiscal, o moleque veio falar comigo:
– Pô brother, o cara não vai livrar essa de você não.
– Amigo, então não tem o que fazer! Não é culpa minha se todas as informações estão em lituano! Até agora eu não sei como funciona esse sistema de passagem – falei pro menino que tentava me ajudar.
– Tou ligado, cara. É complicado mesmo, mas isso não é culpa dele. Ele tá apenas cumprindo o serviço dele que é multar quem tá sem passagem.
– Boto fé, mas também não é culpa minha.
– Cara, vou jogar a real pra você, paga logo o fiscal porque tá todo mundo indo pro trabalho aqui, o ônibus tá parado e ele pode te dar voz de prisão, o que vai acabar sendo bem pior pra você!
– Não quero nem saber! Eu não tenho dinheiro pra ficar pagando multa assim de graça não, amigo!
– Pombas, se esse for o problema, pode deixar que eu pago sua multa e assim podemos seguir viagem!
(Esse cara deve ser muito rico – pensei)
– Não meu, paga essa multa não!
– Ah cara, relaxa, 15 litas não vão me fazer falta.
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– ÃHN?!?!?!?! Quer dizer que a porra da multa é só de SETE DÓLARES?!?!??!?!
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– Sim! Por isso que eu não entendo porque você não quer pagar!
– Porra, nós tamos nesse auê todo só por causa de SETE DÓLARES?? Eu achei que ia ter que pagar era uns cinqüenta euros!! Pombas!! Toma aqui fiscal imbecil!! Se quiser eu pago é cem multas!!
Sim, cara!! Acredita nisso? Eu quase fui preso ou linchado por uma multidão lituana ensandecida querendo ir pro trabalho por causa de quinze reais!! Pô, a multa era menos que quinze vezes o valor da passagem!! Eu hein!!
A Lituânia sempre pronta para lhe surpreender
Se você tá achando que as bizarrices do sistema de transporte da Lituânia param por aí, você está enganado! Até agora você deve estar se perguntando como é que os bichos faziam pra cobrar a passagem naquele busão, né? Eu também desci no centro me perguntando… Tive que ir num quiosque de ajuda ao turista pra poder descobrir como proceder pra fazer uma das coisas aparentemente mais fáceis do mundo: Pagar uma maldita passagem de ônibus. Chegando lá descobri que a mulher do quiosque não falava inglês! Juro que fiquei me perguntando de que serve um quiosque de ajuda ao turista que só sabe uma língua falada por menos de 4 milhões de pessoas! Até o Maranhão tem mais gente que isso!
Um cara que ia passando pelo local, ao notar meu calvário, resolveu me explicar. Era bem simples, cara… Se liga no cara me explicando:
– É bem simples, amigo, basta você prestar atenção na numeração dos ônibus!! Os ônibus de 11 a 20, você paga para o cobrador que estará dentro. Os de 21 a 40 você paga diretamente ao motorista. Os de 41 a 60, você precisa comprar o tíquete com antecedência em um quiosque e entregar para o motorista. Os de 61 a 80 você deve comprar um tíquete na banca, entrar no ônibus e furá-lo numa maquininha que vai ter lá dentro! Por último tem os de número 90, mas esses são apenas para fazer city-tour pela cidade…
Anotaste? Sabe aquela história que eu falei que cada país tenta ser o mais criativo possível quando o assunto é ônibus? Pois é! Na Lituânia é simples como passar raiva em Teresina.
Feito para turista. Se for para Vilnius, alugue um elefante, deve ser mais fácil se movimentar pela cidade…
Melhor, não compre o tíquete! Pague os sete dólares da multa! Confesso que vai valer a pena ver o tiozão na febre pra cima de você…
Comentarios Comentados
Galera, mais uma vez desculpas por todo esse tempo sem postar.
Domingo agora foi meu concurso, a batalha final. Como nao podia deixar de ser essa ultima semana foi um inferno e por isso nao deu pra eu postar nada. Alem disso, meu computador pifou e fique impossibilitado de postar. Instalei o Windows 7 nele e o bichinho ta rodando bem que um danado. Vou tentar pelo menos por algumas semanas retomar a normalidade dos posts.
Espírito Empreendedor
Cienfuegos e Trinidad
Coisas que aprendi com o Chaves
Repasso e-mail que recebi esses dias e que achei bem interessante
Viagem à Mauritânia – Todas suas flores – Curiosidades sobre a Mauritânia



Ademais, o autor do Pequeno Príncipe, Saint Exupéri, como piloto da Força Aérea da França, viajava bastante ao lugar. Nouakchott era um posto francês no Saara, deserto onde é ambientado o seu livro, àquela época.Na verdade, a Mauritânia tem uma história muito parecida com os dos países do Norte da África, como o Marrocos. Foi inicialmente colonizada pelos bérberes, depois pelos árabes e, por fim, pelos franceses. Conseguiu independência e tem um histórico de ditadores se matando uns aos outros por meio de golpes. Hoje é um país majoritariamente islâmico e, em sua maioria, desértico.

Não é permitido entrar no país com bebidas alcoolicas. Até cheguei a ver uma galera em fóruns de internet sugerindo que você esvasiasse garrafas de plástico de água mineral e colocassem gin ou cachaça dentro, que elas parecem água e você com certeza iria conseguir passar na imigração. Juro que fiquei pensando o tanto que o cidadão deve gostar de encher a cara para vir a fazer uma patacada dessas. O produto de exportação da Mauritânia é o ferro e o país basicamente vive de minerais e pescados.

Era um país que dificilmente eu iria visitar em um futuro próximo.






Curitiba
Semana passada ocorreu o quarto Encontro Nacional do Couchsurfing em Curitiba. Aproveitando-se do feriado, o pessoal de lá realizou um evento bem legal onde centenas de couchsurfers de diversas partes do país puderam se conhecer e se divertir durante quase uma semana em Curitiba. O encontro foi bem estafante e até hoje, uma semana e meia depois, minha garganta ainda sofre as conseqüências de tantas noites de esbórnia.
Couch em Curitiba
Bem, pra começar o post acho que não teria como eu deixar de falar de uma das partes mais legais do evento que foi o couch que pude ficar em Curitiba. Fiquei na casa de Ana Cláudia, uma amiga minha do colégio dos tempos do Maranhão. Cara, foi aquilo que eu chamo de couch cinco estrelas como esse aqui e esse aqui. A Cláudia passava o dia inteiro com a gente, pra cima e pra baixo no carro dela e sempre estava a disposição pra poder ir pra qualquer lugar!
A Cláudia não morava sozinha, ela tinha, digamos, uma “companheira de casa” e que no final sempre era o centro das atenções. Ela se chamava Zaha e era da raça maltês, uma cachorra MUITO fofa e que fazia muita bagunça. Deixar a Zaha solta pelo apartamento era pedir pra casa virar do avesso.
Por último, mas não menos importante, a Cláudia também hospedou uma outra menina durante o meeting. Ela se chamava Larissa e era estudante de medicina, o que foi de muita valia enquanto estivemos em Curitiba. Por que, Claudiomar? Você ou a Claudia passaram mal? Não, nós não, Zaha sim. Mas a Larissa era médica ou veterinária? Bem, deixa eu explicar.

A Larissa é médica e, como todos os médicos devem ser a meu ver, ela tinha um conceito de “nojo” meio que diferente das pessoas normais. Um catarro pras pessoas normais é uma coisa asquerosa, mas pra ela nada mais é do que uma mistura de proteína, água e restos celulares, comum em pessoas que ela um dia virá a tratar quando se formar. Tem que ser assim mesmo, né amigo? Imagina o que seria um médico com nojo de catarro e outros excrementos orgânicos? Eles parecem simplesmente relevar tudo isso. A Larissa foi muito útil nesse ponto.
Bem, teve um dia que resolvemos dar uma volta por uma feirinha de Curitiba e levamos a Zaha pra poder dar uma volta também. E cachorro, ainda mais filhote, vocês sabem como é, né? Sai comendo tudo que vê pela frente. E gente, só uma pausa. Esses cachorros de hoje em dia tão muito fresco, né? Hoje cachorro de madame não pode comer uma carnezinha mais gordurosa que já passa mal. Tem cachorro hoje em dia que não pode mais nem, PASMEM, comer osso porque se engasga. É muita frescura! Essa meninada que hoje passa o dia ouvindo Restart…

Estávamos dentro do carro, já voltando pra casa. Eu e a Cláudia na frente e a Larissa atrás com a Zaha no colo. Sim, se eu enrolei esse tempo todinho pra explicar, você sabe do que eu tou falando. Dali a pouco a gente só escuta um barulhinho: Bleerrrgggghhh!!! A Zaha vomitou tudo o que tinha no estômago em cima da pobre da Larissa. Aí, meu amigo, aí foi banco pra um lado, ração de cachorro de madame pro outro, jantar da noite passada TUDO em cima da pobre da Larissa. Rapaz, pense em alguém que ficou desesperado? Ela? Não, eu e Cláudia ficamos desesperados preocupados com a Larissa e ela só de boa! A gente desesperado pra poder chegar em casa pra menina poder se lavar logo e a Larissa, que tava vomitada, falando pra gente ficar de boa, aquilo era só, cara, eu não lembro como era a palavra que ela utilizava, mas era algo como “Ah gente, isso é só fisiológico!”. Cara, sério! Imagine como seria uma menina, digamos, “normal”? Ela já estaria gritando mais que uma arara tendo os intestinos arrancados! Larissa não, Larissa tava lá, serena!
Além desse teve outro dia que a gente tava em casa se preparando pra sair e resolvemos soltar a Zaha dentro de casa pra poder dar um pouco mais de alegria no recinto. Ela ficou doida pra cima e pra baixo na casa. Como estávamos nos arrumando, não pudemos dar muita atenção a ela. Como cachorro hoje é bicho inteligente, ela pensou que só tinha uma maneira de chamar a nossa atenção. Subiu em cima do meu colchão, próximo ao meu travesseiro e ficou em posição de ataque. Começou a se contorcer e aquele negócio marrom começou a descer de dentro da cachorra! Rapaz, foi um Deus nos acuda dentro do apartamento! “A cachorra tá cagando, a cachorra tá cagando!” – gritava alguém de dentro do banheiro quando Larissa mais veloz que o Papa-Léguas só enrolou a sua mão em um saco plástico de supermercado e colocou embaixo da cachorra no exato local da, digamos, aterrissagem do projétil marrom. Missão cumprida, cachorra amarrada depois disso e eu e a Cláudia impressionados com a coragem da menina! “Ah gente, isso é só fisiológico” – ela repetia seu velho bordão.
Nada mais irônico e apropriado que ela vir de uma cidade que se chamava “Vassouras”.
Dia na feirinha
Esse dia na feirinha foi até legal. Não que eu ache interessante ficar visitando feira e mercado, isso é coisa pra gringo, mas como as companhias eram legais, valia o passeio. No caminho eu tentei bater foto, mas não deu tempo, de uma “pichação” que era comum pelo centro da cidade de Curitiba. Algum figura saiu escrevendo pelas paredes da cidade o endereço do MySpace dele pras pessoas poderem lhe visitar. A que ponto chega uma pessoa no afã de quere ser famoso.
Demos uma volta pela feirinha e depois fomos voltar pra casa. Na hora de voltar pro carro, alguma coisa estava faltando. Chave da casa? Carteira? Juízo? Não, Cláudia deu por falta do carro. Ah, meu amigo, aí começou o desespero. Cláudia começou a se desesperar, o carro fora roubado! E se desespera daqui; liga dali; o carro não tem seguro; ah meu Deus, o que fazemos agora; Fulano no telefone falando pra ligar pra polícia. O desespero tomou conta de todos nós e, principalmente, de Cláudia.
Eu, no meu íntimo particular, também estava um pouco desesperado. Além do fato de Cláudia ter perdido o carro, lembrei que dentro dele eu havia deixado o meu casaco do Brasil. Sim, aquele casaco que vocês já conhecem que está em todas minhas fotos e que viajou o mundo comigo! Se vocês olharem as fotos lá de cima, dá pra ver que ele está em três delas!
Tudo bem, um casaco não tem o mesmo valor de um carro, mas pô, foi o casaco que viajou comigo o mundo inteiro, né? Quando eu o teria novamente? Tinha um valor sentimental meio grande naquela peça de algodão e poliéster. Agora que eu o perdera, eu teria que comprar um outro casaco e dar outra volta ao mundo com ele! E pô, eu pensando em tudo isso, mas não podia nem comentar com a Cláudia, né? Imagina, ela desesperada com um carro e eu preocupado com um casaco? Enfim, Cláudia era a prioridade.
Enquanto o desespero tomava conta do clima, tive uma ideia sublime. Senão genial! Cara, sabe aquela ideia que se fosse na área da ciência lhe valeria um Nobel? Poderia me chamar de Claudiomar Einstein depois dessa. Qual foi a minha brilhante sugestão? “Gente, que tal a gente descer mais um pouco e ver se o carro não ficou mais abaixo?”.
Sim, exatamente como você pensou. O carro se encontrava uma quadra abaixo e meu casaco estava lá dentro. Ela havia estacionado uma rua abaixo e não lembrava… Alívio geral e a constatação que essa juventude anda usando drogas demais…
Obs: Sim, galera, eu vou continuar escrevendo sobre as viagens de volta ao mundo, mas só tou escrevendo sobre outra viagens minhas porque uma hora ou outra esse blog vai acabar e não quero que seja tão rápido…
Cruzando a fronteira da Turquia com a Síria
No outro dia consegui pegar o meu busão em direção a Damasco na Síria. Ainda estava meio confuso se eu conseguiria ou não o maldito visto pra poder entrar no país. Uns me falavam que era super de boa pra poder tirar, que era só pagar a taxa que você estava dentro enquanto outros me falavam que era maior embaço e complicado. Isso era um tanto quanto preocupante, haja vista que não ter todas as informações necessárias em um ambiente possivelmente hostil como aquele não é o melhor dos cenários. Se os caras da fronteira percebessem isso, eles poderiam tentar me enrolar (fazendo eu pagar mais pela taxa do visto, que eu sequer sabia de quanto era) ou então me pedir suborno, o que eu só faria em último caso.
Abaixo dá para ver o sentimento que eu tava na fronteira:



