Curiosidades sobre Andorra

Depois que comecei a me planejar que fui descobrindo diversas curiosidades sobre Andorra. É o único país no mundo que tem como língua oficial o Catalão (o Catalão é a língua oficial da Catalunha, uma região semi independente da Espanha, mas que não é um país). Apesar de parecer um paisinho de nada, é apenas o sexto menor da Europa depois de Vaticano, Mônaco, Liechtenstein, Malta e San Marino. Ainda assim, possui a capital mais alta da Europa que se chama curiosamente de Andorra, a Velha. O país possui uma das maiores qualidades de vida da Europa com a maior expectativa de vida (83,52 anos). Possui também a terceira maior taxa de imigrantes entre sua população da Europa. Nada mais nada menos que 57% (2015) das pessoas que vivem em Andorra são imigrantes. Continuar lendo “Curiosidades sobre Andorra”

Andorra

Inicialmente eu havia planejado apenas uma viagem pelo Norte da África. Até que, analisando as rotas, vi que uma das melhores seria pousando em Barcelona. Ali pertinho tinha um paisinho, bem pequeninho, mas bem pequenino mesmo, que eu só conhecia porque uma vez a seleção deles jogou com a seleção do Brasil e o Galvão, super gentil, dizia que o Brasil iria jogar futebol contra uma seleção cujos jogadores trabalhavam como padeiros. Era Andorra. Um pequeno principado que ficava encrustado entre a fronteira da França e da Espanha. Bem, porque não?

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Como conseguir o visto e viajar para a Coréia do Norte

Umas das primeiras perguntas que todo mundo me faz quando eu digo que fui para a Coréia do Norte é, sem sombra de dúvidas, “mas como foi que tu conseguiste entrar lá” geralmente acompanhada de olhos arregalados e expressão de surpresa no rosto. Tudo bem, eu não culpo ninguém por isso, até porque antes se alguém me dissesse que também chegou de lá, a minha surpresa seria a mesma. Quando eu lia reportagens em revistas sobre a Coréia do Norte, era essa também a pergunta que vinha a cabeça.

É natural que as pessoas se surpreendam em saber que alguém viajou para um dos países mais fechados do mundo, como será que se consegue o visto? – eu também me perguntava. Eu só não esperava que fosse tão, mas TÃO fácil como foi para mim conseguir fazer essa viagem acontecer…

Uma das atrações que tivemos enquanto estávamos na Coréia do Norte foi a de visitar o Museu da Indústria Pesada de Pyongyang. Quando chegamos lá, nos deparamos com as diversas peças e produtos que são produzidas por lá e expostas em um museu. Sim, a situação lá é tão brava, que até peça de Lego (sim, esse Lego da foto acima “é norte-coreano”) ou móveis são exibidos em museus, produtos que estão longe da realidade de um norte-coreano normal
Lógico que tinha que ter uma foto do nosso amigo Kim Jong Il, com a particularidade que este novo quadro traz o novo líder da Coréia do Norte

Tudo começou quando veio uma ideia na minha cabeça “Rapaz, eu nunca visitei esse país, acho que seria legal ir lá” e comecei a pesquisar na internet sobre como fazia para entrar lá. Não existe visto de turista para um individual ir sozinho e passear pelo país. Para entrar lá, você precisa contratar uma empresa de turismo, que faz um pacote para você, você paga e eles são responsáveis por lhe proporcionar os passeios, três alimentações por dia, entrada em parques e atrações etc., basicamente, você paga por TUDO e só precisa gastar depois com presente e souvenir.

E essas são as crianças brincando no maquinário da fábrica
Lógico que sempre tem alguém batendo foto no trenzinho

Na América do Sul não existia nenhuma, algumas nos EUA e outras na Europa, principalmente em Londres. Cliquei em uma que parecia possuir representações em Pequim, Londres e, pasmem, Pyongyang. Bem, se uma empresa de turismo tem sede em Pyongyang, ela deve ser grande – pensei. Entrei em contato com o e-mail fornecido e no mesmo dia me responderam.Entrei no site www.wikitravel.org e comecei a pesquisar empresas de turismos que faziam pacotes para a Coréia do Norte. Tinha uma coisa na cabeça, eu não queria de forma alguma uma empresa que tivesse sede na China, se fosse para eu comprar que fosse com sede ou na Europa ou nas Américas. Pode chamar de preconceituoso ou o que for, mas quando é o seu dinheiro, você fica bem mais cuidadoso.

Mais algumas fotos da sombria Pyongyang

Fui ao Banco do Brasil e disse que queria fazer essa transferência, conversa daqui, conversa dali e o cara me falou que eu iria pagar quase 30% entre taxas, impostos e outros entraves para transferir essa grana. Bem, perder 650 euros já estava ficando caro demais. Mandei um e-mail para o David, expliquei o ocorrido e perguntei se ele não aceitava receber a grana dele por paypal. Qual foi a resposta? “Não, cara, relaxa, faz o seguinte, me paga 100% quando nos encontrarmos em Pequim” – um dia antes de ir para Pyongyang, que fique claro.Já tinha visto alguma coisa relacionado ao festival do Arirang em alguns documentários que vi na internet, de forma que mandei um e-mail dizendo que eu gostaria de ir nessa época. O David me respondeu e disse que sem problemas, quando estivesse próximo, ele iria me mandar uma mensagem. Desencanei.Meses depois, eu nem lembrava mais, recebi um e-mail da Juche Travels, a agência do David, me informando que o período estaria próximo e agora, com isso, eu deveria transferir 50% do valor como adiantamento. Cara, nessa hora você vê o que é ser frio. Transferir 500 euros, para uma conta aleatória, apenas baseado em alguns e-mails com alguém imaginário que você conversou na internet, é algo para deixar qualquer um preocupado. Como realmente queria viajar para lá, decidi que correr o risco de mandar 500 euros para a conta de algum espertalhão na internet era algo aceitável e que no final, se fosse mesmo um golpe, eu perderia “só” 500 euros.

Parecia fácil demais para ser verdade. Como assim, cara? Era a Coréia do Norte! Como assim eu não iria pagar nenhum adiantamento? E as despesas com reserva de passagem? Reserva de hotel? Juro que por um tempo fiquei imaginando que esse cara ia marcar um lugar comigo, me esperar e quando eu chegasse com 1050 euros no bolso, ia me dar uma pancada na nuca e eu ia acordar em uma piscina de gelo sem dinheiro e os rins. Diga aí se isso não é estranho? Parecia demais golpe! Parecia muito fácil. Você pode dar risada agora que eu voltei vivo, mas queria ver se fosse você no meu lugar. Bem, de qualquer forma dei prosseguimento ao plano. Tá certo que agora eu iria arriscar 1050 euros e dois rins, mas valia o risco.
Só fiquei mais tranquilo mesmo quando o David me mandou um e-mail dizendo que eu poderia tirar o visto aqui no Brasil e sair com ele já no meu passaporte. Bem, se havia uma embaixada no meio, a probabilidade de ser um golpe caía consideravelmente.

Depois de toda história que já contei em um outro post, cheguei lá e consegui meu visto. Cara, parecia ser verdade.

Pai e filho no melhor estilo Rei Leão “Filho, um dia tudo isso vai ser seu”

Até achei que era engodo quando liguei a primeira vez na embaixada e me falaram que não tinha nenhuma autorização de visto para mim, mas depois me mandaram uma mensagem dizendo que era engano e que eu poderia sim ir lá aplicar para o visto.

Só realmente acreditei quando vi o David em Pequim e no outro dia desci em Pyongyang. Com meus rins. O visto para China me deu mais trabalho que o visto para Coréia do Norte.


Criança se escondendo para não nos deixar fotografá-la na rua

DAVID, O NOSSO DONO

Acho que várias vezes citei o nome do David, mas acabou que eu não escrevi tanto sobre ele. O David, como falei em alguns posts, era o dono da agência de turismo que havia nos enviado para a Coréia do Norte. Ele é inglês e trabalha com exportação e importação. Há alguns anos atrás, ele viajou para a Coréia do Norte e pensou se não seria uma boa ideia abrir uma agência de turismo para fazer o mesmo. Pesquisou, entrou em negociação com a Coréia do Norte e abriu a sua agência. De início, a agência é só ele mesmo, ele que atende aos telefonemas, responde a dúvidas por e-mails e coisas do tipo, mas tem planos de agora aumentar um pouco a sua estrutura.

Confidenciou para gente que grande parte das pessoas que entram em contato com a agência dele possuem o mesmo tipo de receio, o de estarem caindo em um golpe ou algo assim devido o preço dele ser tão baixo. Um dos espanhóis quando transferiu o dinheiro para a conta do David transferiu com a seguinte mensagem “eu sei que não deveria estar fazendo isso, mas estou transferindo 2000 euros para a sua conta bancária neste exato momento”. Diz que para diminuir o receio das pessoas com ele, ele tentava na medida do possível responder no mesmo dia os e-mails que a ele eram enviados e quando a pessoa morava em Londres, marcava de tomar um chopp para explicar um pouco sobre a viagem. Além de, claro, tentar ao máximo sempre estar nas viagens do grupo a Coréia do Norte.

Populares nos olhavam desconfiados

E sim, ele era bem engraçado e tinha uma risada parecida com a do Rabugento, aquele cachorro da Corrida Maluca.

Ele também atiçava a nossa curiosidade e até levamos várias discussões com ele já que TODA noite ele ia beber com a gente. Houve uma discussão e o David trouxe um importante ponto de vista. Algumas pessoas argumentam que quando viajamos para a Coréia do Norte, estamos contribuindo para a manutenção do regime em si, pois estamos dando recursos para ele.  Sim, tem gente que acredita que se não viajássemos para a Coréia do Norte, se parássemos de dar ajuda humanitária e deixássemos o regime basicamente colapsar, os Kims perderiam o poder. Bem, isso pode até ocorrer, mas a custo do sofrimento e morte de milhões de pessoas durante décadas. É fácil falar assim quando se está de bucho cheio.

Sim, pessoas dessa “fofura” são raras pelas ruas de Pyongyang

E foi aí que começaram os questionamentos. Dando dinheiro pra manter o regime? Quem é o regime? São os guias super gente boa que podem ter um bom emprego na Coréia do Norte por causa da gente? Parece que o dinheiro que a gente gasta vai direto para o bolso do notável, o que não é verdade. Vai mudar o mundo se não formos para lá? Vai fazer o regime cair? Não, pelo contrario! Isolar ainda mais o pais é pior do que fazer o que fazemos. Pelo menos geramos empregos e cada criança que nos vê acenando para ela pode saber que não somos um estrangeiro sádico que quer matá-la por nada. Tentar achar que a vida é bem mais simples do que ela efetivamente é não é a melhor resposta para tudo.

Guardinha de trânsito para um trânsito inexistente

Aspecto sombrio
Mais edifícios

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Como morar em Fernando de Noronha

Lógico que assim que você chega a Noronha, uma das primeiras curiosidades é como fazer para pegar mala e cuia e se mudar para lá. É possível? A resposta é, não, não é possível.
Fernando de Noronha é uma situação meio complicada. Não é uma cidade, é um distrito estadual, logo não tem prefeito. Grande parte da ilha é Parque Nacional, portanto tudo é muito difícil por lá e, conforme falei, turista tem que pagar uma taxa diária de preservação da ilha. Hoje a migração para lá é bem restrita e para se mudar de vez, tirando as pessoas que já moravam até a legislação atual, existem três caminhos:
1 – Ser parente de primeiro grau de alguém da ilha, ou seja, ter pai ou mãe noronhenses;
2 – Casar com alguém que seja morador permanente da ilha;
3 – Conseguir um trabalho em Noronha.
As duas primeiras são as únicas formas de conseguir morar permanente por lá. Conseguir um trabalho em Noronha nunca vai lhe dar o status de morador permanente da ilha, ainda que você viva lá por 50 anos. E, apesar da lógica apontar o contrário, a maioria das pessoas que conheci por lá tinham residência permanente em Noronha. Inclusive não era raro achar alguém que cumpria os três pré-requisitos: filho de noronhense, casado com noronhense e com trabalho fixo em Noronha.
Uma forma que eu vi algumas pessoas meio que “burlando” ao menos a taxa obrigatória aos turistas era por meio de amigos que tinham negócios na ilha e os “contratavam” para trabalhar por um mês ou dois. Assim, eles podiam ficar esse tempo de boa na ilha sem se preocupar com pagamento de taxa. Outra coisa que me falavam que ocorria era o cara que pagava sete dias de taxa e depois desse tempo se perdia na ilha. Alugava um lugar e ficava morando lá meio que “ilegal”. Diz até que dava certo, demorava algum tempo até alguém caguetar que ele estava ilegal e outro tempo para ser mandado embora. Diz que você paga uma multa por dia a mais que fica na ilha, mas geralmente quem fazia isso era bicho grilo sem patrimônio, se fosse botar ela para pagar multa ia dar um trabalho danado e acabava que simplesmente se contentavam em expulsar o cara e sumir com o processo dele. Apesar do caráter restritivo dessas normas, segundo os servidores que mergulharam com a gente, a população da ilha havia triplicado em 15 anos.
Conversei com alguns “forasteiros” que estava morando lá de forma temporária, trabalhando na ilha, e eles me relatavam os mesmo problemas dos moradores em relação a baixos salários e várias restrições. Apesar disso, todos gostavam de morar lá, ainda que em caráter temporário.
Outra forma de dar um jeito de estar sempre indo lá é abrindo um negócio em Noronha ao se associar com um noronhense, da forma que expliquei nesse post aqui. Quem fez isso foi aquele ator global Bruno Gagliasso que tem uma pousada em Noronha e sempre tá por lá.
Agência dos Correios em Noronha
Você reclama do preço da gasolina em sua cidade? É porque nunca foi a Noronha. Na época em que fui a gasolina de Brasília, uma das mais caras do Brasil, era três reais o litro. Se liga quanto era lá
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Problemas com a lei na Argélia País do Norte da África – Sendo encaminhado a uma prisão por um policial

Cara, ainda quando eu estava pedindo couch, as pessoas paravam para me perguntar “Ué, mas porque você escolheu a Argélia?”. Todo mundo me falava que não era um lugar muito turístico.
Quando tava na imigração, o oficial me perguntou a mesma coisa:
– Mas porque você escolheu viajar para a Argélia?
– Estou viajando pelo Norte da África, senhor, já fui na Tunísia, no Marrocos, na Mauritânia, no Egito…
– Sim, mas porque você escolheu a Argélia?
Isso ocorre porque existe um senso comum que não há nada turístico por lá, o que eu discordo. O centro histórico da cidade é muito bonito, todo em branco e tem o seu charme especial. E foram esses prédios brancos que acabaram me levando a ser conduzido para dentro de uma delegacia.
Tava eu ali, todo pimpão, batendo várias fotos e do nada eu escuto um apito de um guarda. Era um tiozinho com uma submetralhadora no pescoço apitando, apitando, mas assim, apitando como se fosse morrer. Eu achei que ele tava arrumando o trânsito e continuei pimpão batendo minhas fotos. O tiozinho começou a correr em minha direção e apitando e aí eu fui perceber que eu devia ter feito alguma coisa errada. Para evitar que ele parasse de usar o seu lindo apito e começasse a usar a sua temorosa submetralhadora, coloquei a câmera na mochila e fui calmamente caminhando em sua direção porque, bem, como uma vez aprendi no Vietnã, quem tem o maior rifle sempre tem razão (leia a história aqui). O tiozinho começou a gritar comigo em árabe e, vendo que eu não entendia nada, começou a gritar comigo em francês. Vendo que eu também não entendia nada, me puxou pelo braço e começou a me conduzir a delegacia. Não deu muito papo para eu conversar come ele não. Pronto, eu tava preso!
Fui caminhando com ele e, quando cheguei na cana, uma simpática senhora, que parecia ser a chefe do lugar, começou a falar comigo em inglês e a perguntar porque eu tava batendo fotos do lugar. Respondi que era só porque achava bonito aqueles prédios brancos e aquele porto e que não sabia se havia problema. Ela me falou que eu, basicamente, tava batendo fotos só do Quartel General da Polícia Nacional da Tunísia, do Quartel General da Marinha e dos navios de guerra da Argélia. Eles basicamente acharam que eu era um espião. Nada demais:
– Posso saber por que o senhor estava batendo fotos disso?
– Senhora, eu sou só um turista, não sabia que não era permitido bater fotos.
– Não existem turistas na Argélia. Se você é um turista, porque escolheu a Argélia?
– Senhora, estou viajando pelo Norte da África, pode checar os carimbos do meu passaporte, estive semana passada na Tunísia e na Mauritânia.
Ela olhou, folheou meu passaporte, checou os carimbos, folheou novamente, me olhou desconfiada e falou que tudo bem. Depois abriu um sorriso e começou a, veja você, me dar dicas de turismo sobre a Argélia:
– A Argélia é um país lindo, meu filho. Por que você está aqui em Argel? Sugiro você visitar o interior, fazer um passeio pelo Saara, ir a tal cidade de praia…
– Tome cuidado com sua câmera, há muitos ladrões por aqui! Não quero que você sai com má impressão daqui…
Sério, bicho, os caras na Argélia são tão gente boa, que a tia que há um segundo ia me prender de uma hora para outra começou a ser minha amiga. Ficou toda bonachona e sorridente comigo. Ela realmente parecia nutrir um genuíno sentimento de querer me ajudar e a falar sobre o seu país, o problema era que eu não conseguia prestar atenção em nada do que ela falava, pois só conseguia olhar para aquelas celas lá no fundo e minhas pernas não paravam de bambear. O frio na espinha chega subia e ia bater no coco da cabeça… Você pode ser o mais macho que for, mas duvido quem não gela em uma delegacia de uma país estrangeiro. Tudo o que eu mais queria era sair de lá o mais rápido possível…
Acabou que eu saí de lá aliviado. Depois, perambulando um pouco por Argel, achei um castelo no meio da praia. Dei uma volta nele, não tinha muita coisa, só umas paredes azulejadas. Parecia que estava sendo preparado para ser algum tipo de museu. Quando saí do castelo, resolvi bater uma foto dele do lado de fora. Rapaz, foi eu bater a foto e o apito começou a comer de novo.
As duas fotos que quase me deram cadeia

Priiiiii… priiiiii…. prriiiiiiiii
Ai caramba, lá vou eu preso novamente! Quando vi, veio um guardinha, dessa vez mais simpático e que falava inglês e perguntou porque eu tava batendo fotos ali. Respondi, que, caramba, era um castelo no meio de uma praia! Será se nem isso pode? Ele falou que tudo bem, mas que eu tinha batido a foto em um ângulo onde eu também fotografava algum quartel general militar qualquer que eu não entendi o nome e pediu para ver as fotos. Mostrei as duas que eu havia batido e ele pediu para eu apagar a primeira, que, realmente, pegava uma parte daquela caixa de fósforo que era aquele prédio. Nem eu tinha reparado. Depois que eu apaguei ele pediu desculpas, mas que ele só cumpria ordens. E, mais uma vez, começou a conversar comigo. Mano, os argelinos são muito gente boa.
Praça onde quase fui preso por estar batendo foto de outro quartel general

Acabou que depois daquilo ficou impossível para eu continuar no centro. Conforme eu falei, vez ou outra uns argelinos me gritavam para tentar conversar comigo e toda hora que algum fazia isso, eu achava que era a polícia de novo. Toda hora que um polícia apitava para arrumar o trânsito, eu achava que era comigo. Perdi a paz. Simplesmente peguei o metrô e fui para o jardim principal da cidade torcendo para que lá não houvesse algum quartel general bizarro e assim eu não tivesse que me ver com a polícia novamente.

Tirando isso só teve o fato de que na imigração eu escrevi que iria ficar em um hotel e fiquei na casa do Mohamed. Não sei se é porque sou burocrata, mas essas paradas de ficar mentindo em formulário me dão um medo danado. Sempre ficava com medo da polícia poder checar isso de uma forma ou de outra.
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Perambulando pela Argélia País do Norte da África – Obras de Niemeyer na Argélia

Mano, tive uma experiência muito legal com os argelinos. Eles eram gente boa demais e, por onde eu andava, eu parecia chamar bastante a atenção, eles realmente não são muito acostumados com turistas. Quando percebiam que eu era estrangeiro, um ou outro argelino vinha na rua querer falar comigo no pouco inglês que sabia falar. Isso quando não eles não começavam a gritar que nem uns loucos no meio da rua para chamar a minha atenção e eu achava que tinha feito alguma coisa errada! Mas não, era só para conversar comigo mesmo. E, rapaz, quando eu dizia que era brasileiro. Aí ferrava!
Tou até hoje impressionado com esse cara com essa camisa do Sport Recife que encontrei no meio de Argel
Os caras se danavam a falar de futebol! Eles são simplesmente apaixonados por futebol. Mas não era falar aquilo tipo “Neymar é bom demais!”. Não, mano! Os caras vinham falar da Copa de 86, da copa de 94, da copa de 82, falavam dos jogadores brasileiros daquela época. Bicho, teve um tiozão que me falou quase a seleção brasileira de 86 inteira. E falava com muito orgulho que eles quase desclassificaram o Brasil naquela Copa! De TRINTA anos atrás. Agora, não havia orgulho maior para eles do que quando eles falavam do sufoco que foi para a Alemanha desclassificar a Argélia nas oitavas na Copa no Brasil de 2014. Mano, naquele jogo a Argélia perdeu ganhando!
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Outra coisa que me chamou a atenção era que havia poucos negros nas ruas e os que havia era pedindo esmolas. Mohamed depois me explicou que eles eram refugiados da guerra que tá acontecendo no Mali e encontram paz em Argel devido ao espírito acolhedor e solidário dos argelinos. Assim, toda vez que entrava uma criança no ônibus ou no VLT eu nunca via ela sair sem nada porque os argelinos ajudavam bastante! Havia alguns poucos brancos pedindo esmola se dizendo ser refugiados sírios, o que Mohamed dizia ser mentira, já que na verdade eram argelinos se fazendo passar por sírios, pois, segundo ele, os sírios nunca pedem esmola e sempre se ajudam uns aos outros.
Refugiados negros esmolando em Argel

Vi também muita gente com os olhos claros, verdes e azuis, mais do que vi na Tunísia, por exemplo.

Por último, o mais interessante. Eu lembrei que havia ouvido falar que Niemeyer tinha algumas construções na Argélia e quando tive lá pude constatar. Nada mais, nada menos, que o principal monumento da Argélia, o monumento aos mártires que homenageia os mortos na Guerra Civil da Argélia e na Guerra da Independência, foi projetado por Oscar Niemeyer e inclusive é bem parecido com a Catedral de Brasília, seguem as fotos para comparação:

Outro monumento de Niemeyer em Argel
Cara, muito louco aquilo! Além daquele monumento, Niemeyer também projetou a Mesquita de Argel e algumas universidades pelo país.
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Ramadã na Argélia – País do Norte da África e as batatas maconheiras

Cheguei no começo do Ramadã, o mês sagrado dos islâmicos. Para quem não conhece, o Ramadã é um período de trinta dias onde eles não comem nada nem bebem água entre o nascer e o pôr-do-sol. O Mohamed e a família dele cumpriam esse jejum, apesar de não serem tão religiosos. Ele me explicou que hoje na Argélia as pessoas jejuam mais por uma questão cultural do que religiosa, o mesmo que haviam me dito na Tunísia, que é um país mais liberal. Ele mesmo não era um cara religioso, mas dizia que fazer aquilo era o que fazia se sentir argelino. Dizia que alguns argelinos até mesmo jejuavam durante o dia e bebiam cerveja a noite, ou seja, o jejum era só por uma questão mesmo de participar de um grande costume do seu país. Durante o Ramadan, TODOS os restaurantes fecham (não pude ver nenhum aberto) durante o dia e só abrem a noite. Os horários de trabalho são reduzidos, já que as pessoas não têm horário de almoço, então todos entram as oito e saem as quatro.
Eles tomam “café da manhã” as três e meia da manhã, porque, conforme falei, eles tem que fazer isso antes da alvorada, que no verão começava as quatro da manhã. Isso significava que eles acordavam as três e meia da manhã, enchiam o bucho e voltavam a dormir depois. Eles “almoçavam” as oito da noite. Eu não tomava café as três da manhã como eles faziam, mas também comia bastante ao acordar e depois só comia a noite, já que durante o dia não tinha nenhum restaurante ou lanchonete aberto mesmo e quando chegava em casa próximo as oito “almoçava” com eles.
Verdade seja dita, o sol castigando a galera na rua e não vi ninguém nem com garrafa d´água na mão. Fico imaginando a galera que faz trabalho braçal, como fica. Mohamed me falou que no final você acaba se acostumando e que não existe felicidade maior do que quando você terminar o Ramadã fazendo tudo certinho e com o sentimento de dever cumprido.
Como tudo é fechado durante o dia, a noite do Ramadã é uma grande festa, os restaurantes abrem e todo mundo fica na rua até tarde se divertindo. Até mesmo os metrôs, ônibus e etc. funcionam até mais tarde para todos poderem festejar. O dia é meio que morno e é durante a noite que as pessoas realmente vivem. Bicho, senti como se fosse um Natal que durasse um mês.
Mohamed disse que as crianças não jejuam e que estava um pouco preocupado com o filho mais velho dele, de 15 anos. Ele estava começando ainda a jejuar e vez ou outra ainda sentia sede e, portanto, bebia água algumas vezes durante o dia. Mohamed estava preocupado sobre como o filho dele iria se sentir frente aos colegas, já que todos jejuavam. Eu falei que, uai, era só ele beber água vez ou outra e não falar para ninguém, ao passo que Mohamed me falou que a preocupação dele não era o que iriam falar do menino, mentir que está jejuando qualquer um pode fazer, mas o menino se sentir mal por não conseguir jejuar como todos fazem.  Não se sentir capaz e não se sentir parte do grupo. É mais uma questão de cobrança de si mesmo e auto afirmação. Muito louco isso.
No final Mohamed me pediu apenas para não comer e não beber nada na rua e, se o fizesse, que fosse escondido para não desrespeitar as pessoas que estavam jejuando. Fiquei meio que clandestino na casa dele, um cristão que comia durante o dia! No começo eu achava que ia acordar as três da manhã tambem, já que dormia na sala, mas eles, para não me acordar, tomavam café na cozinha.
Eu já tinha tido uma experiência semelhante na Síria (veja o post aqui), mas nunca uma experiência como essa de realmente me importar em não comer na rua. Teve um dia que eu não aguentei de fome e acabei comprando uma batatas chips Pringles no supermercado. Cara, sério, para comer aquilo eu fui a um parque, me escondi lá no fundo e comi como se fosse a melhor refeição do planeta. MY PRECIOUS. Na verdade me senti como se estivesse fumando maconha no meio da rua.
Confesso que fiquei meio que contagiado por aquilo tudo e fiz o meu “mini-Ramadã”. Tirando esse episódio das “batatas chips maconheiras”, eu realmente não comia nada entre o café da manhã e o almoço da noite, só tomava água, porque isso eu não consigo abrir mão. Foram três dias só, mas, sei lá, é difícil explicar, me senti por três dias realmente fazendo parte de uma grande corrente social que é o jejum do Ramadã na Argélia.
Tava tendo uma filmagem de um filme enquanto eu passeava no Jardim
Pedi para um figura bater uma foto minha na fonte do Jardim. Compare com a foto no topo! Abaixo, eu e o fotógrafo!
Metrô em Argel
Emaranhado de árvores no jardim
Se liga em quem tá construindo o metrô de Argel. A Andrade Gutierrez, empresa brasileira!
Jardin Botanique du Hamma, jardim botânico no centro de Argel construído em 1832 e um dos mais importantes do mundo
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Couch aficcionado pela Seleção Argelina de Futebol – Onde fiquei hospedado na Argélia

Fiquei hospedado na casa de um dermatologista argelino (com pós-graduação como ele mesmo gostava de enfatizar), o Mohamed, que era um cara super inteligente e apaixonado por futebol e pela Seleção Argelina de Futebol. Falou que até tinha comprado passagem e ingressos para ver a Copa no Brasil, mas, chateado me contou, no final teve uma emergência e precisou cancelar a viagem. Ele tinha três filhos e, o que era mais interessante, eles falavam inglês, do menininho de uns 5 anos até o mais velho de uns 15 anos. Isso se devia ao fato de que na casa do Mohamed só se falava inglês. Os filhos dele eram bem curiosos sobre o Brasil e se eu estava na casa do Mohamed, eu não tinha paz, pois eles ficavam o tempo inteiro conversando comigo com uma curisiodade bem legal e que eu adorava ficar conversando. O filhinho mais novo dele era uma graça e ficava 20 vezes vendo e revendo o filme preferido dele, Madagascar.

Mas como falei, o Mohamed era um cara MUITO inteligente, era realmente MUITO legal conversar sobre todo e qualquer assunto com ele, ele parecia manjar de tudo. Teve uma hora que ele tava ensinando história pra o filho dele e o bicho, de cabeça, colocou todos os nomes dos navegadores portugueses e espanhóis das Grandes Navegações inclusive com suas rotas com algumas pequenas imprecisões. Lá estavam Fernão de Magalhães e a primeira circunavegação do mundo, Vasco da Gama, as navegações ao Bojador, ao Cabo da Boa Esperança, Cabral no Brasil. Cara, achei aquilo fantástico, se nem um brasileiro sabe direito isso, imagina um árabe. Eu particularmente não sei quase nada sobre história árabe e o cara tava debulhando ali a história de Portugal!

Não era só o Mohamed que era aficcionado por futebol. Se liga no que eu me deparei no meio da rua. Um cara com a camisa do Sport Recife. Caraca, se já é difícil encontrar alguém fora do Brasil com uma camisa de time brasileiro, imagina com uma camisa do Sport Recife
E essa loja com um emblema igual ao time do Santos? Até a bolinha é a mesma!
Ouvi dizer que essa Pizza Hut é original…
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Argélia – O país dos casamentos pela internet

Vamos lá. Não é feio admitir que você só tinha ouvido falar da Argélia por causa daquele território no War que faz fronteira com o Brasil e com a Europa, o “Argélia-Nigéria”, e que todo mundo queria pegar para poder ficar perturbando tanto a galera da América do Sul quanto a galera da Europa. Vai confessa! Eu também só conhecia a Argélia por causa disso e, bem, por causa daquele jogo fantástico que foi Alemanha e Argélia nas oitavas de final quando a Argélia quase eliminou a Alemanha da Copa de 2014.
Minha maior lembrança da Argélia quando estava indo para lá
A Argélia, o maior país africano atualmente, não é lá um país muito turístico. Só para você ter uma ideia, quando eu fui à embaixada para tirar o visto, o pessoal de lá me falou que a maioria dos que vão para lá aplicar são mulheres que conhecem argelinos em redes sociais de relacionamento na internet e mudam para lá para casar com eles. Eu fico imaginando o nível de desespero dessas meninas de saírem do Brasil para irem à Argélia ficar com um cara que conheceram na internet, haja vista que lá não é um país islâmico com algumas regras restritas para mulheres.
Como algumas mulheres se vestem na Argélia. Um pouco diferente de como é no Rio de Janeiro, não?
A Argélia, porém, foi uma ótima descoberta e uma ótima viagem, apesar de curta. Inicialmente eu estava planejando ficar lá por quatro dias e no final fiquei só três devido a um camping que fui na Tunísia (confira o post aqui). Iria ficar em um hotelzinho, mas no final acabei ficando em um couch que foi uma ESTUPENDA experiência. Enfim, vamos começar os escritos.
Fotos em um dos maiores parques de Argel, capital da Argélia
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Camping na Tunísia

Inicialmente eu estava planejando ficar apenas cinco dias na Tunísia e iria embora num domingo. Acontece que havia um camping marcado para acontecer em uma praia no fim de semana. Como meu voo saia no domingo, não seria possível eu ir. Olhei na internet e parecia que era de graça para eu remarcar o meu voo. Bem… porque não?
Fui à companhia aérea e procurei quem sabia falar inglês. Uma senhorinha supersimpática se prontificou a me atender e lá fui eu começar a explicar para ela o que eu queria fazer:
– Miss, I bought a ticket in Tunisair… (Senhora, eu comprei um tíquete na Tunis air… “Bought” pronuncia-se algo como bóult).
E ela respondeu:
– No sir, there´s no boat here, just flyings (Não, senhor, não há barcos aqui, só vendemos voos).
Confesso que fiquei rindo disso o dia todinho, mas no final a passagem foi marcada de boa…. Inglês como língua franca e suas cacofonias.
Remarquei o meu voo e sobrou um pequeno problema. Eu só não tinha carro, barraca de camping e nem saco de dormir. Só isso. Tirando esses detalhes, tava tranquilo. Acabei comprando uma barraca (que depois doei para Amin), Amin me emprestou um edredon (que fez as vezes de saco de dormir) e decidi aparecer no lugar na hora marcada e me enfiar em um carro por lá.
No final consegui uma carona e seguimos para o camping. Chegamos lá, descarregamos o carro e seguimos com as mochilas nas costas. Cara, o lugar era simplesmente paradisíaco. Não era uma área de camping não, acampamos na areia da praia mesmo sem banheiro nem chuveiro e foi simplesmente demais.
Pegamos uns galhos secos que achamos nas dunas e fomos fazer a fogueira, que, depois fui saber, seria nosso forno também. Cara, os bichos simplesmente cavaram um buraco no chão, tacaram fogo na lenha e começaram a colocar as grelhas de comida, na areia mesmo:
– Depois a gente lava com água do mar – eles diziam.
Eu tou acostumado a fazer camping roots porém a gente sempre leva uns tijolos e faz uma churrasqueira improvisada, não um buraco no chão. Colocaram primeiros uns legumes e depois de uma meia hora os grelhando, começaram a PICAR todos os legumes. No escuro, só com uma laterna na cabeça. Aí haja saco. Ficaram nessa quase duas horas. Segundo eles, era para fazer um salada para gente comer com pão. Mas mano, que trabalho! Eles ficaram picando tudo bem picadinho e me diziam que a maior felicidade do camping para eles era fazer aquela salada. Então deixa, né? Rolou um frango grelhado ainda.
No final, o camping foi super da hora. Os tunisienses são super gente boa e de uma alegria impressionante. Eles passaram HORAS dançando e cantando, principalmente danças de roda. Cara, que alegria era aquela…
Engraçado que quase ninguém estava bebendo. Segundo o Amin é porque nem todo mundo se conhecia e podia ser que nem todo mundo se sentisse a vontade bebendo na frente de estranho. É, lembrar que apesar de tudo, a Tunísia ainda é uma sociedade islâmica.
No final o que estragou o camping foi que no domingo, o dia em que supostamente iríamos ficar o dia curtindo a praia, ficou chuviscando o tempo inteiro e fez um frio da moléstia. Acabou que a galera só acordou, pegou os carros e voltou para Túnis.
Enfim, foi da hora do mesmo jeito.
Marcelo, atualmente jogando no Real Madrid, no meio de um outdoor em Túnis
E a camisa do rapaz na Tunísia?

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