Roma

Cheguei à cidade eterna vindo direto da Eslovênia, como já havia falado. Meu host só poderia me buscar pelo final da tarde e, “infelizmente”, tudo o que me restou foi ficar passeando por Roma e todo a sua impressionante beleza arquitetônica. Cara, a primeira coisa que eu acho que tenho que chamar a atenção sobre Roma é que, cada vez que você vira uma esquina, cada vez que você cruza uma rua, você deve abrir seu guia novamente e ver o que aquilo representa. É uma estátua de 500 anos aqui, uma construção do tempo de Roma ali e muitas, MUITAS, fontes. Rapaz, ow lugarzinho pra ter fonte, viu? Aquilo é impressionante! Virou uma esquina, aparece uma fonte diferente…

Mas o que eu queria mesmo ver era o Vaticano! Corri direto da estação de trem para a Praça de São Pedro e já fui pra fila pra entrar na Basílica de São Pedro. Infelizmente não me foi permitido entrar porque eu estava de bermuda. Tive que me contentar apenas em bater algumas fotos do obelisco e dar uma voltas pelas imediações do Vaticano.Tem como ser mais claro?

No outro dia, já com calças, em frente ao obelisco na Praça de São Pedro

Bati logo umas fotos da Guarda Suíça, a guarda pessoal do Papa, que chama a atenção por suas roupas, digamos, incomuns. Dizem por aí que foi o próprio Michelangelo que desenhou os seus uniformes, mas se isso é verdade, esse cara devia ter era um péssimo de um mal-gosto. Imagina você tentando impôr respeito num exército inimigo com uma farda dessas? Mais parece um bobo da corte! Como o próprio nome já diz, eles são suíços e, excetuando-se os oficiais, todos celibatários.

Visitei também as ruínas do fórum romano, o antigo centro comercial e coração do Império Romano. Como eu não estava com muito tempo sobrando e, logicamente, sem DINHEIRO sobrando, infelizmente não deu pra eu contratar um guia que pudesse me explicar tudo que existia por lá. Sem histórias e sem alguém que lhe explique alguma coisa, pilastras são apenas pedaços de pedras e ruínas, apenas ruínas… Ficou um sentimento de que eu havia deixado MUITA história trás, mas foi o que deu pra eu fazer devido a sérias restrições orçamentárias.

Depois de algum tempo passeando foi chegada a hora de enfim me encontrar com meu host. Marcamos de nos encontrar em frente à praça de São Pedro e ele foi me buscar.

Couch em Roma

Os caras que me hospedaram em Roma foram realmente bem legais. Eram todos americanos e estavam fazendo um intercâmbio de alguns meses na cidade. Os caras meio que tinham acabado de começar o Couchsurfing e ainda estavam tentando se adaptar as ferramentas. Resultado? Meio que se confundiram, acabaram se enrolando e saíram falando “sim” pra quase todo mundo que pediu couch pra eles. No final eu fiquei hospedado na casa com mais outras quatro pessoas, duas israelenses e um casal francês.

O casal francês em si já merece um aparte. Os caras tinham duas motinhas que eles haviam comprado no Vietnã. Aí você pergunta: “Como foi que eles levaram as motinhas pra Roma?”. Sim, foi exatamente do jeito que você está pensando. Eles vieram dirigindo as bichinhas de lá! Rapaz!! Do Vietnã a Roma eles foram por todo tipo de estrada que você imaginar. Depois de conhecer um cara que foi de bicicleta da Inglaterra à Malásia, um casal que tava indo de moto do Vietnã até a França, ficar na casa de uma menina em Praga que havia viajado da Inglaterra até a Índia de busão, acho que só me faltava conhecer alguém que estivesse fazendo um trajeto desses caminhando… Era só o que faltava..

Durante o dia cada um seguia o seu caminho, mas quando era noite todo mundo se encontrava na casa. Resultado? Festa!! Rapaz, toda noite era uma festa danada naquela casa. Ás vezes a gente cozinhava, às vezes a gente saía pra tomar uma cerveja, às vezes a gente tocava uma viola… Sei lá, sempre se achava uma coisa pra se fazer. Lembrou-me demais a nossa casa no Vietnã.

Além dessa trupe de malucos que fiquei, também pude reencontrar um antigo brother por lá. Ele era canadense e havíamos nos conhecido, na Eslovênia?, não! Reencontrei com um cara que havia conhecido quando ainda viajava por Macau!! Couchsurfing é uma coisa engraçada mesmo, né cara? Eu fiquei em um mesmo couch em Macau com um canadense e alguns meses depois nossos caminhos se cruzam e pudemos nos encontrar em Roma!! O nome dele era Brian e ficamos um dia inteiro caminhando por Roma. Mas isso fica pro próximo post, quando vou comentar sobre como foi a perambulada por Roma.

Comentários Comentandos

A Paulistana disse tudo.

hehehehehe

Cara, deixa eu te fazer um pergunta. Mas o negócio é sério mesmo, daí se quiser esponder na sessão “Comentários Comentados” ou por outro meio, agradeceria de verdade.

Ano que vem pretendo passar uns 5/6 meses na Alemanha, estudando lá (intercâmbio pela Faculdade mesmo). Daí o lugar que eu pretendo ir já vi que é meio embassado de arranjar moradia estudantil.

Daí, pão-duro/pore como sou, estive matutando: será que rola de conseguir moradia via couch surifing por quase meio ano?

No caso, lá na região de Frankfurt, vi que é bastante movimentado no http://www.couchsurfing.org mas 6 meses eu tô ligado que é embassado.

Enfim, la pergunta: na tua experiência (melhor brazuca rankiado), você acha que rola de descolar um couch desses? Ou um bem bolado, do tipo eu ajudar nas despesas extras, ou conseguir uns 2 por 3 meses…

Só.

De resto valeu a menção lá nos Comentários Comentados.

E Parabéns atrasado. O/

Abração

R – Cara, isso é um negócio meio complicado. Couchsurfing em si é uma ferramenta mais para algo temporário, pra quem tá viajando e talz. Eu já vi história de neguinho hospedando alguém por até dois meses (eu mesmo hospedei um cara um mês e meio), mas isso é meio raro. Eu diria até impossível, se tu não conheceres a pessoa. Um semestre já não é mais um “intercâmbio de culturas em si”. Um semestre é já MORAR com a pessoa. Aí eu já acho inclusive abuso. A maioria da galera do couchsurfing, pelo o que eu pude ver, acha que o ideal é que alguém peça um couch com duas semanas de antecedência e queira ficar entre quatro ou cinco dias (de preferência fim de semana). Geralmente mais do que isso a galera já começa a embassar..

2 – Flávia perguntou:

Olá Claudiomar,

Eu irei para o Egito em julho e não sei se até lá vc já vai ter postado sobre esse país, então eu já gostaria de te peguntar se vc me indica algo em especial para fazer lá, algum lugar específico pra ir, se vc tem alguma dica e tal… com excessão das coisas básicas como visitar as pirâmides, ver os camelos…

Abraços,

Flávia

R – Cara, se eu pudesse indicar um lugar, com certeza eu diria pra você ir a Dahab. É uma cidade egípcia que fica no Mar Vermelho. Eu achei MUITO da hora. Foi um dos melhores mergulhos que eu pude fazer enquanto estava viajando. Além dela, também, claro, gaste MUITO tempo em Cairo. Fique, quatro, cinco, seis dias caminhando pelos cafés da cidade, suas mesquitas milenares, sua história latente em cada esquina. Cairo por muito tempo foi considerada a capital do mundo islâmico, rivalizando até com Meca e Medina. Portanto, tempo lá você não vai perder. Há também Alexandria, que eu não fui, mas ouvi falar bem dela.

3 – Anônimo perguntou:

Se foi Outono, então, provavelmente entre final de setembro inicio de outubro. Pois não parece muito frio.

Mas, na independente de vc te passado o rodo ou não nas loira. As minas dão mole pros latinos? mas na real, Polonesa, Thecas… é moleza arrastar na baladas?

Para um paraiba, do teu naipe, quais as chances de se dar bem. De cada dez tentativas, quantos tocos vai tomar?

R – Cara, um maranhense, desse naipe aqui, 1,60m de pura emoção. Pode colocar aí que você se surpreenderia… E sim, cara, elas dão um certo mole pra gente. Quando entramos na balada costumamos até chamar a atenção, se for com uma camisa do Brasil então… Lá todo mundo é meio que muito parecido. Branquelão mesmo. Quando aparece um maranhense, moreno de cabelo escuro, rapaz… Fica mais bandeado que peru em véspera de Natal. Vai por mim, lá é bem legal…

4 – Júnior comentou:

ehuie he ih eiuhe e… Cara na europa… um bando de mulhe do lado e quer ficar dormindo… tem gente que só batendo mesmo =P

4.1 Anônimo comentou:

Maranhão

é melhor vc mandar um post novo pois os kara vão ficar te zoando.

Tambem, vc dar motivo, não pega as gringa ainda fica de graça com jumentinho, ovelhinha… A galera da tua região já tem fama de gostar de uma cabritinha

R – Rapaz, olha como esse povo é maldoso… Eu tenho que tomar cuidado com as palavras quando escrevo por aqui. Qualquer deslize, neguinho já chega matando. Não se pode estar cansado, que você é baitola!Não pode se envolver em atividades lúdicas nas montanhas da Eslovênia que a galera já acha que você tá querendo fazer um jumentinho a tucupi. Sério, eu acho que vou eu ter que flexibilizar uma das regras do meu blog, que é de não falar das meninas que apareceram por aí, porque senão vão acabar achando que eu sou é viado… Ou Zoófilo…

Tá, mas não vou mentir… Eu ri bastante desses comentários… Hahahahahah. Pra quem não sabe das fotos que eles estão comentando, vão elas abaixo:

5 – Guilherme Aragão comentou:

Eai Claudiomar!!

Estive sumidos dos comentarios e dos comentarios comentados, mas queria avisar que estou de volta!!! Passei uma semana lendo os posts antigos e agora ja estou a par do Blog!!

Como sempre… super interessante/engracado e informativo!!!

Abracao
GAragao


R – Seja bem-vindo, rapaz. Achei que você não estava mais lendo o blog 😉

Itália e Vaticano

Cara, do trecho mais badalado por todos que vão fazer uma viagem pra Europa (França, Inglaterra, Itália, Portugal, Espanha, Holanda e Alemanha), a Itália era o único país que eu realmente fazia questão de viajar. A Alemanha eu nem estava planejando ir, acabei indo por acidente quando consegui uma carona pra Munique quando estava em Praga. Espanha e Portugal eu só fui mesmo porque já estava no trajeto que eu havia desenhado. Mas a Itália não! A Itália desde o começo estava nos meus planos de viagem e, além de Polônia, República Tcheca, Grécia (que infelizmente não deu pra eu ir) e Hungria, era um dos únicos países europeus que eu REALMENTE sonhava em ir desde que ainda fazia trajetos numa calculadora de milhas aqui no Brasil.Por quê? Bem, cara, porque o Império Romano e a Grécia Antiga são os pilares de toda a civilização e pensamento do Ocidente. Basta lembrar do Direito Romano (de onde se origina o nosso Direito); a influência de Sócrates, Platão, Aristóteles, Pitágoras, Arquimedes na filosofia ocidental e também na matemática; a democracia, que não existiria sem Clístenes e Sólon; a base da Igreja Apostólica Romana entre outros. Roma e Atenas são cidades que respiram história por todas as suas esquinas e becos. Infelizmente, como já falei, não deu pra ir à Grécia, mas felizmente pude visitar Roma, “a cidade eterna”, Veneza (que faz parte do imaginário de qualquer pessoa) e ainda deu pra dar uma passadinha marota em Florença.
Uma curiosidade que acabou ocorrendo comigo na Itália e que não ocorreu em nenhum outro país europeu enquanto viajava. A Itália foi o único país da Europa que pediram meu passaporte pra poder atravessar uma fronteira que teoricamente não existia (já que atravessava da Eslovênia que também faz parte da União Européia). Deixe eu explicar melhor. Pra quem não sabe, viajar dentro da União Européia é como viajar dentro do próprio Brasil. Mais ou menos, guardada as devidas proporções, como viajar do Maranhão pro Piauí. Não há posto de imigração, controle de fronteira, visto, nada disso! Você apenas vai viajando e, PIMBA, quando vê tá lá a placa dizendo “bem vindo” ao outro país. Todas as fronteiras que eu cruzei; Polônia-República Tcheca, República Tcheca-Alemanha; foram assim. A única que eu tive um certo tipo de problema foi quando eu viajava da Eslovênia pra Itália. Pô, peguei o trem noturno! Oito horas de viagem! O que eu pensei? Claro! Vou dormindo a viagem inteira. Quem disse? Deu umas três horas da manhã acordo com um cara me chacoalhando no trem. Quando eu já ia abrindo a boca pra xingar o figura que eu fui perceber que era um policial italiano. Ele começou a falar em italiano comigo, mas deu pra entender que ele pedia meu passaporte. Deu vontade de mandar ele cuidar da vida dele, já que ele não poderia fazer aquilo, mas acabei dando meu passaporte e perguntando o que estava acontecendo. Ele nem se deu ao trabalho de me responder. Apenas checou meu passaporte e me devolveu. Safado! Só pra ferrar meu sono.
Além de toda a sua história milenar, também queria viajar a Roma porque, sempre bom lembrar, lá há o menor país hoje em extensão: o Vaticano. Roma é quase uma figurinha premiada! Uma visita a Roma vale dois pontos no álbum de figurinhas da viagem! Dá pra visitar dois países (Itália e Vaticano) em um só dia, olha só!
Caso vocês estejam perdidos e não tenham se tocado, a sede da Igreja Católica é um país soberano. Como isso pôde acontecer? Bem, todos sabemos que a Igreja Católica sempre foi (e ainda é) uma das maiores instituições detentoras de terras do planeta. Durante vários anos, as terras próximas de Roma e a própria cidade foram governadas pelo Papa, que se comportava como um verdadeiro soberano destas terras. Isso durou até o século XIX, século da unificação da Itália. Durante o processo de unificação do território que hoje corresponde ao país, as tropas italianas foram conquistando e anexando as terras papais até o momento em que conseguiram entrar triunfantes em Roma e tomar controle da cidade. Como compensação pelas terras perdidas, os italianos ofereceram a área que hoje é o Vaticano para o estabelecimento de um país para a Igreja. O Papa logicamente não aceitou e se trancafiou no seu palácio alegando que estava sendo feito refém pelo poder laico. Essa confusão durou um bom tempo até que, vendo que não conseguiria muita coisa, o Papa resolveu aceitar os termos, assinando o tratado de Latrão com Benito Mussolini, e assim foi criado o menor país do mundo. Apesar de reconhecido por diversas nações como um país soberano, o Vaticano não possui direito de voto nas Nações Unidas. Motivo? A oposição dos países não-católicos que não o reconhecem como um país, mas apenas como a sede administrativa da Igreja Católica.
Trocando em miúdos, o Vaticano possui uma área de 0,44 quilômetros quadrados e uma população de 800 pessoas. Possui a menor taxa de natalidade do mundo (sacou a piada? Há há? Há há?). A Itália, por outro lado, possui uma população de 60 milhões de habitantes e uma das maiores economias do mundo, com destaque para os setores automobilístico (Ferrari, Fiat…), moda (Armani, Benneton…) e turismo (a Itália é hoje o quinto país mais visitado do mundo). Uma coisa engraçada da Itália é o grande contraste que existe lá dentro. Se vocês acham que o Nordeste brasileiro é muito diferente de São Paulo, é porque nunca ouviram falar do Norte e do Sul da Itália. O Norte da Itália é altamente industrializado, sede de suas maiores empresas e muito, mas MUITO rico. Já o sul, bem, o sul da Itália nada mais é do que um grande brasilzão. Pobre pra todo lado, essencialmente agrário e com muito, mas MUITOS problemas de máfia e corrupção (no ranking da ONG Transparência Internacional a Itália aparece como um dos países mais corruptos do mundo, apenas 10 posições acima do Brasil). Bom lembrar que todos os filmes de mafiosos são de famílias italianas, principalmente sicilianas e calabresas.
Cara, eu poderia ficar o tempo inteiro falando da Itália e do Vaticano e de suas diversas atrações, mas vou ficando por aqui. Quando eu começar a falar de cada cidade que visitei por esses locais vou falando com mais detalhes, acho que assim fica melhor.

E o dia amanhece na Eslovênia

No dia “pós balada”, pela manhã, era chegada a hora de fazer o mais difícil: Levantar da cama! Caraca, doido, é sério, é muito difícil você tentar levantar da cama quando se está na Eslovênia. O clima é MUIITOO gostoso, aquele friozinho saboroso que dá vontade de ficar o dia inteiro debaixo das cobertas (fico imaginando como deve ser ainda mais difícil levantar quando se tem uma loira eslovena ao lado).

Chegamos da balada quase cinco horas da manhã. Quando cheguei em casa pra dormir, achei que teria sossego pra poder ficar na cama até umas cinco da tarde. Ledo engano. Quando foi no outro dia, nove da madrugada, o telefone fixo da casa começou a chiar sem parar. Enfiei o travesseiro entre as orelhas e fiquei esperando que a Tanja uma hora atendesse o telefone. Ela não foi atender. Depois de um tempo que eu fui me lembrar que ela havia me dito que sairia cedo pro trabalho no outro dia e eu ficaria sozinho em casa. Bem, achei que era melhor deixar ele tocando porque, mesmo que eu atendesse, eu não falava esloveno. E o telefone tocou até cair a ligação. Depois tocou novamente. E depois novamente. E depois novamente. Comecei a ficar preocupado se alguma coisa tinha dado errado e resolvi levantar pra ver o que era. Quando atendi, surpresa, a ligação era pra mim:

– Claudio?

– Urghehaekhaehgaha (rosnei de sono)… Sim?

– Oie! Somos as meninas que ontem fomos para a balada contigo. A Tanja falou que era pra te pegar no outro dia pela manhã pra podermos fazer uma coisa que sempre fazemos após uma noite de balada como aquela.

A minha mente poluída pensou em algo bem legal, mas deixa pra lá…

– Ir pro hospital?

– Não, vamos fazer uma caminhada e subir um dos morros mais altos ao redor de Ljubljana. Dá pra ter uma vista fenomenal da cidade lá de cima.

Nossa, olha só que idéia genial. O que se fazer quando você não consegue ficar em pé de tão cansando? Isso, subir um morro pra ver a vista lá de cima. E depois? Ah, depois descer o morro. Pombas, baixa uma foto na Internet e pronto, cara, não precisa ir lá em cima pra ver a cidade, alguém já fez isso pra você… Eu fiquei pensando: – Será se eu tou sonhando? É isso mesmo que eu tou ouvindo? Tradiçãozinha sem-vergonha tem esses bichos, rapaz. Olha só, você sai pra balada, volta mais doido que o Robocop na chuva e no outro dia o que eles propõe? Subir um morro pra poder ver a cidade lá de cima. Gente do céu, isso sim é ser hardcore… Ainda bem que eles não tinham essas idéias no Nepal…

– Gente, vocês beberam de mais ontem ou o que? Vocês tão é ficando loucas é? Deixa eu dormir, pelamordedeus? Eu não tenho mais idade pra ficar fazendo essas pirações não, amiga! Lá no Brasil a galera costuma pirar de várias maneiras, nenhuma que seja subindo morros depois de uma balada destruição.

– Cláudio, você não me entendeu. Você NÃO TEM ESCOLHA, nós não estamos pedindo que você vá com a gente. Nós estamos DIZENDO que você vai. Ou você vai ou vamos ficar ligando até a hora que você resolver descer. E vem logo que a gente tá com pressa.

Como eu vi que não tinha muita escolha, acabei entrando naquela loucura junto com elas. Fui ao monte.

SUBINDO O EVEREST ESLOVENO

Cara, vou te dizer, não foi um Everest, mas pareceu viu? Mermão, como foi engraçado subir aquela parada. Pra começar que fomos eu, uma amiga da Tanja, a “cigana” e a sua “filha” fruto do relacionamento entre um sérvio e uma cigana.

Chegamos lá e começamos a subir a trilha. Pô, o lugar era realmente muito bonito, um perfeito local para se dar uma volta quando a noite passada foi bem dormida (longe de ser meu caso). As folhas das árvores estavam num misto de verde e avermelhado, de um outono que estava para começar.  Engraçado que a gente ia seguindo a trilha e a cachorrinha também ia junto com a gente, andando pra todo lado, fazendo maior bagunça e tentando brincar com todo tipo de bichinho que aparecia por lá.

Depois de mais ou menos uma hora de intensa caminhada nos deparamos com uma cena inusitada. Cara, DO NADA, apareceu um burrico caminhando pela trilha sem NINGUÉM segurando ele ou algo assim. Eu achei bem engraçado e aproveitei até pra bater uma foto com ele.

Além desse burrico tinhas umas ovelhas também, que eu, pra fazer graça, comecei a sair correndo atrás delas pra saber qual seria a reação delas.

Mas o mais engraçado de tudo, sem sombra de dúvidas, foi quando a cachorrinha achou de invocar com esse burro que apareceu do nada. Rapaz, ela ficou latindo no ouvido do bicho até a hora que ele perdeu a paciência e saiu correndo atrás dela. Foi uma das cenas mais surreais que eu já vi, um burro correndo atrás de um cachorro e o cachorro desesperado tentando fugir…

Subimos, batemos algumas fotos e depois eu voltei pra casa.

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Dá só uma olhada na neblina que a gente teve que enfrentar na volta para casa

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Embaixada brasileira

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SISTEMA EDUCACIONAL EFICIENTE

Chegamos já pelo começo da tarde. Tanja já havia voltado do trabalho e me esperava em casa pra podermos dar uma volta. Ela me levou em um castelo que havia lá em Ljubljana. Depois de um tempo dando uma volta, paramos numa doceria pra poder comer alguma coisa. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que essa doceria era em frente à nossa minúscula embaixada na Eslovênia.

Enquanto estávamos comendo e conversando por um tempo, um mendigo veio se aproximando pra falar com a gente. Ele chegou e começou a falar alguma coisa em esloveno pra mim, provavelmente pedindo dinheiro e eu só falei o de sempre: “Sorry, I just speak English”. Pensa que ele se fez de rogado? Nadaaaa… Ele só virou pra mim e começou a falar: “Sorry, sir, but I just wanna know…”. Cara, cê acredita nisso? O mendigo simplesmente apertou a tecla SAP e começou a falar inglês comigo. Nessa hora eu fiquei tão sem graça que pra mim não restou outra opção senão dar uns trocados pro bicho. Pô, cara!! Que país maluco é esse que até mendigo sabe falar inglês? Hahaehahe

Só sei que conversando com ela, acabei mudando os meus planos. Inicialmente os meus planos eram de visitar Ljubljana, seguir para Viena e de Viena pegar um trem ou alguma coisa que fosse pra poder descer para Itália. Ela me convenceu que seria muito melhor sair da Eslovênia direto para Itália, pois era bem mais barato e perto fazer isso. Foi o que eu acabei fazendo. Só liguei pra companhia aérea, remarquei a passagem de avião pra Viena pra uma semana depois e segui direto para a Itália.

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Perambulando por Ljubljana – Eslovênia

Cara, como já disse, não ocorreu nada de muito diferente nessa semana que passei em Ljubljana, pois estava lá tentando ao máximo recuperar as energias que tinha perdido. Eu basicamente só saía de casa pra ir no supermercado, comprar alguma coisa pra comer e voltar. A única coisa que merece destaque foi que depois de uns três dias que havia chegado, a Tanja me falou que iria rolar uma aula experimental de capoeira e perguntou se eu não queria ir. Pô, depois de jogar capoeira na Síria e em Mumbai, já era a hora de tentar a sorte na Eslovênia, né? A probabilidade de encontrar mulheres loiras, lindas, de olhos claros e pagando pau pra brasileiros seria bem alta numa aula de capoeira na Europa Oriental, ou não? “Topo, topo, por que não? Vamo cair pra dentro…”

Fomos eu e ela pra aula de capoeira e, como previsto, foi tudo o que eu estava esperando. Rapaz, imagina o Éden? Pois aquilo era um pouquinho melhor… Mermão, mas SÓ TINHA MULHER no lugar. De homem só tinha eu e mais um outro cara por lá. Era aquele plantel de mulheres lindas e loiras doidas pra saber um pouco mais daquilo que parecia ser algo tão exótico para elas. Eu, claro, coloquei o meu agasalho do Brasil nas costas e já caí pra dentro. Escolhi uma moreninha dos olhos azuis como parceira de treino e fiquei tentando trocar uma idéia com ela. No final, foi tudo como eu estava esperando, excetuando o quesito “meninas pagando pau pra brasileiro”. Tentei de toda maneira conversar com uma, com outra, com outra, com outra… E no final acabei chupando dedo… Acho que eu fui tão afoito que eu nem consegui achar nada. Eu parecia mais criança em loja de doce, não sabendo pra onde ir. Acho que se eu fosse um negão que realmente tivesse uma cara de capoeirista, não essa cara de pangaré velho que eu tenho, eu talvez conseguisse alguma coisa… Ainda tentei trocar uma idéia com a instrutora, sem querer nada demais, só curiosidade pra saber se ela falava português ou se tinha morado no Brasil, mas a mina foi mó estranha. Foi falando comigo, assim, já querendo ir embora. Depois que algumas pessoas foram me falar que ela tinha brigado com o único instrutor de capoeira brasileiro da cidade, que foi mestre dela, porque ela ia abrir uma escola de capoeira e parece que ia levar aluno dele. Boto fé que ela ficou preocupada de eu ser amigo dele, só pode ter sido isso pra mina ter sido tão esquizofrênica ao falar comigo.

BALADA AÍ VAMOS NÓS

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Olha como a caipirinha é bem feita na Eslovênia, rapaz…

Bem, depois de mais ou menos uns cinco dias em Ljubljana dormindo mais que uma pedra, eu já tava começando a ficar com vontade de fazer algo. Graças a Deus o fim de semana vinha chegando e, bem, acho que não preciso explicar mais nada, né? Tanja me convidou pra poder sair com umas amigas dela pra uma balada já que estávamos em plena sexta feira à noite. Acho que não seria de todo mal fazer isso, né? Nos arrumamos e descemos pra algo como um “esquenta” que ia rolar na casa de uma das amigas dela. Quando chegamos, como não podia deixar de ser, SÓ TINHA MULHER. Rapaz, isso parecia ser uma constante naquele país. Todo lugar que eu ia parecia SÓ TER MULHER. Eu ficava pensando como é que eles faziam pra poder se reproduzir por lá. Se era algo parecido com a lenda das amazonas ou algo assim… A dona da casa era uma menina MUITO gente boa e que dizia ser descendente de ciganos, talvez por isso era a única “não-loira” da casa, tinha só cabelos castanhos (A Tanja estava com os cabelos castanhos, mas porque ela pintou). Ela dizia que era cigana e que tinha uma filha do tempo do relacionamento que ela teve com um sérvio (destaque pro fato de que ele não era esloveno, ele era sérvio. Já falei, aquele país SÓ TINHA MULHER!), chegando até a ser casada com ele. Perguntei onde estava a filha dela e ela disse que ia chamar. Ela assobiou, pisou duas vezes no assoalho e gritou um nome eslavo lá que eu não lembro. Fiquei pensando: – Rapaz, nesse país esse povo é todo doido. Eles chamam o filho como quem chamam um cachorro!! Depois de um tempo apareceu a “filha” dela. Na verdade era realmente uma cachorra, eheheh. Uma cocker spaniel preta. Quando a cachorra veio chegando ela me falou: – Esse é o filho que dá de uma mistura entre uma cigana e um sérvio. Sai uma cocker spaniel dessa… Huhaeuhaeuheaea. Depois de ser apresentado à dona da casa, passei por aquele corredor polonês… digo… corredor esloveno e fui sendo apresentado a todas. Até que uma veio pra mim e perguntou: – Tu és brasileiro? Opa, essa aí já vai ser a primeira a ser degolada – pensei – Sou sim, por quê? – Ah, faz um favor pra gente? Faz umas caipirinhas? Lá na cozinha tem um balde de limão, um outro de gelo e uma cachaça. Fica lá fazendo? Er… hum… bem… não teve como negar. – Ta, deixa eu ir lá. E lá foi o idiota do “brasileiro” para os fundos do apartamento enquanto todas aquelas eslavas se embriagavam na sala. E assim acabou a minha noite no esquenta. Fazendo caipirinha atrás de caipirinha. Virei mão-de-obra escrava. Há ônus e bônus em ser brasileiro. Dessa vez eu fiquei com o ônus.

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O idiota na cozinha fazendo caipirinha

Descemos depois para a balada e posso dizer que foi bem da hora. Logicamente, pros mais afoitos, não vou dizer se peguei alguém ou não, não faz parte da política do blog. Mas enfim, me diverti bastante. A noite na Eslovênia é realmente bem legal. No outro dia de manhã também houve um passeio, mas isso é assunto pro próximo post.214a7-sdc11825 (1)6a72a-sdc118324c337-sdc11815

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Chegando à Eslovênia

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Postando de um Pub
Cara, a Eslovênia foi engraçada, viu? Foi a primeira vez desde quando eu comecei a viajar que eu senti o cansaço. A Eslovênia foi meio que o meu “turning point” e o momento em que eu realmente comecei a ficar de saco cheio de viajar e com vontade de voltar pra casa. Já estávamos em outubro e eram rodados dez meses desde a saída do Brasil. O cansaço já se fazia latente nos meus couros. Pra complicar mais ainda a situação a minha viagem pelo Oriente Médio havia sido MUITO cansativa, como vocês puderam ver no post anterior.

Trocando em miúdos. Cheguei na Eslovênia SÓ O BAGAÇO!! Tudo o que eu mais queria quando cheguei por lá era uma cama confortável e um lugar pra dormir e foi o que eu acabei conseguindo.

Enfim, antes de sair da Turquia, mais uma vez, me preparei todo pra poder passar pela imigração. Passagem de volta, dinheiro na conta, lugar onde eu ia ficar etc. Mais uma vez fui numa tensão sem fim pra poder passar na fila de imigração. Cara, pode parecer besteira, mas fila de imigração SEMPRE dá um frio sinistro na barriga. Lembrei de como foi minha passada na Áustria e pensei, se lá não deu tudo errado, boto fé que vai ser aqui que meu azar vai dar as caras e terei problemas. Como não tinha o que fazer no avião, fui treinando as respostas das possíveis perguntas que me seriam feitas quando estivesse frente a frente com meu inquisitor, digo, com o oficial de imigração. Chegando na Eslovênia, aquela rotina que eu já estava acostumado, europeus de um lado, a ralé de outro. Peguei a fila da ralé.

Fiquei lá esperando até a hora que o oficial me chamou. Ele olhou dentro dos meus olhos com aquele olhar que só oficial de imigração sabe fazer, aquele olhar de “eu sei que você veio se prostituir na Europa” e me perguntou: ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?

Nessa hora eu comecei a pensar: “Será se ele ta fazendo uma pegadinha comigo??”. Sério, porque, tipo, eu passando esse guichê só terei uma escolha pra onde ir. Para a saída do aeroporto, ou não? Tipo, será se atrás desse guichê tem tipo um tobogã onde a gente pula e cai dentro de outro país da Europa? Inglaterra, sei lá? Por que, real, eu passando esse cara eu vou pra onde? Maranhão? Juro que eu pensei em perguntar o que ele queria dizer com isso, mas só me limitei a falar “Eslovênia?”. Ele só puxou meu passaporte, disse “bem-vindo” e deixou eu passar… Passei pelo guichê, saí direto na saída do aeroporto e, PIMBA, estava livre!! Até hoje eu fico pensando o que diabos ele queria dizer com “ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?”. Será se ele estava era testando se eu realmente sabia onde estava? Acho que até hoje ele espera alguém dizer “Espanha” pra ele responder “país errado, favor voltar para o avião, a sua parada é a próxima” que nem motorista de ônibus faz quando a gente erra a rodoviária… Pensei até em voltar lá, dar uma bisca na cabeça dele e dizer: TOU NA EUROPA, FI DUMA ÉGUA!! AGORA EU NÃO VOLTO MAIS!!, mas achei que talvez seria uma péssima idéia.

Assim que sentei no aeroporto e liguei pra minha host ir me buscar, comecei a notar algo que seria a característica principal da Eslovênia. O país parece que é feito de Lego, cara! Tudo é pequenino lá e bem arrumadinho. O aeroporto é MINÚSCULO e a praça de alimentação, sem brincadeira, deve ser do tamanho do meu apartamento aqui em Brasília. Tinha só um café e uma lojinha de lanches. Real, até a rodoviária de Bacabal parecia ser maior. Depois fiquei pensando, quem diabos viaja pra Eslovênia além de um maranhense perdido que nem eu? Liguei pra Tanja e fiquei esperando ela ir me buscar.

COUCH EM LJUBLJANA

Cara, acabou ocorrendo algo muito interessando na Eslovênia. Pela primeira e única vez em toda minha viagem, meio que ocorreu um “intercâmbio” de couchs. Ao contrário dos outros couchs, não acabei achando a Tanja na louca, como todos os outros, pedindo pra trinta pessoas e esperando uma me falar que eu poderia ficar em sua casa. Na verdade a Tanja JÁ HAVIA sido hospedada na minha casa aqui em Brasília. Bem pra ser mais exato, ela havia sido hospedada na minha ex-casa de Brasília. Enquanto eu estava viajando, ela e uma amiga estava viajando pelo Brasil e acabaram ficando no apartamento que eu morava. Os meus antigos colegas de apartamento me falaram e me passaram o endereço dela e quando cheguei na Eslovênia, ela meio que pra retribuir também me hospedou em sua casa. Uma mão lava a outra…

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Tanja e meus ex-companheiros de casa
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Eu e Tanja

A Tanja foi uma pessoa super agradável, me disponibilizou prontamente a sua casa, me deu a chave e disse que eu poderia entrar e sair a hora que quisesse, mas nem precisava. Cara, a primeira coisa que eu fiz foi falar “muito obrigado” e, CATAPLOFT, caí na cama. Eram sete horas da manhã e ela estava indo trabalhar, por isso me deixou dormir. Acordei só as sete da noite com ela voltando para casa. Ficamos conversando um pouco, preparei algo pra comermos e quando deu onze horas da noite, fomos dormir. Acordei só no outro dia quase duas da tarde. Isso mesmo, em 24 horas dormi quase as 24 horas inteiras. Quando digo que estava cansado da Turquia, cara, não era a toa não. Aquela viagem simplesmente me matou.

Além disso, de todo esse desgaste físico que os países árabes me proporcionaram, a Eslovênia parecia também não contribuir para que eu ficasse acordado. Cara, tava um clima muito agradável por lá. Sabe aquele friozinho gostoso? Ainda mais depois de ter pego uns 40 graus na Síria? Pois era assim mesmo que tava lá. Todo dia eu acordava umas dez, saía pra dar uma volta e era aquele friozinho gostoso no pescoço. Cara, teve dia que eu saí quase meio dia de casa e ainda tinha neblina, dá pra acreditar? Aí não tinha jeito, volta pra casa e continua dormindo.

Só sei que essa semana pra mim foi quase que baixando filme o dia inteiro, escrevendo blog, fazendo planos e, claro, dormindo MUITO!! Mermão, essa Eslovênia foi bem legal…

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Comentários comentados

1 – Bruno Bononi comentou:

Pergunta meio óbvia (ok, pergunta TOTALMENTE óbvia e desnecessária), mas mandarei só pelo humor:

Não rolava o esquema carona amigo que você usou lá na Polônia/Leste Europeu?

Tipo, dispensava o turco mala e usasse a minazinha eslovaca como chamariz, ia angariando caronas até Istambul.

^^

Qualquer diferença sócio-cultural entre Polonia e a região fronteiriça entre Síria e Turquia é desprezível no exemplo.

hehehehehe

Abraços fi

R – Rapaz, se eu tivesse uma eslovaca como chafariz, acho que a última das minhas intenções seria descer com ela pra Istambul, não acha? Acho que eu iria procurar era ficar logo com ela lá pela Europa Oriental mesmo, hehehe. Além do mais, é complicado pra quem possui passaporte brasileiro ir da Europa Oriental para Istambul de carona. Os países no caminho não mais pertencem à União Européia e por isso precisaria de vistos para alguns lugares. Por isso foi mais fácil fazer isso de avião mesmo 😛

2 – Anônimo comentou no post “Eslovênia”:

Essa viagem parece o livro Mil e uma noites… não acaba nunca, rs!

R – Rapaz, e se eu te falar que provavelmente agora que chegamos na metade dos posts, você acredita?

3 – Janine comentou no post: “Procurando lugar pra ficar em Beirute…“:

oi
Já faz algum tempo que eu acompanho o blog, mas não tinha postado. Só que dessa vez não dava para deixar passar. É que eu acho que conheço o cara que vc conversou no bar. Qndo eu estava no colégio, tinha um cara que dirigia a oficina de jornalismo que eu participava. Ele tinha descendência libanesa, tava fazendo jornalismo na época e agora ele era correspondente da BBc no Líbano. Ah o nome dele era Tariq Saleh. Será que é o mesmo?…

R – Caraca, Janine, tu acreditas que é ele mesmo?? Coloquei o nome dele no google e acabei achando uma entrevista que ele concedeu e algumas fotos. Rapaz, é o bicho mesmo!! Coincidência, né?? Ta aí o nome do cara que eu falei no post sobre Beirute, galera. Acabei me encontrando com o grande “Tariq Saleh”, as fotos vão abaixo e o link da entrevista é esse aqui:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/ult76u351458.shtml.

O cara é tão chique que até verbete na wikipedia ele tem, se liga: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tariq_Saleh\

4 – Anônimo comentou no post “Problemas com tradução”:

MARANHÃO VC AINDA TÁ VIVO????????????

Jota09 perguntou no post “Problemas com tradução”:

Cara, faz tempo que acompanho seu blog e queria fazer uma pergunta. Estou planejando fazer uma viagem como a sua, só que menor. Meu roteiro é Indonésia, Malásia, Tailandia, Camboja, Vietnã, Laos, Burma e Índia. Desculpe pela pergunta indiscreta, mas quanto você gastou mais ou menos nestes países? Parabéns pelo seu blog e vê se para de sonhar com o kanguru e seja mais ”ativo”no seu blog.

Abraço

Anônimo comentou no post sobre Istambul:

Sem comentarios…

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

R – Cara, esses dias realmente eu andei vacilando com vocês. Esse último mês foi realmente bem complicado. Teve uma vez que eu deixei um intervalo entre os posts de quase uma semana e meia e outro de mais de uma semana. Bem, eu não sei se isso pode resolver alguma coisa, mas o fato é que eu tenho que pedir desculpas. Esses últimos dias foram um tanto quanto complicados aqui. Estava estudando forte pra um concurso do Ministério do Planejamento e não obtive êxito. Depois que saiu o resultado eu realmente fiquei bem chateado e passei alguns dias sem querer fazer nada. Só ficava em casa deitado, vendo TV, dormindo e coisas assim. Fiquei bem abatido e não estava muito a fim de fazer nada. Depois de um tempo assim, que ocorreram ao mesmo tempo dos atrasos nos posts, que eu fui reparando que se continuasse dessa maneira o máximo que eu conseguiria era entrar em depressão ou ficar mais gordo do que estava. Por isso esses dias eu resolvi dar uma guinada, voltei a estudar, entrei numa academia e logo, logo, voltarei a trabalhar, estou apenas esperando ser chamado em um outro concurso que passei dentro das vagas, mas que paga 1/3 do concurso que eu estou estudando. Enfim, percebi que pior do que fazer coisa pra cacete, é ficar sem fazer nada. Ficar sem fazer nada só me deixava MUITO pior. Vou tentar postar pelo menos duas vezes por semana, palavra de escoteiro.

Além do problema do concurso o que me abateu também foi que por um tempo parecia que ninguém mais tava lendo aqui. Até a galera que costumava comentar por aqui, o Bruno, a Maricotinha, a Paulistana etc. não estavam deixando mais nada de comentários. Aí foi que eu fiquei puto mesmo. Falei pra mim mesmo que se ninguém comentasse nada, eu também não ia escrever 😉 Pode parecer frescura, mas ficar escrevendo com a sensação de que ninguém está lendo é um saco. Se for pra ser assim eu vou escrever é um diário ;P

Enfim, entre mortos e feridos, peço desculpas pela demora e vou tentar não atrasar mais…

Eslovênia

Cara, a Eslovênia foi meio que um “acidente de percurso” na minha viagem. Nunca tive desejo em conhecer esse lugar e nunca havia lido nada de interessante sobre. Como eu fui para lá? Bem, quando eu estava desenhando, ainda no Brasil, como seria minha viagem de volta ao mundo, chegou uma hora que tudo havia se fechado: O traçado dava uma volta por cima do Atlântico e uma por cima do Pacífico, eu iria viajar 23800 milhas (portanto 200 milhas a menos que o limite de 24000) e estava passando por quatro continentes. Basicamente tudo da maneira que eu havia planejado. O único problema que ocorria comigo é que eu estava com 14 paradas, quando o máximo permitido eram 15. Pô, tinha dado um trabalho GIGANTESCO fazer um traçado respeitando o limite de 24000 milhas e que passasse pelos lugares que eu queria, eu REALMENTE não iria mudar tuuudoooo de novo só por causa de uma parada a mais. Ia dar MUITO trabalho fazer isso. Mas acontece que quando eu estava desenhando o trajeto, eu vi que seria possível sair de Istambul e pousar numa cidade de nome impronunciável: Ljubljana (leia Lubliana)! Eu lá sabia onde diabos ficava e que diabos era essa cidade, rapaz? Eu NUNCA havia ouvido falar dessa cidade, tampouco que ela poderia ser capital de algum país europeu. Acabou que depois de consultar o São Google descobri que ela era a capital de um pequeno país europeu chamado Eslovênia, fruto da esfacelada Iugoslávia. Resolvi colocá-la na calculadora de milhas da Staralliance e qual não foi a minha surpresa que, ao invés de fazer Istambul-Viena, eu poderia fazer Istambul- Ljubljana-Viena, ou seja, adicionar a última parada que faltava sem estourar o limite de milhas. Não era uma cidade que eu nutria QUALQUER interesse, mas no final acabou que era a pedra final do meu quebra-cabeça das quinze paradas ao redor do mundo e, além disso, seria uma ótima chance para visitar um país que um dia pertenceu a esfacelada Iugoslávia…

Bem, antes de começar a falar um pouco da Eslovênia e a explicar o que é esse pequeno país incrustado bem na Europa Central, cabe explicar o que foi a Iugoslávia, o berço da Eslovênia.

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Antiga Iugoslávia

Até 1991, quando acabou a Iugoslávia, a Eslovênia nunca tinha sido um país independente. Os eslovenos sempre pertenceram a um ou outro império da Europa. No começo eles fizeram parte do Império Romano e depois foram passando pra diversos impérios diferentes. Até que, depois da Segunda Guerra, foi criada a Iugoslávia, uma colcha de retalhos de vários grupos étnicos, religiões, povos, times de futebol… diferentes em um só país atendendo a interesses geopolíticos da União Soviética, que tentou manter o país sob sua influência na cortina de ferro, embora não tenha conseguido. Logicamente isso estava fadado a dar merda, mas inacreditavelmente durante décadas, o país e a região onde se situava, os Bálcãs (conhecido como o “barril de pólvora europeu”. Lembrem-se que o estopim que deflagrou a Primeira Guerra Mundial ocorreu lá com o assassinato de Franz Ferdinando) viveu em paz. Isso porque o país foi governado sob a mão-de-ferro de um ditador chamado Josip Broz Tito, ou apenas Tito, como era mais conhecido. Uma piada que circulava naquele tempo e sintetizava o governo de Tito era: “Seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um partido”94bab-sdc11897.jpg

Por mais que ninguém acreditasse que fosse possível, Tito conseguiu impor uma relativa estabilidade na região através de um governo que aliava uma boa habilidade em governar com uma repressão violenta a manifestações nacionalistas dos diversos povos que por lá viviam. Tito, como todo bom comunista, impôs uma forte censura na imprensa, instalou o terror e coisas assim.

Logicamente, quando ele morreu, as coisas começaram a ficar mais feias. Brigas internas de sucessão e ressurgimentos de antigos anseios nacionalistas, que antes eram esmagados por Tito, foram gradativamente enfraquecendo o poder central da Iugoslávia. Até que veio o estopim para a deflagração da Guerra Civil, que muitos sabiam que estava para ocorrer. Com o fim da União Soviética em 1991, diversos países da antiga Iugoslávia começaram a clamar por independência. A Sérvia, que sempre foi o país que mais se beneficiou da Iugoslávia, logicamente não queria perder a sua boca e com os seus planos de estabelecer a “Grande Sérvia” começou a invadir países vizinhos. Antigos ressentimentos religiosos entre os países (na região que antes fora Iugoslávia, há países católicos, cristãos-ortodoxos e muçulmanos) também contribuíram para que o pau comesse de vez. E o resto da história vocês já devem saber. Pau comendo, guerra, massacres, genocídio e o maior conflito em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Hoje a antiga região da Iugoslávia abriga Sérvia, Croácia, Kosovo, Montenegro, Bósnia e Herzergovina, Eslovênia e Macedônia. Apesar de hoje esses países serem independentes, ainda existem algumas pequenas vilas de uma ou outra etnia em determinado território. Chega a ser engraçado como elas se comportam. Duas croatas que chegaram a ser hospedadas aqui em casa me contaram que na Croácia ainda é possível achar vilas onde TODO MUNDO é muçulmano ou TODO MUNDO é católico ou TODO MUNDO é cristão-ortodoxo e apesar de elas serem distantes uma das outras por alguns poucos quilômetros e possuírem apenas centenas ou até dezenas de pessoas, SE ODEIAM entre elas…

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Ljubljana pela manhã

A Eslovênia sempre foi uma das repúblicas mais desenvolvidas. Tem um alto índice de desenvolvimento humano e é a única entre as repúblicas que conseguiu os pré-requisitos para utilizar o Euro como moeda corrente. Possui uma população de aproximadamente oito milhões de pessoas (um pouco menos que o Distrito Federal) uma área mais ou menos do tamanho de Alagoas. Enfim, fiquei o post todo falando sobre a Iugoslávia, porque é bem mais interessante e não há muito do que se falar da Eslovênia, ehhehehe.

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Ljubljana pela noite

 

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De volta a Istambul

Apesar de achar que nada de mais aconteceria quando voltasse a Istambul, de achar que apenas iria ficar por duas noites na cidade esperando o dia do meu vôo, posteriormente percebi que eu estava enganado. Primeiro porque eu pude curtir Istambul sem estresse. Ao contrário de Damasco, de Beirute e das outras cidades que passei, nesta volta a Istambul eu não precisava ficar preocupado se o tempo era curto, preocupado que eu precisava voltar logo e, pior, como eu diabos eu iria fazer pra poder me deslocar, já que se deslocar pelo Oriente Médio sempre era dor-de-cabeça. Foram dois dias de absoluta paz e descanso na preparação para a volta à Europa que prometia ser bem hardcore.
Acordei no primeiro dia e, sem ter o que fazer, resolvi procurar um lugar onde pudesse acessar internet de maneira barata. Como não sabia pra onde ir, fiquei passeando pelo Estreito de Bósforo, pensando como diversas civilizações lutaram para ter domínio daquela região que hoje pertence aos turcos e que olhando assim não parecia nada demais.
Estreito de Bósforo

Também pude ver as pessoas que, que nem eu, pareciam não ter o que fazer, apenas ficavam pescando e curtindo aquele belo dia de sol em Istambul.
Só uma curiosidade acerca dessa curiosíssima foto de Salvador Dali. Ela não é montagem, ela é, desculpem o trocadilho, realmente real. Ela foi feita com a ajuda de, se não me engano, mais quatro pessoas. Uma atirou os dois gatos, a outra segurou a cadeira, a outra atirou o outro gato e a outra atirou o balde com água. Difícil acreditar, né?

E tava eu lá, andando de boa, quando vejo um cartaz com uma foto meio familiar. Um cidadão com os olhos perdidos, cara de maluco, mexendo no seu bigode… Rapaz, eu acho que eu conheço esse cara de algum lugar. Jogador do Flamengo? Não… Peraí… Aquele cara era… Era… Dali! Salvador Dali!!
Depois de um tempo que eu fui reparar que estava em frente a um centro de eventos e que lá estava ocorrendo uma exposição de quadros originais de Salvador Dali!! Caraca, doido!! Doido demais!! Corri lá pra dentro e qual não foi a minha surpresa a descobrir que ainda era de graça. Pronto, aí foi todo o meu primeiro dia em Istambul!! Acabei me perdendo pro aquelas dezenas de quadro, aquela loucura em telas do surrealismo!! Lendo etiqueta pro etiqueta, me deliciando com detalhe por detalhe que podia perceber em cada quadro. Foi sensacional!! Dentre os diversos quadros que pude ver estava o seu mais famoso, o do relógio com o tempo se desfazendo. Não sei se era o original, ou apenas uma réplica. Enfim, o fascínio ser o mesmo…
No outro dia, resolvi passar o dia inteiro dentro da Mesquita Azul (falei dela num post atrás, se não se lembra, favor clicar aqui). Por quê? Bem, cara, além de ser uma das maiores jóias arquitetônicas que pude presenciar em toda a minha viagem, a Mesquita Azul era uma das poucas atrações em Istambul que, pasmem, não cobrava entrada. Era de graça. Entre ficar dentro de casa escrevendo sobre os futuros posts do blog e ficar dentro da mesquita fazendo o mesmo, a única diferença seria a passagem de ônibus até lá. Resolvi descer para a mesquita.
Cheguei lá, coloquei minha mochila no carpete macio da mesquita, tirei o meu bloquinho de anotações, coloquei meu agasalho do Brasil em cima da minha mochila e comecei a escrever algumas coisas que eu não poderia esquecer de postar no blog. Depois de um tempo, um cara veio falar comigo, perguntando se eu era brasileiro. Falei que sim e logo ficamos amigos. O nome dele era Fabrício e ele trabalhava como técnico em alguma área relacionada a petróleo. Ficamos trocando uma idéia. O cara era muito engraçado…

Contos em Istambul

Conversa vai daqui, conversa vai dali e fomos nos apresentando um ao outro. Depois de um tempo eu falei pra ele que estava em uma viagem de volta ao mundo e que da Turquia estava voltando pra Europa. Ele me falou que também estava viajando bastante:
– Ah é? Massa e onde você esteve antes? França, Inglaterra, Espanha? – fui perguntando aquele roteirozinho besta que todo mundo faz e acaba não sabendo que há um mundo muito grande lá fora além de Europa Ocidental/Estados Unidos da América.
– Não, não, pra falar a verdade, são uns países um pouco mais exóticos.
– Ah tá. República Tcheca, Eslovênia, Bulgária??
– Não, não, pô! Eu trampo com petróleo. Eu primeiro fui para o Azerbaijão, depois Líbia e depois Cazaquistão.
Eita porra, e eu tirando onda achando que tinha viajado pra lugares malucos. O cara não sabe nem brincar, coloca logo Líbia e Cazaquistão na mesa. Mandou mal. Fui lá e perguntei como havia sido viajar para tais países e ele me falou que havia sido, no mínimo, exótico. A Líbia, segundo ele, não havia sido nada demais, a não ser o fato de que ele havia tido alguns problemas pra poder passar no posto de imigração do aeroporto, já que NINGUÉM falava inglês (qualquer semelhança com a Síria é mera bobagem…). Falou que só conseguiu atravessar a fronteira quando os caras conseguiram ler no passaporte dele que ele era do Brasil e ficaram gritando “Ronaldo” até a hora que o tradutor da empresa chegou no aeroporto e desenrolou tudo. Problema mesmo ele disse que havia tido era no Cazaquistão.
Problema por quê? Ah, cara, besteira. Como dizia o saudoso Tiririca Jr. (sim, eu também sei ser trash. Eu confesso, eu achava ele engraçado… “Ai Jurubira como é grande a emoção, toda vez que eu te vejo faz tum-tum meu coração…”) no programa do Gugu: No aeroporto ele foi bem recebido de todos os lados, foi tijolada de um lado, tijolada do outro. Cara, não foi tijolada em si, mas foi parecido com isso. Diz ele que ao estar caminhando pelo o aeroporto, procurando um telefone pra poder ligar para alguém da empresa ir lhe buscá-lo, um cazaque, começou a gritar e a correr na direção dele. Coisa comum, você vê todo dia, né? Desce do avião, num país TOTALMENTE estranho, NO MEIO DA ÁSIA e vem um maluco correndo pra cima de você. Só faltava estar montado num elefante rosa pra completar a cena surreal…
O que você faz numa situação dessas? Vendo um louco, correndo, NO CAZAQUISTÃO, apontando pra você e gritando? Isso, logicamente o que você pensou: Nada, você fica paralisado olhando o que aquele maluco vai tentar fazer. Diz ele que ficou olhando aquele pandemônio pra ver o que ele diabos queria. Quando o cara chegou, o agarrou pro braço e começou a apontar pro braço dele, mas precisamente para a sua pele. Fabrício é negro como vocês podem perceber nesta foto abaixo.
O cara diz que agarrou com força no braço dele e começou a gritar. Depois de um tempo ele foi perceber que o fato dele ser negro e de haver um negro no aeroporto, segundo ele, parecia irritar aquele cara. Diz ele que apenas se soltou do cara, saiu correndo, entrou no primeiro táxi que viu e seguiu pra uma lan house pra poder ligar no skype e ser “resgatado” por alguém da empresa. Diz ele que a vontade que dava era de rir, mas ele ficou com medo e depois foi se informar com os companheiros da empresa (a maioria italianos), o que diabo acontecia naquele país tão distante onde a única coisa que o mundo sabe é que eles produzem potássio e que o Borat é o segundo repórter mais importante de lá…
Os italianos falaram para ele tomar cuidado, pois aquilo parecia ser algo recorrente com negros que iam trabalhar no Cazaquistão, pois muitas pessoas no país não estavam acostumadas a ver pessoas de pele negra (vale lembrar que durante muito tempo o Cazaquistão foi um país MUITO fechado, pertencente à falecida União Soviética) e isso poderia lhe trazer problemas. Por via das dúvidas, ele evitava sair de casa para não ter problemas. Bicho, só um segundo aqui antes de eu começar a escrever. Cara, imagina a loucura que não é viver num país que nem esse… O bicho falou que ele só saía pra rua acompanhado dos italianos e não-raro algumas pessoas gritavam quando olhavam pra ele. Diz que teve até uma vez que ele estava andando no meio da rua e começou a chover pedra pra cima do grupo dele. Ele diz que já havia visto chuva de todo o jeito, mas de pedra era a primeira vez. Quando ele foi ver, era um cazaque jogando pedras neles e, logicamente, gritando!! Antes eu achava que o filme Borat trazia uma imagem muito negativa acerca do Cazaquistão, hoje eu penso é se eles não pegaram foi muito leve. E você aí preocupado com seqüestro relâmpago…
Diz ele que era pra ele ficar seis meses por lá, mas deu dois meses ele pediu pra sair. Diz que não tinha paz e não dava pra ficar vivendo daquele jeito. Os caras relutaram um pouco, mas acabaram transferindo ele de volta pro Rio de Janeiro. Tá louco, imagina ficar vivendo desse jeito?
Com essas histórias não me espantava que ele havia, digamos, não se adaptado ao Cazaquistão. Gente boa demais o moleque… Ele ainda me contou que preferia morar no Rio de Janeiro, apanhando de PM, do que morar naquele lugar de maluco. Apanhando de PM? – perguntei. Ele me explicou.
Diz ele que um dia de madrugrada, por volta de uma cinco da manhã, estava caminhando com uns primos, voltando de uma balada quando foram abordados por um PM que pediu os documentos deles. Como já tava todo mundo bêbado e saliente, o primo dele só virou pro PM e falou: – Pode ficar frio, tio, aqui ta todo mundo limpo… O PM diz que respondeu à altura, ou melhor, “à baixura” já que baixou uma bolacha no pescoço dele que foi caindo por cima dos primos e todo mundo rebolando no chão, quase um boliche de embriagados, já que bêbado não é muito bom em manter o equilíbrio.
– Tio? Vê lá se eu tenho sobrinho feio desse jeito, rapaz!! Senta todo mundo no canto ali!! – o PM gentilmente respondeu. Ficaram os cinco sentados no parapeito da calçada olhando pra ele. O bicho só falou: – Agora vocês cinco vão ficar aí sentados até a hora de acabar o meu horário. Os cinco, podem sentar aí, tão de castigo que é pra aprender a obedecer autoridade. E ai de quem dormir aí!! Pode ficar todo mundo com os olhinhos abertos!!
E lá foi ele e os primos ficar até sete horas da manhã de castigo pra poder aprender a respeitar autoridade, hehehehe.
No aerporto de Istambul, quatro horas da manhã, esperando o avião e escrevendo o blog…
Depois de um tempo conversando, de ouvir esses e muitos outros causos (o cara era muito engraçado, não dá pra escrever tudo aqui, senão vou ter que fazer um blog só pra ele), nos despedimos e foi chegada a hora de eu voltar para casa pra poder pegar minhas coisas e descer pra Eslovênia. Chegando em casa nem deu pra gente se despedir direito, pois o casal que estava me hospedando pareceu que estavam brigado e por isso nem puxei muito papo com eles. Segui logo pro aeroporto pra poder esperar meu avião que sairia SEIS horas depois…

Atravessando a fronteira da Síria para a Turquia – agora a volta!

Cara, tava tudo dando certo e se encaixando direitinho. Apesar de ter sido difícil entrar na Síria e o mesmo pra poder entrar no Líbano, a saída de ambos países foi bem tranquila. O ônibus que eu peguei no Líbano não atrasou, chegou no horário e com isso consegui ficar quase cinco horas a mais em Alepo. Bati várias fotos, o que me deixou satisfeito. O transporte de Alepo até a fronteira da Turquia também foi bem tranquilo, deu tudo certo. Ninguém tentou me roubar e, apesar de uma história que eu vou narrar abaixo, nada demais aconteceu. Cara, tudo estava acontecendo de uma maneira que me deixava assustado, pois, afinal, no Oriente Médio, tudo ocorrendo de maneira correta, era um mau presságio.
Dica, sério, se vocês vão viajar por aquela região, faça com que algo dê errado, pois senão vai acontecer o mesmo que aconteceu comigo.
Enrolei-me com dois gringos que conheci em Alepo, pegamos o transporte em direção à fronteira e seguimos em direção ao posto de controle da fronteira turca. Eles eram um casal de eslovacos e também estavam indo em direção a Istambul. Fiquei amigo dos figuras. Estava lá, dentro do carro, pensando em devaneios, quando lembrei de algo que me preocupou sobremaneira. Eu não sei se vocês lembram, mas num post lááááá atrás, escrevi sobre um sírio que conheci que era jornalista e fazia vários documentários e reportagens contra a ditadura síria. Aquele que já havia sido preso várias vezes. Enfim, aqui está o post dele pra que vocês possam refrescar a memória.

Casal eslovaco que viajou comigo até Istambul. Fui só eu o mais alguém achou a menina a cara da Trinity do Matrix?
Sim, por que estou falando tanto dele? Bem, acho que vocês não lembram, mas no post eu falei que ele havia salvo alguns dos seus trabalhos no meu pen drive quando eu estava em Damasco pra eu depois poder ver em casa. Gravei no meu pen drive e acabei nem me lembrando de abri-lo e ver o que ele havia colocado lá dentro. Só fui me lembrar quando estava cruzando a fronteira. Qual o problema? Amigo, estamos falando de um cara que já foi preso várias vezes pela ditadura síria, altamente subversivo e com grande probabilidade de estar fazendo um trabalho novo e querendo propagandeá-lo pelo mundo. Como? Ora, como, disponibilizando para vários estrangeiros diferentes. Cara, não sei se vocês se tocaram, mas eu estava com uma probabilidade MUITO GRANDE de ter um material altamente subversivo no meu pen drive. Vocês podem achar que eu estou falando besteira, mas basta apenas lembrar que estamos falando de uma das ditaduras mais sanguinárias do planeta que tem como um dos seus principais modelos, nada mais, nada menos, do que o ditador iraquiano Saddam Hussein.
O desespero bateu forte quando lembrei disso. Cara, e se eles resolvessem mexer nas nossas malas, ver o que estávamos levando assim como fizeram no Camboja com um estrangeiro que estava no meu ônibus (que até o laptop eles ligaram pra ver o que tinha no HD do cara)? Mermão, aquilo tinha um GRANDE potencial de dar merda. Comecei a pensar em mil maneiras de como eu poderia fazer pra poder esconder aquele pen drive. Não, não pensei em colocar naquele lugar íntimo que iria arder bastante, também não precisava esse grau todo de desespero, né? Resolvi apenas jogá-lo embaixo do meu banco e rezar pra que nada de errado acontecesse no final. Chegamos ao posto de controle da Síria. Por mais desesperado que eu estivesse, o único problema que acabamos tendo foi que havia uma fila GIGANTESCA de carros querendo cruzar a fronteira (boto fé que todo mundo quer ir embora da Síria) e o fato de que não poderíamos sair com nenhuma nota de dinheiro sírio do país. Sim, não é permitido sair com dinheiro sírio de lá e nem é possível trocar a sua moeda em qualquer lugar que não seja dentro da Síria. Interessante, né? Acho que é pra evitar que especulem com a moeda da Síria e assim desestabilizem a sua economia. Nem no nosso carro tocaram, só carimbaram meu passaporte e me mandaram voltar pro carro. Nada demais. No final, quando eu vi o que havia no pen drive, não havia nada demais, apenas algumas fotos de um campo de refugiados da Palestina e umas novelas que ele havia feito. Infelizmente antes de eu puder passar pro meu pc os arquivos, o pen drive deu pau e eu acabei perdendo os mesmos.

Odisséia turca

Cambada na Rodoviária
Problema mesmo eu fui ter foi quando cheguei na Turquia. Bicho, aquilo não foi uma viagem. Aquilo foi uma odisséia. Se eu achava que havia tido problemas demais na ida, eu não sabia o que me esperava na volta. Cara, só quando eu cheguei na maldita rodoviária de Antákia, aquela que me trazia péssimas recordações que eu fui ter notícia de que eu estava viajando na véspera de um dos MAIS IMPORTANTES feriados turcos!! Era algo mais ou menos como se eu estivesse viajando no dia 23 de dezembro aqui no Brasil. Mermão, a rodoviária tava um INFERNO de gente caminhando pra tudo que era lado, todo mundo estressado e, claro, ninguém com a mínima paciência para forasteiros.
Cheguei no guichê, com a maior das esperanças do mundo, e fui falar com o atendente:
– Opa, tudo bom? Então, cara, o próximo ônibus pra Istambul, que ainda tenha passagem disponível, sai que horas?
– Daqui a uma semana. Você prefere janela ou corredor?
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Rapaz, no começo eu até achei que ele tava era de molecagem comigo. Mas só depois que eu fui me tocar que ele realmente falava sério. Não havia passagens para Istambul de maneira alguma. Istambul? Não havia passagens era pra LUGAR ALGUM da Turquia saindo daquela rodoviária ABARROTADA de gente. Parecia que a melhor idéia pra mim seria ficar acampando naquele deserto por uma semana antes de pegar o próximo ônibus, já que nem hotel eu poderia pagar, pois o preço deveria estar nas alturas. Comecei a conversar com o casal de eslovacos pra ver o que poderíamos fazer e surgiu a idéia de tentarmos viajar para a cidade mais próxima no caminho de Istambul e ver se lá teríamos mais sorte. Acabamos tendo que ir de novo para Antália e de lá tentar chegar em algum outro lugar.

Tudo o que eu consegui comer em 24 horas de viagem. Correria é assim mesmo, chefe!
Ao chegarmos em Antália, também não havia busão no mesmo dia para Istambul. Cara e foi do mesmo jeito. Viaja pra outra cidade mais próxima, não tem busão pra Istambul, vai pra outra, não tem busão pra Istambul, vai indo, indo, indo… Foi indo assim até que em uma dessas rodoviárias conhecemos um turco que falava inglês e achavámos que seria a nossa redenção. Realmente, ele foi nos ajudando de boa por algumas cidades nas trocas de ônibus. Mas bicho, teve uma hora que ele quase saiu no tapa com o motorista de um dos ônibus por um motivo que não fazíamos a MÍNIMA idéia. Os passageiros do ônibus até chegaram a querer vir falar com a gente, perguntando alguma coisa em turco, mas desistiram quando viram que só falávamos inglês. Devido ao estado aleatório do figura, achamos que seria menos arriscado se déssemos um perdido nele e continuássemos sozinhos…
No final, levamos 30 horas para fazer uma viagem que facilmente daria para fazer em 12. Ninguém falava inglês com a gente, todo mundo queria nos roubar, tudo era sempre mais difícil. Mas enfim, conseguimos chegar, são e salvos a Istambul… Mais dois dias nessa cidade e depois eu seguiria para o meu próximo destino: Eslovênia…