Autor: claudiomar23
Servidor Público nas horas não-vagas, escritor nas vagas e mochileiro nas horas felizes. Formado em Relações Internacionais na Universidade de Brasília, Claudiomar ainda procura algo pra utilizar os seus conhecimentos adquiridos na graduação. Devido a este fato viaja e escreve análises socio-economicas sobre o Brasil e pelos locais que passa. Enquanto não viaja, destila toda a sua pseudo-intelectualidade sobre política nacional
Síria
A Síria é um país árabe incrustado no meio do Oriente Médio e que faz fronteira com o Líbano, Israel, Turquia, Jordânia e Iraque. Possui uma população de aproximadamente 20 milhões de habitantes (só a título de comparação, a região metropolitana de São Paulo possui quase isso). Foi colônia da França após o esfacelamento do Império Otomano e obteve a sua independência no ano de 1946.
Desde a sua independência, a Síria vem enfrentando vários períodos de instabilidade. Sucessivos golpes militares e guerras com Israel trouxeram o caos para o país que só pode desfrutar de alguma estabilidade sob o domínio de um regime forte e sanguinário. Não por coincidência o partido que detém o poder na Síria desde 1963 chama-se Baath, o mesmo partido da era de Saddam Hussein. Sim, isso mesmo que você leu. Assim como existem vários partidos sociais-democratas no mundo, há vários países do Oriente Médio que são ou já foram governados pelo partido Baath, que dentre outras esculhambações era o partido do grande estadista Saddam Hussein (sim, estou sendo irônico). E não fica só na semelhança do nome não, cara! Bicho, é impressionante a semelhança entre o Iraque que a gente estava acostumado a ver na TV e a Síria que eu pude ver quando cheguei por lá. É impossível andar pelas ruas de Damasco sem se deparar com a foto de Bashar al-Assad, “presidente” da Síria desde a morte do seu pai em 2000. O culto à personalidade é um aspecto marcante do seu regime e cada esquina que você vira, pode se deparar com a foto do galã, com cara de Jaiminho do Chaves, sorrindo pra você e te olhando como quem diz: Eu sei de todos os seus passos, portanto mantenha-se na linha! Falar mal desse “presidente” pode custar a sua vida e portanto ninguém se atreve a isso.
A Síria, juntamente com o Irã, é hoje uma das maiores dores-de-cabeça pra Israel. Todos os levantes palestinos que ocorreram contaram com o apoio da Síria que da maneira que dava fornecia armas para os palestinos da Cisjordânia. Durante muitos anos também ocupou o norte do Líbano a pretexto de “prover segurança” aos libaneses que sempre se encontravam em um quebra-pau diferente (se não era com Israel, era entre eles mesmos).
Ninguém é bobo de acreditar nessa “boa vontade” dos sírios. Ficou claro que tudo o que os sírios queriam era uma plataforma para lançar ataques ao território de Israel, já que Israel, pra se proteger, anexou as Colinas de Golã (uma cadeia de montanhas intransponíveis e que oficialmente é fronteira natural entre Síria e Israel), praticamente impossibilitando os sírios de efetuar ataques do seu território. Bombardear Israel deve ser legal, agora imagina se você pode fazer isso da casa dos outros? Pois então foi isso que a Síria durante um bom tempo, sob apoio do Irã, fez, através do lançamento de foguetes Katyusha. Até que o pau comeu de vez e Israel mais uma vez invadiu o pobre do Líbano em 2006, mas isso eu vou deixar pra falar mais quando escrever sobre o Líbano.
Cara, a Síria é um país que desde a entrada você começa a sentir o choque de realidade que é estar neste país. Pra começar, as estradas se resumem a areia pra todo lado!! Você olha pra um lado é deserto, olha pro outro é deserto também! Impressionante! Eu ficava pensando que deve ser muito fácil construir estradas por lá, afinal, o país inteiro é todo plano! Outra coisa interessante é que todas as construções parecem possuir a mesma cor. Se liga nessa foto que eu vou mandando pra vocês!
Vista de Allepo, segunda maior cidade da Síria
A sua capital, Damasco, é belíssima e reclama para si o posto de cidade mais antiga ocupada continuamente. O que isso quer dizer? Bem, com certeza existiram cidades mais velhas que Damasco, mas nenhuma existe até hoje. As outras duas cidades que clamam por esse título são Jericó (que fica na Palestina) e Biblos (fica no Líbano e também tive a oportunidade de visitar). Bem, se não é a mais antiga, há pelo menos a certeza que Damasco é a capital mais antiga do mundo, com uma vida estimada de quase 5000 anos. Basta apenas lembrar que a Mesopotâmia, berço da civilização moderna era no Iraque há apenas algumas centenas de quilômetros de Damasco.
A cidade é fascinante e andar pelas suas ruas, seus mercados, seus bazares faz você se sentir como se estivesse há mais de 2000 anos atrás. As ruas são estreitas e sinuosas, as pessoas gritam nas ruas tentando vender os seus produtos.
A Síria, além da sua exuberante capital, também possui GIGANTESCAS fortalezas da Idade Média. Elas são dos tempos da reconquistas da Terra Santa pelos cruzados da Europa. Devido a seu posicionamento estratégico, diversas cidades da Síria foram tomados pelos cavaleiros medievais e eles, devido a grande distância entre a Síria e a Europa, não viam outra opção a não ser construir grandes fortalezas para se proteger dos árabes que estavam doidos pra passar na faca os cristãos. Eu tive a oportunidade de visitar uma dessas fortalezas quando fui à cidade de Aleppo, mas isso também é motivo pra outro post.
Fortaleza de Aleppo
Post que vem falo sobre as perambuladas por Damasco e também como foi o meu couch.
Preso na fronteira da Turquia com a Síria
Amigos,
Como havia prometido há uns posts atrás, posto agora o video que fiz assim que soube que não havia mais ônibus para Damasco e que eu deveria dormir uma noite dentro da rodoviária de Antákia. Infelizmente a imagem não ficou muito boa, já que estava muito escuro do lado de fora, mas acho que vale a pena o vídeo para ouvir minhas palavras e ver o estado de ânimo que eu me encontrava naquele momento. Cara, vou te dizer, foi angustiante saber que eu deveria dormir naquela rodoviária. Mas enfim, acabei saindo vivo e chegando são e salvo na Síria. Hoje eu revejo esse vídeo e dou valor em ter uma cama quente pra poder dormir todas as noites, hehehehe.
Amanhã tem post novo,
Abraços maranhenses
Comentários Comentados
Esses dias eu fui abrir a minha caixa de e-mail e percebi que havia quase VINTE e-mails que eu havia separado pra poder fazer a sessão “comentários comentados”. Caraca, acho que é bom eu começar a respondê-los. Vamos lá, vamos começar:
1 – Anônimo perguntou:
Maranhão
Quando vc estava em varsóvia, onde dormiu?
A polaquinha não deu abrigo para vc?
R – Cara, assim, o “abrigo” que eu gostaria MESMO que ela me desse quando eu estava na Pôlonia realmente acabou não ocorrendo, mas se você fala “abrigo” no sentido de casa ou teto pra ficar, não foi necessário. Nesse um mês que eu fiquei em Varsóvia eu estava dormindo na casa da Karolina, uma amiga minha polonesa que eu havia conhecido na Austrália e que foi personagem de histórias engraçadíssimas que ocorreram comigo como nesses posts aqui, aqui e aqui.
2 – Otávio perguntou:
Cludiomar,
Estou pensando em ir pra India e janeiro e passar uns 25 dias por lá. Eu tava pensando em visitar Delhi, Agra,Fathepur Sikhri, Jaipur e Varanasi. Vc tem algum “guiazinho” q vc preparou desses lugares (tipo o q fazer, onde comer, onde ficar…) q vc possa compartilhar. Se tiver, me avisa q te dou meu e-mail…
Abraços
Otávio
R – Cara, enquanto eu estava viajando na Ásia eu comprava livros-guias mesmo, pois os caras batiam xérox dos originais e vendiam MUITO barato pra gente. Mas posteriormente eu comecei a utilizar mais foi o Wikitravel.com mesmo. Esse site da internet semelhante à Wikipedia é uma mão-na-roda pra quem anda viajando. Bicho tem informação sobre quase todas cidades do MUNDO INTEIRO, explicando onde ir, onde ficar, onde comer e etc. Quer ver? Coloque a sua cidade no www.wikitravel.org e vê o que aparece! É impressionante!
Dessas cidades que você falou eu só não fui em Sikhri e Fathepur. Todas as que você quer viajar são muito interessantes e valem a viagem, apesar de eu achar que em nenhuma delas é necessário ficar mais do que duas noites pra poder curtir legal. Se pudesse eu sugeriria a você que fosse a Goa e também a Amritsar no norte da Índia, dois dos locais que eu mais gostei de visitar.
3 – Anderson Weimar comentou:
po cara.
vamos sentir muita falta da loirinha que te safou pacas viu?
se nao fosse por ela o que seria de vc hein?
hauahuahaua
cara sou seu fã incondicional.
serio mesmo.
desde que eu conheci o blog alguns meses atras toda vez que entro na net leio um pouco.
e toda vez é todo dia mahhh.
sou do ceara e tenho mo vontade de fazer isso que vc fez.
quem me apresentou o blog foi uma ex(que deus a tenha).
mas pra alguma coisa a bichinha serviu.
hahauahauah
(ela ainda vive).
mas maluco é serio.
se peder mandar uma braço p esse seu fã agradeçoo.
anderson weimar
R – Hum… Um abraço pra você, Anderson Weimar???
Gente, eu tou me sentindo no programa da Xuxa: Eu quero mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe… Hahahahaha
4.1 – Camila perguntou no post sobre “Antália”:
Maranhão, e como ficam as mulheres nesse país moderno? Contaí, porque pensei em viajar pra esses lados, mas tenho medo.
4.2 Paulistana fez uma pergunta parecida no post sobre Istambul:
Cara, tenho horror a barganha, a ficar lá horas falando e rebatendo preços, gosto é de ver logo o produto etiquetado num preço justo!
Isso foi o que mais amei no Canadá, lá o preço era um só pra todos. Agora um cara me puxar pelo braço pra entrar na lojinha, ficar perguntando quanto quero pagar, ficar querendo discutir o preço… nossa, é pedir pra eu ir embora.
Mas enfim, adorei o post!
Agora deixa eu te perguntar Claudio, sempre tive um pé atrás com a Turquia porque tenho a impressão que lá os caras são meio doentes por mulher. Eu até tenho um amigo turco que é gente boa e não me olha como se fosse um pedaço de carne, mas já ouvi tantas histórias de umas minas horrorosas que foram pra Istambul (via couchsurfing) e só caras respondiam os tópicos pra sair, caiam matando em cima, convidando pra passear no carrão deles, pra se hospedar na casa deles…etc. Confirma?
R – Camila e Paulistana, várias meninas sempre vem falar comigo com essa preocupação e com esse receio de viajar sozinhas, se isso não é perigoso ou algo do tipo. O que eu vou responder pra vocês é o que eu sempre respondo quando sou confrontado com este tipo de pergunta: Perigoso é o Brasil! Se vocês sentem receio de serem estupradas, atacadas, surrupiadas ou o que for, sintam isso no Brasil!! Em nenhum dos países por onde viajei me senti com aquela sensação que temos no Brasil que a qualquer momento podemos ser assaltados, roubados ou algo assim. Tirando uma outra mina mais espevitada que olhava esse “pedaço de mau caminho” aqui não tive problemas maiores. O que eu escuto muito são as minas reclamando quando viajam na Índia, na Turquia e em países árabes de caras o tempo todo dando em cima delas. Mas é de boa, você apenas fala um não que os figuras já seguem o caminho deles e param de lhe importunar. Muito melhor do que aqui quando você sai nas baladas e não-raro os caras ficam puxando vocês pelo braço. Mas como eu já falei nesse post aqui, cenas no mínimo “exóticas” podem ocorrer.
5 – Anônimo perguntou:
Vc comia muito mal na Turquia?
Qual país vc comeu melhor?
abraços
R – Cara, na Turquia eu não comia muito mal. Primeiro que eu quase sempre cozinhava em casa quando estava em Istambul e Antália, mas além disso, a Turquia é a terra do Kebab, ou do churrasco grego como conhecemos aqui no Brasil. Putz eu curtia DEMAIS comer isso por lá.
Saí na capa do Correio Braziliense!!!
Galera, se liga, saí no jornal Correio Braziliense de Brasília de hoje. Fizeram uma reportagem acerca de mochileiros que viajaram por aí e e eu acabei sendo entrevistado. Nas imagens abaixo, acesso à reportagem…

Antákia
Antákia
Era chegada a hora mais temida: enfrentar 25 horas de ônibus de Antália até as longínquas terras de Damasco, na Síria. No começo fiquei até um pouco preocupado com o tempo que iria gastar, mas depois pensei, sossegado, eu já tive algumas experiências parecidas no Brasil. Já havia pegado 54 horas de São Paulo a São Luís de ônibus e 36 de Brasília a São Luís também de busão. Ah, quer saber? eu achava que realmente estava preparado.
Lenda… O que faltou eu lembrar era que eu viajaria em dois países completamente exóticos onde NINGUÉM falava inglês pelo caminho. Poucas pessoas conseguiam ao menos falar algumas palavras e às vezes me explicar o que estava havendo. Mas enfim, as informações de que eu necessitava eu já tinha: não era preciso pagar nenhuma taxa pra sair da Turquia e o visto pra Síria, apesar de necessário, poderia ser tirado na fronteira do país. Entrei no busão e segui viagem.
Eu não entendi direito o que eu deveria fazer pra poder ir de Antália para Damasco, mas pelo que pude entender do inglês sofrível do carinha da rodoviária (lá pelo menos é sofrível, será se alguém sabe falar ao menos “hot dog” nas nossas rodoviárias?) eu iria pegar um busão até uma cidade chamada Antákia na fronteira da Turquia com a Síria. Lá minha viagem terminaria e posteriormente deveria comprar uma passagem de Antákia à Síria. Beleza, tudo certo.
A única parte engraçada foi quando o busão fez uma parada e eu desci pra poder tirar uma foto. Achava que a parada seria de mais ou menos meia hora. Não foi, a parada era de 15 minutos, mas acabou sendo de 30 minutos porque o busão ficou esperando eu aparecer e um bando de turco queria me descer o cacete quando eu acabei voltando. Além disso também teve um turco reclamando ao motorista pq eu estava viajando sem os meus tênis (pombas, todo mundo faz isso, não? Quando você entra pra viajar, a primeira coisa que faz é tirar os tênis e ficar só de meias, não? Bem, parece que na Turquia não é assim).
Enfim, 15 horas depois eu chegava à Antákia achando que já estava tudo resolvido. Era só descer do busão e comprar a passagem pra Damasco. Ledo engano. Cheguei na cidade pela noite. Aquilo era um mal presságio. Antes mesmo de descer do busão, vi um turco que sabia falar algum inglês que começou a me ajudar. O cara era realmente MUITO gente boa! Primeiro ele me falou que naquela rodoviária eu não conseguiria ônibus para Síria. Que eu precisaria ir para a outra rodoviária já na fronteira e que de lá eu conseguiria passagem. Ele me levou até a outra rodoviária e, chegando lá, como eu já temia, soube que não poderia pegar um ônibus ainda aquela noite. Tudo o que você mais quer saber depois de 15 horas de viagem é que não há ônibus pro outro país. O próximo ônibus só saíria na manhã seguinte. Perguntei pra ele se ele conhecia algum hotelzinho onde eu pudesse passar a noite, ele me falou que até sabia de uns, mas não ia sair por menos de que 25 dólares a noite, fora o táxi. Como eu realmente não estava afim de gastar toda essa grana, ele me sugeriu que eu dormisse na rodoviária.
Aqui eu gostaria só de abrir um parênteses. Gente, uma das coisas que eu mais dou Graças a Deus hoje é o fato do Couchsurfing ter existido. Por quê? Bem, cara, além do fato de você poder conhecer MUITA gente legal, também tem o fato de que o Couchsurfing praticamente eliminou a necessidade que antes os mochileiros tinham de dormir em ruas ou em paradas de ônibus pra poder salvar um pouco de dinheiro. Hoje só sendo muito idiota ou não buscando as informações certas pra você um dia precisar dormir na rua. Eu, apesar de ter viajado o mundo inteiro com pouco dinheiro no bolso, nunca precisei me sujeitar a dormir que nem um mendigo, pois sempre havia uma casa confortável pra eu poder dormir. Hoje só dorme na rua o cara que quer tirar onda no Brasil falando coisas do tipo “Ah, eu viajei a Europa e dormir em trem. Dormia era na rua mesmo, não queria nem saber… Olha como eu sou foda e pá pá pá”. Pois é, foi a primeira e única vez na minha vida que eu precisei me sujeitar a isso. Procurei um banquinho da rodoviária e não tive outra escolha a não ser tentar dormir. Fiz até um videozinho que demonstra o meu estado de ânimo lá, o vídeo ficou MUITO bom, depois eu posto ele.
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Fiquei quase doze horas nessa MALDITA rodoviária!
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Cara, foi um inferno dormir. Banco de ferro e ainda tinha uns doidos fazendo bagunça e gritaria pela rodoviária. Só sei que dormi umas quatro horas. Depois de tirar essa verdadeira soneca, chegou um ônibus com uma galera vindo de Aleppo, uma cidade da Síria que posteriormente eu visitaria. Desceu um casal falando em inglês e eu fiquei trocando ideia com eles um tempão… O rapaz era turco, o que era excelente, já que ele falava um inglês perfeito e pôde me ajudar bastante a desenrolar os meus problemas na rodoviária.
Dormi em um banquinho no meio da rua só me lembrou essas duas aí do tempo da Austrália 😉
Acabou que meu ônibus ainda atrasou uma hora e eu fui sair dessa maldita rodoviária só meio dia. Mas enfim, tudo valia a pena pra poder conhecer a Síria.
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| Mais uma foto da Rodoviária de Antákia… |
Espírito Empreendedor Turco – Como fazer a sua balada bombar
Marcamos de nos encontrar no albergue delas. Desci pra lá como combinado e começamos a procurar uma balada pra poder entrar. Descemos pro cais onde havia várias baladas diferentes e entramos na primeira que vimos. Não precisava pagar pra entrar.
Sentamos numa mesa e ficamos vendo de qual era da balada. Ficamos conversando um pouco. A balada chegava a ser engraçada se não fosse trágica. Só tinha homem pra tudo que era lado, todo mundo sentado e ninguém, absolutamente NINGUÉM, dançando. Claro que aquilo não seria um problema pra gente.
Enquanto estávamos sentados conversando sobre o que iríamos fazer veio um cara, que mais parecia um garçom, e perguntou se não queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de uns dez minutos voltou e perguntou se queríamos algo. Falamos que não e ele saiu. Depois de mais uns dez minutos ele voltou e perguntou se queríamos algo e ficou nessa de dez em dez minutos. Me senti como nesse vídeo do Hermes e Renato abaixo:
Pra fugir do garçom mala, nos levantamos e fomos dançar um pouco. Cara, o que foi aquilo? A balada simplesmente PAROU pra poder ver as minas dançando. Elas também não contribuíam, né? Polacas, lindas, num lugar que só tinha homens de bigodes por todos os lados, elas dançavam de uma maneira muito sensual. Mermão, até eu parei um pouco pra ver. O que era aquilo, meu amigo? Por entre bigodes eriçados elas dançavam e rebolavam em frente a uma plateia que ia a loucura. Depois eu meio que fiquei de lado com vergonha dos caras ENCARANDO as minas sem parar. Me lembrou de uma foto célebre do tempo da Polônia.
Elas ainda por cima eram banqueiras. Toda hora iam no Dee Jay e pediam uma música diferente e quando ele não colocava, elas ainda iam reclamar. Enfim, acho que era o preço a pagar pra aquela balada ter um pouquinho de graça.
Depois de um tempo sentamos e começamos a conversar novamente. Adivinha o que aconteceu? Sim, eu tenho certeza que você já adivinhou:
– Deseja alguma coisa senhor?
– Rapaz, não, doido, obrigado! Eu REALMENTE não quero nada agora!
– Mas, você vai ficar aí sem consumir nada?
– Rapaz, pelo menos por agora sim, por quê?
– Porque você não pode fazer isso.
– Como assim?
– Você não pode ficar sem consumir nada.
– Uai, mas a festa não era de graça pra entrar?
– Sim, é de graça pra entrar, mas pra ficar tem que consumir algo.
– Tá, tá bom, eu consumo mais tarde.
– Não, senhor. Você tem que fazer um pedido.
– Uai, cara! Não tou te entendendo. Por que você tem que me FORÇAR a consumir algo?
– Senhor, como é que as pessoas fazem dinheiro no país que você vem? Meu patrão prefere não cobrar entrada, mas em compensação a única maneira de ele fazer dinheiro é assim. Quando as pessoas pedem uma bebida ou algo do tipo.
– Tá, se eu não pedir agora você vai me colocar pra fora, é isso?
– Provavelmente…
Levantei, fui lá onde as meninas estavam dançando e deixei ele falando sozinho.
Pensa que ele se fez de rogado? Naadaaa… Pegou as bolsas que as meninas tinham deixado na mesa e começou a levar na direção da porta. Eu não paguei pra ver se ele ia jogá-las pela porta ou não, mas pelo jeito que o bicho ia REALMENTE parecia que ele iria fazer isso. Pegamos as coisas delas e ele nos apontou a porta da rua. Simples assim. As ÚNICAS mulheres da festa foram expulsas porque não estavam consumindo nada dentro do bar. Tristeza geral entre os marmanjos que estavam lá dentro quando a atração estava indo embora. Pude perceber que espírito empreendedor não era lá o forte do dono da balada.
E lá vamos nós
Expulsos da balada, fomos procurar outro lugar. Paramos em um bar, dessa vez, por via das dúvidas, compramos logo uma cerveja e ficamos lá vendo que o iríamos fazer. Do nada um turco em uma outra mesa começou a gesticular um coração no ar e a gritar algumas coisas em turco apontando pra uma das meninas que estavam na minha mesa. Ele parecia querer dizer que estava apaixonado por uma das polonesas que estavam sentadas conosco. A gente tentou ignorar, mas o cidadão simplesmente não parava. Um peão de obras aqui era um lord comparado com o cara. O figura REALMENTE não parava e começou a ficar chato. Isso NO MEIO DE UM BAR LOTADO. Eu fiquei me perguntando se é assim mesmo que eles chegam em mulher na Turquia ou se de tanto as mulheres viverem cobertas, os caras quando olham uma mulher de saia simplesmente ficam mais loucos que o batman!
Enfim, como não podíamos ficar assistindo aquele show de desespero por uma mulher, resolvemos sair do bar antes que ele pegasse um tacape, desse na cabeça dela e a levasse arrastando pelos cabelos. Fomos para um outro bar e ficamos lá de boa. Do nada chegou um outro cara, mas dessa vez falando em inglês com a gente e sendo gente boa. Era o dono do bar.
O cara era REALMENTE muito sangue bom e virou nosso amigo. Depois de um tempo conversando, ele perguntou se não queríamos entrar na casa dele (o bar ficava nos fundos da casa dele) que ele queria nos mostrar algo. Eu não gostei dessa história de “vamos entrar aqui na minha casa”, fiquei com medo do cara querer fazer alguma maldade ou algo do tipo, mas as minas não tavam nem aí e foram logo entrando. Eu acabei tendo que ir mesmo.
Não era nada demais. Ele apenas foi mostrando a casa dele e no final mostrou uns gatinhos que a gatinha dele tinha acabado de parir. Claro que desmanchou o coração das minas, pois se tem algo que amolece coração de mulher é gatinho filhote sedendo de carinho. Ficamos conversando lá por um tempo e ele perguntou se não estávamos a fim de ir numa balada com ele. Eu mais uma vez fiquei escabreado e com medo de acordar numa banheiro de gelo com um rim a menos (pô, eu sou do Brasil, né, fera?), mas mais uma vez as meninas foram na frente e nem me deram tempo de titubear.
No final o cara levou a gente pra uma balada GIGANTESCA!!! Custava 30 euros pra poder entrar, mas ele nos colocou de graça lá dentro! O bicho era REALMENTE gente boa! A balada era coisa de outro mundo, o único porém é que já estava fechando. Ficamos curtindo um pouco lá até que deu umas quatro horas da manhã. Ficamos ainda dando um rolê, mas eu acabei indo embora e me despedindo das meninas e do cara, que, infelizmente, nem o nome mais eu lembro.
Noite surreal, amigo.
Voltei pra casa e comecei meus preparativos pra poder viajar Síria no outro dia.
Perambulando por Antália
No outro dia resolvi dar a tradicional perambulada pela cidade. Acordei cedo e decidi ir para praia pra, pela primeira vez, tomar um banho no mar Mediterrâneo. Antália é famosa pelas diversas praias ensolaradas que fazem a alegria de europeus e russos. A galera lá do Norte desce em peso pra Antália nessa estação pois em agosto já começa a ficar frio na Europa. Quando saí da Polônia a temperatura estava oscilando entre 12 a 15 graus e chovia o dia inteiro. Saca só a temperatura que estava em Antália no dia em que cheguei lá:
Saí andando e pude ver algumas falésias que me lembraram as que havia visto em Bali.
Fui que nem um menino pulando de uma parada a outra achando que as falésias iam até as águas. Fui pulando, pulando, pulando… Vlapt, Vlapt, “Hahahahe-que-divertido”, “nossa-nunca-me-diverti-tanto”, “meu-Deus-que-felicidade” e… uooowwww… ACABOU O CHÃO!! Mermão!! A parada era um precipício!! Eu fui caindo, caindo e tive que sair me agarrando no que eu vi… Me abracei à primeira coisa que vi e me arranhei todo.
Cara, quase que eu volto pra casa todo molhado, hehehe… Depois dessa experiência de quase morte, resolvi fazer algo mais seguro como nadar com tubarões ou chamar a Feiticeira pra porrada.
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Personificação de onde mais ou menos eu fiquei pendurado…
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Fui pra praia pra ver “de qual é” e fiquei fascinado. As águas eram de uma pureza impressionante. Nem água de piscina era tão clara como aquela. Comecei a andar pela areia e fui surpreendido por algo interessante. As praias tinham cordas pra delimitar as partes privadas dos hotéis. Nunca tinha visto isso.
Depois de um tempo nadando voltei pra areia pra dar uma secada e notei que duas minas estavam pegando sol ao meu lado. Bem, já tava ali mesmo… sentado… sem fazer nada… não custava nada puxar um assunto com elas, né? Cheguei do lado como quem não quer nada e conversa vai, conversa vai, perguntei a nacionalidade delas: Polonesas! Bingo! Ficamos amigos e marcamos de sair mais tarde pra poder tomar uma cerveja. Beleza, voltei pro apartamento pra trocar de roupa mais feliz que o traficante da Amy Winehouse. Tomei meu banho, troquei de roupa e quando estava saindo de fininho pela porta do apartamento, o Mehmet veio pra falar comigo:
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Taxista tirando um cochilo. Ow menino bunitinho, meu Deus!
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– Claudio, onde cê tá indo, cara?
– Er… hum… veja bem… eu… eu… eu tou indo dar uma volta na cidade, cara!
– Ah, que legal, vou com você então, posso te apresentar tudo por lá.
– Er.. hum… veja bem… Não precisa não, cara. Não quero incomodar, pode ficar aí…
– Não, não, pode deixar que eu vou…
Cara, tudo o que eu não queria era mais gente pra poder melar meu esquema com as polacas. Ainda mais um TURCO e ainda por cima tiozão. Fiquei até imaginando como deveria ser essa combinação explosiva. Imagina aqueles tiozão chegando nas minas aqui no Brasil? Agora imagina um cara TURCO e ainda por cima tiozão, realmente me deixou preocupado o que poderia ocorrer… Desculpa, cara, não é nenhum preconceito com os turcos, mas é que o último que eu havia conhecido eu não tive uma boa impressão na Tailândia. Perdoem pelo politicamente incorreto, mas esse é um blog de viagens com um toque de humor. Mas segue o diálogo:
– Não, mas eu vou sair com uns amigos brasileiros que conheci por aí. A gente quer só falar português o dia inteiro.
– Não tem problema…
– Mas, mas…
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Outra coisa que me impressionou nessas praias de Antália. Vocês já tinham visto uma praia que não possui areia, mas… Pedras?
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Mas não teve jeito. Ele acabou indo comigo. No caminho expliquei que ia me encontrar também com duas polonesas que havia conhecido na praia e talvez o brasileiro não fosse aparecer. Ele não percebeu que eu estava de caô e acabou vindo comigo. No final eu percebi que estava sendo um imbecil com o Mehmet e foi muito legal ele ter ido comigo encontrar as meninas. Ele era gente boa demais e, apesar de estarmos no Ramadã, o figura acabou bebendo do mesmo jeito, ehheheehe.
No outro dia fui pra praia novamente e fiquei só de boa. A noite tinha marcado de sair mais uma vez com as minas pra pegar uma balada e, vou te dizer, como foi engraçada essa minha primeira experiência na noite turca… Assunto pro próximo post…
Antália
Antália fica situada na província de mesmo nome, sendo a sua capital. É uma cidade consideravelmente antiga, provavelmente fundada no século II a.C. Acredita-se que ela foi fundada pelo imperador Attalos II, nomeando a mesma Attalia. Foi disputada por diversos povos devido a sua posição estratégica e, como boa cidade do Oriente Médio que é, pertenceu a diversos impérios diferentes no final ficando sob domínio turco.
Hoje possui uma população de aproximadamente 800.000 habitantes e é um dos principais pontos turísticos da Turquia. Russos por todos os lados com o bolso cheio de dinheiro fazem a cidade ser absurdamente cara.
Couch em Antalya
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Rodoviária em Antália
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Cara, a viagem até Antalya transcorreu normalmente. Engraçado foi quando cheguei à rodoviária.
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Cara, olha que interessante isso. O ônibus que eu peguei de Istambul a Antália tinha internet wireless. Eu nunca tinha visto…
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O cara que ia me hospedar já se encontrava lá me esperando. Ele era um pouco mais velho, tinha uns 45 anos, se chamava Mehmet, era turco e engenheiro-chefe de uma empresa ao lado da casa dele. Gente boa demais. Assim que eu fui descendo, ele foi me cumprimentando. Eu fui lá, ofereci minha mão a ele achando que ele ia me abraçar. Cê acha?? Naadaaaa… O cara veio pra me abraçar e PREU! ME TASCOU UM BEIJÃO NA BOCHECHA!! Eu confesso que achei meio estranho na hora, afinal, não é todo dia que um tiozão vem e é, digamos, tão carinhoso assim com você… Mas enfim, depois desse choque cultural tudo começou a ficar de boa…
Seguimos para sua casa e lá deixei minhas coisas. O Mehmet era indescritivelmente gente boa, falava inglês com dificuldade mas era extremamente gentil. Ele inclusive saiu do trabalho só pra ir me buscar. Deixou-me em casa e marcamos de sair apenas mais tarde.
Quando foi de noite ele foi me buscar em casa, saímos pra encontrar mais outros dois couchsurfers de Antália e fomos para um jantar. A única parte engraçada foi na hora de pagar a conta. Fomos comer em um restaurante meio caro e cada hora que descia um prato novo eu fazia as contas… E os caras não paravam de pedir comida! Eu me vi logo desesperado porque vi que minha grana de uma semana inteira iria embora. Na hora que veio a conta, veio junto o meu desespero. O desespero acabou ficando engraçado. Um dos turcos acabou aproveitando que o outro estava no banheiro e VLAPT pegou a conta na mão e, veja só, tirou a carteira pra já ir pagando.
Na hora o outro turco veio do banheiro e, olhando aquela cena, VOOU pra cima dele e queria tomar a conta da mão dele!! Os caras basicamente começaram A BRIGAR pra ver quem iria pagar a conta! Mas não no estilo brasileiro, no estilo turco! Um queria pagar a conta e o outro não queria deixar!! E foi nessa, os três brigando, quase saindo no tapa pra ver quem iria pagar e eu lá observando aquela cena. Logicamente eu também queria entrar na briga pra poder pagar a conta inteira sozinho, ou você acha que não? Eu só não me ofereci porque senão a briga iria ser maior. Hahahahaha…
Depois de um impasse, eles conseguiram entrar num consenso lá e pagaram a conta. Saímos pra poder dar uma volta na cidade. Detalhe, estávamos no Ramadã, o mês mais sagrado para os islâmicos no mundo inteiro. Só pra vocês terem uma ideia, em países como a Síria, durante o Ramadã os muçulmanos não consomem QUALQUER TIPO DE COISA entre o nascer do sol e o pôr-do-sol. Água também. Os caras não podem nem beber água durante o dia. Pois então, estávamos durante o Ramadã e eu só observando. Saímos pra comer pela tarde e os caras comeram, beberam e o caramba…
Depois fomos para, uma mesquita? Não! Fomos para um BAR!! E começamos a beber CERVEJA!! Em alguns países islâmicos bebidas alcoólicas são sequer permitidas, beber durante o Ramadã então seria algo tão herege como marcar um churrasco durante a semana santa (aquele período em que só podemos comer peixe) ou então, sei lá, sair no tapa com a vó durante a ceia de natal por causa de um pedaço de coxa de galinha…
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Cartão postal de Antália.
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E o bar CHEIO de gente!! Cara, eu comecei até a ficar sem graça de estar participando daquela heresia, sem saber o que fazer, fui lá e falei com o Mehmet:
– Ôw Mehmet, tipo… Você é muçulmano certo?
– Sim, Claudio, como todo bom turco…
– E… er… estamos no mês do Ramadã, certo?
– Sim!
– E tipo… Não seria meio errado a gente estar bebendo no Ramadã, cara?
Ele me olhou, deu uma risada e falou:
– Ah, brother! A Turquia é um país moderno! Quando você for à Síria você se preocupa com isso…
– Hauhauhueha. Então estamos conversados! Desce outra cerveja por favor…
Perambulando por Istambul, parte 2

Após sair do bazar turco segui em direção à “Torre de Gálata”, um dos vários cartões-postais de Istambul. Ela é uma das torres mais velhas do mundo. Foi construída, ainda de madeira, pelos bizantinos no ano de 528 D.C. Posteriormente foi destruída pelos cruzados, mas reconstruída pelos genoveses em 1348. Após a tomada da cidade pelos turcos otomanos em 1453 a torre foi sendo reformada e utilizada como ponto de vigilância por eles. Hoje ela tem reforço de concreto e é aberta a visitação.
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Torre de Gálata vista do outro lado do Bósforo
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Ela fornece uma impressionante vista do estreito de Bósforo, da Mesquita Azul e da Basílica de Santa Sofia. (Cliquem na foto para vê-la melhor)
Caso vocês ainda não tenham observado, é possível ver várias mesquitas diferentes nas fotos acima. Isso é interessante porque assim como nós temos várias igrejas espalhadas pelas cidades, eles tem várias mesquitas. O que isso quer dizer? Cara, mesquita não é algo que eu esteja lá tão acostumado, portanto toda mesquita nova que eu passava perto, eu me encantava com toda aquela opulência… Fiquei imaginando se os islâmicos pensam a mesma coisa ao passar ao lado de nossas igrejas.
Eu ia lá e batia umas fotos. Tinha uma que eu achei interessante o TANTO de pombo que tinha ao redor do povo que tava batendo foto por lá. Depois que eu fui ver que tinha um tiozão fazendo uma grana que vendendo milho pra poder dar a eles e tinha uma galera se divertindo com isso.
Depois de alguns dias dando algumas voltas por Istambul (cara, eu poderia fazer um blog inteiro sobre os monumentos que pude ver por lá) decidi tomar coragem e enfrentar a minha próxima viagem, a Síria. Aproximadamente 1800 km me separavam de Istambul até o destino final. É muito? Bem, pra viajar no Brasil, que é um país só e tem todas as cidades conectadas é muito, pra viajar naquela loucura que é o Oriente Médio é uma eternidade. Decidi que não iria direto.
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Elas estão por todos os lados… Uhhhhh
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Fiquei por um tempo pensando o que eu iria fazer e decidi fazer um “pit-stop” no meio do caminho para que a viagem não ficasse tão cansativa. Procurei no Couchsurfing.org as cidades do litoral da Turquia entre as quais possuíam mais couchs disponíveis. Acabei vendo que uma tal de Antalya parecia ser uma cidade com grande disponibilidade. Comecei a pedir couchs pro povo até que um cidadão disse que estava tudo bem se eu ficasse no couch dele. Ele parecia ser gente boa.
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Eu queria entender o que esse brother queria engraxar...
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Separei algumas coisas que não precisava e perguntei pro Yunus se tava tudo bem de eu deixar na casa dele. Pra pegar quando voltasse. Ele falou que era sem problemas. Separei minha mochila maior e lá dentro deixei algumas roupas, presentes, meu laptop e, sem ele saber, 200 euros dentro. Cara, isso é uma coisa boa do Couchursurfing.org, viu? Você poder deixar suas coisas na casa dos outros e não ter que se preocupar com isso. NUNCA que eu faria isso em um albergue. Claro que depois, quando voltei à sua casa, regressando da minha viagem à Síria e ao Líbano, estava tudo lá inclusive a grana que eu tinha deixado…
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Centro de Istambul
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No outro dia comprei minha passagem de ônibus e segui viagem.















































