Claudiomar e a volta ao mundo.

Prezados, resolvi nos próximos posts escrever algo que há algum tempo vinha pensando em escrever, mas vinha sempre postergando. Um é sobre a espiral do consumo do American Way of Life e a outra relacionada a cultura brasileira fora do Brasil e como eles nos vêem.
Além disso, achei interessante colocar os diversos lugares que já acessaram o blog. Engraçado como tem vários países diferentes, uns que não falam nada de português (penso que sejam alguns amigos que estão fazendo intercâmbio no exterior…).
E galera, por último… Algumas pessoas já tinham vindo me perguntar e eu tinha cometido a injustiça de não citar. Além da grande ajuda do meu amigo Zé Modesto (sim, esse é o nome dele mesmo), que registrou o domínio pra mim, o blog também conta com a parceria de um importante blog da internet, o portal Mhário Lincoln do Brasil. Se vocês estiverem afim de se atualizar sobre diversas notícias, vale a visita… http://www.mhariolincoln.jor.br… O Mhário sempre deu muito apoio pro meu blog e desde os blogs da Austrália ele vem me publicando…

abraços maranhenses

MAIS SOBRE COMO É TRABALHAR NOS ESTADOS UNIDOS

Cara, o trabalho de Dishwasher (lavador de pratos) tá sendo bem legal. Não está sendo tão pesado quanto me falaram que ia ser (às vezes eu acho que tem gente muito frouxa mesmo, eu nunca “pedi água” trabalhando de Dishwasher), mas também não tem a gloriosa, majestosa, esplendorosa Dishwasher Machine que tanta companhia me deu quando eu estava trabalhando na Austrália. Enquanto na Austrália eu era um “Dishwasher de Luxo” como eu mesmo gostava de dizer, aqui nos EUA a parada é mais dura, já que tenho que lavar os pratos com as mãos. No final até que não acaba sendo tão difícil, já que trabalho numa doceria, logo não tenho pratos e talheres pra lavar nem grandes panelas. Geralmente lavo ferramentas de cozinha normais, que basta apenas jogar água quente para poder lavar de boa. A parte ruim do trabalho mesmo é, como já disse, a limpeza das mesas e do piso quando termino o meu expediente, mas já tou acostumando.

O que me deixou um pouco chateado trabalhando naquele lugar é que tudo é muito tranqüilo e quase nada de errado ou não-usual ocorre lá dentro. Isso é bom porque o trabalho fica mais fácil, mas é ruim porque eu fico sem história pra contar, e uma viagem sem histórias acaba ficando sem a menor graça.

Mas o fator que mais me chateou desde quando comecei a trabalhar lá foi, paradoxalmente, que naquele lugar só tem mulher. Antes que você comece a achar que estou jogando no outro time, gostaria de explicar. Beleza, é super legal ter várias mulheres perto de você e convivendo quase que diariamente. Até aí não há problema! O problema começa quando SÓ tem mulher e não tem nenhum brother pra você ficar confabulando quando está dentro da cozinha, principalmente alguém com quem você consiga se comunicar, já que o outro Dishwasher é meio bobão e não fala inglês direito. Como é que faz? Como faz pra conversar sobre futebol? Sobre como vai ser a balada? Mermão, vocês pensam que é brincadeira, mas a parada é complicada mesmo!! 

 

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Como é o American Way of Life, “a espiral do consumo”?

Cara, eu ia postar algo relacionado ao American Way of Life alguns blogs atrás, mas preferi analisar mais algum tempo e conversar com mais pessoas, para não fazer uma análise baseada em apenas um indivíduo…

Assim que cheguei aqui nos EUA, o Orlando, aquele gerente do hotel, tinha me falado do furor da sociedade americana pelo consumo e como isso parece escravizar as pessoas na espiral do “preciso trabalhar mais para poder comprar mais” ou “ainda não tenho tudo que sempre sonhei, preciso comprar mais coisas”.

Os dois exemplos mais emblemáticos que tive contato até agora foram: O novo cara que chegou pra trabalhar no hotel, o Alberto e a minha gerente gente boa e super simpática, a Sarah.

Certa vez, pela janela ônibus que me levava pra casa depois de mais uma noite de trabalho, pude ver a Sarah trabalhando na cozinha da doceria. Tudo normal, se não fosse plena 7:30 da manhã! Cheguei em casa, escovei meus dentes, fui dormir, voltei pro trabalho 3:30 DA TARDE e a mulher ainda tava lá trabalhando! Cara, fiquei realmente impressionado com isso, pois, apesar do trabalho dela de fazer doces não ser tão pesado como o meu de lavar pratos e o chão, ela fica o dia inteiro trabalhando em pé, já que em momento algum elas fazem algum trabalho sentadas. Fui conversar com ela e descobri que pelo menos cinco vezes por semana ela chega todos os dias no trabalho às seis horas da manhã e sai no final da tarde, algumas vezes chegando a trabalhar DOZE horas por dia.

Isso começou a matutar na minha cabeça. Se eu, que ando trabalhando por volta de 65 horas por semana, consigo ter superávits SEMANAIS de quase 350 dólares (juntando tudo o que eu ganho e tirando minhas despesas, consigo juntar 350 dólares por semana), de quanto será o superávit semanal de uma gerente de doceria como ela, trabalhando 60 horas por semana? Tudo bem que ela deve ter um nível de vida absurdamente melhor que o meu, já que mora com o marido e talz, mas mesmo assim, será se ela consegue gastar tudo que ganha? Será possível?

Fui perguntar isso pra ela e, pasmem, ela me falou que não consegue juntar quase nada por semana, já que tem muitas contas pra pagar e por isso decidiu procurar um outro emprego. Ela trabalha também numa loja como atendente, segundo ela, não tem problema, já que o trabalho é bem mais sossegado e ela só tem que ficar atendendo pessoas (no final a gente é bem parecido, hehehee, trabalho duro durante o dia e moleza durante a noite). No total ela me falou que trabalha por volta de 75 horas por semana. Pô brother, seja o serviço que for, 75 horas por semana é MUITA coisa. Digamos que ela pegue um dia de folga por semana, isso dá mais que 12 horas por dia de trabalho! Vai encarar?

Ao notar meu espanto, ela justificou que não via problema nisso, já que não tem filhos, o marido também não tem muito tempo livre (já que trabalha e estuda) e ela é jovem! Basicamente isso!

Porra, eu fico pensando que eu, por estar aqui só de agito, sem amigos e namorada, não tenho tempo pra mais nada a não ser pra trabalhar, fico imaginando se ela não está na mesma maneira.

O outro caso que me deixou mais impressionado ainda, estava relacionado ao Alberto, um cara que chegou agora pra trabalhar no hotel. Seus pais são provenientes da Guatemala e ele nasceu aqui, logo tem nacionalidade americana. Ele começou a trabalhar no hotel porque conhece o dono do hotel de longas datas, já que o dono é cliente do banco que ele trabalha.

O Alberto trabalha num banco daqui de Santa Bárbara, ganha 22 dólares por hora e trabalha quarenta horas por semana (faça as contas). Além deste trabalho e das exíguas quatro horas que trabalha no hotel o nosso amigo ainda trabalha como OPERADOR DE TELEMARKETING! Brother, eu sempre achei que trabalhar com telemarketing fosse o fim que uma pessoa pudesse chegar. Tipo, o cara é corintiano, a mãe trabalha na zona, a filha faz sexo com porcos, o filho usa drogas e o cara ainda é do Piauí! Beleza, um cidadão como esse vai trabalhar com Telemarketing, algo que um maranhense sangue-bom e que faz sucesso com a mulherada nunca faria. Porra, se já é chato atender ligação de Telemarketing, imagina como deve ser chato ficar o dia inteiro fazendo ligações com pessoas sendo extremamente grossas com você e com metas absurdas a bater?

Mas é, fez as contas? O nosso amigo com certeza deve trabalhar mais que 70 horas por semana. Mais ou menos como a gerente, ou seja, no limite da capacidade humana. Porque ele trabalha tanto? Sim, a mesma resposta, “tem muitas contas a pagar”!

Assim como o Orlando tinha me falado, eu fico impressionado como o americano médio realmente parece ter essa sanha louca por consumo! Eu também já tinha lido um livro muito interessante, “Pai Rico Pai Pobre” (Robert Kiyosaki) onde o autor tem uma tese interessante: Não adianta o quanto essas pessoas sejam promovidas ou ganhem salários maiores, elas sempre vão estar cada vez mais atoladas em dívidas e mais problemas. Enquanto não for possível mudar o pensamento do “eu preciso ter uma casa melhor” ou “eu preciso de um carro melhor”, as pessoas sempre estarão no que ele chama de “corrida dos ratos”, cada vez mais endividadas, cada vez trabalhando mais e cada vez mais botando a culpa no governo ou na corrupção pelos seus erros pessoais.

Os dois casos que citei são bem ilustrativos. Um dia cheguei ao trabalho e vi um calhamaço de correspondências em cima do balcão. Fui lá e perguntei pro Alberto se aquilo era do hotel. Qual não foi minha surpresa quando ele falou que tudo pertencia a ele. No meio daquelas correspondências, havia contas de home theater, prestação do carro, contas de lojas de roupas etc.

Essa é a armadilha do American Way of Life, a facilidade com que você pode trabalhar. A facilidade do “olha, 10 dólares por hora é uma boa grana! Não faz mal trabalhar mais 20 horas por semana, eu sou jovem, não tenho filhos…” e, principalmente, a facilidade com que você pode comprar. A facilidade do “faça um cartão na nossa loja, não precisa comprovante de renda, você pode pagar em quantas vezes quiser”. Quando você menos se espanta já possui vinte calças jeans, 50 pares de tênis e, claro, sempre muitas contas a pagar. Depois que você se encontra endividado até o pescoço “porque não procurar um outro emprego” e por aí vai, cada vez mais afundado na sua espiral sem saber como sair. Trabalhando e consumindo como uns loucos enquanto a sua vida vai passando…

Quem tiver um tempinho, tem um documentário feito pela BBC que fala sobre isso no EUA, sobre o consumo desenfreado, a subida dos neoconservadores e dos fundamentalistas islâmicos ao poder. Eu comecei a ver agora e ele parece ser bem interessante.

O PODER DO PESADELO – Doc da BBC – Legenda em Portugues:

PARTE 1 http://video.google.com/videoplay?docid=5984887661763949903&hl=en

PARTE 2 http://video.google.com/videoplay?docid=-3944892390419580084

PARTE 3 http://video.google.com/videoplay?docid=7601165999682228862

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Brasil para estrangeiros


Eu acho engraçado que todo brasileiro tem uma grande curiosidade sobre como o Brasil é conhecido por estrangeiros. Cara, vou dizer a impressão que tive conversando com a galera aqui. Até há alguns tempos atrás, muitos deles achavam que o Brasil era um grande país na América do Sul, em que todo mundo joga futebol e em que as mulheres são extremamente gatas.
Hoje, depois de sucessivas investidas de nosso cinema nacional para fazer parte do mercado internacional, o Brasil também é imaginado pelas pessoas como um país em que todo mundo mete bala em todo mundo e extremamente violento. Isso ocorre devido ao imenso sucesso que o filme Cidade de Deus fez no exterior (inclusive o filme Cidade dos Homens, que vai ser lançado por aqui agora, está sendo, propositalmente, anunciado como Cidade de Deus II) e também há alguns sucessos marginais como Carandiru e agora o nosso “fanfarrão” Tropa de Elite, que está para ser lançado.
Cara, mas é impressionante! Seja qual for a nacionalidade da pessoa, parece que TODO mundo ou já viu Cidade de Deus, ou claro, já ouviu falar nele. É um trabalhão danado convencer todo mundo que “Não, no Brasil nem todo mundo se mata no meio da rua. Pode até ser assim no Rio de Janeiro, mas nos locais turísticos da cidade, o policiamento é intensivo”.
Outra coisa interessante é que TODO mundo conhece Paulo Coelho. Cara, outro dia foi até engraçado, eu tava conversando com a bielo-russa e ela me perguntou se eu gostava de Paulo Coelho. Eu falei que nunca tinha lido nenhum livro dele, mas que, obviamente, respeitava e MUITO o cidadão, já que não é qualquer um que vende 100 milhões de livros no mundo inteiro (só por curiosidade, Paulo Coelho é de longe o maior sucesso da língua portuguesa, superando até mesmo Saramago).
Qual não foi o meu espanto quando ela e o Shin, um japonês, começaram a discutir acerca de um livro dele, “Veronika decide morrer” e mais outros livros, dentre eles, claro, O Alquimista. Engraçado que eles vieram me perguntar se eu conhecia o bicho, ou se ele era muito famoso no Brasil e ficaram surpresos com minha negativa! Ficaram mais surpresos ainda quando contei que foi uma luta danada pro Paulo Coelho ser aceito na Academia Brasileira de Letras, mesmo que se você somar todos os livros já vendidos por todos os autores já presentes na Academia, não deve dar o número de livros “O Alquimista” vendidos. Expliquei pra eles que era aquela velha história, para você ser membro da elite, você não pode ler o que todo mundo lê, para você ser culto você precisa gostar do que ninguém gosta e, claro, de preferência escrito em francês.
Por último, têm as novelas brasileiras. Rapaz, é muito engraçado vê-los comentando sobre “O clone”, “Escrava Isaura” ou outras novelas. Engraçado que os bichos sabem a história certinha, com o nome dos personagens em português e tudo. Pense num cara que pirou quando a bielo-russa falou que já tinha visto os Lençóis Maranhenses numa novela da Globo?? Eu conversando com a bielo-russa, ela me falou que todo mundo achava que o Brasil fosse um país rico, com todo mundo vivendo muito bem e sem pobreza, baseado em que? Claro! Nas nossas novelas!
Depois tive que explicar pra menina que o Brasil, apesar ser um país relativamente rico (porra, a gente é a décima economia do mundo, brother!), também tem muitas pessoas pobres, o velho clichê do “muito do que a novela não diz”. Os asiáticos e o suíço falaram que também já tinham visto várias novelas brasileiras, que inclusive era um programa de família no país deles. Louco isso, né?
Isso, sem falar, claro, no futebol.

Novo Trabalho

Amigos, desculpe por demorar tanto pra poder postar! Sexta como era o dia de costume não postei porque estava simplesmente acabado!

Primeiro, tenho uma boa e má notícia! A boa notícia é a de que? Isso! CONSEGUI EMPREGO!!! Pois é, juro que não acreditei!! Agora vem a má notícia: O emprego é de DISHWASHER!! Arf..

Brother, já dizia o ditado “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”. Pois eu digo “Há várias coisas que sempre voltam atrás quando você viaja: a vida bandida, ‘como vou pagar meu aluguel’ e pratos sujos por todos os lados”! Pois é, depois de pegar porrada de todos os lados, volto a mesma vida bandida de lavador de pratos! Cara, sexta não postei porque simplesmente tava ACABADO! Não conseguia nem me concentrar no que estava fazendo…

Apesar do cansaço, ainda bem que esse emprego apareceu. Eu já estava me preparando pra postar algo do tipo “sem novidades” no blog, porque realmente não tinha acontecido nada demais essa semana inteira. Apenas tinha acordado, ido trabalhar, dormido, acordado, ido trabalhar… Eu ia apenas postar algo relacionado às visitas no blog (média de 40 visitas por dia) e quais as buscas mais estranhas feitas no Google que acabaram caindo no meu blog (cara, diariamente tem alguém que escreve algo do tipo “fotos homens das cavernas”, “hábito de vida homens das cavernas”, “homens das cavernas” no Google e cai no meu site, eu realmente queria entender como isso acontece.. hehehehe).

Sorte a parte, trabalho de Dishwasher é algo que sempre dá postagem no blog porque sempre acaba em presepada, ehehehehe. Com esse trabalho, consegui finalmente o que queria, agora não faço nada em Santa Bárbara além de trabalhar o dia inteiro sem comprometer o meu sono (durmo em média 7 ou 8 horas por dia), sem comprometer minha alimentação (já que todos os dias tenho tempo suficiente para cozinhar e assim poder ter uma dieta variada e sempre que possível com MUITA vitamina C. Uma dica, se quiserem viajar, por favor, aprendam a cozinhar, quebra um galhão!) e ainda sobram umas duas ou três horas por dia pra poder fazer o social com a galera lá de casa. A única parte ruim é que o trabalho de Dishwasher às vezes é MUITO pesado e tem dias que eu tou só o bagaço da laranja. Esse cansaço já implicou e pode implicar ainda mais em atrasos de posts, posts sem criatividade e afins. Enfim, a vida não foi feita pra ser fácil!

Aí vai um vídeo do trabalho no hotel…

Claudiomar e a Fantástica Fábrica de Chocolates

Quem não viu o filme a “Fantástica Fábrica de Chocolates” pode não entender direito o que escrevi abaixo. Se quiser dar uma lida rápida sobre o que trata o filme tem esse link aqui da Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Charlie_and_the_Chocolate_Factory_%28filme%29).

Tou trabalhando numa doceria aqui que vende “cupcakes“. Não achei a tradução exata do que seriam “cupcakes“, mas basicamente é uma mãe-benta com chantilly em cima! Uma mãe-benta estilosa, pra dizer a verdade! Como tudo que faz sucesso aqui nos Estados Unidos, a parada tem tanto açúcar que chega a ser crocante quando você dá uma mordida. Dá pra sentir as pedrinhas de açúcar quebrando nos seus dentes! Claro que o excesso de açúcar não é um problema para os nossos amigos aqui, eles adoram tudo que possa “adocicar o coração” e entupir suas veias!

Mais uma vez a ameaça do “American Way of Life” bate à minha porta! Assim como o meu trabalho de recepcionista no hotel, o trabalho de Dishwasher também me dá direito a açúcares de graça! Posso comer quantos bolinhos quiser!! É engraçado como Deus não dá asas a cobras. A ironia maior é que eu, que ODEIO doces e quitutes, estou trabalhando numa doceria que faria a alegria de toda criança! O único doce que vez ou outra eu como, mas dou só algumas mordidas (porque depois fico enjoado), é chocolate ao leite (gosto parecido com o daquele chocolate da Garoto “Batom”), que também tem a rodo pra galera que trabalha dentro da cozinha poder consumir! Basicamente tou trabalhando num lugar tipo “Willy Wonka e sua fantástica Fábrica de Chocolates”, sonho de toda criança ou mulher em TPM! Graças a Deus não gosto de doces, porque senão estaria ferrado!

Mas como nem tudo na vida são doces ou chocolates, agora vem a parte ruim! Doces são a alegria da criançada, né? Mas me diz, uma coisa, você lembra como é que se faz doces e quitutes? Quais são os ingredientes principais? Vou dizer pra vocês! Dentre muitos, temos trigo, chocolate líquido, açúcar colorido, ovos etc. De boa, né?? Quando crianças vocês também pegavam farinha de trigo e faziam bolinhas pra tacar uns nos outros? Pois é! Agora imagina um local aonde temos quilos e quilos de todos estes ingredientes misturados com água e que várias vezes respingam no chão?? Muleque, essas paradas COLAM quando caem no chão! É um INFERNO pra poder limpar! Tem que esfregar diversas vezes e com força! E o pior que as doceiras não tão nem aí, jogam no chão mesmo! Elas tão ali pra fazer o trabalho delas e eu tou lá pra fazer o meu, ou seja, elas cozinham com tranqüilidade e colocam na conta do Dishwasher que depois do fim do expediente tem que lavar o chão! Aquilo é o inferno!

O primeiro dia em que fui trabalhar (por coincidência, o dia em que deveria postar), eu até tentei limpar o chão direitinho, tirar todas as massas de chocolates coladas no chão, esfregar o chão direitinho, limpar o açúcar… Rapaz, fiquei quase 2 horas pra limpar o limpar o piso de uma cozinha que devia ter uns 3 metros por 5. Chega o suor descia pela testa, doido! Fiquei tanto tempo trabalhando que a gerente veio falar comigo e me explicar que não precisava aquele esforço todo, que eu poderia limpar com um pouco menos de afinco (desde que limpasse todos os dias) que tava de boa. Hoje que já peguei o jeito, gasto uns 30 minutos pra limpar tudo, apesar do suor ainda pingar pela testa! Trabalho ruim, cara!

Claudiomar e a Fantástica Fábrica de Chocolates, parte 2

Agora, o que mais me impressionou naquela cozinha e o que vem sendo a melhor vantagem até agora, é que todo mundo lá dentro é MUITO estranho! Muito estranho MESMO! Cara, cê acredita que fica todo mundo trabalhando dentro da cozinha e… Sorrindo? Pombas, essa é a primeira vez que trabalho de Dishwasher e todo mundo parece estar alegre de estar trabalhando! As pessoas até parece que são felizes! Eu fico lá, lavando e enxugando meus pratos e fica todo mundo ao mesmo tempo conversando comigo, batendo papo, querendo saber mais sobre o Brasil, querendo me mostrar que sabe algumas palavras em português (apesar da maioria das palavras que elas aprenderam serem “vamos trepar”, “tou chapada”, “que gostosão” etc. Fico imaginando os locais ou as situações que as ensinaram a falar português.. heheheh) perguntam o que eu tou fazendo, o que tou estudando etc.

Confesso que depois de pegar porrada em várias cozinhas diferentes, de várias nacionalidades diferentes, eu até comecei a achar que é possível fazermos um mundo melhor! Só pra vocês terem uma idéia, teve um dia em que a DONA da parada, ou seja, a pessoa máxima na hierarquia da doceria, o Willy Wonka da parada, veio falar comigo porque disse que tava preocupada, já que no último dia eu tinha trabalhado demais tentando limpar o chão! Falou que ela se preocupava comigo (inclusive antes de me contratar ela perguntou: – É um trabalho pesado, você tem certeza que pode fazer? Em qualquer ponto que você precisar de ajuda, fale diretamente comigo) e que realmente não queria que eu ficasse doente ou muito cansado por estar desempenhando aquele trabalho!!!!

TEM CABIMENTO ISSO? Tá, tudo bem, a vida me calejou um pouco e me ensinou a não aceitar tão facilmente essas demonstrações de ternura, principalmente vindo de alguém que tem o poder de vida e morte sobre seu emprego. Ela pode estar falando isso porque está preocupada comigo, ou também porque não quer que eu fique muito tempo, depois da cozinha fechar, limpando o chão e com isso ela tenha que gastar mais comigo! Mas, pombas, mesmo que ela não queira me pagar mais horas e queira que eu trabalhe mais rápido, mesmo que ela esteja falando dessa maneira, mas querendo dizer “Dá pra você fazer seu trabalho mais rápido, moleque?”, faz uma diferença danada um “tome cuidado com o trabalho! Não trabalhe muito todo dia”, pra um “Você tem que trabalhar mais rápido, você é MUITO preguiçoso!”.

A gerente principal da cozinha, a cozinheira master, até agora tá sendo MUITO gente boa comigo! Sempre me trata muito bem, sempre educada e sorridente! Cara, teve um dia em que eu estava trabalhando com uma pilha IMENSA de louças e ela chegou ao cúmulo de chegar por trás de mim e falar no ouvido: – Calma, Claudio, não precisa tentar fazer o trabalho tão depressa, você está fazendo um grande trabalho (!!!!). Dá pra acreditar?? A menina parece ter a minha idade e me trata não como um subordinado, mas sim como um amigo. Estranho isso… Juro que não estou acostumado em ser tratado como gente quando trabalho como lavador de pratos.

A alegria da criançada!

Agora, se eu fiquei feliz de ter conseguido este trabalho, vocês tem que ver é a felicidade da galera que mora comigo! Eita amigo, mas é uma felicidade danada nesta casa quando chego do trabalho! Todo mundo me procura e vem falar comigo! Porque gostam de mim? Talvez! O fato primordial é que SEMPRE que chego do trabalho, v

enho carregando junto comigo VÁRIOS “cupcakes“! Como já falei, eu não gosto da parada! Acho ruim MESMO! O problema é que quando termino o trabalho e fechamos a cozinha, a manager ou a dona, pega os cupcakes que não foram vendidos e separam pra jogar fora. Eu, como detesto ver comida desperdiçada, vou lá e peço pra elas colocarem numa caixa pra eu levar pra galera lá de casa! Chegando em casa, faço a alegria da criançada! Antes, no final do expediente, eu ia lá e pedia uns cupcakes, mas depois de uns três dias comecei a ficar de saco cheio de ficar carregando isso pra casa. O engraçado é que, quando falo que não vou levar nenhum pra casa, a gerente fica me provocando:

– Cláudio, aqui tem os cupcakes que não foram vendidos!

– Ah, valeu, hoje não vou levar não!– Olha que eu vou jogar fora!

– Tá, coloca tudo numa caixa!

Ela sabe que sempre funciona essa tática de ameaçar jogar fora, eu sempre acabo levando e distribuindo em casa.

As Oompa-Loompas


Pois é, brother, falei que o local que tou trabalhando parece a Fantástica Fábrica de Chocolates, né? Pois então, o melhor da doceria não é nem o ambiente em si, mas as “Oompa-Loompas” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Oompa-Loompas) que trabalham lá! Cara, o que é aquilo? Mermão, SÓ TEM MULHER NO TRABALHO! LITERALMENTE! Os únicos dois homens que trabalham lá são Dishwashers, eu e o Ceasar, um mexicano! Só há mulheres trabalhando no balcão, na cozinha, na gerência… Mermão, as minas são MUITO gatas, só vocês vendo! Pena que metade delas ou tem namorados ou são casadas, mas ainda assim é melhor do que trabalhar com um bando de macho dentro da cozinha! Até agora, desde que “liguei o radar” dentro da cozinha, parece que há apenas uma menina que não é casada, uma armênia com uns olhos azuis de brilho impressionante! É esperar pra ver!

Pensei até em criar um trocadilho parecido com o “Tchecas Ardentes” ou “Suecas Quentes”, mas acho que seria banalizar demais o termo e também, achar um trocadilho com confeiteiras (ou Oompa-Loompas), seria meio complicado! Confeiteiras Açucaradas? Oompa-Loompas Adocicadas? Realmente não parece que ia ser tão legal.

De todas, a que mais me chamou a atenção foi essa menina de pais armênios. Engraçado porque sempre achei que a Armênia, por fazer parte da Ásia e fazer fronteira com a Turquia, tivesse um fenótipo parecido com o dos turcos. Mas não, a menina tem cabelos pretos e uns olhos azuis de coloração indescritível. Fiquei espantado quando ela me falou que quase todo mundo era assim na Armênia, que hoje você não acha muitos Armênios de olhos claros e pele branca (tais quais as características dos eslavos russos) devido ao massacre armênio ocorrido no começo do século passado e empreendido pelos turcos (que estupravam as mulheres em massa). Ela me perguntou se eu sabia desse genocídio, eu falei que sim e antes que começássemos a conversar sobre isso mudei pro velho papo clichê: – Pô, lá no Brasil a gente tem gente de todas as cores e culturas, e apesar de todo mundo ser diferente ninguém se mata e blá blá blá. Não sei, um genocídio que vitimou a maioria dos Armênios pode ainda estar muito vivo na memória deles, melhor volta a falar de futebol, hehehehe. Agora, falta só descobrir se ela tem namorado, porque, apesar daquela cozinha ser lotada de Oompa-Loompas gostosas, parece que todo mundo tem namorado ou marido.

Mundo injusto!

Cabelos na mesa

Antes de terminar a postagem, vou só colocando uma foto. Lá no quarto, como somos três caras, temos uma mesa pra cada um. Um único detalhe

é que a mesa do Ucraniano é a única que possui espelho. O nosso amigo Chinês foi lá e não se fez de rogado, meteu a tesoura na juba, cortou o cabelo dele (sim, aqui ninguém paga cabelereiro pra cortar cabelo, são 15 pratas amigos! Todo mundo corta cabelo em casa)e jogou cabelo por toda a mesa de estudos do Ucraniano.

Rapaz, mas eu vi o Ucraniano partir o bicho no meio! O bicho ficou uma fera, doido! Com razão, né? O mais engraçado foi o Chinês querendo se justificar e falando “são só pêlos, cara!”. Hehehehee. Rapaz, eu tive que entrar no meio dos dois pra não deixar eles se comerem na bolacha. Que chinês sem noção, brother!