Preso dentro do hotel, em uma noite entendiante, sem ter o que fazer… Um lero inicial explicando como estava ocorrendo a semana em Pyongyang. Um pouco longo, mas vale pela informações…
Viajando de Pequim para Pyongyang numa lata velha voadora
Coréia do Norte e China. Vai começar a epopéia – Um oficial da Coréia do Norte visita minha casa em Brasília
“Mas porque diabos você vai viajar para Coréia do Norte? O que diabos você vai fazer lá?” essa com certeza era a pergunta que eu mais escutava depois de “você não tem medo de morrer lá?” (como se o Brasil não fosse um dos países mais violentos do mundo). A resposta que eu sempre quis dar, e isso você poder ter certeza, era: – “Por que não? Porque diabos ir para os Estados Unidos então?”.




QUANTO CUSTOU O VISTO?
Tudo começou quando eu resolvi deixar o meu passaporte na Embaixada da Coréia do Norte antes de ir para o trabalho. Fui lá as nove em ponto e fui chegar no trabalho só por volta das nove e meia da manhã. Como cheguei depois das nove, tive que estacionar meu carro em uns dos anexos atrás da Esplanada dos Ministérios. No fim da tarde, quando terminei o trabalho e fui pegar o carro para ir buscar meu passaporte de volta na embaixada, o que encontro? Meu carro arrombado, meu estepe roubado e, SABE DEUS PORQUE, o cara levou o cabo que eu conecto o meu celular no som. Não, ele não levou o som, levou SÓ O CABO! Além de não ter estepe, eu também teria que dirigir sem escutar musica, o que eu odeio! Resultado? 450 reais para poder arrumar a fechadura.

Você pode até argumentar que a probabilidade de ser roubado em cima ou embaixo da Esplanada é a mesma, mas se NAQUELE DIA eu tivesse estacionado o carro no mesmo lugar de sempre, NAQUELE DIA, ele não seria roubado. Logo, coloquei na conta do visto. Beleza, desencanei e segui o meu dia. Paguei os 100 reais do visto e bola para frente. No outro dia fui treinar meu Krav Maga na hora do almoço e depois do treino, um amigo me passou um bizú de onde eu poderia comprar um cabo igual ao que, SABE DEUS PORQUE, o ladrão tinha me roubado. Beleza, desci a quadra que ele havia me falado e fiquei olhando pros lados procurando a loja. Bem, olhar para os lados quando se dirige para frente não é muito esperto. Sim, enfiei o meu carro na traseira de outro! Para piorar me desce do carro batido um brutamontes com uma camisa escrita “Muai Tai (boxe tailandês), Professor!”. Porque tudo o que você mais quer depois que bate na traseira de um carro, que parece novinho, é que desça uma maquina de matar pronta para lhe encher de porrada porque você é um imbecil e, sim, ainda vai merecer levar uns tabefes na orelha. 
Pronto, pensei, é agora que eu apanho mesmo. O cara, graças a Deus, SUPER calmo. Só trocou uma ideia, pegou meu telefone e no mesmo dia levou o carro dele para consertar. Prejú? 500 contos transferidos no mesmo dia. Ou seja, se NAQUELE DIA eu não tivesse ido tirar o visto, NAQUELE DIA, eu não teria tido o cabo roubado e, NO OUTRO DIA, não teria desviado o meu caminho do Krav Maga para o trabalho para procurar um cabo e batido meu carro. Consegue entender a cadeia causal, a lei de Murphy, de todo esse visto? Pois é. Mas se eu faria de novo? Ah, amigão! Nem que eu tivesse que enfiar o meu carro na traseira de um carro da policia eu teria feito tudo de novo para conseguir esse visto!
UM OFICIAL DA CORÉIA DO NORTE E MUITA CONFUSÃO


P.s: Depois que eu fui descobrir. Como fazia tempo que eu havia feito meu cadastro para o visto, o cara foi no apartamento antigo. Os meus antigos companheiros de apartamento ficaram meio em duvida se davam ou não meu novo endereço quando descobriram que um oficial norte-coreano procurava por mim, mas por via das duvidas, resolveram mandar o cara para minha casa nova. Trocando em miúdos, se você é um serial-killer ou um matador de aluguel querendo me furar de bala, pode bater no meu endereço antigo. Meus amigos serão bem prestativos em lhes enviarem para o endereço certo!!!

Panamá, parte 2 – Pergunta aí, Juanito
Cara, parece que todo táxi que você pega no Panamá gera uma história maluca. Voltando da balada não foi diferente. Como tava meio cansando ainda da viagem de Nova York e sabia que no outro dia iríamos acordar cedo pra poder ir pro Canal, falei pro Vicent que iria pegar um táxi pra ir pra casa. Ele prontamente se disponibilizou a voltar comigo, mas como não queria matar a noite dele, falei que tava tudo bem, que eu pegava um táxi sozinho e enrolava no espanhol com o taxista caso tivesse algum problema pra chegar em casa.
Anotei o endereço e telefone dele e perguntei se havia um bom ponto de referência próximo ao edifício dele. Nada, só havia uma UNIVERSIDADE colada onde ele morava. Uma UNIVERSIDADE com MILHARES de alunos, logo, na pior das hipóteses, era só falar o nome do lugar (Universidade del Istmo, lembro até hoje. Fica a dica pro leitor pesquisar o que é Istmo na Wikipédia =P) e pedir pra me largar ali do lado. De boa na lagoa, fui pegar o táxi.
O primeiro que passou do meu lado, perguntei se ele sabia onde era meu endereço e ele falou que era de boa. Achei meio estranho, pois além do motorista havia um carona, mas tranquilo, achei que era algo como um táxi compartilhando, algo comum em alguns países. Mas não, depois vi que eles eram amigos, o que me deixou com medo de acontecer algo de errado. De fato aconteceu, não fui sequestrado, mas houve uma dor-de-cabeça semelhante. Em um sequestro pelo menos o cara sabe pra onde tá te levando, não podia dizer o mesmo do meu taxista.
Cara, eu ia pra rua 37. O taxista foi lá e entrou no bairro. Passou a rua 31, 32, 33, 34 e VLUPT, virou a esquerda. Depois ia na 31, 32, 33, 34 e virava de novo. Depois da terceira vez deu vontade de perguntar “Amigo, com licença, mas o senhor tá de sacanagem com minha cara?”, mas preferi tentar conversar com meu Portunhol e perguntar se estava tudo certo. Lógico que não, o cabra tava mais perdido que calcinha em lua-de-mel. Mas não sabia pra que lado tava indo!! Engraçado que ele perguntava pra Juanito, se ele sabia onde era o lugar e Juanito só ficava com cara de pastel, olhando pros lados. Praticamente um Dom Quixote e um Sancho Pança. E vira daqui e vira de lá e ele me perguntava se eu sabia onde era e eu só dizia que era pra ele me deixar na Universidade del Istmo e nada desse cidadão achar! Diacho, o cara era taxista e não sabia onde ficava uma UNIVERSIDADE!!! E ele parava no posto de gasolina e falava “Pergunta aí, Juanito, onde é o lugar” e Juanito ficava com aquela carinha dele de pastel característica, eu que ia lá e perguntava pro frentista onde diabos era essa universidade, explicava pro motorista e lá ia o bicho se perder de novo. E eu dava o telefone do Vicent e ele ligava pro Vicent e o Vicent explicava e ele falava que entendia e ele se perdia de novo e eu já começava a me acostumar com a ideia de dormir na rua.
E lá ia ele… Rua 31, 32, 33, 34 e VLUPT, virava a esquerda. E eu pensando comigo “Rapaz, será se não é mais fácil o cidadão seguir até a 37 e depois virar?”, mas achei que era uma pergunta tão idiota que eu nem me dei ao trabalho de perguntar. Depois de um tempo, resolvi perguntar porque ele não seguia após a rua 34 e ele me explicou que a 35 tava fechada. Daí perguntei porque ele não ia até a 34, contornava a 35 e depois seguia? Ele falou que ele tava tentando fazer isso e Juanito tava tentando explicar como fazer a volta. Eu preferiria confiar no Tiririca gerenciando o Programa Nuclear Brasil do que confiar no Juanito tentando explicar como chegar a algum lugar. Foi aí que eu assumi as rédeas e comecei a explicar o caminho e enfim cheguei em casa pra encontrar o Vicent já na sala quase dormindo querendo saber porque eu demorei tanto pra poder conseguir chegar em casa são e salvo! E tudo isso porque eu queria chegar em casa mais cedo pra poder dormir.
VISITANDO O CANAL DO PANAMÁ
No outro dia, tive sorte. O Vicent já tinha programado de ir visitar o Canal do Panamá pela manhã e eu pude pegar uma carona com os figuras. O Vicent estava bem empolgado, pois dizia que um dos principais motivos que o levava a hospedar pessoas era ter a oportunidade de poder visitar o Canal do Panamá com os guests. Dizia que adorava o lugar porque era o dia inteiro passando navios gigantescos, maquinânimos, faraônicos! Algo fantástico! Inexplicável! Neil Armstrong ficaria menos estupefato ao pisar na lua se tivesse visto o Canal do Panamá antes. Além de que, claro, o Canal do Panamá é uma das maiores obras de engenharias já realizadas pelo homem. Cara, fui super empolgado lá pra poder usufruir da experiência. Bicho! É uma experiência única ir pra lá! Confesso que estava super ansioso.



No outro dia pela manhã, pegamos o carro do chefe do Vicent (!!!!!) e seguimos para o Canal. Cara, chegamos lá… Aquelas águas, aqueles navios, aquela infra-estrutura… Pô… que droga! Cara, não tinha nada demais. Era só um canal (que mais parecia um riozinho), uns navios passando, uma pancada de gente em pé numa arquibancada que cabiam todos sentados (!!!!) e um narrador chato que não parava de falar em inglês e espanhol (sabiam que o canal tem 20 variações de peixes? 40 toneladas de areia marrom? 14 espécies de peixes? e dezenas de outras “curiosidades”) que na hora me lembrou a guia do barco em Piaçabuçu. Cara, é isso, nada demais. Achei que ao chegar lá, eles iam levar a gente por um tour, conhecer as eclusas, ver a sala de operações, algo parecido com um tour que respeite e contemple a grandiosidade da obra de engenharia correspondente, que nem um tour por Itaipu, por exemplo. Mas não, era isso, você ia lá, parava em frente a um riozinho e ficava escutando o narrador chato falar um bando de abobrinhas. Aquele negócio, já está no Panamá? Vá ver o canal! Se não, vá embora! Não vale a pena ir para o Panamá só pra ver isso…



CAMINHO DE VOLTA
Depois do passeio, seguimos para um lugar onde eu pudesse pegar um táxi para ir ao aeroporto. Paramos um táxi que tava andando por lá e segui caminho. Bem, mais uma vez, se repetiu o script, eu cansado, querendo tentar dormir até o caminho do aeroporto e o taxista não parava de falar. Esse, pra piorar, além de não parar de falar o cara parece que tinha tomado um banho dentro de uma piscina de perfume. Não, mas não era aquele perfume francês não, o cara parece que tinha tomado banho com uma garrafa daqueles perfumes que vendem em garrafa pet de dois litros. Eita diacho, mas ele ainda inventou de ir no ar-condicionado. Eu que não aguentei e falei pra ele abrir o vidro do carro senão corria o risco de eu morrer sufocado.
E lá ia o cidadão. Ele parecia até gente boa, mas não PARAVA de querer falar comigo e eu sem saber falar espanhol, tudo só piorava as coisas. E foi a viagem inteira falando de Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo e outros asseclas. Aquele aeroporto parecia que não chegava nunca.
Enfim cheguei ao aeroporto e até fiquei com pena do taxista, ele parecia que realmente tinha gostado de mim e ficou triste quando fui embora. Que bonito, fiz mais um amigo, pena que ele não tinha facebook. O ruim foi só pegar a fila pra poder fazer o check-in. O site da Copa Airlines tava dando pau e por isso não consegui fazer o check-in em casa e tive que enfrentar a fila. Cara, não sabia, mas a Copa Airlines, apesar de ser uma empresa internacional, mas parecia uma grande Webjet. Mas juro que eu tava esperando eles servirem amendoim no avião (se bem que a Webjegue hoje não serve nem água)… Ow esculhambação! Outra curiosidade, o Panamá não cobra visto ou taxa de entrada para ingressar no país. Porém, se você passou mais de 24 no Panamá, tem que pagar uma módica taxa de saída de QUARENTA DÓLARES!!! Deve ser desses quarenta dólares que eles tiram o dinheiro pra construir aqueles prédios gigantescos! É, parceiro, malandro é o cavalo-marinho que finge de peixe pra não puxar carroça. Pelo menos cheguei vivo em casa e nem fui parado na Receita =)

Panamá – O país, não o canal!
Eu realmente não imaginava que algum dia iria visitar o Panamá. Na verdade, até nutria uma certa curiosidade pelo lugar devido ao Canal do Panamá, mas nada que me levasse a viajar pra lá só pra ver isso. No final, fiquei relativamente satisfeito de poder visitar sem pagar nada, só por causa de uma escala monstruosa da Copa Airlines que tive de fazer na volta de Nova York.

Cara, vou te dizer, viagem perdida não foi. Acabou que essas 20 horas que fiquei em solo panamenho realmente foram bem intensas e bem legais. Pra começo de conversa, o que mais me impressionou quando saí do aeroporto, a caminho da casa da pessoa que iria me hospedar pelo Couchsurfing, foi o tamanho dos prédios na orla da Cidade do Panamá. Cara, eles são MUITO altos! A primeira cidade que lembrou quando cheguei por lá foi Hong Kong devido aos arranha-céus que havia desde o caminho do aeroporto até o bairro do meu brother. Não parece que você está em um país pobre da América Central, mas sim em Doha ou alguns daqueles emirados árabes podres de rico pelo petróleo. Depois fui me lembrar que o Panamá é um paraíso fiscal, por isso tanta grana passeando por lá. No meu ver, o Panamá é um país que se sustenta basicamente em rendas do Canal do Panamá (que dá MUITO dinheiro), da Copa Airlines (uma das maiores empresas aéreas das Américas, por isso o Panamá ser um hub tão importante na América Central), um porto gigantesco e falcatruas de suas benevolentes e flexíveis regras fiscais. Pode parecer que não, mas um dos grandes motivos da Suíça ser podre de rica é que durante muito tempo eles se mantiveram com dinheiro roubado de outros países.
Acaba que o Panamá é uma representação de um país que nós conhecemos bem. Aqueles bolsões de riqueza margeados por áreas gigantescas de pobreza. Toda a renda sendo gerada e revertida na capital e o resto do país tentando de alguma forma sobreviver. Cara, você fica impressionado com o tanto de carrões e camionetes que passam quase que te atropelando pela Cidade do Panamá.

Peguei o táxi e, graças a Deus, o meu taxista sabia onde ficava o endereço que eu ia. Combinamos uma bela tarifa salgada de 20 dólares e ele foi me levando pra lá. Aqui cabe outro parênteses, o Panamá não tem moeda própria. Eles utilizam o dólar americano e o país só cunha moedas de centavos, ou seja, de um dólar pra baixo, a moeda é o Balboa (não, brother, não é o Rocky Balboa, mas sim um importante navegador que explorou o Panamá). Dez centavos de Balboa valem exatamente dez centavos de dólares, o que me levou a deduzir que eles devem cunhar essas moedas por ser mais simples do que trazer centavos de dólar dos Estados Unidos. O país em si também é MUITO americanizado. Várias expressões do inglês são utilizadas no idioma local e a comida também é bem semelhante (o dia inteiro eu SÓ comi cachorro quente, que basicamente era uma salsicha gigantesca com um pão e mostarda em cima, do jeito que americano adora), isso deve ser reflexo de todo o tempo em que os Estados Unidos mandaram de fato no Panamá (inclusive a o Panamá pertencia a Colômbia e ficou independente sob patrocínio dos Estados Unidos que queriam fazer o maldito canal).

“AIRE A JANTA”
No caminho percebi que o taxista tava muito a fim de conversar. Ele não falava inglês e eu não falava espanhol. Resultado? Portunhol! Pode parecer que não, mas cara, é MUITO difícil se tentar falar espanhol quando você não tem domínio. Você entende tudo que o cara fala, mas ele não entende bulhufas do que você responde. Acabou que o caminho inteiro o cara foi só falando “Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo” e eu só sorrindo. Depois de uns dez minutos, quando aqueles edifícios majestosos começaram a aparecer, ele parou o táxi no posto e falou alguma coisa como “Vou aire janta!”. Cara, sabe quando você fica sem reação olhando com aquele cara de “eu não acredito nisso”? ou “mas que cara folgado!!”. O bicho simplesmente ia me deixar no carro enquanto ia parar no posto e… Jantar! “Claro, taxista, pode ficar a vontade, eu nem tava querendo chegar logo no meu destino mesmo…”. Fiquei lá, olhando ele descer e calibrar o pneu! Uai, primeiro ele calibra o pneu e depois ele come? Não! “Janta” em espanhol do Panamá é PNEU! Ele disse que tava indo colocar “ar no pneu” e eu entendi que ele tava indo “para a janta!”. Falsos cognatos malditos…
MEU COUCH. ONDE FIQUEI HOSPEDADO

O bicho morava DO LADO do canteiro de construções do metrô. Até aí tudo bem, né? Morava do lado do trabalho, não tinha que se deslocar muito… Só tinha um detalhe, o canteiro era 24 HORAS!! E fazia barulho, mas fazia BARULHO!! Queria entender como os vizinhos conseguiam dormir com toda aquela barulheira. De boa, era um quarto só pra mim e ele realmente era uma pessoa agradável, então, de boa, couch super da hora. Ele até me preparou um jantar quando cheguei =)
Fui hospedado por um francês super gente boa. Ele se chamava Vicent e tinha um sobrenome parecido com “Castle” (castelo em inglês), que ele acabou adotando como apelido. Ele era engenheiro e morava no Panamá porque foi contratado por uma empresa europeia pra trabalhar no primeiro metrô do país, o que o deixava bem orgulhoso por “estar prestando um serviço a sociedade” =) ! Ele recebia um bom salário pra morar lá, além de que o aluguel do apartamento era por conta da empresa. Uma preocupação a menos. Depois acabei deduzindo que o apelido dele não era Castle porque o sobrenome dele era semelhante à palavra, mas sim porque o apartamento que ele morava era GIGANTESCO, quase um castelo!! Era um desses trabalhos legais, que eles contratam engenheiros europeus recém-formados e com disponibilidade de viajar.
Ele tinha alguns amigos, todos engenheiros e franceses, claro, e aproveitamos pra sair a noite. Na noite, nada demais a acrescentar, só que foi muito parecida com as noites que saí em vários países pobres. “Primas” para todos os lados tentando vender os seus serviços para gringos velhos gordos e nojentos e uma galera super da hora bebendo cerveja bem barata. Foi legal, no final. A galera foi sentando em uma mesa, eu saí pra ir no banheiro e quando voltei vi que o Vicent falava com alguns outros amigos na mesa. Sentei no meio e comecei a conversar com todo mundo. Depois de uma hora que eu fui descobrir que “os amigos do Vicent”, na verdade era só um cara que ele tava falando e que metade da mesa que eu tava conversando não era amigo de ninguém e eu cheio de intimidade. Viva o mico gratuito!
MÁFIA
Entre os amigos do Vicent, havia um italiano que morava em Barcelona, o único não-francês e não-engenheiro. Ele era formado em Filosofia e, como todo bom morador da Espanha, tava desempregado. Tava dando uma volta pelo Panamá para, veja você, conseguir um emprego. A coisa tá realmente bem ruim na Espanha. Depois de conversar um pouco, descobri que ele era proveniente do sul da Itália.

Ele me explicou que a máfia hoje, não é mais aquela máfia dos filmes, com pessoas se executando no meio das ruas e balas por todos os lados. Isso só ocorre quando eles estão disputando diferentes territórios. Na verdade, é de interesse deles que pessoas não morram e assaltos não ocorram para que assim a polícia fique longe. A calmaria é a aliada dos seus negócios. Hoje em dia cada máfia é especialista em um nicho, algumas em tráficos de mulheres, outra em tráfico de imigrantes, outras em tráfico de drogas, outra em construção civil (comprando contratos do governo que nem aqui) e por aí vai. Mas uma coisa é certa, todas precisam lavar o seu dinheiro e é aí que mora o problema.Não sabia, mas, segundo ele, a máfia ainda é muito forte na Itália e na Europa como um todo. Aprendi bastante sobre o tema com ele =)
Os tentáculos da máfia são espalhados por vários setores diferentes. Eles pegam o dinheiro que obtém de forma ilegal e o investem em negócios lícitos por toda a Europa como supermercados, hotéis, lojas de conveniência, gerando, veja só, empregos e renda por todo o continente. Dessa forma a própria economia acaba por ficar dependente da máfia. Em regiões como a dele, a maioria dos negócios são pertencentes a máfia e com isso ou você trabalha para os bichos, ou vai embora, ele foi pra Barcelona. Formado em filosofia, conseguiu de alguma forma trabalhar como gerente de uma empresa, chegando a chefiar um grupo de 50 pessoas, mas, como já falei, foi engolfado pela maré da recessão espanhola e agora estava no Panamá =)
Nova Iorque – Estados Unidos

Viajando pelo Pantanal – uma velha chata e muita confusão

A viagem de volta, rio acima, também foi bem interessante. O guia ia com uma lanterna focando as margens e dentro dos rios procurando alguma coisa interessante. Cara, o que a gente mais via eram muito, mas MUITOS olhos de jacarés por todos os lados. Mas parecia que uma hora ou outra o barco ia passar por cima de um deles, tanto eram os olhinhos que víamos por todos os lugares. Mas o mais legal mesmo não foi nem os jacarés, o mais da hora foi que teve uma hora que o guia pediu silêncio pra todo mundo e começou a focalizar algo estranho do outro lado da margem. Ele foi chegando perto, perto, perto… Quando vimos, era uma onça, descansando, imponente, do outro lado do rio. Cara, muito legal ver um animal assim, no meio do ambiente selvagem. Só que claro, nada podia ser perfeito. Aquela velha, CHATA, ENJOADA DA PORRA, deu tanto escândalo quando o guia começou a chegar mais perto da onça, que ela acabou entrando pra dentro do mato. MISERÁVEL!

Na volta vim conversando com o guia e perguntei se ele não tinha medo desses bichos de dentes afiados que ficavam andando pra cá e pra lá no Pantanal e ele me falou que nunca houve problema. Piranhas vez ou outra mordem as pessoas, mas disse que não é que nem filmes, onde uma morde e aí já vem uma cambada mordendo uma atrás da outra. Disse que vez ou outra elas até mordem, mas que você, apesar de ficar sangrando, dá pra nadar até a outra ponta da margem antes de ser todo comido. Jacaré então, esse sim era bem mais tranquilo. Ele falou que o máximo que aconteceu de um jacaré ir pra cima de alguém foi numa pousada que ele trabalhava antes. Diz que lá tinha um que era meio que de estimação da galera. Todo resto de comida e de peixe eles iam lá e jogavam pra esse jacaré comer. O jacaré, sabendo que ali tinha comida fácil, ficava por ali mesmo. Os turistas então, adoravam, pois o bicho era mansinho e todo mundo ia bater foto com ele. Até que um dia uma turista tava lá pescando e puxou um peixão imenso com o anzol. Rapaz, pra que? Esse jacaré diz que viu esse peixe no anzol, os olhinhos deles começaram a brilhar e lá se danou ele pra correr atrás do peixe. Mas gente, o detalhe, o peixe ainda estava na vara da turista. Rapaz, diz que esse jacaré começou a correr atrás dessa mulher e essa turista começou a gritar desesperada por socorro achando que ele queria comer ela! Diz que o jacaré só parou de correr atrás dela quando ela largou a vara com o peixe no chão. Eu perguntei pra ele o que ele fez quando viu a cena: – “Eu? Eu não fiz nada, fiquei foi só rindo mesmo, pois sabia que o jacaré não estava correndo atrás da mulher, mas sim atrás do peixe”. Isso, a mulher correndo desesperada, achando que ia ser devorada, temendo PELA VIDA e o cidadão dando risada. Vida de guia é uma graça mesmo.
E AMANHECE NO PANTANAL


Na ponte, outro problema, onde eu deveria ficar acomodado pra esperar o nascer do sol? Cara, não é besteira, o nascer do sol ia demorar um pouquinho pra poder começar e eu também não ia sair de lá exatamente após o sol nascer, era preciso passar um tempinho por lá. Procurei um pouco e quando estava pra me sentar no parapeito da ponte pra poder esperar o sol nascer eu só escuto FOOOOOMMMMM e lá vem um caminhão que nem um louco. Juro que a primeira coisa que eu pensei foi em me jogar de cima da ponte, haja vista que eu acreditava que REALMENTE ia ser atropelado. Na hora consegui achar um espacinho pro lá e me abriguei do caminhão. Pantanal doido, quando não te mata com onça, quer te matar com caminhão!
Depois do amanhecer no Pantanal, fomos para uma cavalgada. Cara, não sei vocês, mas eu NUNCA havia cavalgado na minha vida. Bicho, é muito interessante!!!! O cavalo parece um carro! Você puxa ele pra um lado, ele vai pro lado que você puxou, puxa ele pro outro, ele vai pro outro! Que nem um volante!! Aí você puxa pra trás, ele para! Cara, que mágico! O legal foi só ficar passeando por aquelas fazendas e poder observar melhor os passarinhos cantando. Tentei até bater foto de uns tuiuiús, mas não deu muito certo.






De Bonito para o Pantanal
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| Na hora que a gente tava saindo, não pude deixar de presenciar essa cena. Um bando de peão tomando cerveja quente escutando o som do carro em frente a pracinha. Cara, esses bichos estão em todos lugares |

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| Bois ameaçadores nos confrontam do outro lado da pista de terra. |

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| É minha amiga piranha, um dia é o da caça, o outro do caçador. |



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| Vai… nada com um bichinho desses dentro d´água que eu quero ver… |
BONITO PARTE II. PASSEIO DE BOTE
No outro dia, tentei fazer dois dos passeios mais famosos de Bonito: o do Rio da Prata e o Rapel na Gruta de Anhumas.
O problema é que, como falei, Bonito estava APINHADA de gente e os passeios de lá, como tem o seu caráter de turismo ecológico, tem um número limitado de pessoas que podem ir. Além de que todos são muito, mas MUITO, longe da cidade e os taxistas (e como todo taxista antes mesmo de ser um ser humano é sempre um GRANDE FILHO DA PUTA) cobram o olho da cara pra poder ir te levar lá (tinha taxista que queria 160 reais pra poder te levar em passeio a 25 km da cidade) acabava que eu ficava dependente de conseguir que as agências de turismo me encaixassem em grupos que já iam em vans ou carros alugados pra eu poder ir (e aqui fica outra dica, se for pra Bonito em mais de uma pessoa, alugue um carro, vai fazer MUITA diferença pra você). Aí eu ficava naquela sinuca, se tinha vaga no passeio, não tinha vaga em carro compartilhado, se tinha vaga no carro, o passeio já tava lotado. Comecei a ficar bem preocupado se eu iria realmente conseguir ir nos dois passeios acima citados. Como no segundo dia não consegui vaga nem carro, resolvi fazer um “passeio de bote” nas águas de alguns dos rios de Bonito. Deixo ênfase no termo “passeio de bote”, pq era só um passeio mesmo, não era um “rafting” como no início eu achava que seria.

O passeio em si foi bem tranquilo. Passeio de família mesmo, um bando de crianças e pais e rema daqui, rema dali. Foi legal, mas longe de um tipo de passeio que eu tivesse escolhido pra poder fazer quando estivesse viajando sozinho.


Mas o legal mesmo foi ir pra lá. Como falei, estava sozinho e não tinha alugado um carro. Acabei ficando na mão dos taxistas da cidade (o que não há coisa pior) e sem ter muito o que fazer. Como eles queriam um olho meu adiantado e um olho após o serviço, resolvi levar uma ideia com os mototaxistas da cidade e ver o que conseguiria fazer. Os caras das agências me sugeriam que eu não fizesse isso, afinal o passeio de bote era a 25 km de Bonito sendo que 15km eram só de estrada de terra batida. Pensei: “- Não, que eu sou maranhense, sou macho pra caralho, solto pipa e jogo bola e pá pá pá” e resolvi ir. Falei com um mototaxista e ele me falou que era tranquilo, que era super de boa, que eu podia ficar despreocupado que eu nem ia sentir a viagem. Rapaz…
Meu amigo, os primeiros dez quilômetros até que foram de boa, o resto é que foi aquela montanha-russa! Cara, vou te falar que poucas coisas foram emocionantes como aquele “passeio de moto”, viu? Mermão! A motinha tremia mais que gelatina em tsunami! Pela primeira vez na vida eu senti como uma britadeira se sente. E pensa que o motoqueiro se intimidava? Tava nem aí, o bicho ia era no pau!! Eu ficava de olho no velocímetro dele e nada de ele diminuir a velocidade a menos de 60 km/h. Teve uma hora que eu perguntei se dava pra ele ir um pouco mais devagar e ele me falou que era mais seguro (!!!!!!!!) ir naquela velocidade porque assim a moto não derrapava. Se fosse mais devagar corria o risco da moto derrapar e ambos sermos jogados pra fora da pista! Eita beleza! E o chão cheio de uns pedregulhos imensos, eu ficava só imaginando o que ocorreria se a moto passasse com o pneu por cima de um daqueles, se a gente não voaria longe! Só sei que na ida, quando chegamos, eu quase pedi pra ficar por lá mesmo, tamanho o medo de voltar todo aquele trajeto de moto! De tanto ficar quicando, quase que eu saio que nem essa cena de Chaplin abaixo:
Cara, cê tinha que ver era o tamanho dos caminhões que passavam ao nosso lado levantando poeira pra tudo que era lado!!! Eu até parei uma hora pra bater uma foto, pena que não ficou tão boa…

Passeio do Rio da Prata
Quando voltei do bote, fiquei perambulando pelas agências de turismo pra ver se eu conseguiria um passeio melhor. Corre daqui, corre dali, acabou que, milagrosamente, surgiu uma vaga para um dos passeios mais badalados de Bonito, o Passeio do Rio da Prata. Como já falei, foi um golpe de sorte, pois em Bonito quando tem vaga no passeio, não tem no transporte e vice-versa. O cara me explicou que eu havia um grupo com uma van alugada pra eles e sobrara uma vaga que eu iria pegar. Bola na rede, fui dormir.
No outro dia, acordei bem cedinho, umas cinco da manhã e fui o primeiro a ser pego na pousada. Entrei na van e fomos para a segunda pousada. Fiquei naquela expectativa de quem seriam os meus amiguinhos de aventura. Quem iria se divertir comigo! Rapaz, quando eu vi o símbolo no primeiro squeeze que uma tia tava carregando, vi que estava seriamente em apuros. Era um símbolo da CVC. O dia seria longo. De repente, começou a entrar aquela “cambada CVC” dentro do ônibus. Ixi, mas era tia gorda, tiozão de bigode, menino gritando, pagodeiro, enfim, escreva a palavra “farofeiro” no Google imagens e tenha uma noção do tipo de gente que eu tou falando. Viva a nova classe média… Rapaz, seis horas da manhã e o povo já entrava na van gritando, que diabo era aquilo, vai ter energia assim na pqp. Teve uma hora que um cara virou pra mulher dele e falou: – Ai Ivonete, coça as minhas costas aqui. Tou todo me coçando. Juro que na hora me lembrei da foto abaixo:
A van tinha alguns lugares que dava pra você sentar sozinho, sem ninguém do seu lado e do outro lado uma fileira de dois ou três bancos. Sentei em um que tinha um banco do lado esperando sentar alguém legal e assim eu poder conversar e quem sabe conseguir uma companhia pra tomar um chopp a noite, mas tudo o que eu consegui foi que uma gorda sentasse do meu lado e fosse me espremendo a viagem inteira. Bom que na volta eu já aprendi e fui o primeiro a entrar na van pra poder pegar o lugar sozinho. Como não tinha muito o que fazer no caminho, tentei tirar umas fotos do belíssimo nascer do sol que ocorria, mas infelizmente a minha máquina digital era vagabunda.
O pior foi que tinha um tio estilo “pavê para cumê” contando piada a viagem inteira. Se liga em uma:
“Dois amigos estavam caçando no mato. De repente uma cobra veio e picou um dos dois. Ele gritou para o amigo que tinha sido picado e pediu que ele telefonasse para o médico para ver o que deveria fazer. O amigo ligou ligeiro para o médico que lhe disse:
– Enquanto eu estou indo com o soro, você vai e chupa o local da picada que é para tirar o veneno da cobra.
Foi lá correndo onde estava o amigo e tomou um susto quando percebeu que o amigo havia sido picado bem na cabeça do pinto. O mordido, desesperado, foi lá e perguntou:
– E aí? O que foi que o médico disse?
– Uai… ele disse que você vai morrer!”
Eu até ri dessa, mas cara, ele contava dezenas dessas piadas de tiozão e o que mais me impressionava era que o pessoal se encasquestava de rir. E eu lá com aquela cara de “kill me!!”. Mas enfim, o bom foi que a trilha terminou logo!!
Como tudo que havia em Bonito, o passeio é uma bela facada de caro, 213 reais, mas, cara, esse passeio valeu cada centavo gasto nele. Bicho, o que era aquilo? A água, como falei, num nível de transparência absurdamente impressionante, os peixes pareciam que voavam! Quem tiver a oportunidade, não perca a chance de um dia fazer esse passeio! Já fiz vários snorkellings em diversos lugares, mas como Bonito, esse sim, é único.


No final, tinha o mais aguardado, o almoço! Cara, não é por nada não, mas ficar umas três ou quatro horas flutuando e nadando em uma água relativamente fria dá uma fome GIGANTESCA! Saí de dentro d´água já com uma fome gigantesca. Quando cheguei lá pra comer o almoço, apesar de absurdamente caro, deixou muito a desejar, mas enfim, o importante foi que o passeio valeu cada centavo gasto.
Abismo Anhumas
Quando voltei do passeio comecei a criar coragem em enfrentar um desafio ainda maior que o passeio do Rio da Prata. Desafio maior porque era mais perigoso? Mais pesado? Mais tenso? Não, desafio maior pq o preço do passeio era muito, mas MUITO mais caro do que o passeio do Rio da Prata. Se achava que o Rio da Prata era caro, o que falar do rapel no Abismo Anhumas que custava o módico valor de 468 reais POR PESSOA e SEM TRANSPORTE? Pois é, cara, realmente fiquei um bom tempo meditando comigo mesmo se valeria a pena eu espocar uma grana dessas em apenas um dia de passeio. Cara, é muito dinheiro! Conversei com um, conversei com outro e depois de um tempo de indecisão decidi ir. Ah, quer saber? Já tava lá mesmo…
Acabei me decidindo quando conversei com várias pessoas e todas me confirmaram que era um passeio único na sua vida. Cara, pense em uma gruta. Agora pense que essa gruta tem um, digamos assim, um “teto” de 72 METROS DE ALTURA q vc desce de rapel. Dentro da gruta lá embaixo, um imenso lago de águas cristalinas com 80 metros de profundidade, cheio de galerias e estalactites e estalagmites gigantes e com uma visibilidade de dezenas de metros. No final, volta como foi, de rapel, só que dessa vez subindo ao invés de descendo. Cara, realmente vale a pena. Esse é outro passeio em Bonito que vale cada real, cada centavo, cada pacote de miojo que possa faltar na sua casa após pagar o passeio. SENSACIONAL! Pra melhorar, janeiro era a melhor época pra se descer, já que era o único mês em que ficava um feixe de luz iluminando o lago vindo da entrada de luz no abismo. Posso dizer que poucas coisas no mundo podem ser tão lindas como o que vi naquele dia. Nossa, que da hora! Tem gente que gasta mais do que 468 em um par de tênis ou de sapatos, mas visitar aquele lugar valeu mil vezes esse preço. Lugar único em beleza no mundo.

A única parte vergonhosa foi que, como falei, assim como descemos, temos que subir. E como é que sobe? Bem, do mesmo jeito que desceu, pela corda. A diferença é que na descida você tem a gravidade pra te puxar, na subida você que lutar contra a gravidade. Eles ensinam a gente a subir de volta. Você dá uma puxada na corda com os braços e depois com as pernas e se projeta pra cima. Parece fácil, mas cara… Eu tava num grupo com quatro meninas. Bicho, acredita que as quatro malditas subiram de boa e eu quase botei os bagos pra fora? Vergonha…


Bonito, Mato Grosso do Sul – Águas Cristalinas – O que fazer por lá
Sempre nutri um grande desejo em visitar a cidade de Bonito. Adoro atividades na água e Bonito acho que seria o lugar perfeito pra poder fazer isso.
Tirei alguns dias de férias e fiz uma das maiores besteiras possível: ir em alta temporada pra uma das principais atrações turísticas do Brasil. Depois explico. Peguei o meu voo para Campo Grande e por sorte consegui um couch. No outro dia de manhã. Na rodoviária, comprei o meu bilhete e fui obrigado a esperar por um pouco mais de meia hora antes do ônibus poder sair. Como não tinha o que fazer, comi um sanduíche por uma banca qualquer e depois passei em uma agência de turismo pra levantar algumas informações e também passar um pouco o tempo. Quando cheguei lá fui conversar com o atendente e ele já veio com aquele papo: “Ãhn? Indo pra Bonito em alta temporada? Rapaz, é melhor você reservar logo. Tenho um albergue aqui que só tem uma vaga e vai que tu não consegues um lugar pra ficar. Bonito é um lugar muito pequeno e que fica cheio muito rápido, pode ser que tu fiques na rua e pá pá pá… Pega meu albergue, que não sei o que…” e coisas do tipo que eu já estava acostumado. Pensei: “Arf… mais um que tá doido pra passar a perna em mim. Reservar um quarto de um albergue ao dobro do preço, pegar a diferença e fazer uma grana comigo… Sem chance”. O problema era que quanto mais eu conversava com ele, mas ele parecia sincero em me falar que era loucura chegar a Bonito em pleno mês de janeiro sem antes ter conseguido alguma acomodação. Ele parecia como todos canalhas que sempre me enganaram enquanto eu viajava, com a diferença que parecia bem mais sincero.
CHEGANDO A BONITO
Peguei o busão e cheguei a Bonito mais ou menos pela hora do almoço. Como de praxe, em todos locais que já viajei e não consegui achar couch, saí perambulando pela cidade, batendo de pousada em pousada pra ver onde iria ficar. Geralmente, quando viajo, a minha estratégia é a seguinte. Vou a uma pousada que parece bem chique, depois vou na que parece a pior da cidade, vou em uma média e em mais umas outras duas. De posse de todos esses preços, vejo mais ou menos quanto é a média e assim tento achar um preço que eu queira pagar. Pois é… Só tinha um problema, toda pousada que eu batia e perguntava “Tem vaga?” a resposta indubitavelmente era “Não!” e lá ia eu pra outra pousada. E nessa de “tem vaga”, “não”, “tem vaga”, “não”, “tem vaga”, “não”, comecei a ficar preocupado em realmente não achar uma pousada e ter que dormir na rua. Pode parecer que eu estou inventando, mas não, cara, é realmente isso mesmo. Não é que estava muito caro! Era que não tinha mesmo!
Cheguei a Bonito numa quarta feira e realmente não conseguia achar um lugar onde pudesse ficar. Cada pousada que eu passava e não tinha vaga, lembrava do cara da agência de turismo que, pro meu desgosto, dessa vez não estava mentindo. Ainda tentei ir ao albergue que ele havia me falado, mas, no intervalo entre eu falar com o cara da agência e chegar a Bonito, a única vaga do albergue em quarto coletivo foi ocupada. Caminhar, caminhar, caminhar… Até que fui chegando no fim da cidade, em uma estrada de terra que desbocava em uma pousada um pouco afastada da cidade. Fui caminhando e cada vez que chegava mais perto, mais assustadora ficava a pousada. O local era meio caindo aos pedaços, com paredes descascadas, portão de ferro enferrujado e coisas do tipo. Aquela típica casa de filme de terror. Cenário perfeito pra poder achar um quarto barato.

Fui atendido por uma senhora até um certo ponto simpática que e que foi me mostrar os “aposentos”. Cara, que medo viu? Eu juro que eu achei que ela ia me levar pra uma catacumba ou algo assim. Quando desci, que liguei a luz, ela nem acendeu! As luzes estavam queimadas: “Faz tempo que ninguém se hospeda aqui, né senhora?” “Ah sim, mas eu te dou um desconto!”. Rapaz, mas ainda bem que não funcionava as luzes, pq eu teria medo de ver aquele quarto, o banheiro chega tinha teia de aranha pelos boxes. Lógico que não aceitei o quarto, mas depois fiquei pensando que se fossem nos meus tempos de mochileiro se eu não teria ficado lá era de qualquer jeito.

Continuei procurando, mas, cara, tava praticamente impossível conseguir um lugar pra ficar. Não é que estava muito caro não, era que não tinha era mesmo! Procurei, procurei, procurei até que por sorte consegui achar uma pousada até relativamente confortável, com um quarto sobrando e com um preço razoável. Cara, eles cobravam 60 reais por dia por um quarto com ar-condicionado, banheiro privativo e cama de casal. Isso seria muito barato pra qualquer cidade turística do Brasil, mas considerando que era Bonito em alta temporada (cara, aquela cidade é MUITO cara em alta temporada!), achei o preço ridículo. Nem tentei barganhar porque realmente era um bom um preço.
No final, a pousada foi boa, mas foi ruim. Foi boa pq eu realmente tive conforto e sempre que entrava no quarto, já ligava o ar-condicionado. Por outro lado, cara, a pior coisa que você pode fazer quando viaja sozinho, é ficar em uma pousada. Você acaba ficando muito solitário. Bicho, toda vez que eu voltava de um passeio, umas cinco horas da tarde, o que me restava era ficar “forever alone” no quarto, lendo os livros que eu tinha salvo no meu Ipad. O albergue era 45 reais, quarto com ventilador, sete beliches no quarto (eu sei que não é necessário falar, mas em um beliche cabem duas pessoas, lembrem disso =P), mas pelo menos eu teria amigos. Além de que me obrigaria a sair, já que quanto mais o seu quarto é desconfortável, mais tempo você quer ficar fora fazendo alguma coisa. Conforto eu tenho em casa. Trocava fácil o desconforto por ter o que fazer a noite, pois pra mim não há nada pior que sentar em uma mesa de bar e ficar tomando cerveja sozinho…


BALNEÁRIO MUNICIPAL

No meu primeiro dia em Bonito, não me restou muita coisa a fazer. Demorei tanto tempo tentando achar algum lugar pra poder ficar, que acabei por ficar livre só umas três e meia da tarde. Aí já não havia muito o que fazer. Achei que já ia gastar o meu primeiro dia forever alone no quarto quando o dono da pousadinha que eu iria ficar me sugeriu ir ao Balneário Municipal de Bonito. Fiquei meio em dúvida se iria ou não (pombas, a entrada era 20 reais e fechava já 17:00 da tarde), mas depois que ele me falou que trabalhava lá e que poderia me dar uma cortesia, resolvi que iria. Viva o dinheiro público!

Cara, pra quem não sabe o Balneário é o passeio MAIS barato que você consegue fazer em Bonito. Os naturais de Bonito nem pagam entrada, por exemplo. Tá certo que não é aquela coisa ridiculamente barata (só pra vocês terem uma noção, a entrada no Taj Mahal na Índia me custou 30 reais), mas pra Bonito o preço saía quase como um disparate. Resolvi ir. Fiz amizade com um moto-taxi lá que ainda me fez o incrível desconto de um real pra poder me levar e desci pro Balneário. Pois é, cara, pois lá é aquele famoso “barato que sai caro”. Mermão, mas tinha gente, gente, GENTE!! Apinhado de gente pra todo lado! Era farofeiro de um lado cantando pagode, tia gorda caminhando pro lado com a boca cheia de galeto, umas outras garotas de laje pegando sol e por aí vai. Enfim, aquele pandemônio.

Valeu só pela experiência que pude ter em pela primeira vez poder testemunhar o que é aquela água cristalina de Bonito. Cara, muito lindo! Os peixinhos ficavam bem na superfície da água e dava pra você ver o fundo claramente. Nossa, mas uma piscina não conseguia ficar limpa como aquilo. A imagem era tão clara que até refração não parecia existir por lá. Agora pense, se num lugar, CHEIO de farofeiro, a água era cristalina, imagina como não seria em outros lugares. Sem noção.


































