

Siem Reap





As pessoas de base (em inglês base people) eram as provenientes das zonas rurais e que não portavam os “vícios” da sociedade urbana. Por serem pessoas com menos vícios que os da cidade, esta classe possuía certos benefícios tal qual a possibilidade de se tornar chefe de uma cooperativa. A classe das “novas pessoas” compreendia os civis transferidos das cidades, embora muitos deles fossem de zonas rurais e tenham se estabelecido nas cidades para fugir de bombardeios. Tais pessoas eram consideradas parasitas e não possuíam qualquer tipo de direito. De classe ou não, o desprezo do Khmer Rouge ficava bem claro em um de seus slogans: “Mantê-lo não há ganhos, perdê-lo não há perdas” (sim, gente, o sistema era bruto). Por várias vezes Pol Pot deixou bem claro que o novo Camboja precisaria apenas de um milhão de pessoas, ao contrário das sete milhões que ainda restavam. O regime de Pol Pot é classificado como o maior genocídio já realizado ao seu próprio povo.
Outro fator que despertava mais ódio ainda do Khmer Rouge, era que os civis provenientes das cidades pareciam não perder os vícios que carregavam. Apesar das doutrinações diárias, esses parasitas insistiam em tentar plantar algo a mais para eles (algo que não fosse arroz) e a praticar escambo.

O Khmer Rouge teve fim no ano de 1979, quando Pol Pot resolveu atacar o Vietnã. O Vietnã sempre foi visto com maus olhos por Pol Pot, já que o seu regime comunista era Maoísta, ou seja, mais próximo do regime chinês e o vietnamita era mais próximo ao comunismo soviético. No final ele acabou apanhando que nem menino. Derrota esta que custou o seu regime.
Mas o que seria de um sistema comunista se não fossem as prisões para implementar o terror? O que seria de Castro sem o “paredón” ou de Stálin sem os seus “gulags”? Pois é gente, Pol Pot também era comunista, logo, Pol Pot precisava de algo para propagar o terror. Aproveitando que ninguém no novo Camboja precisava estudar mesmo, eles adaptaram várias escolas em prisões (que eles preferiam chamar de “centros de segurança”). Tive o “prazer” de visitar um dos mais famosos, o S-21.Cara, o ambiente é apavorante, bicho. Já na entrada, você dá de cara com vários caixões onde estão enterrados os corpos das últimas vítimas de Pol Pot no S-21.
Pude ver alguns documentários sobre esta prisão enquanto estive pelo Camboja. Cara, é algo terrível. Teve um documentário que vi em que eles entrevistavam antigos guardas que serviram nesta prisão. Pra começar, dos quatro ou cinco que foram entrevistados no documentário, três começaram a trabalhar por lá quando tinham apenas 14 anos. A escolha de guardas quase que na infância era feita de propósito. Quanto mais novo e mais infantil fosse o menino, mais maleável ele poderia ser e mais cruel, frio, impiedoso e leal ele poderia se tornar. Como diria uma das placas informativas na parede do museu S-21, Pol Pot transformou “os adolescentes que tinham corações puros e gentis em executores cheio de ódio capazes de matar os seus próprios parentes, amigos ou pais”.

Essa parada do “matar os seus próprios pais, parentes e amigos” não é algo só retórico não, cara. Realmente era desta maneira. Um dos momentos mais chocantes do documentário ocorre quando o produtor (ex-detento da S-21) descrevendo como era diariamente torturado, pergunta aos ex-guardas como eles poderiam ser tão cruéis com pessoas que eles nem conheciam e que podiam ser seus pais ou parentes. Eles respondiam que, antes de trabalhar por lá, foram doutrinados e havia algo que deixavam bem claro para eles:
– “O estado é seu pai, o estado lhe fornece comida, amor e abrigo. Logo, você deve amar ao estado e odiar às pessoas que lutam contra o mesmo, pois quem luta contra o estado, luta contra você”.
O produtor insistia: “- Mas várias dessas pessoas eram inocentes, como vocês poderiam não sentir pena delas?”
– Desde menino eles nos ensinaram que o Estado em si nunca realiza uma prisão por engano. Se uma pessoa está aqui foi porque ela comentou algum erro e merece pagar. Ainda que um dia algum inocente fosse preso, eles nos diziam que era melhor prender dez pessoas inocentes do que deixar uma culpada solta”.

Cara, deu pra sentir como era a parada? Bicho, é como eu falei, é de assustar mesmo.
O mais triste é que, se você observar o local de um outro ângulo sem olhar para as cercas de arame farpado, o local parece um lugar aprazível, como toda escola deve ser.

Além dos guardas havia alguns “médicos” na prisão. Mas aonde achar médicos numa cidade em que todos os médicos ou foram executados ou fugiram? Pol Pot sempre arranja uma solução. Meninas eram “treinadas” num espaço de três a cinco meses e assim poderiam exercer o seu ofício de “médicas”. Por não haver remédios, tudo o que elas sabiam fazer eram alguns curativos e uns remédios caseiros a base de açúcar e água. Ainda assim, as “médicas” só eram chamadas quando alguém ficava inconsciente depois de tanto ser torturado. O serviço das “médicas” era cuidar para que eles não morressem e assim pudessem continuar a ser torturados até o momento de confessarem.
Estas cercas de arames farpados ficavam no terceiro andar da escola. Elas serviam para prevenir que detentos desesperados tentassem se matar atirando-se do terceiro andar e assim morressem sem “confessar”.Por último eu vi a entrevista de um cara que foi torturado em S-21 também. Esse cara foi um dos que mais me marcou. Mexendo pelos arquivos que sobraram de S-21, os produtores conseguiram achar a transcrição do depoimento dele. O produtor vai e pergunta como o cidadão pode ter entregado mais de quarenta pessoas. O cara com lágrimas nos olhos, responde que no momento em que estava sendo torturado, no desespero para que tudo cessasse, decidiu “cooperar” e saiu falando o nome de todas as pessoas que vinham a sua cabeça, fossem seus vizinhos, fossem seus amigos. O produtor fica indignado e pergunta se todas as pessoas que fossem torturadas fizessem o mesmo, quantas pessoas iriam restar no Camboja. O cara simplesmente baixa a cabeça, começa a chorar e fala algo que seria muito, mas MUITO engraçado se não fosse trágico. Antes do interrogatório, na sessão inicial de torturas, eles tinham que escolher dentre quatro opções pra qual daquelas eles haviam trabalhado. Eu não lembro as quatro, mas duas eram CIA, “serviço secreto vietnamita” e uma outra, se não me engano, KGB. Agora o detalhe é que ele não sabia que diabos era nenhum dos quatros e o torturador provavelmente também nem fazia idéia (lembrar que o torturador era um adolescente). Mas depois de tanto levar porrada, ele resolveu falar que era da CIA pra ver se tudo acabava logo. Dá pra acreditar nisso?

Cara, escrevo na Polônia agora. Acabei de chegar de Auschwitz. Fiquei impressionado com a semelhança de tratamento e barbaridade entre Auschwitz e S-21. Se tem algo que os comunistas podem se orgulhar é que o comunismo criou uma zona de detenção tão cruel quanto ao da Alemanha.
Regras de conduta da S-21. Achei uma traducao pela internet: 1) Você deve responder de acordo com minhas perguntas – Não se vire/2) Não tente esconder os fatos criando pretextos para isso ou aquilo. Você está estritamente proibido em me contestar./3) Não seja tolo ou você será um capítulo que se atreve a contrariar a revolução/4) Você deve responder imediatamente minhas perguntas sem desperdiçar tempo em reflexão/5) Não me diga nada sobre suas imoralidades ou a essência da revolução/6) Se você receber chicotadas ou choques elétricos você não deve chorar/7) Não faça nada, sente-se e aguarde pelas minhas ordens. Se não existirem ordens, mantenha-se quieto. Quando eu perguntar alguma coisa para você, você deve responder imediatamente sem protestar/8 ) Não arrume pretextos sobre a ordem do Kromin Kampuchea para esconder seu segredo ou traidor/9) Se você não seguir as regras acima, você irá receber vários choques elétricos/10) Se você desobedecer qualquer ponto deste regulamento você irá receber dez chicotadas ou cinco choques elétricos.
Além do S-21, pude visitar também um Killing Field (Campo da morte) próximo à cidade de Phnom Penh. Cara, teve algo de engraçado nessa história toda. Eu, saindo chocado de dentro do S-21, com todas aquelas histórias, todas aquelas caveiras, todo aquele sofrimento, tava andando e do nada vieram uma pancada de motoristas de Tuk Tuk gritando contigo: – “Ow amigo, amigo! Vamos agora ao Killing Fields? Vamo? Vamo?”

E eles vinham gritando e sorrindo. Falavam como quem fala: – “Vamos pra um restaurante agora?”. Hehehehe. Acabei indo com um deles e paguei muito barato, seis dólares, pra ir e voltar quinze quilômetros.
Lá não tinha muita informação acerca do Khmer Rouge, havia mais era covas que as pessoas estão escavando à procura de vítimas. Valeu mais pelas fotos. A única informação relevante, era a de que o campo era utilizado como local para execução dos detentos de S-21 após o momento em que eles “confessavam”. Importante citar também que as execuções eram realizadas em suas maiorias por enforcamento, afogamento ou inanição, já que, segundo os mesmos, “balas não deveriam ser desperdiçadas”

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Monumento à independência no centro de Phnom Penh. As suas curvas são inspiradas nos monumentos em Angkor que depois vou explicar melhor o que é.
Cara, é engraçado ver esses monges andando pelas ruas na capital. É muito interessante ver o contraste das cores das suas roupas com o cinza da cidade.
Pra que busão, se você pode ter essas charretes motorizadas pela cidade inteira? A gente as chama carinhosamente de “Tuk Tuks”. Mermão, é MUITO chato quando você resolve dar uma volta pela cidade. De cinco em cinco minutos pára um carrinho desses ao seu lado e fica gritando “Tuk Tuk” “Tuk Tuk” no seu ouvido pra tentar te colocar dentro! A cada dois passos que você dá vem um diferente. Heheeh
Por todos os cantos que você anda pela cidade você vê gente praticando esse esporte. O nome oficial é badminton, mas no Brasil é mais conhecido como peteca. Cara, os bichos REALMENTE curtem esse jogo no Sudeste Asiático. Uma das meninas que me hospedaram na Indonésia me falaram que antes do badminton virar esporte olímpico a Indonésia nunca tinha ganhado uma medalha em Olimpíadas (a Indonésia tem uma população maior que a do Brasil, como já disse), só pra vocês terem uma idéia de como isso é popular por lá.
Sim, essa árvore com algumas pessoas sentadas no melhor estilo “fim de tarde no interior” fica na parte central de Phnom Penh.
Sim, meu amigo, em Phnom Penh também tem shopping, rapaz!
Consegue ver essa mulher de azul? Sim, ela é uma das seguranças do shopping, mas a função principal dela é ensinar as pessoas a ANDAR DE ESCADA ROLANTE!!! Sim, brother, o nível de desenvolvimento lá é tão baixo que as pessoas precisam de ajuda pra poder usar uma escada rolante. Cê acredita nisso, meu amigo?? Hahahah. Eu quase que fui pedir informação a ela só de sacanagem e pra ver se isso é verdade mesmo!!Cara, meu couch Phnom Pehn foi deveras engraçado. Peguei o endereço da menina e fui pra casa dela. Cheguei lá e quando fui entrando no quarto dela, a surpresa. Eu só escuto algo familiar: “Como um girassol, girassol, girassol amarelooooo…”. Cara, a mina tava escutando O Rappa! Fiquei de cara demais!
Phnom Penh tem um complexo de palácios parecido com o Royal Palace no Camboja. Eles são legaizinhos, mas os de Bangkok são muito mais loucos!!
Inicialmente pedi pra ficar na casa dela só umas três noites, mas acabei ficando mais de uma semana. Era engraçado porque ela dividia o apartamento com mais uma penca de franceses. Na verdade com mais quatro franceses, todos gente boa demais. Curti bastante essa mina, cara! Bicho era MUITO fofo ela falando português com aquele sotaquezinho francês dela. Hehehe.
=****
Galera, antes de começar o post sobre o Camboja, gostaria de escrever um pouco sobre o conflito na Geórgia que não sai dos noticiários. Gostaria de deixar a galera um pouco mais a par do que anda ocorrendo, beleza? 🙂
Antes de tudo precisamos entender o básico. Como o conflito começou?
Bem, com todo o seu “caldo” de grupos étnicos, religiões, regiões ricas de petróleo e gás etc. o Cáucaso sempre foi um “caldeirão”. Todos esses problemas só começaram a ficar mais explícitos agora devido à desintegração do comunismo. Durante o comunismo, o uso de governos fortes e violência (Tito na Iugoslávia e o regime comunista na URSS) ajudaram a estabilizar estas regiões. Mas ainda assim, o conflito da Geórgia só estourou depois de mais de 15 anos depois da queda da URSS. Por quê?
A Geórgia, apesar de ser o país natal de um dos maiores heróis da esquerda contemporânea, Josef Stálin (e um dos maiores assassinos da história, como todo bom comunista), sempre adotou um posicionamento meio que “desconfiado” em relação à Rússia, devido as suas flagrantes diferenças étnicas. Não sei se vocês prestaram atenção aos georgianos que aparecem nas fotos de jornais, mas eles não se parecem em nada ao estereótipo russo ou eslavo que temos (pele branca, olhos azuis e cabelos loiros), se vocês prestarem atenção, os georgianos se parecem mais aos iranianos. Só por curiosidade, o idioma georgiano provém do persa. Devido a isso, logo após a desintegração do regime soviético, a Geórgia buscou desesperadamente se alinhar ao Ocidente.
O conflito em si tem raízes desde a independência georgiana. O problema foi que ao mesmo tempo que a Geórgia ficou independente, a região da Ossétia do Sul (essa sim, com grande parte dos seus residentes de etnia eslava) também declarou a sua independência. A Geórgia não reconheceu a independência da Ossétia do Sul, pois alegava que era parte do seu território e um referendo realizado na região, com aprovação de independência pelo povo ossetiano foi declarado “ilegal” pela Geórgia e a Ossétia do Sul foi anexada. O que a Rússia achou dessa história? Bem, a Rússia tava enrolada demais com a desintegração da URSS e, com a pressão da comunidade internacional, acabou por não reconhecer a independência da Ossétia do Sul também.
Beleza, a região se estabilizou com o envio de “tropas de paz” e parecia que a situação não ia estourar.
Mas, e o grande problema é o “mas”, veio o problema de Kosovo. Kosovo fica numa zona de influência russa e fazia parte de um dos seus maiores aliados, a Sérvia. O fato dos Estados Unidos com a OTAN terem bombardeado a região durante a guerra do Kosovo e a posterior independência dos mesmo foi uma humilhação TREMENDA para a Rússia. Gente, vocês acham que a OTAN ia ousar bombardear a Iugoslávia (Kosovo ficava lá no meio) durante o reinado de Stálin? Claro que não. Todos esses bombardeios e apoio “às causas humanitárias” da independência de Kosovo foi como um recado dos Estados Unidos pra Rússia dizendo: – Vocês perderam a Guerra Fria. Vocês não são mais nada! Vocês não passam de uns meros bebedores de vodka. Enfiem o rabo entre as pernas que política internacional quem manda é a gente.
E foi assim. Com humilhação atrás de humilhação a Rússia foi só aguardando o momento certo pra se vingar e mostrar que não é um cachorro morto.
Mikheil Saakashvili dá de bandeja
Até que o presidente georgiano Mikheil Saakashvili deu assim, de bandeja, como um passe do Kaká pro Ronaldinho Gaúcho em frente do gol, como o Lúcio matando a bola e dando pro Owen fazer o gol no Brasil na Copa de 2002, o pretexto perfeito para Putin ao atacar rebeldes ossetianos durante a realização dos jogos olímpicos.
Supostamente respondendo a um ataque de separatistas ossetianos, Mikheil Saakashvili revidou com força totalmente desproporcional, atacando a Ossétia do Sul com lanças-foguetes em áreas próximas a áreas residenciais (que, pelamordedeus, foguetes causam um estrago danado. É flagrante que Saakashvili queria mesmo era aterrorizar os ossetianos e dar um recado o bicho ia pegar). Foi o pretexto que os russos queriam. Alegando “causas humanitárias” e proteção das vidas de cidadãos russos (a Rússia vinha concedendo passaportes para virtualmente todo mundo na Ossétia do Sul), Putin soltou os cachorros em cima da Geórgia.
E porque Saakashvili fez isso? Por que ele é besta?
Não, o ponto é que, como falei, desde o momento em que a Geórgia ficou independente, ela buscou uma aproximação desesperada aos Estados Unidos. Os Estados Unidos responderam positivamente às pretensões georgianas, já que poderiam ter um aliado ali, na fronteira com a Rússia e que além do mais possui grandes reservas energéticas. A Rússia foi olhando isso com péssimos olhos. Depois de Bushão ir à Geórgia, fazer um discurso pra mais de 150 mil pessoas (gente, o Bush é popular por lá, tem até avenida no nome dele) e de achar que as suas pretensões de entrar na OTAN seriam atendidas (a Geórgia mantinha mais de 2000 tropas no Iraque), o presidente georgiano acho que era chegada a hora certa.
Cara, o que se viu foi uma coisa impressionante. Desde a guerra do Afeganistão não se via um deslocamento tão absurdo de tropas russas. Deu pra ver que a Rússia fez isso tudo com “raiva”, com sangue na boca. Se a Geórgia revidou com força desproporcional, a Rússia revidou com força fenomenal. A pobrezinha da Geórgia não agüentou nem uma semana pra cair de joelhos durante o gigante russo.
O que a Rússia quer fazer com toda essa selvageria? A Rússia quer mandar um recado bem claro que ainda tá viva e que se mexer com qualquer estado que esteja na sua dita “zona de influência” é pedir pra sair no pau. Outro recado que da Rússia é para os seus países limítrofes: – Não se ATREVAM a fazer parte da OTAN. Se a Geórgia fosse membro da OTAN, seria MUITO mais improvável que a Rússia falasse grosso desse jeito com a mesma, já que um dos pontos principais da OTAN, diz que um ataque a um país membro é considerado um ataque a todos da aliança. Só pra vocês terem uma idéia, a Rússia já está dizendo que não reconhece a integridade territorial da Geórgia.
E os Estados Unidos, como reagiu? Bem, enquanto a Geórgia apanhava que nem cachorro sem dono, Bush tava lá nas Olimpíadas, sorrindo que só professor de aeróbica assistindo jogo de vôlei de praia. O que os Estados Unidos podem fazer é o mesmo que a Rússia pôde fazer com Kosovo: Palavras. Nada mais que isso. Os Estados Unidos se limitaram a enviar ajuda humanitária e fazer duros discursos sobre a Rússia. No momento que eu estou postando aqui, o passo mais largo dado pelos EUA foi assinar o acordo antimísseis com a Polônia. Os EUA precisam demais da Rússia em problemas relacionados a Darfur e nuclearização do Irã pra poder se preocupar com um paizinho perdido lá no meio do Cáucaso. O máximo que ocorreu até agora foi Sarkozy, presidente da França e da União Européia, ter ido lá pra tentar mediar um acordo.
Acordo que no final não “teve nada de acordo”. A Rússia impôs o que queria e Sarkozy não pode fazer nada a não ser legitimar a Rússia.
De que lado eu tou? Gente, essa é uma guerra que devido à dificuldade de apuração de informações e ao fato de estar acontecendo, não dá pra saber se tem um lado “certo” ou um “errado”. Se nem o Itamaraty se posicionou sobre a parada, quem sou eu pra botar meu bedelho na parada? O que eu posso falar com toda certeza é que o Mikheil Saakashvili deu com os burros n’água já que foi iludido por Bush e hoje tem dúvidas se vai conseguir até mesmo manter o seu país independente.
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| Se liga em um dos varios doidos que estavam pelo bar quando fomos procurar gente pra nos acompanhar ao show. Velho, insistimos DEMAIS pra esse cara vir com a gente, mas o bicho tava pegando uma mina la. Diga ai, figura demais o cidadao, nao?? hahah |
A noite chegou e a inevitável sede por depravação veio ao mesmo tempo. Conclamei o meu fiel escudeiro canadense e juntos fomos nos encontrar com mais alguns “couchsurfers” que se reuniam em um bar próximo para conseguirmos “engrossar as nossas fileiras”, “aumentar o número do nosso esquadrão”. Chegamos lá e fomos chamando todo mundo, mas, no final, só conseguimos mais dois caras pra ir com a gente: Um outro canadense gente boa DEMAIS (Vicent) e um turco.
O turco era um show a parte. Primeiro que o cara era da Turquia, um país que se não é fechado como a Arábia Saudita, está longe de ser aberto como o Brasil. O cara NUNCA tinha saído de casa na vida, NUNCA tinha viajado sozinho e NUNCA tinha saído do país dele. Na verdade, ele só tinha pousado em Bangkok há exíguas oito horas atrás. Eu só fiquei pensando comigo: – Esse cara foi logo cair na minha mão. Esse tá ferrado.
Só sei que no começo eu até ria do tanto que ele era imbecil e parecia ser inocente, mas depois de um tempo eu comecei a não mais suportar aquele cara. O bicho era imbecil demais, doido! Ele não sabia se comportar como alguém que está indo pra balada, ele parecia uma criança. Sério, toda hora ele ficava falando: “Não, que na Turquia, eu tenho um Honda Civic “tunado” e pá pá pá”. Teve uma hora que eu até perguntei pra ele se ele achava que alguns dentre nós iríamos beijá-lo porque ele tinha uma droga de um Civic. Enfim, depois de quase uns trinta minutos, depois de vários táxis diferentes tentarem nos lubridiar, conseguimos chegar à região putoresca, digo, pitoresca. Era uma rua de família, com várias primas andando de um lado pro outro e vários pais de famílias bigodudos tentando nos enfiar dentro das casas.
Os quatro incautos na Missao Ping-Pong. Da esquerda pra direita: Turco, Maranhense, Canadense Vicent e Canadense David.
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| No final, pra fechar ainda com chave de ouro, nos voltamos ao bar pra rever a galera. Apareceu entao uma gorda IMENSA (essa de rosa) e comecou a dar um mole absurdo pro Turco. O bicho nao se fez de rogado, foi dormir abraçado com a mina e ainda saiu tirando onda. Essa noite foi bizarra. |
– Uai, mas peraí, nos já pagamos a conta! Nós já pagamos os 100 baths – argumentamos com ela.
– Ãhn? Como assim? Eu não lembro de você ter me pagado porra nenhuma!
Cara, o circo tava montado. Nessa hora nos tocamos da roubada que nos metemos. Pagamos 400 baths pro cara que nos colocou dentro do local, mas o cara não trabalhava lá. Ou seja, nós pagamos 400 baths de bestas! Mas de boa, era só pagar mais 400 baths que tava tudo sossegado, né? Não, meu amigo, a mulher trouxe uma conta com 4000 baths a ser pago! Ou seja, 70 reais por cabeça!
Meu amigo, percebe que não tinha pra onde a gente correr? Um cara no meio da rua simplesmente nos colocou lá dentro. Nós combinamos o preço com alguém que não trabalhava dentro do local, ou seja, a mulher poderia cobrar o preço que quisesse que a gente não teria muito o que fazer. Ela argumentava que se não gostamos do preço que perguntássemos antes de entrar na casa. Como estávamos a argumentar demais, ela resolveu pegar pesado. Deu um murro na mesa e gritou “SEGURANÇA VEM CÁ”!
Éguas doido, nessa hora minhas calças quase que ficaram mais pesadas. Mermão, achei que ia apanhar mais que vaca quando entra na horta! Eu tenho certeza que os machões aí, que estão lendo o blog, não ficariam com medo! Cara, só sei que alguns segundos depois dela gritar, veio lá de dentro uma gorda IMENSA com uma laterna na mão. Sim, UMA gorda. A segurança da casa dela era uma mulher, meu amigo! Pensa que a gente ficou mais tranqüilo? Naadaaa…
As duas começaram a dar murro na mesa e falar que o bicho ia pegar se a gente não pagasse a conta. Mermão, o ambiente tava totalmente hostil!! Nessa hora o turco se destacou. Meu amigo, cada murro que essa mulher dava na mesa o turco dava um grito: – AAAAAAHHHHHHH!! O bicho ficou APAVORADO, meu amigo!! O bicho só ficava falando:
– Mermão, paga logo ela, paga tudo que ela tá pedindo! Paga ela, por favor! Paga ela, eu tou com medo! Vamo embora daqui! Paga o que quiser! EU TOU COM MEDO!!
E cada grito que o turco dava a mulher se empolgava mais e esmurrava mais a mesa. E era aquela cena cômica. Uma mulher de paletó botando pra gelar quatro macho barbado!
Além disso tinha aquela sinfonia: PUM! Soco na mesa!! AHHHHHH!! Turco gritando. PUM!! AAHHH!! PUM!! AHHHH!! E foi nisso quase meia hora!
Sério doido, eu com uma vontade IMENSA de rir, mas ao mesmo tempo com uma vontade imensa de chorar!! Heheheheeh. Eu nunca tinha visto isso na minha vida! Só sei que nessa hora a estrela do boss se destacou e o bicho resolveu intermediar a situação. Depois de muito conversa daqui, conversa dali, esmurra daqui, grito turco dali, o Vicent conseguiu que pagássemos apenas, apenas… Tchan, tchan, tchan, TCHANS!! Quinhentos baths!