
Vou Guguzar! Agora é um olho e meio no Ibope e meio olho na qualidade! Rebola Malandrinha! Uba uba ê!

Vou Guguzar! Agora é um olho e meio no Ibope e meio olho na qualidade! Rebola Malandrinha! Uba uba ê!
Uma parte boa de ter pego o cruzeiro Encantada foi que, me conhecendo bem, dificilmente eu teria saído atrás de fazer outros tipos de observações que não mergulhado e ido atrás de peixes. Fazendo os passeios em terra firme, eu pude ter um pouco mais de contato com outros animais que não teria só mergulhando.
Passeando em terra firme, pude ver, rapaz, nunca vi tanto leão marinho na minha vida. Se no cais eles pareciam ser muitos, nas praias eles eram pragas!! Leões marinhos para todos os lados! Além deles também vimos bastante gaivotas, iguanas, iguanas marinhas (Galápagos é o único lugar onde existem iguanas marinhas, elas efetivamente nadam e se alimentam dentro d´água) e uma ave especial, espécie de gaivota que tem os pés em um tom de azul simplesmente muito bonito! Outra característica delas é que os machos fazem uma dancinha para atrair as fêmeas onde eles ficam mostrando os seus pés azuis. Gaivota ostentação.
Você não pode sair por aí simplesmente caminhando por qualquer lado em Galápagos, existem trilhas que você pode seguir e sempre é acompanhado por um guia. Vez ou outra em algumas das trilhas acontece de ter um bicho perdido ou até mesmo um ninho. Em uma situação como essas, não tem conversa, a trilha acaba ali.



O bom de ter pego a excursão no “barco pesqueiro” foi que nosso grupo era bem pequeno. Éramos doze turistas. Em doze acabamos ficando bem amigos e podíamos observar melhor a natureza sem tanta gente ao redor. Algumas vezes observamos a galera dos barcos maiores descendo e era aquela cena de excursão da CVC, um bando de tia gorda, americanos com suas barrigas imensas e menino correndo e gritando, o que acabava por espantar os animais.
A primeira coisa que mais te impressiona em Galápagos é como os animais parecem não ter medo de você. Existe uma regra em que você não pode se aproximar mais do que um metro de cada animal, regra que é exaustivamente repetida e, se for necessário, gritada pelo guia. Essa regra existe porque os animais estão tão acostumados com a presença humana que se você rolar por cima de um leão marinho, acho que é possível ele não fazer nada. As tartarugas, você nada por cima delas e elas não se assustam, se não fosse tão ruim para ela, daria até para segurar no casco e pegar uma carona. E assim são os peixes, as aves e tudo o mais.



O mais engraçado dos leões-marinhos é como eles se comportam quando a gente tá fazendo snorkel. Primeiro que eles são tão grandes que você quando os olha de relance, imagina que seja alguém fazendo snorkel. Segundo que eles são meio territorialistas. Às vezes você está ali, nadando na boa e eles vem nadando em sua direção como quem diz “qual é”. Cara, pode parecer besteira, mas dá um medo danado, porque eles tem dentes afiados e, bem, na água eles são bem mais fortes e rápidos que você. Teve uma vez que um deles chegou tão perto de mim que consegui olhar dentro da pupila dele. Não deixa de ser uma experiência legal, mas mente quem diz que não sente medo, pois eles são bem grandes.
O snorkelling foi algo realmente incrível, de longe o melhor que eu já tenha feito na vida. Consegui ver tubarões, arraias e até, veja você, pinguins. Sim, porque Galápagos tem a particularidade de ter pinguins tropicais, que em algum momento em suas longas viagens, pensaram, “Porque diabos eu vou ficar viajando até o outro lado do mundo e voltar para o frio se aqui eu posso ficar no sol o ano inteiro, comendo peixes adoidado e, ainda por cima, sem predadores?”. Teve um snorkelling que fizemos que quando pulamos na água eu realmente fiquei com medo de quicar dado o tanto de peixes que tinham abaixo. O mais legal é que teve uma hora que eu tava dando um mergulho, tava a uns oito metros de profundidade nadando entre os peixes e só escutei um barulho “Buuuummmm”, mas parecia uma bomba. Foi peixe para todo lado. Quando fui ver, era ave marinha que tinha mergulhado e subia com um peixe no bico. MMUIITOO IRADO! Além da vez que eu vi um pinguim nadando, tentei sair nadando atrás dele e comecei a escutar uma gritaria. Quando vi era a galera da areia me xingando porque eu tava espantando o pinguim. Cara, como eles nadam rápido…


A única parte ruim foi que agora eu fiquei com mais vontade ainda de voltar aqui para mergulhar. Vou acabar ter que dando meu jeito para poder conseguir a grana. Alguém aí querendo alugar um maranhense por um mês?

Cheguei, negociei com o garçom se ele trocava um dos dois pedaços de carne por uma porção de arroz e ele, meio que sem entender, aceitou. Juro que meu prato ficou que nem o da foto abaixo.
A noite eu tava tão baqueado de não ter tido uma cama para dormir nas últimas 30 horas que tudo o que consegui fazer quando cheguei ao albergue foi desmaiar na cama. No outro dia tinha que chegar com duas horas de antecedência para pegar o voo, já que antes de voar para Galápagos você paga várias taxas diferentes e tem a sua bagagem inspecionada, o que leva algum tempo. Depois disso, só alegria!

A semente para minha viagem a Galápagos foi plantanda durante a minha viagem a Los Roques.Lá mergulhei com um cara que havia sido mergulhador durante alguns bons anos em Galápagos e fiquei fascinado com as suas histórias de jamantas de sete metros, cardumes de tubarões martelos e tubarões-baleias e outros seres fantásticos. Pensei que o meu próximo ponto de mergulho iam ser nessas ilhas.
Comprei a passagem aérea com algumas milhas que haviam me restado, como já expliquei, e comecei a procurar como fazer a minha viagem a esse Eldorado do mergulho. Primeira coisa que descobri era que essas ilhas boas para mergulho eram bem afastadas das principais ilhas de Galápagos. Logo, se quisesse me deparar com os relatos do mergulhador, deveria ter que pagar um cruzeiro que iria navegar pela noite para chegar lá. Era impossível fazer uma viagem ida e volta das ilhas principais no mesmo dia, o pacote mais curto era de oito dias. Ironia da vida, eu havia comprado uma passagem para passar sete dias em Galápagos. Não sei se no final fiquei triste ou não com isso, haja vista que o cruzeiro mais barato custava a bagatela de 4.000, reais?, não, DÓLARES!!! Tá certo que não é uma grana impossível de juntar, mas com certeza iam me custar algumas outras viagens. Mas, como todos diziam, era uma viagem para uma vez na vida.


O problema era que todos os outros cruzeiros já começavam na casa dos 2500 dólares. Isso sem mergulho de cilindro nem nada, cinco dias e só os passeios e a comida no navio. No final, acabei seguindo o conselho de um amigo de uma amiga que me sugeriu um cruzeiro em um barco com um nome sugestivo “Encantada”. O negócio devia ser encantado mesmo, porque enquanto todo mundo cobrava acima de 2500 dólares para cinco dias, o barco cobrava 1500 dólares para seis dias. Só a metade do preço. Fiquei um pouco preocupado com isso, mas é difícil possuir bom senso e pensar racionalmente quando se há 1000 dólares em jogo. Ainda que servissem pedra nas refeições, valeria a pena era bom que eu emagrecia…
Fomos ser pegos no aeroporto pelo guia do barco. No caminho fui conhecendo o pessoal que ia viajar comigo. Todo mundo gringo e, tirando a tripulação, eu era o único latino do barco. Já no porto, quando íamos pegar o bote para poder ir ao barco, já começamos a ter uma noção do que era Galápagos. Havia leões marinhos por todos os cantos, mas assim, todos os cantos mesmo. Na escada que dava acesso aos botes tinham dois dormindo, o que nos obrigava a desviar.



A galera toda, lógico, curtindo e batendo fotos dos leões e todo mundo curioso para saber qual seria o nosso barco. A gente foi passando pelos barcos e só observando. No caminho alguém foi lá, apontou e disse: – Nossa, ia ser engraçado se nosso barco fosse esse. Enquanto todos os outros barcos eram gigantescos, pareciam iates mesmo, novinhos em folha, o que ela apontou parecia um barco pesqueiro velho em direção ao ferro velho. Rapaz, mas foi a menina terminar a frase pro bote virar pro lado e a tripulação vir nos dar as boas-vindas no barco que ela tinha dito que ia pro ferro velho. Mas, cara, sério, parecia cena de desenho animado.
Mil dólares mais barato, mil dólares mais barato… – era o mantra que eu repetia em minha cabeça ao subir no barco enquanto eu pensava porque eu sempre na minha vida tenho que ser tão mão-de-vaca!


UMA SEMANA BRINCANDO DE CRISTOVÃO COLOMBO


A única parte que eu achei ruim mesmo foi só o fato de ficar seis dias embarcado, cara, é ruim demais. Ficar uma semana embarcado em um transatlântico, é de boa, você sente como se tivesse em casa, mas o barquinho da gente era muito pequenino e balançava demais! Não tive enjoos, mas a noite, quando o barco efetivamente viajava entre as ilhas e entrava em mar aberto, rapaz, o que era aquilo!!! Sério, a primeira noite você acha que vai morrer e só falta pedir uma corda para amarrar você em sua cama! Sem brincadeira, parecia uma montanha-russa de forma que nem do lado de fora do barco a tripulação gostava que a gente ficasse, pois eles ficavam com medo de, em um momento de desatenção, alguém fosse jogado para fora do barco. TENSO!! Além disso, como disse, o barco era bem pequenino, os quarto eram minúsculos e o banheiro, sem brincadeira, devia ter uns dois metros quadrados. Chega uma hora que você meio que enche o saco de ficar apertado o dia inteiro. Se bem que, quando desembarcávamos, tudo isso era esquecido.
Quando cheguei no aeroporto, descobri que teria acesso a duas salas VIPs, uma por causa do meu cartão de crédito e outra por causa da passagem. Para nenhuma das duas salas se sentirem desprestigiadas, tomei um banho na sala VIP da Gol e resolvi ficar na sala VIP da Avianca, já que a outra tinha tanta gente que parecia uma farofada e eu, bem, eu nasci para ser croissant, não rosquinha Mabel. E ainda por cima viajaria de Classe Executiva. Cof cof cof
Quando foi umas quatro da manhã, acordei e fui despachar a minha bagagem. Qual não é a minha surpresa quando descubro que, como já havia passado pela imigração, teria que cancelar a minha imigração para poder sair e despachar a bagagem. De boa, como eu faço isso? – É só ir falar com o Policial Federal que está de plantão. Huá huá huá – dizia a terceirizada com risos maquiavélicos enquanto entrelaçava os dedos da mão. Cara, na boa, eu tenho certeza que ele tava dormindo e isso me deixava com mais medo. O cara ia acordar só por causa de um maranhense corno que queria despachar uma bagagem. Achei que ele já ia sair de lá me xingando, mas ele foi super gente boa!
Despachei a bagagem e quando fui para sala de embarque, olhei aquela raça de pobres, de todos os credos, cores e tamanhos se amontoando na fila da terceira classe, enquanto eu tinha um tapete vermelho para mim, afinal, eu era classe executiva. Cof cof cof.Quando entrei, imaginei o que seria essa dita “Classe executiva, cof cof cof”. Ela era… era… era… nada mais que um banco um pouco mais largo e mais espaço para pernas. Nada demais.Achei que haveria algo de outro mundo, algo como um show privado do Cirque du Soleil ou uma banheira do Gugu com a Luíza Ambiel só para mim, mas que nada. Basicamente você paga, em promoção, o valor de duas passagens para uma e no final não tem nada demais, até a comida não tinha nada de especial.
Não sei vocês, mas eu, como sou pequeno, meio que sambo no banco da classe econômica e viajo de boa, nunca que eu pago novamente para poder viajar de Executiva. Isso é coisa de gente fresca que precisa pegar uma daquelas viagens de ônibus São luís – Brasília ou São Luís – São Paulo para saber o que é reclamar da vida. Para mim só valeu a pena mesmo ver a cara de desgosto do pessoal engravatado quando eu entrei todo mulambo, de chinela, para pegar o meu assento. Devem ter pensando “Maldito governo que dá dinheiro para pobre. Esse aí com certeza juntou o Bolsa Família de cinco anos para poder comprar essa passagem…”















(No museu não era permitido tirar fotos, portanto todas as imagens que aqui estão eu tirei na internet, fora, claro, as fotos que nada tem a ver com tortura)
Entre os vários museus que havia na Cidade do México, um me chamou a atenção em particular e resolvi dar uma passada lá antes de pegar o meu voo, o Museu da Tortura. Foi muito interessante ver até que ponto a criatividade humana poderia ir para infligir dor e sofrimento nas pessoas.
O Museu iniciava citando como era o“julgamento” da Inquisição, que era, por si só, parte do show. A pessoa chegava ao julgamento já considerada culpada, a única função do inquisitor era extrair informações que corroborassem a acusação. Podia extrair confissões a base de tortura ou de falsas promessas de concessão de graças ou perdão.
O que me impressionou foi que várias daquelas torturas não infligiam dor alguma, eram apenas adereços que eram colocados nas pessoas para humilhá-las perante toda a comunidade. Se hoje uma menina de interior fica “falada” se sai pegando muita gente, imagina isso quinhentos anos atrás. Um dos adereços era uma trança de palha que era colocada nas cabeças raspadas de meninas solteiras que ficavam grávidas. Elas eram obrigadas a vesti-las e ficarem sentadas na frente das igrejas aos domingos, momento de maior movimento possível no povoado.
Segundo o Museu, houve uma mudança na concepção de como infligir a tortura. Antes a tortura era dolorosa e bem explícita. Ocorria em praças públicas ou obrigava pessoas a usarem estacas, objetos pontiagudos e afiados ao redor de suas cabeças durante dias, infligindo, assim, medo e terror e servindo como um exemplo para que todos vissem. Basta lembrar que Jesus teve que usar uma coroa feita de espinhos e carregar a sua cruz enquanto era chicoteado. Hoje o conceito de tortura é algo mais implícito, com uma grande preocupação em não deixar marcas. Pode até ficar uma marca ou outra, mas nada que se compare a Idade Média onde a intenção era justamente essa. Isso deve-se a um amadurecimento da sociedade humana, que hoje condena a tortura e portanto não é interesse de nenhum regime ser associado a isso. Por mais assassino que um ditador possa ser, ele nunca irá admitir que em seu regime a tortura seja política de estado, mas sim obra de alguns poucos psicopatas. Os militares brasileiros, por exemplo, não reconhecem que houve tortura durante o seu regime, por mais impressionante que isso possa ser, apenas dizemque isso ocorria em uma outra delegacia, tal qual os dias atuais.
Outro instrumento que muitos julgam como de tortura e, segundo o museu, não era, é o cinto de castidade. Segundos o museu, esta história de que os maridos colocavam cintos de castidade nas mulheres quando iam viajar por longos períodos não passa de balela. Um cinto desses usado por meses, sem retirar para limpá-lo ou algo assim, facilmente levaria a infecção e morte da mulher. Na verdade, o cinto era utilizado como uma forma de proteção das mulheres contra o estupro. Geralmente elas vestiam voluntariamente quando viajavam sozinhas, quando seus maridos viajavam e elas ficavam em casa sem nenhum homem ou quando havia aquartelamento de soldados em seu povoado. O fato de ser voluntário, de forma alguma retira o caráter da violência contra a mulher, na verdade o enfatiza, dado que as mulheres se violentavam a si mesmas, se autotorturavam, para não serem estupradas. Segundo o museu, o uso do cinto chegou até próximo dos dias atuais, pois há relatos de senhoras sicilianas e espanholas ainda vivas hoje que chegaram a utilizá-lo.
Outras torturas me chamaram a atenção pelo caráter demorado que levavam a morte, como ferver os pés da vítima, serrá-la de ponta cabeça (de forma que a oxigenação continuasse irrigando a cabeça durante um bom tempo) ou simplesmente colocar a vítima em uma jaula deixando-a morrer de fome e apodrecer no meio da praça da cidade. Isso tudo pode parecer algo meio cruel, mas não consigo imaginar um cara como o Bolsonaro condenando atitudes como essas.







Mas para mim o mais legal do museu, mesmo, foi que você fica lá, lendo sobre sangue, sofrimento, tortura, destino dos infelizes e atrás fica tocando um canto gregoriano na maior calma do mundo, parecendo até que você tá dentro de uma igreja. Vontade maior de associar tortura a uma instituição, é impossível.
Por último, o museu também falava de alguém que é meio esquecido quando se fala em tortura: o carrasco ou o torturador, que na Idade Média eram quase a mesma coisa. Tal profissão logicamente era muito mal-vista e muitas vezes desempenhada por etnias “inferiores” (como os ciganos na Turquia) ou era algo como um trabalho passado de pai para filho. Achei interessante o relato de que quando um desses carrascos foi questionado por Napoleão III se ele não se sentia mal em desempenhar tão desprezível profissão ele respondeu que apenas executava as leis que os governantes elaboraram. Então, os políticos, sim, eram os principais carrascos.
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Há duas coisas que eu tenho certeza que vem a cabeça de qualquer pessoa quando se pensa em México. Uma são os povos pré-colombianos (astecas, maias, olmecas…) e outro é o Chaves.
É impossível não associar ao México a imagem de Chaves ou Chapolin.


Na verdade, os mexicanos que pude conversar, ficaram surpresos em saber que até hoje Chaves passa no Brasil em horários bons, como sete da noite ou cinco da tarde e batendo programas com investimentos muito maiores. Se pudesse traçar um parâmetro, poderia dizer que Chaves no México é como nossas novelas no Brasil. Apesar de fazer um sucesso GIGANTE fora, no país de origem é algo visto como brega ou até mesmo vulgar. Você pode até gostar, mas não é algo que vais sair falando orgulhoso para os seus amigos, por exemplo.
Quando disse então que queria ir a Acapulco por causa do Chaves, aí que eles não entenderam mesmo. Na verdade fiquei até um pouco chateado com a situação, pois achava que todo mundo ia ficar empolgado que nem eu quando falava de Chaves. Mas enfim, bola para frente. Se Acapulco se revelara inviável por causa do tempo gasto, o túmulo do Seu Madruga, eu faria de tudo para ir.

Pesquisando na internet vi que Ramón Baldez estava enterrado em um lugar chamado “Mausoleu del Angels” e eu iria fazer DE TUDO para poder ir lá visitá-lo. Depois que eu fui ver que o lugar era quase que do outro lado da cidade, mas eu ia nem que fosse em outro estado.

Peguei um metrô até a última estação, desci dentro de uma universidade pública e de lá estava disposto a encarar uma caminhada de meia hora até o cemitério. Depois de caminhar uns dez minutos, fui descobrir que estava indo no caminho contrario. Nossa, aí veio aquela sensação de descarregar um caminhão de tijolo no lugar errado. Me lembrou a pedalada de Cuba (Pedalada Cuba). Como já eram rodados cinco da tarde, eu fiquei com medo do lugar fechar e resolvi pegar um táxi que me custou incríveis 5 reais para me levar até a porta do cemitério. Sim, meia hora da minha vida estava valendo 5 reais. Desci cinco e meia e descobri que o lugar fechava as seis.
De resto, é só conferir a postagem emocionada que deixei no meu facebook no dia em que visitei o Mausoléu:

“Hoje foi um dia extremamente feliz.
É difícil não pecar pelo clichê, pieguice ou sentimentalismo barato de facebook, mas é impossível descrever a emoção. Hoje voltei a ser a criança no Maranhão assistindo aos mesmos episódios e rindo das mesmas piadas de sempre, mas que sempre pareciam tão engraçadas.
Chaves é aquela felicidade simples, inocente, sem estereótipos baratos ou piadas apelativas. É aquela terça a tarde que você acabou de chegar do Colégio e descobriu que ainda tem um resto de Guaraná Jesus na geladeira, aquela nota de dois reais achada no bolso da bermuda quando vc é criança e que dá para comprar tanta coisa, aquela peça de lego que vc acha debaixo da cama e pensava que tinha perdido…
Um programa barato, simples, com quase nenhum cenário, pouquíssimos atores, mas que faz ainda tanto sucesso mesmo competindo com enlatados americanos, que sempre se repetem com seu sarcasmo sem graça e sua propaganda excessiva.
Como Don Ramón pode ter morrido em 1988, quando eu tinha quatro anos, e ainda assim me parecer alguém tão próximo…
Quem se importa se tive que pegar uma hora de metrô lotado, me perder no caminho, pegar um táxi e depois sofrer a mesma saga na volta apenas para uma foto? Hoje pude me sentir pertinho do senhor de calças surradas que, apesar de todas as intempéries, sempre arrumava uma forma de cuidar do menino que praticamente morava dentro de um barril. Hoje pude chorar baixinho, sem me envergonhar, do lado do túmulo, ao me sentir tão perto de quem tanto me marcou e nesses trinta anos me fez rir tantas vezes. Hoje estive tão longe de casa, mas tão perto do mito.
Viva Seu Madruga! Viva Dona Clotilde! Viva Chespirito! Que Chaves passe por mais vinte, trinta anos na TV! Que eu possa rir junto com meus filhos e netos!
Que maias, astecas ou Cancun! Passeio no México mesmo é visitar os túmulos de Seu Madruga e Dona Clotilde, tão pertinhos um do outro no Mausóleu del Angels.
Viva a cultura latina!
P.s: Engraçado ver as bandeirinhas do Brasil e as homenagens que outros brasileiros deixaram nos túmulos. Engraçado como Chaves faz sucesso no Brasil. Juro que da próxima vez colo um adesivo do SBT…”
Rapaz, que parada impressionante! Mas, assim, é só você enfiar a cara dentro da arena que você sente a paulada e vê que isso não tem nada de turístico. Você entra, parece arena de futebol! É galera gritando, apertando buzina, torcendo, aquele barulho infernal! Existem os lutadores do bem, que se vestem com cores claras e os atores do mal, geralmente de preto. Cara, é MUITO legal! Eles literalmente voam, são arremessados uns pelos outros, às vezes para fora do ringue, dão piruetas nesses arremessos e vez ou outra caem no meio da plateia. Teve um cara que estava sentado na primeira fila que o óculos dele até voou na hora que um lutador caiu voando em cima dele! Não é permitido ficar de pé, mas tem umas horas que os caras arremessam algum lutador que é impossível a galera não levantar e gritar. Assim, é bobo, é teatral, mas bicho, é muito legal! Nossa, no começo você fica até com vergonha, mas depois eu já tava no clima, a galera te contagia e você acaba saindo literalmente rouco de tanto gritar!









Depois, lendo mais um pouco, vi que essa Lucha Livre existe há DÉCADAS! Quando você vê uma banquinha de máscaras, várias delas, fica procurando uma e procurando a mais bonita. Chega o vendedor e vai falando o nome de qual lutador usa cada diferente estilo e cor de máscara. Essa máscara é a do o Diamante Azul, essa do Último Guerreiro, essa do Terror Asteca!!!
Cara, se for a Cidade do México, VÁ! Lucha Livre e ao Túmulo do Seu Madruga, foram, de longe as coisas que eu mais gostei de ir ao México!


Nos outros dias saímos juntos para comer e sempre era um lugar da hora, uma comida da hora, uma experiência super interessante e uma briga para eles deixarem eu pagar a conta.E puxa tequila daqui, puxa tequila dali, começou um verdadeiro buffet de tequila. Só que, como você já deve imaginar, tequila não é como cerveja que você vai bebendo de boa. Depois de uma meia hora, já tava eu lá, mais louco que o Batman. Me lembrou até os apuros que passei com mexicanos e tequila em Santa Bárbara anos atrás.


Enfim, os dois couchs foram experiências agradabilíssimas e um dos motivos que ainda que eu tenha todo dinheiro do mundo, eu nunca vou deixar de ficar em couch para ficar em um hotel sozinho. Longa vida ao Couchsurfing!
