Contos de um mochileiro pelo Norte da África. Meus dias em Nouakchott – Capital da Mauritânia

Depois de pegar um voo Brasília – São Paulo, São Paulo – Barcelona, Barcelona – Casablanca, 30 horas depois, era chegado o momento de pegar o último voo, Casablanca – Nouakchott. Não é preciso citar que eu estava só o pó da gaita.
Na hora de entrar no avião, sentei na minha cadeira. Era corredor.
Eis que chega um senhor africano, IMENSO e me pediu licença para sentar na mesma fila que eu estava. Era uma cadeira do meio. Foi só o tiozão sentar para eu emborcar pro lado, já que, conforme eu falei, ele era IMENSO.
Depois que o avião decolou, a cadeira da janela ficou vaga. Dei uma pequena desentortada, virei para ele e falei:
– Senhor, a cadeira da janela está vaga, o senhor não quer sentar lá?
– Não!
– Senhor, mas ninguém mais vai entrar. O senhor pode sentar ali!
– Não, mas eu gosto é da cadeira do meio!
Não teve jeito, duas horas e meia de viagem eu indo prensado, que nem um maranhense em lata, depois de quase um dia e meio viajando, porque o nosso amigo, não bastando ser IMENSO, tinha o bizarro gosto, especial, pela cadeira do MEIO!
Seres humanos podem ter gostos bizarros vezes ou outra…
P.s: Na foto, ao fundo, a principal mesquita de Nouakchott, doada pelos saudistas
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E no final, será se vale mesmo a pena ir a San Andres/Colômbia?

Apesar de todas as críticas acima, vale a pena ir a San Andres. Desde que sabendo o que vai encontrar. Fui imaginando que iria encontrar um lugar supertranquilo e organizado, como as outras ilhas do Caribe, e acabou sendo o oposto. Viajei imaginando que iria encontrar uma Fernando de Noronha, mas acabei encontrando um Rio de Janeiro em alta temporada. É ruim? Lógico que não! Adoro o Rio de Janeiro.
O que acaba sendo a sua principal vantagem e, ao mesmo tempo, a sua principal desvantagem é que a ilha é um destino barato quando falamos de Caribe. Mensalmente há promoções para lá saindo do Brasil a menos de 1.000 reais e as coisas por lá também não são tão caras. Achei tão caro quanto uma cidade de praia do Nordeste Brasileiro. Esse acaba sendo o principal problema porque onde você vai é sempre muito muvucado e o pessoal nem sempre costuma ser muito educado. Espere pessoas escutando som alto e jogando lixo na praia sem a menor cerimônia. Os passeios para fazer snorkel também são extremamente muvucados. Conversei com um nativo de San Andres e ele me reclamava disso, que o controle dos turistas à ilha poderia ser mais rigoroso para não destruir o local. A deixaria um pouco mais cara, é verdade, mas pelo menos a conservaria.
– É de tranquilo bater foto em cima desse tronco de árvore?
– É sim! Não bate onda nele
– Então de boa…

Coco Loco, um drink típico da ilha

Busão em San Andres

Durante os primeiros dias fiquei hospedado em um Airbnb na região de San Luis, mais ao sul da ilha. É um lugar absurdamente menos turístico e onde a população nativa, raizal, efetivamente mora, então foi uma experiência legal ficar um pouco fora da muvuca que é o centro. Apesar de parecer meio assustador a noite, a violência na ilha é quase que inexistente e não tivemos problema nenhum. O ônibus, apesar de meio caindo aos pedaços, também era de boa, apesar de sempre que queria ir para o centro era só pedir carona que o pessoal parava nos carrinhos de golfe em questão de minutos.

Então qual seria a minha sugestão? Cara, se conseguir uma boa promoção de passagem aérea em um período em que você possa tirar férias, vá! Lá é realmente legal. Agora tente se manter ao máximo longe da muvuca, o que no meu caso significava tentar fazer passeios longe do centro e mergulho de cilindro.

No meio de um tour, os caras vão lá e trazem uma arraia no braço para bater fotos com os turistas. Isso me deixou chocado! Assim como o rapaz, na foto abaixo, tirando a estrela do mar para todo mundo bater foto. Tirar uma estrela do mar da água faz com que ela morra em poucos minutos, mas, enfim, todo mundo merece uma selfie com ela, né?
Turismo sem dano ecológico. Essa estrela-do-mar, por exemplo, nunca mais volta a viver…
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San Andres, Fernando de Noronha colombiano?

San Andres é velha conhecida da galera que fica acompanhando passagens aéreas promocionais aqui no Brasil. Direto saem promoções para lá a preços bem atraentes e foi em uma promoção dessas que acabei comprando a minha passagem para lá.
Estava um pouco atarefado com milhares de coisas para fazer e acabou que não deu muito tempo de pesquisar sobre o lugar, mas quando olhei, uma ilhazinha, pequena, no meio do Caribe, imaginei que iria ter uma experiência semelhante com Los Roques na Venezuela (Pode conferir meu post sobre o lugar clicando aqui) ou Fernando de Noronha aqui no Brasil (meus posts sobre Noronha podem serconferidos aqui). Um lugar idílico, paradisíaco, com praias de areias brancas e mar azul-turquesa.
O carro de turista em San Andres é esse. Todo mundo aluga carrinho de golfe para ficar dando volta pela ilha… Direto pegávamos carona..
Capacete para a galera de moto é algo inexistente e motos com duas ou três crianças super existentes…

Galera brincando com escafandro
Cara, eu não poderia estar mais enganado.
Realmente, as praias de lá são bem bonitas e o mar realmente é bem azul, agora minha previsão ficou por aí. O lugar originalmente é paradisíaco. Originalmente. Onde você vai, é gente, gente, gente para todo lado. Vai fazer um snorkel? Você vai ver mais gente do que peixe. Mergulho? Pode ter a sorte de fazer com poucas pessoas, como meu primeiro, ou com quase 10 não certificados, o famoso “batismo”, e comprometer o seu mergulho devido ao grupo não sair do lugar porque o pessoal fica debaixo d´água se debatendo como um pato (sim, na primeira vez todo mundo fica assim, por isso existe o curso =P).
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San Andres, situação hoje

Hoje, a superpopulação da ilha salta aos olhos. Só para efeito de comparação, o país insular Granada (confira meus posts sobre Granada aqui), com uma ilha 12 vezes maior que San Andres, tem apenas 50% a mais de população. Além disso, em 2012, 630 mil turistas visitaram o lugar, 87% deles colombianos. Disso tudo você imagina o tanto de gente que tem por lá.
Isso é uma rua em Granada
Assim são as ruas de San Andres

Até percebi uma certa preocupação em se manter a limpeza das praias principais e mais próximas da costa, onde há mais turistas, porém dando uma volta pela área de San Luis, onde fiquei hospedado por uns dias, e pelas praias mais afastadas é possível ver o que digo por superpopulação. Praias e ruas com restos de roupa, embalagens, plásticos, enfim, lixo para todo o lado.
Sem falar na triste pobreza em que parecem viver os raizals. Chegou a me lembrar Georgetown na Guiana.
Casa em Georgetown, Guiana
Casa em San Andres, Colômbia
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San Andres – Entendendo mais sobre a ilha colombiana

San Andres é uma ilha colombiana no Mar do Caribe.
Devido à dificuldade em se atracar, a pouca área agricultável e a distância da costa, ela foi parcamente povoada antes da chegada dos europeus.

Um dos vários navios encalhados em San Andres que você pode ver hoje. Dá para ver que até hoje não é fácil atracar por lá
Acredita-se que tenha sido visitada já por navios da esquadra de Colombo e, inicialmente, ela ficou sob jurisdição da Capitania Geral da Guatemala, porém depois foi transferida para a Colômbia. Como a Nicarágua “herdou” o legado da Capitania da Guatemala ela até hoje reclama a soberania de San Andres.
Como a Coroa Espanhola não se preocupou muito em colonizá-la, os britânicos “tomaram” a ilha importando escravos da África e pela própria movimentação voluntária de massas de imigrantes. Obviamente impuseram o inglês e a religião protestante, ainda que os escravos tenham conservado seus dialetos e credos africanos. A Espanha decide reconquistar o lugar e logra êxito, porém permite que os ingleses fiquem no local desde que jurem fidelidade a Coroa Espanhola. Assim, ficou algo estranho: uma ilha que falava inglês e criolo (mistura de inglês e línguas africanas) em que a população tinha características do Caribe inglês, mas que era parte da Espanha e posteriormente da Colômbia.
Após a independência do Panamá, que era parte da Colômbia, houve uma preocupação maior dos colombianos em consolidar a soberania em todo seu território. A migração para San Andres foi incentivada. Na década de 50, o presidente Gustavo Rojas achou que seria uma ótima ideia conceder incentivos fiscais à ilha para, assim, dinamizar a sua economia e o turismo. Houve uma migração em massa das regiões pobres colombianas e de imigrantes do Oriente Médio, principalmente de libaneses e sírios (que os locais chamam genericamente de “turcos”), para a ilha. Hoje a população nativa, que é chamada de raizal, tornou-se minoria dentro de sua própria ilha, sendo por volta de 30% da população do local. Os outros são os “turcos”, como eles chamam os sírios e libaneses, e os “continentais”, como eles chamam os colombianos.
Mesquita em San Andres
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Um maranhense e a neve…

Só mais uma observação, gostaria de pedir desculpas por estar postando apenas hoje, mas é que a internet daqui de casa deu piripaque e não consegui postar ontem. Próximo post, como prometido, vai ser na sexta, não percam!!!

Amigos, eis que um dia, 7 horas da manhã, ao sair do trabalho me deparo com uma vista inusitada ao longe. Cara, lindo demais, pareciam até as montanhas nevadas de South Park. Fiquei tão emocionado que resolvi fazer um vídeo e postar no blog. Sim, ficou meio gay essa frase, mas é pra que vocês entrem (uuiii) no clima.

Não deu tempo pra poder ver direito os picos (uiii) gelados no vídeo, logo, resolvi postar a foto pra ficar mais claro. Só pra que vocês entendam melhor, aqui não nevou. Nem passou perto disso, já que aqui o clima é seco. O que aconteceu foi que, depois de muito tempo fazendo um frio danado, as montanhas que tem perto daqui ficaram nevadas.

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O Livro

Lembro que um ex-professor da universidade dizia que a gente ficava meio besta quando folheava um livro recém-publicado. Achei que só um idiota falaria algo como aquilo para outras pessoas com o intuito de satisfazer o seu ego. Quando recebi as primeiras cópias do livro confesso que fiquei meio besta o folheando e com a certeza que aquele professor continua um idiota, só que não por esse motivo.
Se alguém me perguntasse quando embarquei, há quase dez anos, se hoje eu teria um livro publicado, lógico que eu não imaginaria. Talvez esse seja o meu primeiro passo para a Academia Brasileira de Letras (pombas, se até o Sarney e o Merval Pereira conseguiram, porque eu não?), para um prêmio Jabuti ou no final seja só uma resposta para o “E aí, como foi a sua viagem para a Austrália?”.
Confesso que uns dias antes de decidir publicar eu vinha um pouco desempolgado “Será se vai ser legal?”, “Será se alguém vai querer ler?” “Será se só meus amigos mais próximos vão fingir que gostaram?” – acho que são as perguntas que todo mundo se faz com um livro. Eu lia as histórias e me perguntava isso. Comecei a me questionar se até mesmo valia a pena pagar esse mico. “Poxa, as história de volta ao mundo estão muito mais interessantes! Tem descrição dos lugares, da sociedade, da cultura, da política, da religião… Esses relatos da Austrália não tem nada disso, é só um bando de história boba com um humor adolescente. Será se vale a pena mesmo a impressão?” – era o que eu me questionava antes de imprimir. Fiquei tão inseguro que só imprimi vinte volumes.
Até que um dia desses qualquer, um amigo veio falar comigo no bar: – ´caraca, Maranhão, aquelas tuas histórias da Austrália são muito engraçadas! Que pena que depois você parou de ficar postando presepadas e deu para ficar descrevendo “Ah, a sociedade indiana é desse jeito” “Ah, a economia do Camboja funciona assim” achando que seu blog era Wikipedia. Isso é muito chato! O que eu gostava mesmo era de rir da sua cara quando você se ferrava!”.be537-10666088_10152482030642599_4956837024853495487_n

Estava acabada a minha curta carreira de imaginar que estava contribuindo em algo para a sociedade e lançado o meu livro presepeiro da Austrália.
Vou Guguzar! Agora é um olho e meio no Ibope e meio olho na qualidade! Rebola Malandrinha! Uba uba ê!
E nada me traz mais satisfação do que receber comentários do tipo:
– Claudiomar, eu comprei o livro e deixei aqui no quarto para poder ir lendo aos poucos. Meu pai acho ele, pegou, começou a ler e não me deixou tocar o livro enquanto ele não terminasse!
– Claudiomar, fazia anos que eu não lia um livro. Confesso que comprei o seu só para te ajudar (?!?!), mas depois que eu comecei, cara, li em menos de uma semana!!
– Claudiomar, meu primo tinha comprado um livro e quando fui passar um tempo na casa dele, peguei e comecei a ler. Rapaz, não consegui parar e nem terminar a tempo! Agora vou ter que comprar um, já que não terminei a leitura e ele não quer me emprestar de jeito nenhum!
– Claudiomar, esse teu livro é daqueles que agarra a gente pela goela e só deixa a gente ficar em paz quando termina de ler!
Que logo logo eu possa escrever comemorando os 100.000 livros vendidos! Sonhar pequeno e sonhar grande dá o mesmo trabalho =)
Segue o prefácio:

“Era para ser apenas mais uma viagem de intercâmbio. Acreditou que a vida seria fácil, mas vivenciou todas a dificuldade e agruras de um imigrante em um país estranho. Lavou carros sob os gritos da máfia eslovena, viu sangue jorrar de suas mãos em uma cozinha de de beira de esquina, descarregou sofás em armazéns, lavou pratos, caminhou kms com mais de 10 kgs de panfletos nas costas, fez entregas, carregou placas de gesso com brutamontes ensandecidos, descarregou carretas e carretas, se desesperou devido ao aluguel e até pulou de janelas à la Seu Madruga para fugir do pagamento… Tudo em um espaço de seis meses. As presepadas, que suplantaram em muito suas pequenas vitórias, são narradas com um humor ácido próprio, com o desespero de um jovem de 21 anos, sozinho, a 13 horas de distância de qualquer conhecido e que se apegava às palavras para esquecer os problemas de uma realidade que lhe levou a viver, literalmente, um dia de cada vez. Apanhou, sofreu, quase foi preso algumas vezes, curtiu, riu, e, acima de tudo, teve uma experiência de vida inesquecível. Coloque o seu mundo também em uma mochila!”

Quem quiser uma cópia do livro, basta mandar um e-mail para brejador@yahoo.com.br

Abraços maranhenses

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O Escritor

Sou Claudiomar Filho, servidor público nas horas não-vagas, escritor nas vagas e mochileiro nas horas felizes. Sou graduado em Relações Internacionais na Universidade de Brasília e estou finalizando um mestrado em Economia do Setor Público também na Universidade de Brasília.
Costumo dizer que atualmente tenho dois trabalhos. Um, que trabalho onze meses por ano, oito horas por dia, que é o de servidor público federal e o outro, que trabalho um mês por ano, 24 horas por dia, que é o de escrever sobre minhas viagens pelo mundo afora.
Acredito que minhas histórias tem um apelo especial porque não sou como a maioria dos que já viajaram o tanto que viajei. Não tenho padrinhos que me bancam, não sou artista de novela ou ex-BBB, não vivo apenas de viagens, não moro em cabanas e nem tiro meu sustento vendendo pulseiras ou produtos artesanais. Sou um cidadão comum, que trabalha oito horas por dia, pago minhas contas e aproveito o meu mês de férias para viajar o máximo possível. Acho que o meu apelo é escrever para pessoas normais, com vidas normais e que podem se fascinar em descobrir que viajar também é possível para quem não é bicho-grilo e também que isso não se resume a ir para Estados Unidos ou Europa.
Despertei a minha paixão por viagens e escrita quando viajei pela primeira vez para fora do Brasil em 2005 (em 1996 fui para a Disney, assim como toda classe média brasileira, mas aí não conta) onde fiz um intercâmbio de sete meses para a Austrália. Inicialmente, meus pais me pediram que eu escrevesse semanalmente para eles para que soubessem como eu estava por lá, se estava bem, como estava sendo minha vida. Escrevia e mandava para eles e alguns amigos. Depois me foi feita a sugestão de fazer um flogão (Algo como um Fotolog. Isso, sou velho mesmo), que depois evoluiu para um blog zoeiro. Com cada vez mais pessoas acessando os meus posts, o blog foi crescendo e adquirindo um pouco mais de seriedade.
Três anos depois, em 2008, parti para uma viagem de volta ao mundo onde visitei 32 países e aí sim viciei de vez nessa vida de viajar e escrever.
Dez anos depois, em 2015, enfim tirei um projeto da gaveta que há anos os amigos me encorajavam a fazer que era a de publicar um livro sobre a primeira viagem que fiz, ainda em 2005, à Austrália. Acabei fazendo de forma independente, mais para dar de presente aos meus pais e amigos mais próximos, e ter como recordação na estante da minha casa. Hoje me causa espanto que eu já tenha vendido centenas de cópias.
Espero que você se divirta com meus relatos sobre as minhas viagens e presepadas por todos os continentes habitados deste planeta e que eu possa influenciar outras pessoas a fazer o mesmo. E, claro, conseguir vender alguns livros, o que há de mais difícil em um país em que ninguém lê.

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Fazendo amigos em Fernando de Noronha

Não achei Noronha um lugar muito de boa para se viajar sozinho. Tudo bem, o lugar é lindo, conforme já descrevi, mas por outro lado poucos viajam por lá sozinhos e acaba que não é tão fácil fazer amizade. Mas ainda assim conhecemos uma galera legal. Primeiro que lá o que não falta são paulistas. Mano, parece que tem um túnel que liga São Paulo a Fernando de Noronha, porque todo mundo lá é paulista.
Por lá conhecemos um casal de ingleses que vieram da Inglaterra até Fernando de Noronha velejando. Fiquei interessado e fui conversar com os dois para saber se eles eram, sei lá, filhos de navegadores ou velejam desde criancinha. Que nada! Disse que estavam terminando o doutorado, queriam dar uma viajada, foram lá e compraram um barco. Assim, como quem compra uma bicicleta. Grande? Nada, era um barquinho a vela de nove metros. Falaram que tinha nove metros de propósito, haja vista que se tivesse um metro a mais iam ter que pagar bem mais de impostos e taxas para atracar em portos pelo mundo. Ouvindo-os falarem sobre como velejavam, até que parecia bem fácil. Disseram que só fizeram um curso rápido na Inglaterra, desviavam a rota quando parecia que ia ter uma tempestade mais forte e de resto era só viajar. Parecia muito de boa para ser verdade. Deu até vontade de comprar um barco…
Bote que os ingleses usavam para ter acesso ao barco
Outro lugar que também era legal de fazer amigos era (além de nos mergulhos e trilhas), veja você, a casa da Jeane. Além dos Noronhenses que toda hora colavam por lá pela casa ser no centro de Noronha, era o point porque, bem, porque ela era uma das poucas manicures da ilha. Se você não pegou ainda o que eu quero dizer, bem, brother, se tem manicure, tem mulher toda hora lá fazendo a unha =)
A gente até se empolgou em ficar conversando com umas menininhas que apareciam por lá, mas acabamos desanimando na primeira menina que apareceu. Rapaz, a mulher era fresca, mas fresca, aquele estilo Patricinha de Beverly Hills. Depois ficamos pensando… Cara, turista que gasta o parco tempo que tem em Noronha para fazer a unha, só pode ser fresca mesmo. Valeu conhecer ela só por causa da história que contou para gente. Diz ela que reservou uma pousada pela internet e quando chegou o lugar era uma espelunca. Pequeno e feio. Enquanto ela ia falando ia olhando para a casa da Jeane como quem dizia “que nem essa espelunca aqui que vocês tão hospedados”. Era muito longe de ser um castelo igual ao que a princesa merecia. Por que, assim, com uma natureza exuberante do lado de fora, o que você mais vai se preocupar é se a sua pousada não ficava brilhando como ouro. Isso em um lugar com restrições para construir qualquer coisa, conforme expliquei.
Daí que ela foi procurar a autoridade competente e
PAH
Quando menos se espanta, começou a se relacionar com uma autoridade policial. Em Fernando de Noronha, servidores públicos fazem tudo para lhe deixar mais a vontade.
Enquanto ela conversava com a gente, falava que tava indo fazer a unha porque a noite iria para um buffet em Noronha que custava 160 reais por pessoa. Sim, indo a Noronha para comer em restaurante requintado. Em um lugar que às vezes falta abacaxi ou pimentão…
É… De volta ao xaveco no WI-FI da madrugada.
Pelo menos ela ainda deu uma carona para mim e para o Dudu com um mini bugue que ela tinha alugado, todo frufru. Lógico, sem antes não passar e falar para a gente “olha, aquela rua de Noronha ali é violenta!” em uma ilha onde a Jeane brigava com a gente quando deixávamos a porta da sala fechada de madrugada (a porta da sala era escancarada 24 horas por dia). Mais engraçada que essa aí, só uma que a Jeane disse que estava hospedada e ficava reclamando que a casa tinha muito cheiro de limpeza. Sim, isso incomodava ela. Vai saber.
Seres humanos são bichos engraçados.
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Hospedagem em Fernando de Noronha – Pousada Tubarão, uma ótima escolha

Uma das principais preocupações que tivemos em relação a Fernando de Noronha foi onde poderíamos nos hospedar haja vista que tudo por lá tem fama de ter um preço bem salgado. Comecei a procurar no decolar.com e as acomodações começavam a 400 reais por noite. Uma facada! Noronha não tem hotéis, só tem pousadas e, ainda assim quando tem, são poucas e com poucos quartos. Elas são classificadas por golfinhos. Um golfinho a mais simples, três a mais top. Pensava que, bem, já que Noronha seria só para uma vez na vida, era a hora de tirar o escorpião do bolso e me conformar em gastar mais um pouco.

Até que pesquisando na internet achei uma tal de uma Pousada Tubarão que me disseram que era barata. Liguei lá. A tia, chamava Jeane, foi super simpática comigo e ainda por cima me fez o preço de 125 reais por noite caso eu ficasse sozinho e 200 reais se eu dividisse o quarto com meu parceiro de viagem. Cara, uma barganha! Preço bom até para uma praia do Nordeste. O lugar chamava Pousada Tubarão. É… Enquanto as outras pousadas eram medidas em golfinhos frufru, a nossa era logo Tubarão! Cara, foi a melhor coisa que a gente podia ter feito. A pousada era simples, mas tinha tudo que havia prometido. Quarto com ar-condicionado, banheiro, chuveiro quente, uma cama de casal e outra de solteiro.

Um casal em lua-de-mel estava para chegar. Olha como Jeane arrumou a cama deles! Ela era muito atenciosa
Jeane morava com o marido e o filhinho que era o orgulho da casa. O moleque era novinho, mas muito esperto e inteligente. Com ele não tinha nove horas. Se deixasse a porta do quarto aberta, ele entrava e começava a pular em cima da gente. Teve uma vez que, inclusive, eu tava meditando e ele entrou no quarto e ficou me observando. Começou a falar comigo e eu não respondia. Começou a me chacoalhar e eu nada de responder. Até que o Dudu apareceu e disse “ele tá rezando, deixa o Claudiomar em paz que ela já te dá atenção”. Só assim pro moleque sair de cima de mim.
A Jeane com o filhinho dela

Além disso, a casa da Jeane parecia ser o principal point de Noronha. Ela ficava no centro da Vila dos Remédios de Fernando de Noronha, do lado do Palácio do Governo! Tinha uma varadinha onde a gente botava as cadeiras e dava simplesmente de frente para a praça da Vila dos Remédios. Cara, era irado! Toda hora colava um Noronhense diferente e ficava conversando com a gente, além de ser do lado de um supermercado e de um lugar onde vendia uns Pratos Feitos bem em conta. A gente quase que esquecia que tava em Noronha para ver praia. Toda hora caía um bêbado por lá atraído pelo cheiro de cerveja que eu e Dudu sempre estávamos tomando na varanda. Era cada figura. Tinha um lá que reclamava que Noronha tinha política pública para tudo, para golfinho, para lagosta, para peixinho, só não tinha pros nativos! Outro que chegava lá toda vez bêbado e ficava falando “o médico disse que eu tou doente! Então agora eu vou beber todos os dias, ao menos morro bêbado”.
Dudu na varandinha tentando pegar sinal de celular
A praça pela vista da varanda
Vez ou outra colava um figura por lá. Esse, por exemplo, vendia tapioca
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