Irã – No caminho de Yazd, paramos em Meyboud

A primeira cidade que visitamos no Irã foi Meyboud. Fomos ao Castelo Narin, feito de lama e palha há 2000 anos atrás. Pode parecer algo primitivo ou precário, mas bicho, as paredes eram duras como pedra e, de alguma forma, absorviam o calor de fora, deixando uma temperatura fresca e agradável dentro do castelo. Já foi um bom começo para entender como seria o Irã…

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De Brasília até o Irã: três conexões, 29 horas de viagem e muitas aventuras com uma galerinha do barulho aprontando altas confusões

Sabia que os voos não iriam ser moleza! São muitas horas de viagem. Mas quando a viagem já começa a ter história antes mesmo de você chegar, é um bom sinal! Vamos lá, a saga até chegar no primeiro destino do Irã!

No primeiro voo, do meu lado, um cara de batina!

Aconteceu algo inusitado no meu voo de Brasília para Lisboa. Do meu lado foi sentado um padre. De batina e tudo. Era europeu e vivia no Brasil há mais de 14 anos. Fiquei conversando com ele quase umas duas horas e ele foi me contando o trabalho que fazia de proteção a famílias que foram expulsas de suas casas devido aos bandidos locais. Ele trabalhava para protegê-las e até mesmo acolhia algumas em sua casa. Atormentava ao máximo ministros, juízes, qualquer autoridade possível para pedir ajuda a essas centenas de famílias! Dizia que devido a isso, mandaram a seu whatsapp fotos da porta da sua casa e de sua paróquia, o ameaçando de morte. Na hora lembrei da missionária católica americana Dorothy Stang que foi assassinada no interior do Pará devido ao seu trabalho de proteção de trabalhadores rurais expulsos de suas terras pela grilagem.

Porém, o que mais me impressionou foi que, mesmo sendo ameaçado de morte, mesmo com os bandidos mandando fotos de pessoas esquartejadas (para o padre ver o que acontece com quem se opõe a eles), mesmo com medo, ele não transmitia sensação alguma de ódio, sequer de raiva. As suas palavras eram de paz, eram de pena, era a preocupação de como salvá-los da vida transgressora. Isso é muito doido, ainda mais lembrando que hoje em dia você quer matar alguém só porque pensa diferente de você e ele ali, tendo compaixão de seus carrascos. Continuar lendo “De Brasília até o Irã: três conexões, 29 horas de viagem e muitas aventuras com uma galerinha do barulho aprontando altas confusões”

Promoção do Ebook “O mundo numa mochila” na Amazon por R$ 2,10

Prezados,

Devido ao Black Friday, a Amazon está com promoção de ebooks e o meu está entre os selecionados. O preço baixou de R$ 10,oo para R$ 2,10, portanto uma ótima oportunidade para quem não adquiriu ainda.

https://www.amazon.com.br/mundo-numa-mochila-Presepadas-mochileiro-ebook/dp/B00MX1QAQM/ref=sr_1_1?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1479841117&sr=1-1&keywords=claudiomar

Se ainda não tem conhecimento, segue o prefácio:

“Era para ser apenas mais uma viagem de intercâmbio. Acreditou que a vida seria fácil, mas vivenciou todas a dificuldade e agruras de um imigrante em um país estranho. Lavou carros sob os gritos da máfia eslovena, viu sangue jorrar de suas mãos em uma cozinha de de beira de esquina, descarregou sofás em armazéns, lavou pratos, caminhou kms com mais de 10 kgs de panfletos nas costas, fez entregas, carregou placas de gesso com brutamontes ensandecidos, descarregou carretas e carretas, se desesperou devido ao aluguel e até pulou de janelas à la Seu Madruga para fugir do pagamento… Tudo em um espaço de seis meses. As presepadas, que suplantaram em muito suas pequenas vitórias, são narradas com um humor ácido próprio, com o desespero de um jovem de 21 anos, sozinho, a 13 horas de distância de qualquer conhecido e que se apegava às palavras para esquecer os problemas de uma realidade que lhe levou a viver, literalmente, um dia de cada vez. Apanhou, sofreu, quase foi preso algumas vezes, curtiu, riu, e, acima de tudo, teve uma experiência de vida inesquecível. Coloque o seu mundo também em uma mochila!”

Agora corre que a promoção só vai até o dia 29 de novembro!!!

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Caso tenha interesse em obtê-lo impresso, pode falar diretamente comigo no claudiounb@gmail.com que conversamos sobre o envio.

14 coisas que aprendi viajando no Irã – parte 2

1 – No livro-guia que usei como base havia um roteiro de “como proceder quando for preso”. Não, não cheguei a ser preso.

2 – Como faz para atravessar a rua aqui, cara?

– Ah, é só ir andando, uma hora os carros param. Eles têm bons freios.

– E quando eles não pararem?

– Eles sempre param!

– Tá, mas e se ocorrer um problema e o carro não parar?

– ELES SEMPRE PARAM!

Diálogo que tive com um amigo nas ruas de Teerã.

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14 coisas que aprendi com o Irã

1 – Homem não pode andar de bermuda e mulher não pode andar sem hijab (aquele véu cobrindo o cabelo).

2 – Não há nada mais apavorante do que precisar de um banheiro público. Não é a sujeira, mas porque vez ou outra não tem o bonequinho para dizer qual é o masculino, você tem que ler em alfabeto farsi! A probabilidade de entrar no banheiro feminino é alta e se isso já é um problema grave no Brasil… Teve um cara que me contou que uma vez entrou em um salão de beleza só para mulheres, por engano. Rapaz, diz que a mulherada tava toda sem véu e começou a gritar desesperada. Isso só com o cabelo de fora! Daí você tira o que seria um banheiro errado…

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O país dos Aiatolás e dos Mártires

P.s: Estas duas pinturas gigantes estão hasteadas na principal praça de Esfahan, o principal ponto turístico da cidade e de todo o Irã. O da esquerda é o Ruhollah Khomeini, já morto e o “pai” da Revolução Islâmica Iraniana, e do da direita é seu sucessor, Aiatolá Ali Khamenei, ainda vivo.

Apesar de haver eleições diretas para presidente, decisões podem ser vetadas pelo Aiatolá em exercício. Portanto quem exerce, de fato, o poder no Irã são os Aiatolás, que são idolatrados pelos iranianos mais religiosos. Eles são os “guardiões da revolução” e é possível ver cartazes e fotos dos dois em logradouros públicos, lojas e até casas. Não chega a ser um culto a personalidade como na Coreia do Norte (onde TODO mundo tem as fotos dos “Grandes Líderes”, confira os post aqui e aqui), mas é algo bem forte.

Para mim foi algo mais próximo ao que pude ver em Cuba, onde você não é obrigado a ter as fotos, mas é melhor parecer que gosta deles por via das dúvidas (confira no post de Cuba aqui)

Os iranianos com quem conversei em Teerã, classe média, me disseram que hoje em dia ninguém dá muita atenção a essa questão dos mártires, isso é algo mais do governo mesmo. Me disseram que eles nem reparam mais quando andam nas ruas, só reparam quando um ou outro turista chama a atenção. Continuar lendo “O país dos Aiatolás e dos Mártires”

Irã pós Revolução Islâmica – o país de Khomeini

Após a revolução, seguiu-se uma troca de escaramuças entre os grupos responsáveis pela deposição do xá, basicamente os comunistas e os religiosos islâmicos (liderados por um tal de um Aiatolá Khomeini). O Aiatolá era uma figura importante para a comunidade xiita do Irã e estava exilado no Iraque, pois para Saddam Hussein era interessante ter um fator de instabilidade contra o regime do Xá Pahlevi (sempre bom lembrar que a maioria dos muçulmanos se dividem entre sunitas e xiitas. Quer saber a diferença entre eles? Clique aqui e aqui).

Depois de um tempo, Khomeini foi expulso do Iraque e se exilou na França. Voltou para o Irã após a revolução. É algo óbvio para qualquer um que comunistas e religiosos são grupos totalmente antagônicos. Porém, os comunistas acreditavam que Khomeini iria se contentar apenas em ser um líder religioso da Revolução, já que ele nunca havia assumido nenhum cargo político e jurava de pé junto que iria ser sempre assim.

Foi o xá ser deposto, que Khomeini passou uma rasteira nos comunistas e assumiu como líder supremo do Irã. Seguiu-se outra troca de escaramuças, com assassinatos de ambos os lados, e no final Khomeini consolidou o seu poder. Sob a sua administração, o Irã se radicalizou, leis islâmicas foram implementadas e o Irã se transformou no país que é hoje.

Khomeini tinha uma retórica forte e uma proposta de expandir a revolução a outros países, o que preocupou os vizinhos, principalmente Síria e Iraque, que tinham uma forte presença de muçulmanos xiitas, como o Irã. Isso não iria acabar bem. Continuar lendo “Irã pós Revolução Islâmica – o país de Khomeini”

Breve história do Irã

(Na foto acima, uma bancada de coleção “For Dummies” em persa no metrô de Teerã. Achei bastante interessante =P)

Conforme disse, o Irã é um país de história muito rica, que se conta aos milênios. Chegamos a visitar um zigurate (construção piramidal típica da região, se quiser ler mais sobre zigurates, clique aqui) de mais de 5.000 anos de idade. Segundo escavações, a região do Zigurate começou a ser habitada por volta de 8.000 anos atrás (para ler mais sobre esse ele, clique aqui)

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Zigurate em Kashan

Então, assim, o Irã tem história demais e foram até hoje os sítios arqueológicos mais antigos que já visitei. É o lar dos persas, povo antigo que rivalizou com Roma e com diversos outros impérios sem nunca ter sido completamente dizimado.  Continuar lendo “Breve história do Irã”

Como tirar visto para o Irã e como chegar ao Irã

No momento em que eu estou escrevendo este blog, 2016, o visto para o Irã era bem simples. Bastava apenas o padrão de sempre: comprar uma passagem de entrada e saída, ter reservado um hotel e descrever sua viagem de boa para o cara da imigração, caso ele pergunte, que o visto sai no aeroporto pela bagatela de 120 euros.

Tem também outra opção que é aplicando diretamente na embaixada de Brasília. Acho que para isso você precisa de uma carta convite de alguém que esteja morando no Irã. A pessoa vai dar entrada no Irã e quando o processo já tiver andado, vão te dar um número de processo. Daí você vai na embaixada com esse número do processo e leva duas fotos 3X4, seu passaporte, preenche um formulário (disponível aqui)  e tem que fazer um exame comprovando que não tem malária, dengue, febre amarela nem HIV. Como faz esse exame? Rapaz, eu fui em um pronto socorro, os caras me arrancaram sangue e na hora saiu o resultado. Foi o primeiro visto que tive que dar o sangue para conseguir. Literalmente.20161021_120259

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Irã – Introdução

Dos países que pretendia fazer longas viagens no mundo, só me restavam Irã e Rússia. Hoje me resta apenas a Rússia.
Quando dizia que estava viajando ao Irã, parecia que estava dizendo que iria viajar ao próprio inferno, indo visitar o capeta. Liga-se o Irã a um país instável e inseguro, mesmo que ele seja uma ilha de calmaria cercado de vizinhos em guerras sanguinárias como Iraque, Afeganistão, Síria e Paquistão. Foi um dos países mais seguros e interessantes por onde viajei.
A civilização persa, que deu origem ao Irã (algumas vezes vou me referir aos iranianos como persas), tem mais de 3.000 anos de história e rivaliza com a indiana e a chinesa como uma das mais antigas vigentes até hoje. No colégio, estudamos bastante sobre os persas. Ciro, Xerxes, Dario, todos eles estão nos nossos livros de história, pois os persas foram os principais adversários dos gregos (basta lembrar que no filme 300, Santoro interpreta Xerxes, um imperador persa), depois foram conquistados pelos Macedônios liderados por Alexandre e no final foram um dos principais rivais dos romanos, sem nunca terem sidos conquistados por eles

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Rodrigo Santoro como Xerxes no filme “300”
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Representação esculpida na pedra de um imperador romano se rendendo aos exércitos persas.

E se formos pensar só no território do Irã, aí são mais de 6.000 anos de história, pois basta lembrar que o conceito de civilização humana nasceu ali do lado, entre os rios Tigres e Eufrates, bem pertinho, no Iraque. Continuar lendo “Irã – Introdução”