A companhia aérea me colocou num voo para Saint Maarten, pagou hotel, transporte, café da manhã e almoço e, de quebra, me deu algumas horas para conhecer justamente um lugar que estava na minha lista havia anos: Maho Beach.
Saint Maarten nem fazia parte daquele trecho da viagem. Meu plano era sair de Barbados e seguir direto para Dominica. Só que, quando tentei imprimir o cartão de embarque, descobri que não existia mais voo naquele dia. A solução foi me despachar para outro país e me colocar no voo para Dominica apenas no dia seguinte.
No começo eu só pensava no transtorno. Depois comecei a fazer as contas e percebi que tinha ganhado praticamente uma escala patrocinada em um dos lugares mais caros do Caribe.
Cheguei de madrugada, dormi algumas horas, deixei as malas no hotel e fui conhecer a ilha. Como eu tinha pouco tempo, resolvi focar no principal motivo que sempre me fez querer conhecer Saint Maarten: a famosa Maho Beach.
E sim, os vídeos não exageram.
A praia fica literalmente ao lado do Aeroporto Internacional Princesa Juliana, e os aviões passam absurdamente baixos antes de tocar a pista. Você está sentado na areia, começa a ouvir aquele barulho vindo atrás e, de repente, um avião enorme cruza praticamente sobre a sua cabeça.
Não é efeito de câmera. Não é lente enganando perspectiva. Ao vivo, parece ainda mais absurdo.
Os bares próximos até colocam painéis com os horários dos pousos para que as pessoas saibam quando correr para a praia. E tem também quem fique agarrado na grade do aeroporto esperando os aviões acelerarem para sentir o empuxo das turbinas.
Eu preferi não participar dessa parte.
Existem placas alertando sobre o perigo e já ocorreram acidentes por ali. Mesmo ficando mais afastado, na areia, uma das decolagens gerou uma rajada tão forte que quase me derrubou. Areia voando, toalhas saindo do lugar e gente correndo praia abaixo.
Já estava bom demais ter sido mandado para outro país por um voo cancelado. Não precisava terminar o dia sendo arremessado por uma turbina.
Além de Maho Beach, aproveitei a caminhada até lá para observar um pouco da ilha. Saint Maarten tem uma peculiaridade interessante: a mesma ilha é dividida entre dois territórios. A parte sul pertence ao Reino dos Países Baixos, enquanto o norte é francês. E, na prática, você cruza de um lado para o outro quase sem perceber.
Como eu só tinha algumas horas, não consegui explorar tudo. Ainda assim, foi suficiente para entender um pouco do ritmo local, do trânsito complicado em ruas estreitas e da forte presença de hotéis, resorts e comércio voltado ao turismo.
No fim, aquele cancelamento virou um dos melhores imprevistos da viagem.
Conheci um lugar que queria visitar havia anos, dormi de graça, comi de graça, tive transporte pago e ainda consegui ver Maho Beach sem precisar organizar uma viagem específica para isso.
E o melhor: durante toda a minha passagem por Saint Maarten, gastei apenas 17 dólares do meu bolso.
Para um dos lugares mais caros do Caribe, talvez tenha sido o all inclusive mais barato da história.
Depois de algumas horas, voltei para o hotel, peguei minha mochila e finalmente segui para Dominica, o destino onde eu deveria ter chegado no dia anterior.
Só que os imprevistos dessa viagem pelo Caribe estavam longe de acabar.
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