Autor: claudiomar23
Gaiolas de ouro. Matéria da Istoé
http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2040/artigo118353-1.htm
Matéria interessante sobre as nossas embaixadas no exterior. Representa um ponto de vista muito interessante.
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Enquanto o serviço diplomático se tranca em palácios suntuosos, os brasileiros sofrem por falta de assistência no Exterior
Hugo Marques e Camila Pati
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ARGENTINA
A embaixada de Buenos Aires gastou neste ano R$ 10,1 milhões |
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REINO UNIDO
A representação do Brasil em Londres gastou em 2008 R$ 8,7 milhões |
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JAPÃO
Já os gastos da embaixada em Tóquio até novembro foram de R$ 8,6 milhões |
O Brasil tem espalhados pelo mundo 120 embaixadas, 63 consulados e vice-consulados e outros 16 escritórios para auxiliar os cidadãos. Algumas embaixadas são suntuosas, como a de Roma, no Palazzo Doria Pamphili, na Piazza Navona. Do R$ 1,8 bilhão gasto pelo Itamaraty em 2008, R$ 1,3 bilhão foi com as representações no Exterior. Segundo a Ong Contas Abertas, só cinco embaixadas põem suas contas no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Uma das representações mais dispendiosas é o Consulado-Geral de Nova York, que neste ano gastou R$ 5 milhões só de aluguel. A embaixada de Buenos Aires gastou R$ 2 milhões também com aluguel. Mas, quando os brasileiros precisam de ajuda de suas representações diplomáticas, ficam quase sempre a ver navios. Na semana passada, essa letargia do Itamaraty ficou mais uma vez explícita durante a ocupação do aeroporto de Bangcoc (Tailândia) por manifestantes. Um guia da agência de turismo carioca Transmundi foi à embaixada do Brasil para pedir orientação sobre a retirada do país de 54 turistas brasileiros que faziam escala em Bangcoc e estavam ilhados em um hotel. “A embaixada nos avisou que nada poderia fazer e ficamos muito apreensivos”, contou à ISTOÉ o dono da Transmundi, Luys Pradines, que acompanhou as negociações do Rio de Janeiro. Enquanto isso, mais de 400 espanhóis foram retirados do país por aviões fretados pelo governo de Madri em 48 horas. “A palavra que traduz meu sentimento em relação ao embaixador brasileiro na Tailândia é decepção, pois você se sente desamparado pelo seu próprio país”, diz Padrines. A mesma ação tardia se manifestara uma semana antes, durante os ataques terroristas ocorridos em Mumbai, na Índia. Enquanto alguns países mandavam aviões para resgatar seus cidadãos, a representação brasileira em Nova Déli se limitava a levantar o número de brasileiros que estavam em Mumbai.
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Sem ajuda Brasileiros impedidos de entrar na Espanha passaram dias no aeroporto de Barajas, Madri
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O Itamaraty reconhece que não dispõe de um plano para socorrer turistas em situação de risco ou perigo. O resgate de brasileiros no Exterior, quando ocorre, é lento e passa por análise caso a caso. Segundo o Itamaraty, a partir do momento em que é constatada a situação de risco, é avaliada a ação a ser tomada, com base no número de brasileiros na região. O problema é que esses levantamentos, na maioria das vezes, são imprecisos. A estimativa de brasileiros na América do Norte, por exemplo, vai de 872 mil a 1,5 milhão de pessoas. Na Bélgica, a “menor estimativa” é de 3,6 mil pessoas e a “maior estimativa” é de 43,6 mil, 12 vezes maior. Ou seja, o Brasil não sabe onde estão os brasileiros.
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As embaixadas mais importantes, como as do “circuito Elizabeth Arden” (Roma, Paris, Londres e Washington), costumam ser mais eficientes. Mas nem mesmo essas são isentas de problemas. O paranaense Vagner Kodama, por exemplo, tenta há dois meses obter a certidão de óbito do irmão, Oscar Kodama, que morreu aos 28 anos, em Paris, no dia 31 de agosto, sem que a família conseguisse contato com o Itamaraty ou a embaixada do Brasil na França. A família foi avisada sobre a situação de saúde de Oscar por um passageiro português que estava no Aeroporto Charles de Gaulle. “Quando meu irmão ainda estava vivo, entramos em contato com o Itamaraty, nos telefones do plantão do site do ministério, mas ninguém atendeu. Dá vontade de ir lá e dar um soco no nariz desses diplomatas”, diz Vagner. “Meu irmão começou a passar mal no sábado, faleceu no domingo e o Itamaraty só nos avisou na segunda-feira, às 14 horas.” O Itamaraty tenta se justificar: “O caso de Oscar dependia da ação de autoridades locais”, disse a assessoria do Itamaraty.
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Outros brasileiros que enfrentaram dificuldades também guardam péssimas recordações das embaixadas. O coronel do Exército Luiz Wichert, de Curitiba, foi assaltado durante viagem à Europa, em 2006, quando seguia de Madri para Paris, e ficou sem passaporte. Ao procurar o consulado em Paris, enfrentou uma fila grande e disseram que ele teria de ir a Roterdã, na Holanda, se quisesse voltar ao Brasil. Wichert não conseguiu falar com o cônsul. “Tive de viajar uns mil quilômetros e gastar mil euros para resolver meu problema”, diz. Há casos que ganharam repercussão internacional, como o da física Patrícia Camargo Magalhães, que em fevereiro ia a um congresso em Lisboa, mas foi barrada no aeroporto de Madri. À época, o episódio de deportação de brasileiros da Espanha gerou uma crise diplomática entre Brasil e Espanha – mas só depois que os abusos espanhóis foram denunciados pela imprensa. “Minha irmã conseguiu falar no Itamaraty, mas não tivemos nenhum retorno”, diz Camile Gavazza Alves, repatriada junto com Patrícia. Ela desabafa: “O consulado e nada é a mesma coisa. Mesmo com todos os telefones atualizados, eu só consegui ouvir uma gravação.”
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A precariedade no atendimento a brasileiros por parte dos consulados – que são os responsáveis diretos por assessorar os cidadãos do País no Exterior – é quase uma regra. “Eu sei que a ação consular é precária, a gente tem muita queixa, que vem sobretudo da Espanha”, afirma o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Marcondes Gadelha (PSBPB). Ele diz que a comissão tentará aumentar os recursos para a ação consular no Orçamento de 2009, mas vê “resistência seletiva” de muitos países contra brasileiros. “Eles dizem que o brasileiro que vai para lá é gay ou prostituta.” A julgar pelo tratamento recebido do governo brasileiro, este é um preconceito que também parece ter dominado nossos consulados. Uma das poucas vozes sensatas é a do ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. Ele diz que o Brasil se concebeu como país de imigração. “Hoje uma parte da burguesia emergente quer desesperadamente deixar o Brasil”, diz. “Enquanto não revertermos isso, precisamos socorrê-los, e não adotar uma política de avestruz.”
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Amanhã tem post novo,
Abraços maranhenses
Um coraçãozinho simpático cruza nosso caminho…
Abstinência de Internet
Comentários interessantes
Trem de Varanasi a Kajuharo
Cara, pra começar, vou escrever sobre como foi o meu trem de Varanasi para Kajuharo.

GUIAS MALACOS E MUITA CONFUSÃO
…
Acho que, mais uma vez, não ficou tão claro o que eu quis passar pra vocês.
Vi em alguns comentários a galera ou falando “Claudiomar, acho que você está pegando pesado com a Índia” ou “Nuuss, depois de ler esse blog eu NUNCA mais quero ir na Índia”.
Amigos, ambas as interpretações são equivocadas.
1 – Se estou postando as diversas “passadas de raiva” que tive na Índia é porque, como alguém disse em alguns do tópicos, quero deixar a galera mais por dentro de como é o dia a dia de alguém que viaja na Índia. Nunca tive intenção de ser racista ou algo do tipo. Crápulas existem em todos os lugares e na Índia não podia ser diferente. Apenas fiquei impressionado de como na Índia eles conseguem se sobresair TANTO em relação às pessoas gentis. Não ODEIO e nunca odiei indianos como povo. Na verdade nutro um respeito muito grande pela Índia e toda a sua história. Só escrevo sobre essas paradas porque se eu só escrever “fui em tal lugar e lá é assim, assim e assim” vai ser uma parada muito Zeca Camargo 😛
2 – Gente eu NUNCA quis desencorajar NINGUÉM a ir para a Índia. Mas NUNCA mesmo. De todos os lugares foi o meu preferido. Sempre que algum amigo me pergunta “qual foi seu país preferido” eu responto de “bate-pronto”: Índia! A Índia foi o país onde eu mais me encantei e onde eu mais gastei tempo viajando também. Mesmo gastando quase 7 semanas da Índia ainda tem MUITOS lugares pra visitar e com certeza quero voltar lá alguma outra vez na vida. Se vocês tiverem paciência, assistam a novela “Caminho das Índias” que realmente eles mostram vários monumentos super interessantes e irados da Índia. País sensacional.
Por último. Galera, eu ia colocar agora o post acerca de Kajuharo, mas só agora me toquei que o texto só está gravado no meu pen drive que se encontra entocado em algum lugar daqui de casa! Amanhã vou ter que procurar e assim que encontrar prometo que posto.
Abraços maranhenses
E com vocês, a tal esperada continuação do post: "Enfim, chego ao limite!"


O que Fazer Nesta Crise?
Fase 1. Não há problema na economia, diz a autoridade econômica, é tudo
boato.
Fase 2. Sim, temos um problema, mas tudo está sob controle.
Fase 3. O problema é grave, mas medidas corretivas já foram tomadas.
Fase 4. O problema é muito grave, mas as medidas emergenciais surtirão
efeito.
Fase 5. Pânico geral e salve-se quem puder.
Fase 6. Comissões de inquérito e caça aos culpados.
Fase 7. Identificação e prisão dos inocentes.
Os Estados Unidos e a Europa estão na fase 5. Brasil, China e Índia estão na
Fase 3. Precisamos nos proteger contra a possibilidade de chegarmos à Fase
5, quando basta um entrevistado na televisão afirmar “que esta crise é igual
ou pior que a de 1929″, como vários já falaram, ou escrever no jornal “as
conseqüências da crise chegaram definitivamente no Brasil”, como já foi
publicado, e gerar pânico por aqui.
Não, a crise ainda não chegou ao Brasil, ainda estamos na Fase 3 e mesmo se
crescermos 0% este ano, o que ninguém prevê, toda empresa irá vender a mesma
coisa no ano que vem. Sua promoção pode estar em risco, mas não o seu
emprego.
Ademais esta crise nada tem a ver, nem terá, com a severidade da crise de
1929, quando 25% dos trabalhadores perderam seus empregos e que durou até
1940 com 14%. Na pior das hipóteses, o desemprego nos Estados Unidos
aumentará 3%, mesmo assim só por 24 meses.
Se tivessem líderes administrativos socialmente responsáveis, eles já teriam
ido a público garantir que manteriam o nível de emprego de suas empresas nos
próximos 12 meses. Hoje custa mais para se treinar um novo funcionário do
que para mantê-lo fazendo algo por 12 meses.
Depois que Alan Greenspan e Nouriel Roubini saíram dizendo que a crise era
igual à de 1929, todos os americanos pararam de gastar, aumentando sua
poupança e prevendo o pior. Ninguém sabe quem serão os 25% de
desempregados. Quando 100% dos consumidores param de gastar por um único
mês, cria-se uma espiral recessiva imprevisível. Outra alternativa seria
alertar os 3% que talvez sejam demitidos para economizar, para que os 97%
possam manter normalmente suas compras evitando a espiral recessiva.
Na crise de 1929, 4.000 bancos quebraram, e a mera referência a 1929 como
fizeram Greenspan e Roubini, leva pessoas leigas a correr para os bancos, o
que aconteceu agora na Europa.
A imprensa perdeu a capacidade de filtrar e processar informação premida
pelo tempo exíguo para colocar tudo na internet. Publicam o que vier
especialmente se for notícia ruim.
Nenhum banco comercial irá quebrar, nenhum ainda quebrou nos EEUU, e mesmo
se forem um ou dois, nada se compara com 4.000. Bancos sempre quebram, mas
ninguém percebe. Mesmo se quebrarem, o seu dinheiro, ao contrário de 1929,
está no fundo DI e não no Banco. O Fundo DI está no SEU NOME e dos demais
cotistas, e se um banco brasileiro quebrar, o que não vai acontecer, seu
dinheiro está salvo. No máximo você terá de esperar uma semana para a troca
de administrador do seu fundo. O dinheiro está aplicado em títulos do
tesouro em SEU NOME, não do Banco.
Deixar o dinheiro onde está é o mais seguro. Se você resgatar o seu fundo
DI, o dinheiro cai na sua conta, e se o banco quebrar justo neste dia, você
vira um credor do banco. Nossos bancos estão recebendo depósitos dos
apavorados estrangeiros. Muita gente em pânico está saldando suas cotas em
fundos de ações e o seu gestor é OBRIGADO a vender uma ação mesmo com ela
caindo 20% no dia, algo que você jamais faria.
Acionistas majoritários não estão em pânico, nem podem nem querem vender
suas ações. Só os minoritários se sentem uns idiotas porque não venderam na
“alta”.
Não temos bancos de investimento no Brasil. De fato, Roberto Campos
implantou neste país este mesmo modelo americano que está ruindo, mas
felizmente foi uma lei que “não pegou”. Problema a menos.
Só temos bancos comerciais, e estes são muito bem controlados pelo Banco
Central. Além do mais, nossos bancos têm dono, e por isto estão pouco
alavancados, 4 a 5 vezes, contra 20 a 25 vezes dos bancos de investimentos
americanos.
O Brasil não está alavancado. Nossos créditos diretos ao consumidor não
passam de 36% do PIB, e devem crescer para 40% no ano que vem. Os Estados
Unidos estão alavancados em 160% do PIB e é esta desalavancagem súbita que
está causando problemas.
Nosso Banco Central adotou o que venho alertando há anos a países e famílias
– a política de ter reservas para os dias de crise e hoje temos US$ 200
bilhões. Pela primeira vez o Brasil tem reservas para sustentar uma crise
duradoura, sem ter que se endividar para cobrir furos de caixa.
Temos um sistema financeiro dos mais modernos e rápidos do mundo implantado
devido à inflação galopante dos anos 90. Nos Estados Unidos demora-se duas
semanas para se descontar um cheque entre bancos, por isto o sistema travou.
Nenhum banco confia em outro banco numa crise destas.
Esta é a hora para disseminar a nossa força, as nossas reservas, a
competência de Henrique Meirelles, primeiro administrador financeiro
(Coppead) a comandar o nosso Banco Central, e já se nota a diferença. Está
na hora de mostrarmos ao mundo que como a China e Índia, nós vamos crescer
via mercado interno, com produtos populares, tese que há anos venho
defendendo.
Esta é a hora de mostrar o que DÁ CERTO no Brasil em vez de conseguir fama
no rádio e na televisão mostrando o que poderia dar errado.
Lembre-se que os verdadeiros culpados já estão se movimentando para culpar
os inocentes, e assim saírem incólumes e mais poderosos.
Stephen Kanitz
Texto enviado por o meu grande amigo Duval cujo blog possui o endereço:
http://duvalg.blogspot.com/
Enfim, chego ao limite! – Viajando na Índia
Eu e Samanta saímos pra poder comprar a nossa passagem de trem em direção à nossa próxima cidade, Kajuharo. Fomos à estação de trem, compramos a passagem e foi tudo de boa. Estávamos saindo da estação de trem e… e… E começamos a pensar: – “Opa, como vamos fazer pra voltar pra casa agora?”. Danou-se, não sabíamos como voltar, estávamos perdidos! Paramos um táxi e perguntamos se ele sabia onde ficava a nossa pensão. Logicamente ele falou que sim (taxistas na Índia NUNCA dizem que não sabem o lugar que você está procurando). Pegamos o táxi e depois de uns dez minutos ficou claro que o cara não sabia patavina nenhuma onde era a nossa pensão. Depois de um tempo ele simplesmente nos largou em um lugar próximo à pensão e a gente acabou tendo que se virar.
O grande problema é que, como já havia explicado, Varanasi é uma cidade milenar e, como todas as cidades milenares, é cheia de ruas sinuosas que mais parecem corredores onde duas pessoas mal conseguem passar ao mesmo tempo. As casas são tão próximas que os telhados das duas chegam quase a se tocar acima da sua cabeça e tapam o sol. O seu senso de direção fica inexistente. Samanta tinha uma bússola que usávamos para tentar nos localizar, mas mesmo assim não tava ajudando muito.
Depois de algum tempo, mais perdido que só um cachorro que caiu da mudança, resolvemos pagar um cara com uma charrete movida a bicicleta (igual à que pegamos no Nepal) para ele nos levar na nossa pensão, já que, como falei, carros não chegavam lá. Cheguei pro cara (já bravo que só siri dentro de lata pelo fato de ter sido enrolado previamente pelo motorista do táxi) com o cartãozinho da pensão e perguntei:
– Tu sabes onde fica esta pensão, cara?
– Eu sei.
– Tu sabes mesmo?
– Eu sei.
– TU TENS CERTEZA QUE TU SABE ONDE FICA ESTA PENSÃO?
– Eu sei
– Se tu não souberes a gente não vai te pagar. Ouviu? Não vamos te pagar! Já que tu sabes onde fica, segue com a charrete e só olha pra frente!
Lá foi o cara pedalando. O cara foi pedalando, pedalando, pedalando e a agulhazinha da bússola da Samanta só apontando pro lado contrário. Quando ele parou pra pedir informação, não deu certo! Eu explodi e desci da carroça gritando:
– VOCÊ NÃO FALOU QUE SABIA ONDE ERA? VOCÊ NÃO FALOU, SEU VELHO MENTIROSO? VOCÊ MENTIU PRA MIM! VOCÊ NÃO PASSA DE UM MENTIROSO BARATO E POR CAUSA DISSO AGORA NÃO VOU TE DAR NENHUM TOSTÃO! VAI TE EMBORA DAQUI!
Descemos da charrete e começamos a ir embora. Ah, cara, pra que? Quando a gente falou que não ia pagar o velho (cara, só pra você ter uma idéia, o velho tinha cobrado a gente menos do que 25 centavos de real pela “corrida”, mas como já falei, se o cara tá querendo me roubar, pode ser um centavo que eu não vou pagar!) juntou UMA PENCA de gente na rua nos cercando, perguntando o que tava acontecendo se oferecendo pra “ajudar”. Nessa hora eu comecei a ficar assustado, mas como não podia mostrar sinal de fraqueza (seria meu fim. Aí sim o velho ia querer arrancar uns dez dólares da minha mão), me recusei a pagar e a situação começou a ficar tensa com mais gente se amontoando.
Um indiano lá do meio da multidão, que falava um bom inglês, se ofereceu pra nos “ajudar”. Foi lá e falou que se todo o problema era por causa de 25 centavos que ele pagava ao velho. O cara parecia ser realmente simpático e bem educado e devido a isso aceitei a ajuda dele. Ele pagou os vinte cinco centavos do velho pilantra. A multidão se dispersou e ele veio falar comigo:
– Mas então cara, onde você tá indo?
– Rapaz, eu tou indo pra essa pensão aqui. Tu sabes onde é?
– Claro que eu sei. Vamo lá, eu te levo lá.
– Quanto você vai me cobrar por isso?
– Não, não vou te cobrar nada. Pode vim, eu te levo lá.
Indiano querendo te ajudar, sendo gente boa e ainda por cima de graça? Isso logicamente era uma armadilha. Lá na hora falei pra ele que ia pagar 20 rúpias (um real. Dez rúpias ele já tinha dado pro velho ir embora) pra ele e pro amigo dele que apareceu depois pra nos levar à nossa pensão. Depois de muita relutância (pombas, o cara parecia REALMENTE ser gente boa) ele acabou aceitando a gorjeta e fomos indo seguindo ele por aquelas ruas medievais e sinuosas de Varanasi.
Andamos por volta de uns cinco minutos e eu comecei a sacar tudo. O cara parou numa loja que vendia uma PANCADA de bugigangas e nos convidou pra entrar. Eu falei bem enfático que eu não queria ir a loja nenhuma, que ele nos levasse à nossa pensão. Ele insistiu, eu falei “não”, insistiu mais uma vez, eu fui bem enfático e acho que ele desistiu. Virou, saiu andando e fomos lhe seguindo. Cinco minutos depois ele parou em OUTRA loja e nos convidou pra entrar e, mais uma vez, Claudiomar Hulk, estourou com o cara! Comecei a ser bem grosso com ele e falei que ele dissesse logo o que ele queria, que se ele queria fazer dinheiro com a gente que procurasse outro idiota e toda a “ceninha” que eu já expliquei em detalhes em outras situações. Nessa hora, como já de era de se esperar (afinal ele não tava esperando minha reação, ele ficou meio assustado), saiu andando com nós dois os seguindo.
Quando os estávamos seguindo, eu tive uma idéia. Puxei Samanta um pouco para trás de mim e deixei os caras se distanciarem, assim, uns dez metros. Quando vi que eles só olhavam pra frente, puxei a Samanta pelo braço e entramos em uma ruela totalmente estreita. Saí rodando, pelas ruas labirínticas de Varanasi com o intuito de escapar dos dois malas. Deu certo, depois de alguns minutos estávamos no meio de um labirinto e sem sinal dos dois malas perto da gente. Pra melhorar ainda mais a questão, um dos malas ainda tinha dado uma grana dele pra solucionar o problema do velho. Sei que ele havia dado apenas vinte e cinco centavos, mas me senti profundamente bem de saber que eu tinha ocasionado um prejuízo a ele e roubado o ladrão.
Restava um problema: Ainda estávamos perdidos, sem a mínima noção de onde era nossa pensão e ainda por cima com dois malas que, com certeza, estavam na febre atrás da gente…
Só sei que andando um pouco acabei chegando ao Rio Ganges. Ao chegar ao Ganges, de longe, avistei um prédio de onde havia tirado uma foto. Olhei na máquina e confirmei o local. Daí tive uma idéia genial. Bastava apenas seguir o curso do Ganges, atingir o prédio e de lá caminhar para a pensão (já que o prédio era quase que do lado). Quando começamos a seguir o curso do rio, meu amigo, apareceu os dois meliantes BABANDO de raiva. O cara já veio gritando: – “Onde vocês tavam? Quem mandou vocês virem por aqui?”. Eu que já não tava com muita paciência mandei ele calar a boca, falei que não precisava da autorização dele pra andar em Varanasi e mandei ele ir embora porque eu já sabia como voltar pra casa. O cara não gostou mesmo. Falou que queria o dinheiro dele. Fui lá e devolvi os vinte e cinco centavos que ele havia pagado ao velho da charrete e mandei ele ir embora. Pensa que foi? Na terra dos mil roubos um safado nunca sai com as mãos abanando…
Deixei ele falando sozinho. Peguei Samanta pelos braços e fomos indo em direção a nossa pensão. O cara veio frenético nos seguindo e gritando: – “Como assim você vai me dar só isso? Você é louco? Pode me pagar mais! Eu servi como guia pra você! Você prometeu me pagar 20 rúpias! Vamos, me pague! Me pague o que prometeu!”. Eu fiquei ignorando o que ele falava, já que ele não tinha feito nada de útil, só tentado ganhar grana as minhas custas. Apesar de o estar ignorando, o fato dele me ir gritando comigo no meio da rua me irritava cada vez mais e vi que seria questão de tempo eu explodir com ele. Depois de um dez minutos vendo que eu o estava ignorando, ele tentou outra estratégia… Mas isso é assunto para o próximo capítulo….
O post já ta muito grande e vou deixar vocês com um gostinho de curiosidade do que aconteceu. Daqui a dois dias posto o resto 🙂











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