Como chegar ao Suriname

Visto

Brasileiros não precisam de visto para poder visitar o Suriname.

Deslocamento

 Não existe nenhuma ligação por terra entre o Suriname e o Brasil. Pode haver como chegar de barco, cortando a Amazônia, mas não vi se era possível e também não vi ninguém comentando, o que me leva a crer que, se existe, não é algo tão difundido assim. Eu fui de avião. Existe uma empresa aérea chamada Surinam Airways, sediada em Paramaribo no Suriname (tchadam!!!) que tem voos diretos de Paramaribo para Belém três vezes por semana. Foi o que eu fiz para ir ao Suriname e também para voltar ao Brasil (já que a Surinam Airways opera voos da Guiana e da Guiana Francesa para Belém com escala em Paramaribo, por exemplo). A empresa é conhecida por ser de péssima qualidade e nenhum dos três voos que voei com eles saiu no horário (o de Belém-Paramaribo atrasou mais de seis horas, por exemplo). Uma curiosidade da Surinam Airways é que, pelo menos ao tempo que vos escrevo, ela não vendia pela internet passagens em que o porto de destino fosse fora do Suriname. Por exemplo, Belém – Paramaribo e Guiana – Belém (com escala em Paramaribo) tive que comprar por meio de uma agência de turismo, a Decolar.com (que me enfiou uma facada de uns 15% do preço da passagem). Já o trecho Paramaribo – Trindade e Tobago, consegui comprar diretamente do site da Surinam Airways. Porque é assim? SDS – Só Deus Sabe!

Outra forma de chegar no Suriname é por terra da Guiana e da Guiana Francesa, o que é bem fácil e tem ônibus saindo toda hora. Conforme já relatei, conheci pessoas que fizeram os dois trechos por terra
Conforme relatei também a Surinam Airways também faz voos diretos para Miami, atendendo uma população que mora ao Norte da América do Sul.

Gostou do post? Então curta nossa página no www.facebook.com/omundonumamochila para sempre receber atualizações.
Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Mais sobre o Suriname – aprenda mais sobre o país!

Meu anfitrião me explicou que toda a educação no Suriname é pública. E em tempo integral. Fui uma vez com ele deixar os seus dois filhos na escola as sete da manhã e alguém iria pegá-los as quatro da tarde. Ele me explicou que quando você termina a escola pode aplicar para qualquer universidade da Holanda ou dos Estados Unidos que você é aceito. Não sei se todo mundo consegue ser aceito nessas universidades mesmo, mas se um ou outro aluno de escola pública de lá realmente é aceito em programas universitários estrangeiros, é um grande feito. Basta comparar com o Brasil onde o coitado termina sem nem saber ler direito.
Gandhi, no centro de Paramaribo
Banda de música que de representa bem a mistura de cores e raças presentes no Suriname

Outra curiosidade do Suriname é que o atual presidente é um ex-ditador que foi deposto, se envolveu com o tráfico de drogas, foi condenado, porém eleito democraticamente mesmo tendo um mandato de prisão contra ele na Holanda. Dési Bouterse o nome do menino gente boa. Comparando com o Brasil seria mais ou menos se tivéssemos um presidente como o Maluf, que até hoje tem um mandato de prisão nos Estados Unidos. E você aí achando que mensalão é o que há de pior =P

Não prometa voltar. Volte! – diz a placa no aeroporto do Suriname.

Porém, o que mais me impressionou, mais do que o nível do inglês do pessoal, foi como o lema do Suriname “várias culturas, um só país” se faz presente no dia a dia das pessoas. Cara, o Suriname é um balaio de gato. Tem Hindu, Cristão Católico, Cristão Protestante, Muçulmano, Judeu… Todo mundo vivendo um do lado do outro sem se matar. Me impressionou o tanto de igrejas, mesquitas, templos, sinagogas, construídos pela cidade que vive aparentemente sem problema nenhum. Foi o primeiro país que viajei onde muçulmanos me diziam que viviam em paz em um país não muçulmano sem serem molestados por polícia/políticos malucos.
Sempre bom lembrar que até no Brasil as coisas não são tão fáceis para muçulmanos

Igreja Católica
Igreja Presbiteriana
Igreja Batista
Templo Muçulmano
Templo Hindu
O ponto mais simbólico de Paramaribo fica no centro da cidade, onde a principal mesquita do país foi construída, literalmente, ao lado, colada, da principal sinagoga do país. Tem noção desse simbolismo? Judeus e Muçulmanos um do lado do outro, no centro da cidade e sem ninguém jogando pedra no quintal do vizinho. Achei isso muito legal!
Mesquita ao lado da sinagoga no centro de Paramaribo

Bem, acho que ficou claro o quanto fui embora fã do Suriname

92dcc-img_0058
No aeroporto esperando meu voo, escrevendo e tomando uma das melhores cervejas que já provei. Parbo Beer, vale a pena experimentar!
Gostou do post? Então curta nossa página no www.facebook.com/omundonumamochila para sempre receber atualizações.
Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Uptade da Guiana Inglesa – 2

Prezados,
Haja o que houver, não venham a Georgetown, capital da Guiana. Esse lugar é um inferno!
Sério.
De nada.
Gostou do post? Então curta nossa página no www.facebook.com/omundonumamochila para sempre receber atualizações.
Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Uptade da Guiana Inglesa…

Apesar de estar escrevendo ainda sobre o Suriname, estou na Guiana nesse exato momento.
E venho aqui fazer um post rapidinho só descrevendo como foi minha chegada aqui.
Se o Suriname foi tudo o que eu não imaginava que seria, a Guiana sim foi tudo o que eu esperava. Na verdade até pior! Cara, aqui tudo é caótico, sujo e bagunçado. Sério, a diferença da Guiana para o Suriname é gritante! Antes a experiência de maior bagunça que já tinha visto na América do Sul tinha sido Ciudad del Este, no Paraguai, mas Georgetown é bem pior! É esgoto a céu aberto correndo pela cidade inteira, mendigos para todo lado, buzina de carro a todo momento… Até para tirar a câmera da mochila e bater foto eu fico com receio!
Na foto abaixo, uma imagem de uma rua cheio de comércios brasileiros. Aqui é engraçado como parece que dá para você se virar só falando português!
Tou pressentindo que amanhã teremos várias presepadas a caminho!
P.s: O blog teve o dobro de visitas da semana passada para cá. O mais engraçado foi depois descobrir porque. Com a execução do Brasileiro na Indonésia, as buscas por “Indonésia” e “Bali” bombaram na internet, refletindo no número de acessos do blog.
P.s 2: Estou mudando tanto de país e de fuso horário que hoje tive que recorrer ao Google para saber o horário na Guiana =)
Gostou do post? Então curta nossa página no www.facebook.com/omundonumamochila para sempre receber atualizações.
Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Suriname – A metrópole e a gloriosa

Outra cidade que eles me perguntavam bastante era Fortaleza. Se Belém é o porto de entrada, Fortaleza parece ser a metrópole! A cidade brasileira que o surinameses mais visitam a negócios. Entrei em algumas lojas em que havia escrito no topo “produtos brasileiros” na esperança de encontrar algum brasileiro, saber como era a vida no Suriname, porém não encontrei. Para não perder viagem perguntava aos vendedores (que eram surinameses) onde eles compravam aquelas peças de vestuários e todos eram unânimes em me falar: Fortaleza. Todos eles pegavam o sagrado voo de Belém e de lá para Fortaleza para comprar suas peças e vender no Suriname. E quem diria que o Norte do Brasil também faz comércio internacional! Perguntava como eles se viraram para poder comprar em Fortaleza, já que no Brasil ninguém fala inglês, como eles mesmo me disseram, e me falavam que só sabiam falar os números e “mais barato, mais barato!”. Uma das vendedoras que eu conversei sobre isso até me impressionou com o inglês que ela falava. Era um inglês suave, elegante. Isso porque ela trabalhava em uma lojinha chinesa que ninguém daria nada a ela.
Nem tudo que a gente exporta para o Suriname é algo de qualidade. Pelo menos não é Kaiser…
Loja de produtos brasileiros

Porém, no Suriname, o que me deixou mais feliz em relação a cidades foi São Luís. Lá foi o único país estrangeiro que já viajei em que o seguinte diálogo não ocorria:
“- De onde você é?
– Brasil!
– Que legal! Do Rio? De São Paulo?
– Não, de São Luís
… (cara de curiosidade)
– É uma cidade no Norte do Brasil – eu já respondo antes que me perguntem onde diabos fica São Luís.”
No Suriname não! Quando eu falava que era de São Luís as pessoas na hora emendavam um “Ah, que legal, São Luís! É perto de Belém, né?”. Caraca, que felicidade! Alguns inclusive já tinham até ido lá a caminho de Fortaleza. Teve até uma vez que eu falei que era de São Luís, mas morava em Brasília. A pessoa entendeu que eu era de São Luís, porém não entendeu porque eu falei que era de lá e morava no Brasil. Daí tive que repetir que eu tinha dito que era de São Luís e morava em BrasÍLIA. Depois que fui explicar que o Brasil tinha uma capital que se chamava Brasília (antes que alguém achasse que a capital era Belém).
É cumpade! No Suriname eles conhecem São Luís, mas não conhecem Brasília! Chupa Centro-Oeste!


No Suriname, assim como na Índia, parece ser uma tradição querer transformar o seu ônibus em uma obra de arte
Gostou do post? Então curta nossa página no www.facebook.com/omundonumamochila para sempre receber atualizações.
Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Eu sou brasileiro. De Belém? – a pergunta que escutava toda vez no Suriname

Primeira foto, no aeroporto, ao chegar de Belém

Sempre que viajo fora do eixo Europa – Estados Unidos, quando falo que sou do Brasil, a primeira coisa que as pessoas perguntam é: – “De onde? Do Rio de Janeiro?”. Quando muito as pessoas perguntam de São Paulo. Acaba que as únicas cidades que parecem conhecer do Brasil são Rio, São Paulo e, raramente, Brasília.

Redondezas onde fiquei hospedado
O pessoal do Suriname parece viver bem. Foto tirada em casa vizinha ao lugar que fiquei

No Suriname aconteceu algo engraçado! Foi o primeiro país que quando falava que era brasileiro as pessoas perguntavam: – “De Belém?”. Para o Suriname o Brasil começa em Belém! O Pará é o estado que faz fronteira com o Suriname e é onde há voo direto pra lá. Conversando com um motorista de táxi, em inglês sempre bom lembrar, ele me explicou que eu não vi muitos brasileiros porque não fui ao bairro onde eles se concentram:

– Quando você vai lá, parece uma “Little Belém” (uma pequena Belém) – ele me disse.
Esse aqui é um strip club que, segundo um motorista de táxi, era de um brasileiro e se chamava “Bigode”. Passei em frente e fiquei impressionado com a estrutura do lugar. Cara, diz aí! Essa mansão toda para um strip club? Quando passei na frente fui lá e bati uma foto. Rapaz, quando menos me espanto vem um cara correndo e gritando! Era um dos seguranças de lá que só se aquietou quando eu apaguei a foto. Acabou que na volta eu bati essa foto com uma câmera melhor que não dava para ele me ver! Qual é, rapaz, nunca perco uma foto!
Na praça principal de Paramaribo. Aos domingos rola uma capoeira aqui. Até tentei vir para jogar com a galera, mas infelizmente não consegui chegar a tempo =(
Palácio Presidencial

Belém acaba também sendo a porta de entrada dos surinameses para a América do Sul, pois, como eles mesmo me falaram, de Belém você pode pegar um voo para qualquer lugar do Brasil. De Belém para São Paulo ou Rio de Janeiro, podem ir para qualquer lugar da América do Sul. É engraçado pensar que, para nosso amigo médico do post passado, o Suriname era a sua porta de saída da América do Sul e a para os surinameses Belém era a sua porta de entrada. Quem da gente que mora na parte Sul do Brasil iria imaginar que Belém seria um hub tão importante!
Cara, isso é arte! Acredita que no Suriname passa o desenho do Chaves? E em espanhol! Caraca, quando vi que ia passar, fiquei que nem um abestado assistindo e dando risada com os filhos do meu host!
Tirei essa foto no que deveria ser um dos principais fortes de Paramaribo, construído à beira do rio, bem na porta de entrada da cidade. Serviu para proteger Paramaribo de invasores. Hoje parece mais um parque e quando fui hospedava uma galeria de gosto tão duvidoso que se você comprasse algumas peças ganhava até um banner, como na foto aí abaixo!
Essa também eu não esperava. Encontrei um busto do Simon Bolivar no meio do centro de Paramaribo. Apesar de alguns demagogos tentarem se apropriar de sua glória, manchando a sua imagem, Bolivar é um grande herói da América Latina, tendo libertado vários países da Espanha. Só achei estranho encontrar ele em um país de colonização holandesa como o Suriname. Para mim, seria mais ou menos como termos uma estátua de herói holandês no meio de uma praça de Brasília.

Gostou do post? Então curta nossa página no www.facebook.com/omundonumamochila para sempre receber atualizações.

Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Primeiras impressões do Suriname

O que posso falar do Suriname nesses primeiros dias é que o país realmente me surpreendeu. Imaginava que ia chegar aqui e encontrar um cenário de pobreza em uma cidade desorganizada, como uma viagem na Bolívia, e realmente me surpreendeu como o pessoal parece viver bem por aqui, ainda que só tenha viajado em Paramaribo. Começa pelas casas. As casas aqui são muito legais e até agora não vi favelas ou coisas do tipo. No máximo você vê uma casa caindo aos pedaços, mas nunca casa de papelão ou feita de material reciclado como uma favela. Além disso, as casas aqui não tem muros e a maioria não tem nada demarcando o terreno, que nem as casas nos Estados Unidos, o que me leva a crer que violência urbana não é um problema como no Brasil.

Estou hospedado na casa de um surinamês descendente de indianos. Quatro gerações atrás, seus tataravós mudaram da Índia para o Suriname. Ele é hindu, fala Hindi, o dialeto da região dos seus antepassados, além de inglês, holandês, língua criola do Suriname, espanhol e um pouco de português. Tem dois filhos.

E não é que eles falam inglês?

Aparentemente todo mundo fala inglês em Paramaribo. Mas não é aquele inglês “my name is” não, é um inglês bom mesmo, muita vezes melhor do que o meu. Segundo o couchsurfer que está me hospedando isso ocorre porque o Suriname é um país pequeno e orientado aos Estados Unidos, com todos os seus canais em inglês, portanto as pessoas aprendem inglês meio que no automático. Isso seria simples, se no Brasil também não víssemos só filmes em inglês e ainda assim quase ninguém fala um palavra. Na verdade é até engraçado observar que os filhos do meu host ficam assistindo os desenhos como Tom e Jerry em inglês sem legendas. Acho que essa parada da TV ser em inglês deve fazer algum sentido mesmo. A língua oficial aqui é o holandês que, segundo o meu host, é o mesmo holandês que se fala na Holanda, eles conseguem se entender muito bem.

O couchsurfer que está me hospedando tem uma loja de material de construção e me disse que em Paramaribo é até difícil conseguir alguém para trabalhar para você, pois parece que todo mundo aqui está empregado. Ele mesmo desistiu de contratar alguém para trabalhar na loja e toca tudo sozinho.

Conheci um médico brasileiro que mora no Oiapoque (aí é guerreiro!) e ele me disse que sempre vem ao Suriname porque é mais fácil vir aqui do que viajar para qualquer lugar do Brasil. Diz que só do Oiapoque até Macapá são entre oito a quinze horas de carro dependendo de como estão as estradas, já que na época chuvosa vira um inferno trafegar por elas. Diz que por terra ele cruza a Guiana Francesa, em oito horas está em Paramaribo e daqui ele pode pegar um voo para os Estados Unidos. Engraçado pensar que alguém no Brasil depende do Suriname para poder fazer viagens internacionais, por essa eu não esperava!

País multiétnico

Outra coisa que me deixou impressionado é que quase todos aqui são negros, asiáticos ou… indianos. Sim, os descendentes de indianos são a maioria da população do país formando quase 35% da população. Como ex-colônia da Holanda, há também vários indonésios (que eles chamam de javaneses). Há também vários chineses e muitos brasileiros que vem aqui notadamente devido ao garimpo ou, segundo me disseram, brasileiras para se prostituir. Holandês aqui quase não tem mais. Diz que eles são 1% da população, mas todos que vi aqui são turistas da Holanda que aproveitam para conhecer a Amazônia por um país em que eles não tem que ficar falando inglês para turistar.

Por enquanto essas são as impressões. Vamos ver como tudo vai se sair até eu ir embora daqui.

Gostou do post? Então curta nossa página no www.facebook.com/omundonumamochila para sempre receber atualizações.
Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Em Belém, na saga do caminho ao Suriname

Há muito tempo atrás, vi uma dessas análises de internet onde se analisava a América do Sul comparando cada país com um personagem do Chaves. Lembro que comparava-se o Godines ao Suriname, pois, segundo essa comparação, ele aparecia tão pouco na América do Sul que quase ninguém lembrava que ele existia. Confesso que comecei a nutrir uma certa curiosidade por lá então.

Resolvi viajar para lá esse começo de Janeiro e já emendar com Trinidad e Tobago, Granada, Barbados e Guiana, já que é tudo um do lado do outro. Comprei minha passagem para Belém, de Belém para Paramaribo, de Paramaribo para Trindad e Tobago…
Meu plano era chegar em Belém por volta das duas e ficar na sala VIP do aeroporto que tem algumas poltronas reclináveis e lugar para tomar banho. As cinco da manhã meu voo saía para o Suriname. Só alegria, tudo certo para o plano.
Até aparecer o porém…
Estadia forçada em Belém
Confesso que fiquei impressionado quando fiz as contas e vi que fazia quase 20 anos que eu não vinha a Belém, apesar de ser uma capital tão próxima de São Luís.
Cheguei em Belém e quando estava indo para a sala VIP do aeroporto pensei: “pombas, essa mochila está muito pesada, talvez fosse uma boa eu ver se conseguiria despachar a minha mochila logo”. Fui ao guichê da Surinam Airways perguntar com quanto tempo de antecedência eu poderia despachar a minha mochila e tenho a minha grata surpresa. Quando chego no guichê, me é avisado que houve um problema no aeroporto de Caiena (onde eu iria fazer uma escala) e devido a isso nosso voo ia atrasar pelo menos cinco horas. Como eu soube? Eles me ligaram? Apesar de terem todos os meus dados, telefone, e-mail etc, não ligaram. Se tivesse seguido direto para Sala VIP só quando fosse despachar minha mala as duas da manhã que eu ia saber que meu voo partiria por volta das dez do outro dia.
Tentei ver se recebia alguma compensação por esse breve atraso de cinco horas, um hotel, um táxi para o hotel, um abraço de boa sorte, alguma coisa, porém foi tudo em vão. Tive que dar o meu jeito e arrumar um lugar para dormir em Belém.
Couchsurfers locais de Belém me passaram um bizú do Hotel Amazônico onde eu poderia me hospedar em um quarto privativo, com ar-condicionado, a 50 reais. Sei lá, parecia barato demais, mas como o Ibis próximo era quatro vezes o preço, resolvi arriscar acordar em uma banheira de gelo sem os rins.
Dos limões, saindo a limonada
Peguei o ônibus e fui em direção a este albergue/hotel que me passaram o bizú e o cobrador foi até gente boa me mostrando onde eu iria descer. Desci e fiquei esperando encontrar um lugar mais ou menos como o quarto assombrado de Fiji. Quando cheguei, pô, o quartinho até que era legal, valia demais o preço que eu havia pagado por ele. Ainda por cima era no centro de Belém.
Cheguei, joguei minhas coisas no quarto e resolvi procurar algum lugar para poder alguma coisa, pois já eram rodados quatro da tarde e tudo que eu tinha no bucho era o café da manhã.
Saí andando e a menina do albergue me indicou um restaurante aqui perto. Cheguei, a comida tava um pouco mofada e resolvi continuar andando.
Lááááááá ao longe vi que tinha uma feira, então resolvi descer para lá porque feira é lugar sempre onde tem comida. Ao chegar e ver os gringos me toquei que estava chegando meio que sem querer no famoso Mercado Ver-o-Peso de Belém. Imaginei que seria aquela coisa turística, mas se é turístico, sempre tem comida, ainda que cara.
Rapaz, quando eu cheguei…
Bicho, o Mercado Ver-o-Peso é um mercado mesmo, do jeito que deve ser. Tudo sujo e com aquela mistura de galera. Rapaz, tinham gringos, brasileiros, brancos, negros, machões, viados, mendigos, velhos, crianças, caras de muleta, pedintes, gordos, fidumaéguas, cornos, gordos fidumaéguas e cornos, paidéguas… o que você imaginar. Uma placa pedindo que as pessoas não mijassem no rio e um somzação com aquela bagaceira comendo. Não teve outra, era lá que eu queria ficar. Mas bicho, parecia mais um sonho.
Puxei um banco de plástico, pedi uma cerveja e fiquei tomando na beira do rio com aquela bagaceira comendo solta. Gente, que lugar lindo.
Quando já estava na minha segunda cerveja, lembrei que havia ido ao Mercado procurando algo para comer e perguntei para a tia o que tinha:
 – Olha, aqui de acompanhamento é só farofa e vinagrete, não tem arroz!
– É bom que faço só o Chibé e não gasto espaço do bucho com arroz.
– Pois então tem em um peixe aqui que é 20 reais a posta e 25 reais ele em isca.
– Uai, tia, qual é a diferença dos dois?
– É que um eu te sirvo cortado e outro você tem que cortar! – respondeu com aquela cara de “mais você é idiota?”
– Pois me traga o de 20 que eu mesmo corto aqui!
Fiquei esperando e pensando que, pombas, 20 reais é um prato de comida em Brasília em um lugar levemente arrumado e não em um lugar daquele onde do meu lado tinha uns bêbados mijando na placa que pedia para ninguém mijar no rio. Mas enfim, tava com fome e ainda por cima ia ser peixe com Chibé!
Fiquei lá tomando aquela cerveja naquele calor de lascar e escutando o brega que tava tocando.
Quando a mulher falou que ia me trazer o peixe, rapaz, sem brincadeira, só faltou trazer no carrinho de mão! Bicho, era uma porção de peixe gigantesca! Depois que a tia foi me falar que aquela era uma porção para duas pessoas (!!!). Não tem jeito, comigo comida não estraga e lá fui eu comer o meu peixe! Que peixe bom danado! E por vinte reais!
Quando terminei de comer o peixe, passou uma daquelas bicicletinhas vendendo cd, com o som no talo e tocando Pablo e foi todo mundo tocado pela sofrência!
Rapaz, a quem estiver lendo isso aqui. Quando eu morrer cavem um buraco no meio do Mercado Ver-o-Peso e me enterrem lá dentro! Quero para sempre viver no meio daquela Patuscada!
Gostou do post? Então curta nossa página no www.facebook.com/omundonumamochila para sempre receber atualizações.
Quer entrar em contato direto com o autor ou comprar um livro? Clique aqui e tenha acesso ao nosso formulário de contato!
Quer receber as atualizações direto no seu e-mail? Cadastre-se na nossa mala direta clicando na caixa “Quero Receber” na direita do blog
Se gostou das fotos, visite e siga nosso Instagram para sempre receber fotos e causos de viagens: www.instagram.com/omundonumamochila

Meu agradecimento em duas rodas ao Conjunto Nacional

Hoje tive que resolver uns problemas no setor bancário norte e, aproveitando que estava do lado, fui almoçar no Shopping Conjunto Nacional.
Entrei com minha bicicleta no estacionamento do shopping, achei um bicicletário para amarrar a minha bike e quando estava prendendo ela um dos seguranças do shopping veio em minha direção com um tíquete na mão.
Já comecei a ferver de raiva imaginando que eles iriam cometer o cúmulo de cobrar para eu amarrar a minha bicicleta dentro do estacionamento, já fui pensando em não pagar e amarrar a bike no meio da praça de alimentação só de raiva.
Qual não foi a minha surpresa que, Romário (lembro até agora o nome do fiscal, nome de craque), perguntou meu nome, anotou no tíquete, me entregou e falou que aquilo era cortesia do shopping para com os bikeiros. Que depois que eu amarrasse a minha bicicleta com minha corrente, ele iria passar uma segunda corrente por cima e a minha bicicleta só sairia de lá se eu entregasse meu tíquete a ele, que eu guardasse para a minha própria segurança.
Quando fui sair, não deu outra, ele pegou o tíquete, desacorrentou a minha bike, parou os carros e me ajudou sair do estacionamento. Muito legal!
Tíquete da minha bicicleta!
Em uma cidade que cada dia mais parece que baba sangue quando vê alguém de bike na rua, que olha a bike como uma mira para passar com o carro por cima, que não entende que um gordo em cima de uma bike significa um carro a menos no engarrafamento e uma vaga a mais para estacionar o seu carro, que surta de raiva quando vê a gente pedalando a 25 km/h em uma via de 40 km/h, em uma cidade como essa, uma pequeneza dessas de um shopping faz a gente se sentir menos lixo e lembrar que subir em uma bicicleta não me faz menos humano…
Todo mundo acha bonitinho salvar os pandinhas. Porém não só não quer largar o carro de mão como ainda quer ferrar com a vida de quem resolve deixar o carro em casa (ainda que ande bicicleta por preocupação com taxas de colesterol como eu =P)

Ai ai, agora deram para falar do Maranhão

Agora, além de maldizer o Nordeste, acharam por bem falar do Maranhão, já que o meu estado foi onde houve, proporcionalmente, mais votos para Dilma. Parece haver um consenso entre os insatisfeitos de que a votação expressiva do Maranhão deve-se unicamente ao Bolsa-Família e que, egoisticamente, os maranhenses ficaram com medo de deixar de perder seu “privilégio”. Bem, gostaria de deixar o meu testemunho de porque acho que 70% dos maranhenses votaram em Dilma. Não tenho a pretensão de dizer que isso é uma verdade absoluta ou falar em nome de seis milhões e meio de maranhenses, até porque votei no Aécio, mas, como já disse, é apenas um testemunho.
Quebradeiras de coco babaçu mamando nas tetas do governo

Bem, o Maranhão de minha infância foi um estado pobre e que hoje me impressiona o tanto que mudou em um espaço de tempo tão pequeno.
Apesar de nunca ter vivido em miséria ou pobreza, pois, graças a Deus, minha família era de classe média, cresci em um lugar onde a mão de obra era tão barata que as casas de classe média do Maranhão pareciam verdadeiras cortes tamanho o número de empregados. As crianças vinham do interior do Maranhão, fugindo, como diria Patativa do Assaré, “com medo da peste, da fome feroz”. Eram “criadas” pelas donas de casas maranhenses. “Criadas” significava que elas trabalhariam de graça para ter a oportunidade de estudar em uma escola pública, desde que a noite, e caso a Casa Grande, digo, a família fosse condescendente, essa criança receberia algumas roupas usadas como “presente”. Quando virasse adolescente, com muita sorte, receberia, um salário mínimo??, não, meio salário-mínimo, ou, como dizíamos no Maranhão, meio salário, que naquela época era miserável. Era um sistema tão surreal, que havia um sentimento de gratidão entre essas meninas e as donas de casa, pois elas sentiam-se realmente “criadas” e sabiam que se não tivessem vindo do interior para se submeterem a isso, a sua sorte seria bem pior.

Curta de Glauber Rocha, que foi encomendado por José Sarney em sua posse ao governo do Estado do Maranhão em 66. Até vinte anos atrás era tão atual…
Lembro de uma professora minha, em plena aula, dizer que tinha um jardineiro que cobrava só um prato de comida para poder fazer o trabalho. Ela dizia que sabia que era barato, mas é o que ele cobrava. “Ah, mas também era um senhor prato que ele comia” – ela dizia como para se justificar. Acostumei-me a estudar em escolas em que os poucos negros trabalhavam como porteiros ou faxineiras. Não lembro de ter muitos amigos negros no Maranhão (negro quando digo é da cor do Pelé, não moreno quase que nem eu), não por não gostar deles, mas sim porque os negros não faziam parte do nosso círculo social. Os poucos amigos negros que lembro de brincar na rua do meu bairro eram adotados ou “criados”. Isso no segundo maior estado negro do país.
Lembro de, quando criança, ficar aterrorizado em descobrir que alguns dos jardineiros, motoristas, entre outros que prestavam serviços eventuais para nossa casa, não sabiam ler nem escrever e, ironicamente, aprendiam as primeiras palavras das crianças da casa que, naquela inocência, acreditavam que poderiam ajudar. Lembro de perguntar quantos irmãos eles tinham e eles responderem que a mãe teve oito filhos, mas só cinco “renderam”, já que era natural crianças morrerem de desnutrição no Maranhão antes dos cinco anos.
Lembro, quando criança, de conversar com um menino vizinho meu e perguntar do lavador de carros da casa dele, que gostávamos porque nos dava algumas aulas de capoeira (apesar de algumas mães não aprovarem por dizer que aquilo era coisa de preto e vagabundo). Vi que fazia tempo que ele não ia mais lá e resolvi perguntar por que: – Ah, nós juntamos um bando de roupas usadas e demos para ele. Depois ele veio pedir salário, ele era muito folgado – foi a resposta que recebi e que, se hoje acho de uma atrocidade tremenda, naquela época, como criança, achei apenas natural.
Mas não só a classe pobre maranhense era assim. A classe média do Maranhão também era pobre, ainda que frente a grande maioria da cidade fôssemos ricos. Quando criança, ficava maravilhado ouvindo as histórias dos poucos felizardos que haviam tido a graça de visitar São Paulo, como tudo lá parecia coisa de outro mundo, não era “aquele lixo que é São Luís” – como a gente costumava dizer. Naquela época, mesmo um classe média maranhense, deveria ter uma renda per capita cinco vezes menor do que um classe média paulista, isso sou eu chutando.
Poderia escrever trinta, quarenta páginas sobre a minha realidade de criança, mas acho que deixei meu ponto.
Maranhenses que só pensam em si mesmos e votaram na Dilma
Hoje, em São Luís, é preciso muita coragem para se “criar” meninas na sua casa. Com a melhora das instituições e o maior nível de escolaridade, ninguém se sujeita a esse tipo de trabalho escravo e, depois de levar um processo na justiça do trabalho, pode acontecer é de você ir limpar a casa da empregada para pagar a dívida. Depois da Emenda Constitucional das Domésticas “empregada no Maranhão agora só quer ser chique” – como escutei na última vez que fui lá. O interior do Maranhão pode não ter virado uma maravilha, mas pelo menos deixamos de ver pessoas literalmente fugindo de lá para não padecerem de fome ou desnutrição e hoje poderem ir para escola. Educação ruim, é verdade, mas melhor do que quando não tinham nem isso e tinham que aprender a ler com as crianças da Casa Grande.
Hoje o Maranhão pode não ter virado São Paulo, a ilha das maravilhas de todo maranhense da década de 80, mas com certeza a nossa diferença diminui absurdamente. O Nordeste nos 12 anos do governo Lula-Dilma cresceu a uma taxa três vezes maior que a média da taxa de crescimento do Brasil. A título de comparação, em 2011, o Maranhão cresceu a taxas chinesas, 10,3%, enquanto o PIB nacional cresceu 2,7%. Se isso foi por mérito do PT, foi por causa do crescimento da China, foi por causa das reformas do FHC, foi por causa da seleção de Parreira de 1994, por causa do Capitão Planeta, ninguém pode afirmar, mas é natural a tendência das pessoas a ligar os pequenos avanços que conseguiram a quem está no poder. Os nossos avós, a Getúlio Vargas, os maranhenses, a Lula e Dilma e, graças a Deus, não aos Sarneys.
Acredito que não há demérito nenhum em dizer “não conheço esse tema, será se dava para você falar um pouco mais?”. Na verdade, é bem melhor do que sair falando barbaridades sobre estados e pessoas que nem sabe onde fica e nunca visitou, apesar de já ter ido a Paris e a Disney. Afinal, o Estado de uma pessoa não é só aquilo que você teve que decorar na aula de Geografia, o Estado de uma pessoa é de onde ela vem, é onde estão os seus amigos de infância, a sua família, é de onde vêm as pessoas com quem ela se sente mais a vontade e é de onde se ela teve que sair foi porque, como disse o Luiz Gonzaga, teve que pegar “o último pau-de-arara”.
E, assim, meu Estado não elegeu Feliciano, a filha de Garotinho, Eduardo Cunha, Maluf, Tiririca, Russomano, Fraga entre outros grandes políticos sucesso de votos. Tiramos os Sarneys. Talvez não estejamos tão mal assim.
Hein Hein, bando de qualhira! Fica mangando dos outros, arrumando cascaria, depois pega um bogue ou leva uma chuchada e fica todo escangalhado! Aí eu vou ver ficar arriliado. Ninguém aqui é seus pareceiro não!