Orcha


Após Kajuharo, a nossa próxima parada foi a mais do que impressionante cidade de Orcha. Tal cidade encontra-se situada praticamente no centro da Índia e seus palácios suntuosos são pouco conhecidos pela galera daqui do Ocidente (como quase tudo na Índia). A cidade foi fundada em 1501 pelo chefe da etnia Bundela, Rudra Prata Singh, que dentre os seus maiores feitos, morreu quando tentava salvar uma de suas vacas do ataque de um leão (mas é um Bundela, mesmo!!!! Desculpe, não resisti ao trocadilho).
O seu império progrediu por centenas de anos. Devido a isso, hoje, Orcha, apesar de ser uma cidade minúscula (aproximadamente 9.000 habitantes), é simplesmente rodeada por dezenas de palácios suntuosos que denunciam a presença de tempos áureos no passado. A cidade hoje é decadente e as pessoas basicamente sobrevivem trabalhando em Jansi (cidade grande e próxima) ou do escasso turismo dessa jóia intocada no meio do subcontinente indiano.

Chegar lá foi, como tudo relacionado a transportes na Índia, muito engraçado. Eu e Samanta nos informamos no hotel sobre quanto deveríamos pagar na rodoviária pelo ônibus de Kajuharo para Jansi (de Jansi deveríamos pagar um táxi para Orcha, já que esta estava apenas a 12 quilômetros daquela). Eles nos responderam que existiam dois ônibus: Um público e um privado. O público demorava seis horas pra chegar, saía um por dia, era velho, os bancos eram de plástico e, não raro, quebrava no caminho. O privado demorava quatro horas, saiam cinco por dia, eram novos, bancos alcochoados e sempre chegavam na hora. O privado custava 250 rúpias (algo como seis reais) e o público custava módicos 200 (algo como cinco reais).

Na hora fiquei num dilema.
“Poxa, o público pode ser ruim, mas, olha só, ele é mais barato! Se pegar o público eu economizo um real! Como sou eu e a Samanta, economizaremos incríveis DOIS REAIS!!
Tudo bem que viajaremos por mais duas horas! Mas com dois reais a mais nos bolsos!”
Decisão difícil, né? Juro que lembrei um dia em que fui almoçar num restaurante em Campinas e o garçom chegou pra mim e disse que eu poderia escolher dentre dois acompanhamentos: Lasanha e… Abóbora!! Lasanha e o que, homi? Ãhn?!? Eu quase que falei pra ele “O senhor tá de sacanagem? Tá tirando onda com minha cara? Traz logo essa abóbora!! Mas é claro que eu vou preferir abóbora!”. Juro que na hora que o cara me falou a diferença dos preços eu quase falei pra ele me dar o público só de sacanagem!!! Perguntei por que tem gente que prefere pagar pelo público e ele falou que não sabia, que apenas me contava as duas opções por via das dúvidas.

Fomos pra rodoviária e a única parte interessante que lembro ser necessária citar foi o cara do balcão da rodoviária querer me cobrar 500 rúpias pela passagem que eu já sabia que custava 250 rúpias. Enfim, adotei a tática do “esmurre a mesa e grite quando você sabe que o cara está te roubando” e, depois de uns dez minutos, ele me vendeu a passagem pelo preço correto. Se tem uma coisa que não podemos negar é que, pelo menos em relação a tentar te roubar em todo canto, a Índia é um país quase que homogêneo.
Enfim, embarcamos para Jansi e de lá pegamos nosso táxi para Orcha.
E aqui começa mais uma de nossas aventuras…
P.s: Pra galera que anda perguntando onde estou. Encontro-me postando em Brasília, mas amanhã chego a São Luís. Se alguém quiser marcar de tomar uma cerveja ou algo assim, pode deixar uma mensagem.
P.s2: Perguntaram-me se aquela Índia que aparece na novela “Caminho das Índias” existe mesmo ou é ficcional. Sim, aquela Índia existe mesmo! Cara, a Índia é um pais fascinante e, como já falei várias vezes, foi meu país preferido. Ainda não postei quase nada das cidades em que viajei na Índia. Vocês estão com uma má impressão da Índia porque até agora eu só postei algo relacionado às partes ruins, que foram minoria, diga-se de passagem. Agora que estou começando a postar as verdadeiras jóias arquitetônicas da Índia, com Orcha cumprindo perfeitamente o papel de um grande “abre-alas” vocês vão ver porque a Índia foi meu destino preferido.

Mãe a gente só tem uma


Hoje fomos ao shopping eu, minha mãe e Taíze. Como não tinha bolsos na bermuda, pedi pra minha mãe e pra Taíze pra elas carregarem minha carteira, meu celular, minha digital…
Quando foi agora, tava indo me preparar pra dormir pra fazer o concurso amanhã o telefone daqui de casa toca. Era Taíze desesperada avisando que minha carteira tinha ficado dentro da mochila dela. Entramos em desespero nós dois, já que a prova amanhã é oito horas da manhã e Taíze mora a 30 km de onde estou dormindo (sim, Brasília é insano, cara! Aqui realmente é tudo longe!).
Sem saber o que fazer fui falar com minha mãe:
– Mãe, como a gente faz? Esqueci a minha carteira dentro da bolsa da Taíze. Preciso da identidade pra fazer prova amanhã! E agora? Vamos pegar o carro e ir buscar? Vamos de táxi? Vamos pedir pra Taíze pegar um ônibus amanhã seis horas da manhã pra entregar minha carteira? O que a gente faz, mãe?
– Eu SABIA que isso ia acontecer. Por essas e outras que eu já tinha me prevenido. Sabe aquela hora que eu pedi pra você me emprestar a sua carteira pra eu checar seu cartão de crédito? Então, eu quase que prevendo que você ia esquecer a sua carteira em algum lugar, sabendo que você é esculhambado e desorganizado, surrupiei a sua carteira de motorista e sua carteira de identidade e coloquei dentro da minha bolsa, ia te entregar só amanhã. Toma aqui, elas tão aqui comigo, agora vai dormir…
Me entregou as carteiras e ficou meia hora me esculhambando e me dando sermão dizendo que eu tenho que parar de ser desorganizado… Eu nunca fiquei tão feliz de pegar sermão da minha mãe como hoje. Não tinha como eu ir pra minha prova sem postar isso no blog!!
Mãe, a gente só tem uma. Hahahaha.
P.s: Má, dá carrinho não, Má!

Gaiolas de ouro. Matéria da Istoé

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2040/artigo118353-1.htm

Matéria interessante sobre as nossas embaixadas no exterior. Representa um ponto de vista muito interessante.

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Enquanto o serviço diplomático se tranca em palácios suntuosos, os brasileiros sofrem por falta de assistência no Exterior

Hugo Marques e Camila Pati

ARGENTINA
A embaixada de Buenos Aires gastou neste ano R$ 10,1 milhões
REINO UNIDO
A representação do Brasil em Londres gastou em 2008 R$ 8,7 milhões
JAPÃO
Já os gastos da embaixada em Tóquio até novembro foram de R$ 8,6 milhões

O Brasil tem espalhados pelo mundo 120 embaixadas, 63 consulados e vice-consulados e outros 16 escritórios para auxiliar os cidadãos. Algumas embaixadas são suntuosas, como a de Roma, no Palazzo Doria Pamphili, na Piazza Navona. Do R$ 1,8 bilhão gasto pelo Itamaraty em 2008, R$ 1,3 bilhão foi com as representações no Exterior. Segundo a Ong Contas Abertas, só cinco embaixadas põem suas contas no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Uma das representações mais dispendiosas é o Consulado-Geral de Nova York, que neste ano gastou R$ 5 milhões só de aluguel. A embaixada de Buenos Aires gastou R$ 2 milhões também com aluguel. Mas, quando os brasileiros precisam de ajuda de suas representações diplomáticas, ficam quase sempre a ver navios. Na semana passada, essa letargia do Itamaraty ficou mais uma vez explícita durante a ocupação do aeroporto de Bangcoc (Tailândia) por manifestantes. Um guia da agência de turismo carioca Transmundi foi à embaixada do Brasil para pedir orientação sobre a retirada do país de 54 turistas brasileiros que faziam escala em Bangcoc e estavam ilhados em um hotel. “A embaixada nos avisou que nada poderia fazer e ficamos muito apreensivos”, contou à ISTOÉ o dono da Transmundi, Luys Pradines, que acompanhou as negociações do Rio de Janeiro. Enquanto isso, mais de 400 espanhóis foram retirados do país por aviões fretados pelo governo de Madri em 48 horas. “A palavra que traduz meu sentimento em relação ao embaixador brasileiro na Tailândia é decepção, pois você se sente desamparado pelo seu próprio país”, diz Padrines. A mesma ação tardia se manifestara uma semana antes, durante os ataques terroristas ocorridos em Mumbai, na Índia. Enquanto alguns países mandavam aviões para resgatar seus cidadãos, a representação brasileira em Nova Déli se limitava a levantar o número de brasileiros que estavam em Mumbai.

Sem ajuda Brasileiros impedidos de entrar na Espanha passaram dias no aeroporto de Barajas, Madri

O Itamaraty reconhece que não dispõe de um plano para socorrer turistas em situação de risco ou perigo. O resgate de brasileiros no Exterior, quando ocorre, é lento e passa por análise caso a caso. Segundo o Itamaraty, a partir do momento em que é constatada a situação de risco, é avaliada a ação a ser tomada, com base no número de brasileiros na região. O problema é que esses levantamentos, na maioria das vezes, são imprecisos. A estimativa de brasileiros na América do Norte, por exemplo, vai de 872 mil a 1,5 milhão de pessoas. Na Bélgica, a “menor estimativa” é de 3,6 mil pessoas e a “maior estimativa” é de 43,6 mil, 12 vezes maior. Ou seja, o Brasil não sabe onde estão os brasileiros.

As embaixadas mais importantes, como as do “circuito Elizabeth Arden” (Roma, Paris, Londres e Washington), costumam ser mais eficientes. Mas nem mesmo essas são isentas de problemas. O paranaense Vagner Kodama, por exemplo, tenta há dois meses obter a certidão de óbito do irmão, Oscar Kodama, que morreu aos 28 anos, em Paris, no dia 31 de agosto, sem que a família conseguisse contato com o Itamaraty ou a embaixada do Brasil na França. A família foi avisada sobre a situação de saúde de Oscar por um passageiro português que estava no Aeroporto Charles de Gaulle. “Quando meu irmão ainda estava vivo, entramos em contato com o Itamaraty, nos telefones do plantão do site do ministério, mas ninguém atendeu. Dá vontade de ir lá e dar um soco no nariz desses diplomatas”, diz Vagner. “Meu irmão começou a passar mal no sábado, faleceu no domingo e o Itamaraty só nos avisou na segunda-feira, às 14 horas.” O Itamaraty tenta se justificar: “O caso de Oscar dependia da ação de autoridades locais”, disse a assessoria do Itamaraty.

Outros brasileiros que enfrentaram dificuldades também guardam péssimas recordações das embaixadas. O coronel do Exército Luiz Wichert, de Curitiba, foi assaltado durante viagem à Europa, em 2006, quando seguia de Madri para Paris, e ficou sem passaporte. Ao procurar o consulado em Paris, enfrentou uma fila grande e disseram que ele teria de ir a Roterdã, na Holanda, se quisesse voltar ao Brasil. Wichert não conseguiu falar com o cônsul. “Tive de viajar uns mil quilômetros e gastar mil euros para resolver meu problema”, diz. Há casos que ganharam repercussão internacional, como o da física Patrícia Camargo Magalhães, que em fevereiro ia a um congresso em Lisboa, mas foi barrada no aeroporto de Madri. À época, o episódio de deportação de brasileiros da Espanha gerou uma crise diplomática entre Brasil e Espanha – mas só depois que os abusos espanhóis foram denunciados pela imprensa. “Minha irmã conseguiu falar no Itamaraty, mas não tivemos nenhum retorno”, diz Camile Gavazza Alves, repatriada junto com Patrícia. Ela desabafa: “O consulado e nada é a mesma coisa. Mesmo com todos os telefones atualizados, eu só consegui ouvir uma gravação.”

A precariedade no atendimento a brasileiros por parte dos consulados – que são os responsáveis diretos por assessorar os cidadãos do País no Exterior – é quase uma regra. “Eu sei que a ação consular é precária, a gente tem muita queixa, que vem sobretudo da Espanha”, afirma o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Marcondes Gadelha (PSBPB). Ele diz que a comissão tentará aumentar os recursos para a ação consular no Orçamento de 2009, mas vê “resistência seletiva” de muitos países contra brasileiros. “Eles dizem que o brasileiro que vai para lá é gay ou prostituta.” A julgar pelo tratamento recebido do governo brasileiro, este é um preconceito que também parece ter dominado nossos consulados. Uma das poucas vozes sensatas é a do ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. Ele diz que o Brasil se concebeu como país de imigração. “Hoje uma parte da burguesia emergente quer desesperadamente deixar o Brasil”, diz. “Enquanto não revertermos isso, precisamos socorrê-los, e não adotar uma política de avestruz.”

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Amanhã tem post novo,

Abraços maranhenses

Um coraçãozinho simpático cruza nosso caminho…

Em um dos primeiro monumentos que chegamos, um simpático menininho veio falar com a gente! Ao ver a Samanta, ele imaginou que ela fosse japonesa e já foi falando japonês com ela, sendo prontamente respondido (Samanta fala japonês). O moleque parecia ter uns oito anos, mas era realmente todo invocado! Depois de algumas ignoradas nele e diversas vezes falando que não tinha dinheiro, o moleque falou que não queria nada não, que ele só queria era conversar em inglês com a gente porque isso era importante pra ele ir bem na escola.
De começo eu não engoli aquela. Pombas, tava na cara que isso era o golpe clichê de não querer nada no começo pra depois tentar te arrancar uma grana. Depois de algum tempo tentando enxotar o moleque, acabamos realmente indo na dele e conversando. Ele contava sobre os monumentos, sobre como era a escola dele, sobre como era a vida na Índia, como se chamavam os seus coleguinhas etc. Cara, o menino era REALMENTE muito simpático e era uma criancinha muito fofa! Ele ficava brincando com a gente pedindo pra gente falar um país pra ele acertar a capital! Confesso que fiquei MUITO feliz quando o moleque falou que a capital do Brasil era Brasília, não Rio de Janeiro (ou pior, Buenos Aires :P).
Sabe aquele jeito que uma criança age quando vê uma novidade? Fica toda alegre e sorridente? Não pára de falar e fazer perguntas e talz? Ele tava assim, me perguntando sobre o Brasil, como era viver em Brasília etc. Basicamente nós éramos a novidade pra ele! Cara, UM AMOR! Gostamos tanto desse menino que resolvemos convidá-lo pra ir nos outros monumentos com a gente. Ele aceitou e foi nos acompanhando pedalando a sua bicicletinha.
No outro monumento ele já foi logo explicando tudo pra gente e enxotando os outros guias, todo serelepe! Quando foi no final deste monumento eu resolvi falar com ele. Expliquei que ele era um menino muito simpático, que nós os adoramos e que eu estava triste de não ter nem um dólar no meu bolso pra poder dar pra ele retribuindo tamanha cordialidade dele para conosco. Cara, eu realmente tava liso, porque senão, hipnotizado, teria dado era uns 50 dólares pra ele!
Ah cara, mas na hora que eu falei que eu não tinha dinheiro pra dar a ele, o menino pegou ar! Rapaz, o moleque ficou muito bravo! Começou a falar rispidamente comigo, irritado, que ele não estava pedindo dinheiro pra mim e que eu parasse de ficar falando de cinco em cinco minutos pra ele que eu não tinha dinheiro! Que se eu não era uma pessoa boa e só fazia as coisas por interesse que eu respeitasse as pessoas dignas (no caso ele), pois elas nem sempre aparecem na sua vida! Que ele fazia aquilo porque ele gostava. Que se ele quisesse ficar esmolando ele vestiria uns trapos e iria pedir dinheiro como os mendigos no mercado! Rapaz, basicamente ele me humilhou…
Nessa hora eu baixei a cabeça, coloquei o rabo entre as pernas e me senti MUITO culpado! Mas me senti mesmo! Pô, cara! Os adultos querendo se passar por alguém legal só pra pegar o seu dinheiro você entende, mas pô, ele era apenas uma criança! Realmente calei a boca e segui o passeio com ele nos seguindo de bicicleta.
Quando estava pra escurecer ele falou que precisava voltar pra casa dele senão a mãe dele ia colocá-lo de castigo. Como já tínhamos feito amizade, ele nos perguntou se não queríamos visitar a sua vila e ter uma experiência de como as pessoas vivem na Índia. Quem sabe até visitar a sua escola. Falamos que não porque estávamos bem cansados e queríamos voltar logo pra casa. Ele perguntou mais uma vez e dizemos que não. “Tem certeza?” “Sim, vamos voltar pro hotel”. Na hora que ele foi embora, a Samanta ainda quis dar uns trocados pra ele dizendo “Pega pra você comprar um pirulito”. Acredita que ele não aceitou? Falou que tava tudo bem, que só o fato de ter passado a tarde inteira com ele seria o seu pagamento. Rapaz, o moleque era gente boa mesmo…
Cara, depois que voltamos pro hotel eu fiquei comentando com a Samanta sobre como a gente deve ter perdido oportunidades de conhecer pessoas maravilhosas na Índia devido a nossa maneira de tratar as pessoas de uma maneira ríspida e o fato de pensar que todo indiano que vem falar com a gente é mau caráter em potencial. Aquele menino me fez aprender muito sobre como perdemos grandes oportunidades baseados em preconceitos, me lembrando um outro post (confira a história aqui). Ela concordou muito comigo. Expliquei pra ela como havia me comportado no trem horas antes de ter chegado em Kajuharo, sobre como tinha sido imbecil com indianos que nada tinham a ver com o fato de outras pessoas, totalmente diferentes, terem me roubado antes de eu viajar pra Kajuharo. Falei pra ela que estava muito arrependido por isso e ela me tranqüilizou e falou que todas pessoas erram, que bastava eu não fazer mais isso que tudo ficaria tranqüilo. Fizemos um pacto de tratar melhor os indianos depois daquela prazerosa tarde com aquela criança que em um dia de passeio e sem instrução nenhuma havia nos ensinado MUITO mais do que professores com doutorado que tivemos em nossas universidades.
Fui tomar banho. Quando estou no banheiro eu só escuto a Samanta gargalhando, mas gargalhando ALTO, menino!
Me enxuguei, botei a minha roupa e fui ao encontro dela entender o porquê dela estar rindo tão alto e tão intensamente e ela me mostrou porque. No guia do Lovely Planet que utilizávamos para obter informações de viagem sobre a Índia, ela me mostrou um texto escrito em NEGRITO pedindo MUITA atenção pra qualquer pessoa que viajasse a Kajuharo. O texto dizia mais ou menos assim:
“Cuidado ao viajar para Kajuharo. Esta cidade possui um dos mais criativos e perigosos golpes da Índia. Não estamos falando dos indianos amigáveis que irão se aproximar de vocês nos monumentos aparentemente apenas pra conversar e depois pedirão dinheiro pelas informações. Estamos falando de algo bem pior. Vários viajantes já nos escreveram relatando que ao visitar alguns dos monumentos de Kajuharo, uma simpática criança começava a puxar papo com eles. A criança aparentemente não queria nada em troca e recusava-se a aceitar qualquer dinheiro ou presente, alegando que estava conversando com turistas por recomendação da escola. Confiando-se no fato de que era apenas uma criança e, portanto, não poderia fazer tanto mal, eles simplesmente iam conversando e dando corda. Após adquirir a confiança dos viajantes, a criança os convidava para visitar a sua vila a alguns quilômetros e conhecer mais a sua maneira de vida.
ATENÇÃO, NÃO ACEITE!
Ao chegar lá ela a levará para visitar algumas casas e no final uma escola. Na escola vários alunos e uma professora estarão lhe esperando. Depois de explicar-lhes algumas coisas, no final a criança que o levou irá cobrá-lo uma quantia absurda pelo passeio, cem dólares ou mais. Caso você se recuse a pagar as pessoas serão cada vez mais agressivas e se recusarão a levar-lhe de volta para o seu hotel. Invariavelmente, quase todas as pessoas que resolveram ir a este local gastaram alguns dólares para se verem livres deste golpe.
Cara, na hora que eu li isso vocês não imaginam a minha indignação. Pombas, era só uma criança, cara! Filhadaputinha desde menino! Me lembrou algo que tinha ocorrido comigo no Nepal (link da história aqui).
Depois eu fiquei até pensando. Será se ele realmente fosse uma boa pessoa ele faria toda aquela ceninha quando eu ofereci grana pra ele? Será? Pensem se fosse vocês. Se fosse comigo e eu me oferecesse pra poder ajudar um gringo em São Luís e o cara no primeiro momento achasse que eu queria roubá-lo ou algo do tipo, eu não faria uma ceninha daquela. Eu simplesmente levaria em consideração que ele já deve ter passado MUITO por isso no Brasil e ele simplesmente está calejado. Eu explicaria pra ele mais uma vez o porquê de estar ajudando e levaria de boa. Acho que na hora que o moleque fez aquela ceninha ele entregou o golpezinho barato (na verdade, caro) dele.
Enfim, antes de dormir fiz uma oraçãozinha aos Santo Protetor dos Mochileiros e pedi encarecidamente que o mesmo faça aquela pobre e inocente criancinha arder para sempre no mármore do inferno.
E, depois dessa, mais do que nunca, voltei a tratar os indianos à velha maneira.
Abraços maranhenses
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Abstinência de Internet

Depois desses dois guias ainda teve mais um que foi MUITO interessante, mas que vou deixar pra contar posteriormente. Fazer o “Gran Finale”.
Após o passeio por todos os monumentos depravados de Kajuharo, eu e Samanta voltamos para o nosso hotel para poder tomarmos um banho (separados, claro!) e descansar um pouco, pois estávamos planejando sair a noite. Tomei meu banho e quando a Samanta foi ao banheiro pra tomar o dela eu simplesmente CAPOTEI na cama! Detalhe, isso era plena cinco horas da tarde! Eu tava tão, mas TÃO cansado que nem agüentei fazer nada! Desmaiei na cama e dormi que nem uma pedra. Sobrou pra pobre da Samanta que, sem ter o que fazer, acabou indo dormir cedo também.
No outro dia, como não podia deixar de ser, acordei muito, mas MUITO cedo! Acordei eram cinco horas da manhã e não consegui dormir mais. Fiquei vagando pelo quarto e depois comecei a ler um livro. Quando eu abri o livro eu me lembrei:
“Ei rapaz, ontem a tarde (horário do Brasil) saiu o resultado do vestibular de Claudio Augusto (meu irmão que tinha prestado Relações Internacionais na UnB)!
Fiz as contas acerca do fuso horário e me dei conta que o resultado já se encontrava na internet! Nessa hora eu me desesperei! Caramba! Meu irmão poderia ter ou não passado no vestibular e eu não sabia!!
Corri para fora do hotel e comecei a, desesperadamente, procurar uma Lan House na vã esperança de achar alguma 24 horas. CLARO que não havia Lan Houses 24 horas naquela cidade! Pra falar a verdade, foi até difícil achar uma Lan House por lá.
O que fazer? Eu não ia agüentar esperar cinco ou seis horas pra saber o resultado do vestibular do meu irmão! Não tive dúvidas! A primeira Lan House que eu vi na minha frente eu comecei logo foi a esmurrar. Não obstante eu estar esmurrando eu ainda gritava: SOCORRO!!! INTERNEEEETTTT!! AAAAAHHHHH!!! EU PRECISO DE INTERNET!! ABRA ESSA LAN HOUSE PELO AMOR DE DEUS!! ABRE ESSA PORTA!! AAAAAAAAAHHH!!
Eu juro que durante essa cena eu fiquei até imaginando a cena: O cara, deitado, dormindo e DO NADA vem um gringo e começa a ESMURRAR a porta da Lan House dele e ainda por cima gritando INTERNEEETTTT!!! Hahahaha. Eu fiquei imaginando ele pensando: – Meu amigo! Eu aqui querendo dormir e chega um louco esmurrando a porta em crise de abstinência. Eu já vi muito cara viciado em internet, mas esse aqui SEM SOMBRA DE DÚVIDAS se superou! Vai ser viciado assim na cacha-prego!
Depois de eu muito eu esmurrar a Lan House, abriu um homem com uma cara de “que foi, doido”:
– Que cê quer, maluco?
– Cara, eu preciso, DESESPERADAMENTE, usar a internet!
– Você não acha que tá muito cedo ainda não? Ainda não são nem seis horas da manhã!
– Cara, mas eu preciso usar desesperadamente!
– Desculpa, a Lan House tá fechada e não tem nada no mundo que me faça abri-la uma hora dessas!
– Nem se eu te pagar cinco vezes a mais pela hora?
– Tá bom, tou ligando o estabilizador aqui…
O que eu gosto na Índia é que para o bem ou para o mal, grana sempre resolve os piores problemas. No final, sim, meu irmão tinha sido aprovado pra Relações Internacionais na UnB 🙂

Comentários interessantes

1 – Pra começar, posto aqui um comentário deixado pelo Andre no tópico acerca do Pol Pot que eu achei genial:
“Querem sempre diferenciar a ideologia “comunismo” de sua prática, mas a verdade é que NUNCA existiu a implantação de um goverso socialista sem que junto com ele não viesse a barbárie, perseguições, perdas de direitos civis, morte, e mascaramento de dados, e enriquecimento de elites.
No Cambodja, nem dá pra dizer que foi implementado algo com ideologia, o Pol Pot era um assassino, um psicopata inteligente e cruel, mas em outros países, temos bons exemplos de governantes baseados em ideologias socialistas que implantaram ditaduras do “proletariado”(como Fidel) ou pseudo democracias (como Chavez), mas que no fundo só beneficiaram um grupo pequeno de pessoas, promoveram pequenas benfeitorias mas a contrapartida foi a perda total dos direitos civis das pessoas
Me recordo de ter lido uma vez uma passagem sobre um poeta cubano, Reinaldo Arenas, sobre um jantar ao qual ele compareceu. Essa é uma transcição do ocorrido…
“Viajando pelo mundo, descobriu (Arenas) um novo tipo de comunista: “os comunistas de luxo”. Em meio a um banquete na Universidade de Harvard, um professor alemão lhe disse que admirava Cuba e tudo o que Fidel havia feito. Arenas respondeu que achava ótimo que ele pensasse assim, mas que então ele não deveria estar comendo tanto, pois o povo cubano não come assim. E atacou o prato do professor contra a parede.
Não sejam vocês comunistas de luxo. Vivam a miséria e a prisão do sistema socialista, não como expectadores, mas como cidadãos, e depois, teçam seus elogios, se forem capazes.
Bela matéria, belo blog. Parabéns!
Andre”
R – Obrigado, Andre!
2 – Alguém anônimo postou:
“Claudiomar posta algo no final tipo um post dos melhores prato (com fotos) melhores fotos, melhores praias, tipo top 10 de uma 20 coisas ae..kkkkkkk
R – Cara, adorei essa sua sugestão, pode ter certeza que irei adotá-la.”
3 – O Celso postou:
“hahaha
pior que o tiete foi brabo!
uma duvida claudiomar, tu ainda mantém contato com os loucos que passaram por vc nas viagens, tipo os chineses que moraram contigo na austrália, aquele que matava barata com o dedo e tal?! os caras lá da casa na california que queriam ir pro méxico atrás das maiores prostitutas do mundo?! a coreana, que como vc falou parecia um caminhão, por causa do lance da fumaça do narguile… e por fim nossa amiga coração gelado…
tu tem contato comesse povo ainda?!”
R – Cara, tu sabes que isso é algo que até hoje me dói no peito lembrar? Pô, todos os coreanos e chineses que conheci na Austrália eu acabei perdendo contato. O chinês que direto saía no pau comigo, o coreano que matava a barata com a mão etc. O ucraniano que queria viajar para o México pra pegar as “primas” acabou saindo de campo e se casou com a japonesa que eu chamava de “Japanese trucker” por causa da fumaça do Narguilé! A Coraçào Gelado, de todos é a única que eu mantenho contato!
4 – O Marcio Vinicius comentou:
“uhueheue ae claudiomar, ningum ainda ,menciona elas..todos se esqueceram…mas não..eu não!
a campanha “queremos suecas quentes e techas ardentes !” não morreu!
x) pronto ja falo da india x) agora eu qquero putariaaa =~~ pelo amor de deus,pelo menos no prox. post diz algo sobre quando c vai postar desses paises =~~ os fans dessas diginissimas senhoras esperam adoidados
depois dakela foto da australiana bebada num banquinho da estação de trem ,nem imagino oque vc axou em bratislava ou outro canto do leste europeu x) “
R – Eu não vou negar que eu ri MUITO deste comentário, hahaha!

Trem de Varanasi a Kajuharo

Cara, pra começar, vou escrever sobre como foi o meu trem de Varanasi para Kajuharo.

Só pra deixar vocês a par da situação e do meu humor, apenas alguma horas após a confusão em Varanasi (confira a história clicando aqui) eu já estava dentro de um trem indo em direção a Kajuharo. Meu estado de nervos não era dos melhores.
Eu e Coração Gelado compramos passagens de trem na classe SL que significa “sleeper”. Era a classe mais barata. Tínhamos direito a uma cama acoplada à parede e sem ar-condicionado. Acima da minha cama ainda havia mais duas camas acopladas com a mais alta sendo a da Samanta.
Pegamos o trem à noite e quando começou a amanhecer as pessoas começaram a acordar. O que todo mundo fazia? O povo que estava nas camas de cima, descia e, simplesmente, sentava nas camas de baixo pertencentes a outras pessoas para poderem ficar conversando. Tudo bem, isso é normal e as pessoas das camas de baixo costumam aceitar isso na boa. Comigo seria o mesmo se eu não estivesse já uma pilha de nervos e com uma raiva miserável de qualquer indiano que eu pudesse ver pela frente. Quando o primeirinho sentou na minha cama eu já fui logo mandando ir embora e fiquei dando uns chutinhos em todo e qualquer cidadão que viesse a sentar à minha cama. Cheguei a ser grosso várias vezes com várias pessoas diferentes.
Tecla PAUSE
Mais uma vez não sinto o menor ORGULHO em contar essa história, cara! Eu estava agindo como um grande babaca e hoje eu mais que concordo que minha atitude era típica de uma pessoa mesquinha e egoísta. Mais uma vez, gostaria de reiterar que estou apenas ilustrando como andava o meu estado de nervos depois de tanto tempo viajando pela Índia. Como me tornei uma pessoa totalmente diferente de mim e me envergonho um pouco disso.
Tecla PLAY
 

GUIAS MALACOS E MUITA CONFUSÃO

Pois bem, chegamos à Kajuharo e conseguimos um lugarzinho aprazível para ficar. Largamos as coisas no hotel e alugamos um táxi. O táxi nos levou ao nosso primeiro monumento e lá o show já começou. Quando fui entrando no monumento e comecei a bater algumas fotos, um cidadão chegou pra mim e, sem eu pedir nem nada, começou a explicar tudo. Eu fui indo na dele já sabendo o que ia ocorrer. O cara foi falando, falando, falando… “E essa pilastra aqui é em homenagem à Vishnu, essas estátuas (foto abaixo) tiveram as cabeças cortadas durante uma invasão de muçulmanos ao sul da Índia” e pá pá pá… Ele foi falando, falando, falando… No final, quando eu vi que ele terminou, virei as costas e saí andando. Ele me olhou por um tempo e no final ainda gritou:
– Ow amigo, você não vai me pagar nada?
Só gritei lá debaixo:
– Não, eu não te pedi pra tu me dares informação. Fizeste porque quis. Obrigado por ser tão “gentil”.
Não entendi o que o cara me falou depois, até porque ele me xingou por MUITO tempo em Hindi e eu não entendi nada. Boto fé que o cara me xingou por pelo menos uma vinte gerações depois!
Depois dessa no quarto monumento ainda teve outro gaiato com o mesmo golpe. Chegou pra mim e começou a explicar um bando de coisa, mais uma vez sem eu pedir. Como havia ficado com pena do cara que me deu a explicação de graça antes (sim, cara, apesar de tudo eu ainda tenho um coração no peito), quando o outro começou a explicar eu já o interrompi e falei que não tinha dinheiro. Ele falou que não, que não sei o que, que ele fazia isso porque queria, olha só, melhorar o inglês dele e apresentar a belíssima cidade dele para os estrangeiros. Eu como, mais uma vez, já sabia o que ia acontecer fiz que não entendi nada e mais uma vez deixei o cara ir falando.
Na hora de ir embora o figura veio pra mim pra pedir dinheiro. Dessa vez foi até engraçado porque, ao invés das outras vezes do “me dá um dinheiro por isso”, ele me veio com outro papo, todo gaiato:
– Sabe, cara, eu só queria saber se teria como você me dar uma grana pelo o que eu te apresentei. Eu faço coleção (sim, ele realmente utilizou essa palavra! “Coleção”) de dinheiro e se você me desse um pouco mais, minha coleção ficaria melhor, sabe? Você não teria alguns dólares, euros, ienes ou até mesmo rúpias pra me ajudar a colecionar não?
Pombas, eu já tinha visto cara pedir dinheiro dizendo que precisava pagar faculdade de filho, outro falando que tinha uma família com quinze crianças pra criar, mas um cidadão falar que “colecionava” dinheiro pra mim foi o cúmulo da cara de pau! Depois dessa não tive escolha, né? Tive que contribuir com o cara!
Tirei uma nota de Bath tailandês (que valia menos que um dólar), dei pra ele e saí com a alma leve sabendo que, o ajudando a colecionar, havia realizado a minha boa ação do dia.
Ele deve ter adorado!
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Galera, mais uma vez preciso conversar francamente com a galera.
Acho que, mais uma vez, não ficou tão claro o que eu quis passar pra vocês.
Vi em alguns comentários a galera ou falando “Claudiomar, acho que você está pegando pesado com a Índia” ou “Nuuss, depois de ler esse blog eu NUNCA mais quero ir na Índia”.
Amigos, ambas as interpretações são equivocadas.
1 – Se estou postando as diversas “passadas de raiva” que tive na Índia é porque, como alguém disse em alguns do tópicos, quero deixar a galera mais por dentro de como é o dia a dia de alguém que viaja na Índia. Nunca tive intenção de ser racista ou algo do tipo. Crápulas existem em todos os lugares e na Índia não podia ser diferente. Apenas fiquei impressionado de como na Índia eles conseguem se sobresair TANTO em relação às pessoas gentis. Não ODEIO e nunca odiei indianos como povo. Na verdade nutro um respeito muito grande pela Índia e toda a sua história. Só escrevo sobre essas paradas porque se eu só escrever “fui em tal lugar e lá é assim, assim e assim” vai ser uma parada muito Zeca Camargo 😛
2 – Gente eu NUNCA quis desencorajar NINGUÉM a ir para a Índia. Mas NUNCA mesmo. De todos os lugares foi o meu preferido. Sempre que algum amigo me pergunta “qual foi seu país preferido” eu responto de “bate-pronto”: Índia! A Índia foi o país onde eu mais me encantei e onde eu mais gastei tempo viajando também. Mesmo gastando quase 7 semanas da Índia ainda tem MUITOS lugares pra visitar e com certeza quero voltar lá alguma outra vez na vida. Se vocês tiverem paciência, assistam a novela “Caminho das Índias” que realmente eles mostram vários monumentos super interessantes e irados da Índia. País sensacional.
Por último. Galera, eu ia colocar agora o post acerca de Kajuharo, mas só agora me toquei que o texto só está gravado no meu pen drive que se encontra entocado em algum lugar daqui de casa! Amanhã vou ter que procurar e assim que encontrar prometo que posto.
Abraços maranhenses

E com vocês, a tal esperada continuação do post: "Enfim, chego ao limite!"

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(Esse post é uma continuação do post do dia 17/01, post abaixo. Se você não ler o post abaixo posteriormente, você não entenderá o conteúdo aqui escrito)
Como havia dito no post passado, depois de algum tempo gritando comigo, o meliante cada vez mais ficava irritado e gritava mais alto. Depois de alguns minutos comigo o ignorando, ele resolveu mudar de estratégia e isso o levou a sua derrocada…
Uma das fotos que tirei do monumento o qual pude relembrar como voltar para minha pensão
O que ele fez? Vendo que eu o ignorava, ele mudou o seu “alvo”. Foi lá, puxou a Samanta pelo braço e gritou:
– “Ei, eu estou falando com você também”.
Foi o estopim.
Nessa hora eu simplesmente explodi. Na hora queria que se danasse o fato de eu estar na Índia, o fato de eu não estar no meu país, o fato de que eu provavelmente teria grandes problemas e possivelmente seria até preso. Na hora não pensei em nada. Virei as costas e fui pra espancar o cara. Todo o meu ressentimento de semanas sendo roubado na Índia seriam descontados naquele pobre ladrão. Voei pra cima dele pra descer a porrada e fui impedido pela Samanta que, assustada, tentava me segurar de qualquer jeito. Eu me debatia e gritava:
– SEU F.D.P! POR QUE VOCÊ ESTÁ TOCANDO NA MINHA MULHER? QUEM LHE DEU AUTORIZAÇÃO PRA ISSO? VOCÊ É MALUCO? PERDEU A NOÇÃO DO PERIGO? NO MEU PAÍS QUANDO ALGUÉM TOCA NA MULHER DE OUTRO, NÓS OS MATAMOS A PAULADAS! EU NÃO QUERO SABER SE VOCÊ ESTÁ NA ÍNDIA OU NÃO! EU VOU TE MOSTRAR COMO A GENTE FAZ NO BRASIL! VOU TE MOER NA PANCADA É AGORA, VOCÊ E ESSE SEU AMIGO DE M* JUNTOS! ME SOLTA, SAMANTA! ME SOLTA QUE EU QUERO MOSTRAR PRA ELE COMO SE EDUCAM AS PESSOAS DE ONDE EU VENHO! EU QUERO ENCHER A CARA DELE DE PORRADA! VOU DEIXAR A CARA DELE MAIS REMENDADA QUE A CARA DO FRANKSTEIN!
Cara, e o pior que eu não fiz isso, tais quais as outras vezes, só pra ameaçar não. Dessa vez eu estava realmente determinado a sair na porrada com o cara! Eu realmente estava determinado a TRUCIDAR o cidadão. Diga aí, cara! O cara querer sair na porrada por causa de vinte e cinco centavos é ter muita estresse, né não? Pra você ver como estava meu estado de nervos na Índia.
Ouvindo os meus gritos, as veias do meu pescoço saltando para fora e vendo que a situação ia ficar feia, alguns populares ainda se meteram no meio da gente, ajudaram a me separar e mandaram os outros dois irem embora. Eles, já meio assustados, resolveram ir. Acabou que tudo isso ocorreu a poucos metros da nossa pensão.
Chegando à pensão, a Samanta até falou:
– Claudio, eu tou ligado que depois que formos para Kajuharo você que ir direto pra Goa, né? Acho melhor você não fazer isso. Cara, você está muito estressado! Vamos fazer assim, você vai comigo pra Deli, fica lá alguns dias sem fazer nada, só relaxando. Depois de alguns dias de descanso, você pega seu trem pra Goa! Acho melhor assim porque, afinal, no nível de estresse que você se encontra, você vai acabar tendo SÉRIOS problemas por aqui.
Acabei acatando a sugestão da Samanta e mudei um pouco a minha rota na Índia. Acabei indo com ela à Deli antes de ir à Goa!
 
Pingos nos “i”s
 
Gente, só um parênteses. Eu escrevo essas coisas, as vezes que agi como um troglodita na Índia, não porque eu fico na ilusão de que alguém vai imaginar: – “Nossa, olha o Claudio! Olha como ele é violento! Olha como ele é “Bad Boy! Olha como ele é brasiliense! Daqui a pouco tá queimando índio! Pensando bem, olha só, índio e indiano é tudo a mesma coisa, né? O radical da palavra (“indi”) é o mesmo, só muda o sufixo no final das contas (“o” em índio e “ano” em indiano)!”.
Muito pelo contrário! Eu sou longe desse tipo de gente e ODEIO as pessoas que agem assim no dia a dia. Além disso, se um dia eu REALMENTE saísse na mão com alguém na Índia eu estaria profundamente enrascado! Se eu tivesse “sorte”, eu provavelmente iria para uma prisão em um país TOTALMENTE insalubre como a Índia e com isso gastaria uma grana ABSURDA ou pra sair da cadeia ou pra subornar alguém. Além de que uma situação dessas provavelmente acabaria com minha viagem, já que eu poderia ser deportado para o Brasil. Sim, essa situação seria se eu “tivesse sorte”.
E como seria a mais provável?
Gente, imaginem vocês andando no meio da rua e quando você olha pro lado se depara com um gringo dando uma bolacha num trombadinha? Você vai pensar que o trombadinha tentou roubar o gringo? Claro que não! Você vai pensar: – “Gringo safado! Ta no Brasil e ainda por cima quer bater em brasileiro”. Eu que sou um cara calmo provavelmente já chegaria na voadora! Um brasiliense chegaria com um isqueiro e álcool!
Por isso que falo que se fosse “pego pelo Estado” eu teria sorte, pois o mais provável era que a população (grande parte deles amigos dos dois e provavelmente atuando no mesmo “ramo” de enganar as pessoas) me vendo espancando um cara daquele iria facilmente querer me linchar. No mínimo eu iria ter alguns ossos quebrados e iria passar uma temporada no hospital em um país insalubre como a Índia. Gastaria um dinheiro louco além de que deixaria meus pais ainda mais preocupados! Eu tinha isso claramente em minha cabeça ao chegar na Índia e isso foi um dos principais motivos que não me fizeram sair na porrada com alguém antes. Mas na hora você pensa nisso? Pombas, eu também sou um ser humano, né? Uma hora eu iria estourar!
Eu falo essas coisas, eu descrevo esses momentos, pra poder demonstrar pra vocês como ficam os nervos de um cidadão viajando por muito tempo na Índia. É por essas e outras que eu sempre digo que a Índia não é um lugar pra fazer uma viagem de férias de trabalho. “Ah, eu trabalhei onze meses e meio como corretor na Bovespa e agora vou passar quinze dias na Índia”, vai! Vai lá pra você ver se você não faz uma chacina antes de voltar pra casa…
Espero que vocês entendam o recado 😛

O que Fazer Nesta Crise?

(Galera, adorei as diversas manifestações na parte de comentários do blog. Diversas pessoas, praticamente implorando, para que eu divulgasse o final da história me sensibilizaram. Devido a isto e sabendo que várias delas entrariam hoje no blog pra poder ver o desfecho, resolvi presenteá-los com um pouco de cultura. Um texto interessantíssimo que achei sobre a crise. Espero que o texto abaixo, que realmente é muito bom, sirva para engradecê-los. Omundonumamochila.com também é cultura. Amanhã publico o desfecho do caso, afinal, ainda não chegamos aos 19 comentários no post “Enfim, chego ao limite”.)

Toda crise tem sete fases:

Fase 1. Não há problema na economia, diz a autoridade econômica, é tudo
boato.

Fase 2. Sim, temos um problema, mas tudo está sob controle.

Fase 3. O problema é grave, mas medidas corretivas já foram tomadas.

Fase 4. O problema é muito grave, mas as medidas emergenciais surtirão
efeito.

Fase 5. Pânico geral e salve-se quem puder.

Fase 6. Comissões de inquérito e caça aos culpados.

Fase 7. Identificação e prisão dos inocentes.

Os Estados Unidos e a Europa estão na fase 5. Brasil, China e Índia estão na
Fase 3. Precisamos nos proteger contra a possibilidade de chegarmos à Fase
5, quando basta um entrevistado na televisão afirmar “que esta crise é igual
ou pior que a de 1929″, como vários já falaram, ou escrever no jornal “as
conseqüências da crise chegaram definitivamente no Brasil”, como já foi
publicado, e gerar pânico por aqui.

Não, a crise ainda não chegou ao Brasil, ainda estamos na Fase 3 e mesmo se
crescermos 0% este ano, o que ninguém prevê, toda empresa irá vender a mesma
coisa no ano que vem. Sua promoção pode estar em risco, mas não o seu
emprego.

Ademais esta crise nada tem a ver, nem terá, com a severidade da crise de
1929, quando 25% dos trabalhadores perderam seus empregos e que durou até
1940 com 14%. Na pior das hipóteses, o desemprego nos Estados Unidos
aumentará 3%, mesmo assim só por 24 meses.

Se tivessem líderes administrativos socialmente responsáveis, eles já teriam
ido a público garantir que manteriam o nível de emprego de suas empresas nos
próximos 12 meses. Hoje custa mais para se treinar um novo funcionário do
que para mantê-lo fazendo algo por 12 meses.

Depois que Alan Greenspan e Nouriel Roubini saíram dizendo que a crise era
igual à de 1929, todos os americanos pararam de gastar, aumentando sua
poupança e prevendo o pior. Ninguém sabe quem serão os 25% de
desempregados. Quando 100% dos consumidores param de gastar por um único
mês, cria-se uma espiral recessiva imprevisível. Outra alternativa seria
alertar os 3% que talvez sejam demitidos para economizar, para que os 97%
possam manter normalmente suas compras evitando a espiral recessiva.

Na crise de 1929, 4.000 bancos quebraram, e a mera referência a 1929 como
fizeram Greenspan e Roubini, leva pessoas leigas a correr para os bancos, o
que aconteceu agora na Europa.

A imprensa perdeu a capacidade de filtrar e processar informação premida
pelo tempo exíguo para colocar tudo na internet. Publicam o que vier
especialmente se for notícia ruim.

Nenhum banco comercial irá quebrar, nenhum ainda quebrou nos EEUU, e mesmo
se forem um ou dois, nada se compara com 4.000. Bancos sempre quebram, mas
ninguém percebe. Mesmo se quebrarem, o seu dinheiro, ao contrário de 1929,
está no fundo DI e não no Banco. O Fundo DI está no SEU NOME e dos demais
cotistas, e se um banco brasileiro quebrar, o que não vai acontecer, seu
dinheiro está salvo. No máximo você terá de esperar uma semana para a troca
de administrador do seu fundo. O dinheiro está aplicado em títulos do
tesouro em SEU NOME, não do Banco.

Deixar o dinheiro onde está é o mais seguro. Se você resgatar o seu fundo
DI, o dinheiro cai na sua conta, e se o banco quebrar justo neste dia, você
vira um credor do banco. Nossos bancos estão recebendo depósitos dos
apavorados estrangeiros. Muita gente em pânico está saldando suas cotas em
fundos de ações e o seu gestor é OBRIGADO a vender uma ação mesmo com ela
caindo 20% no dia, algo que você jamais faria.

Acionistas majoritários não estão em pânico, nem podem nem querem vender
suas ações. Só os minoritários se sentem uns idiotas porque não venderam na
“alta”.

Não temos bancos de investimento no Brasil. De fato, Roberto Campos
implantou neste país este mesmo modelo americano que está ruindo, mas
felizmente foi uma lei que “não pegou”. Problema a menos.

Só temos bancos comerciais, e estes são muito bem controlados pelo Banco
Central. Além do mais, nossos bancos têm dono, e por isto estão pouco
alavancados, 4 a 5 vezes, contra 20 a 25 vezes dos bancos de investimentos
americanos.

O Brasil não está alavancado. Nossos créditos diretos ao consumidor não
passam de 36% do PIB, e devem crescer para 40% no ano que vem. Os Estados
Unidos estão alavancados em 160% do PIB e é esta desalavancagem súbita que
está causando problemas.

Nosso Banco Central adotou o que venho alertando há anos a países e famílias
– a política de ter reservas para os dias de crise e hoje temos US$ 200
bilhões. Pela primeira vez o Brasil tem reservas para sustentar uma crise
duradoura, sem ter que se endividar para cobrir furos de caixa.

Temos um sistema financeiro dos mais modernos e rápidos do mundo implantado
devido à inflação galopante dos anos 90. Nos Estados Unidos demora-se duas
semanas para se descontar um cheque entre bancos, por isto o sistema travou.
Nenhum banco confia em outro banco numa crise destas.

Esta é a hora para disseminar a nossa força, as nossas reservas, a
competência de Henrique Meirelles, primeiro administrador financeiro
(Coppead) a comandar o nosso Banco Central, e já se nota a diferença. Está
na hora de mostrarmos ao mundo que como a China e Índia, nós vamos crescer
via mercado interno, com produtos populares, tese que há anos venho
defendendo.

Esta é a hora de mostrar o que DÁ CERTO no Brasil em vez de conseguir fama
no rádio e na televisão mostrando o que poderia dar errado.

Lembre-se que os verdadeiros culpados já estão se movimentando para culpar
os inocentes, e assim saírem incólumes e mais poderosos.

Stephen Kanitz

Texto enviado por o meu grande amigo Duval cujo blog possui o endereço:
http://duvalg.blogspot.com/

Foto tirada em Jericoacoara. Enfim, de volta a São Luís. Agora é hora de voltar a escrever o blog e continuar estudando.
Abraços maranhenses