Chegando a Varanasi

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(Sim, amigo, a história ainda não acabou! Quando eu digo que a viagem de volta do Nepal em direção à Índia foi um inferno, eu não estou brincando!)
Pois é, depois do stress concentrado que pegamos por todo esse caminho pra chegarmos ilesos, quando enfim encontramos o ônibus que ia em direção a Varanasi, achamos que tudo já estava terminado. Ledo engano.
Foi só entrar no ônibus que o show começou.
Alguns vendedores ambulantes nas ruas haviam nos informado que o preço da passagem de ônibus até Varanasi sairia por volta de dez reais. Separamos a grana, entramos no ônibus e sentamos lá atrás. Veio o cara lá da frente cobrando um por um até chegar a nossa vez. Quando chegou a nossa vez, a surpresa, o cara tava cobrando, na maior cara dura, 25 reais pra gente. Obviamente nos recusamos a pagar e começamos a discutir com o cobrador. Depois de sucessivas tentativas de perguntar a alguns dos passageiros de dentro do ônibus quanto custava a passagem (ninguém no ônibus falava inglês, só o cobrador), acabou ficando por isso mesmo e tivemos que pagar quinze reais a mais, pois, ou era isso, ou ficaríamos no meio do nada.
Depois de uns quinze minutos, não satisfeito de já nos ter roubado mais de cem reais (éramos um grupo grande), o cobrador ainda teve a cara de pau de chegar pra gente e cobrar pelas mochilas. Veio com a boca cheia de dentes, sorrindo que só professor de aeróbica, e começou a cobrar na maior cara de pau uma bag’s fee (taxa de bagagem. Pra quem se interessa por conhecer os indianos e a sua infinita capacidade de nos roubar através de taxas, checar este post). Ah meu amigo! Isso foi o estopim! Mas nessa hora eu estourei. Mas estourei feio, cara! Pombas, mas já tinha sido o dia inteirinho com geral querendo roubar a gente, dos dois lados da fronteira. Já era plena dez horas da noite e ganância do ladrão parecia não terminar. Não agüentando mais aquilo e sem mais conseguir pensar racionalmente, me levantei do banco, aos gritos, em direção ao cara mandando ele parar o ônibus que iríamos descer. Mas cara, fui de um jeito, com tanta raiva e com tanto sangue nos olhos que até eu mesmo fiquei com medo do que eu poderia fazer caso o cara gritasse de volta pra mim. Na hora ele viu que se nos largasse no meio da estrada ia ser ruim pra gente porque não teríamos para onde ir, mas ia ser pior pra ele porque ele ia perder MUITA grana, já que, nem que fosse na base da porrada, ele teria que devolver nosso dinheiro.
Essa foto eu peguei na internet. Não foi o ônibus do post mas serve pra ilustrar e demonstrar pra vocês como foram a maioria dos ônibus que viajei pela Índia. Era REALMENTE dessa maneira. O ônibus só saía quando eles não conseguissem enfiar NINGUÉM dentro do ônibus. Mas NINGUÉM mesmo…

Na hora que eu parti pra cima dele (gente, claro que eu não fui pra bater nele, né? Foi só pra intimidar o figura!), na hora que os outros gringos começaram a gritar que iam descer, ele meteu o rabo entre as pernas, falou que ia dar um “desconto” especial pra gente e ficou tudo por isso mesmo, não pagamos a mais pela bagagem. Não nos restou outra escolha depois disso a não ser tentar dormir.
Digo tentar dormir porque era tentar mesmo, pois o ônibus não tinha encosto pra cabeça!!! Sim, cara, sentar num banquinho num bar pra tomar uma cerveja e se escorar no balcão é de boa. Sentar num banco da praça sem encosto pras costas e pra cabeça e colocar a namorada no colo é até gostoso. Agora, imagine você dormir assim? Tendo que ficar a noite inteira se escorando na cadeira da frente ou na janela? Cara, foi sem sombra de dúvidas a PIOR de todas as viagens, pois no Nepal apesar da montanha-russa maluca, ainda havia muita diversão. Não sabia que a minha temporada de stress na Índia estava apenas começando…
A foto não também é minha, mas serve pra demonstrar perfeitamente como era o banco que dormi por toda aquela noite! NUNCA mais reclame por ter que dormir em uma viagem de ônibus pelo Brasil!

Travessia do Nepal para Índia

Eu vi que a galera tava reclamando que eu tinha parado de postar. Galera, foi mal! Nem bem cheguei em São Luís e dois dias depois fui viajar com meu pai pra poder passar natal com meu avô em Cajazeiras, 1100 km distante de São Luís. Acabei indo sem meu laptop (ainda não copiei as minhas fotos da viagem para DVD, logo se qualquer coisa ocorrer com meu laptop eu tou PERDIDO). Muito jogo de dominó e pouco tempo pra internet acabaram minando a minha capacidade de postar.

Mas enfim, agora está tudo certo e vamos voltar as postagens atuais. Posto esse vídeo hoje e os textos da semana inteira já estão escritos, logo não haverá mais atrasos.

Abaixo o primeiro vídeo que fiz da travessia do Nepal com a Índia em cima do busão.
 
 
 
Abraços maranhenses

Pohkara – Varanasi, Índia. Parte 2, pós-macarrão assassino.

Quando foi a hora de voltarmos, já estava me preparando psicologicamente para voltar ao “ônibus dos horrores”, o ônibus em que o tempo de exposição à mesma música indiana, tende ao infinito. Rapaz, mas quando eu tava quase entrando no busão eu olhei para cima e vi uns gringos felizes danados no teto do ônibus. Perguntei o que eles faziam ali e eles me falaram que eles estavam viajando lá em cima porque era menos apertado e também não tinha aquela droga daquela música no ouvido. Depois me convidaram pra subir. Não precisa dizer qual foi a resposta, né? Pedi pra Coração Gelado ficar olhando minhas coisas lá embaixo e me taquei pra cima do busão.
Foi uma decisão acertada. Era bem mais ventilado, agradável e, bicho, a visão era fenomenal já que estávamos a cortar vários vales do montanhoso Nepal. A vista, mais uma vez, valeu por toda a viagem! Como lá em cima era compartimento de bagagens, não havia um local apropriado para você sentar. Na verdade o chão era cheio barras de ferros paralelas, onde os caras jogavam as malas em cima e amarravam-nas com cordas. Logo, não deu outra, acabei ficando com as nádegas parecendo batatas chips, parecendo umas batatas Rufles, mas como a zoeira era massa acabei ficando.
Se liga na felicidade do menino!
Depois de algumas horas com o motorista ENFIANDO a mão na buzina, ENTRANDO que nem um louco em várias curvas e eu chacoalhando como um pingüim no liquidificador, enfim chegamos numa zona de calmaria. Uma rua reta, com o asfalto lisiiinnhooo: Estrada da fronteira do Nepal com a Índia. Juro que a calmaria me fez sentir como Vasco da Gama após cruzar o Cabo das Tormentas em direção às Índias. Mas como tudo pra virar história de blog tem que dar errado, aquela calmaria não iria durar muito tempo. Pra falar a verdade, durou uns dez minutos. Quando avistei ao longe uma fila QUILÔMÉTRICA de caminhões em direção à fronteira vi que algo não estava bem.
QUEDIABOÉISSO?!?! Não restou outra opção ao motorista do ônibus a não ser parar e esperar na fila.

Crise do Petróleo
Matuta daqui, matuta dali, depois de algum tempo nos foi comunicado que aquilo era um protesto dos caminhoneiros do Nepal contra o aumento abusivo dos preços da gasolina no país. Estávamos chegando ao auge da crise do petróleo com o preço a mais de cem dólares o barril! Com o preço às alturas, não restou escolha aos donos dos postos de gasolina a não ser repassar o aumento para as bombas. Os caminhoneiros piraram sem entender o porquê daqueles preços malucos e resolveram fechar a fronteira em protesto. Conversando com alguns que estavam por lá, eles me falaram que não iriam pagar pela “ganância” dos donos dos postos de gasolina sem entender que o motivo de toda aquela espiral de loucura dos preços vinha de muitos outros fatores que nem os donos dos postos de gasolina, nem o governo poderiam controlar! Como o trabalho de um motorista de caminhão, incrustado no meio de um país na Ásia, é dirigir e não prever volatilidade do mercado acabamos por ficar parados, reféns por tempo indeterminado, numa das greves mais imbecis que já presenciei na minha vida (e olha que petistas e professores de história, filosofia, antropologia da UnB são mestres em fazer greves imbecis). Os caminhoneiros falaram que só abririam a fronteira quando o governo mandasse alguém para negociar. Malditos Irã e Arábia Saudita e seus poços de petróleo!! Confesso que foi interessante sentir na pele uma crise que estudei por tanto tempo apenas nos livros (sim, estou sendo irônico).
Japonesada que acabou ficando ilhada também

 

Aparelho repressor do Estado e saída mágica pra crise.

Depois de umas duas horas, um cabra veio pra gente e falou que ele sabia uma saída mágica para a crise! Não a crise do petróleo, mas a crise da fronteira. Ele disse que sabia de uma outra saída para fronteira com a Índia e que lá os motoristas não tinham conseguido fechar porque a polícia chegou antes e desceu a bolacha em todo mundo.
Ah, bendito aparelho repressor do Estado! Como isso faz falta de vez em quando na UnB!
Como não tínhamos outra escolha, acabamos por aceitar a proposta do cara e subimos no busão dele em direção à outra fronteira. O único problema básico era que, veja só, não havia mais lugares suficientes para todos na parte interna do busão, só havia um assento que eu cedi pra Coração Gelado conquanto ela carregasse minha mochila com ela. O que sobrou pra mim? Sim, o teto! O que da vez passada fiz por diversão, dessa vez, já cansado, tive que fazer por obrigação.
Cara, mas foi interessante pegar este outro caminho, viu? Sabe por quê? Cara, o caminho que pegamos era um caminho mó nada a ver, que levava uma hora a mais para poder cruzar a fronteira, logo nenhum ônibus com gringos pegava aquele caminho para ir embora. Pra falar a verdade era um caminho apenas para passagem de carroças, sem asfalto. O que não podia ficar pior, ficou! O busão chacoalhava BEM mais e minhas nádegas que mais pareciam uma batata Rufles naquele momento ficaram onduladas como um tanque de lavar roupa à mão.
Mas o que era interessante era perceber o quanto éramos novidade para aquele povo rural que tanto nos olhava com espanto. Cara, era muito legal e triste ao mesmo tempo observar aqueles indianos e nepaleses e perceber que eles viviam atualmente o mesmo estilo de vida de provavelmente algumas centenas de anos atrás.
Cidades que passamos antes de entrar na zona rural em si
Enfim, continuamos andando e o improvável ocorreu. O ônibus parou. “Danou-se” – pensei. Achei que o busão já tinha quebrado novamente ou algo assim. Naadaaa, alguém tinha posto umas varetas no caminho impedindo o ônibus de poder passar. “Assalto” – foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. De repente, surge um nepalês de dentro de sua cabanazinha com uma machete e caminhando em nossa direção. Cara, depois de alguns anos estudando sobre o massacre que ocorreu em Ruanda e o que os caras faziam com as machetes, tudo o que não eu queria encontrar no Nepal era um bigodudo com uma machete ameaçando o motorista. Depois de um tempo entendi que o cara tava querendo um pedágio porque nós teoricamente estávamos entrando em “seu território” e por isso deveríamos pagar. Depois de algumas discussões acaloradas com o motorista e vendo que todos os homens de dentro do busão começaram a sair e a cercar o bigodudo ele se viu aperriado e nos deixou ir embora.

Fronteira com a Índia, inferno novamente!

Continuamos seguindo viagem até a hora em que chegamos numa cidade à fronteira com a Índia. Como já de praxe, uns motoristas de charretes tentaram nos roubar. Combinamos que iríamos pagar um real por cabeça pra eles nos levar da parada de ônibus à fronteira física e quando chegamos ao final combinado eles queriam cinco. Falamos que não íamos pagar e eles começaram a querer nos intimidar. Coitado deles… Depois de muitas horas sendo chacoalhados, cara com machete querendo brincar de “Genocídio em Ruanda” e greves de caminhoneiros atrasando em mais de três horas a nossa viagem tudo o que não tínhamos era paciência para ser roubados. Naquela hora já éramos um grupo grande de algumas dezenas de pessoas e quando eles começaram a gritar, apenas gritamos de volta. Vendo que o bicho ia pegar eles resolveram ir embora. Basicamente adotamos a mesma estratégia que parecia sempre dar certo e que eu já tinha adotado antes: intimidar quem tenta me roubar através de gritos e ameaças de descer a porrada.
Na hora de atravessar a fronteira mais problemas. Não existe fronteira entre a Índia e o Nepal. Indianos e nepaleses não precisam de visto, passaporte, sequer documentos para atravessar a fronteira de um país pro outro, logo a situação lá é completamente caótica. Pense numa Rua 25 de março lotada numa época de Natal? Assim era ruazinha que levava à faixa de fronteira!

Saímos andando, andando, andando… Quando vimos já tínhamos andado mais de uns cem metros dentro da Índia e parecia que nada tinha mudado, só nós tocamos que estávamos na Índia devido à uma bandeira indiana tremulando em cima de uma loja. Descobrimos na marra que não existem postos de controles de ambos os lados na fronteira física entre eles. Como não poderíamos simplesmente entrar na Índia sem carimbos (isso poderia dar uma bela dor-de-cabeça para sair da Índia depois. Se não possuíssemos carimbos de entrada, na saída eles iriam perguntam porque entramos dessa maneira, poderiam desconfiar que estávamos fazendo algo de errado e, até separar alho de bugalho, ia ser uma beleza). Resolvemos voltar ao Nepal e demoramos ainda uma meia hora pra achar os postos de fronteira.
Meu amigo, que cena precária viu? O posto do Nepal era meio que escondido, doido!!! Só pra vocês terem uma idéia era vizinho de um açougue e fedia que só o diabo. Entramos, carimbamos e fomos embora. Na hora de achar o posto da Índia, mesmo problema. Dentro de uma viela achamos uma casinha com as janelas quebradas e que continham dois oficiais indianos sentados, bigodudos (meu amigo, como esses caras gostam de bigode, viu?) e fumando um cigarro velho. No lugar, a surpresa. Eles se recusaram a carimbar o passaporte com o visto de entrada sem que pagássemos a eles uma “taxa” de dois dólares, uma mixaria. O detalhe que o carimbo era de graça, eles só queriam extorquir a gente.
Como já tinha prometido pra mim mesmo que não aceitaria ser roubado, um real que fosse, me recusei a pagar e todo mundo fez o mesmo. Eles resolveram engrossar e falaram que não iriam carimbar então. Depois de alguma discussão alguém lá do meio falou que conhecia alguém em Deli e que se esses caras realmente fizessem a gente pagar a propina que eles tentavam extorquir o bicho ia pegar depois. Após a ameaça parece que enfim ele resolveu carimbar e partimos pra próxima tentativa de roubo.
Quando começamos a procurar o ônibus que deveríamos pegar para poder ir para Varanasi, um rapaz muito simpático se aproximou para nos ajudar. Alguém simpático na Índia, como vocês já devem estar sabendo, é claramente alguém tentando nos enrolar com algo. Perguntamos a ele aonde poderíamos pegar o ultimo ônibus para Varanasi que sabíamos que estava a partir em alguns minutos e eles nos ofereceu para ajudar. Como não tínhamos muita opção do que fazer, decidimos uma vez na vida acreditar na bondade das pessoas. A bondade do cara nos fez dar uma volta e quase perdemos o ônibus. Só conseguimos pegar o ônibus porque dei um real pra um menino que andava no meio da rua (juro que fiquei com medo dele achar que eu queria era brincar de “padre católico” com ele) e ele nos mostrou o real lugar. Depois descobrimos que o cara que primeiramente nos ofereceu ajuda fazia viagens pra Varanasi e queria que perdêssemos o ônibus de propósito só pra ele fazer dinheiro em cima da gente…
Enfim, conseguimos pegar o ônibus e fomos em direção a Varanasi.

O guia do mochileiro da web – Reportagem no portal IG sobre o blog

Há um ano, o maranhense Claudiomar Rolim Filho, de 24 anos, acabava de se formar em relações internacionais pela Universidade de Brasília. Sem emprego fixo, ele decidiu que 2008 seria o seu ano sabático. Com apenas algumas peças de roupa, um notebook e uma câmera digital na mala, ele resolveu dar a volta ao mundo.

No total foram 32 países conhecidos e milhares de histórias incríveis. Todas compartilhadas em seu blog “O mundo numa mochila” (http://claudiomar.blogspot.com). Por cada país ou cidade que passou, Claudio se hospedou de graça na casa de um estranho que conheceu por meio do CouchSurfing (www.couchsurfing.com), uma espécie de serviço de hospedagem misturado com rede social muito popular entre os mochileiros.

De volta ao Brasil, Claudiomar contou como foi a sua viagem ao IG. “Passei 40% do meu tempo na internet. Fui a primeira pessoa a fazer uma volta ao mundo testando hotspots!”

Como começou a viagem?

Assim que eu terminei minha graduação, queria fazer uma viagem de despedida. Queria ir para a Inglaterra fazer um curso e depois ir para África, fazer trabalho voluntário. Ao pesquisar na internet, conheci a passagem da Star Alliance (www.staralliance.com). É uma aliança entre várias empresas aéreas, que dá o direito de você fazer uma viagem de volta ao mundo com 15 paradas.

Você paga por milha, e eu paguei uma taxa de até 34 mil milhas com uma rota que eles fornecem no próprio site. O que me fez ir atrás disso mesmo foi quando descobri o CouchSurfing. Gastei US$ 3.700 na passagem. O dólar na época valia R$ 1,70.

Continuar lendo “O guia do mochileiro da web – Reportagem no portal IG sobre o blog”

Pohkara – Varanasi

 
Cara, essa viagem Pohkara/Nepal – Varanasi/Índia foi uma das mais estressantes e malucas da minha vida! Vocês não fazem noção o quanto foi ENGRAÇADO viajar por essas bandas no busão que eu apelidei carinhosamente de “ônibus da morte”.
Pra começar, um dia antes de ir embora, traumatizados com a “montanha-russa nepalesa”, eu e Samanta decidimos fazer o nosso check-out e pedir informações no balcão do hotel de como poderíamos fazer para poder tentar conseguir algo mais civilizado para nos transportar, ainda que isso implicasse em aumento de custos. Segue o diálogo:
– Oie cara, tudo bom? Então, a gente tava querendo ir pra Varanasi na Índia amanhã. Como a gente faz?
– Simples, você pega o ônibus público até a fronteira do Nepal, cruza a fronteira do Nepal a pé, do outro lado, já na Índia você pega um ônibus pra outra cidade (que eu não lembro o nome, para facilitar e ilustrar melhor a situação vou apelidá-la carinhosamente de “Inferno”) e do “Inferno” você pega outro ônibus pra Varanasi. Simples assim!
– Você não tá entendendo! A gente não quer pegar um ônibus público! A gente tá vendo se consegue um ônibus direto, sem paradas! A gente PAGA a mais por isso, não há problemas!
– Não há ônibus direto, senhor!
– Ok e como a gente faz pra pegar outro ônibus que não seja o público?
– Não há outro tipo de ônibus no país, senhor.
– Vocês têm algum tipo de ônibus que vai mais devagar ou com pelo menos suspensão a ar?
– “Suspensão” o que?
– Esquece. Nós só temos uma escolha então? Pegar o mesmo ônibus da morte novamente?
– Temo que sim, senhor!
Vocês devem imaginar como a gente ficou depois dessa, né? Nessas horas eu só comecei a pensar: – “Por que diabos eu não resolvi viajar pela França, meu Deus?” Melhor: – “Por que diabos eu não fiquei logo em São Luís, senhor?”. Mas não teve jeito. Depois de perguntarmos em mais dois locais diferentes o preço do busão (eu não confiava MESMO naqueles caras), descobrimos que o hotel realmente estava nos cobrando o preço correto, mas, apesar disso, fizemos questão de comprar no hotel do lado só pra não dar comissão pra eles.
No final, antes de ir embora, eles ainda se esqueceram de nos cobrar algumas refeições. Saímos de almas lavadas sabendo que demos um calote neles maior do que o preço das diárias. Como já dizia Mao Tse Tung: “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”.
Tecla PAUSE
Gente só pra não deixar que as pessoas façam juízos de valores errôneos acerca do meu caráter. Não sou chegado a dar golpe em pessoas ou algo do tipo. Por várias vezes já pedi a garçons em restaurantes para refazerem a conta porque às vezes eles esquecem de cobrar algo. Só tenho essas atitudes canalhas quando alguém tenta ser o espertão pra cima de mim (tal qual o post do motorista indiano em Deli). Por favor, honestidade é algo que prezo E MUITO no meu dia-a-dia.
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No meio do caminho, paramos em um restaurante e pude ver uma cena impagável. Uma PANCADA de pimentas sendo secas ao sol. Chuto que isso deve ser o consumo diário de um indiano porque eu nunca vi comida tão apimentada na minha vida, meu amigo!
 
Tecla PLAY
Fui indo em direção ao meu ônibus me sentindo um prisioneiro a caminho de receber a injeção letal. Perguntei ao motorista quantos quilômetros iríamos percorrer até a fronteira. Resposta? Exatos 274 quilômetros! “Em quanto tempo doutor?” – perguntei novamente – “Cinco horas?” – chutei já com medo da resposta e esperando ele falar que era menos. Alguém tem um palpite de quantas horas foram? DEZ HORAS!!!!!!! Dez horas sendo chacoalhado e se imaginando um pingüim dentro de um liquidificador!!
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Um cara do lado tava levando um cachorrinho pra poder levar pra namorada dele. Olha só que fofinho o bichinho!!
Como não havia o que fazer, entrei no ônibus e fiquei “curtindo a minha viagem”. Confesso que subestimei o poder que o Nepal tem para lhe torturar quando você está viajando por terra, viu? Sabe por quê? O ônibus não era chinfrim não, cara! Era um “Vídeo-Coach”. Tá pensando? Era tipo aqueles ônibus que você paga pra fazer uma viagem São Luís – Teresina (só um comentário. NINGUÉM que esteja fazendo uma viagem voluntariamente, saindo da melhor capital do Brasil e indo pro Piauí, merece menos do que uma viagem sofrida. NINGUÉM!) com um televisãozinha. Só tinha um leve problema, levíssimo eu diria…
Os caras só tinham UMA fita com uns oito ou dez clipes de música indiana. Nada demais. Não há nada mais agradável do que viajar num ônibus que de uma em uma hora repete os mesmos MALDITOS videoclipes indianos! Depois de três horas sendo torturado impiedosamente, o ônibus enfim parou e, graças a Deus, pude descer e pensar no que poderia fazer!
Quando desci, as minhocas do estômago já estavam se digladiando dentro de mim. A fome tava brava! Resolvi que não seria uma má idéia parar para comer uma coisa (Depois percebi que estava enganado afinal no Nepal e na Índia comer algo vendido na rua SEMPRE é uma má idéia). Parei numa banquinha onde a mulher vendia um macarrão frito pra pedir pra ela preparar um para mim. Cara, pra começar olha só como era o estado da banquinha dela de macarrão de beira de estrada.
Sentiu o drama? Pois é, a melhor parte nem era essa. A melhor parte foi quando eu pedi:
– Ôw, minha senhora! Desce uma pratada de macarrão aí pra mim.
– Claro, senhor, quantas pessoas?
– Só eu mesmo.
– Então tá bom, vamos preparar. O senhor vai querer pimenta?
Tchuf! A mulher vai e me enfia A MÃO no recipiente de pimenta e joga na frigideira.
– Cebola?
Táááá!! A mulher enfia A MÃO no recipiente de cebola!
– Esse tanto de macarrão? Tá bom ou quer mais? – ela perguntava enquanto media o tanto de macarrão (o macarrão já estava cozido, pronto pra só jogar na frigideira) que eu iria querer. Claro, não precisa explicar que ela pegou o macarrão com a mão também!
– Er.. tá bom, minha senhora, acho que vou querer só esses ingredientes mesmo, oh!
– Então beleza, deixa eu mexer aqui que é pra FICAR BEM GOSTOSO!!
Não precisa explicar, né? CLARO que a mulher não tinha uma colher pra poder mexer o macarrão! CLARO que ela mexeu o macarrão dentro da frigideira com as mãos! Depois de algum tempo ela pegou o macarrão de dentro da frigideira com OS DEDOS em forma de pinça e tacou no meu prato. Tá aqui, tá pronto!
Se comi? Meu amigo, e tinha outra escolha? O jeito foi tacar pra dentro fechar o olho e se banquetear. O macarrão até que tava gostoso. Salgadinho… Acho que o ingrediente secreto do prato dela era cozinhar tudo com as mãos e sem luvas!
A melhor foi depois quando eu pedi pra usar o banheiro. Apontaram-me o banheiro lá atrás do “restaurante” e eu fui lá pra tirar água do joelho. Ao chegar ao banheiro aquele NNOOJJOOO, bicho! Sério, mijei lá de fora mesmo, não tive nem coragem de chegar e pisar dentro do banheiro. Quando eu olho no banheiro do lado, quem tá saindo lá de dentro balançando as mãos e limpando no vestido (O que? Pia? Isso é coisa de banheiro de fresco! De banheiro de ocidental!)? Não, não era a mulher que tinha feito o macarrão pra mim. Era a mulher que vendia macarrão do lado dela!
Enfim, não quis ficar pensando que o macarrão que eu comi tava salgado pela falta de pias em banheiros! Por um dia eu fiquei querendo acreditar que aquela história de que mulheres não defecam ou urinam realmente é realidade! De que a mulher que preparou O MEU MACARRÃO nunca entrou dentro daquele banheiro! Só a mulher que vende macarrão ao lado dela que usa aquele banheiro…

Premiê paquistanês diz que o país está pronto para guerra contra a Índia

O premiê paquistanês, Yousuf Raza Gilani, disse nesta segunda-feira que Islamabad não quer guerra com nenhum país, mas que está pronto para reagir caso um conflito “seja imposto”. A declaração foi uma resposta à pressão da vizinha Índia para que o governo paquistanês detenha os terroristas envolvidos com os atentados em Mumbai, que deixaram 172 mortos.
“Não queremos guerra com nenhum país, mas se a guerra nos for imposta, então estamos totalmente preparados para ela. Nosso Exército é completamente capaz”, disse o premiê em declarações ao Parlamento, retransmitidas pelos canais locais de TV.
Reportagem completa em:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u479602.shtml

Comentário:

Meu amigo, a situação lá parece que começou a ficar realmente séria! Isso é complicado e assustador, principalmente quando leva-se em consideração que os dois países somados tem uma população de quase um bilhão e meio de pessoas e armas atômicas de ambos os lados!! O que pode morrer de pessoas não tá escrito!! Além do fato de que pode seriamente abalar o frágil equilíbrio de uma das instáveis regiões do planeta (só lembrar que a Tailândia tá pegando fogo e o Mianmar possui uma das mais fraticidas ditaduras contemporâneas). Ai ai

Abraços maranhenses

P.s: Hoje a noite tem post novo!

Flash Mob

Galera, um brother polaco me mandou por e-mail um dos mais famosos Flash Mobs já ocorridos. Ele aconteceu na estação central de Nova Iorque onde 207 pessoas em determinado momento simplesmente CONGELARAM no meio da estação deixando os transeuntes sem saber o que estava ocorrendo atônitas. Resolvi compartilhar com vocês…

O comentário dos transeuntes é o melhor: “Eu acho que eles tem algum problema” ou “Não cara, deve ser uma perfomance teatral”. Mas ninguém é melhor do que o motorista do carrinho falando ao rádio, resolvi traduzir porque eu tou rindo MUITO da cara do bicho sem entender nada:

Tem centenas e centenas de pessoas “congeladas” por todos os cantos! Isto é totalmente estranho! Eles não estão se movendo, eu não posso mover meu carro. Eu preciso de alguma ajuda

As pessoas começam a se movimentar no exato momento que ele pede ajuda. E continuam a caminhar como se nada tivesse acontecido…

Motorista do carrinho após as pessoas se movimentarem:

Er… Deixa pra lá…

Pra galera que não sabe o que são Flash Mob,s vou utilizar a minha definição. Flash Mobs são manifestações artísticas que geralmente se propagam pela internet. Consiste basicamente em fazer algo totalmente esdrúxulo em centro de grandes cidades para deixar as pessoas atônitas e sem a mínima idéia do que esteja ocorrendo. A criatividade das pessoas me impressiona:

1 – Em Vasórvia, a galera do Couchsurfing de lá resolveu fazer um Flash Mob inusitado. Todo mundo foi pra saída da cidade e começou a pedir a carona pros carros que passavam. Dezenas de pessoas ao mesmo tempo. Até aí nada de anormal. O mais engraçado era pra onde eles estavam pedindo carona: Tinha gente pedindo carona pra Tóquio, outros para Sydney e por aí vai..


2 – Uma outra galera do couchsurfing de outra cidade fez uma boa também. Dezenas de pessoas subiram em um dos prédios mais movimentados do centro da cidade que não era muito alto e ficaram lá, observando. Uma outra galera chegou por baixo e gritou: PING! O que a galera de cima respondeu? PONG! E ficou nessa, uns dez minutos. A galera de baixo gritando PING! A galera de cima respondendo PONG! PING! PONG! PING! PONG! Sob os olhares atônitos das pessoas caminhando pelo centro… Eu queria MUITO estar lá nessa hora.. hahaha

3 – Além de muitos outros como galera imitando galinhas no meio da rua e colocando ovos, centenas de pessoas entrando numa loja pra poder escolher um tapete que agradasse a todos etc.

Eu ia participar de um em Lisboa, mas infelizmente, devido a chuva, o Flash Mob foi cancelado 😦 Aguardem o próximo Flash Mob no Maranhão, hahahahahahaha.

Abraços maranhenses

Pohkara

Chegamos a Pohkara depois de módicas sete horas andando de montanha-russa. Cara, quando desci do ônibus, vi que no final tinha valido a pena! Amigo, o lugar era lindo DEMAIS! No meio da cidade, havia um lago imenso rodeado por diversas colinas totalmente esverdeadas! A água cristalina praticamente nos INTIMAVA a pular dentro do lago e sair nadando.
Escolhemos um hotel dentre os que foram oferecidos pelos caras que gritavam ao nosso redor assim que descemos dos ônibus (porque reservar hotel antes é coisa de fresco).
Tecla PAUSE
 
Nessas horas, no Nepal e na Índia, não há nada melhor que o livre mercado, cara! Quando eles gritam “hotel, hotel” você grita de volta “quem tem o hotel mais barato?”. Ah, meu amigo, mas gritar “eu quero um quarto” é como esfregar um pano vermelho na venta de um touro! Proteja o rosto e as partes vitais do corpo pra agüentar o ATROPELAMENTO que vem em seguida. Você vê só aquela poeira levantando e uma turba enfurecida pra cima de você empunhando cartazes e gritando “o meu quarto é 7 dólares”, o meu “é 7 dólares, mas tem ar-condicionado!”, “o meu é 5 com ventilador e banheiro!”… No final você leva umas cotoveladas e, claro, MUITAS cuspidas na cara, mas acaba conseguindo um preço muito bom pela barganha. Também fica impossível alguém te enrolar, já que se o preço real do quarto é dois dólares e um te oferece a dez, o outro do lado dele vai gritar sete! E eles ficam nessa, baixando os preços, até a hora que você descobre o preço de mercado, o preço que ninguém mais faz mais baixo, logo o preço certo… Acabamos levando um quarto com banheiro privativo, ventilador e cama de casal custando menos que um dólar para cada um a 10 metros do lago! Uma pechincha…
Tecla PLAY
 
Escolhido o hotel, largamos as mochilas no quarto e descemos à recepção pra fazer o que seria o principal motivo de termos ido à Pohkara: Trekking (caminhadas) pelas montanhas. Perguntamos aos caras da recepção se eles sabiam como poderíamos fazer para poder conseguir achar as trilhas pelas montanhas. Os caras, claro, foram todos solícitos e começaram a nos “ajudar”:
– Não, que você tem que pagar um guia, porque sem guia é proibido. O guia sai só por 10 dólares o dia. A caminhada mais curta dura três dias, com oito horas de caminhada diárias, custa 30 dólares só de permissão ao governo e pá pá pá. Você também tem que alugar equipamento e o equipamento sai mais dez dólares pra cada um…
Só sei que o bicho foi falando, falando, falando e cada vez mais a caminhada ficava mais dispendiosa e trabalhosa. Tava claro que ele queria fazer dinheiro em cima da gente (o que depois descobrimos que era o motivo. Os caras estavam oferecendo tudo pelo triplo do preço! Eles tavam roubando a gente na maior cara dura! Mas se eles acharam que ia sair barato, não saiu, teve vingança, como vou explicar mais tarde…). Acabou que depois de tanto lero lero, a preguiça comendo e um lago imenso do lado de fora clamando que nós nadássemos nele, acabamos por decidir só ficar de boa mesmo e ir direto pro lago!!
Corremos pro lago, alugamos um barco eu e a Samanta e aproveitamos pra comprar umas cervejas também, porque, afinal, não tem nada do que combine mais com barcos do que uma garrafa de cerveja, correto? Às vezes eu fico pensando que tudo é desculpa pra beber, meu amigo! Compramos quatro garrafas de 600ml que foram divididas igualmente: uma pra mim e três pra Samanta.
 
– “Tá de boa chefia. O barquinho é bom, pode ter certeza. Só tem um pouquinho de água dentro, mas é bom pra refrescar…”
Cara, o lugar era incrivelmente lindo e fantástico! Como já falei, um lago IMENSO rodeado por montanhas! Assim que pulamos no barco dividimos as tarefas igualmente também: eu fiquei responsável por remar o barquinho e a Samanta por tomar as cervejas (sim, ela utilizou mais uma vez a tática “mas eu sou uma menina” pra me convencer a remar o barco sozinho!). Fomos remando e descobrimos um lugar IRADO depois de algum tempo! Era uma ilhazinha minúscula situada no meio do lago e que continha um templo com algumas centenas de anos situado bem no meio! Interessante como ele era venerado e havia um fluxo frenético de pessoas sendo transportadas da ilha para margem em pequenos barcos.
Depois de “atracarmos” na ilha e tiramos algumas fotos, continuei remando e a Samanta bebendo. Como não podia deixar de ser, o hormônio ADH dela começou a baixar e ela queria porque queria, digamos, “fazer um pipi”. Remei até o outro lado da margem e ela foi lá para se aliviar. Quando ela voltou, a mina tava feliz demais! Ela tinha achado uma cachoeira dentro do mato, cara! Putz, não era assim, uma Catarata do Iguaçu, mas mesmo assim era uma cachoeira! Achamos uma cachoeira DO NADA!! Juro que me senti tal qual Ponce de León quando descobriu a Flórida a caminho da Fonte da Eterna Juventude!
Porque as vezes tudo o que você precisa é de um remo e estilo… Só avisando, piadas previsíveis sobre garrafas de cerveja e os locais aonde elas se encontram serão punidas com sanção física…
A hora de voltar ao barco, com a Samanta gritando feito um vietcongue tendo os seus intestinos arrancados após perceber que o seu pé estava cheio de sanguessugas, também merece ser citada.
Córrego que nos levou à cachoeira e que estava LOTADO de sanguessugas!

No final, na hora que já estávamos quase voltando pra poder atracar o barco, Samanta, quase dois litros de cerveja depois, resolveu que queria porque queria nadar. Mas não teve o que fizesse ela mudar de opinião!! Como natação e bebida são coisas que REALMENTE não combinam, fiquei preocupado e prestando atenção naquela situação. E pensa que ela tinha roupa de banho por debaixo? Claro que não, cara! Isso é coisa pra fresco! A mina pulou no lago DE CALCINHA! Ficou aquela cena linda, né? Eu remando, Samanta nadando do meu lado de calcinha e todo barquinho, lotado de beatas, em direção ao templo olhando pra gente com aquela cara de “Gente, que pancada de louco é esse?”. Imagina a situação, cara, pelamordedeus! Americana de calcinha, maranhense remando e beata olhando!! Isso não é algo que se vê todos os dias, hehehehe. Eu, claro, morrendo com um medo danado de ser preso.
Sim, conseguimos dormir no hotel e não na cadeia.

Katmandu – Pohkara

Meus planos no Nepal se resumiam a apenas ir para Katmandu, regressar à Índia e continuar viajando por aquele país impressionante. Na minha terceira noite em Katmandu, já tinha começado a procurar informações acerca de como poderia fazer para regressar à Índia de ônibus. Quando explicitei meus planos à Badri, meu host em Katmandu, ele falou que eu estava permanentemente proibido de fazer isso, de ir ao Nepal para passar apenas quatro noites e depois me mandar de volta para Índia. Já que eu estava no Nepal e já tinha pago quase dois meses de visto que eu pelo menos fizesse o que há de mais interessante no Nepal: Hiking (Caminhada). De início não fiquei muito empolgado, já que o que mais fiz na minha vida no Brasil foi hiking e quando estou viajando procuro gastar tempo e dinheiro em algo que não possuímos no Brasil (construções históricas, baladas com suecas quentes etc.).

 

Acabei tendo que ir porque Coração Gelado queria porque queria pegar um desses hikings pelas montanhas do Nepal e, como éramos companheiros de viagem, não tive outra escolha. Tive que ceder…
Acabei por prolongar em mais três dias minha estada no Nepal. Na nossa última noite decidimos sair pra balada com os nômades que conheci em Delhi e mais alguns couchsurfers logo Badri achou melhor que procurássemos um quartinho no centro da cidade de Katmandu pra largamos as nossas mochilas lá, irmos para balada, dormirmos e de manhã pegar o nosso ônibus em direção à Pohkara, cidade do Nepal onde estávamos planejando fazer o hiking.
Ficamos pensando em como iríamos fazer para poder arrumar um quarto, mas não houve problema. Assim que saímos do táxi um cara gritou pra gente “QUARTO, QUARTO!” e perguntamos quanto era. Adivinha o preço? Sim, o quarto para DUAS pessoas com DUAS camas, no centro de Katmandu custava UM dólar! Mais barato que isso só liquidação de fim de ano nas casas Bahia ou uma bicicleta Houston, a bicicleta do mochileiro!
Visão recorrente à janela do ônibus.
No outro dia quando pegamos o nosso ônibus, claro, sofrimento novamente. É quase um sacrilégio achar que num país ultramontanhoso como o Nepal seja possível encontrar frescurinhas como ruas com asfaltos ou pelo menos não entrar em uma curva a cada cinco metros. “Não estou mais em Brasília” – tentava falar pra mim mesmo a cada vez que o motorista dobrava a uns 80 km/h em uma curva que dava em direção a um precipício!


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Curvas a alta-velocidade no Nepal! Fórmula 1 que nada! Emocionante é ser motorista de ônibus no Nepal!
A cada cinco minutos alguém me cutucava no ombro. Quando eu virava pra ver era a Morte perguntando se eu já queria ir com ela ou iria esperar até a próxima curva! Viver no Nepal é como viver num eterno Hopi Hari andando de montanha-russa e suas “casas do terror” (como já citado, não existe iluminação pública à noite).
Quando a gente tava no caminho me deparei com essa cena inusitada. Uma menininha conduzia o seu “rebanho” próxima à estrada. Agora, repara na ripa de madeira na mão dela… Mermão, a mina dava cada lapada no lombo das vaquinhas!! Eu ficava até com medo! Impressionante como um humano em fase infantil consegue dominar outros animais de força e tamanho avassaladoramentes maiores que ele tão facilmente.