Comentários Comentados

1 – Anonymous comentou no post “Claudio, Claudio, acorda!”:
“Tu teve foi medo do dedão da mina”

2 – Anonymous comentou no post “Claudio, Claudio, acorda!”:
“TU ia ganhar um fio terra que ia esquecer de vez do Kanguru ingrato, kkkkkkkk………..”
R – Rapaz, eu fico o que esses caras pensam de mim. Heehehehee… O dedão da mina dava medo mesmo, hahaahaha. E, caraca, essa história desse canguru ainda não morreu?

3 – Suellen has left a new comment on your post “Claudio, Claudio, acorda!”:
E cade a nossa foto no Infarta Madalena?? Eu to esperando ehn….HAUhauhauhauhau Beijos
R – Cara, essa foi uma história que me deixou impressionado! Fui a São Paulo esse fim de semana pra resolver um problema meu com a carteira de reservista (malditos militares) e, pra não perder viagem, resolvi sair com uns amigos meus de São Paulo pra uma balada. Estava lá na balada e DO NADA uma menina enfiou o dedo na minha cara e me perguntou se eu escrevia um blog. Qual não foi a minha surpresa em ser reconhecido DENTRO DE UMA BALADA em SÃO PAULO por umas meninas do RIO DE JANEIRO!! Hehehehe… Relaxa, Suellen, posto sua foto essa semana, tou só esperando o meu amigo Gorilão me mandá-la!


4 – Maricotinha comentou no post “Pegando a balada” sobre a foto abaixo:

“Esse príncipe letão está mais para Shrek…”
R – Pra quem não tá ligado acerca do que a Maricotinha está falando, esse rapaz com cara de bravo é o marido de uma paraibana que conheci lá pela Letônia. Eu contava que ela havia conhecido o príncipe encantado dela em Natal. E olha só o comentário que a Maricotinha me deixa. Hahahaha… Esse povo é muito mal!
5 – Kamaia comentou no post “Comentário Comentados”:
“a entrevista no Jô já rolou?
todos estava numa numa campanha forte pra mandar vc pro sofá dele, mas realmente deu certo?”
R – Cara, acabou que até agora não tivemos muito resultado. O pessoal fez uma campanha forte por aí, mas acabou que todo mundo andou desempolgando dentre outros motivos pelos poucos posts que venho colocando aqui esses dias. Mas volto a reiterar, isso é só porque estou estudando pra um concurso muito difícil, galera! Depois de um mês voltamos à normalidade e a posts diários aqui.

6 – Rodrigo Cardoso comentou no post “Comentário Comentados”:
“Cara na boa, vc não vai falar do Egito? E de quem te hospedou lá?
Abraço”
R – Rapaz, Rodrigo, que pressa é essa, meu amigo?? Ainda tem MUITA história pra postar até o Egito! Só pra tu teres uma ideia, ainda tem, nessa ordem, Polônia, República Tcheca, Alemanha, Turquia, Síria, Líbano, Eslovênia, Itália, Áustria, Eslováquia e, ufa, Hungria. Vai demorar um pouquinho pra eu começar a falar sobre o Egito, hehehee.
Mas só pra sanar a sua curiosidade, quem me hospedou no Egito foi o David French, um australiano MUITO gente boa. Pode sentar que com esse cara rolou história, meu amigo!
P.s: Renato, guardei suas perguntas viu? Pode ficar tranquilo que vou respondê-las posteriormente…

Pegando a balada

Depois da troca de culturas do post passado, era chegada a hora de sairmos à noite para uma troca de culturas, digamos, mais interessante. Quem sabe até movida a cachaça, depravações e nudez gratuita, não necessariamente nesta ordem. Era a hora de cair na esbórnia.
Saímos eu, a Iveta e a norueguesa e ficamos dando um rolê pela cidade. Assim que chegamos ao centro, Iveta nos mostrou algumas construções e ficamos procurando um lugar pra tomar uma cerveja. Ao passamos perto de uma baladinha com uma bandeira de Cuba na porta, comecei a ouvir um som um tanto quanto característico. Parecia ser uma salsa, só que bem mais rápida. Convidei as duas pra entrar e quando entramos constatei a melhor das minhas expectativas: os caras cantavam em português!!

Mermão, que felicidade! A primeira balada brasileira que eu ia desde a Polônia há menos de uma semana atrás (sacou a piada? Áh Áh?)! Entramos e os caras já foram mandando ver um “Trem das Onze” na nossa chapeleta! Mermão, foi o suficiente pra eu já começar a me empolgar!
Começamos a dançar, nós três e depois de um tempo a Iveta falou que tava cansada e que estava indo embora. Deu-nos a chave de casa e falou que podíamos voltar a hora que quiséssemos. Filéééé…
Peguei a norueguesa e comecei a mostrar a ela como se dançava forró e a mina curtiu pacas. Depois de um tempo ela reconheceu uma galera do couchsurfing.org por lá e qual não foi a minha surpresa quando dentre eles estava um dos melhores amigos de um grande amigo meu da UnB. Muita coincidência, achar um cara conhecido no meio da Letônia. Ficamos todos curtindo a valer na festa. Depois que a bandinha parou de tocar, fui falar com os caras da banda. Saber de onde eles eram e talz…
O vocalista da banda veio falar comigo e me falou que era do Rio de Janeiro. Foi trago de lá por alguém que queria que ele fizesse uma apresentação na Letônia e acabou que ele foi ficando… Nessa, ele já tava há mais de seis meses e não tinha a mínima vontade de voltar. O outro cara era estrangeiro, não lembro ao certo de onde. O terceiro, o que tocava só com as mãos era, surpresa, MARANHENSE!!!! Pombas, o cara era maranhense, brother!! Pô fiquei feliz pacas quando ele falou isso. Ele foi o primeiro maranhense que havia conhecido desde que havia começado a viajar. Pra falar a verdade ele acabou sendo o único (em Portugal eu conheci uma maranhense de Barra do Corda, mas não conta porque trocamos apenas algumas palavras…).

Os maranhenses
 
A galera em si era gente boa demais. Conheci um mineiro que era casado com uma letã (felicidade danada – ele dizia. Hehehe), uma paraibana casada com um letão (conheceram-se em Natal), dois cariocas que vieram pra jogar bola na Letônia (os caras são muito perna-de-pau, mané – eles falavam acerca dos letões) e por aí vai. Várias figurinhas que marcaram aquela minha noite pela Letônia e que infelizmente não consegui o contato de nenhum deles.

A paraibana
E o seu príncipe letão…
Depois de algumas horas resolvemos ir embora. Pegamos um táxi e já dentro do mesmo havia sugestões de onde você poderia ir caso se sentisse entediado.

O cara sem conseguir falar uma palavra em inglês tentando xavecar uma mina. Esse bicho era muito engraçado, brother…
 
Enfim, chegamos em casa eu e a Norueguesa e fomos nos preparar pra dormir. Ao entrarmos no quarto ocorreu algo que, esse sim, foi uma das noites mais engraçadas da minha vida, pode apostar que a presepada foi boa…

Comentário Comentados

1 – Luiz perguntou:

fala claudiomar. sempre li teu blog (desde a australia), mas nunca deixei recado. aproveitando que perguntaram sobre o seguro saude, gostaria de saber como fizeste com o comprovante de estada para entrar na europa, uma vez que utilizarias as maravilhas do CS?

abracos.

luiz


R – Boa Pergunta. Cara, eu não tive muitos problemas com isso na imigração não. Na verdade, na verdade, eu sempre imprimia o e-mail do cara que ia me hospedar com as indicações de como chegar na casa dele. Caso alguém na imigração me perguntasse (nunca me perguntaram) eu mostraria aquele e-mail. Acho que não teria como o oficial da imigração encrencar, pô, se o host tá te mostrando como chegar na casa dele, deve ficar bem claro que somos amigos e assim eu não precisaria explicar pro oficial da imigração o que é couchsurfing.com. Tem um post que eu cheguei a comentar isso. Se liga: http://claudiomar.blogspot.com/2009/04/saindo-da-india.html

2 – Fabiano Lima perguntou:

Estava um pouco ausente do Blog. Caracas, essa viagem não acaba meu irmão? E como foi o concurso? Já está gastando por conta?

3 – Maricotinha comentou:

Por 12 conto vc está perdoadíssimo!!! E gostei da idéia do Diego, de distribuir viagens aos leitores! Olha q eu sou leitora das antigas, hein!

R – Então, galera, o concurso ainda não rolou. A prova já está marcada. Vai ser dia 30 de agosto. Até lá, como já reiterei, peço paciência. Tá muito difícil conciliar o blog com o meu ritmo de estudos. Não vou poder escrever um post novo hoje porque daqui a dez minutos tou saindo. Pra fazer o que? Concurso! Anac! Mas esse é só pra teste! Só pra ir aquecendo! Até dia 30, o blog vai continuar nessa letargia aqui. Me doe no coração, mas tenho que deixar de mão várias coisas importantes para conseguir esse objetivo. Quando passar nesse concurso, juro que vou pra Ilha de Páscoa, heeheh. E sobre a pergunta do Fabiano. Essa viagem não termina nunca, cara! Juro que ainda não escrevi nem sobre a metade dela, hahahah. Só da Índia ainda tem mais umas duas semanas!!

4 – Anônimo comentou sobre o post passado:

É. Eu entendi o que vc quis dizer com INTENSAS trocas culturais em uma noite.


heuhehueuhehehuhe


R – Olha o bicho, rapaz!! Esses caras de mente poluída, hahahaha!

5 – Celso comentou:

hahaa

Depois dessa idéia do diego vim té comentar, não esqueça dos leitores antigos, eles tem prioridade [:P]


como anda teu amigo ‘macarrão’?? e a familia dele que foi te visitar vcs lá na austrália?


R – Como anda? Rapaz, o bichinho anda mal, coitado. Vai começar a enfrentar umas dificuldades financeiras. Passou em um concursinho besta aí. Um tal de diplomacia. Vai ser apenas diplomata. Coitado, tá mal que só o Parreira, sabe nem como vai gastar tanto dinheiro. heheeheh
Pra quem não sabe quem é Macarrão, ele é um grande amigo meu que viajou junto comigo à Austrália. Pra quem saber quem é o figura (ou o diplomata, como achar melhor), favor visitar o blog dele: http://jonasnaaustralia.blogspot.com/
Galera, vou indo!! Tenho que sair AGORA pro concurso senão perco a prova!
Abraços maranhenses

Trocando uma ideia com a host

Chegamos mais ou menos umas três da tarde em Riga. Como nossa host estava trabalhando, ficamos de nos encontrar às 18 horas na praça principal da cidade.

Comemos alguma coisa, aproveitamos pra trocar algum dinheiro e ficamos dando um rolê até o horário combinado. Quando foi às 18h, como combinado, nos encontramos e seguimos de ônibus para a casa de Iveta.

Casa da Iveta, bati foto do apartamento dela caso me perdesse 😛

Ao chegarmos à sua casa nos foi apresentado o quarto em que iríamos dormir. Tomamos um banho e depois fomos conversar com ela. Iveta era uma simpática letã na casa dos quarenta anos que trabalhava em uma empresa de alta tecnologia. Ela era um dos milhares de habitantes dos países bálticos que trabalham em empresas de ponta nórdicas que abrem fábricas no território báltico devido à proximidade com Noruega, Suécia e Finlândia, mão-de-obra qualificada disponível e salários ridiculamente mais baixos que os praticados na Escandinávia. Trocando em miúdos, Suécia e, principalmente, Finlândia investem pesadamente e mantém o crescimento da economia dos Bálticos. Ela falava um inglês muito bom, porque no passado havia sido tradutora. O que mais me marcou nela foi a intensa troca de culturas que tivemos nos poucos momentos que ficamos juntos (uma noite pra ser mais exato :P)

Iveta havia vivido o auge da cortina de ferro (pra quem não sabe o que foi a cortina de ferro, clicar aqui pra mais informações). Foi educada numa escola soviética em russo, aprendeu a língua letã apenas em casa, ainda assim em segredo, pois, segundo ela, era perigoso. Na escola, aprendeu que o capitalismo era o pior das modelos econômicos, pois as pessoas trabalhavam demais (não deixa de ser verdade :P), algumas vezes até 18 horas por dia e nunca podiam ser felizes, pois sempre trabalhavam pra enriquecer os donos das fábricas. Qualquer tipo de manifestação contra o governo era punida severamente e pessoas desapareciam constantemente. Basicamente tudo o que ela me falou está relacionado ao que sabemos do terror soviético, mas foi a primeira vez que pude conversar com alguém que realmente viveu aquilo, que presenciou e que se criou sobre uma ditadura. Foi muito interessante poder conversar com ela e ter cada pergunta pacientemente respondida.

Ela disse que foi muito engraçado quando a cortina de ferro caiu e as informações começaram a chegar à Letônia e ela pode descobrir que havia um mundo MUITO grande e diferente lá fora. No início ela até ficou com medo do capitalismo malvado que estava por chegar, mas fala que prefere mil vezes viver agora a viver em outra ditadura comunista outra vez.

Monumento à liberdade feito para comemorar a independência da Letônia à URSS

Ela me contou também que era praticamente impossível viajar para fora da União Soviética e impossível viajar para países fora da influência soviética, tais qual França ou Inglaterra. Um passaporte era uma burocracia absurda e eles vasculhavam a vida inteira da pessoa antes de conceder um para viajar para a Polônia, por exemplo. Apenas pessoas da mais alta burocracia, atletas e artistas conseguiam permissão para poder viajar para bem longe da cortina de ferro.

Ela contou que, apesar de tudo, sentia saudade de algumas coisas boas dos tempos de União Soviética. Primeiro ela fala que sente saudades principalmente das manifestações artísticas. Como naquele tempo a TV passava programas bem mais inteligentes e interessantes do que o lixo americano/europeu que chega às nossas casas todos os dias. Era um humor inteligente, ver TV naqueles tempos era realmente algo que engrandecia as pessoas e não apenas as emburrecia. Mas o mais interessante foi ela me contando como era viajar dentro da União Soviética:

– Era bem interessante viajar por dentro da federação. Não precisávamos de passaporte, vistos ou qualquer autorização especial. Bastava apenas pegar um trem e podíamos já estar em Moscou. Era como viajar dentro do mesmo país.

Exatamente isso, “era como viajar dentro do mesmo país”. Estranho, né? A gente aprendeu na escola que a União Soviética era um só país, mas para ela a Letônia sempre existiu. Foi como aquele letão/russo do post passado me falou “etnias são o eu importam”. Não importa se oficialmente a Letônia era parte da União Soviética, se alguém perguntasse de que país ela era a resposta sairia rápida: Letônia. Nunca na minha vida eu ia saber disso, na minha cabeça era todo mundo a mesma coisa! Pombas, mesma moeda, mesmo time de futebol, mesma língua oficial!! Chegávamos até a chamar os mesmos de “russos”, quando na verdade a Rússia era apenas uma das nações que faziam parte do imenso território soviético. Só pra lembrar, a “Rússia” de hoje tem como nome oficial “Federação Russa”, sendo, ainda hoje, a Rússia apenas uma das nações. Engraçado demais isso…

Por último ela me falou da incerteza de quanto tempo mais a Letônia ficará independente. Como é complicado você ser de um país pequeno incrustado entre grandes potências que traçam os seus planos, anexando ou deixando independentes os pequenos países segundo seus próprios interesses. Como apesar de toda esse falatório internacional acerca de auto-determinação dos povos, as grandes potências podem fazer o que querem e às pequenas nações só resta rezar a Deus. Como exemplo citou a Sérvia que perdeu parte do seu território (virou Kosovo) ou a Geórgia que levou um cacete dos Russos, perdeu 30% do território e tudo ficou por isso mesmo. Ela conta que até hoje sente um grande receio da Rússia.

Quanto você dá pela Geórgia? Cartaz espalhado pelas ruas de Riga, Letônia, fazendo alusão às grandes potências (Rússia e EUA), traçando o mundo à sua maneira. Foi colocada para estimular o debate acerca do tema que a Iveta falava comigo…

Lembrou-me até eu conversando com uma lituana sobre a invasão da Rússia na Geórgia:

– Cara, pode ter certeza, o próximo alvo da Rússia após a Geórgia vai ser um país báltico – ela me disse.

– Mas como assim, a Rússia não seria louca de invadir outro país – eu respondi.

– Não, hoje, mas isso é só uma questão de tempo. Primeiro a Geórgia, depois a Ucrânia e depois eles vem pra cima da gente de novo. Eles querem de volta o território perdido.

– Não, minha filha. Pode ficar despreocupada. Eu lhe dou 150% de certeza que a Rússia NUNCA faria isso.

– Por que não?

– Ora, por que não. A Lituânia hoje faz parte da União Européia e da OTAN. Um ataque a um país membro de uma dessas alianças é considerado como um ataque a toda aliança.

– Isso é o que você pensa, no primeiro momento que a Rússia atacar a gente, os europeus ou a OTAN vão falar assim “Ups, a Lituânia não é mais OTAN, podem fazer o que quiser com eles!”.

Seria cômico se não fosse trágico vê-la falando essas coisas. Imagina se uma aliança militar que é feita, dentre outros motivos, para proteger os países da aliança, ia simplesmente chutar um país membro assim. Além de ser uma grande humilhação para a aliança, ninguém iria querer fazer parte, afinal, se fizeram isso com os outros, farão com o seu país também.

Isso é só pra ilustrar o que é MEDO, cara! O pavor que a Rússia até hoje desperta no imaginário popular dos países bálticos e também dos países que um dia viveram as atrocidades de Stálin. Como as pessoas deixam até de pensar racionalmente frente a uma ameaça como essa se aproxima.

Enfim, depois de mais ou menos umas duas horas conversando com Iveta, fomos nos arrumar para pegar a balada em Riga.

Letônia

A Letônia faz parte dos países bálticos juntamente com a Lituânia e a Estônia, situando-se no meio das duas. A sua língua oficial é a Letã que guarda muita semelhança com o idioma lituano, mas é completamente diferente da língua estoniana (Esta absurdamente semelhante ao norueguês – dizia a norueguesa). Junto com o lituano, são as únicas duas línguas de raízes bálticas remanescentes na Europa. Engraçado que o nome do país em inglês é bem diferente da pronúncia que utilizamos nas línguas latinas, já que dizemos Letônia em português e Latvia em inglês. Pode parecer pouco, mas demorou um tempo pra eu descobrir que falávamos de um mesmo país quando conversava em inglês. Achava que estavam se referindo a uma outra cidade ou algo do tipo…

 

 

A sua moeda é o “Lats” que dentre outros motivos me deixou deveras impressionado com a valorização da mesma! Só pra vocês terem uma idéia do que falo, um dólar comprava apenas 50 centavos de Lats!! A moeda era mais valorizada que a libra inglesa! O que isso quer dizer, trocando em miúdos? Bem, quer dizer que a Letônia acabou sendo um dos países mais caros que visitei!! Algo parecido com a Suécia! Imagina, se um dólar compra 50 centavos, um real compra 20 centavos! E não havia nada lá que custasse menos que um Lat!! Coisa de louco!! O Jonas havia me pedido que trouxesse uma moeda de cada país pra ele. Eu sempre pegava de vários valores diferentes pra ele, mas o Lat não teve jeito, hehehe! Ficou só com uma mesmo e por que não deu pra trocar!! Moedazinha valorizada da égua, meu!

 

Yes, nós trocamos reais aqui!

 

A Letônia hoje é um país membro da OTAN e também da União Européia, mas nem sempre a vida foi fácil assim pra eles. A minha host, me explicou que a Letônia nunca havia sido independente de fato até 1991, data que o Império Soviético se esfacelou. Antes disso eles haviam saboreado um breve período de independência no período Entreguerras (1919 – 1939), mas foram logo tomados de volta pelos soviéticos, sendo obrigados a sentir o doce sabor de serem governados pela tirania de Stálin e dizimados pelos alemães nos períodos subseqüentes (os alemães mataram uma pancada de judeus na Letônia. Cinco por cento do país em números da época). Só pra vocês terem uma ideia do que estou falando, durantes cinco anos, os letões travaram uma guerra de guerrilha contra os nazistas. Em 1944, as tropas russas chegaram e impuseram uma grande derrota ao que restava do exército de Hitler. A Letônia foi tomada por uma euforia inicial, mas quando eles perceberam que as tropas de Stálin haviam chegado para ficar, os guerrilheiros letões chegaram ao cúmulo de se unir aos alemães nazistas para tentar expulsar os soviéticos. Como já sabemos o fim da história, isso não deu certo e, ambos, letões combatentes e alemães, foram dizimados.

 

O povo na Letônia é meio estranho, cara!! Eles se casam não com mulheres, mas sim com carros! Se bem que com uma Mercedes dessa eu casava fácil! Tem até nome de mulher já!

 

A economia da Letônia vinha indo bem, com uma das maiores taxas de crescimento da Europa, devido principalmente a investimentos externos diretos. Mas com a crise mundial e posterior retração do fluxo de capitais na economia internacional, a Letônia foi dos países que mais sofreram com a crise em toda Europa, com o seu PIB no primeiro trimestre de 2009 caindo TREZE por cento! A maior queda em toda zona do Euro.

 

 

São Luís? Ponte Bandeira Tribuzzi? Não, Riga mesmo 😛

 

Apesar do país se chamar Letônia, um em cada quatro habitantes são russos, falam russo e detêm passaporte russo. Mesmo que tenham nascido e crescido na Letônia, não se sentem letões e se orgulham de ser russos. A minha host havia me falado deles, mas eu fui ver o que ela realmente falava quando conheci um brother desses na Síria. O moleque tinha passaporte letoniano, mas se dizia russo e ficava realmente muito puto quando o chamávamos de letão!

– Mas você não nasceu na Letônia, cara?

– Sim!

– Então você é Letão!

– Não, eu não sou! Eu sou russo!! Não importa onde você nasceu, mas sim a etnia dos seus pais! Na Europa o que importa é o sangue que você tem!! É por isso que as pessoas ainda se matam por lá!

E realmente, a grande porcentagem de russos dentro da Letônia é motivo de cada vez mais choques com os letonianos. Para eles o passado e as atrocidades de Stálin ainda estão bem claros na memória e cada vez que uma estátua de Lênin ou uma “memória a um soldado russo morto lutando contra os nazista” é arrancada de uma praça, o pau costuma comer feio!

Noivo sendo carregado por amigos no meio da rua em Riga!

Chegando a Riga…

Entramos no carro e seguimos em direção à Riga, capital da Letônia.

Assim que o cara começou a dirigir, tentei ser simpático e puxar assunto:

– Poxa, cara, obrigado por estar levando a gente. Estávamos a algum tempo esperando por carona já e pá pá pá…

Depois de um tempo sem respostas que eu fui me tocar que os dois não falavam NADA de inglês! Os caras estavam dando carona pra gente não por que procuravam alguém pra conversar ou fazer companhia, como a maioria das caronas que peguei por aí, mas sim pelo simples e singelo prazer de ajudar mochileiros desesperados em tentar chegar a algum lugar.

Devido a isso, eu e a norueguesa aproveitamos pra descansar um pouco, já que estávamos exaustos da noite passada.

A viagem prosseguiu tranqüila, a única coisa que merece destaque foi só quando passamos pelas instalações abandonadas do antigo posto de fronteira entre a Lituânia e Letônia que hoje, devido a União Européia, não serve mais pra nada.

Assim que avistamos as placas de “Bem-vindo a Riga” não entendi o que, mas parecia que o casal tentava falar algo pra gente. Não deu pra compreender o que era, mas gesticulamos meio que dizendo “o que quer que seja, pra gente está tudo bem” e seguimos. Depois que fomos entender. Eles não iriam entrar na cidade. Fomos indo cada vez mais longe até a hora que paramos numa casa no meio de uma floresta de eucaliptos. Era a casa de campo deles!

Quando chegamos foi aquela cena típica de filme americano. Um carro entrando, um cachorro chamado Bob saindo de uma casinha amarela e uma cambada de crianças correndo pra abraçar o avô. A gente ficou meio que sem entender o que diabos tava rolando. Depois de um tempo ele falou com uma mina lá e ela veio explicar pra gente, em inglês fluente, que os avós delas não estavam com planos de irem pra Riga, mas iriam levar a gente pra lá. Ela explicou que, quando novos, os avós dela sempre viajavam de carona e devido a isso iriam quebrar esse galho pra gente, deixando a gente no centro da cidade.

Achei bem interessante e legal essa parada. A solidariedade entre duas gerações de mochileiros diferentes. O mesmo tipo de solidariedade que tenho com as pessoas quando as hospedo em minha casa.

O figura nos colocou em outro carro e começou a dirigir pra Riga. No caminho, através de gestos, ele falou que queria ligar pro hotel em que ficaríamos hospedados. Demos o telefone da Iveta e, através do seu celular, ele ligou pra ela e vimos que ele mudou de caminho. Não, o cara não estava satisfeito em apenas nos levar de Vilnius a Riga, ele ainda iria nos deixar NA PORTA DE CASA. Melhor que isso só pagando o nosso almoço.

Chegamos à casa de Iveta e o cara, não satisfeito, ainda nos ajudou a subir com algumas malas da norueguesa, hehehe.

Figura demais…

Conseguindo couch em Riga

Acabou que depois de toda aquela loucura que rolou na Lituânia, acabei esquecendo de falar pra vocês como foi que conseguimos um couch na Letônia.

Fui deixando pra última hora a missão de começar a pedir couch e quando foi dois dias antes de chegar à Riga, me toquei que estávamos sem ter onde dormir. Meio que me desesperei e saí mandando mensagem pra Deus e o mundo implorando às pessoas que alguém me concedesse um teto para poder ficar embaixo. Só pra vocês terem uma ideia, a mensagem tinha o título de “Salvem um pobre brasileiro”.

No outro dia, uma simpática letã nos ofereceu vaga em seu apartamento. Nos comunicamos e ficou tudo bem. O nome dela era Iveta e parecia ser um amor de pessoa.

Tou escrevendo isso pra vocês só pra demonstrar como o Couchsurfing.org é uma ferramenta poderosa. Dois dias antes, você pode estar sem lugar pra ficar, manda uma mensagem pedindo ajuda e momentos depois já consegue um lugar super-aprazível pra poder ficar. Deus, abençoe o couchsurfing!

É interessante como é fácil hoje ficar viajando por aí, cara! Com ferramentas como o Couchsurfing.org e solidariedade de gerações de mochileiros atrás o mundo fica pequeno demais. Chega até mesmo a caber dentro de uma mochila…

Param, param, param, param, param, parampampam!!

Galera, estávamos já no fim da festa. Quando achávamos que nada mais de novo iria acontecer (a não ser uma proposta de ir para uma casa de swing), surge uma mina com corações amarrados na cintura e mais louca que o batman se contorcendo feito uma lacraia! Veja com o que nos deparamos no meio do salão:

É amigo!! Tem gente que dança até o final!! Ainda mais com balões em forma de coração amarrados!!! Hehehe

Abraços maranhenses

E casa de swing, como foi?

Acordei pela manhã na febre pra saber o que havia acontecido, o que havia ocorrido na fatídica noite da ida ao swing. Procurei a norueguesa, a acordei e chamei pra sairmos logo. Quanto mais cedo saíssemos melhor seria pra poder conseguir pegar uma boa carona e conseguir chegar a Riga, capital da Letônia.

Ela levantou e enquanto tomávamos café não pude conter minha ansiedade de perguntar como havia sido a noite passada, o que realmente havia acontecido na casa de swing. Fiquei deveras ansioso pra poder saber todos os detalhes, não me contive e saí bombardeando a mina de perguntas:

– Então, como foi? Foi legal? Pegou quantos? E quantas? A putaria foi desenfreada mesmo?

Sabe o que ela respondeu?

– Não, Claudio, não ocorreu nada. Na hora que chegamos o lugar já estava fechando e não pudemos entrar. Apenas pegamos um táxi pra casa e viemos dormir.

Arf, não era o que eu estava esperando ouvir, mas enfim, pra mim tudo é festa.

Pegamos nossas coisas, nos despedimos do casal mais louco de toda a minha viagem e seguimos em direção ao final da cidade para poder esticarmos os braços e tentarmos de alguma maneira chegar até Riga.

No caminho, dentro do ônibus, ainda pude ver dois moleques BÊBAÇOS dormindo encostados em um banco. Não terminou muito e uma tiazona, com uma cara de uns sessenta anos, subiu no busão e pediu o tíquete deles. Como não podia deixar de ser, eles estavam sem e acabaram sendo multados. Ao contrário de como ocorreu comigo quando o tiozão veio bufando pedindo meu tíquete, com eles a tia foi até simpática.

Descemos do ônibus, andamos mais algumas centenas de metros e enfim chegamos ao final da cidade.


Com o braço esticado

Reparem que lá no fundo tem uma outra mina pedindo carona também…


Esticamos o braço e ficamos esperando alguém que nos levasse.

Galera, apesar daquela imagem romântica que a gente tem de pegar carona (o braço estendido, o vento batendo no cabelo, a sensação de liberdade sem fronteiras…) isso às vezes pode ser MUITO chato! Sério, os primeiros dez minutos são até engraçados. Depois de vinte minutos começa a cansar e meia hora depois você já está de saco cheio e começa a pensar na possibilidade de pegar um ônibus mesmo. Comigo não foi diferente.

Enfim, depois de meia hora, comecei a pensar em propor à norueguesa que fôssemos de busão mesmo pra Riga, já que era bem perto.

Passou uns cinco minutos e um carro parou ao meu lado. Dentro da caranga tinha uma cambada de loiro do olho azul de cabelo rastafári, fumando e escutando um reggae no melhor estilo “Maranhão Roots”. Eles pararam ao meu lado, mas assim que viram que estávamos em dois, os caras foram embora sem falar nada. Havia quatro no carro deles e, portanto, vaga pra só mais um. Apesar de ter sido por pouco, aquela parada tinha me dado um ânimo maior e empolguei de novo em pegar carona.

Depois de mais ou menos uns vinte minutos, um simpático casal de velhinhos parou ao nosso lado e nos ofereceu carona. Eles não falavam nada de inglês, mas mesmo assim, através de gestos, “falaram” para entrarmos no carro. Entramos no carro e seguimos, sem eira nem beira, com uma música de James Dean tocando na minha cabeça, em direção à Riga, onde muitas loucuras e presepadas me aguardavam…

Sugestões pro final do post passado

Leonardo Durans sugeriu:

Bicho, quero muito ler o próximo capítulo ;D

a) Ele perguntou se tu tinha dado em cima da mulher dele.

b) Ele saiu logo na porrada.

c) Ele chegou pra te beijar também.

d) nenhuma das anteriores.

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Daniel sugeriu:

“- Claudio, precisamos conversar…”
‘- Maluco, q historia eh essa de dar arroz afrodisiaco pra minha mina, deixar ela toda com vontade, e depois dar pra trás?’ E vai te socar a bota, dizer q tu eh viado..!

EASIUEHASIUEHASIUEHISAUHEIASUEH

Certeza que não deu foi nada!
mas em todo caso, tenho uma música pra vc tbm..:
‘Dói, um tapinha não dóóói..’
;D
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Logicamente todas erradas 😛
Pra quem não entendeu nada, favor checar o post E o dia Amanhece

Final da prosopopéia

Essa foi uma cerveja que me impressionou muito na Lituânia. Mistura de energético e cerveja vendido direto na garrafa. Bom, né?

Ao chegar à festa, assim como falei no post passado, Nedved chegou, me puxou pelo braço e falou que precisava falar comigo. O que se passou na minha cabeça? Uai o que vocês estão pensando também: – Acabou! Morri! Vou comer grama pela raiz! O cara vai me empalar aqui no meio da Lituânia.

Meu coração começou a bater forte e eu estava à espera da minha sentença capital. Ele disse:

– Claudio

Tum, Tum, Tum (dava pra ouvir as batidas do meu coração)

– A Riga

TUM TUM TUM TUM TUM

– Me contou de ontem à noite…

TTTTTTTTTTTTUUUUUUUUUUUUUUUMMMMM…

– Não cara, mas peraí, eu juro que eu não fiz nada! Não foi minha culpa! Sério, eu nunca iria provocar ela!! Mermão, eu juro!! Er… quer saber?? Eu nunca te falei isso, mas eu sou viado!! Isso, VIADO! Nem de mulher eu gosto!! Me caparam quando eu era criança! Eu não queria te falar isso, mas eu sou eunuco!! EUNUCO!! – eu desesperadamente clamava por piedade ao mesmo tempo em que começava a ver o chamado dos meus parentes mortos…

– Não, não, mermão, relaxa! Ela me contou tudo o que ocorreu! Não tem nada de errado. Eu tou ligado que você deve estar assustado com tudo que aconteceu, mas pode ficar de boa. Não há problema algum entre mim e ti. Eu e a Riga mantemos uma relação bem liberal e não haveria problema se algo ocorresse. Estou falando contigo só porque não queria que você ficasse assustado! Pode ficar tranqüilo que está tudo de boa. Toma aqui, bebe essa cerveja!

– Er… Ok! Obrigado!

Ãhn? Como assim? Acabou? Estou vivo? Com os quatro braços? Meu coração ainda está batendo? Obrigado, senhor, por ter piedade de mim!

Pois é, amigo, mas foi isso mesmo. Nada ocorreu. A mina simplesmente queria me pegar e o marido dela não ia encanar com nada. Simples assim…

Após de todo esse aperreio, apenas curtimos a balada. O local era bem agradável e ainda conheci uma galera de Portugal que estava fazendo intercâmbio pelo Eramus.



Assim que cheguei na Lituânia, umas das primeiras fotos que bati foi desse muro pichado escrito “All Cops are Bastards” (todos os policiais são bastardos). Achei engraçado e resolvi bater a foto imaginando que isso devia ser um lema de algum grupo anarquista ou algo do tipo.

Depois descobri que a parada é tipo um lema da galera que gosta de sair à noite e encher a cara. Quando olhei essa tatuagem no braço desse lituano que foi sair com a gente perguntei pra ele o que significava aquelas iniciais. Eles disse: “All Children Are Beautiful” (todas as crianças são lindas). Logicamente eu desconfiei do que era e só posteriormente liguei as iniciais à pichação que havia visto ao chegar em Vilnius



No final, ainda haveria mais uma surpresa


Quando começamos a sair da balada, umas três da manhã, reunimos a galera pra poder ir embora. Pensa que o casal queria ir? Nada…

Depois de um “ataque lituano”, passar o dia inteiro com as costas viradas pra parede temendo pela minha vida e no final sair vivo dessa história toda a gente já começa a achar que nada mais pode ocorrer, correto? Pois é, a noite ainda me aguardava surpresas, meu amigo… Por incrível que pareça!

Mermão, os caras propuseram uma parada massa pra gente. O que vocês acham que foi? Alguém quer chutar? Um cinema? Uma missa? Uma padaria? É bom, né? Tomar um Nescau assim, depois da balada sempre deve fazer bem. Não, claro que não! Eles basicamente propuseram ir para UMA CASA DE SWING! Sim, nos convidaram a ir para uma casa de swing. Mas com uma naturalidade de quem convida pra ir visitar a avó! E eu preocupado com a mulher do cara querendo me beijar…



Achada na balada… Cachaça brasileira...

LOGICAMENTE não aceitei, até porque aí já era MUITA putaria pra mim, meu amigo! Pelamordedeus! Eu tenho valores, e putaria generalizada não é uma parada que me deixe lá tão empolgado! Além disso, teria que acordar cedo no outro dia para poder pegar carona pra Letônia.

Dei uma de “pega-nínguem” e resolvi pegar um táxi para casa. Deixei o casal maluco e a norueguesa lésbica se divertirem por lá e segui o meu caminho pro apartamento pra dormir.

Acordei pela manhã com as malas prontas e, claro, ávido por notícias de como havia sido a noite deles nessa bendita casa de swing. Uma coisa era certa, o potencial para história loucas de um casal maluco e uma lésbica norueguesa em uma casa de swing não deveria ser baixo…

Mas isso são cenas para o próximo capítulo do blog que, como dizia Leo Durans, tá cada dia mais parecendo uma novela, hahahahaha.

Acima alguns comentários de como a história da “conversa com o cara” ia acabar…