Marrakech, Marrocos – Comprando vestidos em Liquidação

Conforme falei, a principal atração do centro histórico de Marrakesh é se perder por lá sem saber pode para onde se está indo.
Um dia desses me perdendo, caminhando por aquelas vielas e seus diversos vendedores, escutei um cara batendo palmas e gritando algo que não entendi, mas que tava na cara que era aquele famoso gesto de quem grita uma liquidação. Corri para lá e, quando cheguei, pude constatar que realmente era uma queima de estoque.
Lá tava um bando de tia se estapeando e puxando vestido de um lado, de outro, jogando para cima e bagunçando tudo dentro da lojinha do brother. Cara, ele tava vendendo aqueles vestidos por 12 reais. Cada um!!! É óbvio que as tias foram a loucura! E não eram uns vestidos ruins não, eram aqueles bons, que você as vê usando pelas ruas do Marrocos.
Obviamente eu não me fiz de rogado. Joguei-me lá no meio e comecei a procurar uns vestidos para dar de presente no Brasil. Mano, o mais engraçado era que era só mulher no meio daquele bando de vestido. E eu.
Depois que vi os vendedores olhando para mim e pensando “hhhhuumm… esse aí … de cabelinho grande… doiidoo para um vestido… sei não…”. Lembrou experiência parecida que tive tentando comprar uma cueca na China e que relatei no post “Porque todo mundo tem um dia de `gringo solta-franga´”(quem quiser ler, pode visitar o link aqui). Eu não tava era nem aí! Tava barato que tava danado e juro que eu quase comprei para revender, só não o fiz porque ia pesar na minha mochila. Só sei que quem ganhou o vestido ficou mais do que satisfeita (ênfase no satisfeitA antes que a galera ache que o vestido ficou para mim).
Encantador de serpentes na Djemaa el Fna, principal praça de Marrakech
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Hospedagem em Marrakech – Marrocos. Onde ficar?

Eu tinha conseguido um lugar pelo Couchsurfing para poder ficar em Marrakech.
O cara parecia até ser gente boa. Porém, do nada, uma semana antes de eu viajar, ele me veio com uma história de que estaria muito ocupado e por isso não ia poder me hospedar mais. Mas, claro, que isso não seria um problema já que eu poderia ficar hospedado no albergue em que ele trabalhava e que era bem baratinho. O mal do esperto é achar que todo mundo é besta. Obviamente não fiquei no albergue dele e reportei isso ao Couchsurfing.
Por meio de sugestões de amigos, acabei ficando em um albergue chamado Equity Point. Cara, que boa escolha. Mano, o lugar era cinematográfico, situado no meio da Medina e era uma mansão particular. Tinha um terraço muito da hora onde era possível ver toda a cidade medieval e onde pude bater ótimas fotos. Além de que dentro da casa havia fontes, azulejos, quadros, nossa, irado demais o lugar.
O albergue é tão labiríntico que tem até placas apontando para onde é a saída porque senão você, literalmente, se perde lá dentro. Uma das poucas vezes em que o albergue foi uma das principais atrações da viagem

Fonte
O pessoal que trabalhava lá também era gente boa. Uma menina, toda vez que chegava da rua, estava com véu na cabeça e tirava quando entrava no albergue. Ela me disse que na rua sempre andava de véu, mas que lá dentro não era permitido, haja vista que ela trabalhava com ocidentais. Perguntei por que ela tinha que usar do lado de fora e ela só me explicou que os caras a respeitavam mais se assim ela fizesse. Fiquei imaginando que ela sem véu deva receber o mesmo assédio que uma menina recebe com minissaia no Brasil, por exemplo.

Se forem a Marrakesh, fiquem noEquity Point, sugiro demais.

O albergue é tão labiríntico que tem até placas apontando para onde é a saída porque senão você, literalmente, se perde lá dentro. Uma das poucas vezes em que o albergue foi uma das principais atrações da viagem

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Marrakech no Marrocos – Perambulando pela cidade

O termo Marraquexe vem da língua nativa dos berberes e significa “A terra de Deus”. Ela foi por mais tempo capital que Fez, Rabat, Casablanca ou qualquer outra cidade do Marrocos.

Lógico que na primeira noite eu não tive coragem de sequer pisar fora do albergue. Vai que eu me perdesse e tivesse que sair perguntando novamente?

No outro dia pela manhã andava dois passos, parava, olhava para trás para decorar o caminho. Mais dois passos, olhava para trás. Cara, sério, eu tava pensando em fazer como João e Maria e sair jogando umas pedrinhas no chão para ir marcando o caminho de volta. Depois que fui descobrir que eu estava ficando do lado de uma das mais famosas mesquitas da Medina (centro histórico em Marraquexe), a Moassine. Eu falava em Moassine e o pessoal me apontava o caminho.

Mouassine

E essa acaba sendo a principal atração de lá. Se perder em uma cidade que foi fundada há mil anos. Fui a mesquitas e a zonas turísticas indicadas no guia. Eram até bonitas, mas legal mesmo era ficar perambulando por lá e pensar que há quase mil anos as pessoas trabalham da mesma forma com pouco mudando desde então.Esse receio todo, na verdade, foi só no primeiro dia. Cara, é impressionante, no segundo dia eu já tava me orientando muito bem dentro da Medina. Apesar das ruas apertadas e medievais, já não me perdia mais.

Ferreiros artesanais
Vendedores de artigos de couro

Engraçado que eu passava do lado dos vendedores e eles começavam “Hello, my friend. Como estas, tudo bien? Sa vá? Bongiorno!” iam mandando em várias línguas diferentes até achar qual era a minha para ganhar a minha simpatia e me vender algo. Vez ou outra até um “obrigado” rolava entre essas tentativas, ao que meu sorriso acabava denunciando que eles tinham acertado.Comerciam os mesmos artigos. As cores e o colorido, os diferentes tipos de cheiro de ervas, de especiarias e de sons, a gritaria dos mercantes, tudo era muito interessante. Senti-me tão extasiado quanto o guia da Coreia do Norte me falou que se sentiria se um dia viajasse pela Venezuela (confira a história aqui). A disposição das lojinhas, as vielas, os produtos expostos… Desviar da meninada correndo, das motinhas atravessando no meio da galera, dos burros puxando carroças (!!!) em caminhos que mal passavam três pessoas ao mesmo tempo… parecia demais aquelas cenas de filmes da idade média.

Outro dia eu tava parado do lado de uma mesquita com um mapa aberto e um cara se ofereceu para me ajudar. Pensei que, bem, quem sabe ele não queria só me ajudar mesmo? Lembrei inclusive de um ocorrido no Egito onde todo mundo foi super gente boa e sem interesse (história do Egito aqui).

O cara perguntou de onde eu era, puxando papo, e eu falei que era do Brasil. Depois de um tempo eu fui perceber que ele era um guia e, agradeci, falei que não queria o serviço. Cara, mas foi engraçado. Aí foi até o fim do dia todo mundo falando em um português comigo. Mano, esses bichos só podem ter um grupo do whatsapp onde compartilham “Brasileiro com cara de idiota caminhando pela cidade. Ataquem-no!”.

Fica o recado do nosso amigo

O cara se enfia com a moto mesmo. Tá nem aí

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Marrakesh – A chegada mais estressante do Marrocos

Cheguei ao aeroporto de Marrakesh quase onze da noite e fui pegar um táxi. Já de saída, tive que quase sair na porrada com o taxista para ele me cobrar o preço que era TABELADO no aeroporto. Ele obviamente ele dizia que não iria fazer porque era a noite. Fui deixado na entrada do centro histórico de Marrakesh e ele me disse que dali não poderia me levar, que não passava mais carro e que era só seguir em frente que estava tudo bem.
Tentei discutir, mas ele quase não falava inglês e não adiantou. Eu ia ter que, de qualquer jeito, achar o meu albergue. Na hora que eu paguei o taxista outro cara já voou em cima de mim e começou a gritar. Dizia que iria me levar a meu albergue… pelo mesmo preço que paguei ao táxi. Obviamente falei para ele que não iria dar dinheiro a ele e o mandei ir pastar. Obviamente ele disse que eu não iria conseguir chegar a meu albergue. Obviamente o ignorei. Obviamente ele ficou me seguindo e gritando no meu ouvido que ele podia me levar. Obviamente aquilo foi me irritando. Depois de quase 30 horas entre deslocamentos para aeroportos, voos, esperas em conexões, novos voos, eu estava cansado e, obviamente, irritado. Obviamente o figura continuou gritando no meu ouvido e obviamente não parecia querer me deixar em paz. Pensei que no Marrocos eles podem ter problemas com qualquer coisa, menos com armas de fogos e também que, segundo li, a zona turística de Marrakesh passa semanas sem casos sérios de violência.
Virei e com, sangue nos olhos, comecei a gritar com ele para ele me deixar paz. Mas gritando a plenos pulmões. Obviamente eu NUNCA faria o mesmo em qualquer cidade do Brasil, mas no Marrocos era de boa. Gritei, gritei, gritei o mais alto que pude e comecei a peitar ele. Não foi preciso se preocupar muito em fazer isso. Foi só deixar a raiva ir embora. Eu acho que ele meio que não esperava aquilo, ficou assustado e resolveu me deixar em paz. Um problema a menos. Rapaz, eu fiquei tão bravo que me lembrou algo parecido que ocorreu em Varanasi na Índia (confira a história aqui)
O ruim é que continuava o meu problema principal: Como diabos eu iria chegar no meu albergue? Estava escuro e a parte histórica, a Medina, é assustadora a noite, pois consiste de vielas escuras, labirínticas e claustrofóbicas sem nenhuma sinalização. Saí andando a esmo até que cheguei à praça principal. Bem, eu sabia que o albergue era próximo a praça principal. Comecei a perguntar aos vendedores das lojas vi que estava chegando perto.
Quando percebi que estava chegando bem perto um cara gritou lá de trás “Amigo, você está perdido? Posso te levar para onde está procurando”. Pronto, outro daqueles.
Por mais que eu tentasse, o bicho não me deixava em paz e ficava gritando que me levaria de graça. Fiquei ignorando e ele gritando “Amigo, não quero nada! Só quero lhe ajudar! Não vou lhe cobrar nada” – enquanto eu pensava que esse de graça iria me render pelo menos um assalto. Acabou que teve uma hora que eu parei, virei para ele, falei que eu REALMENTE não tinha dinheiro algum e ele falou que ainda assim só queria me ajudar.
Ele me levou por aquelas vielas e eu só pensando nos meus rins. No final me deixou na porta do albergue e começou um longo discurso de que ele era árabe, que os muçulmanos não são os israelenses para serem traiçoeiros, que eu podia sempre confiar nos marroquinos. Eu agradeci e apertei na mão. No final, ele gritou “Brasil! Esqueci de te falar, se você quiser comprar haxixe, pode falar comigo!”.
Sim, ele era traficante de haxixe. Toda hora que eu saía do albergue, dia ou noite, tava o cidadão na mesma esquina vendendo seu produto.
Trabalhador…
Pelo menos me levou até o albergue. Duvido que um israelense faria isso de graça (/ironic).
Vielas de Marrakesh. Meu albergue tá lááá no fundo da foto. Como eu iria achar isso no escuro?
Engraçado de Marrakesh é que, apesar de ser difícil passar entre as vielas, isso não é um problema para os caras da motos. Cara, às vezes cê tá andando no meio do mundaréu de gente, loja… E quando vê passa uma motinha tirando fino de você. Olha só a velocidade desse cara se metendo no meio de todo mundo. Eles são meio doidos por lá mesmo
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Marrocos – Comendo por lá

Uma coisa que me deixou um pouco preocupado no Marrocos foi a higiene. O país não é um lugar tão ogro quanto a Índia, mas no quesito comida eles são parecidos. Cara, alguns lugares você para para comer e vê o bicho preparando, sei lá, um sanduíche. Obviamente ele não usa luva. Ele vai lá pega o dinheiro e com a mesma mão pega o pão que você vai comer, a carne, o queijo… o que for. Além de que eles são tudo peludo.
Um dia a noite eu tava morrendo de fome em Fes e saí para comprar algo. Não queria comprar pacote de biscoitos ou algo assim de forma que decidi comprar um sanduíche. Cara, quando cheguei na banquinha… O peito de frango era simplesmente exposto cru e eu tenho certeza que tava lá o dia inteiro. O cara fumando dentro do lugar… Encarei, mas até hoje fico com medo de ter um revestério.
Isso quando eu não cheguei em um outro restaurante e tava o cozinheiro lavando os pés. Na pia do banheiro…
Peixe sendo vendido na feira sem nenhuma refrigeração. Olha o tanto de moscas no recipiente

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Marrocos – A terra dos bérberes – Relação Marrocos x França. Afinal, fica em qual continente?

O Marrocos tem uma história incrível com fenícios, romanos, bizantinos, árabes, portugueses, espanhóis… já tendo se estabelecido por lá. É um dos países africanos com história mais próxima de Portugal e, por tabela, do Brasil.
Nos tempos romanos, o Marrocos já chamava a atenção e gerava riquezas por ser a única província que conseguia sintetizar e vender um corante de cor roxa proveniente das conchas de caracóis marinhos. Havia várias corantes diferentes no Império, porém, com o grama desse corante valendo 15 a 20 vezes mais que o quilo do ouro, só os muito ricos tinham roupas com essa tonalidade. Caracol ostentação.
Os romanos nomearam o povo nativo como bérberes. Inicialmente esse era um termo pejorativo, já que vem da palavra “bárbaro” em latim, porém, com o passar dos anos, os marroquinos adotaram o termo bérbere como uma identidade nacional.
O Marrocos durante muito tempo foi uma colônia da França com essa influência sendo muito visível em todos os lugares. É engraçado. Você está andando por algumas vielas milenares e dá de cara com uma confeitaria com tortas e bolos com glacê, chantili, diversas caldas, sabores e coberturas que parecem ser tirados diretamente de um filme franco além de que o francês é quase que falado por todo mundo.
A europeuzada desce em massa para o Marrocos devido as belas praias e preços bem baratos. Isso inclui as drogas. Várias pessoas, quando eu falava que ia viajar ao Marrocos, me falavam “cara, você tem que experimentar o haxixe de lá!”. Fica aí a dica para galera Zé Droguinha, apesar de eu não recomendar isso em países islâmicos.Entre os países árabes e islâmicos o Marrocos é um dos mais liberais e não são muitas as mulheres de véu na cabeça (ainda que eu tenha visto mais mulheres usando aquele véu que só deixa os olhos de fora lá do que no Egito).
Fui surpreendido por uma ótima promoção de passagem aérea para o Marrocos onde paguei a bagatela de 1500 reais ida e volta saindo de São Paulo. Com taxas inclusas. Essa promoção fez tanto sucesso que acabei me deparando com vários brasileiros por lá. Todos que eu perguntava me diziam que tinham comprado a mesma promoção que a minha!
Confesso que o Marrocos é um país interessante, mas achava uma semana muito tempo e fiquei pensando em viajar para algum país diferente nem que fosse para passar só alguns dias. Procurando pelo Google Flights, qual não foi a minha surpresa em ver que era extremamente barato voar para um país bem diferente e esquecido pela comunidade internacional, o Saara Ocidental, onde acabei indo alguns dias depois.

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Lima! E a viagem então chega ao fim.

Depois de todo esse rolê por Chile, Bolívia e Peru, todos esses perrengues, quando cheguei em Lima eu estava só o pó da rabiola. Cansado demais.

Lá fiquei hospedado na casa de alguém que já foi famoso nesse blog aqui. O meu fiel escudeiro e parceiro de perrengues e presepadas do tempo da Austrália. Sim, fiquei na casa do grande Jonas!

Ao contrário da época da Austrália, onde eu e o Jonas éramos apenas dois moleques desesperados por tentar sobreviver na Austrália, em Lima a situação era totalmente o contrário. Jonas hoje é diplomata e mora em um apartamento super legal, em um bairro super legal chamado Miraflores.

Não teve jeito. Combinou meu cansaço, com aquele friozinho bom de ficar dormindo o dia inteiro, com o apartamento do Jonas, com o fato de que eu iria voltar a trabalhar logo depois quando voltasse ao Brasil (portanto não poderia chegar todo moído)… Passei dias só dormindo.

A maioria dos passeios foram aproveitar da diversidade gastronômica de Miraflores com o Jonas, o que na verdade foi bem bom.

Jonas começou a querer fazer eu me mexer:

– Levanta daí, seu cabra! Vai procurar alguma coisa para conhecer em Lima!

– Mas, Jonas, Lima é exatamente como todas as outras cidades que eu já fui no Peru e na Bolívia. Plaza del armas para cá, Catedral para lá, Incas para cá, Pizarro para lá.

– Sim, mas levanta e vai fazer alguma coisa da sua vida! Você viajou até aqui para ficar dormindo?

Lima

Acabou que um dia resolvi ir para o centro de Lima. Miraflores é um subúrbio de Lima, loooonnggeee de tudo. Peguei um táxi e gastei quase uma hora e meia para chegar. Quando cheguei lá, o que tinha?

Plaza del armas para cá, Catedral para lá, Incas para cá, Pizarro para lá. ¬¬

Melhor foi a hora de voltar.

Nenhum taxista queria me trazer de volta, pois era horário de pico e para eles compensava mais fazerem corridas curtas do que ficar uma hora e meia no trânsito para me deixar em Miraflores. Tive que pagar o dobro para um taxista aceitar me levar de volta. ¬¬

SAINDO A NOITE EM LIMA

Outra coisa digna de nota foi que uma noite resolvi ficar em um albergue, sei lá, para ver se conhecia gente nova. Escolhi um quarto com duas beliches. Quem viria a ocupar as camas de cima? Os irmãos Ortiga que eu havia encontrado algumas vezes pelo caminho e inclusive escrevi sobre elas na história da truta maldita em Copacabana (se quiser conferir a história, clique aqui). Coincidência demais.

Fomos sair a noite por Miraflores.

Paramos em um bar para tomar uma caneca de cerveja que lá estava em promoção. Um litro de chopp! Ficamos lá conversando e tentando matar aquela monstruosidade de cerveja.

Depois seguimos pela rua, no centro de Miraflores e nunca fui tão assediado para ir em um puteiro quanto naquela vez. Toda hora chegava um cara querendo rebocar a gente para um. Fomos em um Subway para comer um lanche e um gordinho, segurança de uma balada de dentro do shopping, começou a conversar com a gente. Bicho, o cara era tão gente boa que acabou convencendo a entrar na balada dele. Falou que era de graça e lá a cerveja era barata.

Quando a gente entrou…

Não era um puteiro? Dentro de um shopping!!!!  Tudo bem que era um minishopping e só funcionava a noite! Mas ainda assim era um puteiro dentro de um shopping!

O lugar ainda era decrépito, as pobres das meninas tinham aquelas caras de abandono e um bando de velho barrigudo lá dentro. Visão do inferno!

Acabou que ficamos zanzando por lá e eu fui dormir cedo, haja vista que no outro dia tinha meu voo de volta ao Brasil.

Olha o nome do restaurante… O melhor é “Todos los sentidos” logo abaixo que dá uma conotação especial

Encontrei várias dessas placas pelo Peru


 

E esses gatos enfileirados

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MachuPicchu, a Disney do Peru

Sim, Machu Picchu era o motivo principal da minha viagem. Estava ansioso para poder chegar e poder caminhar a vontade por entre aquelas pedras que, de forma impressionante, ainda se mantinham quase que intactas. Machu Picchu deve a sua conservação a seu isolamento. Havia relatos de uma cidade perdida nas montanhas, mas sempre imaginou-se que fosse uma lenda (mais ou menos como Atlântida) e os espanhóis não chegaram a descobrir a cidade.  Ainda bem, pois segundo um guia que conversava comigo, se os espanhóis tivessem chegado a Machu Picchu hoje teríamos uma igreja em cima dela.

Paguei o busão que leva até o topo da colina porque tudo o que eu menos queria era enfrentar uma hora de subida de escadas. Acaba que o tempo que você espera na fila e o tempo que o busão leva para subir é o mesmo que leva para você subir a pé.
Devido as escavações realizadas na cidade, acredita-se que Machu Picchu era uma cidade sagrada para os incas e que foi construída sob mando de Pachacuti no século XV. Tinha uma população de dezenas de milhares de pessoas, o que a fazia uma das maiores cidades dos Incas, e era dividida em zona agrícola, com seus terraços engenhosos para produção, e zona urbana com templos, praças e mausoléus.
O lugar tinha um sistema engenhoso de distribuição de água com calhas passeando por toda cidade. Por elas ainda passa de 40 a 45 litros de água por minuto. Segundo o guia, a cidade só não tinha mais gente porque o fornecimento de água poderia se tornar um problema. Pelos cantos da cidade era possível ver os caminhos de pedra feitos pela civilização inca para que fosse mais fácil se deslocar pelo império. Já foram encontrados por volta de 16 mil quilômetros de caminhos por entre as montanhas.
Porém uma coisa me deixou bem chateado quando por ali estava. Pô, sempre olhei as fotos de Machu Picchu e o que mais me impressionava era que a cidade parecia intacta. Pedra sob pedra tal qual os incas deixaram. Mas não, depois que o guia foi me explicar que na verdade aquilo tudo tinha sido reconstruído e apenas 30% das pedras se encontravam em seu formato original. Pô, perdeu toda a graça para mim, pois me sentia passeando pelo parque Epcot Center da Disney na Florida onde era possível passear por construções astecas, árabes, egípcias… Porém todas reconstruídas. Tal qual Machu Picchu. Enfim, no final foi legal também, ainda que eu tenha me divertido só 30% do que eu esperava.
Essas duas poças tem uma história interessante. Quando ocorrem os equinócios (ou seja, início do outono ou primavera) a luz do sol passa por entre as janelas de pedra e ilumina certinho essas poças d´águas. Logo, esse lugar funcionava quase como um calendário
Machu Picchu logo pela manhã. Que visão linda

 

Vai logo!!!

Terraços agrícolas lá emmbaaaiixxxo
Bandeira inca láááá em cima
Sol aparece por entre a neblina quase como uma lua cheia. E não é que o céu ficou limpo rapidinho?

 

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Tretas has been planted – Fila em Cusco

Cheguei às quatro e meia e já tinha uma fila gigantesca. Tou eu lá, morrendo de sono, com a bunda no chão gelado, esperando, quando um guia fala para um grupo que tava logo na minha frente:

– Óh, tá vendo aqueles dois guias? Eles tão guardando lugar para um grupo. Isso não é justo! Vocês tão aqui esperando e não podem deixar eles entrarem na frente! Façam barulho quando o grupo chegar.

Deu cinco da manhã chegou o grupo que os guias tavam marcando lugar. É lógico que os gringos da frente não fizeram nada. Ah rapaz, eu não deixei barato. Pensei no tempo que eu estava lá, na minha bunda gelada e, bem, comecei a gritar:

– Ow, tem fila aqui, vocês não perceberam não? Amigos gringos!! Tem uma fila aqui atrás.

E os caras começaram a fingir que não era com eles. Comecei a pensar que, bem, eu ia ter que ficar lá até as cinco e meia da manhã. Se eu não tinha o que fazer, eu ia começar ao menos na zueira com eles. Zueira never ends. Comecei a gritar em inglês e portunhol (para a fila toda entender):

– Ow!! Quantos custou a “espertotaxa”? Eu não quero ser bobo de ficar na fila não! Eu quero ser esperto que nem vocês! Eu quero pagar essa espertotaxa que vocês pagaram!

– Nossa, eu sou gringo! Eu sou tão esperto! Vou para América Latina e vou fazer os latinos de idiota furando fila!

– Amigos gringoooooosss!!! A fiiiilllaaaaa!!! É você mesmo que eu tou falando!!! Você de camisa verde, boné verde, calça jeans e cara de espertalhão, vamos pegar a filaaaaa!!

Rapaz, daí começou meio que uma revolução! A fila inteira começou a gritar e os caras começaram a ficar visivelmente sem graça. E eu lá, tacando o terror e dando risada. Rapaz… Até que teve uma hora que um dos gringos, um galego imenso, virou para mim e me mandou eu calar a boca… Ah, bicho, aí eu virei um capeta do avesso. Lembrei de todas as vezes na Austrália quando me tratavam como lixo, me mandavam eu calar a boca e eu ficava caladinho, pois sabia que não tava em casa. Daquela vez eu não ia calar…

Comecei a gritar que ele não podia vir para América Latina e mandar os latinos se calarem. Quem ele achava que era! Um gringo sacaneando na minha casa! Comecei a gritar alto mesmo, que ele era um safado, um miserável, que fazia as coisas erradas e ainda queria me mandar calar a boca. Comecei a gritar tanto que acharam que eu ia sair na porrada com ele. Ele obviamente não esperava a minha reação e ficou com olhar de assustado enquanto a “turma do deixa disso” chegou e ficou me segurando. Obviamente eu não ia sair na mão com ele, além de ser idiotice brigar na rua, se fizesse isso, ia perder o passeio a Machu Picchu. Acabou que parte deles saíram da fila e foram lá para o final, só os mais velhos que ficaram. Eu vi que nem todos haviam saído, mas fiquei de boa, afinal, os que ficaram eram senhores de mais idade.

Hora que os gringos furões saíram e começaram a ir para o começo da fila. Repare na galera rindo na foto.

A fila começou a andar. Quando eu ainda tava um pouco atrás, um dos motoristas gritou “Aqui tem uma vaga no ônibus ainda! Tem alguém sozinho? Se tiver alguém sozinho pode passar a frente”. Eu me voluntariei e, quando eu vi o lugar que tinha para sentar… Rapaz… Parecia filme. Sentei do lado dos velhinhos que furaram. Deu até pena ver o tanto que eles tavam sem-graça, pois sabiam que tavam errados.

Esses aí nunca mais furam fila na vida.

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O que fazer em Águas Calientes – A cidade a caminho de Machu Picchu

Águas Calientes é mais do que uma cidade apenas para chegar a Machu Picchu. Uma cidade de montanhas e uma noite muito legal. Para quem viaja de casal sugiro DEMAIS ficar lá por mais uma ou duas noites, já que lá tem umas piscinas termais e um clima perfeito.

Eu como tava sozinho, tava no batidão. Chegamos, tomamos um banho e seguimos para o lugar marcado pelo guia na praça central. Chegando, todo mundo seguiu para o restaurante e eu e uns dois caras fomos acompanhar o guia para um lugar que eles nos chamou. Quando vi, eu tava indo comprar os tíquetes para Machu Picchu. O meu. E os dos outros! Perguntei ao guia porque diabos ele tinha me pegado para ficar uma hora na fila e mandado os outros para o restaurante, ele só me respondeu:
– Cara, Claudiomar, tava todo mundo reclamando e perturbando. Você era o único cara que estava calmo e não reclamava de nada, por isso que te peguei para ficar na fila. (!!!!!!!!!!!)
Mas falando assim, quem diz não? Simples assim! Como eu era o único educado, o único que não perturbava o guia, ganhei como prêmio ficar na fila como um corno enquanto todo mundo jantava. Mas bicho, o guia me falou de uma forma tão sincera e tão de boa que, vendo o tanto que o bicho tava agoniado com um bando de tia gorda no ouvido dele, eu juro que nem fiquei puto. Na verdade eu fiquei foi dando risada e conversando com ele que era gente boa e ficou me contando histórias sobre Cusco, Lima, Peru, incas. História que inclusive constam aqui nos meus relatos. No final ele ainda me pagou uma cerveja.
Fui dormir 23:50 e no outro dia tive que acordar 04:00 para chegar à fila e tentar pegar o ônibus das 05:30! Sim, explico. Todo mundo quer pegar o primeiro busão para chegar a tempo de ver o nascer do sol em Machu Picchu. Eu, como já relatei nesse post aqui, acho que nascer do sol é tudo a mesma coisa (inclusive vi vários quando aindaestava em Santa Bárbara confira o post aqui), não entendo essa tara de gringo por nascer do sol. Deve ser porque lá não tem sol nunca. Mas enfim, tinha que tentar pegar os primeiros ônibus pois o guia de Machu Picchu tinha marcado com a gente às seis e meia lá em cima, no máximo. Beleza, lá fui eu dormir quatro horas no total.
 
Fila imensa já as quatro da manhã
Criançada em Águas Calientes pirando com um boneco do Pato Donald assustador
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