Uptade da Guiana Inglesa…

Apesar de estar escrevendo ainda sobre o Suriname, estou na Guiana nesse exato momento.
E venho aqui fazer um post rapidinho só descrevendo como foi minha chegada aqui.
Se o Suriname foi tudo o que eu não imaginava que seria, a Guiana sim foi tudo o que eu esperava. Na verdade até pior! Cara, aqui tudo é caótico, sujo e bagunçado. Sério, a diferença da Guiana para o Suriname é gritante! Antes a experiência de maior bagunça que já tinha visto na América do Sul tinha sido Ciudad del Este, no Paraguai, mas Georgetown é bem pior! É esgoto a céu aberto correndo pela cidade inteira, mendigos para todo lado, buzina de carro a todo momento… Até para tirar a câmera da mochila e bater foto eu fico com receio!
Na foto abaixo, uma imagem de uma rua cheio de comércios brasileiros. Aqui é engraçado como parece que dá para você se virar só falando português!
Tou pressentindo que amanhã teremos várias presepadas a caminho!
P.s: O blog teve o dobro de visitas da semana passada para cá. O mais engraçado foi depois descobrir porque. Com a execução do Brasileiro na Indonésia, as buscas por “Indonésia” e “Bali” bombaram na internet, refletindo no número de acessos do blog.
P.s 2: Estou mudando tanto de país e de fuso horário que hoje tive que recorrer ao Google para saber o horário na Guiana =)
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Suriname – A metrópole e a gloriosa

Outra cidade que eles me perguntavam bastante era Fortaleza. Se Belém é o porto de entrada, Fortaleza parece ser a metrópole! A cidade brasileira que o surinameses mais visitam a negócios. Entrei em algumas lojas em que havia escrito no topo “produtos brasileiros” na esperança de encontrar algum brasileiro, saber como era a vida no Suriname, porém não encontrei. Para não perder viagem perguntava aos vendedores (que eram surinameses) onde eles compravam aquelas peças de vestuários e todos eram unânimes em me falar: Fortaleza. Todos eles pegavam o sagrado voo de Belém e de lá para Fortaleza para comprar suas peças e vender no Suriname. E quem diria que o Norte do Brasil também faz comércio internacional! Perguntava como eles se viraram para poder comprar em Fortaleza, já que no Brasil ninguém fala inglês, como eles mesmo me disseram, e me falavam que só sabiam falar os números e “mais barato, mais barato!”. Uma das vendedoras que eu conversei sobre isso até me impressionou com o inglês que ela falava. Era um inglês suave, elegante. Isso porque ela trabalhava em uma lojinha chinesa que ninguém daria nada a ela.
Nem tudo que a gente exporta para o Suriname é algo de qualidade. Pelo menos não é Kaiser…
Loja de produtos brasileiros

Porém, no Suriname, o que me deixou mais feliz em relação a cidades foi São Luís. Lá foi o único país estrangeiro que já viajei em que o seguinte diálogo não ocorria:
“- De onde você é?
– Brasil!
– Que legal! Do Rio? De São Paulo?
– Não, de São Luís
… (cara de curiosidade)
– É uma cidade no Norte do Brasil – eu já respondo antes que me perguntem onde diabos fica São Luís.”
No Suriname não! Quando eu falava que era de São Luís as pessoas na hora emendavam um “Ah, que legal, São Luís! É perto de Belém, né?”. Caraca, que felicidade! Alguns inclusive já tinham até ido lá a caminho de Fortaleza. Teve até uma vez que eu falei que era de São Luís, mas morava em Brasília. A pessoa entendeu que eu era de São Luís, porém não entendeu porque eu falei que era de lá e morava no Brasil. Daí tive que repetir que eu tinha dito que era de São Luís e morava em BrasÍLIA. Depois que fui explicar que o Brasil tinha uma capital que se chamava Brasília (antes que alguém achasse que a capital era Belém).
É cumpade! No Suriname eles conhecem São Luís, mas não conhecem Brasília! Chupa Centro-Oeste!


No Suriname, assim como na Índia, parece ser uma tradição querer transformar o seu ônibus em uma obra de arte
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Eu sou brasileiro. De Belém? – a pergunta que escutava toda vez no Suriname

Primeira foto, no aeroporto, ao chegar de Belém

Sempre que viajo fora do eixo Europa – Estados Unidos, quando falo que sou do Brasil, a primeira coisa que as pessoas perguntam é: – “De onde? Do Rio de Janeiro?”. Quando muito as pessoas perguntam de São Paulo. Acaba que as únicas cidades que parecem conhecer do Brasil são Rio, São Paulo e, raramente, Brasília.

Redondezas onde fiquei hospedado
O pessoal do Suriname parece viver bem. Foto tirada em casa vizinha ao lugar que fiquei

No Suriname aconteceu algo engraçado! Foi o primeiro país que quando falava que era brasileiro as pessoas perguntavam: – “De Belém?”. Para o Suriname o Brasil começa em Belém! O Pará é o estado que faz fronteira com o Suriname e é onde há voo direto pra lá. Conversando com um motorista de táxi, em inglês sempre bom lembrar, ele me explicou que eu não vi muitos brasileiros porque não fui ao bairro onde eles se concentram:

– Quando você vai lá, parece uma “Little Belém” (uma pequena Belém) – ele me disse.
Esse aqui é um strip club que, segundo um motorista de táxi, era de um brasileiro e se chamava “Bigode”. Passei em frente e fiquei impressionado com a estrutura do lugar. Cara, diz aí! Essa mansão toda para um strip club? Quando passei na frente fui lá e bati uma foto. Rapaz, quando menos me espanto vem um cara correndo e gritando! Era um dos seguranças de lá que só se aquietou quando eu apaguei a foto. Acabou que na volta eu bati essa foto com uma câmera melhor que não dava para ele me ver! Qual é, rapaz, nunca perco uma foto!
Na praça principal de Paramaribo. Aos domingos rola uma capoeira aqui. Até tentei vir para jogar com a galera, mas infelizmente não consegui chegar a tempo =(
Palácio Presidencial

Belém acaba também sendo a porta de entrada dos surinameses para a América do Sul, pois, como eles mesmo me falaram, de Belém você pode pegar um voo para qualquer lugar do Brasil. De Belém para São Paulo ou Rio de Janeiro, podem ir para qualquer lugar da América do Sul. É engraçado pensar que, para nosso amigo médico do post passado, o Suriname era a sua porta de saída da América do Sul e a para os surinameses Belém era a sua porta de entrada. Quem da gente que mora na parte Sul do Brasil iria imaginar que Belém seria um hub tão importante!
Cara, isso é arte! Acredita que no Suriname passa o desenho do Chaves? E em espanhol! Caraca, quando vi que ia passar, fiquei que nem um abestado assistindo e dando risada com os filhos do meu host!
Tirei essa foto no que deveria ser um dos principais fortes de Paramaribo, construído à beira do rio, bem na porta de entrada da cidade. Serviu para proteger Paramaribo de invasores. Hoje parece mais um parque e quando fui hospedava uma galeria de gosto tão duvidoso que se você comprasse algumas peças ganhava até um banner, como na foto aí abaixo!
Essa também eu não esperava. Encontrei um busto do Simon Bolivar no meio do centro de Paramaribo. Apesar de alguns demagogos tentarem se apropriar de sua glória, manchando a sua imagem, Bolivar é um grande herói da América Latina, tendo libertado vários países da Espanha. Só achei estranho encontrar ele em um país de colonização holandesa como o Suriname. Para mim, seria mais ou menos como termos uma estátua de herói holandês no meio de uma praça de Brasília.

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Primeiras impressões do Suriname

O que posso falar do Suriname nesses primeiros dias é que o país realmente me surpreendeu. Imaginava que ia chegar aqui e encontrar um cenário de pobreza em uma cidade desorganizada, como uma viagem na Bolívia, e realmente me surpreendeu como o pessoal parece viver bem por aqui, ainda que só tenha viajado em Paramaribo. Começa pelas casas. As casas aqui são muito legais e até agora não vi favelas ou coisas do tipo. No máximo você vê uma casa caindo aos pedaços, mas nunca casa de papelão ou feita de material reciclado como uma favela. Além disso, as casas aqui não tem muros e a maioria não tem nada demarcando o terreno, que nem as casas nos Estados Unidos, o que me leva a crer que violência urbana não é um problema como no Brasil.

Estou hospedado na casa de um surinamês descendente de indianos. Quatro gerações atrás, seus tataravós mudaram da Índia para o Suriname. Ele é hindu, fala Hindi, o dialeto da região dos seus antepassados, além de inglês, holandês, língua criola do Suriname, espanhol e um pouco de português. Tem dois filhos.

E não é que eles falam inglês?

Aparentemente todo mundo fala inglês em Paramaribo. Mas não é aquele inglês “my name is” não, é um inglês bom mesmo, muita vezes melhor do que o meu. Segundo o couchsurfer que está me hospedando isso ocorre porque o Suriname é um país pequeno e orientado aos Estados Unidos, com todos os seus canais em inglês, portanto as pessoas aprendem inglês meio que no automático. Isso seria simples, se no Brasil também não víssemos só filmes em inglês e ainda assim quase ninguém fala um palavra. Na verdade é até engraçado observar que os filhos do meu host ficam assistindo os desenhos como Tom e Jerry em inglês sem legendas. Acho que essa parada da TV ser em inglês deve fazer algum sentido mesmo. A língua oficial aqui é o holandês que, segundo o meu host, é o mesmo holandês que se fala na Holanda, eles conseguem se entender muito bem.

O couchsurfer que está me hospedando tem uma loja de material de construção e me disse que em Paramaribo é até difícil conseguir alguém para trabalhar para você, pois parece que todo mundo aqui está empregado. Ele mesmo desistiu de contratar alguém para trabalhar na loja e toca tudo sozinho.

Conheci um médico brasileiro que mora no Oiapoque (aí é guerreiro!) e ele me disse que sempre vem ao Suriname porque é mais fácil vir aqui do que viajar para qualquer lugar do Brasil. Diz que só do Oiapoque até Macapá são entre oito a quinze horas de carro dependendo de como estão as estradas, já que na época chuvosa vira um inferno trafegar por elas. Diz que por terra ele cruza a Guiana Francesa, em oito horas está em Paramaribo e daqui ele pode pegar um voo para os Estados Unidos. Engraçado pensar que alguém no Brasil depende do Suriname para poder fazer viagens internacionais, por essa eu não esperava!

País multiétnico

Outra coisa que me deixou impressionado é que quase todos aqui são negros, asiáticos ou… indianos. Sim, os descendentes de indianos são a maioria da população do país formando quase 35% da população. Como ex-colônia da Holanda, há também vários indonésios (que eles chamam de javaneses). Há também vários chineses e muitos brasileiros que vem aqui notadamente devido ao garimpo ou, segundo me disseram, brasileiras para se prostituir. Holandês aqui quase não tem mais. Diz que eles são 1% da população, mas todos que vi aqui são turistas da Holanda que aproveitam para conhecer a Amazônia por um país em que eles não tem que ficar falando inglês para turistar.

Por enquanto essas são as impressões. Vamos ver como tudo vai se sair até eu ir embora daqui.

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Em Belém, na saga do caminho ao Suriname

Há muito tempo atrás, vi uma dessas análises de internet onde se analisava a América do Sul comparando cada país com um personagem do Chaves. Lembro que comparava-se o Godines ao Suriname, pois, segundo essa comparação, ele aparecia tão pouco na América do Sul que quase ninguém lembrava que ele existia. Confesso que comecei a nutrir uma certa curiosidade por lá então.

Resolvi viajar para lá esse começo de Janeiro e já emendar com Trinidad e Tobago, Granada, Barbados e Guiana, já que é tudo um do lado do outro. Comprei minha passagem para Belém, de Belém para Paramaribo, de Paramaribo para Trindad e Tobago…
Meu plano era chegar em Belém por volta das duas e ficar na sala VIP do aeroporto que tem algumas poltronas reclináveis e lugar para tomar banho. As cinco da manhã meu voo saía para o Suriname. Só alegria, tudo certo para o plano.
Até aparecer o porém…
Estadia forçada em Belém
Confesso que fiquei impressionado quando fiz as contas e vi que fazia quase 20 anos que eu não vinha a Belém, apesar de ser uma capital tão próxima de São Luís.
Cheguei em Belém e quando estava indo para a sala VIP do aeroporto pensei: “pombas, essa mochila está muito pesada, talvez fosse uma boa eu ver se conseguiria despachar a minha mochila logo”. Fui ao guichê da Surinam Airways perguntar com quanto tempo de antecedência eu poderia despachar a minha mochila e tenho a minha grata surpresa. Quando chego no guichê, me é avisado que houve um problema no aeroporto de Caiena (onde eu iria fazer uma escala) e devido a isso nosso voo ia atrasar pelo menos cinco horas. Como eu soube? Eles me ligaram? Apesar de terem todos os meus dados, telefone, e-mail etc, não ligaram. Se tivesse seguido direto para Sala VIP só quando fosse despachar minha mala as duas da manhã que eu ia saber que meu voo partiria por volta das dez do outro dia.
Tentei ver se recebia alguma compensação por esse breve atraso de cinco horas, um hotel, um táxi para o hotel, um abraço de boa sorte, alguma coisa, porém foi tudo em vão. Tive que dar o meu jeito e arrumar um lugar para dormir em Belém.
Couchsurfers locais de Belém me passaram um bizú do Hotel Amazônico onde eu poderia me hospedar em um quarto privativo, com ar-condicionado, a 50 reais. Sei lá, parecia barato demais, mas como o Ibis próximo era quatro vezes o preço, resolvi arriscar acordar em uma banheira de gelo sem os rins.
Dos limões, saindo a limonada
Peguei o ônibus e fui em direção a este albergue/hotel que me passaram o bizú e o cobrador foi até gente boa me mostrando onde eu iria descer. Desci e fiquei esperando encontrar um lugar mais ou menos como o quarto assombrado de Fiji. Quando cheguei, pô, o quartinho até que era legal, valia demais o preço que eu havia pagado por ele. Ainda por cima era no centro de Belém.
Cheguei, joguei minhas coisas no quarto e resolvi procurar algum lugar para poder alguma coisa, pois já eram rodados quatro da tarde e tudo que eu tinha no bucho era o café da manhã.
Saí andando e a menina do albergue me indicou um restaurante aqui perto. Cheguei, a comida tava um pouco mofada e resolvi continuar andando.
Lááááááá ao longe vi que tinha uma feira, então resolvi descer para lá porque feira é lugar sempre onde tem comida. Ao chegar e ver os gringos me toquei que estava chegando meio que sem querer no famoso Mercado Ver-o-Peso de Belém. Imaginei que seria aquela coisa turística, mas se é turístico, sempre tem comida, ainda que cara.
Rapaz, quando eu cheguei…
Bicho, o Mercado Ver-o-Peso é um mercado mesmo, do jeito que deve ser. Tudo sujo e com aquela mistura de galera. Rapaz, tinham gringos, brasileiros, brancos, negros, machões, viados, mendigos, velhos, crianças, caras de muleta, pedintes, gordos, fidumaéguas, cornos, gordos fidumaéguas e cornos, paidéguas… o que você imaginar. Uma placa pedindo que as pessoas não mijassem no rio e um somzação com aquela bagaceira comendo. Não teve outra, era lá que eu queria ficar. Mas bicho, parecia mais um sonho.
Puxei um banco de plástico, pedi uma cerveja e fiquei tomando na beira do rio com aquela bagaceira comendo solta. Gente, que lugar lindo.
Quando já estava na minha segunda cerveja, lembrei que havia ido ao Mercado procurando algo para comer e perguntei para a tia o que tinha:
 – Olha, aqui de acompanhamento é só farofa e vinagrete, não tem arroz!
– É bom que faço só o Chibé e não gasto espaço do bucho com arroz.
– Pois então tem em um peixe aqui que é 20 reais a posta e 25 reais ele em isca.
– Uai, tia, qual é a diferença dos dois?
– É que um eu te sirvo cortado e outro você tem que cortar! – respondeu com aquela cara de “mais você é idiota?”
– Pois me traga o de 20 que eu mesmo corto aqui!
Fiquei esperando e pensando que, pombas, 20 reais é um prato de comida em Brasília em um lugar levemente arrumado e não em um lugar daquele onde do meu lado tinha uns bêbados mijando na placa que pedia para ninguém mijar no rio. Mas enfim, tava com fome e ainda por cima ia ser peixe com Chibé!
Fiquei lá tomando aquela cerveja naquele calor de lascar e escutando o brega que tava tocando.
Quando a mulher falou que ia me trazer o peixe, rapaz, sem brincadeira, só faltou trazer no carrinho de mão! Bicho, era uma porção de peixe gigantesca! Depois que a tia foi me falar que aquela era uma porção para duas pessoas (!!!). Não tem jeito, comigo comida não estraga e lá fui eu comer o meu peixe! Que peixe bom danado! E por vinte reais!
Quando terminei de comer o peixe, passou uma daquelas bicicletinhas vendendo cd, com o som no talo e tocando Pablo e foi todo mundo tocado pela sofrência!
Rapaz, a quem estiver lendo isso aqui. Quando eu morrer cavem um buraco no meio do Mercado Ver-o-Peso e me enterrem lá dentro! Quero para sempre viver no meio daquela Patuscada!
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Cortesia do Shopping Conjunto Nacional para Ciclistas: Uma Experiência Pessoal

Hoje tive que resolver uns problemas no setor bancário norte e, aproveitando que estava do lado, fui almoçar no Shopping Conjunto Nacional.
Entrei com minha bicicleta no estacionamento do shopping, achei um bicicletário para amarrar a minha bike e quando estava prendendo ela um dos seguranças do shopping veio em minha direção com um tíquete na mão.
Já comecei a ferver de raiva imaginando que eles iriam cometer o cúmulo de cobrar para eu amarrar a minha bicicleta dentro do estacionamento, já fui pensando em não pagar e amarrar a bike no meio da praça de alimentação só de raiva.
Qual não foi a minha surpresa que, Romário (lembro até agora o nome do fiscal, nome de craque), perguntou meu nome, anotou no tíquete, me entregou e falou que aquilo era cortesia do shopping para com os bikeiros. Que depois que eu amarrasse a minha bicicleta com minha corrente, ele iria passar uma segunda corrente por cima e a minha bicicleta só sairia de lá se eu entregasse meu tíquete a ele, que eu guardasse para a minha própria segurança.
Quando fui sair, não deu outra, ele pegou o tíquete, desacorrentou a minha bike, parou os carros e me ajudou sair do estacionamento. Muito legal!
Tíquete da minha bicicleta!
Em uma cidade que cada dia mais parece que baba sangue quando vê alguém de bike na rua, que olha a bike como uma mira para passar com o carro por cima, que não entende que um gordo em cima de uma bike significa um carro a menos no engarrafamento e uma vaga a mais para estacionar o seu carro, que surta de raiva quando vê a gente pedalando a 25 km/h em uma via de 40 km/h, em uma cidade como essa, uma pequeneza dessas de um shopping faz a gente se sentir menos lixo e lembrar que subir em uma bicicleta não me faz menos humano…
Todo mundo acha bonitinho salvar os pandinhas. Porém não só não quer largar o carro de mão como ainda quer ferrar com a vida de quem resolve deixar o carro em casa (ainda que ande bicicleta por preocupação com taxas de colesterol como eu =P)

Ai ai, agora deram para falar do Maranhão

Agora, além de maldizer o Nordeste, acharam por bem falar do Maranhão, já que o meu estado foi onde houve, proporcionalmente, mais votos para Dilma. Parece haver um consenso entre os insatisfeitos de que a votação expressiva do Maranhão deve-se unicamente ao Bolsa-Família e que, egoisticamente, os maranhenses ficaram com medo de deixar de perder seu “privilégio”. Bem, gostaria de deixar o meu testemunho de porque acho que 70% dos maranhenses votaram em Dilma. Não tenho a pretensão de dizer que isso é uma verdade absoluta ou falar em nome de seis milhões e meio de maranhenses, até porque votei no Aécio, mas, como já disse, é apenas um testemunho.
Quebradeiras de coco babaçu mamando nas tetas do governo

Bem, o Maranhão de minha infância foi um estado pobre e que hoje me impressiona o tanto que mudou em um espaço de tempo tão pequeno.
Apesar de nunca ter vivido em miséria ou pobreza, pois, graças a Deus, minha família era de classe média, cresci em um lugar onde a mão de obra era tão barata que as casas de classe média do Maranhão pareciam verdadeiras cortes tamanho o número de empregados. As crianças vinham do interior do Maranhão, fugindo, como diria Patativa do Assaré, “com medo da peste, da fome feroz”. Eram “criadas” pelas donas de casas maranhenses. “Criadas” significava que elas trabalhariam de graça para ter a oportunidade de estudar em uma escola pública, desde que a noite, e caso a Casa Grande, digo, a família fosse condescendente, essa criança receberia algumas roupas usadas como “presente”. Quando virasse adolescente, com muita sorte, receberia, um salário mínimo??, não, meio salário-mínimo, ou, como dizíamos no Maranhão, meio salário, que naquela época era miserável. Era um sistema tão surreal, que havia um sentimento de gratidão entre essas meninas e as donas de casa, pois elas sentiam-se realmente “criadas” e sabiam que se não tivessem vindo do interior para se submeterem a isso, a sua sorte seria bem pior.

Curta de Glauber Rocha, que foi encomendado por José Sarney em sua posse ao governo do Estado do Maranhão em 66. Até vinte anos atrás era tão atual…
Lembro de uma professora minha, em plena aula, dizer que tinha um jardineiro que cobrava só um prato de comida para poder fazer o trabalho. Ela dizia que sabia que era barato, mas é o que ele cobrava. “Ah, mas também era um senhor prato que ele comia” – ela dizia como para se justificar. Acostumei-me a estudar em escolas em que os poucos negros trabalhavam como porteiros ou faxineiras. Não lembro de ter muitos amigos negros no Maranhão (negro quando digo é da cor do Pelé, não moreno quase que nem eu), não por não gostar deles, mas sim porque os negros não faziam parte do nosso círculo social. Os poucos amigos negros que lembro de brincar na rua do meu bairro eram adotados ou “criados”. Isso no segundo maior estado negro do país.
Lembro de, quando criança, ficar aterrorizado em descobrir que alguns dos jardineiros, motoristas, entre outros que prestavam serviços eventuais para nossa casa, não sabiam ler nem escrever e, ironicamente, aprendiam as primeiras palavras das crianças da casa que, naquela inocência, acreditavam que poderiam ajudar. Lembro de perguntar quantos irmãos eles tinham e eles responderem que a mãe teve oito filhos, mas só cinco “renderam”, já que era natural crianças morrerem de desnutrição no Maranhão antes dos cinco anos.
Lembro, quando criança, de conversar com um menino vizinho meu e perguntar do lavador de carros da casa dele, que gostávamos porque nos dava algumas aulas de capoeira (apesar de algumas mães não aprovarem por dizer que aquilo era coisa de preto e vagabundo). Vi que fazia tempo que ele não ia mais lá e resolvi perguntar por que: – Ah, nós juntamos um bando de roupas usadas e demos para ele. Depois ele veio pedir salário, ele era muito folgado – foi a resposta que recebi e que, se hoje acho de uma atrocidade tremenda, naquela época, como criança, achei apenas natural.
Mas não só a classe pobre maranhense era assim. A classe média do Maranhão também era pobre, ainda que frente a grande maioria da cidade fôssemos ricos. Quando criança, ficava maravilhado ouvindo as histórias dos poucos felizardos que haviam tido a graça de visitar São Paulo, como tudo lá parecia coisa de outro mundo, não era “aquele lixo que é São Luís” – como a gente costumava dizer. Naquela época, mesmo um classe média maranhense, deveria ter uma renda per capita cinco vezes menor do que um classe média paulista, isso sou eu chutando.
Poderia escrever trinta, quarenta páginas sobre a minha realidade de criança, mas acho que deixei meu ponto.
Maranhenses que só pensam em si mesmos e votaram na Dilma
Hoje, em São Luís, é preciso muita coragem para se “criar” meninas na sua casa. Com a melhora das instituições e o maior nível de escolaridade, ninguém se sujeita a esse tipo de trabalho escravo e, depois de levar um processo na justiça do trabalho, pode acontecer é de você ir limpar a casa da empregada para pagar a dívida. Depois da Emenda Constitucional das Domésticas “empregada no Maranhão agora só quer ser chique” – como escutei na última vez que fui lá. O interior do Maranhão pode não ter virado uma maravilha, mas pelo menos deixamos de ver pessoas literalmente fugindo de lá para não padecerem de fome ou desnutrição e hoje poderem ir para escola. Educação ruim, é verdade, mas melhor do que quando não tinham nem isso e tinham que aprender a ler com as crianças da Casa Grande.
Hoje o Maranhão pode não ter virado São Paulo, a ilha das maravilhas de todo maranhense da década de 80, mas com certeza a nossa diferença diminui absurdamente. O Nordeste nos 12 anos do governo Lula-Dilma cresceu a uma taxa três vezes maior que a média da taxa de crescimento do Brasil. A título de comparação, em 2011, o Maranhão cresceu a taxas chinesas, 10,3%, enquanto o PIB nacional cresceu 2,7%. Se isso foi por mérito do PT, foi por causa do crescimento da China, foi por causa das reformas do FHC, foi por causa da seleção de Parreira de 1994, por causa do Capitão Planeta, ninguém pode afirmar, mas é natural a tendência das pessoas a ligar os pequenos avanços que conseguiram a quem está no poder. Os nossos avós, a Getúlio Vargas, os maranhenses, a Lula e Dilma e, graças a Deus, não aos Sarneys.
Acredito que não há demérito nenhum em dizer “não conheço esse tema, será se dava para você falar um pouco mais?”. Na verdade, é bem melhor do que sair falando barbaridades sobre estados e pessoas que nem sabe onde fica e nunca visitou, apesar de já ter ido a Paris e a Disney. Afinal, o Estado de uma pessoa não é só aquilo que você teve que decorar na aula de Geografia, o Estado de uma pessoa é de onde ela vem, é onde estão os seus amigos de infância, a sua família, é de onde vêm as pessoas com quem ela se sente mais a vontade e é de onde se ela teve que sair foi porque, como disse o Luiz Gonzaga, teve que pegar “o último pau-de-arara”.
E, assim, meu Estado não elegeu Feliciano, a filha de Garotinho, Eduardo Cunha, Maluf, Tiririca, Russomano, Fraga entre outros grandes políticos sucesso de votos. Tiramos os Sarneys. Talvez não estejamos tão mal assim.
Hein Hein, bando de qualhira! Fica mangando dos outros, arrumando cascaria, depois pega um bogue ou leva uma chuchada e fica todo escangalhado! Aí eu vou ver ficar arriliado. Ninguém aqui é seus pareceiro não!

E sai o meu primeiro livro!

Lembro que um professor da universidade dizia que a gente ficava meio besta quando folheava um livro recém-publicado. Achei que só um idiota falaria algo como aquilo para outras pessoas com o intuito de se amostrar.
Hoje confesso que estou meio besta folheando esse livro recém-publicado e tenho a certeza que aquele professor continua um idiota, só que por outros motivos.
Se alguém me perguntasse que quando embarquei, há quase dez anos atrás, no que seria mais um intercâmbio como qualquer outro, se eu saberia que hoje eu teria impresso meus relatos, lógico que eu não saberia. No começo era para ser um flogão (isso, sou velho mesmo), depois evoluiu para um blog zoeiro e depois para um blog com um pouco mais de seriedade para o que posteriormente seria um livro.
 Talvez esse seja o meu primeiro passo para a Academia Brasileira de Letras (pombas, se até o Sarney e o Merval Pereira conseguiram, porque eu não?), para um prêmio Jabuti ou no final seja só uma resposta para o“E aí, como foi a sua viagem para a Austrália?”.
Confesso que esses dias vinha um pouco desempolgado com a publicação desse livro “Será se vai ser legal?”, “Será se alguém vai querer ler?” “Será se só meus amigos mais próximos vão fingir que gostaram?” – acho que são as perguntas que todo mundo se faz com um livro. Eu lia as histórias e as achava de péssimo gosto e sem graça. Comecei a me questionar se até mesmo valia a pena pagar esse mico. “Poxa, as história de volta ao mundo estão muito mais interessantes! Tem descrição dos lugares, da sociedade, da cultura, da política, da religião… Esses relatos da Austrália não tem nada disso, é só um bando de história boba com um humor adolescente. Será se vale a pena mesmo a impressão?” – era o que eu me questionava antes de imprimir. Estou tão inseguro que só imprimi vinte volumes.
Até que um dia desses qualquer, um amigo veio falar comigo no bar ´caraca, Maranhão, aquelas tuas histórias da Austrália são muito engraçadas! Que pena que depois você parou de ficar postando presepadas e deu para ficar descrevendo “Ah, a sociedade indiana é desse jeito” “Ah, a economia do Camboja funciona assim” achando que seu blog era Wikipedia. Isso é muito chato! O que eu gostava mesmo era de rir da sua cara quando você se ferrava!”.
Estava aí acabada a minha curta carreira de imaginar que estava contribuindo em algo para a sociedade e lançado o meu livro presepeiro da Austrália.

Vou Guguzar! Agora é um olho e meio no Ibope e meio olho na qualidade! Rebola Malandrinha! Uba uba ê!

Segue o prefácio:
“Era para ser apenas mais uma viagem de intercâmbio. Acreditou que a vida seria fácil, mas vivenciou todas a dificuldade e agruras de um imigrante em um país estranho. Lavou carros sob os gritos da máfia eslovena, viu sangue jorrar de suas mãos em uma cozinha de de beira de esquina, descarregou sofás em armazéns, lavou pratos, caminhou kms com mais de 10 kgs de panfletos nas costas, fez entregas, carregou placas de gesso com brutamontes ensandecidos, descarregou carretas e carretas, se desesperou devido ao aluguel e até pulou de janelas à la Seu Madruga para fugir do pagamento… Tudo em um espaço de seis meses. As presepadas, que suplantaram em muito suas pequenas vitórias, são narradas com um humor ácido próprio, com o desespero de um jovem de 21 anos, sozinho, a 13 horas de distância de qualquer conhecido e que se apegava às palavras para esquecer os problemas de uma realidade que lhe levou a viver, literalmente, um dia de cada vez. Apanhou, sofreu, quase foi preso algumas vezes, curtiu, riu, e, acima de tudo, teve uma experiência de vida inesquecível. Coloque o seu mundo também em uma mochila!”
Galera, quem quiser o livro,  me manda um e-mail no brejador@yahoo.com.br que eu vou anotando os nome, quando eles chegarem, eu entro em contato!
Abraços,
Claudiomar
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Viajando por Galápagos – Por cima d´água

Uma parte boa de ter pego o cruzeiro Encantada foi que, me conhecendo bem, dificilmente eu teria saído atrás de fazer outros tipos de observações que não mergulhado e ido atrás de peixes. Fazendo os passeios em terra firme, eu pude ter um pouco mais de contato com outros animais que não teria só mergulhando.

Passeando em terra firme, pude ver, rapaz, nunca vi tanto leão marinho na minha vida. Se no cais eles pareciam ser muitos, nas praias eles eram pragas!! Leões marinhos para todos os lados! Além deles também vimos bastante gaivotas, iguanas, iguanas marinhas (Galápagos é o único lugar onde existem iguanas marinhas, elas efetivamente nadam e se alimentam dentro d´água) e uma ave especial, espécie de gaivota que tem os pés em um tom de azul simplesmente muito bonito! Outra característica delas é que os machos fazem uma dancinha para atrair as fêmeas onde eles ficam mostrando os seus pés azuis. Gaivota ostentação.

Você não pode sair por aí simplesmente caminhando por qualquer lado em Galápagos, existem trilhas que você pode seguir e sempre é acompanhado por um guia. Vez ou outra em algumas das trilhas acontece de ter um bicho perdido ou até mesmo um ninho. Em uma situação como essas, não tem conversa, a trilha acaba ali.




Leão Marinho trollador. Nadando como se fosse um tubarão…


Nossa mesa de jantar no barco

Alemão gente boa que acabei ficando amigo. Engraçado que um dos caras da tripulação não acreditava que ele fosse alemão e ficava insistindo que ele era colombiano. Realmente, é só ver a cara dele para perceber que o cara tem mó pinta de colombiano e não de alemão

 







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Lobos marinhos e pássaros do pé-azul de Galápagos

O bom de ter pego a excursão no “barco pesqueiro” foi que nosso grupo era bem pequeno. Éramos doze turistas. Em doze acabamos ficando bem amigos e podíamos observar melhor a natureza sem tanta gente ao redor. Algumas vezes observamos a galera dos barcos maiores descendo e era aquela cena de excursão da CVC, um bando de tia gorda, americanos com suas barrigas imensas e menino correndo e gritando, o que acabava por espantar os animais.

A primeira coisa que mais te impressiona em Galápagos é como os animais parecem não ter medo de você. Existe uma regra em que você não pode se aproximar mais do que um metro de cada animal, regra que é exaustivamente repetida e, se for necessário, gritada pelo guia. Essa regra existe porque os animais estão tão acostumados com a presença humana que se você rolar por cima de um leão marinho, acho que é possível ele não fazer nada. As tartarugas, você nada por cima delas e elas não se assustam, se não fosse tão ruim para ela, daria até para segurar no casco e pegar uma carona. E assim são os peixes, as aves e tudo o mais.

Aquela hora que você manda uma foto para zoar os seus amigos, pois você está de férias e eles não, e é zoado de volta

Tem tantos lobos marinhos, eles são praga, que algumas cidades tem cercas para eles não andarem pelas ruas

Tem tantos peixes que dá para vê-los por cima da água

O mais engraçado dos leões-marinhos é como eles se comportam quando a gente tá fazendo snorkel. Primeiro que eles são tão grandes que você quando os olha de relance, imagina que seja alguém fazendo snorkel. Segundo que eles são meio territorialistas. Às vezes você está ali, nadando na boa e eles vem nadando em sua direção como quem diz “qual é”. Cara, pode parecer besteira, mas dá um medo danado, porque eles tem dentes afiados e, bem, na água eles são bem mais fortes e rápidos que você. Teve uma vez que um deles chegou tão perto de mim que consegui olhar dentro da pupila dele. Não deixa de ser uma experiência legal, mas mente quem diz que não sente medo, pois eles são bem grandes.

O snorkelling foi algo realmente incrível, de longe o melhor que eu já tenha feito na vida. Consegui ver tubarões, arraias e até, veja você, pinguins. Sim, porque Galápagos tem a particularidade de ter pinguins tropicais, que em algum momento em suas longas viagens, pensaram, “Porque diabos eu vou ficar viajando até o outro lado do mundo e voltar para o frio se aqui eu posso ficar no sol o ano inteiro, comendo peixes adoidado e, ainda por cima, sem predadores?”. Teve um snorkelling que fizemos que quando pulamos na água eu realmente fiquei com medo de quicar dado o tanto de peixes que tinham abaixo. O mais legal é que teve uma hora que eu tava dando um mergulho, tava a uns oito metros de profundidade nadando entre os peixes e só escutei um barulho “Buuuummmm”, mas parecia uma bomba. Foi peixe para todo lado. Quando fui ver, era ave marinha que tinha mergulhado e subia com um peixe no bico. MMUIITOO IRADO! Além da vez que eu vi um pinguim nadando, tentei sair nadando atrás dele e comecei a escutar uma gritaria. Quando vi era a galera da areia me xingando porque eu tava espantando o pinguim. Cara, como eles nadam rápido…

Olha o tanto de leões marinhos pelas praias que passamos
Esses pássaros do pé azul são como um símbolo de Galápagos. Se liga como são bonitos os pés deles

A única parte ruim foi que agora eu fiquei com mais vontade ainda de voltar aqui para mergulhar. Vou acabar ter que dando meu jeito para poder conseguir a grana. Alguém aí querendo alugar um maranhense por um mês?

 

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