Se você acha que já leu tudo podia que ter acontecido em Vilnius, leia este post.

Galera, acabou que de tanto eu escrever sobre Uzupio me esqueci de falar como e por que ocorreu uma mudança de couch enquanto estive na Lituânia. Por que saí do couch da Aistê, onde só fiquei uma noite, e mudei para um outro. Deixa eu explicar…

Assim que eu decidi viajar para Vilnius, sozinho, fiz o que é de praxe no Couchsurfing.org e saí mandando mensagens pra uma galera pedindo pra me hospedarem. Mandei pra umas dez pessoas diferentes e duas me responderam que podiam me hospedar de boa. Acabei decidindo pela Aistê, parte porque o outro couch seria com um casal e o couch da Aistê era só com ela, parte porque o casal parecia ser MUITO louco pros meus parâmetros.

Assim como já expliquei num post passado, um dia antes de eu partir de Varsóvia para Vilnius, uma norueguesa perguntou se eu ainda estava procurando parceiro de viagem. Respondi que sim e ficamos de nos encontrar já pela Lituânia. Como eu sabia que ela não teria onde ficar pedi para o casal que se ofereceu pra me hospedar que hospedasse a norueguesa também. Eles falaram que podiam hospedar e ficou tudo de boa.

Tudo transcorreu bem. Dormi na casa da Aistê, a mina era gente boa demais e no outro dia me encontrei com a norueguesa (gente, eu não lembro o nome dela :P) e fomos dar um rolê por Vilnius. Combinamos que no outro dia iríamos partir de carona para Letônia e ela me perguntou se não seria mais fácil se dormíssemos juntos na casa do casal para assim, pela manhã, sairmos juntos pra pedir carona. Ela ligou pra eles, eles autorizaram e resolvi descer pra lá.

Passei na casa da Aistê, peguei minhas coisas e parti rumo à casa de um dos casais mais LOUCOS que já pude ver em toda minha vida…

CASA DAS LOUCURAS

Assim que cheguei ao apartamento dos caras, vi que a parada ia ser dura. De cara lembrei do apartamento dos horrores em que havia sido hospedado no Havaí (se você não leu este post ainda, leia! Ele com certeza é um dos mais engraçados que já ocorreu). A casa era toda doida as paredes descascadas e mal-pintadas e bagunça pra todo o lado. Comecei a me perguntar se alguém realmente morava por aquele apartamento.

Logo de começo me foi apresentado o casal dono do apartamento: Riga e Nedved. Os caras pareciam ser loucos DEMAIS!! Você via pela cara deles que eles não eram pessoas muito “normais”. Larguei minhas mochilas e fui conversar com os bichos.

Antes de eu começar a contar como foi a história, só para ilustrar, vou contar como era o apartamento em que fiquei hospedado. O banheiro tinha uma banheira igual à do Havaí com o mesmo estilo dégradé da de lá. Não existia chuveiro! O “chuveiro” era uma mangueirinha que você ligava e tinha que ficar segurando enquanto se molhava! Impossível de tomar banho!!

Quando pedi emprestada uma toalha, já que a minha estava molhada, o cidadão foi lá e me trouxe duas, ao invés de uma – Pra que diabos eu vou querer duas toalhas? – Eu perguntei. O bicho foi lá e me explicou:

– Rapaz, é porque aqui em casa eu costumo usar duas toalhas e talvez você pensasse em fazer o mesmo! Com uma das toalhas eu enxugo o meu rosto. Com a outra toalha eu enxugo minhas bolas. Ou você acha que a mesma toalha que eu passo nas minhas bolas eu vou passar no meu rosto?

Rapaz… Não é que a parada faz sentido? Você já parou pra pensar que todos os dias você praticamente esfrega as suas, digamos, “partes baixas” na sua cara quando vai se enxugar depois do banho? Diga aí, você nunca mais vai se enxugar direito depois de uma dessas, né? Pois é, eu também não.

Depois que tomei meu banho, Nedved perguntou o que eu queria comer. Falei pra ele que acho que seria de boa se eu preparasse uma comida brasileira pra galera poder sentir um pouco mais o que era Brasil. Ele curtiu a ideia e me chamou pra ir ao supermercado com ele pra poder comprar os ingredientes.

Sambando na Lituânia

Fomos ao supermercado e começamos a pegar os ingredientes para o “brazilian dish”. Ao chegarmos ao supermercado ele foi pegando as coisas e eu comecei a contar: Uma cebola, um tomate, meio quilo de carne, sal, alho, um pacote de arroz e PRÁÁÁ!! CINQÜENTA DE CERVEJAS!!! O cara começou a LOTAR, sem dó nem piedade, o carrinho de cerveja!! E o pior que ele ia enfiando as cervejas dentro do carrinho e ia contando em voz alta: 1, 2, 20, 30, 40, 50!!! CINQÜENTA!! CERTINHO!!! “É melhor sobrar do que faltar” – ele disse pra mim… Er, com certeza!

Voltamos pra casa e a galera nem perguntou do arroz, foi logo abrindo as cervejas e começando a encher a cara! Eu meio que me senti desprestigiado. Pô! Tava cozinhando pra galera e galera só querendo encher a cara!! Enfim, enquanto eu cozinhava o arroz, o casal, a norueguesa e mais uns amigos deles que estavam lá foram detonando as cervejas!! A parada ficou pronta e, como já era de se esperar, foi um sucesso geral! Todo mundo comendo que nem uns bichos o meu arroz, não sei se porque estava gostoso, não sei se era por causa da cerveja mesmo! Depois que terminamos de comer, claro, entrei na onda da galera e comecei a beber também. Rapaz, mas quem disse que deu tempo? Os caras beberam as cervejas MUITO rápido! Só deu tempo de eu beber umas duas garrafas – Devíamos ter comprado 70! – pensei.

Mas acha que tem jogo ruim pra galera? Tem não, amigo!! Lá de dentro dos quartos deles a mina só veio e me apareceu com aquilo que iria marcar a minha noite: Uma mini-garrafa de absinto. Sim, cara, absinto! A fadinha verde, pros mais íntimos!! A galera acho que não tá muito ligada no que estou falando, no que seria absinto. Ela é mais conhecida como a bebida do demônio!! A fada verde! A bebida com maior gradação alcoólica vendida no mundo. No Brasil ela é vendida com a gradação de “apenas” 53% (a legislação brasileira só permite a venda até 54%), mas no exterior ela é comercializada naturalmente a meros 75% de álcool!! DO MAL!!

Olha o que eu trouxe lá de dentro brasileirinho, HUÁ HUÁ HUÁ

Mermão, no início eu fiquei com medo daquela parada, mas quem tá na chuva é pra se molhar. Eita, mas foi a primeira golada e eu já senti a minha alma entrando e saindo do corpo. Parece que você vai virar do avesso!!

Depois de um tempo chegaram algumas bebidas e continuamos conversando e nos divertindo. Após mais ou menos uma hora uma parte do povo foi dormir e eu fui ficando com cada vez menos pessoas comigo na cozinha. Bem, aí você vai pensando… Álcool a rodo, cada vez menos gente ficando na cozinha, todo mundo louco. O que mais pode sair de uma arrumação dessas?

De tanto os caras me falarem como se dizia “Saúde” em lituano e eu nunca decorar, eles foram lá e escreveram no meu braço, hehehe

Enfim, vou deixar vocês curiosos, depois posto o final da história, hehehehe… Mas posso adiantar, a presepada vai ser GRANDE!! Com certeza uma das maiores já ocorridas em toda viagem!! Se não a maior, com certeza a que me fez sentir mais próximo da morte em todo este ano de viagem pelo mundo…

Presepada cinco estrelas, pode contar comigo…

Beba Absinto e tenha o mundo aos seus pés!! Er… Quer dizer, tome absinto e sinta-se aos pés do mundo!!

P.s: Esta é apenas uma peça publicitária. Logicamente eu não capotei embriagado no chão. A garrafa encontra-se quase que totalmente cheia e tampouco fumo, tirei essa foto só pra fazer graça mesmo, hehehehe… Era pra ela ficar parecida com essa foto aqui de baixo:gatochapado.jpg

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Vestibular cidadão

Povo, vou aproveitar o espaço no blog aqui e dar um recado pro pessoal que mora aqui em Brasília.

Estão abertas as inscrições para o cursinho pré-vestibular “Vestibular Cidadão”.

Até aí nada demais, né? Milhares de cursinho pelo Brasil inteiro estão abrindo vagas.

Mas então, o que diferencia o “Vestibular Cidadão” e os outros cursinhos de Brasília é o fato de o mesmo ser gratuito!! Sim, brother? De graça, NA FAIXA! Ele é um cursinho pré-vestibular que a galera do meu semestre na UnB (eu fui o primeiro coordenador de física, dá pra acreditar?) montou há uns cinco anos atrás!!

Para participar da seleção basta apenas ser aluno de baixa renda oriundo de escolas públicas ou bolsista de particulares.

Caso haja interesse favor visitar o blog para mais detalhes.

Abraços maranhenses

Uzupio

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Caminhei por aquele lugar, que mais parecia saído de uma guerra, por mais ou menos uma hora sem ter noção que tinha acabado de entrar em outro país. As casas eram todas mal-conservadas e pessoas alcolizadas caminhavam mal-vestidas pelas ruas sinuosas. Qualquer cidadão normal ficaria intimidado em andar por aquelas ruas naquela hora da noite, mas como tenho um blog pra escrever e havia vários barzinhos pelo caminho com pessoas bebendo e farreando, fiquei mais tranqüilo.

Observando um pouco mais, pude perceber que algumas obras-de-arte pareciam estar espalhadas pelas ruas. Painéis pintados em paredes de casas, esculturas aparentemente sem sentido e um ar de “arte ao ar livre” indescritível. Uzupio parecia ser mais um bar boêmio, tal qual a Lapa no Rio de Janeiro, o Reviver em São Luís ou o… o… enfim, não tem bairro boêmio em Brasília.

Como já estava começando a ficar tarde, resolvi ir logo me encontrar com minha host e ir pra casa dela pra largar minha mochila por lá, afinal, apesar de ter deixado metade das minhas coisas na Polônia, caminhar um dia inteiro com metade de uma mochila nas costas deixa qualquer um cansado.Ao chegar à casa de Aiste (era como se chamava a minha host) ela me explicou o que era Uzupio. O país que nasceu meio que de zoeira fundado por um bando de bêbados, meio como uma manifestação de arte contra o status quo.
Essa pra mim é uma das preferidas. Uma ponte que liga nenhum lugar a lugar nenhum. Reparem que a ponte não serve de nada! Impossível utilizá-la para atravessar o rio!
Uzupio hoje faz parte do seleto grupo de cidades Patrimônio da Humanidade reconhecido pela UNESCO (assim como São Luís) e é um dos melhores lugares pra sair e se divertir em Vilnius, ou perto de Vilnius, como achar melhor, já que Uzupio declarou independência da Lituânia em 1997.
Galera fazendo o que há de mais importante em Uzupio: Encher a cara e se divertir…
Bandeira de Uzupio
A história de Uzupio começa por volta do século XVI quando judeus começaram a mudar para lá e se estabelecer. Durante o Holocausto, os nazistas dizimaram os judeus de Uzupio deixando o distrito praticamente deserto. As suas casas abandonadas foram dando abrigos para elementos marginais da sociedade lituana, tais quais bêbados, prostitutas e mendigos.
Faço-lhe uma pergunta: Faltamente, qual parece ser sempre o destino de bairros que acabam assim? Com prostitutas e bêbados por todos os lados? Eu sei que você já tem a resposta. Dessas zonas de depreciação humana total costumam sempre emergir contracultura e manifestações artísticas. Foi assim com a Lapa e foi assim com o Reviver no Maranhão.Até a declaração da independência da Lituânia em 1991, Uzupio costumava ser o refúgio de boêmios, guerreiros partisans, local de manifestação e propagação do nacionalismo lituano, já que, devido a seu estado abandonado, pouco chamava a atenção da KGB. Uzupio era o bairro em que, por mais que sofressem uma tirania diária, os lituanos podiam sentir o prazer e orgulho de serem lituanos.Hoje, como já disse anteriormente, Uzupio é um patrimônio Lituano, ou um país independente, como achar melhor, e detém a sua própria polícia, o seu próprio exército (composto de 12 homens, em sua maioria velhos e bêbados), bandeira, unidade monetária e etc.
E claro, como toda nação independente, Uzupio também possui a sua Constituição que se encontra estampada em algumas das paredes de suas ruas.
Pra galera que manja o inglês, vale a pena dar um zoom nessa foto e ler um por os caputs da Constituição de Uzupio. Vale muito a pena
Dentre os vários caputs da Constituição de Uzupio, alguns são os meus preferidos tais quais:
3 – Todo mundo tem o direito de morrer, mas isso não é uma obrigação.
4 – Todo mundo tem o direito de cometer enganos.
5 – Todo mundo tem o direito de ser único.
6 – Todo mundo tem o direito de amar.
10 – Todo mundo tem o direito de amar e cuidar do seu gato.
12 – Um cachorro tem o direito de ser um cachorro (ou em outras palavras, você tem o direito de ser o que você quiser)
14 – Por alguns momentos, as pessoas podem se livrar das suas obrigações
16 – Todo mundo tem o direito de ser feliz
17 – Todo mundo tem o direito de ser infeliz (Esses dois artigos em contradição definem o direito que o homem possui de fazer ou deixar de fazer algo de acordo com o seus desejos)
21 – Todos tem o direito de apreciar a sua falta de importância.
26 – Todos tem direito de celebrar ou não celebrar o seu aniversário (mesmo tipo de artigo do caput 16 e 17).
27 – Todos DEVEM lembrar o seu nome.
28 – As pessoas podem dividir os seus pertences.
29 – Ninguém pode compartilhar o que não é seu.
37 – Todo mundo tem o direito de não ter direitos.
40 – Não retaliem

41 – Nunca desistam.



Constituição de Uzupio em três línguas

Uzupio é isso: uma cidade que ao mesmo tempo em que é uma grande exposição de arte e cultura a céu aberto é totalmente grátis para quem quiser apreciar. Uma grande manifestação para que os homens nunca parem de lutar e nunca se dobrem para nenhum tipo de tirania.

Teve algo que ocorreu com a gente quando voltamos para Uzupio em outra noite que eu nunca esqueci. Estávamos andando pelo meio das ruas bebendo algumas cervejas quando um carro caindo aos pedaços e com uma sirene de polícia em cima apareceu. Ele parou do nosso lado e lá de dentro um tiozão com um bigode IMENSO virou pra gente e perguntou se estava tudo bem, tudo na mais santa paz. Respondemos que sim e após isso ele nos perguntou se já estávamos bêbados. Quando respondemos que estávamos caminhando para isso, ele nos reprimiu e falou que em Uzupio ele costuma colocar nas grades pessoas que andam sóbrias pelas ruas. Apesar de não haver isso na sua Constituição, ele dizia que isso era algo como uma lei local e caso ele voltasse e ainda não estivéssemos bêbados a casa ia cair pra gente. Depois que ele foi embora, o meu host me explicou que aquele tiozão era o xerife de Uzupio, uma figura muito querida na cidade de Vilnius. Ele é um senhor aposentado e passa as suas noites andando com a sua velha viatura e conversando com as pessoas e os turistas. Apenas mais uma das várias figuras que nos reservava aquela estonteante manifestação artística que era Uzupio.
Se ele estava falando sério ou não, resolvemos não nos arriscar. Enchemos a cara e voltamos cambaleando pra casa. É sempre bom seguir os conselhos das autoridades locais…
Abraços maranhenses
Cadeado com o nome e a data de casamento de um casal
P.s: Acabou que eu esqueci de explicar qual era a dos cadeados nas pontes. A galera me explicou que isso é uma tradição na Lituânia. Assim que as pessoas casam, elas vão e colocam cadeados na ponte de Uzupio com os nomes do casal escritos neles. Tá certo que sempre tem uns sem-noção que exageram no tamanho do cadeado, mas fica uma ambientação interessante…

Museu do Genocídio

Após o acontecimento com o tiozão com sangue nos olhos, não me restou outra opção senão a de ficar vagando por Vilnius enquanto a minha host não saía do trabalho. Liguei pra ela do skype e ficamos de nos encontrar às 18h numa das praças da cidade.

Desci no centro e fiquei caminhando.

Mais uma vez me chamou bastante a atenção a diferença que parecia haver entre Vilnius e as outras cidades da Polônia que eu já estivera. Parecia haver um precipício imenso entre dois países com histórias tão parecidas (Lituânia e Polônia chegaram a se unir e formar um mesmo país por mais de cem anos) e tão próximos.

Caminhando por lá, acabei indo parar em um tipo de museu que existe em todos os países da Europa Oriental: Museu das atrocidades cometidas pela União Soviética. O museu fica localizado numa das várias ex-prisões da KGB e atende pelo simpático nome de “Museu em homenagem as vítimas do genocídio na Lituânia” Era interessante porque era possível ver as celas onde eles encarceravam os desafortunados da resistência lituana e também os vários brinquedinhos de tortura. Dentre os vários instrumentos de tortura, teve um que me chamou muito a atenção pela simplicidade, mas principalmente pela eficácia. Fiz um esqueminha abaixo pra vocês poderem entender:

Pode parecer idiota, né? É só um cara em cima de um banquinho com um bando de água. E aí? Se ele ficar com sede ele pode até tomar um gole, né? Pois é, agora imagina você tendo que ficar numa sala como essa, em pé, durante dias? Quer piorar? Imagine como deveria ficar agradável durante o inverno? Cinco, três graus… A água vire praticamente um veneno. Não-raro prisioneiros tombavam de exaustão.

Cara, sacaram a genialidade da parada? Você não precisa de carrasco, não precisa se preocupar em gastar energia descendo o cacete no figura e o custo é irrisório. Apenas água e muita determinação. Fiquei de cara com a crueldade da parada, meu…

Também é mostrada no museu a resistência lituana contra a dominação soviética, exaltando os “diversos heróis da pátria” que lutavam numa guerra Partisan, guerra de guerrilhas. Logicamente, tal resistência foi irrisória e apenas serviu para nutrir o sentimento de nacionalismo lituano.

Depois de mais ou menos uma hora na prisão, ainda pude ver no final algumas covas coletivas onde os russos enterravam os corpos de prisioneiros desafortunados.

Assim que saí do museu, conheci uma brasileira gente boa demais que morava na Rússia e tava dando um rolê por aquelas bandas. Ficamos amigos e começamos a andar pela cidade.

Andando com a mina, surgiu essa escultura mais do que louca na nossa frente!! Um bando de torneira jorrando água com uma cambada de pneus jogados. O que seria isso? Uma fonte? Um cérebro (pior que parece mesmo, dá só uma olhada melhor…)? Uma intervenção urbana? Nunca saberemos, amigos…

Depois de alguns minutos e algumas fotos, nos deparamos com uma cena, no mínimo, inusitada.

Vários cadeados de todos os tamanhos, formas e cores encontravam-se dependurados em uma ponte próxima a esta placa abaixo:

Não sabia, mas estava adentrando em outro país, a República Independente de Uzupio, um dos lugares mais interessantes em que estive durante toda a viagem.

Mas isso é assunto pros próximos capítulos…

Sem internet

Galera… vim aqui só pra avisar aos leitores que ainda estou vivo…

Cometemos uma vacilo aqui em casa e esquecemos de pagar a internet, logo a mesma foi cortada 😛

Só estou conseguindo fazer este post neste exato momento porque consigo roubar um pouco da internet de alguns dos meus vizinhos, mas o sinal está MUITO fraco…

Em um ou dois dias a situação estará normalizada.

Enquanto isso, tava pensando em combinar com o Thiagones de reunir a galera que lê o blog pra gente ir tomar umas cervejas no sábado agora. Tem alguém interessado em aparecer? Nos encontraremos no bar “por-do-sol” (408 Norte), provavelmente no sábado, em horário a definir ainda. Quem estiver interessado e quiser comparecer pra conversar sobre detalhes da viagem, bater um papo ou apenas ouvir sobre presepadas e outras histórias mais que não posso publicar por aqui, me dá um ligada. Meu telefone é 913 4914. Só não liguem das 19h às 22:30, porque estarei em aula 😛

Espero que pelo menos uma pessoa me ligue, hahahaha…

Abraços maranhenses

Sem internet

Galera… vim aqui só pra avisar aos leitores que ainda estou vivo…

Cometemos uma vacilo aqui em casa e esquecemos de pagar a internet, logo a mesma foi cortada 😛

Só estou conseguindo fazer este post neste exato momento porque consigo roubar um pouco da internet de alguns dos meus vizinhos, mas o sinal está MUITO fraco…

Em um ou dois dias a situação estará normalizada.

Enquanto isso, tava pensando em combinar com o Thiagones de reunir a galera que lê o blog pra gente ir tomar umas cervejas no sábado agora. Tem alguém interessado em aparecer? Nos encontraremos no bar “por-do-sol” (408 Norte), provavelmente no sábado, em horário a definir ainda. Quem estiver interessado e quiser comparecer pra conversar sobre detalhes da viagem, bater um papo ou apenas ouvir sobre presepadas e outras histórias mais que não posso publicar por aqui, me dá um ligada. Meu telefone é 913 4914. Só não liguem das 19h às 22:30, porque estarei em aula 😛

Espero que pelo menos uma pessoa me ligue, hahahaha…

Abraços maranhenses

Saindo da rodoviária

Assim que cheguei a Vilnius, a primeira coisa que tentei fazer, claro, foi tentar achar o lugar onde a minha host morava, largar minhas mochilas por lá e sair perambulando pela cidade.

Na rodoviária, tentei por diversas vezes ver se alguém falava inglês, mas lá não tinha ninguém jovem e, na Europa Oriental, se você não tem menos de trinta anos, você fatalmente não falará inglês. Depois de várias tentativas frustradas não me restou outra opção senão utilizar uma velha tática que nunca falhava em nenhum lugar do mundo: Escrever em um papel o nome do bairro da minha host, chegar perto de qualquer transeunte, apontar para qualquer busão, apontar pro pedaço de papel e fazer uma cara de bobo do tipo “qual busão eu entro”?

Cheguei pra um tiozão barbudo, careca e que parecia realmente pegar busão todos os dias e fiz a técnica do “pedaço-de-papel-qual-onibus-cara-de-bobo”. Vi que o tiozão meio que ficou achando graça da minha cara de bobo (cara, eu sou muito bom em fazer uma cara assim, pode acreditar!) e depois de algum tempo apontou pra um busão qualquer em que eu entrei sem pestanejar.

Entrando no ônibus, era chegada a hora do segundo round: Descobrir como se fazia pra PAGAR o ônibus. É, pode parecer besteira, mas parece que cada país que ser mais criativo que o outro quando a matéria é cobrança nos ônibus. Em cada país diferente acontece uma verdadeira epopéia para descobrir como se fazer pra pagar a passagem. Assim que entrei, tentei procurar alguém que aparentasse ter menos que 20 anos pra perguntar, mas não foi preciso, uma tiazona veio ao meu encontro chacoalhando o que parecia ser um cilindro de alumínio e pelo som que fazia dentro daquele “chocalho lituano” parecia haver moedas dentro dele. Saquei logo, ela era a cobradora.

Como não tinha a mínima ideia de quanto seria a passagem, peguei o equivalente a 10 dólares em moeda lituana e dei pra mulher. Pô, mais que dez dólares eu tinha certeza que não ia ser! A veia ficou injuriada e vi que ela gesticulava e mandava eu pegar uma nota menor. Peguei o equivalente a cinco dólares e ela a contragosto me deu umas seis notas diferentes de troco!

Pelo menos eu já tinha aprendido a pegar ônibus na Lituânia…

Mostrei pra ela aonde iria e pedi pra ela me avisar o momento certo de descer.

Fiquei sussa e quando foi a hora certa, a tia me cutucou e eu desci na parada que ela me mostrou.

Tentando chegar em casa

Assim que desci do ônibus, peguei o mapinha que tinha imprimido com as coordenadas de como chegar ao apartamento e segui caminhando. Teria que ir rápido, pois já eram rodados 07h50min da manhã e ela falou que tinha que sair de casa às 8h para seguir para o trabalho. Andei até o ponto que ela havia me falado para que assim que chegasse ligasse ou mandasse uma mensagem.

Mandei uma mensagem e esperei um tempinho. Deu uns dez segundos e meu celular começou a tocar, era ela! Quando fui atender, veio a melhor parte: a minha bateria caiu e não teve como atender. E agora? O que eu deveria fazer? Teria ela ligado pra avisar que já tinha ido ao trabalho? Pra avisar que me via da janela do apartamento dela? Pra avisar que estava indo me buscar? Eu não sabia! De uma maneira ou de outra, o melhor a se fazer era esperar e ver o que iria acontecer.

A melhor parte era onde eu estava. No meio de um descampado! Imagina a cena! No meio de um descampado enorme, um latino moreno, com uma mochila nas costas, de pé, olhando pros lados e esperando ser resgatado por a sua host. TODO mundo que passava, aquela galera branquinha e de olhos claros, indo pro trabalho ou levando as crianças pra escola, parava e ficava me olhando com uma cara de “que porra é essa”?

Depois de meia hora, vi que havia ocorrido um problema e resolvi pegar a minha mochila e tentar ligar pra mina de algum lugar pra poder ver o que tinha ocorrido. Comprei um cartão telefônico de uma velha que não sabia falar inglês (tirei o meu cartão de crédito do bolso, apontei para ele e depois apontei pra um orelhão como que dizendo “cartão para o telefone” e ela acabou entendendo) e tentei ligar pra mina, mas sem sucesso. Já era quase nove e deu pra perceber que realmente não ia dar pra eu encontrá-la pela manhã. Peguei minha mochila e resolvi ir dar uma volta no centro.

Tentando chegar ao centro

Aproveitei que tinha uma galera indo pra escola e perguntei pra uns meninos lá que busão eu poderia pegar pra ir ao centro. Eles me apontaram um e eu fui entrando. Entrei, sentei e fiquei esperando o cobrador chegar pra me cobrar a passagem assim como a tiazona tinha feito no primeiro busão que eu pegara na rodoviária. Rapaz, pra que…

Passou uns dez minutos e nada de aparecer ninguém pra me cobrar, como não sabia o que fazer, resolvi descer do ônibus e perguntar pra alguém nas paradas como eu fazia pra pagar o diabo do busão que ia para o centro. Ledo engano…

Rapaz, pela mesma porta que eu ia descendo, subiu um tiozão barbudo NA FEBRE e bufando pra cima de mim. Ele não deixou eu descer e começou a me xingar miseravelmente em lituano e falou que eu teria que pagar pra andar no ônibus (Jura? Na Lituânia vocês pagam pra andar de ônibus? É que no Maranhão não tem isso – deu vontade de falar pra ele quando ele veio me xingando!)!! Chega os olhos verdes dele pareciam duas tochas! Ele babava de raiva e gritava pra mim assim, basicamente, no meio do busão LOTADO, com uma galera indo pro trabalho e, lógico, com uma pancada de gatinha indo pra escola. Eu não merecia toda aquela vergonha…

Tentei explicar pro figura, em inglês, que eu estava apenas esperando algum cobrador que nem ele aparecer (país estranho esse, os cobradores ficam nas paradas e não dentro dos ônibus!) que eu prontamente iria pagar pela passagem. Não adiantou. O tiozão não falava inglês e quando viu que eu não falava lituano, a única palavra que ele falava, ou gritava, em inglês era “PAY, PAY, PAY!!”. Me lembrou até o indiano de Delhi que só sabia falar “Fee, Fee, Fee”. Como não tava afim de ficar pegando grito de graça, resolvi tirar dois dólares do bolso e dar pra ele pra ver se ele me deixava em paz. Quem disse que ele aceitou?? Depois caiu a ficha! O cidadão que tava me xingando e gritando comigo não era um cobrador de ônibus! Não, ele era mais que isso!! Ele era um FISCAL!! Daqueles que sobem pra checar se a galera pagou pela passagem. E não, ele não estava me cobrando pela passagem, ele tava era ME APLICANDO UMA MULTA!

Ah meu amigo, mas aí a gente ia sair no tapa, porque multa eu não ia pagar. Só pra vocês terem uma ideia, todas as informações de como proceder com o tíquete estava em lituano e a última multinha que eu tinha pago por andar sem passagem no ônibus (deve vez de sem-vergonhagem mesmo, pois tava usando o tíquete errado de propósito) foi na Austrália e me custou a bagatela de cem dólares. A multa por andar sem tíquete na Polônia custava 50 euros. Geralmente a multa de andar sem passagem custa de 50 a 100 vezes o preço do tíquete. Devido ao showzinho todo do fiscal, a multa na Lituânia devia ser pra lá de uns 1000 dólares.

O tiozão não parava de gritar “PAY, PAY, PAY”. Eu comecei foi a balançar a cabeça negativamente a e falar pra ele em português: “Pay porra nenhuma”. A gente ficou nessa de “PAY, PAY, PAY” e de “Pay, porra nenhuma” um tempão. Eu tava era esperando ele me dar voz de prisão e me levar pra uma delegacia, porque enquanto eu não achasse alguém que falasse inglês e para quem pudesse explicar que eu não tinha como ADIVINHAR como se fazia pra poder pagar uma porra de uma passagem, eu não ia aquietar. E isso, claro, esqueci de falar, o ônibus parado com o motorista esperando o fiscal descer. Depois de uns dez minutos nessa putaria, veio um moleque lá e começou a intermediar o conflito.

Ele tentou falar com o fiscal, explicar que eu era estrangeiro, mas o fiscal tava irredutível. Sem sucesso com o fiscal, o moleque veio falar comigo:

– Pô brother, o cara não vai livrar essa de você não.

– Amigo, então não tem o que fazer! Não é culpa minha se todas as informações estão em lituano! Até agora eu não sei como funciona esse sistema de passagem – falei pro menino que tentava me ajudar.

– Tou ligado, cara. É complicado mesmo, mas isso não é culpa dele. Ele tá apenas cumprindo o serviço dele que é multar quem tá sem passagem.

– Boto fé, mas também não é culpa minha.

– Cara, vou jogar a real pra você, paga logo o fiscal porque tá todo mundo indo pro trabalho aqui, o ônibus tá parado e ele pode te dar voz de prisão, o que vai acabar sendo bem pior pra você!

– Não quero nem saber! Eu não tenho dinheiro pra ficar pagando multa assim de graça não, amigo!

– Pombas, se esse for o problema, pode deixar que eu pago sua multa e assim podemos seguir viagem!

(Esse cara deve ser muito rico – pensei)

– Não meu, paga essa multa não!

– Ah cara, relaxa, 15 litas não vão me fazer falta.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

– ÃHN?!?!?!?! Quer dizer que a porra da multa é só de SETE DÓLARES?!?!??!?!

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

– Sim! Por isso que eu não entendo porque você não quer pagar!

– Porra, nós tamos nesse auê todo só por causa de SETE DÓLARES?? Eu achei que ia ter que pagar era uns cinqüenta euros!! Pombas!! Toma aqui fiscal imbecil!! Se quiser eu pago é cem multas!!

Sim, cara!! Acredita nisso? Eu quase fui preso (correndo o risco de ser estuprado por uns africanos imigrantes ilegais no xadrez) ou linchado por uma multidão lituana ensandecida querendo ir pro trabalho por causa de quinze reais!! Pô, a multa era menos que quinze vezes o valor da passagem!! Eu hein!!

A Lituânia sempre pronta para lhe surpreender

Se você tá achando que as bizarrices do sistema de transporte da Lituânia param por aí, você está enganado! Até agora você deve estar se perguntando como é que os bichos faziam pra cobrar a passagem naquele busão, né? Eu também desci no centro me perguntando… Tive que ir num quiosque de ajuda ao turista pra poder descobrir como proceder pra fazer uma das coisas aparentemente mais fáceis do mundo: Pagar uma maldita passagem de ônibus. Chegando lá descobri que a mulher do quiosque não falava inglês! Juro que fiquei me perguntando de que serve um quiosque de ajuda ao turista que só sabe uma língua falada por menos de 4 milhões de pessoas! Até o Maranhão tem mais gente que isso!

Um cara que ia passando pelo local, ao notar meu calvário, resolveu me explicar. Era bem simples, cara… Se liga no cara me explicando:

– É bem simples, amigo, basta você prestar atenção na numeração dos ônibus!! Os ônibus de 11 a 20, você paga para o cobrador que estará dentro. Os de 21 a 40 você paga diretamente ao motorista. Os de 41 a 60, você precisa comprar o tíquete com antecedência em um quiosque e entregar para o motorista. Os de 61 a 80 você deve comprar um tíquete na banca, entrar no ônibus e furá-lo numa maquininha que vai ter lá dentro! Por último tem os de número 90, mas esses são apenas para fazer city-tour pela cidade…

Anotaste? Sabe aquela história que eu falei que cada país tenta ser o mais criativo possível quando o assunto é ônibus? Pois é! Na Lituânia é simples como passar raiva em Teresina.

Feito para turista. Se for para Vilnius, alugue um elefante, deve ser mais fácil se movimentar pela cidade…

Melhor, não compre o tíquete! Pague os sete dólares da multa! Confesso que vai valer a pena ver o tiozão na febre pra cima de você…

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Comentários Comentados

Belino comentou:

fala aí claudiomar!

finalmente cheguei no post de hoje. deve ter uns 2 meses que conheci o teu blog e vim lendo desde a austrália. é notável a melhoria que você fez nos posts no meio desse “caminho”. as presepadas são sempre divertidas, mas a grande informação cultural também é muito interessante (aquele post sobre os deuses indianos, pra mim, foi sensacional! entender que o fim (shiva) é tão importante como o início é uma mudança e tanto nas nossas mentes ocidentais).

enfim, ando planejando minha viagem também e sempre me surgem dúvidas. não to lembrando de todas no momento, mas tem 3 em especial que gostaria que respondesse (se possível!):

1) vejo você sempre falando de ligar, deixar telefone, etc. você levou um celular do brasil e habilitou roaming internacional? compra sempre um chip pré-pago quando chega em um lugar? conta aí…

2) a grana toda que você juntou (a que seu pai te deu, a que vc tinha, a do seu trabalho nos eua, etc), você vai sacando pelo mundo ou juntou tudo com você e levou (ou tem outra forma de administrar a grana)? fico imaginando: levar a grana toda por aí é um risco e tanto, não?

3) por falar em grana, você tem como divulgar quanto você usou nessa mega experiencia fantástica? isso vai ajudar bastante quem planeja algo assim…

valeu cara! continuarei acessando o blog. a única pena de ter chegado até o post atual, é que agora não tenho vários e vários textos por dia para ler e, de certa forma, viajar junto!

abração!

Aproveitando que estamos no “show do intervalo” do blog, vou aproveitar para responder a essas suas perguntas que devem ser perguntas de várias pessoas.

Vamos lá, vamos por partes:

1) vejo você sempre falando de ligar, deixar telefone, etc. você levou um celular do brasil e habilitou roaming internacional? compra sempre um chip pré-pago quando chega em um lugar? conta aí…

Cara, como funcionava… Comprei um celular enquanto estive nos Estados Unidos, o desbloqueie e fui comprando chips pelo caminho. Como funcionava a minha estratégia pra comprar chips? Se eu fosse ficar mais de duas semanas no PAÍS ou se o preço do chip fosse muito barato (pô, cheguei a pagar 2 reais por um chip na Indonésia) eu ia lá e comprava um chip pra poder ficar me comunicando com a galera. Sério, é MUITO mais fácil e eu só mandava mensagem, o que era consideravelmente mais barato. Mas acontecia de várias pessoas utilizarem os celulares dos seus países mesmo, mas sempre nesse esquema de só mandar mensagem…

2) a grana toda que você juntou (a que seu pai te deu, a que vc tinha, a do seu trabalho nos eua, etc), você vai sacando pelo mundo ou juntou tudo com você e levou (ou tem outra forma de administrar a grana)? fico imaginando: levar a grana toda por aí é um risco e tanto, não?

Isso foi uma parada interessante. Eu dividi a minha grana em três contas diferentes. Tinha uma conta com alguma grana aqui no Brasil, uma conta com MUITA grana nos EUA (que foi a o dinheiro que fiz trabalhando por lá) e também utilizava o cartão de crédito do meu pai. Como eu administrava isso tudo? Se você tem um cartão Visa, não importa se crédito ou débito, você pode sacar em qualquer caixa eletrônico do mundo que aceite Visa. Mágico, não?? Então sempre que eu precisava de dinheiro pelas quebradas, eu sacava em qualquer lugar do mundo. Porém, sempre há um porém. Porém as taxas eram MUITO caras pra poder sacar mundo afora. Eu pagava OITO dólares POR SAQUE cada vez que eu tirava dinheiro da minha conta dos EUA o que invariavelmente me fazia sacar grandes montantes de uma vez. Eu só sacava 500 dólares por vez e metia no bolso mesmo. Não era o mais seguro, mas pelo menos não corria o risco de chegar em uma região totalmente inóspita, que não aceitasse cartão de crédito e ter que fazer como um brother meu que no Vietnã teve que pagar um mototáxi pra viajar com ele 300 km até o caixa eletrônico mais próximo (300 km ida, 300 km volta, imagina?).

3) por falar em grana, você tem como divulgar quanto você usou nessa mega experiencia fantástica? isso vai ajudar bastante quem planeja algo assim…

Cara, eu basicamente planejava sempre gastar menos do que 20 dólares por dia, o que nem sempre eu chegava a gastar isso tudo. Quanto eu gastei no total? Bem de início investi 15.000 reais pra poder sair do Brasil. Nos EUA fiz mais 5000 dólares. Essa grana deu pro ano inteiro, a não ser no último mês que foi quando eu comecei a sacar dinheiro do cartão de crédito do meu pai 😛

No mais é isso, acho que várias pessoas já vieram me perguntando isso 🙂

abraços maranhenses

P.s: Pra galera que andou reclamando da falta de presepadas. Calma, galera, ainda estamos na introdução da Lituânia. Pode ter certeza que no próximo post vocês já vão dar algumas risadas… A Lituânia foi muito interessante, pode apostar!!

Saindo um pouco da Polônia – Viajando à Lituânia

Obs: Galera, eu tou ligado que eu prometi postar pra vocês ontem. Desculpem, mas não deu. Tive uma alergia miserável ontem a noite e tudo o que fiz depois de chegar do cursinho foi só capotar na cama. Enfim, voltemos à normalidade agora. Bem, após umas duas semanas já praticamente morando em Varsóvia, decidir que seria hora de viajar um pouco, pois senão a viagem correria o risco de virar “A Polônia numa mochila”.
Como estava empolgado devido à viagem de carona que tive com Gosia, resolvi tentar aplicar a mesma fórmula para viajar para Lituânia. Durante uma semana, fiquei sondando todo mundo que eu encontrava em encontros do Couchsurfing.org pra ver se alguém topava cair na estrada e ir pra Vilnius, a capital da Lituânia, de carona. O tempo passou e nada. Comprei minha passagem em uma quarta e decidi seguir viagem. Consegui um couch com uma menina que parecia ser gente boa demais e comecei a pesquisar o que poderia ver e bater fotos quando chegasse por lá.
Quando foi na terça-feira, uma norueguesa me mandou um e-mail falando que topava ir comigo e perguntando se poderíamos ir na quinta feira, já que ela chegava na quarta. Como eu já tinha comprado minha passagem de ônibus, não deu pra irmos de carona até lá, mas ficamos de nos encontrar em Vilnius posteriormente. Trocamos números de telefone e pedi a um casal de lituanos que anteriormente me ofereceram couch pra hospedá-la e deu tudo certo.

Na quarta feira peguei o meu ônibus e segui em direção à Vilnius.

VILNUS, A CAPITAL DA LITUÂNIA

Vilnius é a capital da Lituânia e a sua mais importante cidade. Possui por volta de 600.000 habitantes. Como toda a Lituânia, Vilnius é um caldeirão cultural e pouco mais de 50% da população da cidade é realmente de origem lituana. Russos e poloneses são quase 45% por cento da população da cidade. Ou seja, se você sair nas ruas de Vilnius falando em lituano, você provavelmente não conseguirá se comunicar com metade da cidade. Isso deve-se em parte às diversas invasões polonesas e russas que os lituanos sofreram durante a sua história que invariavelmente culminavam em banhos de sangue e extermínio em massa. Durante vários anos, falar lituano nas ruas chegou até a ser criminalizado.Como vou explicar posteriormente, os lituanos sofreram bastante nas mãos da União Soviética e falar o nome de Stálin no meio da rua é pedir pra ser linchado sumariamente.

Monumento em homenagem aos lituanos que foram trucidados durante a ocupação soviética

O povo lituano descende de tribos eslávicas indo-europérias que vieram da Ásia e povoaram grande parte da Europa Oriental dando origem aos povos eslávicos, sendo a Rússia e a Polônia os seus dois maiores representantes. Apesar da origem dos lituanos, a sua língua não se parece em nada com as línguas eslavas dos seus antepassados, ou seja, é muito diferente do polonês e do russo. Por quê? Os milhares de lagos e pântanos existentes nos Bálticos (nome por qual é conhecida a região onde se situam Lituânia, Letônia e Estônia) contribuíram bastante para o isolamento dos povos bálticos e com isso para a grande modificação ocorrida na sua língua com conseqüente total modificação. Outra coisa que me chamou muito a atenção quando cheguei em Vilnius foi o grande precipício que parece separar o nível de desenvolvimento da Lituânia para o da Polônia. Cara, é flagrante como isso ocorre. As casas em que as pessoas vivem, as ruas sujas e mendigos por todos os lados…
Uma curiosidade interessante que tentei descobrir era a de onde provinha o nome do país. Qual seria a proveniência da palavra “Lituânia”? Um dos meus hosts me explicou que uma das mais famosas lendas diz que o nome Lituânia provém da palavra “Liatus” que significa “Chuva” em lituano. “Liatuânia” significaria, portanto, a “Terra da Chuva” (aqui no Brasil a gente chama isso de Belém do Pará). Achei deveras engraçado e interessante a proveniência do significado do país, mas um pouco triste. Pô, tanto lugar presses caras irem, os figuras resolveram se esconder lá atrás de pântanos onde chovia quase todo dia? Vidinha mais ou menos, amigo…

Como será que eles faziam churrasco?

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