





![]() |
| Em Maceió, a carne é “do sol” mesmo. |
![]() |
| Aê… Olha o nome do barco!! |
No primeiro dia fomos para a praia do Francês, que até parecia ser uma boa praia, pena que choveu o dia inteiro e não deu pra curtir tanto. Eu ainda tentei alugar uma prancha e surfar, relembrando os bons tempos que morava na Austrália, mas percebi que estou demasiadamente enferrujado! Depois de tomar um caldo atrás do outro, achei que seria melhor devolver a prancha antes que eu terminasse por me afogar. Ainda bem que não avisei ninguém da galera que estava indo surfar, bom que não passei vergonha. Voltei cedo pra pocilga que fiquei pra poder dormir logo, já que no outro dia acordaríamos BEM cedo pra poder fazer o passeio da Foz do Rio São Francisco.
No caminho ele foi mostrando algumas curiosidades da cidade de Maceió. Passamos do lado de um “cinturão verde” e ele foi nos explicar o que era. Apesar de todo o apelo ecológico que eles queriam transparecer, aquele “cinturão verde” foi feito ao redor de um fábrica de corrosivos para que, caso ocorresse um vazamento, pudesse primeiro atingir esse tal “cinturão verde” antes de causar algum tipo de problema para seres humanos. Idílico não? Pois é, se isso é verdade ou não, ele depois mostrou o verdadeiro “cinturão humano” que existia ao redor da fábrica também. Ele não soube informar se era uma invasão ou se foi a própria fábrica que concedeu aquilo, mas ao redor da indústria existiam diversas moradias precárias com várias famílias morando. Diz que aquelas pessoas moravam lá e por motivos de segurança foi colocado um alarme caso algum vazamento ocorresse para que as pessoas “corressem” caso houvesse algum tipo de problema. Isso, não é que havia um plano de socorro ou resgaste dessas famílias, o que havia era um alarme e “dá no pé, cabra!”, “corre pra aquele lado”. Segundo o guia, seis meses atrás o alarme foi tocado e foi uma correria danada pra tudo que foi lado. Imagina a situação, cara, você tá ali de boa em casa, vendo o seu Faustão, todo serelepe e, DO NADA, soa um alarme. Vazamento de uma indústria de CORROSIVOS!!! Meu amigo! Deve ter gente correndo desse alarme até hoje! Depois que se descobriu que foi um alarme falso. Foi brinks. Simples, né? Todo mundo de volta pra casa e finge-se que nada aconteceu. Esses estagiários que ficam tocando o alarme…
A foz é um lugar bem bonito. O mais interessante de ver era um farol que ficava suspenso no meio do rio. Perguntamos o que era e nos foi dito que aquilo foi tudo que sobrou de um povoado que existia do lado da praia. Diz que de uma hora pra outra o mar começou a encher, encher, encher e tomou todo o povoado, só deixando como resquício aquele farol. Se tivesse algum ecochato no barco já ia gritar que era aquecimento global, mas, felizmente, esse ponto não foi tocado.


Pra quem não entende o porquê de ele tanto enfatizar isso, deixe-me explicar. Há algum tempo atrás, a Catalunha foi um reino independente, mas posteriormente foi unificada (ou tomada, como eles mesmos gostam de dizer) pelo reino de Castela (daí vem o nome “Castelhano” que alguns se referem ao espanhol) formando-se assim a Espanha Contemporânea. Os bascos também entraram nessa e viraram Espanha, só que aí é outra história. Apesar dessa “unificação”, vários catalães sempre tiveram problemas com esse “rebaixamento” de Estado independente para província da Espanha. Esse ressentimento atingiu o seu auge durante a ditadura de Franco (1939-1975) quando a Catalunha perdeu sua autonomia e sofreu pesada repressão cultural e lingüística do regime (falar Catalão chegou inclusive a ser proibido). Hoje a Catalunha é uma comunidade autônoma da Espanha, sendo reconhecida como uma “nacionalidade”, e desfruta de uma maior autonomia, com Constituição própria e, claro, língua oficial. Só como última curiosidade, como a Catalunha não tem seleção oficial, a “seleção” deles é o time do Barcelona que possui como maior rival o Real Madrid, que, como o próprio nome já diz, é o principal time de Madrid e por tabela da Espanha (ou Castela). Não raro é comum você ver em jogos entre o Real Madrid e Barcelona alguns espanhóis vaiando o hino espanhol. Na verdade, não são espanhóis, são catalães =)





Inicialmente eu até pensava em ficar mais tempo na Espanha. De Barcelona eu tava planejando viajar para outras cidades na Espanha como Madrid, Bilbao ou Ibiza. Ocorre que, como falei há alguns posts atrás, a crise de 2008 estourou bem no meio da minha viagem e eu vi o meu dinheiro (que estava em reais) praticamente virar pó com as super valorizações do dólar e do euro. Devido a isso, tive que ir adiantando a minha viagem e acabou que eu tive os meus planos de viajar pela Espanha frustrados.





Bem, alguns posts atrás já escrevi contando como foram minhas experiências entrando na Europa. Cara, pode parecer besteira, mas toda vez que você vai entrar na Europa, é sempre aquela tensão. Vem sempre aquela história mal-explicada dos pesquisadores brasileiros que foram barrados na Espanha e deu maior chabu e crise diplomática. Você sempre fica naquela, “pô, os caras, pesquisadores, iam fazer uma viagem curtíssima pra Portugal, tinham convite do evento no bolso. Brasileiros são os mais barrados na Espanha…” e coisas assim. Não adianta querer falar que não, sempre dá aquele gela quando você está pra atravessar a fronteira.
Tranquilo, todas as outras vezes que eu havia passado tinham sido de boa, sempre tava com todos os documentos, sempre tinha a passagem de saída com a data marcada no bolso, enfim, não havia como eles encresparem comigo, afinal, tava com toda documentação certa comigo. Era só ficar de boa e responder as perguntas. E assim foi, aquele tranqüilidade pra passar a fronteira na Áustria (link do post aqui), mais de boa ainda pra passar na Eslovênia(link do post aqui), Suíça tiveram algumas perguntas (link do post aqui). Tudo certo. Não havia com que preocupar.
Só quando estava no avião voando de Zurique para Barcelona, na maior tranqüilidade, que eu fui lembrar. “Êpa! Mas peraí! A Suíça… A Suíça não FAZ PARTE da União Européia. A Suíça não faz parte do acordo de livre tráfego de pessoas na Europa. Isso quer dizer que… que… CARACA, eu vou passar por UMA FRONTEIRA EUROPÉIA e não me preparei em NADA! E pior, vou passar pela mais famosa moedora de carne imigrante brasileira, a temida ESPANHA! EMBRIÃO da crise dos imigrantes!”. Calma! Não era preciso pânico! Era só lembrar o que eu tinha comigo na minha bagagem de mão!
Vamos lá! “Don´t be Panic”, já dizia o Guia do Mochileiro das Galáxias! Era só lembrar o que eu tinha e apresentar lá na hora. Nem ia dar nada, pô! Era só uma semana e meia na Europa mesmo! Vamos lá! Passagem de volta pro Brasil? Er… Não tinha. Seguro saúde? Vencido! Comprovante de renda? O que? Dinheiro no bolso? Uns 20 euros! Carta convite? Servia o endereço do meu couch impresso? Tava arrumado? Não parecia um imigrante ilegal? Bem, eu tava de cabelo grande, barba, bermuda e camisa. Se você olhasse pra mim jurava que o Manu Chao tinha se inspirado em minha pessoa pra poder compor a música “Clandestino”!
Cara, eu tava realmente ferrado! Eu não tinha PORRA NENHUMA que pudesse me ajudar caso o cara do posto de imigração quisesse encrespar comigo! Mas NADA mesmo! Sequer a passagem de volta comigo! E tava atravessando o posto de fronteira que TODO MUNDO falava que era pra ter o maior cuidado possível, PIOR, por Barcelona, que junto com Madrid são os dois piores pesadelos de brasileiros! Cara, eu tava realmente encrencado. Enfim, agora não tinha mais jeito. As poucas coisas que eu poderia demonstrar que só ia a turismo a Barcelona estavam na minha mala dentro do avião e eu não teria acesso. O negócio agora era, no melhor estilo Marta Suplicy, relaxar e gozar.
O avião pousou! Tensão! Me senti como um boi entrando no lugar do abate! Passou o primeiro, passou o segundo, passou o terceiro. Minha vez. Comecei a já imaginar eles me levando pra salinha, me descendo o cacete e depois me mandando de volta pra casa. Eles quebrando meus ossos só por diversão. Cheguei, olhei para o guardinha ele pra mim e começou a falar:
– Buenas tardes, amigo! O que quieres aka en Barcelona? (ou qualquer coisa parecida em Espanhol, que eu não sei falar!)
Olhei pra ele. Pombas! Não sei falar espanhol! NUNCA que eu conseguiria levar uma entrevista em outra língua que não fosse inglês ou português. Entrevista de fronteira é coisa séria! Imagina o cara te pergunta uma coisa, tu respondes achando que estais falando algo e estais dizendo outra coisa totalmente diferente? Não tive dúvida, comecei a falar em inglês!
– Então, amigo, eu sou brasileiro, como podes ver no meu passaporte. Consigo até entender espanhol e tenho certeza que se eu falasse em português claro e devagar, você compreenderia também. Mas sabe o que é? Eu prefiro falar em inglês, pois tenho medo de eu entender algo errado ou você entender algo de errado comigo e isso dar problema. Portanto, se possível, gostaria que a entrevista fosse em Português.
E ele? O que respondeu? Sabe aquela carinha de “não tou entendendo porra nenhuma”? Mas foi essa mesma que ele fez pra mim! Ficou me olhando pra mim com aquela cara de sonso e tentando me entender. Ele olhou pro cara do lado, falou em espanhol com ele. Falou algo em espanhol pra mim, carimbou meu passaporte e me mandou seguir. Nada mais! Sim, isso mesmo que você entendeu! O cara NÃO FALAVA INGLÊS! Sim, o guarda do posto de imigração não falava inglês e, portanto, não fez entrevista nenhuma comigo! Só me mandou seguir! Eu juro que não entendi nada quando isso ocorreu! Achei que ele tinha mandando eu seguir, que eu seria dirigido a uma salinha, lá ia ter alguém que falava inglês e aí sim eu seria entrevistado! Nada! Quando eu menos me espanto, já tava no meio do saguão do aeroporto caminhando livre como um passarinho! Até saí de dentro do saguão e fui pra área pra pegar táxi, só pra confirmar que não tava na área internacional! Cara, você consegue compreender o grau disso? Bicho, em todo minha viagem não teve aeroporto ALGUM que o responsável não falava inglês, fosse o Nepal, fosse a Turquia. Agora na Espanha, no Aeroporto Internacional de Barcelona, um dos mais movimentados da Europa, o cabra não sabia falar inglês! Imagina se eu fosse fazer besteira? Ele não ia neeemmm desconfiar! Os únicos lugares que me deparei com guardinhas que só falavam a língua local foram em países árabes e ainda assim quando atravessava por terra, NUNCA em aeroportos!

Sim, mas era isso mesmo! Eu tava na Espanha, atravessando a fronteira sem passagem, sem dinheiro, sem reserva de hotel, sem seguro-saúde, sem PORRA nenhuma, demonstrando que todo esse terrorismo que a imprensa sempre fez com passagem de fronteira na Europa é uma grande babaquice!
Antes de ir pegar meu busão para o meu couch, ainda tive que discutir com a menininha do câmbio do aeroporto que não queria trocar minhas cédulas de moeda da Eslováquia. A menina teimava porque teimava que a Eslováquia era Euro e, portanto, ela não podia aceitar e tentando explicar pra topeira que na Eslováquia ainda não era Euro, ela tava confundindo era com Eslovênia! Hahahah… Acabou que a única dor-de-cabeça que tive no aeroporto de Barcelona foi só aturar essas duas topeiras de guichê: a mina do câmbio e o imbecil do posto de controle.
Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Confesso que sinto um pouco de dificuldade em escrever sobre Zurique. Não que me falte palavras para descrever o lugar (como Petra ou a Tailândia), me falta mesmo é o que escrever. Zurique pra mim não tem nada pra ver, nada que justifique uma viagem pra lá. Assim, se você gosta de querer tirar onda de chique, tomar um chá de alguma coisa em algum lugar bonitinho e depois sair tirando onda quando chegar no Brasil que foi a Zurrique (sim, com o sotaque francês mesmo) lá é uma boa pedida. Tirando isso não há nada demais. Não há elefantes caminhando pelas ruas, não há pirâmides no meio do deserto, uma praia muito legal pra você surfar, nenhuma construção arquitetônica em que você olhe e pense “uau, como eles foram capaz de fazer isso há centenas de anos atrás?”. Nada disso, Zurique é apenas mais uma cidade européia: arrumadinha, limpa, cara, com um bando de gente mal-humorada e de cara fechada andando nas ruas. A cidade parece uma casa de boneca, é verdade, mas está longe de ser uma Praga ou uma Budapeste. Trocando em miúdos, é apenas um bom lugar pra você fazer uma escala do seu voo e foi por causa disso que eu fui pra lá, só porque precisava descer em algum lugar saindo de Cairo (que vale MIL VEZES mais).
Apesar de tudo, Zurique não foi de tão ruim assim. Pelo menos boas coisas ocorreram por lá. Primeiro que a minha host foi MUITO legal. O nome dela era Yaga e ela tinha acabado de entrar no couchsurfing, eu fui o seu primeiro guest. Ela era muito doce. Foi muito legal os tempos que passamos juntos e até hoje mantemos contato no MSN. Uma coisa engraçada que aconteceu foi que eu não tinha checado direito como tava a temperatura em Zurique antes de ir pra lá. Enquanto em Cairo tava fazendo um calor de 30ºC, em Zurique tava fazendo entre 0º e -5º. Meu amigo! Pense num menino que tremia de frio quando chegou? Cara, eu não tinha mais nada pra se proteger do frio! Cachecol, luva, meia grossa, gorro, nada! Só tinha os casacões mesmo! Resultado? Tive que pegar tudo emprestado com minha host. Só que ela só tinha tudo rosa! Fiquei lá, no primeiro dia, andando todo de rosa até que pude comprar tudo que precisava e poder sair na rua de boa. Tenho certeza que quem passava na rua olhava pra mim, TODO COLORIDO, e pensava “tinha que ser latino mesmo!”.

Teve também um Free Hugs que foi bem legal, conheci uma romena super gente boa e foi bem da hora sair abraçando aquele povo sisudo pelas ruas. Cara, apesar de eles parecem mal-humorados, era só a gente oferecer um abraço grátis que eles abriam um sorrisão.


Como havia falado, de início, a Jordânia não estava nos meus planos pra ser visitada. Pra mim parecia um lugar muito distante e inóspito pra ser alcançado. Eu até pensava em ir a Amã, capital, mas estava lá embaixo na minha escala de prioridades. Tudo mudou depois que as pessoas começaram a me falar de Petra.


Enfim, eu acho meio difícil expressar em palavras o que é realmente andar por entre aquelas muralhas naturais de Petra. Em ter a sensação de estar no meio do de um deserto e do nada um dos mais extraordinários trabalhos humanos surgindo diante dos seus olhos.Pra quem não sabe o que é Petra. Lá é um dos lugares mais impressionantes já construídos pelo o homem. Petra significa “rocha” em grego e é isso mesmo que ela é: uma cidade incrustada nas rochas. Deixe-me ser mais claro. O povo Nabateu, uma tribo árabe, ao chegar ao local, encontraram uma região repleta de rochas, cânions e gargantas por todos os lados. Lá resolveram edificar a sua cidade e viver. Como o que não faltavam eram paredes de rochas e cavernas eles pensaram “Hum, porque não facilitar o trabalho?” e simplesmente começaram a esculpir as suas construções nas pedras. Não, eles não arrancavam a pedra, esculpiam e depois levantavam as edificações. Eles simplesmente iam nas paredes de pedra e, literalmente, iam fazendo um buraco nelas. Cara, isso era muito louco! Durante centenas de anos a cidade prosperou como uma importante rota comercial chegando a ter uma população de quase 20 mil pessoas.
Os Estados Unidos possuem duas atrações turísticas semelhantes e que são famosas no mundo inteiro: os rostos de quatro presidentes americanos esculpidos no Monte Rushmore e o Grand Canyon. Petra é quase que uma fusão dos dois, com a diferença que foi esculpida nas rochas há milênios sem a utilização de dinamites ou engenharia avançada, só de picaretas!


E da mesma maneira misteriosa que foi construída, Petra foi misteriosamente desocupada. As conclusões mais aceitas propõem que os habitantes da cidade simplesmente fugiram de lá depois que dois sucessivos terremotos destruíram quase que toda a cidade. Temendo que outros pudessem estar por vir e com a perda de importância da rota comercial que passava por lá, os habitantes remanescentes decidiram desocupar a cidade.
Após o abandono, Petra ficou esquecida durante centenas de anos. Durante todo esse tempo, o Ocidente imaginava que fosse uma lenda e que realmente nunca existira, mais ou menos como Atlântida ou a cidade de Tróia. Em 1812, porém, um explorador suíço “redescobriu” a cidade e hoje Petra é um dos principais pontos turísticos de todo o mundo. Ficou ainda mais famosa quando foi o cenário das aventuras do filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”. Até novela da Globo já foi filmada lá.
Não tenho muitas histórias de Petra. Só passei um dia por lá e ainda assim fiquei só batendo fotos e passeando entre as ruínas. De qualquer maneira, faltaram presepadas, mas sobraram histórias e saudades de um dos lugares mais impressionantes desse planeta! Petra é SHOW!

Depois de Petra, a Helena voltou para a Palestina e eu resolvi atravessar por barco o Mar Vermelho pra assim chegar logo ao Egito e evitar todo o trabalho e rotina de entrevistas para passar pela fronteira de Israel. Entrei no Egito por mar. Era chegada a hora de se preparar para voltar para a Europa. Suíça!

Estávamos andando no meio do deserto e olha o que achamos no meio do NADA. Esse simpático gatinho que todo mundo que passava, passava a mão na cabeça dele. Me lembrou um gato semelhante que achei em Istambul.
