Servidor Público nas horas não-vagas, escritor nas vagas e mochileiro nas horas felizes. Formado em Relações Internacionais na Universidade de Brasília, Claudiomar ainda procura algo pra utilizar os seus conhecimentos adquiridos na graduação. Devido a este fato viaja e escreve análises socio-economicas sobre o Brasil e pelos locais que passa. Enquanto não viaja, destila toda a sua pseudo-intelectualidade sobre política nacional
Galera, estávamos já no fim da festa. Quando achávamos que nada mais de novo iria acontecer (a não ser uma proposta de ir para uma casa de swing), surge uma mina com corações amarrados na cintura e mais louca que o batman se contorcendo feito uma lacraia! Veja com o que nos deparamos no meio do salão:
É amigo!! Tem gente que dança até o final!! Ainda mais com balões em forma de coração amarrados!!! Hehehe
Acordei pela manhã na febre pra saber o que havia acontecido, o que havia ocorrido na fatídica noite da ida ao swing. Procurei a norueguesa, a acordei e chamei pra sairmos logo. Quanto mais cedo saíssemos melhor seria pra poder conseguir pegar uma boa carona e conseguir chegar a Riga, capital da Letônia.
Ela levantou e enquanto tomávamos café não pude conter minha ansiedade de perguntar como havia sido a noite passada, o que realmente havia acontecido na casa de swing. Fiquei deveras ansioso pra poder saber todos os detalhes, não me contive e saí bombardeando a mina de perguntas:
– Então, como foi? Foi legal? Pegou quantos? E quantas? A putaria foi desenfreada mesmo?
Sabe o que ela respondeu?
– Não, Claudio, não ocorreu nada. Na hora que chegamos o lugar já estava fechando e não pudemos entrar. Apenas pegamos um táxi pra casa e viemos dormir.
Arf, não era o que eu estava esperando ouvir, mas enfim, pra mim tudo é festa.
Pegamos nossas coisas, nos despedimos do casal mais louco de toda a minha viagem e seguimos em direção ao final da cidade para poder esticarmos os braços e tentarmos de alguma maneira chegar até Riga.
No caminho, dentro do ônibus, ainda pude ver dois moleques BÊBAÇOS dormindo encostados em um banco. Não terminou muito e uma tiazona, com uma cara de uns sessenta anos, subiu no busão e pediu o tíquete deles. Como não podia deixar de ser, eles estavam sem e acabaram sendo multados. Ao contrário de como ocorreu comigo quando o tiozão veio bufando pedindo meu tíquete, com eles a tia foi até simpática.
Descemos do ônibus, andamos mais algumas centenas de metros e enfim chegamos ao final da cidade.
Com o braço esticado
Reparem que lá no fundo tem uma outra mina pedindo carona também…
Esticamos o braço e ficamos esperando alguém que nos levasse.
Galera, apesar daquela imagem romântica que a gente tem de pegar carona (o braço estendido, o vento batendo no cabelo, a sensação de liberdade sem fronteiras…) isso às vezes pode ser MUITO chato! Sério, os primeiros dez minutos são até engraçados. Depois de vinte minutos começa a cansar e meia hora depois você já está de saco cheio e começa a pensar na possibilidade de pegar um ônibus mesmo. Comigo não foi diferente.
Enfim, depois de meia hora, comecei a pensar em propor à norueguesa que fôssemos de busão mesmo pra Riga, já que era bem perto.
Passou uns cinco minutos e um carro parou ao meu lado. Dentro da caranga tinha uma cambada de loiro do olho azul de cabelo rastafári, fumando e escutando um reggae no melhor estilo “Maranhão Roots”. Eles pararam ao meu lado, mas assim que viram que estávamos em dois, os caras foram embora sem falar nada. Havia quatro no carro deles e, portanto, vaga pra só mais um. Apesar de ter sido por pouco, aquela parada tinha me dado um ânimo maior e empolguei de novo em pegar carona.
Depois de mais ou menos uns vinte minutos, um simpático casal de velhinhos parou ao nosso lado e nos ofereceu carona. Eles não falavam nada de inglês, mas mesmo assim, através de gestos, “falaram” para entrarmos no carro. Entramos no carro e seguimos, sem eira nem beira, com uma música de James Dean tocando na minha cabeça, em direção à Riga, onde muitas loucuras e presepadas me aguardavam…
“- Claudio, precisamos conversar…” ‘- Maluco, q historia eh essa de dar arroz afrodisiaco pra minha mina, deixar ela toda com vontade, e depois dar pra trás?’ E vai te socar a bota, dizer q tu eh viado..!
EASIUEHASIUEHASIUEHISAUHEIASUEH
Certeza que não deu foi nada! mas em todo caso, tenho uma música pra vc tbm..: ‘Dói, um tapinha não dóóói..’ ;D ______________________________
Logicamente todas erradas 😛 Pra quem não entendeu nada, favor checar o post E o dia Amanhece
Essa foi uma cerveja que me impressionou muito na Lituânia. Mistura de energético e cerveja vendido direto na garrafa. Bom, né?
Ao chegar à festa, assim como falei no post passado, Nedved chegou, me puxou pelo braço e falou que precisava falar comigo. O que se passou na minha cabeça? Uai o que vocês estão pensando também: – Acabou! Morri! Vou comer grama pela raiz! O cara vai me empalar aqui no meio da Lituânia.
Meu coração começou a bater forte e eu estava à espera da minha sentença capital. Ele disse:
– Claudio
Tum, Tum, Tum (dava pra ouvir as batidas do meu coração)
– A Riga
TUM TUM TUM TUM TUM
– Me contou de ontem à noite…
TTTTTTTTTTTTUUUUUUUUUUUUUUUMMMMM…
– Não cara, mas peraí, eu juro que eu não fiz nada! Não foi minha culpa! Sério, eu nunca iria provocar ela!! Mermão, eu juro!! Er… quer saber?? Eu nunca te falei isso, mas eu sou viado!! Isso, VIADO! Nem de mulher eu gosto!! Me caparam quando eu era criança! Eu não queria te falar isso, mas eu sou eunuco!! EUNUCO!! – eu desesperadamente clamava por piedade ao mesmo tempo em que começava a ver o chamado dos meus parentes mortos…
– Não, não, mermão, relaxa! Ela me contou tudo o que ocorreu! Não tem nada de errado. Eu tou ligado que você deve estar assustado com tudo que aconteceu, mas pode ficar de boa. Não há problema algum entre mim e ti. Eu e a Riga mantemos uma relação bem liberal e não haveria problema se algo ocorresse. Estou falando contigo só porque não queria que você ficasse assustado! Pode ficar tranqüilo que está tudo de boa. Toma aqui, bebe essa cerveja!
– Er… Ok! Obrigado!
Ãhn? Como assim? Acabou? Estou vivo? Com os quatro braços? Meu coração ainda está batendo? Obrigado, senhor, por ter piedade de mim!
Pois é, amigo, mas foi isso mesmo. Nada ocorreu. A mina simplesmente queria me pegar e o marido dela não ia encanar com nada. Simples assim…
Após de todo esse aperreio, apenas curtimos a balada. O local era bem agradável e ainda conheci uma galera de Portugal que estava fazendo intercâmbio pelo Eramus.
Assim que cheguei na Lituânia, umas das primeiras fotos que bati foi desse muro pichado escrito “All Cops are Bastards” (todos os policiais são bastardos). Achei engraçado e resolvi bater a foto imaginando que isso devia ser um lema de algum grupo anarquista ou algo do tipo.
Depois descobri que a parada é tipo um lema da galera que gosta de sair à noite e encher a cara. Quando olhei essa tatuagem no braço desse lituano que foi sair com a gente perguntei pra ele o que significava aquelas iniciais. Eles disse: “All Children Are Beautiful” (todas as crianças são lindas). Logicamente eu desconfiei do que era e só posteriormente liguei as iniciais à pichação que havia visto ao chegar em Vilnius
No final, ainda haveria mais uma surpresa
Quando começamos a sair da balada, umas três da manhã, reunimos a galera pra poder ir embora. Pensa que o casal queria ir? Nada…
Depois de um “ataque lituano”, passar o dia inteiro com as costas viradas pra parede temendo pela minha vida e no final sair vivo dessa história toda a gente já começa a achar que nada mais pode ocorrer, correto? Pois é, a noite ainda me aguardava surpresas, meu amigo… Por incrível que pareça!
Mermão, os caras propuseram uma parada massa pra gente. O que vocês acham que foi? Alguém quer chutar? Um cinema? Uma missa? Uma padaria? É bom, né? Tomar um Nescau assim, depois da balada sempre deve fazer bem. Não, claro que não! Eles basicamente propuseram ir para UMA CASA DE SWING! Sim, nos convidaram a ir para uma casa de swing. Mas com uma naturalidade de quem convida pra ir visitar a avó! E eu preocupado com a mulher do cara querendo me beijar…
Achada na balada… Cachaça brasileira...
LOGICAMENTE não aceitei, até porque aí já era MUITA putaria pra mim, meu amigo! Pelamordedeus! Eu tenho valores, e putaria generalizada não é uma parada que me deixe lá tão empolgado! Além disso, teria que acordar cedo no outro dia para poder pegar carona pra Letônia.
Dei uma de “pega-nínguem” e resolvi pegar um táxi para casa. Deixei o casal maluco e a norueguesa lésbica se divertirem por lá e segui o meu caminho pro apartamento pra dormir.
Acordei pela manhã com as malas prontas e, claro, ávido por notícias de como havia sido a noite deles nessa bendita casa de swing. Uma coisa era certa, o potencial para história loucas de um casal maluco e uma lésbica norueguesa em uma casa de swing não deveria ser baixo…
Mas isso são cenas para o próximo capítulo do blog que, como dizia Leo Durans, tá cada dia mais parecendo uma novela, hahahahaha.
Acima alguns comentários de como a história da “conversa com o cara” ia acabar…
No outro dia acordei mais escabreado que peru em véspera de Natal. Assim que fui pra cozinha, Nedved foi saindo pra trabalhar e a mina dele veio falar comigo. Pediu desculpas pelo que tinha ocorrido na noite passada, mas falou que a culpa era minha por ter meio que “provocado” ela. Pensei em pedir desculpas por ser tão irresistível, mas achei melhor falar que tudo tinha ficado de boa. A diplomacia do arroz já tinha obtido sucesso pra fazer amigos, mas fazer uma mulher se apaixonar por mim só porque ela tinha comido do meu arroz (não em duplo sentido nessa frase, cara!), era estranho… Pelo menos era a primeira vez… Meu arroz era meio que um afrodisíaco, pensei…
Depois que eu entrei no banheiro pra tomar um banho que eu comecei a ficar pensando. Êpa, mas peraí, quer dizer que eu estava PROVOCANDO a mina? Ãhn? Como assim?? Eu não fiz nada demais!! E se, ÉGUAS, e se ELA FALASSE ISSO PRA ELE?? Ah mermão, aí o bicho ia pegar!! Imagina o cara ouvindo isso e depois pensando: “Quer dizer que eu dou comida, cerveja, cama e absinto pro cara e ele ainda fica bandeando a minha mulher? Ah, mas ele vai pagar por isso!”. Pronto, agora eu tava feito, pior do que pegar porrada por ter pego a mulher de outro cara, é pegar porrada de um cara e ainda por cima nem ter pego a mulher dele! Mas antes eu tivesse pego!
Enfim, fiquei a manhã e a tarde inteira com o coração disparado! Fiquei imaginando o cara sabendo da história, vindo tomar satisfação comigo e depois me colando na parede a base de pancada. Enfim, uma hora ele iria chegar em casa e eu tinha que pensar no que fazer. Não podia simplesmente pegar minhas coisas e cair fora pra Letônia, afinal, eu tinha combinado com a norueguesa de ir junto com ela. Que desculpa eu iria dar pra não ir? “Ah, tipo, não sei por que, mas me deu uma vontade imensa de ir embora”, não ia colar. O jeito era esperar e enfrentar o urso letão.
O rapaz chegou por volta do final da tarde. Veio falar comigo de boa, naquele jeitão meio louco dele e vi que a mina não tinha contado nada pra ele. Pensa que eu fiquei tranqüilo? Naaadaaa… Pense num menino mais aperreado que moleque correndo de maribondo? Mais aperreado que mãe de astronauta? Pois era eu! Mermão!! Eu chega passei o dia inteiro com as costas viradas pra parede. NÃO TOU EXAGERANDO!! Tou falando sério, mesmo! Eu nunca ia dar minhas costas praquele menino! Não sou nem louco! Ele vinha pra falar comigo eu, CAPLOFT!!!, jogava as costas na parede. Fiquei assim até de noite. Seguro morreu de velho…
Quando foi a noite, ele convidou a mim e a norueguesa para ir a uma balada e fomos nos aprontar. Tomei meu banho, usei uma toalha pra lavar o rosto, outro as pernas e fomos sair. No caminho, claro, o bicho comprou umas cervejas pra gente e descemos pra balada. Chegamos em uma casa que parecia meio abandonada e caindo aos pedaços, mas assim que entramos pude perceber o TANTO de gente que havia no seu subsolo. Uma galera totalmente pirada, dançando e curtindo no melhor estilo “balada Leste Europeu”. Depois de uns dez minutos, Nedved comprou duas cervejas, deu uma pra mim, me chamou no canto e falou: – Claudio, precisamos conversar…
Claudiomar, vc se encontrou com a galera do blog lá no bar? Como foi???????
R – Uai, acabei não indo. Não consegui falar com o Thiagones, tivemos um desencontro, e ninguém no blog aqui chegou a dizer que ia. Às vezes acho que ninguém aqui lê o blog snif snif. Acabou que eu nem fui, preferi ficar em casa pra estudar…
Tou vendo outro dia pra poder sair com o Thiagones, mas minha vida tá meio complicada, ainda mais com o fato do edital ter saído marcando a prova do meu concurso pro dia 30 de agosto! Enfim, vou ver o que fazer…
Pra quem me vê falando tanto desse cara e ainda não sabe quem é Thiagones, ele é um dos caras mais famosos da UnB. Produziu por algum tempo um dos programas mais interessantes e engraçados que eu já vi na vida. Era o “Puxando Papo”. Sério, eu ria demais os assistindo e até hoje fico rindo quando revejo. O programa tinha uma ideia muito boa, mas infelizmente não teve continuidade.
Quem tiver a fim de dar umas boas risadas, cheque o vídeo abaixo. Só não posto todos porque tenho medo de vocês gostarem demais do programa e largarem meu blog de mão, já que o “Puxando Papo” é mil vezes mais engraçado que “omundonumamochila.com”. Inclusive, e isso eu nunca falei pro Thiagones, o termo “Suecas Quentes, Uhhh” eu peguei emprestado do “Enfermeiras Quentes, Uhhhh” do Puxando Papo. Enfim, divirtam-se com o programa:
Beleza cara? Bom, talvez você não se lembre de mim mas eu estudei no Girassol (.. nosso colégio de tradição, hehe) e fiz natação na Nadar. Eu e meu irmão Pedro éramos amigos dos seus irmãos Cláudio e Caio, cade eles? Lembro de uma vez que brincamos de “guerra de dardos” num quarto de brinquedo que tinha na sua casa, bem legal!
Bom, desde aquela época eu percebi que você não era mto certo hehe e achei este blog há um tempo e confirmei as minhas suspeitas. Cara, já me diverti muito com suas presepadas. Quando você tiver aqui em São Luís dá uma avisada no blog, quero beber umas contigo e conhecer a parte censurada das suas aventuras hehe
Abraços maranhenses
R – Cara, não me lembro de você só pelo nome não!
Pombas, mas se for pra falar do guerra de dardos é porque isso faz MUITO tempo!!! Tem como tu deixares teu orkut por aí pra gente conversar?
3 – Maricotinha perguntou:
Tem certeza que a toalha não era usada?
R – Maricotinha, eu acho que não, eu tava até tranqüilo. Numa casa organizada e limpa como aquela acho que eles devem lavar toalhas e lençóis umas cinco vezes por semana, não?
Pra quem não entendeu a pergunta dela, ler o post:
Por acaso nao foi esse a figura q vc encontrou em uzupio?
R – Cara, não era muito parecido com isso não. Esse carro parece ser algo como a polícia séria de Uzupio mesmo! O meu era um tiozão de zoeira!! Mas achei interessante mostrar essa imagem pra galera pra mostrar o que é Uzupio!
Pra quem ainda não sabe o que é Uzupio, é melhor ler um pouquinho mais o blog 😛
Pintou mais uma dúvida aqui da série “dúvidas de futuros viajantes”:
você fez algum tipo de seguro saúde? como fazia (se precisou), em caso de ir a um médico ou ter que ter uma receita pra comprar remédio?
abs! ps.: irada essa idéia do Leo, de fazer o twitter.
R – Cara, dizia a lenda que o seguro saúde é algo obrigatório e que país nenhum te deixaria entrar sem um desses. A desculpa que os países dão é que eles não querem que tu fiques desamparado caso ocorra algum acidente contigo ao viajar. Eu até fiz um seguro-saúde antes de sair do Brasil e ir pros Estados Unidos pela minha agência de intercâmbio mesmo. Depois ainda renovei, porque me falaram que na Europa com certeza não me deixariam entrar sem.
Quer saber a real? Trinta e dois países depois e NINGUÉM sequer mencionou essa droga desse seguro!
Eu acho bom fazer um desses, você nunca sabe quando vai precisar. Eu não precisei em momento algum, pois tenho uma saúde muito boa. Mas meu irmão quando foi para os EUA (ele também é saudável) teve estourado o apêndice dele enquanto ele viajava. Foi levado às pressas pro hospital, submeteu-se a uma cirurgia e teve alta depois de uns dias. Saiu ileso e só gastou 50 dólares, que é “franquia” que você precisa pagar pra poder ser atendido. Se não tivesse seguro-saúde com certeza ele ia gastar uns milhares de dólares no hospital lá. Outro amigo meu também teve que fazer cirurgia pelos EUA. Cara, é aquele negócio, se você tá apertado, não faça, mas saiba que se acontecer uma zebra, você será enterrado como indigente em algum lugar jogado no mundo 😛
Sobre o Twitter, ele já se encontra ao lado do blog. Postarei constantemente falando do blog, espero que a galera curta isso aí 😛
Depois de comermos um arroizão “à maranhensis”, ficamos jogando conversa fora e tomando umas, como já havia dito no post passado.
Começou aí o momento mais emblemático de toda a minha passada pela Lituânia.
A norueguesa depois de um tempo falou que estava começando a ficar com sono e não restou outra alternativa a não ser ir para o quarto dormir. Depois de um tempo, os amigos de Nedved também foram dormir e ficamos só nós três conversando na cozinha. Ficamos um tempão trocando uma ideia. O casal era pirado demais e MUITO gente boa. Conversa daqui, conversa dali, viagem daqui, viagem dali e fomos indo noite adentro. Depois de mais ou menos uma hora, Nedved me falou que tava com sono e que tava muito afim de ir dormir. Perguntou se Riga tava querendo ir também, mas ela falou que não tava com sono e perguntou se eu não poderia fazer um pouco mais de companhia a ela por um tempo. Falei que era de boa, já que eu estava sem sono e fiquei lá.
Nedved falou que tava tudo certo e foi pro quarto. Eu aproveitei pra ir ao banheiro. Quando voltei ocorreu algo que eu tenho na minha cabeça como se tivesse acontecido ontem, ainda agora.
Sentei numa cadeira e quando eu comecei a conversar com a Riga ela começou a olhar fixamente nos meus olhos e sem falar nada. A mulher começou a me encarar de um jeito que eu até comecei a ficar sem graça. Quando eu perguntei o que estava acontecendo, ela nem pensou duas vezes: VLAPT!! VOOU pra cima de mim!! Correu pra cima em um “GO GO FIGHT” sem dó nem piedade. Voou pra cima de mim no famoso “pescoção”.
Eu meio que sem entender o que ela tava fazendo, na hora, instintivamente, achei que ela ia, de molecagem ou brincadeira, tentar me derrubar da cadeira ou jogar cerveja em mim, ou algo assim, por isso desviei. Dei uma de Matrix e por pouco a mina não me beijou.
ÃHN?!?!? Que diabo é isso, doido? A mina tava tentando me beijar? Era isso?? Como assim? Eu estava sendo praticamente atacado! Abusado sexualmente!! Liguem para a polícia!! Chamem a Interpol! Isso é quase um estupro!!
Tentei fazer ela mudar de ideia e demonstrar que eu não queria, mas, pensa que ela desistiu? Claro que não, amigo!! Não é fácil resistir a um corpinho atlético desses aqui. 1,63m de pura emoção!! Não é todo dia que aparece um maranhense desses sarado na sua cozinha!! A mina continuou tentando me agarrar pelo pescoço e a me finalizar e eu desviando no melhor estilo Keanu Reaves.
Por que eu não estava deixando ela me beijar? Não amigo, não é por que eu prezo o matrimônio e a fidelidade entre os casais. Não é por que eu nunca faria um casal feliz e sorridente se desfazer apenas por causa da fraqueza dela perante esse pedaço de mal-caminho aqui não. Ou você acha que eu dei uma de Padre Zezinho e enquanto ela tentava me beijar eu ficava cantando: “Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente/ E que nada no mundo separe um casal sonhador/ Que ninguém interfira no lar e na vida dos dois/ Abençoa senhor as famílias, Amém. Abençoa, senhor, a minha também!”? Claro que não, brother!! Também não é devido a falta de masculinidade! Era mais um instinto de sobrevivência mesmo. Ou você esqueceu que um lituano muito do mal-encarado dormia no quarto ao lado? Acho que o cara não ia gostar muito quando descobrisse o que ocorreu e pensasse no outro dia: “Eu dou comida, cerveja, cama e absinto pro cara e ele ainda come a minha mulher?”. Se um cara normal já ficaria puto imagina um cidadão daquele, com aquela cara de psicopata? No mínimo ele iria servir um “maranhense no espeto” mais ou menos como a chinesa da Austrália…
Você aprontando, né seu maranhense?
Depois de um tempo dela tentando me “atacar” eu tive meio que correr pro meu quarto e dizer que ia dormir. Ela falou que tava tudo bem e perguntou se eu não queria que ela arrumasse minha cama. Numa hora tensa como aquela é claro que eu falei que não. Resolvi ir dormir e ver como o outro dia ia amanhecer.
O que ocorreu pela manhã? Bem, nem preciso dizer que isso é apenas o começo de uma presepada cinco estrelas, né peixe? Fica pro próximo post…
Galera, acabou que de tanto eu escrever sobre Uzupio me esqueci de falar como e por que ocorreu uma mudança de couch enquanto estive na Lituânia. Por que saí do couch da Aistê, onde só fiquei uma noite, e mudei para um outro. Deixa eu explicar…
Assim que eu decidi viajar para Vilnius, sozinho, fiz o que é de praxe no Couchsurfing.org e saí mandando mensagens pra uma galera pedindo pra me hospedarem. Mandei pra umas dez pessoas diferentes e duas me responderam que podiam me hospedar de boa. Acabei decidindo pela Aistê, parte porque o outro couch seria com um casal e o couch da Aistê era só com ela, parte porque o casal parecia ser MUITO louco pros meus parâmetros.
Assim como já expliquei num post passado, um dia antes de eu partir de Varsóvia para Vilnius, uma norueguesa perguntou se eu ainda estava procurando parceiro de viagem. Respondi que sim e ficamos de nos encontrar já pela Lituânia. Como eu sabia que ela não teria onde ficar pedi para o casal que se ofereceu pra me hospedar que hospedasse a norueguesa também. Eles falaram que podiam hospedar e ficou tudo de boa.
Tudo transcorreu bem. Dormi na casa da Aistê, a mina era gente boa demais e no outro dia me encontrei com a norueguesa (gente, eu não lembro o nome dela :P) e fomos dar um rolê por Vilnius. Combinamos que no outro dia iríamos partir de carona para Letônia e ela me perguntou se não seria mais fácil se dormíssemos juntos na casa do casal para assim, pela manhã, sairmos juntos pra pedir carona. Ela ligou pra eles, eles autorizaram e resolvi descer pra lá.
Passei na casa da Aistê, peguei minhas coisas e parti rumo à casa de um dos casais mais LOUCOS que já pude ver em toda minha vida…
Logo de começo me foi apresentado o casal dono do apartamento: Riga e Nedved. Os caras pareciam ser loucos DEMAIS!! Você via pela cara deles que eles não eram pessoas muito “normais”. Larguei minhas mochilas e fui conversar com os bichos.
Antes de eu começar a contar como foi a história, só para ilustrar, vou contar como era o apartamento em que fiquei hospedado. O banheiro tinha uma banheira igual à do Havaí com o mesmo estilo dégradé da de lá. Não existia chuveiro! O “chuveiro” era uma mangueirinha que você ligava e tinha que ficar segurando enquanto se molhava! Impossível de tomar banho!!
Quando pedi emprestada uma toalha, já que a minha estava molhada, o cidadão foi lá e me trouxe duas, ao invés de uma – Pra que diabos eu vou querer duas toalhas? – Eu perguntei. O bicho foi lá e me explicou:
– Rapaz, é porque aqui em casa eu costumo usar duas toalhas e talvez você pensasse em fazer o mesmo! Com uma das toalhas eu enxugo o meu rosto. Com a outra toalha eu enxugo minhas bolas. Ou você acha que a mesma toalha que eu passo nas minhas bolas eu vou passar no meu rosto?
Rapaz… Não é que a parada faz sentido? Você já parou pra pensar que todos os dias você praticamente esfrega as suas, digamos, “partes baixas” na sua cara quando vai se enxugar depois do banho? Diga aí, você nunca mais vai se enxugar direito depois de uma dessas, né? Pois é, eu também não.
Depois que tomei meu banho, Nedved perguntou o que eu queria comer. Falei pra ele que acho que seria de boa se eu preparasse uma comida brasileira pra galera poder sentir um pouco mais o que era Brasil. Ele curtiu a ideia e me chamou pra ir ao supermercado com ele pra poder comprar os ingredientes.
Sambando na Lituânia
Fomos ao supermercado e começamos a pegar os ingredientes para o “brazilian dish”. Ao chegarmos ao supermercado ele foi pegando as coisas e eu comecei a contar: Uma cebola, um tomate, meio quilo de carne, sal, alho, um pacote de arroz e PRÁÁÁ!! CINQÜENTA DE CERVEJAS!!! O cara começou a LOTAR, sem dó nem piedade, o carrinho de cerveja!! E o pior que ele ia enfiando as cervejas dentro do carrinho e ia contando em voz alta: 1, 2, 20, 30, 40, 50!!! CINQÜENTA!! CERTINHO!!! “É melhor sobrar do que faltar” – ele disse pra mim… Er, com certeza!
Voltamos pra casa e a galera nem perguntou do arroz, foi logo abrindo as cervejas e começando a encher a cara! Eu meio que me senti desprestigiado. Pô! Tava cozinhando pra galera e galera só querendo encher a cara!! Enfim, enquanto eu cozinhava o arroz, o casal, a norueguesa e mais uns amigos deles que estavam lá foram detonando as cervejas!! A parada ficou pronta e, como já era de se esperar, foi um sucesso geral! Todo mundo comendo que nem uns bichos o meu arroz, não sei se porque estava gostoso, não sei se era por causa da cerveja mesmo! Depois que terminamos de comer, claro, entrei na onda da galera e comecei a beber também. Rapaz, mas quem disse que deu tempo? Os caras beberam as cervejas MUITO rápido! Só deu tempo de eu beber umas duas garrafas – Devíamos ter comprado 70! – pensei.
Mas acha que tem jogo ruim pra galera? Tem não, amigo!! Lá de dentro dos quartos deles a mina só veio e me apareceu com aquilo que iria marcar a minha noite: Uma mini-garrafa de absinto. Sim, cara, absinto! A fadinha verde, pros mais íntimos!! A galera acho que não tá muito ligada no que estou falando, no que seria absinto. Ela é mais conhecida como a bebida do demônio!! A fada verde! A bebida com maior gradação alcoólica vendida no mundo. No Brasil ela é vendida com a gradação de “apenas” 53% (a legislação brasileira só permite a venda até 54%), mas no exterior ela é comercializada naturalmente a meros 75% de álcool!! DO MAL!!
Olha o que eu trouxe lá de dentro brasileirinho, HUÁ HUÁ HUÁ
Mermão, no início eu fiquei com medo daquela parada, mas quem tá na chuva é pra se molhar. Eita, mas foi a primeira golada e eu já senti a minha alma entrando e saindo do corpo. Parece que você vai virar do avesso!!
Depois de um tempo chegaram algumas bebidas e continuamos conversando e nos divertindo. Após mais ou menos uma hora uma parte do povo foi dormir e eu fui ficando com cada vez menos pessoas comigo na cozinha. Bem, aí você vai pensando… Álcool a rodo, cada vez menos gente ficando na cozinha, todo mundo louco. O que mais pode sair de uma arrumação dessas?
De tanto os caras me falarem como se dizia “Saúde” em lituano e eu nunca decorar, eles foram lá e escreveram no meu braço, hehehe
Enfim, vou deixar vocês curiosos, depois posto o final da história, hehehehe… Mas posso adiantar, a presepada vai ser GRANDE!! Com certeza uma das maiores já ocorridas em toda viagem!! Se não a maior, com certeza a que me fez sentir mais próximo da morte em todo este ano de viagem pelo mundo…
Presepada cinco estrelas, pode contar comigo…
Beba Absinto e tenha o mundo aos seus pés!! Er… Quer dizer, tome absinto e sinta-se aos pés do mundo!!
P.s: Esta é apenas uma peça publicitária. Logicamente eu não capotei embriagado no chão. A garrafa encontra-se quase que totalmente cheia e tampouco fumo, tirei essa foto só pra fazer graça mesmo, hehehehe… Era pra ela ficar parecida com essa foto aqui de baixo:
Povo, vou aproveitar o espaço no blog aqui e dar um recado pro pessoal que mora aqui em Brasília.
Estão abertas as inscrições para o cursinho pré-vestibular “Vestibular Cidadão”.
Até aí nada demais, né? Milhares de cursinho pelo Brasil inteiro estão abrindo vagas.
Mas então, o que diferencia o “Vestibular Cidadão” e os outros cursinhos de Brasília é o fato de o mesmo ser gratuito!! Sim, brother? De graça, NA FAIXA! Ele é um cursinho pré-vestibular que a galera do meu semestre na UnB (eu fui o primeiro coordenador de física, dá pra acreditar?) montou há uns cinco anos atrás!!
Para participar da seleção basta apenas ser aluno de baixa renda oriundo de escolas públicas ou bolsista de particulares.