Fábricas e DMZ – a fronteira desmilitarizada entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul

Viajamos em três grupos. O grupo que foi para ficar apenas cinco dias, como ia embora, resolveu convidar a galera para poder fazer uma saída. Sair é forma de dizer né? Porque, na verdade, como disse, não tínhamos autorização para sair do hotel. Tomamos primeiro em um bar e depois descemos para um Karaokê que, adivinhe, ficava também no hotel. Ficamos lá cantando e rindo quando me toquei que, só um minuto, eles estavam viajando pela manhã, mas eu teria programa para o outro dia pela manhã e já eram rodados duas da manhã. Eu teria que acordar no outro dia as sete, eles não. Engraçado que o David não quis nem saber, ficou por lá mesmo e foi dormir quatro horas da manhã. Esse gosta.

No outro dia, continuando nossa viagem no maravilhoso mundo mágico de Kim Il Sung e seu sistema perfeito. Era necessário, lógico, visitar uma fábrica de maçãs. Porque toda potência que se preze tem uma fábrica de maçãs. Ao chegarmos já ficamos impressionados com o tanto de soldados armados meio que “patrulhando” a fazenda de maçãs. A fazenda de maçãs é completamente vigiada por policiais. É lógico, em um país que passa fome, comida passa a ser um importante recurso estratégico e pessoas desesperadas podem tentar roubar frutas. Depois de uma breve demonstração de toda a fazenda, continuamos a conhecer a fábrica de alimentos processados de maçã.

Não podiam faltar placas motivadoras vangloriando algum dos Kims, lógico

É engraçado que apesar de termos ido em uma “fabrica”, tudo lá brilhava bastante. Nada de graxa ou peças pelos cantos, mas parecia uma casa de boneca. Havia centenas de maquinas, mas sempre um ou outro cara operando. Parecia MUITO um parque temático, aqueles da Disney onde você vai e vê o Pateta ou o Donald sorrindo e lustrando sua casa.

Fábrica, literalmente, brilhando

Depois da fábrica de maçãs fomos também para uma fazenda de tartarugas, sapos e outros seres, que, apesar de asquerosos para gente, são base da cadeia alimentar coreana. Lógico que um de nós logo se empolgou para poder comprar uma tartaruga para provar como seria a carne da bichinha.Além da fábrica de maçãs, de seres asquerosos, também fomos a uma fazenda “modelo”. Um grande parque fazendário baseado nas grandes ideias do grande líder. Vimos alguns campos verdes ao fundo e, lógico, mais e mais propaganda do regime.

No meio de uma visita a uma das fazendas, nos foi proporcionado a possibilidade de visitar uma “casa modelo” de um camponês norte-coreano. Lógico que a casa era toda decorada e repleta de eletrodomésticos, ainda que parecendo da década de 70. Era mais ou menos como a casa do Mickey, lógico que eu tinha que tirar uma foto no sofá..

Sempre que íamos a algum restaurante ou algo assim, alguém do nosso grupo dava uma gorjeta para o garçom ou garçonete, que geralmente era um maço de cigarros (qualquer semelhança com uma prisão é mera coincidência…). Bem, dar maço de cigarro como gorjeta para criança de “casa-modelo” parece ser um pouco demais..
No meio do passeio era gente fazer um piquenique. Com a chuva, só nos restou comer dentro do ônibus mesmo

ERA CHEGADA A HORA ESPERADA: VISITAR A DMZ!

Como já expliquei anteriormente, a DMZ é a zona desmilitarizada mais vigiada do planeta. Tão vigiada que… é um dos principais pontos turísticos tanto da Coréia do Norte como da Coréia do Sul. É aquele típico ponto turístico sádico que você gosta de ir só para saber “como é que eles se ferram”.
Seguimos para a fronteira e antes de chegarmos na DMZ, o guia já começou com as informações. Lógico, os EUA, como sempre, são o problema. Eles separaram as Coréias, eles não querem que elas se desenvolvam, eles são o capeta de chifre. Foram eles que trouxeram as armas nucleares para a península e por isso a Coréia do Norte teve que se nuclearizar.
Se bem que, olhando por um lado, este não está muito longe da verdade. Antes de chegarmos na DMZ, o guia já foi falando que seria fácil saber quem queria paz e quem queria guerra, sem explicar, lógico de que lado ele estava falando que queria paz. Mas se fosse a Coréia do Norte, ficava difícil de engolir.

Lógico, uma das principais atrações turisticas da DMZ são os soldadinhos e suas gravatas na altura do peito. Todo mundo quer bater foto com eles. Esse cara deve bater tanta foto por dia que dá para ver a sua cara de felicidade servindo de modelo fotográfico.
Eu, lógico, não ia perder a oportunidade de bater minha foto também. Dá para ver que a pose do soldado é bem original, brinque de jogo de sete erros com a foto de baixo.

Ele explicou que a Coréia do Norte tem como plano e meta se unificar com a Coréia do Sul, afinal, eles dois são países irmãos e não há porque eles ficarem separados. Porém, a Coréia do Norte defende que haja uma reunificação sem interferências externas, baseada apenas no interesse das duas Coréias. Lógico que qualquer iniciativa da Coréia do Sul que não os agrade, eles logo alegam que os EUA estão por detrás e se retiram da mesa de negociações.
Eles podem até demonizar os Estados Unidos, mas é possível ver símbolos americanos, ainda que discretos, na Coréia do Norte. Acima, acento de Snoopy do motorista do ônibus e abaixo a Bela e a Fera sendo transmitidos na TV do restaurante…

Já pela parte da Coréia do Sul, ainda há uma vontade de tentar uma reunificação com a Coréia do Norte, o problema é que esse apoio vem decaindo anos após ano. As gerações anteriores da Coréia do Sul tinham grande interesse nessa reunificação porque tinham parentes, as vezes irmãos ou filhos, que ficaram aprisionados na parte norte da península. O problema é que essas pessoas vão envelhecendo e esses laços entre as duas Coréias vão se desfazendo. Imagine se seu avô tivesse um irmão aprisionado em algum lugar, ele teria muito interesse em tentar soltá-lo, o mesmo eu não diria de você ou de um filho seu, pois, no limite, como você não o conhece, essa pessoa acaba ficando vagamente apenas como o “irmão do seu avô”.

Bandeira Norte Coreana de um lado
Bandeira Sul Coreana do outro

Além disso sempre se discute o preço pela reunificação das duas Coréias. Sim, porque, cara, imagina, nós estamos falando de um dos países mais ricos do mundo se unificando com um dos países mais pobres do mundo. É lógico que uma reunificação invariavelmente levará a uma massa gigantesca de refugiados mal alimentados e mal instruídos, que pode basicamente colapsar a economia sul-coreana. Uma invasão de maltrapilhos famintos e levando miséria a umas das economias mais dinâmicas do planeta. Por isso que, para evitar que isso ocorra, para reunificar as Coréias, a Coréia do Sul teria que inundar a do Norte com investimentos e ainda assim receber uma leva de refugiados em suas cidades.

Ainda há um trem ligando as duas Coréias e também estradas, mas estão fechadas e vez ou outra são reabertas levando ao encontro de algumas famílias para simbolizar que as negociações estão em andamento.
Algo que é interessante e engraçado de se notar. Reparem que no ônibus branco, o volante encontra-se na direita (padrão inglês) e no verde encontra-se na esquerda (padrão utilizado aqui no Brasil). Como pode-se ver, eles não seguem um padrão específico, o que eu acredito que deva ser porque em um país com tão poucos carros, o trânsito não deve ser tão difícil de se controlar.
Todo mundo em fila. Ai de quem sair correndo na DMZ

Nós,lógico, como chegamos lá procurando encrenca, começamos a confabular o que seria bem engraçado de se fazer. Lógico que tivemos a ideia de todo mundo ir com aquelas roupas de oficiais e quando chegássemos na fronteira, sair correndo e gritando “estou livre” para tentar cruzar a fronteira. Abdicamos do plano quando levamos em consideração que isso poderia levar a fuzilamento sumário.

Um dado interessante é que como a Coréia do Norte é um país essencialmente montanhoso, tendo dois metros de área plana, eles já começam a plantar o que for. Não poderia ser diferente na DMZ. No lado norte coreano ha plantações, porém no sul não.
Esta placa tem 9,4 metros de comprimento para lembrar que nela está gravada a assinatura do presidente quando ele visitou a DMZ no ano de 1994. Eu adoro quando colocam esses simbolismos nas coisas…
Lógico que havia um oficial nos acompanhando na visita a DMZ. Era para nos ajudar com qualquer problema, não para nos vigiar, lógico…

Ele me falou que isso ocorre porque o a Coréia do Sul e os EUA querem invadir de qualquer forma a Coréia do Norte e por isso não querem plantações atrapalhando no caminho. Ele esqueceu de citar que um país que produz semicondutores, chips, navios, carros e produtos de tecnologia de ponta como a Coréia do Sul, LÓGICO que não precisa se preocupar em plantar, pode simplesmente comprar no mercado internacional. E esqueceu de citar também que a Coréia do Norte precisa plantar em toda e qualquer terra que tem por ser montanhosa e extremamente ineficiente, com uma produção de alimento por hectare ridículo.Você deve imaginar porque, mas lógico que eu fui perguntar ao guia.

Plantações em uma das fronteiras mais tensas do planeta
Por isso eles plantam ate na DMZ. É engraçado você ver aqueles soldados com rifles e metralhadoras gigantescas e do lado dele um tiozinho de chapéu, com uma foice na mão, plantando da mesma forma que mil anos atrás. Sem dúvida uma imagem perfeita da máquina do tempo em que entramos quando passamos pela imigração da Coréia do Norte.
Estradas que um dia ligaram Pyongyang a Seul. As estradas mais cuidadas da Coréia do Norte hoje, só esperando o dia em que serão utilizadas para invadir Seul
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Dia a dia na Coréia do Norte – Como era o nosso

Algo que eu tenho certeza que atiça a curiosidade das pessoas é o de como nos sentíamos viajando pela Coréia. Como já disse, eles fazem o máximo para transparecer a você que há uma normalidade gigantesca na Coréia, o que acaba por infligir como nós mesmo nos sentimos.
Bem, uma das principais coisas que eu sentia falta era a de escolher a minha comida. Pô, dependendo do dia você quer comer uma coisa ou outra.  Como pagamos tudo incluso já, café, almoço e janta, a comida que nós vamos comer já é certa. O problema é que, apesar de haver uma certa variedade, não temos muita escolha do que comer naquele momento. No quinto dia que estive por lá, foi a primeira vez que podemos fazer uma escolha, pudemos escolher o sabor da pizza que íamos comer, pode parecer pouca coisa, mas é muito depois de uma semana sem escolha alguma. Outra coisa que eu sentia muita falta era de gelo, que eu adoro! Bebida pra mim, pode tá congelando, mas tem que ter gelo. O problema é que a água de lá, não sendo mineral, era bem pouco confiável, o gelo menos ainda. Uma semana sem gelo foi muito pra mim…
Essa tartaruga teve uma história engraçada. Um dos nossos amigos quis saber se era possível comprar uma e levar para cozinha em algum restaurante. Os caras falaram que sim. Ele ficou escolhendo uma por uma, olhou nos olhos de todas e no final escolheu a que achava mais bonitinha e levou para o quarto do hotel dele. Encheu a banheira, colocou uma rolha, deixou ela dois dias nadando na banheira, tomava banho com ela e tudo. No final ela acabou virando sopa. Esse cara era frio, ele praticamente comeu um grande amigo…
Diz a lenda coreana que o sangue da tartaruga tem poderes afrodisíacos. Antes de matá-la, eles cortam a cabeça, pegam o sangue que escorre e jogam no vinho e dão para a galera beber. Eu, lógico, não ia perder uma oportunidade dessas. Se bem que ficar tomando essas coisas afrodisíacas em um grupo com um bando de homens deixou todo mundo preocupado comigo…
Rolou também um churrasco para gente em um parque coreano. Esse aí de óculos é o David, o dono da agência de turismo, engraçado demais! Umas das coreanas veio perto dele e perguntou em inglês: “Amigos?”. Sabe o que ele respondeu? “Clientes! Cli-en-tes! Eu não gosto deles! Gosto apenas do dinheiro deles!”. Lógico que morremos de dar risada…

A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA, A GENTE QUER BEBIDA…

Apetitoso, não
Sim, eu comi carne de cachorro. Foi em uma sopa. A carne era meio borrachuda, mas não tão ruim quanto eu pensava
Sobre comida, apesar de não podermos escolher, a quantidade era sempre gigantesca. Eles botavam a gente pra comer que nem um bicho para que não pensássemos que o pais inteiro esta morrendo de fome. A Coréia do Norte tem uma história bem peculiar. Durante muitos anos eles foram mantidos artificialmente pela União Soviética, que vendia a eles petróleo bem abaixo do preço de mercado (e em qualquer economia, petróleo é a base da escala de produção). Eles realmente começaram a ter problemas depois que a União Soviética se desfez, pois a gasolina e outros produtos básicos a preços subsidiados simplesmente deixaram de ser fornecidos. Apenas imagine toda uma cadeia produtiva baseada em um tipo de matéria-prima barata tendo que se adaptar aos preços internacionais de petróleo. É lógico que a economia ruiu e milhões de norte-coreanos vieram a morrer de inanição.
Sim, fomos assistir a uma apresentação de golfinhos. Acredita?
Sendo observados com curiosidade no meio de um espetáculo

O tour era bem legal, com várias atrações, mas só tinha um problema. Cara, ele acaba colocando tanta coisa pra fazermos, que acaba que no final dormirmos bem pouco. Por três dias fomos tendo que ser acordados cada dia mais cedo. O dono da agencia brincava que a meta dele era no ultimo dia acordarmos cinco da manhã. Acabam que os programas ficam bem apertados e durante uma ou outra apresentação, a gente acabando desabando no sono, como ocorreu comigo. Teve uma apresentação de crianças SUPER da hora, mas eu acabei dormindo. Dormi tanto que um amigo me acordou porque disse que eu tava roncando e alto no meio da apresentação. Porra, havia acabado de chegar no Oriente, cara. Meu corpo ainda estava se acostumando com 11 horas de diferença de fuso. Dormindo pouco, ai é que caía no sono mesmo. Todo dia entre as quatro e cinco da tarde, dava um sono gigantesco, pois era o que seria quatro ou cinco horas da manhã no Brasil.

Versão coreana para Dona Flor e seus Dois Maridos
Depois de um tempo você se sentia mais como se estivesse trabalhando do que viajando em si. Isso acabava também por influenciar em nossa própria liberdade. A parte boa de viajar é você sair por aí, sem lenço nem documento, escolhendo o que ver e fazer em determinado momento. Isso na Coréia do Norte é inexistente. Sentimos a falta de liberdade também quando viajamos. Como somos vigiados o tempo inteiro, exploramos o que está a nosso alcance, ainda que vez o outra fosse o hotel, ou até mesmo ficássemos dando voltas dentro do bar ou de um restaurante. É engraçado como as vezes parecemos crianças. Sabe quando você é menino, tá em um restaurante com seus pais e você pede para ele para dar uma volta? Aí eles falam, pode, mas vai só até aquela mesa, não sai daqui de dentro? Pois é, a gente se sentia mais ou menos. Não raro você via gente do nosso grupo andando em círculos…
Vou falar com mais detalhes em um outro post, mas o dono da empresa de turismo que nos trouxe para Coréia do Norte também estava com a gente. O nome dele é David, ele é de Londres e é um cara incrivelmente gente boa. Ele geralmente acompanha os tours que a empresa dele organiza para ver se tá tudo certo e também transmitir um pouco de confiabilidade ao grupo. Apesar de tudo, com o passaporte retido, ele também era prisioneiro como nós.
No meio dos diversos lugares que fomos visitar, lógico, não podia faltar uma visita a “Escola das Crianças” de Kim Il Sung. Apesar de parecer ser algo legal, com um nome bonito, o que nos pareceu basicamente foi apenas uma fábrica para suprir a ânsia do culto a personalidade dos Kims. Lá crianças são treinadas desde a mais tenra idade para dançar, cantar, tocar algum instrumento… Posteriormente elas serão o corpo de frente de alguma apresentação a algum Kim e demonstrar a “superioridade do regime comunista coreano”.
Cara, isso era algo que me deixava agoniado, esse sorriso forçado que as crianças mantinham no rosto enquanto dançavam. Rapaz, era algo assustador, MUITO agoniante! Imagina que balé é um dança que causa muita dor, elas passam horas na ponta do pé. Imagina a dor que essa criança não tá sentido e sendo obrigada a sorrir desse jeito. Que agonia.
Sim, nós tocamos sanfona! TOCA GONZAGÃO!
Foto bacana para você sair no meio do mural da escola, né, amigão?
Versão coreana de South Park
Quem souber ler em inglês, vai dar risada
Sabe aqueles filmes de prisão onde os carcereiros selecionam um dentre os presos para ser o responsável pela intermediação? Pois é, esse era o David! Ele tinha algumas “regalias” que nós não, como poder sair sem o grupo para dar umas bandas por ai, negociar nos restaurantes, jogando os preços para baixo, basicamente tinha uma certa liberdade para trabalhar. Ele é o único estrangeiro que tem, veja você, um celular! Se nos morros o chefe do tráfico se diferencia dos outros soldadinhos por portar um AR-15, o símbolo de status do David era o celular! Ah sim, ele podia sair sem a gente, mas, claro, sempre com um guia a tiracolo. Ele dizia que era engraçado quando ele dava umas voltas e perguntava: – “Qual a especialidade deste restaurante? Massas, saladas, cartas de vinho?” e maioria das respostas era: – “Galinha!” ou “Carne!” ou “Porco!”. E quando a gente chegava no restaurante só tinha um tipo de prato mesmo. Como disse, essas era uma das poucas horas que, com perspicácia, podíamos quebrar a “bolha de normalidade” que eles tentavam nos deixar presos e nos lembrar que estávamos em um país tão pobre quanto o Congo.
Nas refeições não existe muito essa nossa cultura de bebermos sucos. Na verdade, não deve haver é disponibilidade de frutas a preços não exorbitantes! Por isso, no final, não bebemos muito sucos e, essa eu não sei porque, também não bebemos muito refrigerante! O que a gente bebe nas refeições? Cerveja!!! AAAHHHH!! Mermão, é no almoço, é no jantar, e quando voltamos pro hotel a noite para ao menos dar um soninho, né? Deus meu, como bebíamos cerveja lá. Toda refeição eles socavam cerveja na nossa goela. Depois de um tempo eu simplesmente começava a beber água mineral mesmo porque senão passava o dia com sono.
Como ficávamos o dia inteiro presos dentro dos ônibus para cima e para baixo, tentávamos de qualquer forma nos relacionar, ainda que a distância, dos populares que conseguíamos ver nas ruas. E como havia gente nas ruas!
A gente passava o dia inteiro sorrindo e acenando para as pessoas, principalmente crianças, e, como erámos novidade em um país prisão como aquele, todos ficavam felizes em acenar de volta para gente.
Tudo bem que a Coréia do Norte sofreu uma das maiores enchentes de sua história, mas sair para passear vestindo um colete salva-vidas já é pouco de precaução demais, né?
Todo mundo em fila esperando a hora de saudar as estátuas gigantescas dos Kims
Além disso, também batíamos fotos de toda e qualquer coisa. Queria ver a senha para todo mundo sair batendo foto? Era só o David ou um dos guias falar: “Gente, não batam foto neste local!”. Mas era só eles terminarem de falar essa frase para gente ouvir “Plec, plec, plec!”, as máquinas disparando! Me sentia às vezes meio estranho de saber que fazíamos algo como um safári com seres humanos, dentro de um ônibus lacrado por ar-condicionado, batíamos fotos de pessoas fazendo as coisas mais simples do cotidiano. Meio que um prazer sádico de saber como aquelas pessoas eram! Na verdade também me sentia as vezes como um animal dentro de um jaula, tamanha a curiosidade das pessoas em ficar nos observando quando passávamos por eles. Era como se presos dentro daquele ônibus, duas realidades diferentes encontravam-se separadas por um muro gigantesco.
Ás vezes pode ser meio estranho saber que está sendo fotografado, não?
Mais um nobre coreano contribuindo para a Revolução
Outra coisa estranha é que, apesar do que imaginávamos, havia turistas por TODOS os lados. Todos monumentos que chegávamos estavam lotados de ocidentais.  Alguns bem estranhos. Devia ser por causa das apresentações do Arirang…
Sapato legal você escolheu para vir para a Coréia do Norte, né amigo? Sem falar no calção de pijama!
Não nos era autorizado ter dinheiro norte-coreano. Até porque não precisávamos tanto, afinal, tudo já estava pago. Dinheiro mesmo só era necessário para comprar lembrancinhas. O que teoricamente não seria tanto dinheiro. Ênfase no “teoricamente”. Sim, cara, quando chegávamos nas lojinhas, parecíamos um bando de loucos querendo comprar tudo. Pombas, quanto vale um cartão postal, um biografia de Kim Jong Il, um cartaz de propaganda? Pior que não era caro! Erámos turistas, mas eles não enfiavam a faca na gente! Um cartaz conclamando as pessoas a guerra? 10 reais? Bicho, como diria aquela propaganda da Mastercard, aquilo “não tem preço”! O problema é que compra cartões postais, chaveiros, cartazes, camisas, uma hora ou outra o “não tem preço” começava a tornar-se bem carinho.Vamos comprar o país inteiro
A história desse guardinha foi bem engraçada. Todo lugar que íamos bater fotos, sempre havia um ou outro guardinha com a gente para “nossa segurança”. Acontece que esse, não sei porque, resolveu se mutucar no meio das árvores para nos “espionar”. Ih, rapaz, quando acharam esse cara, foi engraçado. Todo mundo ficou apontando para ele “olha um guardinha escondido na mata” e plec plec plec, todo mundo saiu batendo foto do coitado. Era engraçado que ele virava para um lado do árvore tentando se esconder, a gente virava, ele voltava, a gente voltava. Ficou aquele negócio, um cara se movendo e um turbilhão de gente se movendo ao mesmo tempo com ele. Parecia cena do desenho do Pica-Pau

Bem, mas se eu pudesse resumir em poucas palavras como foi a viagem por lá o que mais me incomodava, com a desculpa da redundância, era realmente o fato de ser um prisioneiro. De não poder ter o meu horário, de não decidir pra onde eu vou ou o que eu quero comer. Por um lado é mais fácil porque você não se preocupa com nada, por outro é MUITO chato porque nem toda hora você esta na vibe de sair, as vezes eu só quero ficar escrevendo no IPAD mas eu não posso. Não sei como as pessoas conseguem viajar de excursão, é muito chato.

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Estátuas dos Grandes Líderes em Pyongyang, Coreia do Norte

Com certeza uma das atrações mais aguardadas em Pyongyang é a visita as grandes estátuas dos líderes no centro da cidade. Um belo exemplo da opulência e ostentação de toneladas e toneladas de bronze cercadas por diversos buquês de flores que centenas de coreanos vem depositar todos os dias.

Perdão pelo tremilique e baixa qualidade da filmagem, mas é que não era permitido realizar vídeos no local e eu tive que fingir que estava fotografando…

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Domingo no Parque em Pyongyang

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Aviso aos navegantes

Eu tou ligado que a galera deve ter achado estranho o que ocorreu, logo após do post da Malásia, eu já fiz um post sobre a Guerra do Vietnã.
 
Então, é que após a Malásia, decidi fazer o post sobre o Vietnã, mas só que, devido ao término do meu tempo na lan house, tive que desconectar e deixar postado só a guerra do Vietnã. Enfim, hoje ou amanhã eu vejo se já normalizo e coloco o post completo sobre o Vietnã.
 
Enquanto isso, dêem uma lida no blog de uma grande amiga minha, a Helena. Ela fez um comentário muito engraçado sobre uma história que tinha ocorrido com a gente enquanto eu ainda estava nos EUA…
 
 
O comentário tá na parte de baixo do blog dela.
 
Abração, galera!
 
P.s: Lulão, leitor assíduo do blog “omundonumamochila” resolveu mostrar que aprendeu bastante lendo o blog e foi ontem ao Vietnã visitar um local dedicado aos heróis de guerra. Segue o link:
 
Porque o blog “omundonumamochila” agora já
influencia até mesmo a política externa brasileira.

Saindo da rodoviária

Assim que cheguei a Vilnius, a primeira coisa que tentei fazer, claro, foi tentar achar o lugar onde a minha host morava, largar minhas mochilas por lá e sair perambulando pela cidade.

Na rodoviária, tentei por diversas vezes ver se alguém falava inglês, mas lá não tinha ninguém jovem e, na Europa Oriental, se você não tem menos de trinta anos, você fatalmente não falará inglês. Depois de várias tentativas frustradas não me restou outra opção senão utilizar uma velha tática que nunca falhava em nenhum lugar do mundo: Escrever em um papel o nome do bairro da minha host, chegar perto de qualquer transeunte, apontar para qualquer busão, apontar pro pedaço de papel e fazer uma cara de bobo do tipo “qual busão eu entro”?

Cheguei pra um tiozão barbudo, careca e que parecia realmente pegar busão todos os dias e fiz a técnica do “pedaço-de-papel-qual-onibus-cara-de-bobo”. Vi que o tiozão meio que ficou achando graça da minha cara de bobo (cara, eu sou muito bom em fazer uma cara assim, pode acreditar!) e depois de algum tempo apontou pra um busão qualquer em que eu entrei sem pestanejar.

Entrando no ônibus, era chegada a hora do segundo round: Descobrir como se fazia pra PAGAR o ônibus. É, pode parecer besteira, mas parece que cada país que ser mais criativo que o outro quando a matéria é cobrança nos ônibus. Em cada país diferente acontece uma verdadeira epopéia para descobrir como se fazer pra pagar a passagem. Assim que entrei, tentei procurar alguém que aparentasse ter menos que 20 anos pra perguntar, mas não foi preciso, uma tiazona veio ao meu encontro chacoalhando o que parecia ser um cilindro de alumínio e pelo som que fazia dentro daquele “chocalho lituano” parecia haver moedas dentro dele. Saquei logo, ela era a cobradora.

Como não tinha a mínima ideia de quanto seria a passagem, peguei o equivalente a 10 dólares em moeda lituana e dei pra mulher. Pô, mais que dez dólares eu tinha certeza que não ia ser! A veia ficou injuriada e vi que ela gesticulava e mandava eu pegar uma nota menor. Peguei o equivalente a cinco dólares e ela a contragosto me deu umas seis notas diferentes de troco!

Pelo menos eu já tinha aprendido a pegar ônibus na Lituânia…

Mostrei pra ela aonde iria e pedi pra ela me avisar o momento certo de descer.

Fiquei sussa e quando foi a hora certa, a tia me cutucou e eu desci na parada que ela me mostrou.

Tentando chegar em casa

Assim que desci do ônibus, peguei o mapinha que tinha imprimido com as coordenadas de como chegar ao apartamento e segui caminhando. Teria que ir rápido, pois já eram rodados 07h50min da manhã e ela falou que tinha que sair de casa às 8h para seguir para o trabalho. Andei até o ponto que ela havia me falado para que assim que chegasse ligasse ou mandasse uma mensagem.

Mandei uma mensagem e esperei um tempinho. Deu uns dez segundos e meu celular começou a tocar, era ela! Quando fui atender, veio a melhor parte: a minha bateria caiu e não teve como atender. E agora? O que eu deveria fazer? Teria ela ligado pra avisar que já tinha ido ao trabalho? Pra avisar que me via da janela do apartamento dela? Pra avisar que estava indo me buscar? Eu não sabia! De uma maneira ou de outra, o melhor a se fazer era esperar e ver o que iria acontecer.

A melhor parte era onde eu estava. No meio de um descampado! Imagina a cena! No meio de um descampado enorme, um latino moreno, com uma mochila nas costas, de pé, olhando pros lados e esperando ser resgatado por a sua host. TODO mundo que passava, aquela galera branquinha e de olhos claros, indo pro trabalho ou levando as crianças pra escola, parava e ficava me olhando com uma cara de “que porra é essa”?

Depois de meia hora, vi que havia ocorrido um problema e resolvi pegar a minha mochila e tentar ligar pra mina de algum lugar pra poder ver o que tinha ocorrido. Comprei um cartão telefônico de uma velha que não sabia falar inglês (tirei o meu cartão de crédito do bolso, apontei para ele e depois apontei pra um orelhão como que dizendo “cartão para o telefone” e ela acabou entendendo) e tentei ligar pra mina, mas sem sucesso. Já era quase nove e deu pra perceber que realmente não ia dar pra eu encontrá-la pela manhã. Peguei minha mochila e resolvi ir dar uma volta no centro.

Tentando chegar ao centro

Aproveitei que tinha uma galera indo pra escola e perguntei pra uns meninos lá que busão eu poderia pegar pra ir ao centro. Eles me apontaram um e eu fui entrando. Entrei, sentei e fiquei esperando o cobrador chegar pra me cobrar a passagem assim como a tiazona tinha feito no primeiro busão que eu pegara na rodoviária. Rapaz, pra que…

Passou uns dez minutos e nada de aparecer ninguém pra me cobrar, como não sabia o que fazer, resolvi descer do ônibus e perguntar pra alguém nas paradas como eu fazia pra pagar o diabo do busão que ia para o centro. Ledo engano…

Rapaz, pela mesma porta que eu ia descendo, subiu um tiozão barbudo NA FEBRE e bufando pra cima de mim. Ele não deixou eu descer e começou a me xingar miseravelmente em lituano e falou que eu teria que pagar pra andar no ônibus (Jura? Na Lituânia vocês pagam pra andar de ônibus? É que no Maranhão não tem isso – deu vontade de falar pra ele quando ele veio me xingando!)!! Chega os olhos verdes dele pareciam duas tochas! Ele babava de raiva e gritava pra mim assim, basicamente, no meio do busão LOTADO, com uma galera indo pro trabalho e, lógico, com uma pancada de gatinha indo pra escola. Eu não merecia toda aquela vergonha…

Tentei explicar pro figura, em inglês, que eu estava apenas esperando algum cobrador que nem ele aparecer (país estranho esse, os cobradores ficam nas paradas e não dentro dos ônibus!) que eu prontamente iria pagar pela passagem. Não adiantou. O tiozão não falava inglês e quando viu que eu não falava lituano, a única palavra que ele falava, ou gritava, em inglês era “PAY, PAY, PAY!!”. Me lembrou até o indiano de Delhi que só sabia falar “Fee, Fee, Fee”. Como não tava afim de ficar pegando grito de graça, resolvi tirar dois dólares do bolso e dar pra ele pra ver se ele me deixava em paz. Quem disse que ele aceitou?? Depois caiu a ficha! O cidadão que tava me xingando e gritando comigo não era um cobrador de ônibus! Não, ele era mais que isso!! Ele era um FISCAL!! Daqueles que sobem pra checar se a galera pagou pela passagem. E não, ele não estava me cobrando pela passagem, ele tava era ME APLICANDO UMA MULTA!

Ah meu amigo, mas aí a gente ia sair no tapa, porque multa eu não ia pagar. Só pra vocês terem uma ideia, todas as informações de como proceder com o tíquete estava em lituano e a última multinha que eu tinha pago por andar sem passagem no ônibus (deve vez de sem-vergonhagem mesmo, pois tava usando o tíquete errado de propósito) foi na Austrália e me custou a bagatela de cem dólares. A multa por andar sem tíquete na Polônia custava 50 euros. Geralmente a multa de andar sem passagem custa de 50 a 100 vezes o preço do tíquete. Devido ao showzinho todo do fiscal, a multa na Lituânia devia ser pra lá de uns 1000 dólares.

O tiozão não parava de gritar “PAY, PAY, PAY”. Eu comecei foi a balançar a cabeça negativamente a e falar pra ele em português: “Pay porra nenhuma”. A gente ficou nessa de “PAY, PAY, PAY” e de “Pay, porra nenhuma” um tempão. Eu tava era esperando ele me dar voz de prisão e me levar pra uma delegacia, porque enquanto eu não achasse alguém que falasse inglês e para quem pudesse explicar que eu não tinha como ADIVINHAR como se fazia pra poder pagar uma porra de uma passagem, eu não ia aquietar. E isso, claro, esqueci de falar, o ônibus parado com o motorista esperando o fiscal descer. Depois de uns dez minutos nessa putaria, veio um moleque lá e começou a intermediar o conflito.

Ele tentou falar com o fiscal, explicar que eu era estrangeiro, mas o fiscal tava irredutível. Sem sucesso com o fiscal, o moleque veio falar comigo:

– Pô brother, o cara não vai livrar essa de você não.

– Amigo, então não tem o que fazer! Não é culpa minha se todas as informações estão em lituano! Até agora eu não sei como funciona esse sistema de passagem – falei pro menino que tentava me ajudar.

– Tou ligado, cara. É complicado mesmo, mas isso não é culpa dele. Ele tá apenas cumprindo o serviço dele que é multar quem tá sem passagem.

– Boto fé, mas também não é culpa minha.

– Cara, vou jogar a real pra você, paga logo o fiscal porque tá todo mundo indo pro trabalho aqui, o ônibus tá parado e ele pode te dar voz de prisão, o que vai acabar sendo bem pior pra você!

– Não quero nem saber! Eu não tenho dinheiro pra ficar pagando multa assim de graça não, amigo!

– Pombas, se esse for o problema, pode deixar que eu pago sua multa e assim podemos seguir viagem!

(Esse cara deve ser muito rico – pensei)

– Não meu, paga essa multa não!

– Ah cara, relaxa, 15 litas não vão me fazer falta.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

– ÃHN?!?!?!?! Quer dizer que a porra da multa é só de SETE DÓLARES?!?!??!?!

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

– Sim! Por isso que eu não entendo porque você não quer pagar!

– Porra, nós tamos nesse auê todo só por causa de SETE DÓLARES?? Eu achei que ia ter que pagar era uns cinqüenta euros!! Pombas!! Toma aqui fiscal imbecil!! Se quiser eu pago é cem multas!!

Sim, cara!! Acredita nisso? Eu quase fui preso ou linchado por uma multidão lituana ensandecida querendo ir pro trabalho por causa de quinze reais!! Pô, a multa era menos que quinze vezes o valor da passagem!! Eu hein!!

A Lituânia sempre pronta para lhe surpreender

Se você tá achando que as bizarrices do sistema de transporte da Lituânia param por aí, você está enganado! Até agora você deve estar se perguntando como é que os bichos faziam pra cobrar a passagem naquele busão, né? Eu também desci no centro me perguntando… Tive que ir num quiosque de ajuda ao turista pra poder descobrir como proceder pra fazer uma das coisas aparentemente mais fáceis do mundo: Pagar uma maldita passagem de ônibus. Chegando lá descobri que a mulher do quiosque não falava inglês! Juro que fiquei me perguntando de que serve um quiosque de ajuda ao turista que só sabe uma língua falada por menos de 4 milhões de pessoas! Até o Maranhão tem mais gente que isso!

Um cara que ia passando pelo local, ao notar meu calvário, resolveu me explicar. Era bem simples, cara… Se liga no cara me explicando:

– É bem simples, amigo, basta você prestar atenção na numeração dos ônibus!! Os ônibus de 11 a 20, você paga para o cobrador que estará dentro. Os de 21 a 40 você paga diretamente ao motorista. Os de 41 a 60, você precisa comprar o tíquete com antecedência em um quiosque e entregar para o motorista. Os de 61 a 80 você deve comprar um tíquete na banca, entrar no ônibus e furá-lo numa maquininha que vai ter lá dentro! Por último tem os de número 90, mas esses são apenas para fazer city-tour pela cidade…

Anotaste? Sabe aquela história que eu falei que cada país tenta ser o mais criativo possível quando o assunto é ônibus? Pois é! Na Lituânia é simples como passar raiva em Teresina.

Feito para turista. Se for para Vilnius, alugue um elefante, deve ser mais fácil se movimentar pela cidade…

Melhor, não compre o tíquete! Pague os sete dólares da multa! Confesso que vai valer a pena ver o tiozão na febre pra cima de você…

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Galera, mais uma vez desculpas por todo esse tempo sem postar.

Domingo agora foi meu concurso, a batalha final. Como nao podia deixar de ser essa ultima semana foi um inferno e por isso nao deu pra eu postar nada. Alem disso, meu computador pifou e fique impossibilitado de postar. Instalei o Windows 7 nele e o bichinho ta rodando bem que um danado. Vou tentar pelo menos por algumas semanas retomar a normalidade dos posts.

Espírito Empreendedor

Marcamos de nos encontrar no albergue delas. Desci pra lá como combinado e começamos a procurar uma balada pra poder entrar. Descemos pro cais onde havia várias baladas diferentes e entramos na primeira que vimos. Não precisava pagar pra entrar.
Sentamos numa mesa e ficamos vendo de qual era da balada. Ficamos conversando um pouco. A balada chegava a ser engraçada se não fosse trágica. Só tinha homem pra tudo que era lado, todo mundo sentado e ninguém, absolutamente NINGUÉM, dançando. Claro que aquilo não seria um problema pra gente.
Enquanto estávamos sentados conversando sobre o que iríamos fazer veio um cara, que mais parecia um garçom, e perguntou se não queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de uns dez minutos voltou e perguntou se queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de mais uns dez minutos ele voltou e perguntou se queríamos algo e ficou nessa de dez em dez minutos. Me senti como nesse vídeo do Hermes e Renato abaixo:
Pra fugir do garçom mala, nos levantamos e fomos dançar um pouco. Cara, o que foi aquilo? A balada simplesmente PAROU pra poder ver as minas dançando. Elas também não contribuíam, né? Polacas, lindas, num lugar que só tinha homens de bigodes por todos os lados, elas dançavam de uma maneira muito sensual. Mermão, até eu parei um pouco pra ver. O que era aquilo, meu amigo? Por entre bigodes eriçados elas dançavam e rebolavam em frente a uma plateia que ia a loucura. Depois eu meio que fiquei de lado com vergonha dos caras ENCARANDO as minas sem parar. Me lembrou de uma foto célebre do tempo da Polônia.
Elas ainda por cima eram banqueiras. Toda hora iam no Dee Jay e pediam uma música diferente e quando ele não colocava, elas ainda iam reclamar. Enfim, acho que era o preço a pagar pra aquela balada ter um pouquinho de graça.
Depois de um tempo sentamos e começamos a conversar novamente. Adivinha o que aconteceu? Sim, eu tenho certeza que você já adivinhou:
– Deseja alguma coisa senhor?
– Rapaz, não, doido, obrigado! Eu REALMENTE não quero nada agora!
– Mas, você vai ficar aí sem consumir nada?
– Rapaz, pelo menos por agora sim, por quê?
– Porque você não pode fazer isso.
– Como assim?
– Você não pode ficar sem consumir nada.
– Uai, mas a festa não era de graça pra entrar?
– Sim, é de graça pra entrar, mas pra ficar tem que consumir algo.
– Tá, tá bom, eu consumo mais tarde.
– Não, senhor. Você tem que fazer um pedido.
– Uai, cara! Não tou te entendendo. Por que você tem que me FORÇAR a consumir algo?
– Senhor, como é que as pessoas fazem dinheiro no país que você vem? Meu patrão prefere não cobrar entrada, mas em compensação a única maneira de ele fazer dinheiro é assim. Quando as pessoas pedem uma bebida ou algo do tipo.
– Tá, se eu não pedir agora você vai me colocar pra fora, é isso?
– Provavelmente…
Levantei, fui lá onde as meninas estavam dançando e deixei ele falando sozinho.
Pensa que ele se fez de rogado? Naadaaa… Pegou as bolsas que as meninas tinham deixado na mesa e começou a levar na direção da porta. Eu não paguei pra ver se ele ia jogá-las pela porta ou não, mas pelo jeito que o bicho ia REALMENTE parecia que ele iria fazer isso. Pegamos as coisas delas e ele nos apontou a porta da rua. Simples assim. As ÚNICAS mulheres da festa foram expulsas porque não estavam consumindo nada dentro do bar. Tristeza geral entre os marmanjos que estavam lá dentro quando a atração estava indo embora. Pude perceber que espírito empreendedor não era lá o forte do dono da balada.
E lá vamos nós
Expulsos da balada, fomos procurar outro lugar. Paramos em um bar, dessa vez, por via das dúvidas, compramos logo uma cerveja e ficamos lá vendo que o iríamos fazer. Do nada um turco em uma outra mesa começou a gesticular um coração no ar e a gritar algumas coisas em turco apontando pra uma das meninas que estavam na minha mesa. Ele parecia querer dizer que estava apaixonado por uma das polonesas que estavam sentadas conosco. A gente tentou ignorar, mas o cidadão simplesmente não parava. Um peão de obras aqui era um lord comparado com o cara. O figura REALMENTE não parava e começou a ficar chato. Isso NO MEIO DE UM BAR LOTADO. Eu fiquei me perguntando se é assim mesmo que eles chegam em mulher na Turquia ou se de tanto as mulheres viverem cobertas, os caras quando olham uma mulher de saia simplesmente ficam mais loucos que o batman!
Enfim, como não podíamos ficar assistindo aquele show de desespero por uma mulher, resolvemos sair do bar antes que ele pegasse um tacape, desse na cabeça dela e a levasse arrastando pelos cabelos. Fomos para um outro bar e ficamos lá de boa. Do nada chegou um outro cara, mas dessa vez falando em inglês com a gente e sendo gente boa. Era o dono do bar.
O cara era REALMENTE muito sangue bom e virou nosso amigo. Depois de um tempo conversando, ele perguntou se não queríamos entrar na casa dele (o bar ficava nos fundos da casa dele) que ele queria nos mostrar algo. Eu não gostei dessa história de “vamos entrar aqui na minha casa”, fiquei com medo do cara querer fazer alguma maldade ou algo do tipo, mas as minas não tavam nem aí e foram logo entrando. Eu acabei tendo que ir mesmo.
Não era nada demais. Ele apenas foi mostrando a casa dele e no final mostrou uns gatinhos que a gatinha dele tinha acabado de parir. Claro que desmanchou o coração das minas, pois se tem algo que amolece coração de mulher é gatinho filhote sedendo de carinho. Ficamos conversando lá por um tempo e ele perguntou se não estávamos a fim de ir numa balada com ele. Eu mais uma vez fiquei escabreado e com medo de acordar numa banheiro de gelo com um rim a menos (pô, eu sou do Brasil, né, fera?), mas mais uma vez as meninas foram na frente e nem me deram tempo de titubear.
No final o cara levou a gente pra uma balada GIGANTESCA!!! Custava 30 euros pra poder entrar, mas ele nos colocou de graça lá dentro! O bicho era REALMENTE gente boa! A balada era coisa de outro mundo, o único porém é que já estava fechando. Ficamos curtindo um pouco lá até que deu umas quatro horas da manhã. Ficamos ainda dando um rolê, mas eu acabei indo embora e me despedindo das meninas e do cara, que, infelizmente, nem o nome mais eu lembro.
Noite surreal, amigo.
Voltei pra casa e comecei meus preparativos pra poder viajar Síria no outro dia.

Cienfuegos e Trinidad


Depois de Havana, segui para Cienfuegos e depois Trinidad. As duas eram cidades patrimônio da humanidade. Porém, longe da magnitude que é Havana. Meio que me arrependi de passar nessas duas. Em Cienfuegos passei só uma tarde e uma manhã, o que foi mais do que suficiente.
Só dois momentos dignos de nota.
Eu fui comprar um imã de geladeira e quando disse pro camelô que eu era do Brasil o bicho começou a me citar todas as obras de Frei Beto que ele havia lido e como ele achava genial a Teologia da Libertação. Até perguntou se eu não tinha nenhum livro em português para presenteá-lo, haja vista que estava querendo aprender português para ler sobre Frei Beto no original, pois segundo ele, você perde muito na tradução. Ah sim, o imã de geladeira na banquinha dele custava 2 CUCs.
Outra foi o do dono da Casa Particular onde eu morava tentando consertar o chuveiro.  Ele ligava o chuveiro, deixava a água sair e enfiava a chave de fenda na resistência. E eu ali, só esperando para ver ao vivo como se contorcia um condenado sendo executado em uma cadeira elétrica. Saía faísca para todo lado e eu falando pro homem “rapaz, desliga isso, mexe no chuveiro desligado” e ele só dizendo que tinha que mexer daquele jeito mesmo.
Trinidad como centro histórico foi pior ainda. Era só uma pracinha, alguns prédios coloniais, nada muito diferente do Brasil. Agora, assim, cara, muito CARA! Bicho, qualquer pratinho de comida me custava o dobro do que eu pagava em Havana. A parte legal mesmo foi um mergulho que eu fiz em uma praia próxima e a visita a uns engenhos abandonados, menos pelo lugar, mais pela companhia do taxista, um cara muito legal. Histórias que escrevo com mais detalhes abaixo.

Coisas que aprendi com o Chaves

Repasso e-mail que recebi esses dias e que achei bem interessante

O seriado chaves me ensinou muita coisa, tenho certeza que não seria essa pessoa boníssima se não fosse a turma do chaves, eu listei as 50 coisas que aprendi assistindo o seriado Chaves.
 
1. Seria muito melhor ter ido assistir o filme do Pelé.
 
2. As crianças mexicanas tem rugas.
 
3. JAMAIS encostar em alguém que esteja tomando um choque.
 
4. Seu Madruga paga o aluguel todos os meses. Por isso sempre deve 14 meses, não 15, 16, 17…
 
5. Brasília já foi carrão.
 
6. Não basta ser o maior professor do mundo. Tem que ter um pouco de pepsicologia.
 
7. Pessoas bebem leite de burra.
 
8. Existe uma fruta chamada tamarindo.
 
9. O Quico é emo.
 
10. Devemos deixar os outros fazerem nosso trabalho para evitarmos a fadiga.
 
11. A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena.
 
12. As tintas verde-limão são as mais baratas no México.
 
13. Trabalho não é a pior coisa do mundo. Pior é ter que trabalhar.
 
14. Uma epístola é uma carabina, só que menor.
 
15. Azul escuro em inglês é blue marinho.
 
16. Equilibrar cabo de vassoura com o pé é maneiro.
 
17. Deixar uma casca e banana no chão pode causar um grande acidente.
 
18. O segundo episodio do Guilherme Tell é o mais caro do mundo. Por isso o Sílvio Santos não comprou.
 
19. Alguns móveis são feitos de isopor.
 
20. Portas também.
 
21. Se me acordarem às 11h, tragam o café na cama.
 
22. Socos têm barulhos de sinos.
 
23. Sempre tem um filho da puta que rouba as moedas nas fontes dos desejos.
 
24. Leite é muito parecido com gesso.
 
25. “Quero ver outra vez seus olhos olhinhos em noite serena” é a talvez a única música mexicana que metade da população brasileira conheça.
 
26. Um cabo de vassoura com um lençol amarrado na ponta equivale a uma mala.
 
27. O pai do Quico na verdade está vivo, ele simplesmente fugiu de casa.
 
28. Alguns alunos são tão tímidos que nem os professores percebem sua presença em sala de aula.
 
29. Uma caveira significa prerigo. PRE-RI-GO.
 
30. Ninguém tranca as portas nas vilas mexicanas.
 
31. As marcas de catapora feitas com caneta hidrocor ficariam muito estranhas na TV Digital.
 
32. Qualquer McDonald’s da América do Sul lucraria caso vendesse o McSanduíche de Presunto.
 
33. Hector Bonilha é o Antônio Fagundes acima da linha do Equador.
 
34. As pessoas boas devem amar seus inimigos.
 
35. Deus é um cara legal por não deixar as vacas voarem.
 
36. Os carrinhos feitos com caixas de sapatos são os mais maneiros.
 
37. Não é indicado deixar uma máquina de lavar no meio da sala.
 
38. Nunca acredite em boatos de que seus ídolos morreram num acidente de avião.
 
39. Bolinhas de tênis de mesa são parecidíssimas com ovos.
 
40. Pirulitos podem ter o tamanho de raquetes de tênis.
 
41. O trabalho infantil é legalizado no México.
 
42. Os roteiristas da série não sabiam o que era a aritmética.
 
43. O estilingue pode ser uma arma mortal.
 
44. Tem vez que Acapulco é no Guarujá.
 
45. Se você é jovem ainda um dia velho será.
 
46. Pouco me importa se você quer. Compre.
 
47. Algumas pessoas são idiotas a nível executivo.
 
48. As dívidas são sagradas.
 
49. Se você quiser vir a ser alguma coisa, que devore os livros.
 
50. Se capivaras tivessem trombas seriam trapezistas em um circo tchecoslovaco.