E sai o meu primeiro livro!

Lembro que um professor da universidade dizia que a gente ficava meio besta quando folheava um livro recém-publicado. Achei que só um idiota falaria algo como aquilo para outras pessoas com o intuito de se amostrar.
Hoje confesso que estou meio besta folheando esse livro recém-publicado e tenho a certeza que aquele professor continua um idiota, só que por outros motivos.
Se alguém me perguntasse que quando embarquei, há quase dez anos atrás, no que seria mais um intercâmbio como qualquer outro, se eu saberia que hoje eu teria impresso meus relatos, lógico que eu não saberia. No começo era para ser um flogão (isso, sou velho mesmo), depois evoluiu para um blog zoeiro e depois para um blog com um pouco mais de seriedade para o que posteriormente seria um livro.
 Talvez esse seja o meu primeiro passo para a Academia Brasileira de Letras (pombas, se até o Sarney e o Merval Pereira conseguiram, porque eu não?), para um prêmio Jabuti ou no final seja só uma resposta para o“E aí, como foi a sua viagem para a Austrália?”.
Confesso que esses dias vinha um pouco desempolgado com a publicação desse livro “Será se vai ser legal?”, “Será se alguém vai querer ler?” “Será se só meus amigos mais próximos vão fingir que gostaram?” – acho que são as perguntas que todo mundo se faz com um livro. Eu lia as histórias e as achava de péssimo gosto e sem graça. Comecei a me questionar se até mesmo valia a pena pagar esse mico. “Poxa, as história de volta ao mundo estão muito mais interessantes! Tem descrição dos lugares, da sociedade, da cultura, da política, da religião… Esses relatos da Austrália não tem nada disso, é só um bando de história boba com um humor adolescente. Será se vale a pena mesmo a impressão?” – era o que eu me questionava antes de imprimir. Estou tão inseguro que só imprimi vinte volumes.
Até que um dia desses qualquer, um amigo veio falar comigo no bar ´caraca, Maranhão, aquelas tuas histórias da Austrália são muito engraçadas! Que pena que depois você parou de ficar postando presepadas e deu para ficar descrevendo “Ah, a sociedade indiana é desse jeito” “Ah, a economia do Camboja funciona assim” achando que seu blog era Wikipedia. Isso é muito chato! O que eu gostava mesmo era de rir da sua cara quando você se ferrava!”.
Estava aí acabada a minha curta carreira de imaginar que estava contribuindo em algo para a sociedade e lançado o meu livro presepeiro da Austrália.

Vou Guguzar! Agora é um olho e meio no Ibope e meio olho na qualidade! Rebola Malandrinha! Uba uba ê!

Segue o prefácio:
“Era para ser apenas mais uma viagem de intercâmbio. Acreditou que a vida seria fácil, mas vivenciou todas a dificuldade e agruras de um imigrante em um país estranho. Lavou carros sob os gritos da máfia eslovena, viu sangue jorrar de suas mãos em uma cozinha de de beira de esquina, descarregou sofás em armazéns, lavou pratos, caminhou kms com mais de 10 kgs de panfletos nas costas, fez entregas, carregou placas de gesso com brutamontes ensandecidos, descarregou carretas e carretas, se desesperou devido ao aluguel e até pulou de janelas à la Seu Madruga para fugir do pagamento… Tudo em um espaço de seis meses. As presepadas, que suplantaram em muito suas pequenas vitórias, são narradas com um humor ácido próprio, com o desespero de um jovem de 21 anos, sozinho, a 13 horas de distância de qualquer conhecido e que se apegava às palavras para esquecer os problemas de uma realidade que lhe levou a viver, literalmente, um dia de cada vez. Apanhou, sofreu, quase foi preso algumas vezes, curtiu, riu, e, acima de tudo, teve uma experiência de vida inesquecível. Coloque o seu mundo também em uma mochila!”
Galera, quem quiser o livro,  me manda um e-mail no brejador@yahoo.com.br que eu vou anotando os nome, quando eles chegarem, eu entro em contato!
Abraços,
Claudiomar
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Viajando por Galápagos – Por cima d´água

Uma parte boa de ter pego o cruzeiro Encantada foi que, me conhecendo bem, dificilmente eu teria saído atrás de fazer outros tipos de observações que não mergulhado e ido atrás de peixes. Fazendo os passeios em terra firme, eu pude ter um pouco mais de contato com outros animais que não teria só mergulhando.

Passeando em terra firme, pude ver, rapaz, nunca vi tanto leão marinho na minha vida. Se no cais eles pareciam ser muitos, nas praias eles eram pragas!! Leões marinhos para todos os lados! Além deles também vimos bastante gaivotas, iguanas, iguanas marinhas (Galápagos é o único lugar onde existem iguanas marinhas, elas efetivamente nadam e se alimentam dentro d´água) e uma ave especial, espécie de gaivota que tem os pés em um tom de azul simplesmente muito bonito! Outra característica delas é que os machos fazem uma dancinha para atrair as fêmeas onde eles ficam mostrando os seus pés azuis. Gaivota ostentação.

Você não pode sair por aí simplesmente caminhando por qualquer lado em Galápagos, existem trilhas que você pode seguir e sempre é acompanhado por um guia. Vez ou outra em algumas das trilhas acontece de ter um bicho perdido ou até mesmo um ninho. Em uma situação como essas, não tem conversa, a trilha acaba ali.




Leão Marinho trollador. Nadando como se fosse um tubarão…


Nossa mesa de jantar no barco

Alemão gente boa que acabei ficando amigo. Engraçado que um dos caras da tripulação não acreditava que ele fosse alemão e ficava insistindo que ele era colombiano. Realmente, é só ver a cara dele para perceber que o cara tem mó pinta de colombiano e não de alemão

 







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Lobos marinhos e pássaros do pé-azul de Galápagos

O bom de ter pego a excursão no “barco pesqueiro” foi que nosso grupo era bem pequeno. Éramos doze turistas. Em doze acabamos ficando bem amigos e podíamos observar melhor a natureza sem tanta gente ao redor. Algumas vezes observamos a galera dos barcos maiores descendo e era aquela cena de excursão da CVC, um bando de tia gorda, americanos com suas barrigas imensas e menino correndo e gritando, o que acabava por espantar os animais.

A primeira coisa que mais te impressiona em Galápagos é como os animais parecem não ter medo de você. Existe uma regra em que você não pode se aproximar mais do que um metro de cada animal, regra que é exaustivamente repetida e, se for necessário, gritada pelo guia. Essa regra existe porque os animais estão tão acostumados com a presença humana que se você rolar por cima de um leão marinho, acho que é possível ele não fazer nada. As tartarugas, você nada por cima delas e elas não se assustam, se não fosse tão ruim para ela, daria até para segurar no casco e pegar uma carona. E assim são os peixes, as aves e tudo o mais.

Aquela hora que você manda uma foto para zoar os seus amigos, pois você está de férias e eles não, e é zoado de volta

Tem tantos lobos marinhos, eles são praga, que algumas cidades tem cercas para eles não andarem pelas ruas

Tem tantos peixes que dá para vê-los por cima da água

O mais engraçado dos leões-marinhos é como eles se comportam quando a gente tá fazendo snorkel. Primeiro que eles são tão grandes que você quando os olha de relance, imagina que seja alguém fazendo snorkel. Segundo que eles são meio territorialistas. Às vezes você está ali, nadando na boa e eles vem nadando em sua direção como quem diz “qual é”. Cara, pode parecer besteira, mas dá um medo danado, porque eles tem dentes afiados e, bem, na água eles são bem mais fortes e rápidos que você. Teve uma vez que um deles chegou tão perto de mim que consegui olhar dentro da pupila dele. Não deixa de ser uma experiência legal, mas mente quem diz que não sente medo, pois eles são bem grandes.

O snorkelling foi algo realmente incrível, de longe o melhor que eu já tenha feito na vida. Consegui ver tubarões, arraias e até, veja você, pinguins. Sim, porque Galápagos tem a particularidade de ter pinguins tropicais, que em algum momento em suas longas viagens, pensaram, “Porque diabos eu vou ficar viajando até o outro lado do mundo e voltar para o frio se aqui eu posso ficar no sol o ano inteiro, comendo peixes adoidado e, ainda por cima, sem predadores?”. Teve um snorkelling que fizemos que quando pulamos na água eu realmente fiquei com medo de quicar dado o tanto de peixes que tinham abaixo. O mais legal é que teve uma hora que eu tava dando um mergulho, tava a uns oito metros de profundidade nadando entre os peixes e só escutei um barulho “Buuuummmm”, mas parecia uma bomba. Foi peixe para todo lado. Quando fui ver, era ave marinha que tinha mergulhado e subia com um peixe no bico. MMUIITOO IRADO! Além da vez que eu vi um pinguim nadando, tentei sair nadando atrás dele e comecei a escutar uma gritaria. Quando vi era a galera da areia me xingando porque eu tava espantando o pinguim. Cara, como eles nadam rápido…

Olha o tanto de leões marinhos pelas praias que passamos
Esses pássaros do pé azul são como um símbolo de Galápagos. Se liga como são bonitos os pés deles

A única parte ruim foi que agora eu fiquei com mais vontade ainda de voltar aqui para mergulhar. Vou acabar ter que dando meu jeito para poder conseguir a grana. Alguém aí querendo alugar um maranhense por um mês?

 

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Entre Iguanas e Equatorianos

O motivo da minha viagem ao Equador era Galápagos, porém escolhi viajar por Guayaquil porque era mais perto que Quito. Como os voos só saíam pela manhã, tinha que passar uma noite por aqui e resolvi que, bem, se já estou em Guayaquil, porque não dar uma volta? Fui dar uma volta pelo centro da cidade, o que achei bem bonitinho. Pelos lugares que passei, a cidade era bem arrumadinha e com policiamento ostensivo.

Na verdade, na verdade, confesso que minha preocupação inicial não era nem de passear, mas de comer uma refeição, já que fazia quase dois dias que eu não comia comida de verdade, leia-se arroz! Saí procurando um restaurante de comida chinesa (fica a dica aí, o lugar mais fácil de se conseguir arroz quando se viaja é sempre um restaurante de comida asiática) e saí passeando pelo “Malecón” que é uma orla que eles fizeram ao redor de um rio. Passear pelo Malecón enquanto eu farejava arroz foi bem agradável, pois o lugar era vivo, com várias crianças gritando, berrando, mães desesperadas correndo atrás de menino, vários outros pais gritando “desce daí menino!” e velhinhos caminhando. Depois de um tempo, achei um restaurante que servia tipo uns pratos feitos e não tive dúvidas, aqui é meu lugar!
Está decretado o melhor trocadilho já feito com a Argentina!

Cheguei, negociei com o garçom se ele trocava um dos dois pedaços de carne por uma porção de arroz e ele, meio que sem entender, aceitou. Juro que meu prato ficou que nem o da foto abaixo.

Depois de matar a minha saudade do arroz, fui bater uma foto da Catedral de Guayaquil. Quando chego na pracinha em frente, aquela cena bucólica se fazia presente: crianças gritando, berrando, mães desesperadas correndo atrás de menino, vários outros pais gritando “desce daí menino!” e velhinhos caminhando. Porém, essa praça tinha um quê de diferente. Ao invés dos velhinhos estarem alimentando os pássaros com pipoca, eles alimentavam as… Iguanas? Sim, isso mesmo que você leu! Caraca, eu nunca tinha visto isso!! A praça era APINHADA de iguanas de todas as formas e tamanhos e a meninada com os velhinhos as alimentando com restos de fruta. Gente, espera aí, alimentar pássaro até vai, mas iguana é um dos bichos mais asquerosos que existem na terra! Você, por exemplo, você espera que aquela mina dos seus sonhos crie um poodle ou um gatinho e não uma iguana!! Mas tava lá, todo mundo feliz dando comida para aqueles bichos asquerosos tendo ao seu redor várias placas escrito “não alimentem as iguanas”, “não toquem nas iguanas” e uns guardinhas gritando “puxa o rabo dela” para as crianças. Logo de início deu para ver que regras estabelecidas não eram muito o forte da cidade. Bem, nunca pode-se ter tudo. Pelo menos lá há iguanas!

A noite eu tava tão baqueado de não ter tido uma cama para dormir nas últimas 30 horas que tudo o que consegui fazer quando cheguei ao albergue foi desmaiar na cama. No outro dia tinha que chegar com duas horas de antecedência para pegar o voo, já que antes de voar para Galápagos você paga várias taxas diferentes e tem a sua bagagem inspecionada, o que leva algum tempo. Depois disso, só alegria!

Não, não havia iguanas no aeroporto!

GALÁPAGOS

A semente para minha viagem a Galápagos foi plantanda durante a minha viagem a Los Roques.Lá mergulhei com um cara que havia sido mergulhador durante alguns bons anos em Galápagos e fiquei fascinado com as suas histórias de jamantas de sete metros, cardumes de tubarões martelos e tubarões-baleias e outros seres fantásticos. Pensei que o meu próximo ponto de mergulho iam ser nessas ilhas.
Comprei a passagem aérea com algumas milhas que haviam me restado, como já expliquei, e comecei a procurar como fazer a minha viagem a esse Eldorado do mergulho. Primeira coisa que descobri era que essas ilhas boas para mergulho eram bem afastadas das principais ilhas de Galápagos. Logo, se quisesse me deparar com os relatos do mergulhador, deveria ter que pagar um cruzeiro que iria navegar pela noite para chegar lá. Era impossível fazer uma viagem ida e volta das ilhas principais no mesmo dia, o pacote mais curto era de oito dias. Ironia da vida, eu havia comprado uma passagem para passar sete dias em Galápagos. Não sei se no final fiquei triste ou não com isso, haja vista que o cruzeiro mais barato custava a bagatela de 4.000, reais?, não, DÓLARES!!! Tá certo que não é uma grana impossível de juntar, mas com certeza iam me custar algumas outras viagens. Mas, como todos diziam, era uma viagem para uma vez na vida.
O problema era que todos os outros cruzeiros já começavam na casa dos 2500 dólares. Isso sem mergulho de cilindro nem nada, cinco dias e só os passeios e a comida no navio. No final, acabei seguindo o conselho de um amigo de uma amiga que me sugeriu um cruzeiro em um barco com um nome sugestivo “Encantada”. O negócio devia ser encantado mesmo, porque enquanto todo mundo cobrava acima de 2500 dólares para cinco dias, o barco cobrava 1500 dólares para seis dias. Só a metade do preço. Fiquei um pouco preocupado com isso, mas é difícil possuir bom senso e pensar racionalmente quando se há 1000 dólares em jogo. Ainda que servissem pedra nas refeições, valeria a pena era bom que eu emagrecia…

BARCO ENCANTADA

Fomos ser pegos no aeroporto pelo guia do barco. No caminho fui conhecendo o pessoal que ia viajar comigo. Todo mundo gringo e, tirando a tripulação, eu era o único latino do barco. Já no porto, quando íamos pegar o bote para poder ir ao barco, já começamos a ter uma noção do que era Galápagos. Havia leões marinhos por todos os cantos, mas assim, todos os cantos mesmo. Na escada que dava acesso aos botes tinham dois dormindo, o que nos obrigava a desviar.

Leões marinhos em uma “praia” de Galápagos
Barco abandonado que hoje serve de “casa” para leões marinhos
Filhote de leão marinho brincando com nossas mochilas

A galera toda, lógico, curtindo e batendo fotos dos leões e todo mundo curioso para saber qual seria o nosso barco. A gente foi passando pelos barcos e só observando. No caminho alguém foi lá, apontou e disse: – Nossa, ia ser engraçado se nosso barco fosse esse. Enquanto todos os outros barcos eram gigantescos, pareciam iates mesmo, novinhos em folha, o que ela apontou parecia um barco pesqueiro velho em direção ao ferro velho. Rapaz, mas foi a menina terminar a frase pro bote virar pro lado e a tripulação vir nos dar as boas-vindas no barco que ela tinha dito que ia pro ferro velho. Mas, cara, sério, parecia cena de desenho animado.
Mil dólares mais barato, mil dólares mais barato… – era o mantra que eu repetia em minha cabeça ao subir no barco enquanto eu pensava porque eu sempre na minha vida tenho que ser tão mão-de-vaca!

Jogo dos sete erros. Encontre nosso barco
Mas até que nosso barquinho ficava bonito no pôr-do-sol, não?

UMA SEMANA BRINCANDO DE CRISTOVÃO COLOMBO

A primeira impressão de todo mundo variou da “pior possível” para “me leve de volta para o aeroporto”. Porém ficou só nisso mesmo. Logo que o guia veio falar com a gente, vimos que de ruim mesmo só a carcaça do barco. Cara, a tripulação era muito gente boa e, rapaz, a comida era incrivelmente bem preparada. Achei que ia comer cacto misturado com sopa de pedra (mil dólares a menos, mil dólares a menos), mas na verdade fomos bem servidos todos os dias, principalmente com peixes e saladas muito bem preparadas. De sobremesa, sempre um balde de frutas. Sempre que voltávamos dos passeios, já tinha um lanchinho nos esperando, variando entre frutas tropicais, empanadas e até mesmo pipoca =)  Nunca comi tão saudável por uma semana em toda minha vida.
Quarto que eu dividia com o alemão embaixo
O guia falava inglês, era super gente boa e prestativo. Todo jantar ele dava um briefing do que iríamos fazer no dia posterior e sempre falava “todo mundo no bote às oito da manhã, horário de Galápagos”. O que seria “horário de Galápagos”? Bem, levando em consideração que estávamos na América do Sul, eu acreditava que horário de Galápagos era algo como meia hora depois do marcado. Rapaz, mas se ele marcava as oito, dez para as oito lá tava ele com aquele sininho maldito gritando “Todo mundo no barco, todo mundo no barco”! Rapaz, mas era pior que horário alemão!
Vista da janela que eu acordava todos os dias

A única parte que eu achei ruim mesmo foi só o fato de ficar seis dias embarcado, cara, é ruim demais. Ficar uma semana embarcado em um transatlântico, é de boa, você sente como se tivesse em casa, mas o barquinho da gente era muito pequenino e balançava demais! Não tive enjoos, mas a noite, quando o barco efetivamente viajava entre as ilhas e entrava em mar aberto, rapaz, o que era aquilo!!! Sério, a primeira noite você acha que vai morrer e só falta pedir uma corda para amarrar você em sua cama! Sem brincadeira, parecia uma montanha-russa de forma que nem do lado de fora do barco a tripulação gostava que a gente ficasse, pois eles ficavam com medo de, em um momento de desatenção, alguém fosse jogado para fora do barco. TENSO!! Além disso, como disse, o barco era bem pequenino, os quarto eram minúsculos e o banheiro, sem brincadeira, devia ter uns dois metros quadrados. Chega uma hora que você meio que enche o saco de ficar apertado o dia inteiro. Se bem que, quando desembarcávamos, tudo isso era esquecido.

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Classe executiva cof cof cof

Encurtando uma história longa, tinha comprado duas passagens por milhas na Avianca que acabaram dando errado. A Avianca me devolveu todas as milhas que eu havia comprado e, sem o voo direto Bogotá-Brasília que a Avianca tirou, estava me angustiando, dia após dia, ter uma cambada de milhas sem saber o que fazer com elas. Resolvi tirar do bolso o velho sonho de ir a Galápagos e vi que havia uma passagem de Executiva que encaixava certinho no meu calendário. Tá certo que eram duas passagens virando uma, mas valia pela experiência de viajar de Executiva que todo mundo falava tão bem. Comprei, porém saindo de SP. O último voo que consegui saindo de Brasília chegava em Guarulhos as 19h, sendo que meu voo era no outro dia as 06:20 da manhã, beleza, vamos lá, tudo para viajar por executiva.
Notícia ruim: Meu voo era no outro dia às 6 da manhã
Notícia boa: A sala VIP era 24 horas e com cerveja a vontade \0/
Nunca esperar um voo fora tão divertido!!! Quando cheguei no aeroporto, descobri que teria acesso a duas salas VIPs, uma por causa do meu cartão de crédito e outra por causa da passagem. Para nenhuma das duas salas se sentirem desprestigiadas, tomei um banho na sala VIP da Gol e resolvi ficar na sala VIP da Avianca, já que a outra tinha tanta gente que parecia uma farofada e eu, bem, eu nasci para ser croissant, não rosquinha Mabel. E ainda por cima viajaria de Classe Executiva. Cof cof cof
Cheguei, liguei meu computador, peguei a minha cerveja (gente, as salas VIPs tem cerveja ilimitadas!!!) e fiquei na internet. Cara, você pode ser o lorde inglês que for, mas depois de quatro latinhas na cabeça e muito sono, tenho certeza que acaba que nem eu, dormindo no sofá. O melhor era que o lugar era mó chique, todo mundo de roupa social e eu, descalço, com meu agasalho do Brasil dormindo no sofá no melhor estilo albergue da Prefeitura.
Quando foi umas quatro da manhã, acordei e fui despachar a minha bagagem. Qual não é a minha surpresa quando descubro que, como já havia passado pela imigração, teria que cancelar a minha imigração para poder sair e despachar a bagagem. De boa, como eu faço isso? – É só ir falar com o Policial Federal que está de plantão. Huá huá huá – dizia a terceirizada com risos maquiavélicos enquanto entrelaçava os dedos da mão. Cara, na boa, eu tenho certeza que ele tava dormindo e isso me deixava com mais medo. O cara ia acordar só por causa de um maranhense corno que queria despachar uma bagagem. Achei que ele já ia sair de lá me xingando, mas ele foi super gente boa!
Despachei a bagagem e quando fui para sala de embarque, olhei aquela raça de pobres, de todos os credos, cores e tamanhos se amontoando na fila da terceira classe, enquanto eu tinha um tapete vermelho para mim, afinal, eu era classe executiva. Cof cof cof.Quando entrei, imaginei o que seria essa dita “Classe executiva, cof cof cof”. Ela era… era… era… nada mais que um banco um pouco mais largo e mais espaço para pernas. Nada demais.Achei que haveria algo de outro mundo, algo como um show privado do Cirque du Soleil ou uma banheira do Gugu com a Luíza Ambiel só para mim, mas que nada. Basicamente você paga, em promoção, o valor de duas passagens para uma e no final não tem nada demais, até a comida não tinha nada de especial.
Eu na Classe Executiva da Avianca

Não sei vocês, mas eu, como sou pequeno, meio que sambo no banco da classe econômica e viajo de boa, nunca que eu pago novamente para poder viajar de Executiva. Isso é coisa de gente fresca que precisa pegar uma daquelas viagens de ônibus São luís – Brasília ou São Luís – São Paulo para saber o que é reclamar da vida. Para mim só valeu a pena mesmo ver a cara de desgosto do pessoal engravatado quando eu entrei todo mulambo, de chinela, para pegar o meu assento. Devem ter pensando “Maldito governo que dá dinheiro para pobre. Esse aí com certeza juntou o Bolsa Família de cinco anos para poder comprar essa passagem…”

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Mergulho e cenotes – México

O México tem um dos mais famosos pontos de mergulho no mundo: a Ilha de Cozumel. Costumava ser só uma ilha de pescadores, mas depois que Jacques Costeau visitou a ilha e fez um documentário sobre os seus recifes, ela virou um ponto de mergulho mundial. O mergulho é efetivamente bem bonito, apesar de eu não ter visto tanto peixe como em Arraial do Cabo e Los Roques. Na verdade, o snorkel que fiz em Akumal foi mais legal (caraca, vi quatro arraias e nove tartarugas!!!), mas a transparência da água em Cozumel impressiona.
Apenas uma dica que eu dou. Se você está indo a Cozumel, não pegue, DE FORMA ALGUMA, nenhum snorkel tour. Cara, eu sei que snorkel tour não é aquela maravilha, mas em Cozumel foi o mais próximo de inferno que eu pude presenciar na minha vida. É gente para todo lado, eles te deixam quase nada no lugar para snorkel e você quase não consegue ver os peixes, já que o barco e o bando de tias gordas os espanta.
Porém, existe outro tipo de mergulho no México que eu não conhecia e que eu sugiro a todo e qualquer ser humano ir, ainda que só snorkel: os Cenotes.

 

Coco Bongo em Cancún. Umas das melhores baladas do mundo
Acredita que no banheiro do albergue tinha uma banheira?
O mergulho dentro deles é mais ou menos como mergulhando dentro de uma caverna, porém  é interessante porque em vários momentos há infiltração de água salgada que quando se mistura com a água doce faz um efeito  na água, mais ou menos como se tudo ficasse embaçado do nada, além de que a água é muito limpa!
Mas o que mais me encantou no cenote, foi um mergulho que fizemos em um lugar chamado Angelita. Sabe o encontro do Rio Negro com Solimões? Onde você vê a água de dois rios bem separadas? Pois é, nessa caverna há um desses, porém a quarenta metros de profundidade. Nas fotos fica parecendo o chão, mas na verdade aquilo é uma nuvem dentro d´água. O instrutor falou para gente que iríamos descer todos juntos, ia ficar um pouco escuro, mas depois iríamos nos encontrar lá embaixo, pois a nuvem só tinha dois metros e abaixo dela era tudo límpido. Quando entrei na nuvem, foi aquele breu! Não consegui ver ninguém e comecei a ficar desesperado. Parecia que eu só descia e nada acontecia. Só quando chequei a minha profundidade, que vi que estava nadando na mesma altura sempre, tamanha a minha confusão e a falta de um referencial. Fiquei parado, fui descendo e quando vi tava todo mundo lá embaixo. Nunca tive tanto medo para descer dois metros.
Cenote
Entrada dos Cenotes

 

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Museu da tortura da Cidade do México

(No museu não era permitido tirar fotos, portanto todas as imagens que aqui estão eu tirei na internet, fora, claro, as fotos que nada tem a ver com tortura)

Trança de Palha

Entre os vários museus que havia na Cidade do México, um me chamou a atenção em particular e resolvi dar uma passada lá antes de pegar o meu voo, o Museu da Tortura. Foi muito interessante ver até que ponto a criatividade humana poderia ir para infligir dor e sofrimento nas pessoas.

O Museu iniciava citando como era o“julgamento” da Inquisição, que era, por si só, parte do show. A pessoa chegava ao julgamento já considerada culpada, a única função do inquisitor era extrair informações que corroborassem a acusação. Podia extrair confissões a base de tortura ou de falsas promessas de concessão de graças ou perdão.

O que me impressionou foi que várias daquelas torturas não infligiam dor alguma, eram apenas adereços que eram colocados nas pessoas para humilhá-las perante toda a comunidade. Se hoje uma menina de interior fica “falada” se sai pegando muita gente, imagina isso quinhentos anos atrás. Um dos adereços era uma trança de palha que era colocada nas cabeças raspadas de meninas solteiras que ficavam grávidas. Elas eram obrigadas a vesti-las e ficarem sentadas na frente das igrejas aos domingos, momento de maior movimento possível no povoado.

Segundo o Museu, houve uma mudança na concepção de como infligir a tortura. Antes a tortura era dolorosa e bem explícita. Ocorria em praças públicas ou obrigava pessoas a usarem estacas, objetos pontiagudos e afiados ao redor de suas cabeças durante dias, infligindo, assim, medo e terror e servindo como um exemplo para que todos vissem. Basta lembrar que Jesus teve que usar uma coroa feita de espinhos e carregar a sua cruz enquanto era chicoteado. Hoje o conceito de tortura é algo mais implícito, com uma grande preocupação em não deixar marcas. Pode até ficar uma marca ou outra, mas nada que se compare a Idade Média onde a intenção era justamente essa. Isso deve-se a um amadurecimento da sociedade humana, que hoje condena a tortura e portanto não é interesse de nenhum regime ser associado a isso. Por mais assassino que um ditador possa ser, ele nunca irá admitir que em seu regime a tortura seja política de estado, mas sim obra de alguns poucos psicopatas. Os militares brasileiros, por exemplo, não reconhecem que houve tortura durante o seu regime, por mais impressionante que isso possa ser, apenas dizemque isso ocorria em uma outra delegacia, tal qual os dias atuais.Outro instrumento que muitos julgam como de tortura e, segundo o museu, não era, é o cinto de castidade. Segundos o museu, esta história de que os maridos colocavam cintos de castidade nas mulheres quando iam viajar por longos períodos não passa de balela. Um cinto desses usado por meses, sem retirar para limpá-lo ou algo assim, facilmente levaria a infecção e morte da mulher. Na verdade, o cinto era utilizado como uma forma de proteção das mulheres contra o estupro. Geralmente elas vestiam voluntariamente quando viajavam sozinhas, quando seus maridos viajavam e elas ficavam em casa sem nenhum homem ou quando havia aquartelamento de soldados em seu povoado. O fato de ser voluntário, de forma alguma retira o caráter da violência contra a mulher, na verdade o enfatiza, dado que as mulheres se violentavam a si mesmas, se autotorturavam, para não serem estupradas. Segundo o museu, o uso do cinto chegou até próximo dos dias atuais, pois há relatos de senhoras sicilianas e espanholas ainda vivas hoje que chegaram a utilizá-lo.

Vista do quarto de hotel que fiquei um dia inteiro escrevendo e descansando da pauleira da viagem

Outras torturas me chamaram a atenção pelo caráter demorado que levavam a morte, como ferver os pés da vítima, serrá-la de ponta cabeça (de forma que a oxigenação continuasse irrigando a cabeça durante um bom tempo) ou simplesmente colocar a vítima em uma jaula deixando-a morrer de fome e apodrecer no meio da praça da cidade. Isso tudo pode parecer algo meio cruel, mas não consigo imaginar um cara como o Bolsonaro condenando atitudes como essas.

Venezuelanos protestando no meio de uma praça da Cidade do México
Cozumel

Nerdolândia no meio da Cidade do México
O cara tem que ter um estômago de gladiador para enfrentar uma butica dessas


Galera treinando bateria de escola de samba no meio da praça de Cozumel

Mas para mim o mais legal do museu, mesmo, foi que você fica lá, lendo sobre sangue, sofrimento, tortura, destino dos infelizes e atrás fica tocando um canto gregoriano na maior calma do mundo, parecendo até que você tá dentro de uma igreja. Vontade maior de associar tortura a uma instituição, é impossível.

Por último, o museu também falava de alguém que é meio esquecido quando se fala em tortura: o carrasco ou o torturador, que na Idade Média eram quase a mesma coisa. Tal profissão logicamente era muito mal-vista e muitas vezes desempenhada por etnias “inferiores” (como os ciganos na Turquia) ou era algo como um trabalho passado de pai para filho. Achei interessante o relato de  que quando um desses carrascos foi questionado por Napoleão III se ele não se sentia mal em desempenhar tão desprezível profissão ele respondeu que apenas executava as leis que os governantes elaboraram. Então, os políticos, sim, eram os principais carrascos.

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Como é a cultura do Chaves no México?

Há duas coisas que eu tenho certeza que vem a cabeça de qualquer pessoa quando se pensa em México. Uma são os povos pré-colombianos (astecas, maias, olmecas…) e outro é o Chaves.

É impossível não associar ao México a imagem de Chaves ou Chapolin.

Alguém lembra do episódio que o Chaves pede dinheiro para  Cruz vermelha? Impossível não lembrar do Chaves quando vi esse cara no metrô trabalhando com isso..
Isso lembra algum episódio

Na verdade, os mexicanos que pude conversar, ficaram surpresos em saber que até hoje Chaves passa no Brasil em horários bons, como sete da noite ou cinco da tarde e batendo programas com investimentos muito maiores. Se pudesse traçar um parâmetro, poderia dizer que Chaves no México é como nossas novelas no Brasil. Apesar de fazer um sucesso GIGANTE fora, no país de origem é algo visto como brega ou até mesmo vulgar. Você pode até gostar, mas não é algo que vais sair falando orgulhoso para os seus amigos, por exemplo.

Quando disse então que queria ir a Acapulco por causa do Chaves, aí que eles não entenderam mesmo. Na verdade fiquei até um pouco chateado com a situação, pois achava que todo mundo ia ficar empolgado que nem eu quando falava de Chaves. Mas enfim, bola para frente. Se Acapulco se revelara inviável por causa do tempo gasto, o túmulo do Seu Madruga, eu faria de tudo para ir.

E com vocês, a escultura mais estranha do México

Pesquisando na internet vi que Ramón Baldez estava enterrado em um lugar chamado “Mausoleu del Angels” e eu iria fazer DE TUDO para poder ir lá visitá-lo. Depois que eu fui ver que o lugar era quase que do outro lado da cidade, mas eu ia nem que fosse em outro estado.

Universidade da Cidade do México

Peguei um metrô até a última estação, desci dentro de uma universidade pública e de lá estava disposto a encarar uma caminhada de meia hora até o cemitério. Depois de caminhar uns dez minutos, fui descobrir que estava indo no caminho contrario. Nossa, aí veio aquela sensação de descarregar um caminhão de tijolo no lugar errado. Me lembrou a pedalada de Cuba (Pedalada Cuba). Como já eram rodados cinco da tarde, eu fiquei com medo do lugar fechar e resolvi pegar um táxi que me custou incríveis 5 reais para me levar até a porta do cemitério. Sim, meia hora da minha vida estava valendo 5 reais. Desci cinco e meia e descobri que o lugar fechava as seis.

De resto, é só conferir a postagem emocionada que deixei no meu facebook no dia em que visitei o Mausoléu:

“Hoje foi um dia extremamente feliz.
É difícil não pecar pelo clichê, pieguice ou sentimentalismo barato de facebook, mas é impossível descrever a emoção. Hoje voltei a ser a criança no Maranhão assistindo aos mesmos episódios e rindo das mesmas piadas de sempre, mas que sempre pareciam tão engraçadas.
Chaves é aquela felicidade simples, inocente, sem estereótipos baratos ou piadas apelativas. É aquela terça a tarde que você acabou de chegar do Colégio e descobriu que ainda tem um resto de Guaraná Jesus na geladeira, aquela nota de dois reais achada no bolso da bermuda quando vc é criança e que dá para comprar tanta coisa, aquela peça de lego que vc acha debaixo da cama e pensava que tinha perdido…
Um programa barato, simples, com quase nenhum cenário, pouquíssimos atores, mas que faz ainda tanto sucesso mesmo competindo com enlatados americanos, que sempre se repetem com seu sarcasmo sem graça e sua propaganda excessiva.
Como Don Ramón pode ter morrido em 1988, quando eu tinha quatro anos, e ainda assim me parecer alguém tão próximo…
Quem se importa se tive que pegar uma hora de metrô lotado, me perder no caminho, pegar um táxi e depois sofrer a mesma saga na volta apenas para uma foto? Hoje pude me sentir pertinho do senhor de calças surradas que, apesar de todas as intempéries, sempre arrumava uma forma de cuidar do menino que praticamente morava dentro de um barril. Hoje pude chorar baixinho, sem me envergonhar, do lado do túmulo, ao me sentir tão perto de quem tanto me marcou e nesses trinta anos me fez rir tantas vezes. Hoje estive tão longe de casa, mas tão perto do mito.
Viva Seu Madruga! Viva Dona Clotilde! Viva Chespirito! Que Chaves passe por mais vinte, trinta anos na TV! Que eu possa rir junto com meus filhos e netos!
Que maias, astecas ou Cancun! Passeio no México mesmo é visitar os túmulos de Seu Madruga e Dona Clotilde, tão pertinhos um do outro no Mausóleu del Angels.
Viva a cultura latina!

P.s: Engraçado ver as bandeirinhas do Brasil e as homenagens que outros brasileiros deixaram nos túmulos. Engraçado como Chaves faz sucesso no Brasil. Juro que da próxima vez colo um adesivo do SBT…”

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Lucha Livre no México

Todo mundo fala que para você ir ao México, você necessita ver uma noite de Lucha Livre Mexicana. Apesar do nome, a Lucha Livre não tem nada de luta, na verdade é um teatro desempenhado por atores onde eles simulam um combate. Por ser algo ensaiada e até certo ponto “bobo”, todos nós pensávamos que aquilo era algo meio turístico, que só gringos iam ver e coisas assim. Quem disse?!?!?

Rapaz, que parada impressionante! Mas, assim, é só você enfiar a cara dentro da arena que você sente a paulada e vê que isso não tem nada de turístico. Você entra, parece arena de futebol! É galera gritando, apertando buzina, torcendo, aquele barulho infernal! Existem os lutadores do bem, que se vestem com cores claras e os atores do mal, geralmente de preto. Cara, é MUITO legal! Eles literalmente voam, são arremessados uns pelos outros, às vezes para fora do ringue, dão piruetas nesses arremessos e vez ou outra caem no meio da plateia. Teve um cara que estava sentado na primeira fila que o óculos dele até voou na hora que um lutador caiu voando em cima dele! Não é permitido ficar de pé, mas tem umas horas que os caras arremessam algum lutador que é impossível a galera não levantar e gritar. Assim, é bobo, é teatral, mas bicho, é muito legal! Nossa, no começo você fica até com vergonha, mas depois eu já tava no clima, a galera te contagia e você acaba saindo literalmente rouco de tanto gritar!

Os vídeos não estão muito bons porque não era permitido entrar com a câmera lá. Tive que filmar e bater foto com meu celular… Vale para escutar o barulho da papagaiada da galera atrás
Teve uma briga de mulher, que tinha uma gordona que era MUITO legal! Ela pulava em cima das outras lutadoras, rolava em cima dela e a galera ia a LOUCURA!! Todo mundo gritava “Gorda!!! Gorda!!! Gorda!!!”, “Pula em cima dela!!!”. Nossa, quando ela pulava a arena só faltava vir abaixo! Ela ainda ficava cantando o juiz e mandando beijinho para ele! Ela fazia um trio com uma loira e uma morena, que, sem brincadeira, essa morena deve ter sido da equipe de ginástica olímpica do colégio! Rapaz, como aquela mulher era flexível e como era acrobata! Teve um gordinho depois também que também era a mesma coisa! Ele quicava nos lutadores e a galera levava a arena abaixo!!!!!!!
O Gordo dando o seu show!

Lutador, momentos antes de enfiar o dedo na cerveja da menina. Sim, ele tem uma cauda…
O resto são uns fortões gigantescos, que são até legais, mas não se comparam com os gordões! Momento de destaque só para um dos caras do mal que chegou em uma mina da primeira fila e pediu para ela cheirar o suvaco dele! Ele não fez nada, ele pegou e se vingou, pegou o celular dela, esfregou no suvaco dele, depois enfiou o dedo dele no suvaco, enfiou o dedo na cerveja dela e começou a mexer. A cara da mina foi IMPAGÁVEL. A galera, lógico, não perduou. Começou a gritar em coro “Bebe, bebe, bebe!!!!”.
Na hora da saída é aquela outra confusão. Os caras são CELEBRIDADES!!!! Sério, eles não conseguem sair! Fica todo mundo gritando em coro o nome deles, se estapeando para poder conseguir uma foto com os bichos. Pais desesperados, com crianças mascaradas no colo, tentando de toda forma fazê-los segurá-las e para uma foto! E é mulher, é velho, é criança, é todo mundo se estapeando para conseguir uma foto. Só para vocês terem uma ideia, eu até tentei bater uma foto, mas não consegui, preferi ficar batendo foto da confusão do lado de fora!

Depois, lendo mais um pouco, vi que essa Lucha Livre existe há DÉCADAS! Quando você vê uma banquinha de máscaras, várias delas, fica procurando uma e procurando a mais bonita. Chega o vendedor e vai falando o nome de qual lutador usa cada diferente estilo e cor de máscara. Essa máscara é a do o Diamante Azul, essa do Último Guerreiro, essa do Terror Asteca!!!

Cara, se for a Cidade do México, VÁ! Lucha Livre e ao Túmulo do Seu Madruga, foram, de longe as coisas que eu mais gostei de ir ao México!

Gorda!!! Gorda!!! Gorda!!!!
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Couchs e hospedagens onde fiquei no México

Muita gente ainda acha estranho quando digo que vou viajar e ficar em um couch. “Você já ganha um salário, porque diabos ainda continua usando Couchsurfing?”. Bem, por motivos como os  couchs que pude ficar na Cidade do México e em Cancún.
A peixeira do figura
Quando foi agora ela resolveu retribuir o couch e fez questão de me hospedar na sua casa na Cidade do México. Aceitei sem pestanejar. O problema foi só depois quando eu descobri que ela morava com um namorado que não era couchsurfer e que não falava inglês, o que me deixou preocupado de ele, sei lá, não gostar muito da ideia e ainda por cima ficar emburrado comigo já que não poderíamos conversar direito, já que eu ainda estou aprendendo espanhol. Minha preocupação só aumentou mais quando eu cheguei no apartamento e vi que o figura tinha uma mistura de facão com espada (ou peixeira, como a gente diz no Maranhão. Faca para cortar peixe e cabra safado!) na porta da frente de casa.
Na Cidade do México já foi uma experiência por si só super agradável. Fiquei na casa da Cecília, uma mexicana que eu hospedei com mais uma amiga em 2010 e que foi muito legal hospedá-la. Na verdade, ela chegou em um momento em que eu estava trocando um concurso por outro, portanto eu tive folga e pudemos viajar para Pirenópolis juntos, o que fez nossa experiência ser mais legal ainda.
Cara, mas assim que começamos a conversar, minhas preocupações se esvaíram. Caraca, o cara era gente boa demais. Começa que a primeira noite que eu cheguei na casa de Cecília&Nair eu estava super cansado, porque meu voo havia sido durante a madrugada e eu havia dormido bem pouco. Voltei para casa imaginando que iria descansar. Quem disse? Nair me falou que não havia homem que dormia naquela casa sem beber tequila com ele. Como um bicho mais parecia um ogro gigante, eu achei que era melhor obedecer.
Só os copinhos. Cada um era uma tequila diferente
Nos outros dias saímos juntos para comer e sempre era um lugar da hora, uma comida da hora, uma experiência super interessante e uma briga para eles deixarem eu pagar a conta.E puxa tequila daqui, puxa tequila dali, começou um verdadeiro buffet de tequila. Só que, como você já deve imaginar, tequila não é como cerveja que você vai bebendo de boa. Depois de uma meia hora, já tava eu lá, mais louco que o Batman. Me lembrou até os apuros que passei com mexicanos e tequila em Santa Bárbara anos atrás.
Acabou que tive mais contato com Nair do que com Cecília, que falava português e eu já conhecia, mas que estava sempre trabalhando. O Nair era uma figura em si. Trabalhava como advogado de movimentos sociais e era um verdadeiro Che Guevara de sombreiro. Teve um dia que eu fiquei quase umas duas horas conversando com ele sobre a história do México e aprendendo bastante sobre a história dos astecas. Grande parte do que foi escrito aqui, foi baseado no que pude conversar com ele.
Eu e Nair
A outra experiência legal foi na casa em Cancún, na casa de Santiago e Célia. Santiago, instrutor de mergulho e mexicano, Célia, estudante de psicologia e espanhola. Os dois moravam em um casa que mais parecia uma mansão, em um condomínio fechado super bonitinho no centro de Cancún. Na verdade, parecia aqueles hotéis com uma piscina no centro, couch cinco estrelas. Santiago era um cara muito legal e depois de algum tempo parecia que éramos amigos há anos. Todo dia de manhã ele preparava um café para nós dois, tou dizendo que o lugar mais parecia um hotel. Outro que também não queria que eu pagasse por nada, tive que comprar as coisas na marra no mercado e ir levando para casa para não ficar imaginando explorando o cara. Saímos para uma festa do couchsurfing onde voltou todo mundo torto.Eles também me levaram para comer uns tacos em um lugar que, rapaz, como os caras gostavam de pimenta! No outro dia, acorda com o estômago doendo de tanta pimenta. Nair depois foi me explicar que essa vontade de morrer depois de comer pimenta que você tem ao acordar é a chamada “Vingança de Montezuma” contra os estrangeiros! Tá certo que eu não sou espanhol nem nada, mas Montezuma quis se vingar de mim do mesmo jeito…
Casa de Santiago
Essa foto eu bati do lado de fora da casa de Santiago, dentro do condomínio. Mostrava crianças brincando de forma bem inocente e produtiva. Faltou só colocar fogo na menina amarrada…

Enfim, os dois couchs foram experiências agradabilíssimas e um dos motivos que ainda que eu tenha todo dinheiro do mundo, eu nunca vou deixar de ficar em couch para ficar em um hotel sozinho. Longa vida ao Couchsurfing!

Também tive que ficar em albergue. No caso esse foi em Playa del Carmen
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