Letônia

A Letônia faz parte dos países bálticos juntamente com a Lituânia e a Estônia, situando-se no meio das duas. A sua língua oficial é a Letã que guarda muita semelhança com o idioma lituano, mas é completamente diferente da língua estoniana (Esta absurdamente semelhante ao norueguês – dizia a norueguesa). Junto com o lituano, são as únicas duas línguas de raízes bálticas remanescentes na Europa. Engraçado que o nome do país em inglês é bem diferente da pronúncia que utilizamos nas línguas latinas, já que dizemos Letônia em português e Latvia em inglês. Pode parecer pouco, mas demorou um tempo pra eu descobrir que falávamos de um mesmo país quando conversava em inglês. Achava que estavam se referindo a uma outra cidade ou algo do tipo…

 

 

A sua moeda é o “Lats” que dentre outros motivos me deixou deveras impressionado com a valorização da mesma! Só pra vocês terem uma idéia do que falo, um dólar comprava apenas 50 centavos de Lats!! A moeda era mais valorizada que a libra inglesa! O que isso quer dizer, trocando em miúdos? Bem, quer dizer que a Letônia acabou sendo um dos países mais caros que visitei!! Algo parecido com a Suécia! Imagina, se um dólar compra 50 centavos, um real compra 20 centavos! E não havia nada lá que custasse menos que um Lat!! Coisa de louco!! O Jonas havia me pedido que trouxesse uma moeda de cada país pra ele. Eu sempre pegava de vários valores diferentes pra ele, mas o Lat não teve jeito, hehehe! Ficou só com uma mesmo e por que não deu pra trocar!! Moedazinha valorizada da égua, meu!

 

Yes, nós trocamos reais aqui!

 

A Letônia hoje é um país membro da OTAN e também da União Européia, mas nem sempre a vida foi fácil assim pra eles. A minha host, me explicou que a Letônia nunca havia sido independente de fato até 1991, data que o Império Soviético se esfacelou. Antes disso eles haviam saboreado um breve período de independência no período Entreguerras (1919 – 1939), mas foram logo tomados de volta pelos soviéticos, sendo obrigados a sentir o doce sabor de serem governados pela tirania de Stálin e dizimados pelos alemães nos períodos subseqüentes (os alemães mataram uma pancada de judeus na Letônia. Cinco por cento do país em números da época). Só pra vocês terem uma ideia do que estou falando, durantes cinco anos, os letões travaram uma guerra de guerrilha contra os nazistas. Em 1944, as tropas russas chegaram e impuseram uma grande derrota ao que restava do exército de Hitler. A Letônia foi tomada por uma euforia inicial, mas quando eles perceberam que as tropas de Stálin haviam chegado para ficar, os guerrilheiros letões chegaram ao cúmulo de se unir aos alemães nazistas para tentar expulsar os soviéticos. Como já sabemos o fim da história, isso não deu certo e, ambos, letões combatentes e alemães, foram dizimados.

 

O povo na Letônia é meio estranho, cara!! Eles se casam não com mulheres, mas sim com carros! Se bem que com uma Mercedes dessa eu casava fácil! Tem até nome de mulher já!

 

A economia da Letônia vinha indo bem, com uma das maiores taxas de crescimento da Europa, devido principalmente a investimentos externos diretos. Mas com a crise mundial e posterior retração do fluxo de capitais na economia internacional, a Letônia foi dos países que mais sofreram com a crise em toda Europa, com o seu PIB no primeiro trimestre de 2009 caindo TREZE por cento! A maior queda em toda zona do Euro.

 

 

São Luís? Ponte Bandeira Tribuzzi? Não, Riga mesmo 😛

 

Apesar do país se chamar Letônia, um em cada quatro habitantes são russos, falam russo e detêm passaporte russo. Mesmo que tenham nascido e crescido na Letônia, não se sentem letões e se orgulham de ser russos. A minha host havia me falado deles, mas eu fui ver o que ela realmente falava quando conheci um brother desses na Síria. O moleque tinha passaporte letoniano, mas se dizia russo e ficava realmente muito puto quando o chamávamos de letão!

– Mas você não nasceu na Letônia, cara?

– Sim!

– Então você é Letão!

– Não, eu não sou! Eu sou russo!! Não importa onde você nasceu, mas sim a etnia dos seus pais! Na Europa o que importa é o sangue que você tem!! É por isso que as pessoas ainda se matam por lá!

E realmente, a grande porcentagem de russos dentro da Letônia é motivo de cada vez mais choques com os letonianos. Para eles o passado e as atrocidades de Stálin ainda estão bem claros na memória e cada vez que uma estátua de Lênin ou uma “memória a um soldado russo morto lutando contra os nazista” é arrancada de uma praça, o pau costuma comer feio!

Noivo sendo carregado por amigos no meio da rua em Riga!

Chegando a Riga…

Entramos no carro e seguimos em direção à Riga, capital da Letônia.

Assim que o cara começou a dirigir, tentei ser simpático e puxar assunto:

– Poxa, cara, obrigado por estar levando a gente. Estávamos a algum tempo esperando por carona já e pá pá pá…

Depois de um tempo sem respostas que eu fui me tocar que os dois não falavam NADA de inglês! Os caras estavam dando carona pra gente não por que procuravam alguém pra conversar ou fazer companhia, como a maioria das caronas que peguei por aí, mas sim pelo simples e singelo prazer de ajudar mochileiros desesperados em tentar chegar a algum lugar.

Devido a isso, eu e a norueguesa aproveitamos pra descansar um pouco, já que estávamos exaustos da noite passada.

A viagem prosseguiu tranqüila, a única coisa que merece destaque foi só quando passamos pelas instalações abandonadas do antigo posto de fronteira entre a Lituânia e Letônia que hoje, devido a União Européia, não serve mais pra nada.

Assim que avistamos as placas de “Bem-vindo a Riga” não entendi o que, mas parecia que o casal tentava falar algo pra gente. Não deu pra compreender o que era, mas gesticulamos meio que dizendo “o que quer que seja, pra gente está tudo bem” e seguimos. Depois que fomos entender. Eles não iriam entrar na cidade. Fomos indo cada vez mais longe até a hora que paramos numa casa no meio de uma floresta de eucaliptos. Era a casa de campo deles!

Quando chegamos foi aquela cena típica de filme americano. Um carro entrando, um cachorro chamado Bob saindo de uma casinha amarela e uma cambada de crianças correndo pra abraçar o avô. A gente ficou meio que sem entender o que diabos tava rolando. Depois de um tempo ele falou com uma mina lá e ela veio explicar pra gente, em inglês fluente, que os avós delas não estavam com planos de irem pra Riga, mas iriam levar a gente pra lá. Ela explicou que, quando novos, os avós dela sempre viajavam de carona e devido a isso iriam quebrar esse galho pra gente, deixando a gente no centro da cidade.

Achei bem interessante e legal essa parada. A solidariedade entre duas gerações de mochileiros diferentes. O mesmo tipo de solidariedade que tenho com as pessoas quando as hospedo em minha casa.

O figura nos colocou em outro carro e começou a dirigir pra Riga. No caminho, através de gestos, ele falou que queria ligar pro hotel em que ficaríamos hospedados. Demos o telefone da Iveta e, através do seu celular, ele ligou pra ela e vimos que ele mudou de caminho. Não, o cara não estava satisfeito em apenas nos levar de Vilnius a Riga, ele ainda iria nos deixar NA PORTA DE CASA. Melhor que isso só pagando o nosso almoço.

Chegamos à casa de Iveta e o cara, não satisfeito, ainda nos ajudou a subir com algumas malas da norueguesa, hehehe.

Figura demais…

Conseguindo couch em Riga

Acabou que depois de toda aquela loucura que rolou na Lituânia, acabei esquecendo de falar pra vocês como foi que conseguimos um couch na Letônia.

Fui deixando pra última hora a missão de começar a pedir couch e quando foi dois dias antes de chegar à Riga, me toquei que estávamos sem ter onde dormir. Meio que me desesperei e saí mandando mensagem pra Deus e o mundo implorando às pessoas que alguém me concedesse um teto para poder ficar embaixo. Só pra vocês terem uma ideia, a mensagem tinha o título de “Salvem um pobre brasileiro”.

No outro dia, uma simpática letã nos ofereceu vaga em seu apartamento. Nos comunicamos e ficou tudo bem. O nome dela era Iveta e parecia ser um amor de pessoa.

Tou escrevendo isso pra vocês só pra demonstrar como o Couchsurfing.org é uma ferramenta poderosa. Dois dias antes, você pode estar sem lugar pra ficar, manda uma mensagem pedindo ajuda e momentos depois já consegue um lugar super-aprazível pra poder ficar. Deus, abençoe o couchsurfing!

É interessante como é fácil hoje ficar viajando por aí, cara! Com ferramentas como o Couchsurfing.org e solidariedade de gerações de mochileiros atrás o mundo fica pequeno demais. Chega até mesmo a caber dentro de uma mochila…

Param, param, param, param, param, parampampam!!

Galera, estávamos já no fim da festa. Quando achávamos que nada mais de novo iria acontecer (a não ser uma proposta de ir para uma casa de swing), surge uma mina com corações amarrados na cintura e mais louca que o batman se contorcendo feito uma lacraia! Veja com o que nos deparamos no meio do salão:

É amigo!! Tem gente que dança até o final!! Ainda mais com balões em forma de coração amarrados!!! Hehehe

Abraços maranhenses

E casa de swing, como foi?

Acordei pela manhã na febre pra saber o que havia acontecido, o que havia ocorrido na fatídica noite da ida ao swing. Procurei a norueguesa, a acordei e chamei pra sairmos logo. Quanto mais cedo saíssemos melhor seria pra poder conseguir pegar uma boa carona e conseguir chegar a Riga, capital da Letônia.

Ela levantou e enquanto tomávamos café não pude conter minha ansiedade de perguntar como havia sido a noite passada, o que realmente havia acontecido na casa de swing. Fiquei deveras ansioso pra poder saber todos os detalhes, não me contive e saí bombardeando a mina de perguntas:

– Então, como foi? Foi legal? Pegou quantos? E quantas? A putaria foi desenfreada mesmo?

Sabe o que ela respondeu?

– Não, Claudio, não ocorreu nada. Na hora que chegamos o lugar já estava fechando e não pudemos entrar. Apenas pegamos um táxi pra casa e viemos dormir.

Arf, não era o que eu estava esperando ouvir, mas enfim, pra mim tudo é festa.

Pegamos nossas coisas, nos despedimos do casal mais louco de toda a minha viagem e seguimos em direção ao final da cidade para poder esticarmos os braços e tentarmos de alguma maneira chegar até Riga.

No caminho, dentro do ônibus, ainda pude ver dois moleques BÊBAÇOS dormindo encostados em um banco. Não terminou muito e uma tiazona, com uma cara de uns sessenta anos, subiu no busão e pediu o tíquete deles. Como não podia deixar de ser, eles estavam sem e acabaram sendo multados. Ao contrário de como ocorreu comigo quando o tiozão veio bufando pedindo meu tíquete, com eles a tia foi até simpática.

Descemos do ônibus, andamos mais algumas centenas de metros e enfim chegamos ao final da cidade.


Com o braço esticado

Reparem que lá no fundo tem uma outra mina pedindo carona também…


Esticamos o braço e ficamos esperando alguém que nos levasse.

Galera, apesar daquela imagem romântica que a gente tem de pegar carona (o braço estendido, o vento batendo no cabelo, a sensação de liberdade sem fronteiras…) isso às vezes pode ser MUITO chato! Sério, os primeiros dez minutos são até engraçados. Depois de vinte minutos começa a cansar e meia hora depois você já está de saco cheio e começa a pensar na possibilidade de pegar um ônibus mesmo. Comigo não foi diferente.

Enfim, depois de meia hora, comecei a pensar em propor à norueguesa que fôssemos de busão mesmo pra Riga, já que era bem perto.

Passou uns cinco minutos e um carro parou ao meu lado. Dentro da caranga tinha uma cambada de loiro do olho azul de cabelo rastafári, fumando e escutando um reggae no melhor estilo “Maranhão Roots”. Eles pararam ao meu lado, mas assim que viram que estávamos em dois, os caras foram embora sem falar nada. Havia quatro no carro deles e, portanto, vaga pra só mais um. Apesar de ter sido por pouco, aquela parada tinha me dado um ânimo maior e empolguei de novo em pegar carona.

Depois de mais ou menos uns vinte minutos, um simpático casal de velhinhos parou ao nosso lado e nos ofereceu carona. Eles não falavam nada de inglês, mas mesmo assim, através de gestos, “falaram” para entrarmos no carro. Entramos no carro e seguimos, sem eira nem beira, com uma música de James Dean tocando na minha cabeça, em direção à Riga, onde muitas loucuras e presepadas me aguardavam…

Sugestões pro final do post passado

Leonardo Durans sugeriu:

Bicho, quero muito ler o próximo capítulo ;D

a) Ele perguntou se tu tinha dado em cima da mulher dele.

b) Ele saiu logo na porrada.

c) Ele chegou pra te beijar também.

d) nenhuma das anteriores.

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Daniel sugeriu:

“- Claudio, precisamos conversar…”
‘- Maluco, q historia eh essa de dar arroz afrodisiaco pra minha mina, deixar ela toda com vontade, e depois dar pra trás?’ E vai te socar a bota, dizer q tu eh viado..!

EASIUEHASIUEHASIUEHISAUHEIASUEH

Certeza que não deu foi nada!
mas em todo caso, tenho uma música pra vc tbm..:
‘Dói, um tapinha não dóóói..’
;D
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Logicamente todas erradas 😛
Pra quem não entendeu nada, favor checar o post E o dia Amanhece

Final da prosopopéia

Essa foi uma cerveja que me impressionou muito na Lituânia. Mistura de energético e cerveja vendido direto na garrafa. Bom, né?

Ao chegar à festa, assim como falei no post passado, Nedved chegou, me puxou pelo braço e falou que precisava falar comigo. O que se passou na minha cabeça? Uai o que vocês estão pensando também: – Acabou! Morri! Vou comer grama pela raiz! O cara vai me empalar aqui no meio da Lituânia.

Meu coração começou a bater forte e eu estava à espera da minha sentença capital. Ele disse:

– Claudio

Tum, Tum, Tum (dava pra ouvir as batidas do meu coração)

– A Riga

TUM TUM TUM TUM TUM

– Me contou de ontem à noite…

TTTTTTTTTTTTUUUUUUUUUUUUUUUMMMMM…

– Não cara, mas peraí, eu juro que eu não fiz nada! Não foi minha culpa! Sério, eu nunca iria provocar ela!! Mermão, eu juro!! Er… quer saber?? Eu nunca te falei isso, mas eu sou viado!! Isso, VIADO! Nem de mulher eu gosto!! Me caparam quando eu era criança! Eu não queria te falar isso, mas eu sou eunuco!! EUNUCO!! – eu desesperadamente clamava por piedade ao mesmo tempo em que começava a ver o chamado dos meus parentes mortos…

– Não, não, mermão, relaxa! Ela me contou tudo o que ocorreu! Não tem nada de errado. Eu tou ligado que você deve estar assustado com tudo que aconteceu, mas pode ficar de boa. Não há problema algum entre mim e ti. Eu e a Riga mantemos uma relação bem liberal e não haveria problema se algo ocorresse. Estou falando contigo só porque não queria que você ficasse assustado! Pode ficar tranqüilo que está tudo de boa. Toma aqui, bebe essa cerveja!

– Er… Ok! Obrigado!

Ãhn? Como assim? Acabou? Estou vivo? Com os quatro braços? Meu coração ainda está batendo? Obrigado, senhor, por ter piedade de mim!

Pois é, amigo, mas foi isso mesmo. Nada ocorreu. A mina simplesmente queria me pegar e o marido dela não ia encanar com nada. Simples assim…

Após de todo esse aperreio, apenas curtimos a balada. O local era bem agradável e ainda conheci uma galera de Portugal que estava fazendo intercâmbio pelo Eramus.



Assim que cheguei na Lituânia, umas das primeiras fotos que bati foi desse muro pichado escrito “All Cops are Bastards” (todos os policiais são bastardos). Achei engraçado e resolvi bater a foto imaginando que isso devia ser um lema de algum grupo anarquista ou algo do tipo.

Depois descobri que a parada é tipo um lema da galera que gosta de sair à noite e encher a cara. Quando olhei essa tatuagem no braço desse lituano que foi sair com a gente perguntei pra ele o que significava aquelas iniciais. Eles disse: “All Children Are Beautiful” (todas as crianças são lindas). Logicamente eu desconfiei do que era e só posteriormente liguei as iniciais à pichação que havia visto ao chegar em Vilnius



No final, ainda haveria mais uma surpresa


Quando começamos a sair da balada, umas três da manhã, reunimos a galera pra poder ir embora. Pensa que o casal queria ir? Nada…

Depois de um “ataque lituano”, passar o dia inteiro com as costas viradas pra parede temendo pela minha vida e no final sair vivo dessa história toda a gente já começa a achar que nada mais pode ocorrer, correto? Pois é, a noite ainda me aguardava surpresas, meu amigo… Por incrível que pareça!

Mermão, os caras propuseram uma parada massa pra gente. O que vocês acham que foi? Alguém quer chutar? Um cinema? Uma missa? Uma padaria? É bom, né? Tomar um Nescau assim, depois da balada sempre deve fazer bem. Não, claro que não! Eles basicamente propuseram ir para UMA CASA DE SWING! Sim, nos convidaram a ir para uma casa de swing. Mas com uma naturalidade de quem convida pra ir visitar a avó! E eu preocupado com a mulher do cara querendo me beijar…



Achada na balada… Cachaça brasileira...

LOGICAMENTE não aceitei, até porque aí já era MUITA putaria pra mim, meu amigo! Pelamordedeus! Eu tenho valores, e putaria generalizada não é uma parada que me deixe lá tão empolgado! Além disso, teria que acordar cedo no outro dia para poder pegar carona pra Letônia.

Dei uma de “pega-nínguem” e resolvi pegar um táxi para casa. Deixei o casal maluco e a norueguesa lésbica se divertirem por lá e segui o meu caminho pro apartamento pra dormir.

Acordei pela manhã com as malas prontas e, claro, ávido por notícias de como havia sido a noite deles nessa bendita casa de swing. Uma coisa era certa, o potencial para história loucas de um casal maluco e uma lésbica norueguesa em uma casa de swing não deveria ser baixo…

Mas isso são cenas para o próximo capítulo do blog que, como dizia Leo Durans, tá cada dia mais parecendo uma novela, hahahahaha.

Acima alguns comentários de como a história da “conversa com o cara” ia acabar…

E o dia amanhece

No outro dia acordei mais escabreado que peru em véspera de Natal. Assim que fui pra cozinha, Nedved foi saindo pra trabalhar e a mina dele veio falar comigo. Pediu desculpas pelo que tinha ocorrido na noite passada, mas falou que a culpa era minha por ter meio que “provocado” ela. Pensei em pedir desculpas por ser tão irresistível, mas achei melhor falar que tudo tinha ficado de boa. A diplomacia do arroz já tinha obtido sucesso pra fazer amigos, mas fazer uma mulher se apaixonar por mim só porque ela tinha comido do meu arroz (não em duplo sentido nessa frase, cara!), era estranho… Pelo menos era a primeira vez… Meu arroz era meio que um afrodisíaco, pensei…

Depois que eu entrei no banheiro pra tomar um banho que eu comecei a ficar pensando. Êpa, mas peraí, quer dizer que eu estava PROVOCANDO a mina? Ãhn? Como assim?? Eu não fiz nada demais!! E se, ÉGUAS, e se ELA FALASSE ISSO PRA ELE?? Ah mermão, aí o bicho ia pegar!! Imagina o cara ouvindo isso e depois pensando: “Quer dizer que eu dou comida, cerveja, cama e absinto pro cara e ele ainda fica bandeando a minha mulher? Ah, mas ele vai pagar por isso!”. Pronto, agora eu tava feito, pior do que pegar porrada por ter pego a mulher de outro cara, é pegar porrada de um cara e ainda por cima nem ter pego a mulher dele! Mas antes eu tivesse pego!

Enfim, fiquei a manhã e a tarde inteira com o coração disparado! Fiquei imaginando o cara sabendo da história, vindo tomar satisfação comigo e depois me colando na parede a base de pancada. Enfim, uma hora ele iria chegar em casa e eu tinha que pensar no que fazer. Não podia simplesmente pegar minhas coisas e cair fora pra Letônia, afinal, eu tinha combinado com a norueguesa de ir junto com ela. Que desculpa eu iria dar pra não ir? “Ah, tipo, não sei por que, mas me deu uma vontade imensa de ir embora”, não ia colar. O jeito era esperar e enfrentar o urso letão.

O rapaz chegou por volta do final da tarde. Veio falar comigo de boa, naquele jeitão meio louco dele e vi que a mina não tinha contado nada pra ele. Pensa que eu fiquei tranqüilo? Naaadaaa… Pense num menino mais aperreado que moleque correndo de maribondo? Mais aperreado que mãe de astronauta? Pois era eu! Mermão!! Eu chega passei o dia inteiro com as costas viradas pra parede. NÃO TOU EXAGERANDO!! Tou falando sério, mesmo! Eu nunca ia dar minhas costas praquele menino! Não sou nem louco! Ele vinha pra falar comigo eu, CAPLOFT!!!, jogava as costas na parede. Fiquei assim até de noite. Seguro morreu de velho…

Quando foi a noite, ele convidou a mim e a norueguesa para ir a uma balada e fomos nos aprontar. Tomei meu banho, usei uma toalha pra lavar o rosto, outro as pernas e fomos sair. No caminho, claro, o bicho comprou umas cervejas pra gente e descemos pra balada. Chegamos em uma casa que parecia meio abandonada e caindo aos pedaços, mas assim que entramos pude perceber o TANTO de gente que havia no seu subsolo. Uma galera totalmente pirada, dançando e curtindo no melhor estilo “balada Leste Europeu”. Depois de uns dez minutos, Nedved comprou duas cervejas, deu uma pra mim, me chamou no canto e falou: – Claudio, precisamos conversar…

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Comentário comentados

1- Maricotinha perguntou:

Claudiomar, vc se encontrou com a galera do blog lá no bar? Como foi???????

R – Uai, acabei não indo. Não consegui falar com o Thiagones, tivemos um desencontro, e ninguém no blog aqui chegou a dizer que ia. Às vezes acho que ninguém aqui lê o blog snif snif. Acabou que eu nem fui, preferi ficar em casa pra estudar…

Tou vendo outro dia pra poder sair com o Thiagones, mas minha vida tá meio complicada, ainda mais com o fato do edital ter saído marcando a prova do meu concurso pro dia 30 de agosto! Enfim, vou ver o que fazer…

Pra quem me vê falando tanto desse cara e ainda não sabe quem é Thiagones, ele é um dos caras mais famosos da UnB. Produziu por algum tempo um dos programas mais interessantes e engraçados que eu já vi na vida. Era o “Puxando Papo”. Sério, eu ria demais os assistindo e até hoje fico rindo quando revejo. O programa tinha uma ideia muito boa, mas infelizmente não teve continuidade.

Quem tiver a fim de dar umas boas risadas, cheque o vídeo abaixo. Só não posto todos porque tenho medo de vocês gostarem demais do programa e largarem meu blog de mão, já que o “Puxando Papo” é mil vezes mais engraçado que “omundonumamochila.com”. Inclusive, e isso eu nunca falei pro Thiagones, o termo “Suecas Quentes, Uhhh” eu peguei emprestado do “Enfermeiras Quentes, Uhhhh” do Puxando Papo. Enfim, divirtam-se com o programa:

http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=4849163986131148519&hl=en&fs=true


2 – Tomás perguntou:

Olá Claudiomar,

Beleza cara? Bom, talvez você não se lembre de mim mas eu estudei no Girassol (.. nosso colégio de tradição, hehe) e fiz natação na Nadar. Eu e meu irmão Pedro éramos amigos dos seus irmãos Cláudio e Caio, cade eles? Lembro de uma vez que brincamos de “guerra de dardos” num quarto de brinquedo que tinha na sua casa, bem legal!

Bom, desde aquela época eu percebi que você não era mto certo hehe e achei este blog há um tempo e confirmei as minhas suspeitas. Cara, já me diverti muito com suas presepadas. Quando você tiver aqui em São Luís dá uma avisada no blog, quero beber umas contigo e conhecer a parte censurada das suas aventuras hehe

Abraços maranhenses

R – Cara, não me lembro de você só pelo nome não!

Pombas, mas se for pra falar do guerra de dardos é porque isso faz MUITO tempo!!! Tem como tu deixares teu orkut por aí pra gente conversar?



3 – Maricotinha perguntou:


Tem certeza que a toalha não era usada?

R – Maricotinha, eu acho que não, eu tava até tranqüilo. Numa casa organizada e limpa como aquela acho que eles devem lavar toalhas e lençóis umas cinco vezes por semana, não?

Pra quem não entendeu a pergunta dela, ler o post:

http://claudiomar.blogspot.com/2009/06/se-voce-acha-que-ja-leu-tudo-podia-que.html



4 – Anônimo fez uma grande colaboração:

Por acaso nao foi esse a figura q vc encontrou em uzupio?

R – Cara, não era muito parecido com isso não. Esse carro parece ser algo como a polícia séria de Uzupio mesmo! O meu era um tiozão de zoeira!! Mas achei interessante mostrar essa imagem pra galera pra mostrar o que é Uzupio!

Pra quem ainda não sabe o que é Uzupio, é melhor ler um pouquinho mais o blog 😛

http://claudiomar.blogspot.com/2009/06/uzupio.html



5 – Belino perguntou:

Fala claudiomar!

R – Fala Belino, bão?


Pintou mais uma dúvida aqui da série “dúvidas de futuros viajantes”:

você fez algum tipo de seguro saúde? como fazia (se precisou), em caso de ir a um médico ou ter que ter uma receita pra comprar remédio?


abs!
ps.: irada essa idéia do Leo, de fazer o twitter.

R – Cara, dizia a lenda que o seguro saúde é algo obrigatório e que país nenhum te deixaria entrar sem um desses. A desculpa que os países dão é que eles não querem que tu fiques desamparado caso ocorra algum acidente contigo ao viajar. Eu até fiz um seguro-saúde antes de sair do Brasil e ir pros Estados Unidos pela minha agência de intercâmbio mesmo. Depois ainda renovei, porque me falaram que na Europa com certeza não me deixariam entrar sem.

Quer saber a real? Trinta e dois países depois e NINGUÉM sequer mencionou essa droga desse seguro!

Eu acho bom fazer um desses, você nunca sabe quando vai precisar. Eu não precisei em momento algum, pois tenho uma saúde muito boa. Mas meu irmão quando foi para os EUA (ele também é saudável) teve estourado o apêndice dele enquanto ele viajava. Foi levado às pressas pro hospital, submeteu-se a uma cirurgia e teve alta depois de uns dias. Saiu ileso e só gastou 50 dólares, que é “franquia” que você precisa pagar pra poder ser atendido. Se não tivesse seguro-saúde com certeza ele ia gastar uns milhares de dólares no hospital lá. Outro amigo meu também teve que fazer cirurgia pelos EUA. Cara, é aquele negócio, se você tá apertado, não faça, mas saiba que se acontecer uma zebra, você será enterrado como indigente em algum lugar jogado no mundo 😛

Sobre o Twitter, ele já se encontra ao lado do blog. Postarei constantemente falando do blog, espero que a galera curta isso aí 😛

Medo, MUITO medo!


Depois de comermos um arroizão “à maranhensis”, ficamos jogando conversa fora e tomando umas, como já havia dito no post passado.

Começou aí o momento mais emblemático de toda a minha passada pela Lituânia.

A norueguesa depois de um tempo falou que estava começando a ficar com sono e não restou outra alternativa a não ser ir para o quarto dormir. Depois de um tempo, os amigos de Nedved também foram dormir e ficamos só nós três conversando na cozinha. Ficamos um tempão trocando uma ideia. O casal era pirado demais e MUITO gente boa. Conversa daqui, conversa dali, viagem daqui, viagem dali e fomos indo noite adentro. Depois de mais ou menos uma hora, Nedved me falou que tava com sono e que tava muito afim de ir dormir. Perguntou se Riga tava querendo ir também, mas ela falou que não tava com sono e perguntou se eu não poderia fazer um pouco mais de companhia a ela por um tempo. Falei que era de boa, já que eu estava sem sono e fiquei lá.

Nedved falou que tava tudo certo e foi pro quarto. Eu aproveitei pra ir ao banheiro. Quando voltei ocorreu algo que eu tenho na minha cabeça como se tivesse acontecido ontem, ainda agora.

Sentei numa cadeira e quando eu comecei a conversar com a Riga ela começou a olhar fixamente nos meus olhos e sem falar nada. A mulher começou a me encarar de um jeito que eu até comecei a ficar sem graça. Quando eu perguntei o que estava acontecendo, ela nem pensou duas vezes: VLAPT!! VOOU pra cima de mim!! Correu pra cima em um “GO GO FIGHT” sem dó nem piedade. Voou pra cima de mim no famoso “pescoção”.

Eu meio que sem entender o que ela tava fazendo, na hora, instintivamente, achei que ela ia, de molecagem ou brincadeira, tentar me derrubar da cadeira ou jogar cerveja em mim, ou algo assim, por isso desviei. Dei uma de Matrix e por pouco a mina não me beijou.

ÃHN?!?!? Que diabo é isso, doido? A mina tava tentando me beijar? Era isso?? Como assim? Eu estava sendo praticamente atacado! Abusado sexualmente!! Liguem para a polícia!! Chamem a Interpol! Isso é quase um estupro!!

Tentei fazer ela mudar de ideia e demonstrar que eu não queria, mas, pensa que ela desistiu? Claro que não, amigo!! Não é fácil resistir a um corpinho atlético desses aqui. 1,63m de pura emoção!! Não é todo dia que aparece um maranhense desses sarado na sua cozinha!! A mina continuou tentando me agarrar pelo pescoço e a me finalizar e eu desviando no melhor estilo Keanu Reaves.

Por que eu não estava deixando ela me beijar? Não amigo, não é por que eu prezo o matrimônio e a fidelidade entre os casais. Não é por que eu nunca faria um casal feliz e sorridente se desfazer apenas por causa da fraqueza dela perante esse pedaço de mal-caminho aqui não. Ou você acha que eu dei uma de Padre Zezinho e enquanto ela tentava me beijar eu ficava cantando: “Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente/ E que nada no mundo separe um casal sonhador/ Que ninguém interfira no lar e na vida dos dois/ Abençoa senhor as famílias, Amém. Abençoa, senhor, a minha também!”? Claro que não, brother!! Também não é devido a falta de masculinidade! Era mais um instinto de sobrevivência mesmo. Ou você esqueceu que um lituano muito do mal-encarado dormia no quarto ao lado? Acho que o cara não ia gostar muito quando descobrisse o que ocorreu e pensasse no outro dia: “Eu dou comida, cerveja, cama e absinto pro cara e ele ainda come a minha mulher?”. Se um cara normal já ficaria puto imagina um cidadão daquele, com aquela cara de psicopata? No mínimo ele iria servir um “maranhense no espeto” mais ou menos como a chinesa da Austrália…

Você aprontando, né seu maranhense?

Depois de um tempo dela tentando me “atacar” eu tive meio que correr pro meu quarto e dizer que ia dormir. Ela falou que tava tudo bem e perguntou se eu não queria que ela arrumasse minha cama. Numa hora tensa como aquela é claro que eu falei que não. Resolvi ir dormir e ver como o outro dia ia amanhecer.

O que ocorreu pela manhã? Bem, nem preciso dizer que isso é apenas o começo de uma presepada cinco estrelas, né peixe? Fica pro próximo post…

Twitter no blog

Galera, atendendo à sugestão do meu grande amigo Leo Durans, fiz um Twitter do blog.

Ele está aí ao lado e postarei diariamente acerca do blog. Acho que assim a galera fica mais inteirada e menos perdida acerca dos novos posts.

Me adicionem aí “claudiomarr”

Abraços maranhenses