Hospedagem em Goa – Meu couch

Eu acho que a galera já se acostumou a perceber isso e eu também adoro enfatizar, mas os couchs onde fico hospedado quando viajo são, sem sombra de dúvidas, uma das partes mais interessantes da viagem.
Goa foi um dos poucos lugares na Índia onde consegui um couch pelo Couchsurfing (os outros foram Mumbai e Deli). O interessante sobre esse couch foi que ele já começou de uma maneira engraçada. Quando estava em Jaipur e decidi, de uma hora pra outra, ir para Goa, resolvi logo começar a procurar um couch pra mim. Como eu faria isso? Ah cara, não seria tão difícil assim, pois, na minha modesta cabecinha, Goa era uma cidade indiana rica e com muitas pessoas, logo seria fácil conseguir um couch.
Quando comecei a procurar um lugar pra ficar por lá, o choque: Goa não era uma cidade, mas sim um estado!!! Valeu, velho, já é difícil alguém saber que uma parte da Índia foi colonizada pelos portugueses! Pô, daí querer que eu saiba que Goa era um estado já um pouco demais, não? Mas enfim, pra mim tudo é festa! Pense bem, se antes, quando eu achava que Goa era uma cidade, eu já achava que seria fácil achar um couch, imagina agora que eu descobrira que Goa era um ESTADO!! Uau! Melhor ainda! Saí no lucro! Pô, cara, mas é sério, eu realmente achava que Goa era uma cidade, sabe por quê? Simples! Pô, o negocinho lá é MUIITOO pequenino (sem trocadilhos, por favor). Parece uma cidadezinha de nada quando você olha no mapa. Por isso nem me preocupei em escolher uma única cidade pra tentar um lugar pra ficar em Goa (no caso, Panaji, a cidade com melhor localização pros prédios de arquitetura portuguesa situados no estado). Saí tentando pra tudo que foi lugar! Parecia tudo tão pertinho…

Acha Goa aí, Tigrão

Eis que de umas poucas dezenas de pessoas, um LOUCO, no MEIO DO NADA, aceitou me hospedar pelo período escolhido por mim. Lembro até hoje o nome da cidade daquele maluco, Patnem, situada na parte sul de Goa (Panaji fica na parte norte). Olhei no mapa e vi que a distância de Patnem pra Panaji parecia irrisória, logo, na minha cabeça, seria fácil ficar hospedado em Patnem, pegar um busão pra Panaji, passar o dia em Panaji e regressar pra Patnem pra poder dormir. Então, quis nem saber. Mochila nas costas e fui direto pra Patnem.

Patnem – Goa

Desci na estação ferroviária de Margao e lá já comecei a me relembrar o que é viajar na Índia. Neste país, cara, viajar 100 km é quase como viajar 500 km aqui no Brasil. Apesar de Patnem ser apenas a 70 km de Margao, havia apenas dois ônibus por dia descendo pra aquela direção e demoravam quase duas horas e meia! Ainda por cima tive que esperar por mais ou menos uma hora na estação antes de, definitivamente, descer pra Patnem.
E lá fui eu. Ônibus como sempre socado de gente dentro e eu lá que nem uma lata de sardinha. Fui indo, indo, indo… Rapaz, mas parecia que quanto mais o ônibus viajava, mais e mais eu ficava longe da civilização. Quanto mais viajávamos, mais as casas rareavam e mais aparecia planta pra tudo que era lado. Com medo de estar indo para o lugar errado, falei mais uma vez com o motorista e ele me confirmou que aquele ônibus iria para Patnem.
Rapaz, qual não foi minha surpresa quando o ônibus para em uma trivela no MEIO DO NADA com mato pra tudo que era lado e manda eu descer. No começo eu achei até que fosse sacanagem do motorista, pois, caramba, cara, não tinha NADA de um lado nem do outro. Parecia até com esse cruzamento que bati foto quando estava em Fiji (claro, sem os carros, sem as pessoas e sem as placas).
Desci do ônibus com minhas mochilas, olhei pra um lado, olhei pro outro e fiquei sem entender nada. Qual o pensamento que vem na cabeça do cidadão uma hora dessas? “F*deu! O que eu faço agora?”.
Fiquei uns dez minutos pensando no que iria fazer naquela situação. Procurava um orelhão ou qualquer coisa que pudesse me ajudar a achar a casa do figura. Eis que do nada, lááá de longe, vem um tiozão numa bicicleta amarela toda enferrujada, pedalando na maior calma do mundo enquanto mastigava um pedaço de graveto. Aquele típico estereótipo de matuto do Brasil. Quando ele me viu, ele franziu a testa e ficou me olhando com uma certa curiosidade enquanto fazia uma cara do tipo “que p*rra é essa? Um forasteiro por essas bandas?”. Quando ele veio chegando perto de mim, tentei falar num inglês no melhor estilo “Mim Claudiomar, you Jane!” perguntando a se ele por um acaso ele saberia aonde morava um francês, chamado Martin, por aquelas bandas.
O tiozão, claro, não entendeu alho nem bugalho. Depois de algum tempo, eu fazendo as mímicas mais malucas possíveis (imagina você tentar explicar através de mímicas algo do tipo “procuro um francês, você sabe onde ele mora?), o cara parece que entendeu algo e me falou pra segui-lo. Comecei a seguir o cidadão e depois de uns dez minutos chegamos em uma pequena vila, algo parecido com aqueles povoados que encontramos em beiras de estrada no Brasil. Aqueles pequeninos mesmo! Vinte casas, uma praça, uma agência do Banco do Brasil e um templo da Igreja Universal que serve, dentre outras funções, pra mover a economia do povoado. Começamos a caminhar no povoado e ele me apontou uma casa e falou que era pra eu bater lá.
Fiquei imaginando que poderia ser um hotelzinho ou até, sei lá, uma local de tortura de mochileiros no melhor estilo “Hostel”, mas não. Bati a porta com um certo receio (pô, cara, imagina, eu tava no MEIO DO NADA, NA ÍNDIA e tava batendo na porta de um completo estranho). Qual não foi minha surpresa quando a porta se abre e de lá de dentro emerge um francês! O tiozão tinha me levado diretamente na casa do Martin! Detalhe, cara! Nós não conseguimos conversar nada entre nós dois, ele não entendeu nada do que eu disse tampouco eu entendi coisa alguma. Engraçado que na cabecinha dele ele pensou assim: “Forasteiros sempre devem procurar forasteiros!”. Depois conversando com o Martin, ele me falou que era sempre assim. Sempre que saía um gringo de dentro de um ônibus e parecia não saber pra onde ir, o povo da vila pegava o cara e jogava lá dentro da casa dele! Blz, dessa vez deu certo, porque eu era do couchsurfing e realmente estava o procurando, mas ele me falou que diversas vezes os caras já pegaram mochileiros, que nada tinham a ver com o couchsurfing, perdidos por lá e levaram lá pra casa do Martin sem o cidadão entender patavinas porque um cidadão daquele tava chegando lá.

Martin, um francês perdido no meio do nada

Assim que o cidadão me acolheu na casa dele começamos a conversar. Cara, o Martin era um cara muito louco. O cara era um francês morando numa vila NO MEIO DO NADA! Fiquei até surpreso com o figura ter eletricidade na casa dele.
A história do cara era muito louca! Ele trabalhou por muito tempo na França como executivo. Não sei se vocês tão ligados, mas na minha opinião se tem algum povo que não gosta de trabalhar são os franceses! Os caras tem uma carga horária de apenas 36 horas por semana, pelo menos cinco semanas de férias e ainda por cima vivem fazendo greve! Então imagina como devia ser feliz um francês que trabalhava como executivo! Pois é, ele não era! Diz ele que depois de uma semana que ele trabalhou próximo de CEM HORAS praticamente ininterruptas, às vezes voltando pra casa só pra dormir, às vezes dormindo no escritório mesmo, ele tacou o botãozinho do “f*da-se” e se mudou de mala e cuia pra Tailândia. Decidiu que iria ficar por lá pelo menos uns três meses até ver o que iria fazer da vida.
Desceu na ilha de Ko Phangan, (ilha que até comentei nesse post aqui) e resolveu ficar por lá. Dizendo o bicho que ele alugou um bangalô lá de frente pro mar (parecido com um que aluguei em Ko Tao), apenas com acesso a internet e ficou loucamente, durante dois meses, procurando algum tipo de trabalho que ele pudesse fazer apenas pela internet.
Diz o bicho que ele fuçou, fuçou, fuçou até que uma hora ele achou uma vaga pra trabalhar como assistente de modelagem do site do PETA!! Pra quem não sabe o que é o PETA, é uma organização de defesa dos animais só que muito, mas MUITO mais extremista do que a WWF ou o Greenpeace. Os bichos chegam até a organizar atentados terroristas pra poder chamar a atenção e os seus protestos sempre são os mais loucos que vocês podem imaginar, como este aqui! Trocando em miúdos, ele me falou que não tinha muita opção e acabou aceitando o emprego já que ele poderia trabalhar dentro do bangalô de frente pro mar e a grana era boa.
Depois de algum tempo ele acabou tendo problemas com o visto e teve que deixar a Tailândia. Dentre as várias possibilidades que analisou, a Índia pareceu ser a mais vantajosa (o visto dele era de seis meses renovável o tanto que quisesse) e por isso ele se mudou pra Goa. Resultado? Hoje o cara mora numa vila de pescadores e trabalha ganhando um salário que mais ou menos 90% dos brasileiros não devem ganhar!

Parte logo atrás da casa dele

 

A vida do cara se resume no seguinte. De manhã ele acorda cedo e vai nadar na praia pra se exercitar. Nada por mais ou menos uma ou duas horas numa praia DESERTA e na volta passa na mercearia pra poder comprar legumes frescos colhidos a alguns metros de onde mora. Faz o almoço dele totalmente vegetariano (pô, cumpade! O cara trabalha PRO PETA! No começo ele falou que nem era vegetariano, mas depois de tanto tempo vendo as propagandas dos bichos, ele acabou virando. Na casa dele hoje não entra nenhum pedaço de carne. Azar meu que fiquei comendo capim o tempo todo!) e começa a trabalhar. Trabalha por umas cinco, seis horas e depois vai nadar mais um pouco porque ninguém é de ferro. Quando anoitece, ele sai de casa e fica conversando horas a fio com os pescadores ou com os couchsurfers que ele sempre tem em sua casa. Isso dia após dia. Um dia atrás do outro todos iguais por toda a eternidade.

Parte da frente da casa dele

 

Conversando com esse cara lembrei dos meus diversos amigos que trabalham em São Paulo. Acordam cedo, pegam um engarrafamento de uma hora pra chegar no trabalho. Chegam no ambiente de trabalho com o chefe já gritando que quer mais rendimento. Todo mundo estressado. O cara se sente um lixo, sai do trabalho e vai direto pro curso. Quando é de noite, acabado, volta pra casa, mas atento durante todo o caminho com medo de ter o carro roubado ou levar um pipoco de graça. E assim são as nossas vidas, dia após dia. Um dia atrás do outro, todos iguais por toda a eternidade.
É sério, cara, quando falo que viajando e conversando com outras pessoas percebemos que a nossa vida é um grande nada, as pessoas não acreditam, mas é verdade! Às vezes ficamos tão fissurados no que fazemos mesmo a contra-gosto que nos esquecemos que às vezes dificultamos as nossas vidas a troco de nada. Martim me ensinou muito, cara! Assim como os neo-hippies que conheci em Deli e que falei nesse post aqui.
Ele até tentou me convencer a virar vegetariano que nem ele, me mostrando aqueles vídeos do PETA de animais sendo torturados para virarem bifes.
Não precisa dizer que ele não me convenceu, né? Tá louco, viver sem um bife não dá, cara!
Sim, ele me colocou pra assistir uma castração de boi também, cara! Só que, ao contrário desta em que o boi claramente está anestesiado, a que ele me mostrou o boi foi castrado SEM ANESTESIA! Mermão, cê tinha que ver como o boi gritava! Uma coisa impressionante!! Aquilo me chocou tanto que eu resolvi até mudar meus atos. A partir de hoje eu só como carne de vaca! Carne de boi nunca mais, hehehe
Louco demais o cara! Grande aprendizado nesse couch…

Post de hoje – Chegamos a 100.000 acessos!!

Galera, eu supostamente deveria postar hoje.

Pra falar a verdade eu até já comecei a escrever sobre como foi meu couch em Goa, mas sério, tou muito cansado pra poder terminar. Entre fazer um texto mal-feito e não fazer, achei melhor postergar pra amanhã. Amanhã pela tarde ou pela noite prometo que posto sobre o couch em Goa… Não percam, vai ser interessante e até certo ponto engraçado, podem confiar.

Pra não deixar vocês de mão abanando, repasso o post que meu pai fez no blog dele (sim, meu amigo, na minha família TODO MUNDO tem blog, meu pai, meu irmão Claudio Augusto e meu irmão Caio :P). O post tem como título “Um número formidável” e faz referência ao meu blog que acabou de passar a barreira dos 100.000 acessos!

“Cem mil é um número respeitável. Esta semana o blog do meu filho mais velho, Claudiomar Rolim Filho, O MUNDO NUMA MOCHILA, ultrapassou este número mágico em número de acessos.

Dele começou a história dos blogs da família. Eu até impus que ele na sua primeira viagem á Austrália em 2005/2006 escrevesse diariamente a fantástica experiência. E foi um sucesso. Ao terminar o curso de Relações Internacionais na Universidade de Brasília, ele me apresentou um projeto de uma viagem bem mais ousada, uma volta ao mundo por um período de um ano. Concordei, até porque a minha participação financeira não seria tão dispendiosa, já que arcaria com uma parte somente adjetiva das despesas, ele já conhecia o programa CouchSurfing e outras coisas que barateavam estupidamente a viagem.

Bom hoje o seu blog é sucesso e para quem é aficionado à viagens é uma referência, já conta com patrocinadores até.”

Sempre que vocês tiverem um tempinho, dêem (vem cá, esse assento ^ em dêem, foi recepcioonado ou cortaram ele nessa reforma ortográfica maluca?) uma passada, o blog dele é deveras interessante e sempre tem algum “causo” dos tempos em que ele morava no sertão da Paraíba. É uma imersão antropológica legal 🙂

http://fnorronha.blogspot.com/2009/03/um-numero-formidavel.html

É isso aí, galera! O blog chegou a 100.000 acessos!!! Vamo que vamo!! Tá certo que o “Jacaré Banguela” consegue isso em uma semana, mas vamos chegar lá! Agradecimentos a todos vocês que entram, lêem, fazem propaganda para os amigos e, principalmente, COMENTAM! Sim, os comentários são o motor do blog 🙂 Eles me fazem perceber que realmente tou agradando e que realmente existem pessoas lendo o blog! E não há nada melhor do que escrever e ao mesmo tempo trocar umas ideias (ideia perdeu o assento na correção ortográfica! Tá vendo? Esse blog também é cultura!) com nossos amigos que possuem paciencia para ler o meu blog 🙂

É isso aí, rumo ao um milhão de acessos agora!

Abraços maranhenses

Saí no IG novamente – Reportagem sobre formas alternativas de viagem

Aí galera, mais uma participação do blog http://www.omundonumamochila.com na imprensa internética!!

Dessa vez saí no caderno de turismo do IG falando acerca da minha experiência no couchsurfing.com. É interessante a matéria porque ela fala de outras maneiras de viajar barato por aí além do couchsurfing:

“Se suas economias não permitem ficar em um hotel, se você quer mais conforto que um albergue ou se, simplesmente, deseja vivenciar o país como os residentes de lá, ficar em casa, longe da sua casa, pode ser a solução ideal para você!

CouchSurfing

Agora, se você tem espírito aventureiro e pretende viajar para diferentes países e cidades, há outra forma de conhecer o mundo além de ficar em albergues e hotéis. Já pensou em dormir no sofá de alguém por lá? A ideia pode parecer desconfortante para alguns, mas, para outros, é uma grande oportunidade de fazer uma viagem única, diferente das oferecidas por agências de viagens ou guias turísticos.

Febre entre os mochileiros, existem hoje mais de 1 milhão de “surfistas de sofá” cadastrados na rede de relacionamentos CouchSurfing, a mais popular do gênero. Criada em 2004, a comunidade possibilita o contato entre viajantes em busca de um lugar para ficar e pessoas dispostas a receber. E os hóspedes oferecem de tudo. Desde um lugar no chão da sala, um sofá, até uma ampla suíte. Ah, e sem cobrar nada por isso. “

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Goa

“Claudiomar, qual foi o seu país preferido dentre todos que visitaste?”. É difícil não ouvir essa pergunta quando estou a falar da minha viagem de volta ao mundo para amigos. Como sabia que essa pergunta iria me perseguir assim que pisasse em terras brasileiras aproveitei as minhas longas oito horas de voo entre Lisboa e Brasília para já ir pensando nisso.
Qual seria o meu país preferido? Suécia com suas suecas quentes (uuhh)? Não… República Tcheca com suas tchecas ardentes (aaahhh)? Também não… Polônia com suas polacas fogosas (Ah, Pôlonia…)? Er, talvez… Várias foram as alternativas, mas no final acabei vendo que, assim como já havia dito no blog, a Índia foi de longe o meu país preferido. Nenhum país sequer chegou perto do tanto de presepadas e loucuras que ocorreram comigo como a Índia. Vivi e viajei tão intensamente durante um mês e meio na Índia que costumo classificar o meu voo de saída de Deli e ida à Suécia como o “início do fim da minha viagem”… Sim, cara! Curti mesmo a Índia…

“Mas a Índia é um país imenso, certo? Você viajou por dezenas de cidades por lá. Então, de todos os lugares que estiveste, qual foi a sua cidade/região, preferida?” sempre tem um que pergunta. Sem sombra de dúvidas, Goa. Por quê? Cara, viajar à Goa é como entrar em uma outra dimensão, uma outra realidade totalmente diferente de tudo o que você já estava acostumado na Índia! Sério mesmo! Goa é algo MUITO diferente e quando cheguei por lá não acreditei no que via.


Pra começo de conversa, tudo funciona em Goa. As pessoas são educadas, o índice de “faladores de inglês” (tradução livre de english speakers) é muito alto (semelhante ao de Mumbai), as ruas são limpas e etc. Por que isso tudo? Não demorou muito pra eu descobrir. Goa possui o maior PIB per capita e Índice de Desenvolvimento Humano da Índia, sendo o turismo o carro chefe de sua economia. Goa é o estado indiano mais desenvolvido, seria algo como o nosso Distrito Federal: pequeno, com alta qualidade de vida e aquele sentimento de “não estou no Brasil”.

Goa também tem uma história muito parecida e conexa com a nossa. As viagens às Índias que levaram ao descobrimento do Brasil seguiam para locais próximos a Goa, mas foi nessa região que Portugal construiu o seu império, a “Índia Portuguesa”, o qual só voltou ao controle de fato da Índia no ano de 1961, apesar de Portugal reconhecer a “independência” apenas em 1974 na Revolução dos Cravos. A influência arquitetônica portuguesa é tão flagrante que caminhar pelas cidades de Goa é como dar uma volta num domingo a tarde na mais-do-que-bela São Luís.

Saca só a semelhança incrível, cara!! Os azulejos acima são de São Luís. Os azulejos abaixo são de GoaMas o fator principal e louco que faz Goa ser conhecida e famosa no mundo inteiro é o seu estilo de música eletrônica, o “Goa Trance”, surgido devido ao ambiente “relax” e cheio de viajantes da região. Uma cambada de gente desce pra Goa pros seus festivais onde a galera costuma fritar noites a fio no meio da praia, um programa imperdível que só não pude acompanhar porque fui na época chuvosa, quando ninguém mais está por lá.

Alguém se arrisca a dizer quais dessas fotos são em São Luís e quais são em Goa?

 

Mas nem tudo hoje é flores pra galera “fritadeira”. Alguns amigos que conheci em Goa me falaram que a grande bagunça e o barulho ensurdecedor das festas, fez com que o governo tivesse uma fiscalização maior e dificultasse cada vez mais a concessão de alvarás, afinal, pessoas normais também vivem Goa e não aguentavam mais tanta piração.
A solução que acharam? Fácil, algumas raves em Goa hoje são com fones de ouvido 🙂 Sim, com fone de ouvido! Você paga o ingresso, o cara te dá tipo um radinho com a frequência que o Dee Jay tá tocando e você vai lá, pirar ao show das luzes e dos “performers” tal qual em qualquer rave pelo mundo. Um brother meu que foi numa dessas festas me disse que é MUITO engraçado! Uma galera se retorcendo, pirando e pulando! Quando você tira o fone do ouvido e começa a observá-los, diz que eles parecem um bando de louco tendo ataque epilético no meio d’água. Loucura demais 😛 Pra vocês não acharem que isso é conversa de blogueiro louco, posto uma foto de uma dessas baladas e o link para os mais interessados 🙂
Só pra vocês terem uma ideia de como é viajar pra Goa, todo mundo na Índia me perguntava:
– Uai, Claudio, você é louco? Pra que diabos você vai pra Goa agora? As festas de Trance não estão mais rolando, as baladas são inexistentes e chove dia após dia, logo você não pode ir pra praia.
– Cara, tou indo pra Goa porque sou muito interessado em história portuguesa que, em si, é quase que história do Brasil. Goa também tem uma arquitetura portuguesa bem interessante e preservada. Por isso, pra mim, na verdade, é bem melhor ir a Goa durante esta época que ninguém está por lá, logo tudo será mais barato, do que ir em alta temporada, que deve ser uma loucura. Além do mais, moro num dos países com maiores extensões costeiras do mundo, logo, praia, não é uma novidade muito grande.
– Ah é? Quer dizer que Goa foi colonizada pelos portugueses, é?
Hahahaha. De todas as pessoas que eu ouvi falar que estavam a caminho de Goa, eu fui o único abestado que estava indo para ver arquitetura. O resto da galera, como falei, vai pra lá é pra fritar ou pra ficar deitado na praia pegando sol. Depois eu não sei porque tem gente que me chama de “peganínguem”.

Pingo nos "is"

Gente, eu ia já postar sobre Goa, mas antes disso acho que seria legal se eu pudesse esclarecer algo a vocês:

1 – Várias pessoas já me reclamaram acerca disso e vou deixar bem claro o que acho. Gente, assim como vários de vocês estão de saco cheio de ler sobre a Índia eu também já tou de SACO CHEIO de escrever sobre a mesma. Eu não vejo a hora de começar a escrever sobre as presepadas da Europa e do Oriente Médio. Devido a isso, pensei num plano meio que mirabolante. Não, eu não vou deixar de escrever sobre a Índia. Na minha opinião a parte mais interessante da Índia seria agora. Começaria a escrever sobre a Índia portuguesa (Goa), a Índia Sikh (Punjab) e a Índia tibetana (sim, o governo tibetano no exílio fica na Índia). Não posso deixar de escrever sobre essas particularidades, porque, realmente, essa Índia “não-indiana” ou os vários “países dentro da Índia” realmente me fascinaram. Então, o que irei fazer? Tcharam!! Decidi que vou escrever apenas sobre Goa e pularei DIRETO para a Suécia (suecas quentes, uuhhh), deixando para escrever sobre o Norte da Índia num momento posterior (estou pensando em voltar a escrever sobre o Norte da Índia assim que eu “sair” pela primeira vez da Europa). O que vocês acham? Estou acatando sugestões.
2 – Não sei se a galera ainda se lembra da metodologia que sigo aqui no blog, por isso vou dar uma repetida como funciona. Galera, estou adotando uma metodologia mais ou menos assim:
a) Um dia posto um texto corrido com fotos e a narração de parte da viagem. Uma postagem normal, enfim.
b) No dia seguinte, para não deixar sem post, geralmente posto alguma coisa que achei interessante pela internet. Uma análise jornalística, uma charge, um vídeo engraçado, uma foto besta e por aí vai.
c) No terceiro dia, posto um vídeo que fiz sobre o lugar que estou escrevendo ou, caso não tenha vídeo, novo post.
d) Quarto dia, mais um dia de intervalo, mais alguma postagem relacionada a um fato interessante que achei pela internet.
e) Quinto dia, texto corrido e tudo recomeça.
Por que estou escrevendo isso? Pra deixar claro e assim vocês poderem ver que tento manter uma certa ordem por aqui.
Não sei, às vezes acho que a galera não entende direito como eu tou fazendo e pode ficar chateada. Vi alguns comentários de pessoas reclamando bastante acerca dos posts relacionados a política. Cara, só pra deixar a galera por dentro. Eu posto sobre política porque eu curto demais sobre isso, saca? Quando leio algo interessante ou que me deixa muito revoltado, na minha opinião, não há nada mais legítimo do que expressar minha concordância ou discordância por meio do blog, entende? O que mais me atrai nessa imensa blogosfera é a possibilidade de poder expressar pro maior número de pessoas aquilo que você sente e acha. Além disso, bom mais uma vez reiterar, apenas escrevo sobre isso durante o “intervalo” entre as postagens. 😛
3 – Por último. Brother, várias pessoas fazem perguntas na parte dos comentários. Eu às vezes fico agoniado sem saber como responder. A partir de hoje, vou deixar claro. Amigos que fizerem perguntas na parte de comentários, chequem mais tarde! Elas serão respondidas por lá.
Ufa, acho que é só isso. Ainda estou aberto ao diálogo, amigos. Qualquer coisa é só comentar.
Pra não deixar sem nada, posto esse video do grande Josymar, “o surfista de Brasília!”. O mais novo herói da cidade.
Meu amigo, o vídeo é longo, mas vale a pena, viu?? Mermão, eu ri MUITO com as presepadas desse louco pela Brasília inundada!
 
Abraços maranhenses

"Recall" do post passado

Galera, acabei esquecendo de postar um videozinho rápido que fiz em Mumbai. Foi uma cena que achei engraçada e não pude deixar de fazer a metáfora 🙂



Além disso, esqueci de postar uma foto interessante que bati enquanto visitava a casa de um amigo em Mumbai. A mãe dele, mais do que solícita, ao ver que havia um estrangeiro em sua casa, preparou uma típica refeição indiana. Fiquei curioso pra saber o que viria pra eu comer e qual não foi a minha surpresa quando vi que ela preparou algo como um risoto. Comi satisfeito até descobrir o nome que o tal prato era chamado… Curioso? Cara, acredita que aquele pratinho chama-se… chama-se POHA?? Sim, POHA, Poha com o “H” tendo som de “RR”.
Mermão, na hora que ela me falou o nome do prato eu me danei a rir. E ela perguntava:
– O que foi, meu filho, não gostou da “Poha”?
– O que tem de tão engraçado na “Poha”?
E cada vez que ela falava “Poha” eu me urinava de rir… Hahahaha. Cara, imagina aquela situação, uma senhora de idade falando pra você comer uma “Poha”? Tem piadinhas de duplo sentido que só a Índia pode fazer pra você…

Perambulando por Mumbai

1 – O metrô
Mumbai foi uma cidade que desde o começo me fez perceber que me encontrava em uma realidade totalmente diferente da Índia. Assim que liguei pro Mervin (indiano que me hospedou em Mumbai e que, dentre outras curiosidades, estava hospedando há mais de três meses uma alemã que tentava carreira em Bollywood), pedi detalhes para ele de como poderia chegar em sua casa. Como de praxe, achava que ele iria me explicar como pegar um táxi pra casa dele. Qual não foi minha surpresa quando ele falou que eu deveria pegar um metrô e, só depois disso, pegar um táxi. Ãhn? Pegar transporte coletivo em uma cidade na Índia? Como assim? Pô, táxi era mais fácil! Precisava ser murrinha não! Eu podia pegar um táxi!
Depois que eu fui me tocar. Mumbai é uma das MAIORES cidades do mundo. Logo, seria inviável eu pegar um táxi pra ir pra casa do figura (imagina descer em Guarulhos e pegar um táxi pro centro da cidade de São Paulo?).
“PCC” “contratando” pessoas em Mumbai
 
Tudo bem, pra mim tudo é festa! A própria estação onde o meu trem proveniente de Jaipur parou era, ao mesmo tempo, interestadual e intermunicipal. Poderia pegar o trem da estação diretamente para o bairro do meu host. Assim que saí do setor interestadual e entrei no setor intermunicipal, pude ter o primeiro contato com os já lendários trens de Mumbai.
Meu amigo, aquilo parece cena de outro mundo! Cara, eu nunca andei num metrô em São Paulo durante a hora de pico, mas se for pior do que aquilo que vi em Mumbai, será de um nível de insalubridade inimaginável para mim. Mermão, é gente viajando em pé, um por cima dos outros, cara viajando agarrado na janela! Coisa de LOUCO!! Se liga só nesse vídeo abaixo, de como neguinho chega a viajar e o que acontece de vez em quando…
Na hora que o trem para então… Bicho, como a parada é insana! Não tem lugar pra todo mundo e é praticamente impossível se mover dentro do trem! Todo mundo começa a empurrar todo mundo, os que estão querendo sair começam a puxar seu braço(não dá pra falar assim “senhor, por favor, você pode me dar licença? É a minha estação) e, principalmente, os que estão querendo entrar empurram os que querem sair, pois se eles não “se jogarem” pra dentro do trem, eles ficam na estação.
A parada é tão insana, que eu cheguei uma vez foi a viajar num dos compartimentos de bagagem do trem…
Compartilhamento de bagagem do trem que cheguei a viajar por não ter mais espaço
 
Então é aquela loucura! Imagina a cena: o trem lotado (de um jeito que você não consegue nem mexer o braço) umas cinquenta pessoas querendo sair, umas setenta querendo entrar E TODO MUNDO AO MESMO TEMPO! Cara, duas ou três vezes, vi carinhas saindo na mão por causa de ombrada ou “encontrão” que alguém deu na hora de sair.
Além disso, é engraçado quando os indianos querem atravessar de um linha pra outra do metro. Cê acha que eles dão a volta, pegam uma escadinha e talz?? Naaadaaa!! Os caras fazem o mais fácil mesmo: eles simplesmente pulam no meio dos trilhos e atravessam calmamente! Cumpade, é uma atração e tanto ficar observando o movimento nas estações em Mumbai. Algumas vezes eu fiquei até sentado só observando aquele “balé”:
1 – O trem começa a chegar e vem apitando que nem um louco.
2 – Pessoas que estavam atravessando pelo trilhos saem correndo em debandada por todos os lados para não serem atropeladas.
3 – O trem para.
4 – Gritos!
5 – Pessoas são “cuspidas pra fora” do trem por quem quer sair e quem quer entrar troca empurrões com as pessoas que estavam dentro em um movimento que me faz lembrar bastante futebol americano.
6 – Trem vai embora
7 – Pessoas pulam desesperadamente nos trilhos no afã de cruzar para a próxima linha
8 – Trem chegando e apitando…
E assim vai o balé, cara… Com vez ou outras ocorrendo discussões e troca de empurrões… Vou te dizer, o metrô de Mumbai é uma atração turística a parte.

2 – Triste fama de Mumbai
Mas, além do fato de Mumbai ser conhecida como a capital financeira da Índia e sua cidade mais importante, ela também é famosa devido aos vários ataques terroristas já ocorridos nela. O mais recente de todos e que quase levou a uma declaração de guerra da Índia contra o Paquistão, ocorreu há pouco tempo atrás, com o “Taj Mahal Hotel”, a maior atração turística de Mumbai e seu principal hotel, sendo um dos principais alvos do ataque. Para mais informações, clique aqui
Dando prosseguimento à série “tira uma foto pra mim” inaugurada no post em Jaipur. Essa foi a foto que pedi pra uma família de indianos bater de mim e do “Taj Mahal Hotel”
Essa foi a foto batida por eles. Sério, parece que os bichos fazem é de molecagem
Taj Mahal Hotel, depois dos ataques terroristas
 
O metrô de Mumbai também já foi alvo de vários ataques terroristas que causaram grandes estragos. Basta apenas lembrar que, num metrô aonde você tem umas cinquenta pessoas por metro quadrado, uma bombinha de São João pode fazer um grande estrago! Só pra vocês terem uma ideia de como andam os nervos das pessoas que utilizam metrô em Mumbai, no meu primeiro dia, eu quase que perdi minha bolsa com todas as coisas dentro! Eu entrei no trem, deixei minha mochila em uma das prateleiras suspensas do trem, próprias para mochilas, e me sentei no banco contrário pra poder ficar vendo a minha mochila. Ah, meu amigo, pra que? Um indiano viu aquela mochila lá sozinha, acho que não tinha dono (logo podia ser algum terrorista que largou por lá), meteu as mãos e começou a gritar perguntando se alguém era dono daquela mochila enquanto se dirigia já para a janela! Cena de filme, cara! Se eu não vou voado atrás dele gritando “é minha, é minha” ele fatalmente teria jogado minha mochila pela janela!
“Eu me arrependo de ter nada mais do que uma vida para servir ao meu país” placa posta em frente ao Taj Mahal Hotel!
 
3 – Cinema em Mumbai
 
Outro fator que também me chamou a atenção em Mumbai, foi quando fui ao cinema. É interessante você ver que nas salas de cinema indianas, as diferenças culturais ficam cada vez mais explícitas.
No Brasil, filme sim, filme não a gente tem um filme relacionado a futebol. É filme de ação, comédia romântica, documentários etc. Na Índia também é parecido. Quase 90% dos trailers de filmes que pude ver, havia algo relacionado a críquete nas histórias de lá: era uma menina que se apaixonava por um jogador de críquete, um menino pobre que tinha como sonho ser jogador de críquete, um professor de uma escola que reúne os alunos e faz o melhor time de críquete da Índia e por aí vai. Não precisa dizer que o críquete é o esporte nacional indiano. Pra quem não sabe o que é críquete, é um esporte de origem inglesa bem parecido com o “bats” ou “tacos” que a gente joga pelas ruas aqui do Brasil.
“Gateway of India”, um dos principais pontos turísticos de Mumbai
 
Outro ponto interessante que pude ver assistindo trailers em salas de cinema indiano é que é fácil saber se o trailer que está por vim é indiano ou americano. Se for filme americano, é bala comendo pra tudo que é lado, carro explodindo e etc. Se for filme indiano, começa com uma galera dançando e umas bolas de críquete de um lado pro outro. Cara, pode parecer que não é nada, mas eu vou colocar dois vídeos abaixo pra vocês verem como é, basicamente, um filme indiano1:2. Detalhe na “legenda em português” que os caras fizeram pegando carona na sonoridade da música cantada pelos indianos.
Se liga na dancinha que ocorre no minuto 1:24. Faz toda a diferença, hahahaha
 
Cara, você tá achando engraçado? Imagina um filme de três horas assim?? Com essas danças malucas pra tudo que é lado? Foi assim com os filmes indianos que pude assistir com legendas em inglês. Vou te dizer, sem graça é que não é… hahahaha.
Se prepara pro carnaval, punk rock e rock n’ roll! hahaha. GENIAL!
 
Outra curiosidade interessante é que no meio do filme todas as luzes se acendem e o filme apaga. É a hora do intervalo. Uma hora e meia de filme, quinze minutos de “show do intervalo” e mais uma hora e meia de filme depois. Praticamente um jogo de futebol…

Coisas que só acontecem na Índia. Parte 2

Solteiros de vilarejo na Índia constroem estrada para poder casar

Moradores construnido a estrada
Os moradores já construiram três quilômetros da estrada


Moradores solteiros de um vilarejo no oeste da Índia estão trabalhando sem parar para construir uma estrada de seis quilômetros que aumentaria suas chances de se casar.

O vilarejo de Barwaan Kala, no estado indiano de Bihar, está localizado no alto das montanhas Kaiumur e é conhecido na região como o “vilarejo das pessoas solteiras”.
Cerca de 120 dos 1,5 mil moradores do vilarejo com idade entre 18 e 80 anos são solteiros. Segundo eles, a principal razão seria porque o local é muito remoto.
Além da distância e da dificuldade de acesso, Barwaan Kala não possui muita infraestrutura. As seis bombas d’água construídas na região não funcionam e a escola estatal não tem professores. O hospital e o posto policial mais próximos ficam a 45 quilômetros de distância.
Por conta disso, muitas famílias se recusam a permitir que suas filhas se casem com homens solteiros da vila. O último casamento realizado na localidade foi há 50 anos.
“Aqueles que conseguiram se casar, o fizeram de forma clandestina, procurando abrigos temporários em vilarejos menos remotos”, disse à BBC Ram Chand Kharwar, que tem 50 anos e é um dos solteiros de Barwaan Kala.
Para ler esta fascinante história de superação completa, vai aí o link:
P.s: Cara, isso dá um outro filme que pode até levar Oscar. Pensei até num trailer: “Em um vilarejo, muito, muito distante. O amor vence qualquer barreiras! Jovens rapazes constroem a estrada para seus sonhos!!”… Hahahaha
P.s2: Francamente… E sua mãe reclamando da sua namorada.
P.s3: “O último casamento realizado foi há 50 anos”. HAHAHAHAHAHAHA

Mumbai

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Após a “degustação exótica” que tive em Jaipur, era chegada a hora de dizer tchau e seguir em direção a um destino que há tempos eu esperava ansiosamente. Era chegada a hora de Mumbai.
Mumbai é a cidade mais importante da Índia. Possui uma população de aproximadamente 14 milhões de pessoas (portanto maior do que a cidade de São Paulo), a quarta maior região metropolitana (logo acima de São Paulo) e é a maior personificação da Índia moderna. A primeira vez que me senti visitando uma cidade em sentido estrito, uma cidade MESMO tal qual como estava acostumado a viver, foi em Mumbai. Não por acaso ela é conhecida como a capital financeira da Índia.
Bati poucas fotos de Mumbai. Choveu tanto nessa cidade sem-vergonha que nem deu ânimo pra bater foto…

Muitas pessoas podem, ao começar a ler o post, começar a se perguntar: “Mumbai, que cidade é essa? Engraçado, o nome dela é muito parecido com um nome de uma cidade indiana muito conhecida, Bombaim. Será que estou me confundindo?”. Não, caro amigo, você não está. Eu também tive o mesmo questionamento quando cheguei lá. Na verdade, por centenas de anos, o nome conhecido da cidade no Ocidente era mesmo Bombaim (com sílaba tônica no “i”). Isso ocorreu porque assim que os portugueses chegaram lá durante a era das grandes navegações, foi como eles entenderam o nome da cidade. Por muito tempo a possuiu dois nomes oficiais, mas recentemente decidiu adotar apenas o nome oficial nativo de Mumbai.
Mumbai é muito conhecida por ser a capital indiana do entretenimento. Tal cidade é conhecida como a “Hollywood indiana” e, devido a se chamar Bombaim há algum tempo atrás, recebeu o apelido de Bollywood. Acho que não preciso lembrar que o atual ganhador do Oscar de melhor filme foi um filme proveniente de Bollywood, né? Algumas pessoas me falaram por lá que Bollywood produz quatro vezes mais filmes que Hollywood, mas não sei até que ponto isso é verdade. Os indianos adoram ir a cinema e o que mais me chamou a atenção foi que, ao contrário do Brasil, os filmes indianos recebem papel de destaque nas salas de cinema. No Brasil, quando você vai ao cinema, pra cada oito ou nove enlatados americanos, há um ou dois filmes nacionais. Na Índia isso é completamente diferente. Os filmes americanos detém atenção marginal, enquanto os filmes de Bollywood são os mais assistidos e procurados por indianos. Infelizmente não puder ver nenhum filme no cinema que não fosse enlatado americano, os filmes de Bollywood são todos em Híndi e sem legendas em inglês, portanto, sem chance. Ainda vi alguns filmes indianos, mas apenas em DVD. Outra curiosidade é que um dos motivos da difusão da língua Hindi por toda a Índia, deve-se ao fato dos filmes de Bollywood, paixão e preferência nacional, serem nessa língua.
Slumdog Millionaire, ganhador de oito oscars! Direto de Bollywood para o mundo

Outro ponto que me fez adorar Mumbai foi que lá, quase que todo mundo fala inglês nas ruas, o que ajuda bastante. Não estou falando que os caras sabem falar aquele inglês do “How much” ou “How are you” não. Inglês, inglês mesmo, bem melhor do que qualquer um de nós. Por quê? Simples, inglês é a língua oficial do sistema de ensino da cidade e ponto final. Toda e qualquer criança que for para a escola em Mumbai terá as suas aulas em inglês, fazendo com inglês seja a língua nativa e usada por milhões de crianças. Só pra ilustrar bem a situação pra vocês, um dia acordei com o Mervim (o cara que tava me hospedando em Mumbai) e o primo dele jogando um jogo de tabuleiro indiano parecido com Damas. Fiquei impressionado como quando ao conversar entre eles, eles não utilizavam uma língua indiana qualquer como Tâmil ou Híndi. Eles conversavam inglês entre si.
Perguntei para eles o porquê daquilo, se eles falavam inglês entre si para treinar o inglês ou algo assim. Não, eles me responderam que conversam em inglês sempre porque é a língua nativa deles dois. Foi a primeira língua que eles aprenderam e portanto a mais fácil de falar. Já tinha escrito acerca desse fenômeno dos indianos que falam inglês como língua nativa nesse post aqui. Até expliquei como num post passado.
Agora, aguardem o próximo post sobre as presepadas de Mumbai. Prato cheio 🙂