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Além de Avinash e sua família mais outros dois caras ficaram hospedados com a gente. Dois couchsurfers, um irlandês e um austríaco, acabaram ficando lá por casa. No começo eles pareceram ate ser gente boa, mas no final acabei não me dando muito bem com eles. Não que eu tenha brigado ou algo assim, mas acho que nossas personalidades apenas não era compatíveis.
Mike, o austríaco
O interessante dos dois é que eles eram dois nômades. Sim, nômades! Eles não tinham casa! A vida dos caras é viajar, viajar, viajar e ficar hospedados em casas pelo couchsurfing. Eles sao aquilo que eu acho de “neohippies”. Eles trabalham um pouco (geralmente ensinando alemão ou inglês) pelos lugares que passam, juntam uma grana e saem viajando. E vão desse jeito! Juntou grana, vai embora pra outro país. A grana encurtou? Ou volta pra Europa pra trabalhar ou começa a dar aula no pais em que se encontra. Junta grana, vai embora… E assim vão indo! Achei isso muito interessante! Imagina que vida louca, cara? Sério, depois eu fiquei pensando, se der algo errado na minha vida, meu plano B vai ser esse! E o pior que eles nem foram os primeiros nômades que conheci.
Tecla PAUSE
Pra quem leu a matéria do Imparcial que falava sobre a minha viagem, eu cheguei a falar do primeiro neohippie que conheci na vida. Um dia eu tava em Brasília na internet e alguém mandou uma mensagem pro yahoogroups do couchsurfing de Brasília falando que tinha um cara, Daniel, que precisava de um lugar pra ficar. Na mesma hora ofereci o meu apartamento e três horas depois o figura tava lá em casa. Quando fui falar com ele, perguntei quanto tempo ele queria ficar. Ele só respondeu:
– Ué, o máximo que puder!
Rapaz, na hora eu ri demais, cara! Falei pro bicho que ele podia ficar lá em casa o tempo que quisesse. E o cara foi ficando, ficando, ficando… Ele era nômade também que nem os figuras acima. O cara ficou quase um mês e meio lá em casa até que um dia ele encheu o saco de Brasília (e até agüentou muito, bicho! Um mês e meio e não encher o saco de Brasília, o cara tem que ser herói!) e foi embora pra Bolívia. Simples assim. Pirei tanto com essa experiência que acabei metendo o pé no mundo também! O Dani foi um dos caras que inspiraram essa minha viagem inclusive.
Tecla PLAY
O que era mais interessante era que os dois, por estarem há algum tempo na Índia, já estavam mais do que acostumados às particularidades da cultura indiana, leia-se, comer com as mãos.
Sim, gente, aquela parada que falam pra gente sobre os indianos, comer com a mão direita e “se limpar” com a mão esquerda realmente ainda existe. Só pra vocês terem uma idéia, em quase todos os banheiros que fui na Índia, ou pelo menos os que eu prestei atenção, há uma famigerada torneirinha próxima ao vaso sanitário. Os indianos geralmente não utilizam papel higiênico em si. Eles passam os dedos da mão esquerda no, digamos, “vão”, e depois limpam a mão na torneirinha!!! Pense nisso na próxima vez que oferecer a sua mão esquerda pra cumprimentar um indiano.
Cara, esse com certeza foi o maior choque cultural que tive na Índia. Sério, sou um cara super-sussa com diferenças culturais e sempre, no máximo possível, tento me adaptar à situação sem ser “aquele moleque chato do Ocidente”. Já “obrei” de cócoras por diversas vezes na Indonésia, comi gafanhoto na Tailândia e o caramba! Mas comer com as mãos é algo que me transcende, cara! Não dá mesmo! Alguns indianos chegavam até a ficar meio chateados quando a gente ia no restaurante e eu pedia pra alguém buscar uma colher pra mim, mas eu explicava:
– Cara, vocês quererem que eu coma com as mãos porque eu estou na Índia é o mesmo que eu querer que vocês comam picanha porque estão no Brasil. Não dá!
O irlandês em si era uma figura a parte! O cara andava com um porrete na mão! Sim, um porrete! Pra onde quer que ele fosse ele carregava aquele porrete dele. E era um senhor porrete, meu amigo! Depois de alguns dias, não agüentando mais de curiosidade, fui lá e perguntei pra ele:
– Oh, meu amigo! Pra que diabos você anda com esse porrete na mão pra cima e pra baixo?
– Porque eu gosto!
– Uai, mas só porque você gosta? Não tem outro motivo?
– Porque você anda com esse colar imenso no pescoço? – ele me perguntou
– Er.. hum.. é porque… Uai, é porque eu gosto de andar com ele.
– Sem mais perguntas – ele respondeu.
Sutil como um tanque de guerra numa descida esse menino.
Spyro e seu porrete…