A Gruta

Galera, essa semana tá meio embaçado pra eu postar algo no blog. Tou passando o dia inteiro na biblioteca e a noite tou tendo aula, logo, vocês já devem ter deduzido: Sem tempo pra poder escrever o blog. É o meu último mês antes do concurso, portanto vou ter que focar mais pra não perder essa oportunidade. Logo, por favor, não se importem com os atrasos que possam vir a ocorrer.
Pra não deixar vocês sem nada nesse post, vou postando um vídeo que o Thiagones me passou o Bizú. É um filme interativo, algo como uma mistura de RPG e Você Decide. O filme tem vários finais diferentes e você vai decidindo como a história pode se desenrolar. Cara, eu fiquei IMPRESSIONADO com a qualidade das filmagens e mais ainda com a atriz! Gente, que mulher linda!! No Maranhão tem mulher assim não…
Pra quem não lembra quem é o Babalu e o Thiagones, basta dar um bizú no vídeo abaixo, o Puxando Papo, um dos programas preferidos da casa:
O Thiagones é o grandalhão e o Babalu o de cabelo rastafári.
Então, o filme é composto de onze finais diferentes e você pode ir jogando e escolhendo como ela se desenrola. Cara, é MUITO legal e você realmente pode perder HORAS jogando e se divertindo. Uma ideia GENIAL e uma edição perfeita. Só uma palavra: SENSACIONAL!!!
Mermão, PIREI vendo isso, hahahahahahahaha
Abraços maranhenses

Contos em Damasco

P.s: Galera, coloquei algumas fotos de Beirute bombardeada pra poder ilustrar a história. LOGICAMENTE as fotos não são minhas e as peguei na internet…


Numa das noites que eu fiquei em Damasco, o Matt me levou pra um lugar super interessante. Era parecido com um café, com almofadas coloridas pelos cantos e algumas pessoas conversando e tomando cerveja. É meio complicado de explicar, mas o ambiente respirava um agradável ar de liberdade devido aos assuntos discutidos por todos que se encontravam por lá. Dentre todas as pessoas que se encontravam, uma se destacava: Era um árabe com uma idade um tanto quanto maior que a maioria das pessoas que lá estavam (ele parecia ter uns 35 anos) e todo mundo parava pra poder ouvir as histórias do cara.


Não lembro o nome dele, mas ele trabalhava com documentários e trabalhos jornalísticos. O cara realmente era bem carismático e era bem interessante ouvir o que ele falava. Ele já havia sido preso algumas vezes pelo governo sírio, porque, cá entre nós, jornalistas sempre se dão mal em regiões como essas, ainda mais um cara como ele que, pra piorar ainda mais a sardinha dele na Síria, era comunista. Comunista e jornalista na Síria deve ser como ser pobre e favelado no Brasil: Alvo preferido da polícia. Uma das grandes atrações foi ele contando das diversas vezes que ele foi preso. Mas isso vou deixar pra falar mais na frente, porque antes de contar sobre isso, boto fé que seria muito interessante contar sobre a experiência do figura na sua cobertura dos conflitos no Oriente Médio.


O figura já era veterano de quebra-pau. Já havia “servido” no Líbano em 2006 durante a invasão israelense e também ficou durante um tempo cobrindo a Guerra do Iraque. Ele tinha várias história e todas tinham um desfecho inesperado.
Ele disse que durante o tempo em que ele estava cobrindo os bombardeios israelenses ao Líbano em 2006, estava viajando pelo país com uma americana que também era jornalista. Eles estavam exatamente na zona de conflito e enquanto ele dirigia, a americana pôde ver que havia fumaça ao longe por detrás de algo que parecia ser uma colina e, como diz o ditado popular, onde há fumaça, há fogo. Os dois resolveram ir lá pra ver o que era e se deparam com uma das cenas mais chocantes que ele já tinha visto na vida dele. E olha gente, pra uma cena chocar um cara desses, um cara que trabalha no Oriente Médio, cobrindo zona de conflito, deve ter sido um petisco do inferno mesmo. Ele falou que assim que eles pararam o carro e ele foi ver, ele viu um ônibus amarelo em chamas e vários corpos dentro completamente carbonizados. Quando ele pôde se aproximar, percebeu que era realmente o que ele temia que tivesse acontecido. Os corpos que estavam lá dentro não eram corpos de adultos, mas sim de… crianças! Um míssil israelense havia atingido um ÔNIBUS ESCOLAR por engano e matado TODOS os ocupantes que estavam lá dentro. Há sim, sempre bom lembrar… Todos morreram carbonizados, queimados, como você acha melhor. Segundo ele, foi possível perceber que um dos braços que estava do lado de fora do que restou da janela do ônibus parecia segurar algo como um lenço branco, o que o levou a deduzir que as crianças ao avistarem que caças israelenses sobrevoavam por cima de suas cabeças, tentaram desesperadamente acenar com bandeiras brancas para demonstrar que eram civis. Logicamente não funcionou, haja vista que é impossível pra um piloto de caça há milhares de metros do chão avistar uma bandeira branca. Acabaram todos tendo uma morte lenta e agonizante.


Com uma cena daquelas na frente dele, ele sacou a sua câmera da mochila e começou a filmar e a fotografar o que havia restado dos pequeninos corpos para posteriormente entregar para as emissoras de TV sírias que, segundo ele, não tinham essas “frescuras” de ficar cortando as cenas mais chocantes. Mostram a verdade nua e crua diretamente na telinha. Depois de algum tempo chocado e filmando tudo o que pôde, ele voltou para o carro e começou a dirigir novamente com a americana. Diz ele que estava tudo de boa quando algo lembrou a ele que por onde passavam. Algo o relembrou que eles estavam atravessando uma zona de conflito. O carro deles começou a ser alvejado por tiros de metralhadoras vindos de todos os lados. Ele como bom cavalheiro e levando em consideração que havia uma mulher ao lado dele, fez o que era certo: Abriu a porta do carro, pulou pra fora, começou a meio que correr e rastejar ao mesmo tempo e deixou a americana lá dentro desesperada gritando por ajuda. É amigo, ali o negócio era de macho mesmo. Ele se escondeu atrás de uma moita e depois de um tempo a mulher parou de gritar. Os gritos cessaram e algumas vozes gritando em árabe puderam ser ouvidas. Elas gritavam para ele se render. Ele começou a gritar que não era israelense, mas sim sírio e os soldados foram lá falar com ele. Quando realmente viram que ele era sírio, pediram desculpa pela forma que o “abordaram” (esses soldados sempre tem maneiras singulares de abordar as pessoas, basta ver como fui abordado nesse tópico aqui. Me lembrou uma abordagem semelhante na Indonésia…) e falaram que eles meteram bala porque acharam que eles fossem de alguma patrulha israelense que estava fazendo reconhecimento de terreno, pois eles haviam acabado de ser bombardeados. No final ele só explicou que era jornalista e a americana que tava lá dentro também. Enfim, ele só achou que a americana não ia aceitar muito as desculpas porque, digamos, o pedido de desculpas ia chegar um pouco tarde, já que como ela tinha parado de berrar desesperadamente dentro do Jipe, eles acharam que ela tinha sido morta, mais furada que uma tábua de pirulito.


Ele foi lá pra checar e, MILAGROSAMENTE, ela não tinha sido sequer atingida. Diz que o susto foi tão grande que no final ela acabou desmaiando e isso salvou sua vida, porque se tivesse ficado sentada, fatalmente teria morrido. Eles deram três tapas na cara dela e ela acordou com a aquela cara de “São Pedro, é você?”. Ela levou um tempo pra se recuperar e pra realmente acreditar que ainda estava viva. No final eles seguiram de volta pra Damasco e ele nunca mais ouviu falar dessa jornalista… Acho que depois desse susto ela nunca mais quis saber de ser jornalista na vida dela… Deve estar trabalhando até hoje de babá em alguma casa de uma madame americana. Hahahahaha…
Ele também contou que por um tempo cobriu a Guerra do Iraque morando em Bagdá e que ficou um tempo por lá. Perguntei pra ele se não era perigoso ele morar por lá e ele falou que era de boa, afinal, ele era árabe, falava árabe e se misturava com os árabes. Depois de um tempo por lá ele resolveu capar o gato (ir embora) quando ouviu que os americanos estavam procurando qualquer sírio ou iraniano que estivesse trabalhando por Bagdá e oferecendo uma recompensa por eles. Os americanos temiam que cidadãos desses dois países pudessem estar trabalhando para a inteligência inimiga e, pra não arriscar, estavam à caça de qualquer forasteiro que tivesse acabado de chegar de um desses dois países pra levar pra um interrogatório ou possivelmente uma temporada de férias em Guantánamo. Depois disso, ele resolveu picar a mula dele e por isso tinha voltado a Damasco para poder trabalhar na Síria mesmo porque era, veja só, mais seguro…


No próximo post conto mais história engraçadas acerca desse figura…

Síria – O pais onde há o maior restaurante do mundo

De noite apenas passamos em casa pra tomar um banho e seguimos direto para o maior restaurante do mundo (Huá Huá Huá). Pra que eu não precise explicar tanto acerca do estabelecimento, colo uma reportagem da Folha de São Paulo que fala sobre ele:
“ Com capacidade para mais de 6.000 pessoas, o restaurante Damascus Gate, na Síria, entrou para o “Guinness”, o livro dos recordes, como o maior restaurante do mundo.
O Damascus Gate conquistou o título que pertencia a um restaurante na Tailândia, com capacidade para 5.000 pessoas. Para confirmar o recorde, representantes do “Guinness” exigem que o restaurante tenha capacidade para servir todas as mesas. Segundo Qusai Halasa, representante do livro de recordes, “a cozinha do restaurante pode ser comparada a uma minifábrica”.
O restaurante, que fica nos subúrbios de Damasco, está aberto desde 2002.Além de fontes e réplicas de ruinas arqueológicas, o Damascus Gate também tem áreas temáticas separadas para a culinária indiana e a chinesa. Durante o verão, a época de mais movimento, até 1.800 empregados trabalham no restaurante.”

O restaurante em si é bem legal, cara. Logo na entrada do restaurante, há uma plaquinha onde é possível observar o certificado que o Guiness entregou comprovando o recorde a que lhe foi atribuído.A comida não era cara e, o melhor, eles serviam muita, mas MUITA carne!! Pode parecer besteira, mas a gente se acostuma tanto em comer carne no Brasil que acha que isso é normal no mundo inteiro.

Tecla Pause

Bem, é bom sempre lembrar que o nosso país é hoje o maior produtor de carne bovina do mundo, por isso que aqui ela é tão barata e por isso que comemos em abundância. Mas depois de um tempo viajando, cara, a carne na comida vai rareando mais e mais até que chega um dia em que você começa a salivar quando olha um gato passeando no meio da rua. Só pra vocês terem uma ideia, eu fui preparar um almoço quando estava em Istambul e fui cair na besteira de comprar carne. Rapaz… o quilo da carne no restaurante tava custando um absurdo: 18 dólares o quilo do bife. Nem era filé-mignon, nem nada. Era aquele bife mesmo que a gente compra no supermercado pra poder fazer um sanduba quando chega em casa.
Venham a mim, fiéis…
Tecla Play
Eu PIREI na Síria quando vi o meu prato LOTADO de carne quando ele chegou. Comida barata, foi uns 15 reais pelo jantar, mais ou menos o que a gente paga em restaurante por quilo aqui no Brasil. A diferença é que eu estava no MAIOR RESTARAUNTE DO MUNDO!! (Huá Huá Huá, risadas maquiavélicas).
Além da experiência de estar no MAIOR RESTAU… bem, você já sabem, também foi interessante porque o Matt chamou um amigo dele egípcio pra ir com a gente e o cara era gente boa DEMAIS!! Infelizmente o nome dele eu não lembro mais, mas ele é esse cara aí com a língua de fora ao lado do Matt:
Ele me explicou várias curiosidades sobre o Egito e o Islã que eu não sabia. Primeiro, o Egito possui a inacreditável população de 66 milhões de pessoas!! “Ah, mas peraí, o Brasil inteiro tem 190 milhões de pessoas”. Sim, amigo, mas só a título de comparação, o estado do Mato Grosso que é um pouco menor que o Egito, tem uma população de 2,5 milhões de pessoas. “Tá, mas o Mato Grosso é despovoado”. Ok e que tal o Estado de Minas Gerais? Tem a metade do território do Egito, é o segundo estado mais populoso do Brasil e possui 20 milhões de habitantes!! Menos de um terço da população do Egito! E, ah sim, o Estado de Minas Gerais tem vários rios cortando o território, São Francisco o mais notável, e além disso possui grandes extensões de terras férteis e agricultáveis!! Depois ele pediu pra eu checar em um mapa e quando eu me dei ao trabalho de fazer isso e vi que, assim como ele me falou, o Egito é praticamente uma faixa! Mais de 90% da população egípcia vive às margens do Rio Nilo!! O resto do país é extremamente desértico! Vejam que as principais cidades do Egito praticamente “seguem” o Rio Nilo e apenas algumas grandes cidades situam-se no deserto e fora da região costeira.

Eu achei isso muito impressionante.

Ele também me explicou como é que funcionava a peregrinação anual que os muçulmanos faziam a Meca. Pra quem ainda não está ligado, a religião islâmica se baseia em cinco pilares. A primeira é que você deve acreditar em apenas um Deus. A segunda é que você deve orar cinco vezes ao dia voltado a Meca. Terceira, sempre que possível pagar esmolas para ajudar aos necessitados. Quarta, jejuar durante o Ramadã (quase como os nossos amigos faziam na Turquia). Quinto e último é o de, realizar um ataque suicida contra os Estados Unidos?, não! O quinto pilar é o de que todo muçulmano deve fazer uma peregrinação a Meca pelo menos uma vez durante a vida. Lógico que quem não tiver condições financeiras ou de saúde não será renegado ao inferno, mas todos tentam ao máximo realizar a sua peregrinação para a cidade sagrada. Muitos economizam a vida inteira para poder obter essa graça.

“E como ocorre essa peregrinação a Meca?” A wikipedia sempre explica:
“Ocorre durante o décimo segundo mês do calendário islâmico. Os muçulmanos vestem-se com um traje especial todo branco, antes de chegar a Meca, para que todos estejam igualmente vestidos e não haja distinção de classes. Durante toda a peregrinação não se preocupam com o seu aspecto físico. Depois de praticarem sete voltas em torno da Kaaba, os peregrinos correm entre as duas colinas de Safa e Marwa. Na última parte do Hajj os muçulmanos devem passar uma tarde na planície de Arafat, onde Maomé disse o seu “Último Sermão”. Os rituais chegam ao fim com o sacrifício de carneiros e bodes.”
Durante este período, se, LOGICAMENTE, você for muçulmano, a Arábia Saudita concede vistos de graças para todos os interessados em visitar as duas cidades, para facilitar que os peregrinos possam ter a graça de visitar a cidade mais importante para eles. Lendo a descrição acima parece fácil, né? Mas imagina como é para organizar milhões de pessoas para que elas possam dar as voltas em torno da Kaaba, correr entre as duas colinas … Segundo ele, a logística de um evento dessa magnitude é uma das maiores obras da humanidade. Uma grande demonstração de fé que infelizmente só é possível presenciar para os muçulmanos.

Depois da peregrinação a Meca, quando você volta pra casa, há uma grande festa em que todos comemoram a sua façanha e você segue feliz a sua vida sabendo que cumpriu mais uma etapa tão importante da sua vida. Ele depois ficou falando que hoje, devido ao grande número de pessoas que peregrinam a Meca todos os anos, os sauditas tiveram que deslocar montanhas pra poder ter mais espaço na cidade. E ele ficava gritando o tempo todo: MONTANHAS!! VOCÊ SABE O QUE É ISSO? MONTANHAS… Hahahaha. Acabou que depois disso quando todo mundo ficava calado a gente ficava gritando “MONTANHAS!! MONTANHAS!!!”. Gente boa demais o figura… No final pegamos um táxi pra poder voltar pra casa. Não sei se eu já falei isso pra vocês, mas taxista é a raça mais FILHA DA PUTA que eu pude conhecer enquanto viajava. Como dessa vez não tinha soldado pra colocar o bicho no motorista, ele tentou, logicamente, nos roubar quando chegamos. O Matt e um outro suíço que estava com a gente simplesmente falaram pra gente descer do carro e ir andando. O taxista desceu do carro e foi gritando com a gente quase uns cem metros, mas no final percebeu que a gente não ia dar nada, também que ele não ia conseguir botar medo em uns quatro machos e resolveu seguir o rumo dele. Eita racinha ruela essa…

Matt e o suíço negociando com o taxista. Reparem a mina rindo com uma cara de “esse taxista só pode ser lunático…”

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Perambulando por Damasco – O maior restaurante do mundo

Depois da aula de capoeira, só demos uma volta por Damasco e fomos dormir. No outro dia de manhã, Matt foi me apresentar a cidade. Saímos andando pela belíssima Damasco que, sempre bom reiterar, é ocupada há mais de cinco mil anos.

Arco romano em Damasco

O primeiro lugar que fomos não podia deixar de ser a Grande Mesquita de Damasco, a Mesquita Umayyada . Diz a lenda que o califa al-Walid mandou erguer a mesquita para que os muçulmanos não se deixassem vislumbrar pelas diversas igrejas erguidas e existentes ao redor de Damasco. A mesquita é realmente GIGANTESCA e muito bem elaborada, uma construção extremamente imponente.


Mesquitas não são apenas para se rezar, como demonstra nosso amigo nessa foto…

Tirei foto de uma das minaretes porque achei interessantíssimo o nome que deram a ela. A minarete se chama “Jesus”.

Sim, o mesmo Jesus Cristo tão importante para os católicos. Caso eu ainda não tenha explicado, assim como os cristãos acreditam que vários profetas vieram antes de Cristo (como Abraão e Moisés), os muçulmanos também acreditam e respeitam Cristo como um dos grandes profetas que trouxeram a palavra de Deus para a Terra. Para eles Adão, Noé, Moisés, Abraão e Jesus foram grandes profetas, mas, claro, Maomé foi o maior e mais importante. Falo isso pra demonstrar como o islamismo pode ser uma religião mais próxima à nossa do que podemos imaginar.

Dentro da mesquita há um túmulo que eles alegam ser de uma pessoa bem importante pra nós também. Jonh Lennon? Claro que não! João Batista!! O homem que batizou Jesus nas águas do Rio Jordão! Interessante, né?

Do lado de fora também há a alegada tumba de Saladino, um dos maiores heróis para os islâmicos, pois ele conseguiu unir todos os árabes sob o seu comando e lutou contra os cristãos que haviam tomado a Terra Santa, Jerusalém, dos árabes durante as cruzadas. Saladino marchou com os árabes unidos e mandou os europeus de volta à sua casa devolvendo Jerusalém ao domínio islâmico, o que acabou perdurando por centenas de anos. Ah sim, Saladino não era árabe! Saladino era curdo! Mesmo assim hoje ele conhecido como um dos maiores heróis para os árabes hoje! Saddam Hussein evocava o nome de Nabucodonosor e o de Saladino quando convocava os árabes para a batalha contra o “Grande Império Americano”. Acredita-se que Saladino esteja enterrado ali do lado de fora da Mesquita também.

É meio complicado descrever como é caminhar pela cidade. Você se sente meio que caminhando há uns mil anos atrás devido as ruas serem extremamente estreitas e as casas ainda serem construídas de pedras como há milhares de anos atrás. É uma experiência sem igual!

Maior santuário Xiita de Damasco

Depois que andamos bastante, pedimos um lanche e ficamos sentados na calçada conversando. Depois de algum tempo puder percebe que havia DEZENAS de crianças andando pelas ruas extremamente bem arrumadas e com brinquedos novos, se divertindo por todos os lados. Algumas delas pareciam realmente desfilar pelas ruas com as suas roupas que você claramente via que tinham sido recém-compradas.

Desde cedo a meninada já ganha presente de macho!!

Perguntei o que estava acontecendo ao Matt e ele me explicou que o Ramadã estava terminando exatamente no dia em que passeávamos por Damasco. O Ramadã é um mês de muitas privações (cara, não deve ser fácil ficar o dia inteiro sem comer nada e, principalmente, sem beber nem um gole d’água) e quando ele acaba as pessoas que realmente o seguiram a risca ficam extremamente gratificadas de terem feito esse esforço em amor a Deus. Devido a isso, celebram bastante mais um mês de dever cumprindo e com isso trocam presentes e saem às ruas para poder celebrar. Algo como o nosso Natal, com a diferença que ninguém nem lembra mais porque celebramos o Natal e quem foi o “barbudo encrenqueiro”, com algumas palavras cafonas como paz e amor entre os homens, que nasceu nesse dia… As crianças com seus brinquedos novos saem para ficar brincando e os “homenzinhos” saem as ruas com suas roupas novas para “se amostrar” pras meninas. Mais ou menos o que aos doze anos você fazia no sábado quando ia ao shopping com os amigos pra poder falar com as minas (pelo menos no Maranhão, heheh). Isso demonstra que árabe ou católico, a gente “sabe mesmo o que a gente quer”…

Igreja Cristã no meio do centro de Damasco

Mas a hora que eu mais esperava estava pra chegar. Estava pra ficar de noite. De noite? Pegar balada? Não! O Matt havia me prometido que de noite iríamos para o MAIOR RESTAURANTE DO MUNDO!! Huá Huá Huá (risadas maquiavélicas). Ãhn? Como assim? Que pegadinha é essa? Não, sério! Tou falando sério! O maior restaurante do mundo fica na Síria, não sabia não? Pois é, eu havia lido isso na BBC Brasil um ano antes de começar a viajar e fiquei com isso na cabeça durante um bom tempo!! Sim, cara! Na entrada tem um certificado do Guiness Book e tudo!

Falo desse restaurante no próximo post…

Aviso aos navegantes

Galera, esses dias a minha vida tá uma correria danada… O meu concurso vai já rolar e cada dia que passa acaba ficando mais apertado pra mim. Vou tentar fazer um post novo amanhã, mas não prometo.

Sério, tou voltando fazer os posts mais bem elaborados e isso tá me tomando um tempo danado, hehehehe.

Enfim, como um pedido de desculpas a vocês posto o vídeo da nova estrela do momento Jef Jay e as interpretações de música “do momento”. Reparem na calha de pneu e na vassoura atrás dando o toque final no cenário do cantor…


Em Damasco, Síria – Servicio del Taxi

Depois de tudo que eu narrei, parecia que tudo ficaria mais fácil depois que eu chegasse em Damasco, certo? Bem, é lógico que não, amigo! Tudo só tinha a piorar. O turco que havia me ajudado a atravessar a fronteira acabou ficando numa cidade antes de Damasco e eu fiquei sozinho. Só eu e Deus (ou só eu e Alá, se preferir) pra poder chegar no couch que eu iria ficar. Logo na hora que eu desci do ônibus, eu comecei a pensar: se numa cidade como Brasília já é difícil achar alguém que fale inglês, como será na capital de um país completamente hostil aos EUA? Pois é, amigo, LOGICAMENTE ninguém falava inglês pelas ruas de Damasco.

Trânsito caótico em Damasco

Desci na estação de ônibus e comecei a matutar como DIABOS eu faria pra poder chegar no bairro que o cara havia me falado que era pra eu ir. Eu tinha o nome do bairro anotado em um pedaço de papel, mas já no primeiro taxista eu vi que até isso seria um problema. Ele não conseguia ler o que havia escrito, afinal, é sempre bom lembrar que o alfabeto árabe é diferente do nosso. Só depois de muito tempo e de várias vezes eu ler em voz alta pra ele, ele conseguiu entender pra onde eu queria ir. Pedi pra ele me levar pra um albergue, mas mais uma vez ele não entendeu e eu acabei desistindo de falar com ele.

Depois de alguns minutos em que eu tentava desesperadamente alguém que pudesse me levar ao menos para um albergue qualquer na cidade (em albergues as pessoas SEMPRE falam inglês), tive contato pela primeira vez com um dos meus mais sérios problemas que eu pude enfrentar por TODOS os países árabes que pude visitar. Na Síria então… Imagina… O país faz parte do eixo do mal e, dia após dia, recebemos notícias da Síria relacionados a terrorismo. Tudo só podia piorar. Enquanto estava tentando falar com os taxistas um soldado (sim um SOLDADO, com roupa camuflada e tudo, não um policial) fortemente armado e com um fuzil começou a vir na minha direção e começou a gritar e chamar a minha atenção. Pronto, era só o que me faltava! Além de NINGUÉM conseguir falar comigo, eu não ter a mínima ideia de como chegaria na casa onde eu devia ir, só faltava essa. Só faltava eu ser preso apenas pelo fato de estar andando pela rua sem fazer nada. Essas coisas só acontecem em países assim mesmo.

E QUANDO VOCÊ ACHA QUE NADA PODE PIORAR…

Se bem que, se eu fosse preso, até resolvia meu problema. Preso eu não teria que me preocupar com casa e comida. A Síria gentilmente me hospedaria.

Como estava sem escolha e, como já havia dito em um post passado, o homem com o maior rifle sempre tem a razão, fui à sua direção pra ver de qual era. Quando cheguei pra falar com ele, logicamente, ele não falava inglês. Depois de algumas mímicas minhas e dele e de eu apontar para o papel que havia escrito o nome, ele percebeu que eu precisava de ajuda. Pediu que eu o acompanhasse e me levou pra algo parecido com um posto policial (mas com soldados dentro dele) onde vários outros estavam dentro. Depois de algum tempo falando em árabe com a soldadesca um dos soldados meio que falou pra ele que sabia falar um pouco de inglês e começou a falar comigo. Bem, “falar” é uma maneira boa de dizer, o soldado que veio falar comigo sabia falar “my name is… I’m from Syria… hot dog… Michael Jackson” e coisas assim. Ainda assim era melhor que um outro lá que, quando eu falei que era do Brasil, ele tentou falar em espanhol comigo. Mas o mais engraçado é que o cara só sabia falar “servicio del taxi” e ficava repetindo isso toda hora. Cara, tava engraçado a parada lá. Um virava pra mim e fica falando: “Hot Dog, Manchester United, George Bush, I’m from Syria…” enquanto eu virava para o outro e ele ficava repetindo: “Servicio del Taxi”… “Servicio del Taxi” sem parar. Pensei: “Pô pelo menos o sistema educacional aqui ensina melhor inglês do que espanhol, pelo menos o que sabe falar alguma coisa em inglês sabe falar algo mais do que “Taxi Service”. Isso me lembrou um post dos EUA…

E eu fiquei naquela situação que se eu pudesse filmar, renderia MUITAS risadas no Youtube. Sério, até hoje quando eu lembro do cara repetindo “Servicio del Taxi” que nem uma vitrola quebrada, eu fico rindo sozinho.

Enfim, depois de um tempo um dos caras do posto do Exército teve uma ideia que salvou o dia. Ele perguntou se eu tinha o telefone do meu amigo. Eu falei que tinha em algum lugar na bolsa e fui lá e achei. O senhor “Hot Dog” me levou a uma lojinha onde um cara alugava o celular dele para chamadas. Ele meio que desenhou no papel e eu pude compreender que um minuto custava algo como um dólar. Do jeito que eu tava desesperado eu pagava era DEZ! Ele ligou pro cara que ia me oferecer o couch e enfim pude ouvir a voz do Matt. Salvou minha vida. Expliquei pra ele a dificuldade que estava tendo e ele me pediu que eu passasse o telefone ao soldado que ele iria explicar o que eu estava precisando. Eles conversaram em árabe por um instante e depois de um tempo o árabe passou o telefone pra mim. O Matt falou que o soldado havia pedido para que o Math pedisse desculpa a mim por ele, pois parecia que eu havia ficado assustado quando fui abordado pelo primeiro soldado (ah, sim, claro, até porque no Brasil a coisa mais comum de acontecer é você estar andando na rua e, de repente, aparece um cara com roupa camuflada e começa a gritar em sua direção. Eu sou muito idiota de me assustar mesmo…). Ele explicou que o soldado tinha me chamado apenas porque queria me ajudar, pois é o que eles sempre fazem quando aparece um gringo perdido na rodoviária. O Matt me explicou também que o soldado ia me colocar em um táxi, ia explicar pro taxista onde eu estava indo, que eu deveria pagar tanto (eu realmente não lembro quanto paguei) e caso o taxista tentasse me cobrar o dobro do preço pela corrida (gente, eu falei, taxista é filha da puta em qualquer país) era só eu voltar lá no posto policial que a casa ia cair pro lado do taxista. E real? Eu tenho tanta raiva de taxista que eu seria capaz de pagar um outro táxi, ida e volta da casa do Matt, só pra ver o soldado dando uma bolachas na cara do taxista se ele me roubasse. Nossa, acho que não tem nada mais relaxante do que ver uma cena dessa. Se ele me deixasse dar umas no taxista então…

Tecla PAUSE

E sim, esse foi um dos principais “problemas” que eu pude ter em todas as minhas viagens pelos países árabes. Como os caras são solidários com as pessoas que estão no meio da rua sob dificuldade. Esse foi só o primeiro exemplo e muitos outros virão como vocês poderão ver. Acho que os caras são tão esculachados na mídia internacional que eles se esforçam ao máximo pra que tenhamos uma boa impressão deles quando formos embora.

Tudo isso que eu tou falando, claro, não estão inclusos os taxistas pois, como falei várias vezes, não há raça mais FILHA DA PUTA que taxistas. Isso em QUALQUER lugar do mundo. E olha que eu tenho moral pra falar disso…

Tecla PLAY

DISCUSSÃO DO SOLDADO COM O TAXISTA. SIM, ERA O BEM CONTRA O MAL!

Eu e o soldado fomos na direção de um taxista e o soldado começou a explicar pra onde eu tava indo. Depois de um tempo pude perceber que o soldado começou a falar de uma maneira mais ríspida com ele e que ele tava botando o bicho pra cima do cara. Deu pra perceber que ele falava algo do tipo: “Se tu tentar tapear esse aí, a casa vai cair…”

Foto das ruas de Damasco. Repare na foto do galazão no alto do edifício

O taxista se viu meio aperriado e eu vi que ficou meio preocupado com com o soldado falando com ele, mas resolveu me levar, afinal, o homem do rifle sempre tem razão. No caminho me deixou em casa de boa e eu, meio que com pena dele, ainda dei uma gorjeta por ele não ter me roubado. Tá, eu sei que ele não me roubou por causa do soldado, mas enfim, eu prefiro acreditar que ele era honesto.

COUCH (HOSPEDAGEM) EM DAMASCO

Quem me hospedou em Damasco foi o Matt, um cara muito gente boa. Ele é inglês e estava vivendo na cidade para poder aprender árabe, idioma que falava muito bem. Eu, claro, cheguei acabado na casa dele. Pô, não havia dormido em Antália (saí direto da balada pra rodoviária), não consegui dormir no ônibus apesar do trajeto de 15 horas, dormi por algumas poucas horas num banco de metal na rodoviária e depois peguei mais 10 horas de viagem até Damasco. Ele, claro, foi bem compreensivo quando falei isso:

– Pô, cara, foi uma batalha pra chegar aqui, né? – Matt me perguntou.
– Rapaz, foi…
– Ah, mas tá de boa, eu tenho algo que você vai gostar…
– Uma cama bem confortável?
– Não, claro que não, descansar você descansa quando chegar no Brasil. Vamos, eu tou indo pra uma aula de capoeira agora e você VAI comigo.

Matt com algumas crianças no centro de Damasco

CAPOEIRA EM DAMASCO – TREINANDO NO RAMADÃ

Bem, ele não estava perguntando se eu queria ir com ele não. Ele estava AFIRMANDO que eu iria com ele. Depois de toda essa epopéia tudo o que eu mais queria era ter que ficar pulando de um lado pro outro e levando umas bolachas numa aula de capoeira.

Mas não teve negociação. O cara REALMENTE me pegou e me fez ir com ele pra essa aula de capoeira.

No final até que foi interessante. Pô, cara, imagina a experiência de jogar capoeira num país como a Síria? Muito da hora!!!

Cara, foi muito louco!! Pra começar havia uma bandeirona imensa do Brasil na porta da academia. Lá dentro mais uma bandeira brasileira com uma da Síria do lado. O professor e vários dos alunos deles falavam português fluentemente. O professor me contou que havia morado na Bahia e que lá havia se graduado. Apesar de estarmos em um país completamente distante do Brasil, as cantigas que todo mundo cantava eram todas em português e o nome dos golpes também. Era engraçado ver os árabes tentando cantar em português.

Quando eu cheguei e eles souberam que eu era brasileiro… Ixi, mas foi aquela festa. Pediram pra eu traduzir algumas das cantigas, ensiná-los a cantar e coisas assim. CLARO que depois de algumas conversas eles quiseram que eu jogasse capoeira e alguns até me desafiaram. Cara, só uma observação aqui. Viajar no exterior sendo brasileiro é legal, mas também tem seus ônus. Pombas, cara! Às vezes tem gente que acha que por sermos brasileiros, viemos com o pacote completo. Não raro o cara fala: “Ah é brasileiro? Sabe dançar samba então? E capoeira? E futebol? E Percussão? E salsa…” e por aí vai. Eu infelizmente só tenho programado a função “samba”, “futebol” e “salsa” (isso pq eu aprendi salsa enquanto viajava)… Pois é, ainda me meti a besta e aceitei um desafio. Depois de levar duas rasteiras, as pessoas constataram o óbvio: Eu realmente não manjava NADA de capoeira. Não me restou outro opção a não ser ir pra ala dos iniciantes e passar vergonha durante o resto do treino.

No meio do treino eu ainda saí pra tomar um gole d’água, mas fui recriminado por todos que estavam no salão. Depois o professor foi me explicar, em português, que eles estavam no Ramadã e nenhuma daquelas pessoas ali dentro podia colocar qualquer coisa dentro do corpo entre o nascer e o pôr-do-sol. Água inclusive. Na hora lembrei da Turquia e como as coisas lá são um pouquinho diferentes…

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Síria

A Síria é um país árabe incrustado no meio do Oriente Médio e que faz fronteira com o Líbano, Israel, Turquia, Jordânia e Iraque. Possui uma população de aproximadamente 20 milhões de habitantes (só a título de comparação, a região metropolitana de São Paulo possui quase isso). Foi colônia da França após o esfacelamento do Império Otomano e obteve a sua independência no ano de 1946.

Desde a sua independência, a Síria vem enfrentando vários períodos de instabilidade. Sucessivos golpes militares e guerras com Israel trouxeram o caos para o país que só pode desfrutar de alguma estabilidade sob o domínio de um regime forte e sanguinário. Não por coincidência o partido que detém o poder na Síria desde 1963 chama-se Baath, o mesmo partido da era de Saddam Hussein. Sim, isso mesmo que você leu. Assim como existem vários partidos sociais-democratas no mundo, há vários países do Oriente Médio que são ou já foram governados pelo partido Baath, que dentre outras esculhambações era o partido do grande estadista Saddam Hussein (sim, estou sendo irônico). E não fica só na semelhança do nome não, cara! Bicho, é impressionante a semelhança entre o Iraque que a gente estava acostumado a ver na TV e a Síria que eu pude ver quando cheguei por lá. É impossível andar pelas ruas de Damasco sem se deparar com a foto de Bashar al-Assad, “presidente” da Síria desde a morte do seu pai em 2000. O culto à personalidade é um aspecto marcante do seu regime e cada esquina que você vira, pode se deparar com a foto do galã, com cara de Jaiminho do Chaves, sorrindo pra você e te olhando como quem diz: Eu sei de todos os seus passos, portanto mantenha-se na linha! Falar mal desse “presidente” pode custar a sua vida e portanto ninguém se atreve a isso.

A Síria, juntamente com o Irã, é hoje uma das maiores dores-de-cabeça pra Israel. Todos os levantes palestinos que ocorreram contaram com o apoio da Síria que da maneira que dava fornecia armas para os palestinos da Cisjordânia. Durante muitos anos também ocupou o norte do Líbano a pretexto de “prover segurança” aos libaneses que sempre se encontravam em um quebra-pau diferente (se não era com Israel, era entre eles mesmos).
Ninguém é bobo de acreditar nessa “boa vontade” dos sírios. Ficou claro que tudo o que os sírios queriam era uma plataforma para lançar ataques ao território de Israel, já que Israel, pra se proteger, anexou as Colinas de Golã (uma cadeia de montanhas intransponíveis e que oficialmente é fronteira natural entre Síria e Israel), praticamente impossibilitando os sírios de efetuar ataques do seu território. Bombardear Israel deve ser legal, agora imagina se você pode fazer isso da casa dos outros? Pois então foi isso que a Síria durante um bom tempo, sob apoio do Irã, fez, através do lançamento de foguetes Katyusha. Até que o pau comeu de vez e Israel mais uma vez invadiu o pobre do Líbano em 2006, mas isso eu vou deixar pra falar mais quando escrever sobre o Líbano.

Cara, a Síria é um país que desde a entrada você começa a sentir o choque de realidade que é estar neste país. Pra começar, as estradas se resumem a areia pra todo lado!! Você olha pra um lado é deserto, olha pro outro é deserto também! Impressionante! Eu ficava pensando que deve ser muito fácil construir estradas por lá, afinal, o país inteiro é todo plano! Outra coisa interessante é que todas as construções parecem possuir a mesma cor. Se liga nessa foto que eu vou mandando pra vocês!

Vista de Allepo, segunda maior cidade da Síria
A sua capital, Damasco, é belíssima e reclama para si o posto de cidade mais antiga ocupada continuamente. O que isso quer dizer? Bem, com certeza existiram cidades mais velhas que Damasco, mas nenhuma existe até hoje. As outras duas cidades que clamam por esse título são Jericó (que fica na Palestina) e Biblos (fica no Líbano e também tive a oportunidade de visitar). Bem, se não é a mais antiga, há pelo menos a certeza que Damasco é a capital mais antiga do mundo, com uma vida estimada de quase 5000 anos. Basta apenas lembrar que a Mesopotâmia, berço da civilização moderna era no Iraque há apenas algumas centenas de quilômetros de Damasco.

A cidade é fascinante e andar pelas suas ruas, seus mercados, seus bazares faz você se sentir como se estivesse há mais de 2000 anos atrás. As ruas são estreitas e sinuosas, as pessoas gritam nas ruas tentando vender os seus produtos.
A Síria, além da sua exuberante capital, também possui GIGANTESCAS fortalezas da Idade Média. Elas são dos tempos da reconquistas da Terra Santa pelos cruzados da Europa. Devido a seu posicionamento estratégico, diversas cidades da Síria foram tomados pelos cavaleiros medievais e eles, devido a grande distância entre a Síria e a Europa, não viam outra opção a não ser construir grandes fortalezas para se proteger dos árabes que estavam doidos pra passar na faca os cristãos. Eu tive a oportunidade de visitar uma dessas fortalezas quando fui à cidade de Aleppo, mas isso também é motivo pra outro post.

Fortaleza de Aleppo

Post que vem falo sobre as perambuladas por Damasco e também como foi o meu couch.

Preso na fronteira da Turquia com a Síria

Amigos,

Como havia prometido há uns posts atrás, posto agora o video que fiz assim que soube que não havia mais ônibus para Damasco e que eu deveria dormir uma noite dentro da rodoviária de Antákia. Infelizmente a imagem não ficou muito boa, já que estava muito escuro do lado de fora, mas acho que vale a pena o vídeo para ouvir minhas palavras e ver o estado de ânimo que eu me encontrava naquele momento. Cara, vou te dizer, foi angustiante saber que eu deveria dormir naquela rodoviária. Mas enfim, acabei saindo vivo e chegando são e salvo na Síria. Hoje eu revejo esse vídeo e dou valor em ter uma cama quente pra poder dormir todas as noites, hehehehe.
Amanhã tem post novo,
Abraços maranhenses

Comentários Comentados

Esses dias eu fui abrir a minha caixa de e-mail e percebi que havia quase VINTE e-mails que eu havia separado pra poder fazer a sessão “comentários comentados”. Caraca, acho que é bom eu começar a respondê-los. Vamos lá, vamos começar:
1 – Anônimo perguntou:
Maranhão

Quando vc estava em varsóvia, onde dormiu?
A polaquinha não deu abrigo para vc?
R – Cara, assim, o “abrigo” que eu gostaria MESMO que ela me desse quando eu estava na Pôlonia realmente acabou não ocorrendo, mas se você fala “abrigo” no sentido de casa ou teto pra ficar, não foi necessário. Nesse um mês que eu fiquei em Varsóvia eu estava dormindo na casa da Karolina, uma amiga minha polonesa que eu havia conhecido na Austrália e que foi personagem de histórias engraçadíssimas que ocorreram comigo como nesses posts aqui, aqui e aqui.

2 – Otávio perguntou:
Cludiomar,

Estou pensando em ir pra India e janeiro e passar uns 25 dias por lá. Eu tava pensando em visitar Delhi, Agra,Fathepur Sikhri, Jaipur e Varanasi. Vc tem algum “guiazinho” q vc preparou desses lugares (tipo o q fazer, onde comer, onde ficar…) q vc possa compartilhar. Se tiver, me avisa q te dou meu e-mail…

Abraços

Otávio
R – Cara, enquanto eu estava viajando na Ásia eu comprava livros-guias mesmo, pois os caras batiam xérox dos originais e vendiam MUITO barato pra gente. Mas posteriormente eu comecei a utilizar mais foi o Wikitravel.com mesmo. Esse site da internet semelhante à Wikipedia é uma mão-na-roda pra quem anda viajando. Bicho tem informação sobre quase todas cidades do MUNDO INTEIRO, explicando onde ir, onde ficar, onde comer e etc. Quer ver? Coloque a sua cidade no www.wikitravel.org e vê o que aparece! É impressionante!
Dessas cidades que você falou eu só não fui em Sikhri e Fathepur. Todas as que você quer viajar são muito interessantes e valem a viagem, apesar de eu achar que em nenhuma delas é necessário ficar mais do que duas noites pra poder curtir legal. Se pudesse eu sugeriria a você que fosse a Goa e também a Amritsar no norte da Índia, dois dos locais que eu mais gostei de visitar.
3 – Anderson Weimar comentou:

po cara.

vamos sentir muita falta da loirinha que te safou pacas viu?

se nao fosse por ela o que seria de vc hein?

hauahuahaua
cara sou seu fã incondicional.
serio mesmo.
desde que eu conheci o blog alguns meses atras toda vez que entro na net leio um pouco.
e toda vez é todo dia mahhh.
sou do ceara e tenho mo vontade de fazer isso que vc fez.
quem me apresentou o blog foi uma ex(que deus a tenha).
mas pra alguma coisa a bichinha serviu.
hahauahauah
(ela ainda vive).
mas maluco é serio.
se peder mandar uma braço p esse seu fã agradeçoo.
anderson weimar
R – Hum… Um abraço pra você, Anderson Weimar???
Gente, eu tou me sentindo no programa da Xuxa: Eu quero mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe… Hahahahaha
4.1 – Camila perguntou no post sobre “Antália”:
Maranhão, e como ficam as mulheres nesse país moderno? Contaí, porque pensei em viajar pra esses lados, mas tenho medo.
4.2 Paulistana fez uma pergunta parecida no post sobre Istambul:
Cara, tenho horror a barganha, a ficar lá horas falando e rebatendo preços, gosto é de ver logo o produto etiquetado num preço justo!

Isso foi o que mais amei no Canadá, lá o preço era um só pra todos. Agora um cara me puxar pelo braço pra entrar na lojinha, ficar perguntando quanto quero pagar, ficar querendo discutir o preço… nossa, é pedir pra eu ir embora.

Mas enfim, adorei o post!
Agora deixa eu te perguntar Claudio, sempre tive um pé atrás com a Turquia porque tenho a impressão que lá os caras são meio doentes por mulher. Eu até tenho um amigo turco que é gente boa e não me olha como se fosse um pedaço de carne, mas já ouvi tantas histórias de umas minas horrorosas que foram pra Istambul (via couchsurfing) e só caras respondiam os tópicos pra sair, caiam matando em cima, convidando pra passear no carrão deles, pra se hospedar na casa deles…etc. Confirma?
R – Camila e Paulistana, várias meninas sempre vem falar comigo com essa preocupação e com esse receio de viajar sozinhas, se isso não é perigoso ou algo do tipo. O que eu vou responder pra vocês é o que eu sempre respondo quando sou confrontado com este tipo de pergunta: Perigoso é o Brasil! Se vocês sentem receio de serem estupradas, atacadas, surrupiadas ou o que for, sintam isso no Brasil!! Em nenhum dos países por onde viajei me senti com aquela sensação que temos no Brasil que a qualquer momento podemos ser assaltados, roubados ou algo assim. Tirando uma outra mina mais espevitada que olhava esse “pedaço de mau caminho” aqui não tive problemas maiores. O que eu escuto muito são as minas reclamando quando viajam na Índia, na Turquia e em países árabes de caras o tempo todo dando em cima delas. Mas é de boa, você apenas fala um não que os figuras já seguem o caminho deles e param de lhe importunar. Muito melhor do que aqui quando você sai nas baladas e não-raro os caras ficam puxando vocês pelo braço. Mas como eu já falei nesse post aqui, cenas no mínimo “exóticas” podem ocorrer.

5 – Anônimo perguntou:
Vc comia muito mal na Turquia?

Qual país vc comeu melhor?

abraços
R – Cara, na Turquia eu não comia muito mal. Primeiro que eu quase sempre cozinhava em casa quando estava em Istambul e Antália, mas além disso, a Turquia é a terra do Kebab, ou do churrasco grego como conhecemos aqui no Brasil. Putz eu curtia DEMAIS comer isso por lá.

E o país que eu comi pior? Bem, cara, acho que a dobradinha Nepal-Índia é insuperável. Mermão!! Saca só essas histórias aqui e aqui e tire as suas conclusões…