Viajando por Uyuni


Depois do passeio no Salar de Uyuni fomos deixados na cidade de Uyuni. Eu fiquei lá pela cidade para seguir minha viagem pela Bolívia, mas como já disse, parte do grupo voltou para San Pedro de Atacama no Chile. Uyuni é uma cidade pequena, mas que tem até uns lugares arrumadinhos. Foi bom chegar a uma cidade de verdade e não a um povoado depois de alguns dias. Ainda mais porque calculei mal e quando cheguei a Uyuni meu dinheiro em espécie tava quase acabando (sim, com quatro dias de uma viagem de três semanas eu já tinha gastado quase todos os dólares que havia trago do Brasil. Burrice mesmo). Lá pude sacar de boa nos caixas eletrônicos da cidade.
Planejava ir para Potosí, depois Sucre e depois seguir para La Paz. Acontece que alguns mineiros bolivianos estavam tacando o terror em Potosí, protestando contra o governo. Eles fecharam as entradas da cidade e inclusive algumas vias importantes da Bolívia. No Brasil a gente reclama de black block quebrando vidraça de banco. Amigo, issona Bolívia é fichinha, lá os mineiros fizeram foi jogar dinamite na Prefeitura. O negócio lá tava tão feio que até mesmo turistas chegaram a ficar ilhados na cidade. Resumindo, depois de todo esse quadro agradável, é lógico que não fui a Potosí.

Antes de nos deixar em Uyuni, fizemos um passeio por um “cemitério de trens”. Eram algumas locomotivas velhas, que não tinham mais um uso e que resolveram fazer um museu a céu aberto
Visão da entrada e Uyuni

 
Quando estava em Uyuni passou um cortejo fúnebre por mim.

De Uyuni resolvi seguir direto para La Paz ainda no mesmo dia. Procurei a agência de ônibus “Todo Turismo” (guardem esse nome, se forem fazer o trajeto Uyuni – La Paz tanto na ida quanto na volta, é melhor ir com essa empresa) que era extremamente bem recomendada pelo Lonely Planet e comprei a passagem. Em um país em que todo mundo quer te passar a perna, uma dica dessas vale ouro. Na hora que eu entrei na agência, um casal gringo veio logo atrás. Quando vi, havia comprado a penúltima passagem. Como eles eram um casal, os gringos não puderam ir por causa de mim! Rapaz, o gringo ficou me olhando com uma cara… Tenho certeza que ele ficou pensando “Rapaz, se eu der cabo nesse maranhense aqui, consigo chegar em La Paz amanhã”. De qualquer forma, por questão de segurança, não fiquei muito próximo dele. A agência era até bacaninha, tinha uma boa internet e eu fiquei lá suprindo minha vontade, já que eu já estava quase quatro dias sem internet!

Viajando pela Bolívia – e os perrengues?

Conforme já expliquei anteriormente, sair do Chile e entrar na Bolívia é como sair do céu para o inferno. A Bolívia é o país mais pobre e atrasado da América do Sul e isso se reflete na infraestrutura do país que é extremamente precária. Raríssimos lugares aceitam cartões de crédito e a internet que era fornecida em hotéis e albergues era geralmente de baixa qualidade (só funcionava durante a madrugada. Isso mesmo que você fosse só mandar e receber mensagem no Whatsapp). A higiene do país também é precária. Muitos mochileiros acabam tendo problemas com infecções alimentares e passando mal. Para evitar que eu fosse um deles, adotei o comportamento que chamo de “não fode”, ou seja, não como comida de rua, evito comidas gordurosas e de difícil digestão e só vou a restaurantes movimentados, cheios de gente (se um restaurante está cheio de gente comendo é um indicativo que ele pode ser bom. Além disso, se há muita gente comendo o tempo inteiro, é menor a probabilidade da comida estar a horas sendo exposta esperando algum trouxa) e bebo muita água. Mineral, obviamente. Esse tipo de comportamento me fez passar incólume pela Índia sem nenhuma dor-de-barriga, o que é raro.
Porém, isso não quer dizer que a Bolívia é um país a não ser visitado. Pelo contrário, a Bolívia é um dos países mais fascinantes da América do Sul e há muita coisa para se ver e fazer. Turismo de aventura, caminhada em montanhas, gastronomia diversa e, lógico, história, o que mais me interessa nos países.

Os flamingos a mais de 4.000 metros de altura!! Incrível!!
Guias no Salar de Uyuni
La Paz

Em um bar na balada de La Paz, umas das cidades com melhores vidas noturnas, se você pintava a cara, ganhava cerveja de graça. Well, so be it!
Na Bolívia, folhas de coca são servidas no café da manhã do hotel

Quando ainda estava no Brasil, todo mundo me falava que a Bolívia era um país extremamente estressante, que todo mundo ia ficar te abordando e enchendo o saco na rua pedindo dinheiro e querendo te enrolar. Dois amigos que conheci em Santiago me passaram um cenário apocalíptico em relação a Bolívia (cheque a história lendo aqui). Parte disso é verdade, os vendedores bolivianos foram os mais desonestos que pude conhecer em toda América do Sul, portanto todo cuidado é pouco. Mas, mais uma vez, é super de boa e está longe de ser a dor-de-cabeça que é viajar na Índia ou em outros países mais pobres.

Outra coisa que todos devem estar preparados para quando forem viajar à Bolívia e em parte ao Peru é para longas viagens de ônibus. Os dois países são tão montanhosos que das 10 cidades com mais de 100.000 habitantes do mundo oito estão na Bolívia e no Peru (as outras duas estão no Tibet). Às vezes quando você está planejando sua viagem, olha no mapa, vê uma cidade do lado da outra e pensa “nossa, é pertinho” e quando vê são 10, 12, 14 horas de viagem de ônibus, já que as estradas parecem uma concha de caracol margeando as montanhas. Em uma semana e meia dormi três vezes em ônibus, não porque queria economizar dinheiro, mas sim porque realmente não havia opção. Em um eu quase, literalmente, congelei, mas conto a história depois.

FOLHAS DE COCA NA BOLÍVIA – A CURA DE TODOS OS MALES – CHÁ DE BOLDO BOLIVIANO

Outra coisa engraçada para a Bolívia é que todo e qualquer problema por lá se resolve com folha de coca. Tá com dor-de-cabeça por causa da altitude? Masca coca. Tá com diarreia? Chá de coca. Tá com mal-estar? Chupa balinha de coca! Lá tudo se resolve na coca, fi. Parece até quando eu era criança e lá em casa, para toda doença, de gripe a tuberculose, a gente tomava chá de boldo.
Porém só uma dica. Masque, tome, guarde, faça o que quiser com as folhas de coca, porém, ao sair da Bolívia cheque todos os bolsos e canto da sua mochila para não trazer NADA que tenha coca na sua composição. Seja balas, chás ou até mesmo as folhinhas. Tá, tudo bem que você não fica nem um pouco alterado ou doidão mascando folhas de coca, tal qual você fica cheirando cocaína. Ainda assim, se você for pego na fronteira com folhas de coca vai depender do quanto o policial vai querer ferrar com sua vida. Se ele for de boa, vai te fazer só jogar fora. Se ele quiser mesmo botar para quebrar, ele vai te levar preso por tráfico de entorpecentes. Você vai ser solto depois, responder em liberdade e muito provavelmente absolvido, mas fica a cargo de cada um ver se vale a pena o risco e a encheção de saco para isso. E, sim, volto a reiterar. Mascar a folha de coca não dá nenhum barato, a garganta e a língua ficam um pouco dormentes e só. É parecido com tomar kava nas ilhas Fiji (se quiser ler o post que eu fiz sobre tomar kava em Fiji, clique aqui)

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Laguna Colorada – Passeio do Salar de Uyuni

Laguna Colorada é um lago salgado ,localizado no sudoeste do altiplano da Bolívia , dentro da Reserva nacional de fauna andina Eduardo Avaroa e perto da fronteira com o Chile. O lago contém ilhas de sal bórax, cuja cor branca contrasta com a cor avermelhada de suas águas, que é originada por sedimentos vermelhos e pigmentação de algas. Uma correção ao vídeo. A Laguna Colorada fica a 4.300m e não a 5.000m. Perdão, eu tava meio lesado quando fiz o vídeo.

Crônicas de um mochileiro enfurnado nos Andes Bolivianos

A quatro mil metros de altura se distinguem os homens dos meninos pelo cheiro. Ou, basicamente, pela coragem de tomar banho gelado ou não quando o frio lá fora é negativo. Bem, eu sou menino e deixo isso bem claro.
Depois de visitarmos algumas lagoas perdidas nos Andes Bolivianos, fomos nos hospedar em um hotel de sal. Sim, a estrutura do hotel era toda de sal e, lógico, todo mundo quando chega, a primeira coisa que faz é dar com a língua na parede para saber se ela é salgada. Sim, ela é salgada. Bem salgada.
Esse hotel de sal era um pouco melhor que a espelunca que ficamos hospedados na noite passada, inclusive havia disponibilidade de banhar em um chuveiro quente por 5 reais.
Estava dividindo o quarto com outros três franceses. Franceses, bom reiterar. Estava na cama, deitado, acabado, morrendo de sono, pois não tinha conseguido dormir direito na noite passada e não conseguia levantar um dedo do pé.
Quando eu estava pegando no sono, a luz do quarto se acende e entra o primeiro francês de cabelo molhado no quarto. Alguns minutos depois, entra o segundo de cabelo molhado. Quando entra o terceiro francês de cabelo molhado, ele olha para mim e fala:
– Claudio, o banho quente aqui é muito bom. Você devia experimentar.
Pausa constrangedora. Ele olha no fundo dos meus olhos e diz, com uma sinceridade avassaladora:
– Mas, devia experimentar mesmo, Claudio!
Segui para o chuveiro.
Não há sono que sustente a vergonha de um francês te mandar tomar banho.

Na foto, quarto no hotel de sal

Salar de Uyuni

O Salar de Uyuni é a maior planície de sal do mundo. Contém quase 70% de toda reserva mundial de lítio, material utilizado na confecção de baterias de celulares. Ele é tão grande e tão branco que é utilizado para calibrar satélites de observação da terra. É realmente um lugar muito impressionante e, de longe, um dos lugares mais interessantes que já pude viajar em toda minha vida. O salar na verdade era um imenso lago com quase 11.000 km² de área o que naquela época era o maior lago de altitude do mundo (o Titicaca tem 8.500 km²). Porém, com o passar dos anos ele foi evaporando e secando, deixando apenas a imensidão salgada do seu chão.

Imensidão branca
“Ilha” no Salar de Uyuni
Ainda hoje alguns lugares ficam alagados, porém como fui na região seca (inclusive a melhor época para se visitar, que vai de abril a novembro, apesar de ser a mais gelada) todo a região do lago transforma-se em um imenso deserto de sal. Interessante que também há algumas pequenas elevações que são chamadas de ilhas, onde há seus cactos quase 10 metros de altura. Não é só no sentido figurativo não, os lugares realmente parecem ilhas emergindo no meio daquela imensidão branca, gélida e desértica.
Ainda quando estávamos no hotel de sal (que como falei é feito com os blocos de sal extraídos do Salar) houve uma votação para saber se deveríamos sair duas horas mais cedo para poder pegar o nascer do sol no Salar ou não. Mano, eu acho esses passeios a maior roubada. Nascer do sol para mim é sempre o mesmo, seja no Salar de Uyuni, seja em Cubatão ou Teresina, além de que você tem que acordar de madrugada o que nunca me atrai. Ainda por cima estava extremamente cansado por ter ficado o dia peruando de um lugar para o outro e ter dormido mal no alojamento siberiano da noite anterior, portanto realmente queria descansar. Acabou ocorrendo uma votação onde houve a polarização entre os gringos e os sul-americanos (eu e um casal de chilenos) que nos levou a derrota já que estávamos em menor número. Gringo como só vê sol umas cinco vezes por ano adora ver nascer do sol. Tivemos que acordar de madrugada. Foi até engraçado, pois eu e os chilenos acordamos cedo e os gringos acabaram perdendo o horário. Acabou que só eu e os chilenos vimos esses nascer do sol. É… a vida é irônica.
Nascer do sol na imensidão branca do Salar de Uyuni
Gente, esse meu visú tava muito legal. Tava muito ridículo, mas o mais importante era ficar quente…

No caminho do Salar de Uyuni, ainda de madrugada, foi muito legal. Cara, o deserto é tão grande e tão vasto, que o guia simplesmente mirou em um pontinho lááááá no final onde havia umas luzinhas e foi indo, indo, indo… o tempo todo com o farol desligado. Se não fosse o barulho do motor e do vento batendo nos vidros, teríamos a impressão de que o carro estava parado, já que tudo era branco e não havia nada ao nosso lado, só as estrelas no céu. É, o nascer do sol não foi nada de mais (nascer do sol é o mesmo em qualquer canto), mas o caminho até a ilha valeu ter acordado de madrugada. Ponto para os gringos dorminhocos.

Num lugar como esse, avistar um sinal de internet é realmente como achar um pote de ouro. Sim, é lógico que também custava um pote de ouro para usar essa internet =(
No final, depois de ver o nascer do sol, a gente desceu para um ponto no meio do nada do deserto para batermos as famosas fotos em perspectiva. Como o deserto é imenso e plano, você fica sem referencial e há o ambiente perfeito para bater fotos em perspectiva. Com uma rápida busca na internet você acha várias engraçadas já feita pela galera. 
 A minha foram essas
E sim, o chão é todo de sal mesmo. Você sai chutando os pedregulhos e colocando na boca e eles realmente são de sal. Cara, é muito legal. 

Passeio do Salar de Uyuni – Lagunas e hotel de sal

Porém, depois do Salar de Uyuni em si, o mais interessante e legal mesmo, sem sombra de dúvidas, são as lagunas e suas diversas cores. Há diversas lagoas de coloração branca, verde e, a mais impressionante, uma lagoa cor-de-rosa. Não sei se o mais impressionante dessa laguna era a cor dela ou o fato dela ser povoada por centenas de flamingos.
Flamingos!
Malditos flamingos! Como eles conseguem viver tão bem aqui? A quase 4.000 metros de altitude?
Mais flamingos!
Cara, é impressionante, você tá ali tremendo de frio e do vento, tonto por causa da altitude e os flamingos de boa na lagoa como se estivessem em um mangue na beira do mar curtindo na maior tranquilidade sem se tremer. Isso com aqueles aquelas pernas da finura de um graveto e sem gordura nenhuma no corpo para sustentar o frio. Caramba, como pode haver flamingos no Pantanal e outros iguaizinhos em um ambiente tão diverso?
No fim do segundo dia dormimos em um hotel de sal. Sim, o chão é de sal, as paredes são de sal, as camas são sustentadas em um bloco de sal. Todo mundo quando chega fica passando a língua nas paredes para ter certeza que são de sal.
Montanhas coloridas
Sim, elas são bem salgadas, experiência própria. O hotel de sal é em um lugar mais baixo, menos frio e tem uma infraestrutura simples, porém boa. Um hotel de cinco estrelas comparado com o outro.
Quando estávamos para chegar no hotel de sal nos falaram que lá, enfim, iríamos ter acesso a eletricidade depois de dois dias sem e assim poderíamos carregar nossos celulares. Só esqueceram de nos falar que o hotel iria estar apinhado de coreanos e seus aparelhos eletrônicos. É lógico que não sobrou tomada para ninguém.
Hall do hotel de sal

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Passeio do Salar de Uyuni

Quando eu escrevo Salar de Uyuni ou passeio do Salar de Uyuni, entendam como a mesma coisa. Na verdade o passeio ao todo são três dias e duas noites e nos adentramos em dois Parques Nacionais da Bolívia os quais não lembro o nome. Visitamos vários lugares que também não guardei os nomes, mas que o mais importante é ver as fotos. O Passeio do Salar de Uyuni pode ser iniciado do Chile em direção a Bolívia e vice-e-versa, sendo que começando o passeio por São Paulo de Atacama custa bem mais caro que fazer pela Bolívia. Se você começar no Chile eles vão te deixar na Bolívia e vice-e-versa, porém se você quiser ir e voltar para o mesmo ponto que ficou, adicione um dia a mais de viagem e 20% a mais de custo.

Depois do café da manhã na fronteira seguimos para entrar no parque e já tive a primeira experiência de como país funciona. Fui a uma lanchonete do lado do posto de entrada no parque, comprei uma água e pedi para a tia para poder usar o banheiro. Ela me falou que para usar o banheiro eu teria que pagar (na Bolívia sempre há que se pagar por todo e qualquer banheiro), porém não seria possível porque ele estava congelado (a Bolívia é fria para dedéu!!!!). Meu dia já começou bem.  Acabei me resolvendo no banheiro “ao natural” nas paredes do posto de fronteira, outra coisa que aprenderia que se faz bastante na Bolívia.
Lago congelado
Outra dica que dou é deixar tudo sempre bem arrumadinho dentro da mochila para que você necessite retirar o menos possível de coisas de lá quando estiver no passeio. Nas alturas você fica meio lesado e tonto e pode acabar esquecendo coisas que tirou da mochila. Portanto, tente mexer nela o mínimo possível para evitar isso. 
Enquanto eu sofria com o frio e a altitude, nosso amigo aí ia de bicicleta. Esse sim é macho!
Assim que começamos o passeio já fomos sentindo que ele não seria algo tão fácil. Para começo de conversa, nos primeiros dias você nunca fica abaixo de 4.000 metros de altitude em um frio de doer os ossos. Vesti todas as minhas roupas e ainda assim tremia mais que vara de bambu verde. 

Laguna Colorada de cor rosa. Ao fundo os flamingos que Deus sabe como conseguem viver nesse lugar

Logo no começo de nossa viagem, paramos em um lugar com piscinas termais. Cara, não importa se você tem roupas de banho ou não, toalhas ou não, a resposta é sempre: “- Sim, eu vou pular na água”. Na primeira noite dorme-se no lugar mais tosco possível, mais frio, mais alto e onde não há chuveiro quente. Logo, ou você é muito macho para tomar banho em um chuveiro ou a piscina termal vai ser o seu único banho no dia. 

No primeiro dia foi onde mais sofremos, fomos muito alto, a até 5.000 metros de altura avistar uns gêiseres. Confesso que achei que ia passar mais mal do que imaginava, mas até levei na boa. Lógico, tive que resistir a tentação de não comer muito, apesar da comida saborosa que os guias prepararam para a gente. Realmente não foi fácil, mas fiquei bebendo muita água e a noite era cerveja com mais água ainda. Deu certo. Senti só um pouco de tontura e um pouquinho de dor-de-cabeça, mas nada que pudesse me causar muito mal-estar. Na verdade, na verdade, o único problema mesmo foi dormir.

Esse lugar eles chamam de “Vale do Dalí” porque tem um visual parecido com os quadros que ele pintava. Achei que faz um pouco de sentido…

Quando chegamos, a hospedaria era um lugar bem simples e sem aquecedor. A 4.300 metros de altura. Do lado de fora fazia -10º graus. Ventando. Botaram-me medo, muito medo sobre o frio. Fizeram-me alugar um saco de dormir por causa disso. No final não consegui dormir direito não foi nem por causa do frio, mas mais mesmo porque fico agoniado dormindo dentro de saco de dormir. Teve uma hora a noite que eu acordei e tinha me mexido tanto que todos lençóis haviam caído no chão e eu tava só com saco de dormir na altura das pernas e sem sentir frio. Só quando larguei de mão do saco de dormir, conseguir pegar no sono direito. Às vezes eu também acordava no meio da noite com falta de ar, mas isso foram duas vezes.

Hospedaria
Local onde dormimos
No outro dia de manhã após essa dormida no hotel friorento, o guia ainda chamou a galera de manhã para ir ver o nascer do sol no frio negativo do lado de fora. Hora de separar os homens dos meninos. Eu fui menino.

O visual do lugar onde dormimos até que é legal
Pôr-do-sol em frente a hospedaria

Seguindo para a Bolívia – A caminho do Salar de Uyuni

P.s: Na foto, montanhas bolivianas a caminho do Salar de Uyuni. Na frente, o outro Jipe que íamos acompanhando

No outro dia acordei quase de madrugada e fui de camionete para o passeio do Salar de Uyuni. Apesar de todos chamarem desse jeito, o Salar de Uyuni é só uma das dezenas de atrações e paisagens que vemos pelas montanhas da Bolívia sendo o ponto final.No caminho para atravessar a fronteira, conheci uma brasileira que estava simplesmente desesperada. A amiga havia esquecido o passaporte na fronteira da Bolívia e aquilo tinha um potencial gigantesco para dar problema a elas caso fosse perdido. Por sorte quando chegamos a fronteira os guardas bolivianos haviam guardado o passaporte e entregaram de volta. Sem antes, lógico, não cobrarem uma “multa” de 150 reais relativo a “esquecimento de passaporte na fronteira” que obviamente foi inventada ali na hora e direto para o bolso deles. Logo no primeiro lugar que eu pisei na Bolívia já dava para começar a perceber como era que o país funcionava.
No posto de fronteira já descemos para tomar o café da manhã em um sol de rachar e um frio de doer as canelas. Estranho isso, sol com frio. Rapaz, e quando batia o vento então… Fomos divididos e eu acabei ficando com um casal de chilenos e o guia Jonnhy, boliviano e gente boa demais. Ele era engraçado. Não podia a gente parar o carro que ele se enfiava debaixo. Eu olhava aquilo e ficava torcendo para que fosse um costume boliviano e não o fato do carro estar quebrando. Não era quebrado não, ele simplesmente gostava de ficar deitado embaixo. Vai saber…

Os dois guias embaixo do carro mascando folhas de coca enquanto a gente batia algumas fotos

Uma curiosidade que ele me falou é que para ser motorista dentro do Parque você tem que ser boliviano. Achei engraçada essa reserva de mercado.

Às vezes a fauna local vem bem próxima da gente. Essa aqui, que mais parece uma raposa, chegou a quase encostar no nosso carro. Contribuiu que o casal de chilenos começou, sendo extremamente encorajados pelo Guia, a jogar bolachas de chocolate para ela. Quando eu era criança meus pais sempre brigavam comigo quando eu dava bolacha para os cachorros lá de casa dizendo que eles iam passar mal. Sei lá, raposa das montanhas não deve ter esse problema, afinal o guia dizia que eles davam tanta bolacha de chocolate que elas acostumaram e bastava avistarem um Jipe que já corriam para perto esperando ganhar bolachas. Tão vivas até hoje.
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Contos de um mochileiro perdido em San Pedro do Atacama a caminho do Salar de Uyuni – como não passar mal e urinar nas montanhas

São Luís é uma cidade úmida, ao nível do mar e quente. O trajeto pelas montanhas desérticas entre Chile e Bolívia seria por um ambiente seco, alto e com frio negativo. Ou seja, um totalmente contrário ao que eu havia crescido.
– Cara, você precisa tomar alguns cuidados pois vai a um pouco mais de 5.000 metros de altitude. Sugiro você comprar aspirinas para afinar seu sangue e diminuir sua dor-de-cabeça. Além disso, um dos principais problemas quando estais a alta altitude é que você fica meio lesado e pode esquecer de beber água ou urinar e isso só vai piorar o seu mal-estar. Sugiro também você comprar diuréticos para urinar – o cara da agência me falava.
Beleza, fui a farmácia e comprei um pacote de aspirinas (que no final não usei) e pedi esse tal desse diurético.
– Qual diurético você quer, senhor?
– Eeer… me vê o mais barato.
– Então, diurético só com receita.
Voltei ao albergue e falei com a menina que trabalhava lá, paulistana por sinal, que precisava de um diurético e ela me indicou um farmacêutico que teoricamente vendia sem receita.
Fui lá.
– Senhor, preciso de diurético pois vou para as montanhas amanhã.
– Qual você quer?
– O mais barato.
– Diurético só com receita, senhor.
– Mas então… não tem como a gente dar um jeito? Realmente preciso de um diurético para ir para as montanhas amanhã.
Ele me olhou com aquela cara de “hummm, sei onde você quer chegar”
– Claro que sim, senhor, damos um jeito, porém você terá que pagar o dobro do preço a custas de “taxa de boa vontade”.
Pombas, o cara tava querendo se aproveitar do meu desespero, mas dei um jeito.
Chegando ao albergue a menina veio falar comigo:
– E aí, conseguiu comprar o diurético sem receita?
– Sim, dei meu jeito.
– Que legal, qual diurético você comprou?
– Uma caixa de cerveja chilena.
Mijei a noite inteira nas montanhas.
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