Update de Bratislava

Galera, desculpa por demorar a postar, mas e’ que fim de semana sempre e’ mais complicado por causa das baladas. Tou em Bratislava na Eslovaquia, fiquei hoje o dia inteiro andando pela cidade e batendo fotos e agora tou saindo pra encontrar com os couchsurfers da cidade.
Hoje nao vai ter post novo, mas amanha com certeza eu posto a primeira parte do post sobre o Nepal.
abracos maranhenses
P.s: Estou em Bratislava agora, mas me encontro escrevendo sobre o Nepal
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Quartinho aprazível

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A casa do Avinash em si foi um lugar bem aprazível, como já tinha falado. A parte ruim mesmo foi só ter que ficar dividindo quarto com uma pancada de macho. Tínhamos apenas uma cama de casal e dois sofás e sempre ficávamos tendo que revezar. Mais o melhor do quarto era Avinash explicando:
– Cara, não esqueça de, antes de ir embora, colocar todos os seus aparelhos eletrônicos dentro de sua mochila e fechá-la.
Ahn? Aparelhos eletrônicos dentro da mochila? Fiquei curioso. Pra que diabos isso? Será se era medo de ladrão?
Depois ele foi lá e me explicou:
– É porque senão os ratos entram na sua mochila e roem os cabos dos seus carregadores!
Ratos!?!?! RATOS!?!?! No meu quarto?!?!?! Éguas, doido!! Pára com isso!!
Não sabia que a casa do Avinash seria um dos locais mais limpos que visitaria por toda Índia. Afinal, lá tinha apenas ratos e ratos não são venenosos.
Enfim, depois dessa semana em Deli, acabei “pegando carona” com os dois nômades e fui junto com eles para Katmandu no Nepal. Comprei um bilhete de avião e convidei Samanta, uma americana que conheci numa “festa no Apê” em Deli, e fomos nós quatro para o Nepal. Mas isso já é assunto para o próximo post.
Na foto: Eu, Samanta, os dois nomades e nosso host em Katmandu no Nepal em um encontro do Couchsurfing

P.s: Estou em Viena, mas estou comecando a escrever sobre quando passei pelo Nepal

Ahn???

Caraca, velho… Esse blog ta comecando a adquirir um carater messianico!!!

Hoje dei uma reparada e vi que os ultimos tres posts escritos (“Companheiros em Deli”, “Couch em Deli” e a “Primeira enrolada a gente nunca esquece”) terminaram todos com 19 postagens!!!! 19, 19, 19…

O que o meu blog quer dizer com isso? Conhecerei uma poloca fogosa, 19 aninhos, no caminho? Serei entrevistado pelo Jo no dia 19 de algum mes? O dolar vai valorizar 19% em um dia arrebentando de vez a minha vida??

Mermao, pirei nessa parada!! 19! 19! 19!!

Abracos maranhenses

P.s: Minha passada por Egito, Israel e Jordania sera de 19 dias!!

Companheiros em Deli

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Além de Avinash e sua família mais outros dois caras ficaram hospedados com a gente. Dois couchsurfers, um irlandês e um austríaco, acabaram ficando lá por casa. No começo eles pareceram ate ser gente boa, mas no final acabei não me dando muito bem com eles. Não que eu tenha brigado ou algo assim, mas acho que nossas personalidades apenas não era compatíveis.
Mike, o austríaco

O interessante dos dois é que eles eram dois nômades. Sim, nômades! Eles não tinham casa! A vida dos caras é viajar, viajar, viajar e ficar hospedados em casas pelo couchsurfing. Eles sao aquilo que eu acho de “neohippies”. Eles trabalham um pouco (geralmente ensinando alemão ou inglês) pelos lugares que passam, juntam uma grana e saem viajando. E vão desse jeito! Juntou grana, vai embora pra outro país. A grana encurtou? Ou volta pra Europa pra trabalhar ou começa a dar aula no pais em que se encontra. Junta grana, vai embora… E assim vão indo! Achei isso muito interessante! Imagina que vida louca, cara? Sério, depois eu fiquei pensando, se der algo errado na minha vida, meu plano B vai ser esse! E o pior que eles nem foram os primeiros nômades que conheci.
Tecla PAUSE
Pra quem leu a matéria do Imparcial que falava sobre a minha viagem, eu cheguei a falar do primeiro neohippie que conheci na vida. Um dia eu tava em Brasília na internet e alguém mandou uma mensagem pro yahoogroups do couchsurfing de Brasília falando que tinha um cara, Daniel, que precisava de um lugar pra ficar. Na mesma hora ofereci o meu apartamento e três horas depois o figura tava lá em casa. Quando fui falar com ele, perguntei quanto tempo ele queria ficar. Ele só respondeu:
– Ué, o máximo que puder!
Rapaz, na hora eu ri demais, cara! Falei pro bicho que ele podia ficar lá em casa o tempo que quisesse. E o cara foi ficando, ficando, ficando… Ele era nômade também que nem os figuras acima. O cara ficou quase um mês e meio lá em casa até que um dia ele encheu o saco de Brasília (e até agüentou muito, bicho! Um mês e meio e não encher o saco de Brasília, o cara tem que ser herói!) e foi embora pra Bolívia. Simples assim. Pirei tanto com essa experiência que acabei metendo o pé no mundo também! O Dani foi um dos caras que inspiraram essa minha viagem inclusive.
Tecla PLAY
O que era mais interessante era que os dois, por estarem há algum tempo na Índia, já estavam mais do que acostumados às particularidades da cultura indiana, leia-se, comer com as mãos.
Sim, gente, aquela parada que falam pra gente sobre os indianos, comer com a mão direita e “se limpar” com a mão esquerda realmente ainda existe. Só pra vocês terem uma idéia, em quase todos os banheiros que fui na Índia, ou pelo menos os que eu prestei atenção, há uma famigerada torneirinha próxima ao vaso sanitário. Os indianos geralmente não utilizam papel higiênico em si. Eles passam os dedos da mão esquerda no, digamos, “vão”, e depois limpam a mão na torneirinha!!! Pense nisso na próxima vez que oferecer a sua mão esquerda pra cumprimentar um indiano.
Cara, esse com certeza foi o maior choque cultural que tive na Índia. Sério, sou um cara super-sussa com diferenças culturais e sempre, no máximo possível, tento me adaptar à situação sem ser “aquele moleque chato do Ocidente”. Já “obrei” de cócoras por diversas vezes na Indonésia, comi gafanhoto na Tailândia e o caramba! Mas comer com as mãos é algo que me transcende, cara! Não dá mesmo! Alguns indianos chegavam até a ficar meio chateados quando a gente ia no restaurante e eu pedia pra alguém buscar uma colher pra mim, mas eu explicava:
– Cara, vocês quererem que eu coma com as mãos porque eu estou na Índia é o mesmo que eu querer que vocês comam picanha porque estão no Brasil. Não dá!
O irlandês em si era uma figura a parte! O cara andava com um porrete na mão! Sim, um porrete! Pra onde quer que ele fosse ele carregava aquele porrete dele. E era um senhor porrete, meu amigo! Depois de alguns dias, não agüentando mais de curiosidade, fui lá e perguntei pra ele:
– Oh, meu amigo! Pra que diabos você anda com esse porrete na mão pra cima e pra baixo?
– Porque eu gosto!
– Uai, mas só porque você gosta? Não tem outro motivo?
– Porque você anda com esse colar imenso no pescoço? – ele me perguntou
– Er.. hum.. é porque… Uai, é porque eu gosto de andar com ele.
– Sem mais perguntas – ele respondeu.
Sutil como um tanque de guerra numa descida esse menino.
Spyro e seu porrete…

Apenas um toque sobre o post passado…

Galera. eu vi que algumas pessoas reclamaram acerca do post passado que eu havia escrito. Alguns dizendo que o post estava muito serio, outros reclamando que era flood.

Algum tempo atras eu ja havia falado isso e agora eu vou escrever novamente. Ha algum tempo eu venho utilizando esse blog mais do que apenas um diario de viagens ou algo do tipo. Ha algum tempo venho utilizando esse blog como um formador de opiniao, fonte de cultura e etc.

Quando nao concordo com algo, quando me revolto por algum motivo, quando quero apenas deixar a galera a par de alguma que esta acontecendo etc. eu lanco mao do blog para isso. Acho que isso e’ um dos grandes deveres que todo blogueiro deve ter nessa grande midia independente que e’ a blogosfera.

Alem do mais a media que eu venho tentando manter desde quando deixei de postar semanalmente vem sendo na medida do possivel mantida. De tres em tres dias ou de dois em dois dias posto algo novo ou um video novo, nao da pra postar mais do que isso porque, como ja falei algumas vezes, ainda estou viajando. Esses canais informativos, charges, noticias ou o que for sempre posto no intervalo entre duas postagens ou algumas vezes junto com as postagens.

De boa??

Sem problemas nenhum, galera, mas e’ que eu considero a galera que posta no blog uma grande familia e portanto nao queria que voces achassem que estou fazendo pouco caso disso aqui.

Agora vamos voltar `a programacao normal.

Em duas ou tres horas uma nova postagem sobre a India, so nao faco agora porque acabei de chegar em Florenca e tou afim de dar uma cochilada. Como e’ sempre bom lembrar, estou na Italia, mas estou escrevendo sobre Deli na India.

Abracos maranhenses

P.s: Pra podolatra que anda postando por ai. Meus pes estao bem, obrigado 🙂

Hospedagem em Delhi – Meu couch

O meu couch em Deli foi, sem sombra de dúvidas, um dos mais interessantes que fiquei desde que comecei esta viagem. Avinash se predispôs a me hospedar pelo fato de eu ser o primeiro brasileiro que ele iria conhecer. Como já explicado em um post anteriormente (história aqui), o “visto para o coração das pessoas” mais uma vez ajudou bastante. O mais interessante de ser hospedado por Avinash foi eu poder conviver com a sua família, apesar dele me confidenciar que sua mãe e seu pai ficavam sem graça pra poder conversar comigo. Mesmo assim eles foram bem simpáticos comigo. Eles eram tão gente boa que às vezes eles iam me levar o café-da-manhã quando eu acordava e ia direto acessar a internet ou ficavam tentando me arrancar do computador pra poder almoçar ou jantar. Hehehe. Sim, na casa de Avinash, todas as refeições, café-da-manhã, almoço e jantar eram servidas. E “ai de mim” se eu me atrevesse a não querer comer, heheh. Se eu não estivesse à alguma refeição (caminhando pela cidade por exemplo), eles faziam questão de guardar a comida pra quando eu chegasse. Sério, cara, Avinash e sua família eram gente boa MESMO!
Além desse fato de eles serem super gente boa, teve um pequeno choque cultural que foi MUITO engraçado. Claudiomar Filho, burrão, no primeiro dia, como sempre faço, me ofereci pra cozinhar um pouco de “comida brasileira”. “Comida brasileira” que me disponho a cozinhar nada mais é do que um tipo de arroz (arroz com tomate, arroz com salsicha…) e algum tipo de carne. Sempre faço isso quando chego nas casas que vão me hospedar por dois motivos:
1 – Quero ser gentil
2 – Tem dias que eu REALMENTE quero comer arroz (pombas, eu sou maranhense, brother! E maranhense é famoso como comedor de arroz!)!
No final acaba dando super certo, haja vista que pra pessoa que tá me hospedando é uma novidade danada comer arroz temperado e salgado (como já falei antes, o arroz na Ásia não tem gosto. Eles cozinham o arroz branquinho, sem nenhum pingo de sal) com um tipo de carne diferente e pra mim é uma felicidade danada comer arroz salgado e temperado com um tipo diferente de carne, pelo mesmo motivo expressado acima. O choque cultural foi que, e eu tenho certeza que até agora menos de 5% das pessoas se tocaram, os Hindus NÃO COMEM CARNE!!! Sim, cara! Esqueceu? A vaca é sagrada pros bichos!!

Tecla PAUSE

A vaca é, de longe, um dos mais sagrados animais para o sub-continente indiano. No início achei que fosse algo da religião Hindu, mas depois descobri que os Sikhs, que são uma religião totalmente diferente, também não comem carne, logo nao comer carne está envolvido a cultura também! Enfim, na mitologia Hindu há um espaço reservado para santificar a vaca, mas sou capaz de arriscar que o hábito de não comer carne veio antes da religião Hindu (apesar de estarmos falando de uma das religiões mais antigas do mundo e que se acredita ter mais de 4000 anos!). Avinash me explicou que eles respeitam bastante a vaca, além do caráter religioso, por ela ser a “provedora” do sub-continente indiano. Quem primeiro provém alimento a você? Sua mãe, através do leite materno. O que ocorre quando sua mãe não pode mais lhe prover leite? A sua segunda mãe é a vaca! Sim, acho que falar que sua mãe é UMA VACA na Índia parece ser algo bom!
– Beleza, a vaca te provém leite, mas porque você não pode comer o boi, Avinash? – eu perguntei!
– Uai, pergunta idiota, Claudiomar! Você não pode comer o boi simplesmente porque ele é o marido da vaca! Às vezes você faz perguntas tão imbecis!
– Ah, então tá bom!

Exemplo de um seguidor da religião Sikh. Explicarei mais sobre essa interessante religião posteriormente

Tecla PLAY

Rapaz, foi eu perguntar pro Avinash aonde vendia carne pro bicho me falar:
– Pelamordedeus, cara. Não fala isso aqui nessa casa! Se meu pai ouve ele te mata!!
Hahaha. Eu tinha esquecido! Não é que os caras não comiam carne de vaca! A família dele INTEIRA era vegetariana, bicho! Avinash me explicou que a casta dele era (eu digo era porque hoje ele não dão mais importância quanto antes) a casta dos Brahmin ou dos sarcerdotes! Logo, a sua casta não comia nenhum tipo de carne e eles acabaram mantendo essa cultura! Depois que eu fui me tocar que realmente não havia nenhum pedaço de carne nas refeições que eles me serviam! O que eu acreditava ser carne nada mais era do que glúten de soja!
Pela primeira vez na minha vida, cara, por uma semana, eu virei vegetariano! Fiquei impressionado comigo mesmo. Sério, sou um dos caras mais carnívoros que vocês podem imaginar. O pior que nem foi muito difícil. Acho que o mais complicado pra mim é cozinhar ou escolher comida apenas vegetariana, mas quando alguém já vai lá e coloca pra você, você acaba devorando sem nem pensar!

Índia – A primeira enrolada a gente nunca esquece…

Deli foi uma das maiores experiências que tive viajando pela Índia. Tanto na parte do aprendizado cultural quanto em aprender como a Índia é um local em que quase todo mundo que te enrolar com algo. Só pra vocês terem uma idéia, já na primeira noite que eu cheguei a Deli, o taxista já tentou me roubar.
Cheguei ao aeroporto e procurei por um posto de táxi pra poder ir pra casa do Avinash, brother que ia me hospedar. Fui a um balcão que vendia táxi “pré-pago” e mostrei o endereço. O cara falou que o táxi pro endereco que eu mostrei custava 200 rúpias. Fui lá, paguei e fui procurar pelo meu táxi. Peguei o primeiro taxista da fila, mostrei o comprovante, mostrei pra onde ia e ele reclamou que praquele lugar era mais caro e que eu paguei menos do que devia. Como há muito tempo eu aprendi a confiar até no cão, menos em taxista, fui ao balcão, mostrei o endereço novamente e realmente foi constatado que havia um erro. O balconista falou que eu deveria pagar mais 160 rúpias. Fui pagar a ele, mas ele falou que tava de boa, que era só pagar ao taxista direto. Como aprendi a confiar até no cão, menos em taxista, pedi a ele que escrevesse no papel aonde eu tinha anotado o endereço quanto a mais eu deveria pagar. Ele foi lá e anotou.
Voltei pro táxi e mostrei pro taxista que ia pagar as 160 rúpias a mais e que tava tudo de boa. Ele foi lá e foi me levando. O aeroporto era deveras longe da casa do Avinash. No caminho, descobri que o taxista não falava bulhufas de inglês, as únicas palavras que ele sabia falar eram as palavras pra tentar me roubar.
Rapaz, mas foi só a gente sair da área do aeroporto (tirando todas as minhas chances de trocar de taxista) que o show começou. Primeiro ele começou a falar “tool fee, tool fee” (taxa de pedágio, taxa de pedágio) e através de gestos ele falou que eu deveria pagar além das 160 rúpias, mais 50 rápidas devido ao tool fee. Na hora vi que era “migué”, haja vista que no recibozinho que me deram no aeroporto estava escrito bem claro “TODAS AS TAXAS ESTÃO INCLUSAS”. Depois de algum tempo tentando falar que eu não ia pagar p* (patavina) nenhuma a ele, resolvi entrar no joguinho dele e satisfazer o meu desejo sádico.
Fiz cara de gringo e comecei a dar a entender a ele através de gestos: – “Jura? Oh, perdão! Como não pude notar tal erro?!?! Claro que tenho que pagar as 50 rúpias devido ao tool fee, claro que vou pagar, não há problema.”. Rapaz, fiz a maior cara de gringo bobo que consegui e o rapaz realmente acreditou que eu tava aceitando o que ele falou. Ah rapaz, pra que? De dez em dez minutos chegava uma “fee” diferente. E era gasoline fee, e era parking fee (taxa de estacionamento), night fee (bandeira 2) e era uma pancada de taxa que ele ia colocando… Chegou uma hora que eu não tava entendendo era mais nada, já que o bicho se empolgou e tinha acabado todas as palavras que o cara sabia em falar em ingles(ele só sabia falar fee e os números em inglês). Ele tava falando era qualquer coisa em híndi seguida da palavra fee. Só sei que demorou quase uma hora e meia pra chegar na casa de Avinash e quando cheguei o preço já tava QUATROCENTAS RÚPIAS a mais! Queima!! Mermão, eu via a felicidade nos olhos do taxista! Cada taxinha que ele inventava (e eu aceitava sem nem reclamar dava só um sorriso e fazia o sinal de ok, ok) ele abria um sorriso de uma orelha a outra. Acho que ele ia só pensando: – “Eita que eu vou me fazer com esse gringo idiota! Vou ganhar dinheiro que só o diabo! Se pá compro até um táxi novo!”. Quando chegamos à casa de Avinash, o bicho tava sorrindo mais que professor de aeróbica.
Mas o meu plano maligno estava apenas começando! Rapaz, mas naquele dia eu tava mais malvado que cupim que rói santo! Chegando à casa de Avinash, pedi ao porteiro pra chamá-lo e o taxista ficou do meu lado. Rapaz, pense num cara que ficou mais aperriado que ateu no dia do juízo final quando percebeu que eu ia chamar um nativo pra poder pagar a conta? Ah, meu amigo, mas aí o cara se desesperou! Começou a falar money, money… e eu só gesticulando: “Relaxa doido, o money tá vindo dali de dentro”. Satisfiz plenamente o meu desejo sádico vendo aquele pobre coitado implorando (literalmente! Tava com a mãozinha estendida e tudo) pelas sonhadas 400 rúpias dele. Cara, o bicho depois de uns 10 minutos começou a fazer foi cara de choro! Eu nunca tinha visto um homem crescido fazer aquilo, cara! Confesso que esse foi o único momento que realmente senti pena do taxista!
Cara do motorista implorando pelas tão sonhadas 400 rúpias dele

Quando Avinash chegou, já fui logo falando: – “Avinash, eu não sei o que esse cara tá me enchendo o saco, cara! Tá aqui o comprovante do táxi pré-pago que eu paguei lá no aeroporto dizendo que é pra me deixar no teu endereço! Tá aqui omostrando que eu paguei o que devia (é LÓGICO que eu não falei do erro do balcão e que, pelo menos as 160 rúpias que o cara me cobrava a mais, estavam certas!). Ele tá querendo me cobrar quase três vezes mais!”. Ah, menino, Avinash ficou que nem bicho! Eu vi Avinash bater na mesma hora no cara! Na mesma hora mandou o cara ir embora! Falou ele não ia pagar era nem 10 rúpias a mais e que era pra ele deixar de ser cabra safado!

Ah mermao, mas na hora que o Avinash falou que nao ia dar nem 10 rupias a mais pra ele, o cara pegou mais ar que pneu de trator… Na hora que o taxista viu que nao ia receber nada, ficou mais brabo que siri dentro de lata… Beleza, ele tentou me roubar, mas pelo menos as 160 rúpias era direito dele de receber. Avinash chegou até a me perguntar e eu falei que não sabia que diabo o cara estava falando (Hua hua hua, Risada Maléfica). Depois que o taxista começou a se exaltar (pô, cara, as 160 rúpias eu realmente deveria pagar) até o porteiro, bufando, na febre, já veio pra saber o que era. Ficou aqueles tres caras olhando pra ele com aquela cara “qual é, brother?”. De uma hora pra outra o taxista se viu mais bandeado que peru em véspera de natal! Como o taxista era metido a esperto e não a suicida o pobre indiano, franzino e bigodudo, vendo que o bicho ia pegar pra ele, entrou correndo no táxi e foi embora. Mas foi sem nem pestanejar!
Resultado: O pobre taxista que achou que ia fazer uma grana besta em cima de mim, acabou indo embora recebendo a metade do que tinha direito e por pouco não levou umas porradas. Se eu ri? Por pelo menos uma semana esse “feitiço contra o feiticeiro” ou “caça contra o caçador” me fizeram rir MUITO.
E essa foi apenas a primeira das milhares de tentativas de me roubar que tive experiencia na India.
O mal do esperto é achar que todo mundo é besta.

Update da Italia

Galera, acabei de chegar na Italia. Peguei um trem de 10 horas da Eslovenia ate aqui. Antes de chegar em Roma, o meu host falou que eu poderia ficar no ape dele de boa. Ele so esqueceu de falar que alem de mim teria mais um casal de franceses, duas israelenses alem dos outros dois americanos que moram junto com ele. Resumindo… OITO pessoas num apartamento de tres quartos!! Vem na minha!! Pra quem le o blog ha algum tempo, sabe que ja cheguei a pegar uma lotacao maior no Vietnã.
Pra ficar logo amigo da galera, lancei mao de algo que ja venho fazendo ha algum tempo. Apliquei o que chamo de “diplomacia do arroz”. Fiz logo foi uma panelona imensa de arroz pra todo mundo!! Galera pirou!!
Enfim, boto fé que essa semana em Roma promete…

Obs: Encontro-me neste momento na Italia, mas estou escrevendo sobre Deli na India.