Posts atrasados…

Galera, uma serie de fatalidades tao me atrapalhando pra poder postar o blog…
Serio, hoje eu tava com tudo certo, texto formatado, fotos editadas, pen drive no laptop… Nesse exato momento, com o pen drive ainda no pc, na hora que ia começar a postar, todo mundo subiu no telhado da casa pra tocar violão e tao me chamando aqui… Ta, vocês são importantes, mas o dever me chama!! Se eu não zuar com a galera não tem historia no blog, né?? aheuahuehe
Daqui a 12 horas, sem falta, post novo… Pode cronometrar…
Juro que so vou subir no telhado pra tocar violao e tomar cerveja por que estou pensando em voces… Tudo pelo blog!!
abraços maranhenses
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Bali

Nusa Dua – Bali

Cara, Bali, ao contrário do que eu pensava, não é uma cidade. Bali é o nome de uma dentre as milhares de ilhas pertencentes ao arquipélago Indonésio. É uma ilha até grandinha (qualquer ilha maior que a ilha de São Luís pra mim é grande!). Possui uma população de aproximadamente tres milhões de pessoas e várias cidades diferentes dentro da mesma ilha!
Um dos varios resorts de luxo em Bali

Sério, Bali, de todos os lugares que visitei, sem a menor sombra de dúvidas foi o local que mais me encantou! Cara, o que me deixou mais impressionado é que naquela ilha tem quase TUDO o que você deseja! É uma ilha perfeita para viajantes de todos os tipos, seja mochileiros, seja casais em lua-de-mel. Você quer o que? Praias de águas azul-esverdeadas? Tem em Bali. Resorts absurdamente confortáveis? Tem em Bali. Uma praia quase que deserta pra poder passar lua-de-mel? Tem em Bali! Mermão, Bali tem lugares para mergulho de scuba, lugares para mergulho de snorkeling, uma das melhores ondas do mundo, montanhas (cara, o ponto mais alto da ilha tem mais de 3000 metros! Uma ilhazinha de nada tem um pico com altura semelhante ao maior pico do Brasil, o Pico da Neblina) vulcão, templos, baladas, florestas e etc. etc. etc.
Os caras “vigiando” o nosso hotel as tres da manha. Pra que stress? Isso e’ Bali!

É sério, esquece tudo que eu falei sobre a Tailândia! Bali dá de pau nas ilhas da Tailândia que visitei! E o melhor, barato, cara, ABSURDAMENTE BARATO! Eu tava pagando pra ficar numa suíte de hotel (não confundir com albergue) nove reais por dia. DUAS CAMAS!! Com café da manhã! Uma cama eu dormia, a outra eu colocava minha mala! Refeições a dois reais e banquetes oito, nove reais…
Uluwatu – Bali
A parte que ferve na ilha é a parte sul, na cidade de Kuta, aonde se concentram a maioria dos hotéis e onde fiquei hospedado. Em Kuta aconteceu a maioria das história que vou postar aqui.
Por do sol na praia de Kuta
Loja das Havaianas em Bali


Mas como Bali não é só paraíso

Apesar de todo o seu encanto, Bali também tem as suas histórias tristes. Bali é um dos locais preferidos para a realização de atentados terroristas. Pensem comigo. Os islâmicos radicais, com Bali, receberam uma benção de Alá! Uma ilha hindu (93% da população de Bali é hindu, portanto de outra religião que não a sua), dentro do seu país, que você pode chegar por terra (logo, sem checagem de bagagens nem nada) e o melhor, apinhado, APINHADO de “infiéis”, principalmente da Austrália (país que mantém tropas no Iraque)? Cara, Bali é o local PERFEITO pra atentados terroristas!
Eu, em um dos varios templos hindus de Bali. Como e’ um lugar sagrado, eu preferi nao bater foto sorrindo ou fazendo graca. Engracado notar como eu fico sem jeito pra poder bater foto seria.

Antes que você me pergunte, eu já vou dizendo. É CLARO que, antes de eu ir, não falei sobre nada disso pra minha mãe, meu pai ou pra a menina de Brasília, CLARO QUE NÃO! Se eu falasse isso pra eles, era pedir pra matar um dos três do coração nessa semana que passei lá! Em 2002, ocorreu o atentado mais devastador dos últimos tempos. Matou por volta de 200 pessoas e em sua maioria, em sua IMENSA maioria, infiéis australianos. Eu bati uma foto do memorial que tem por lá pra vocês verem quantos mortos são da Austrália. É gente demais, amigo! Tem também dois brasileiros entre os falecidos.
A pancada da bomba foi tão forte, mas tão forte que um dos brasileiros me falou que um carro foi lançado em cima do telhado de um restaurante a pelo menos 30 metros do local da explosão. Não é brinquedo não!
Local aonde rolava a balada que sofreu o atentado. O lugar lembra MUITO os cenarios sombrios de jogos de terror do tipo Silent Hill ou Resident Evil
Se fiquei com medo de atentado terrorista? Claro que não! Joga isso na cadeia de probabilidades aí e calcula. Dezenas de milhares de brasileiros vão pra Bali todos os anos e até hoje apenas dois morreram em atentados terroristas. Nenhum maranhense. Se for pra eu morrer numa pancada dessa, era porque era meu dia mesmo! Muitos brasileiros moram em regiões ou cidades com índices de homicídios maiores que regiões em guerra e não tem medo de sair de casa todo santo dia. Porque eu vou ter medo de curtir minha balada em Bali? Ter medo de atentado terrorista em Bali, morando no Brasil que é ABSURDAMENTE mais violento, é tão imbecil quanto o cara que, com medo de morrer num acidente aéreo, viaja só de carro, que possui um índice de mortalidade infinitamente maior ou botar alarme em Fiat 147.

Drogas em Bali

Outro fator que muita gente, mas MUITA gente, se dá mal em Bali e na Indonésia refere-se ao consumo de drogas. Cara, lá não tem meio termo, não tem meia conversa, se te pegarem com o que for, um baseadinho de nada, você tá encrencado, mas MUITO encrencado! Pra começar, a Indonésia, como vários países muçulmanos, pune com pena de morte tráfico de drogas. Não tou falando que você vai pra forca se te pegarem com cinco toneladas de pó não, tou falando que eles consideram tráfico de drogas uma parcela ínfima de drogas no seu bolso. Sei lá, um indonésio me disse que sete pastilhas de “ecztazy” no bolso já é o suficiente pra te mandar pra conversar com Alá!
Eu, pra botar pilha na galera, andando no meio da rua fui lá e perguntei como fazia pra conseguir uma bala ou um doce (ecztazy e LSD), drogas bastantes populares entre baladeiros (pela milésia vez, eu não curto isso, mãe!). Rapaz, mas na hora os caras fecharam a cara e falaram pra eu sair dessa! Falaram que até pra fumar um baseado você precisa ter cuidado, mas MUITO cuidado! Se te pegarem, você tá muito ferrado!
Eles me falaram e confirmei depois lendo pela internet, que alguns policiais ficam à paisana oferecendo drogas na frente das baladas e, se você aceita, na mesma hora ele se apresenta como um policial e fala que vai te levar em cana! E pra ele te soltar, cara, não é qualquer 100 dólares que você dá pra ele não! É coisa de milhares de dólares pra você conseguir pisar novamente em terras brasileiras. Eles falam que se você quiser fumar um ou pegar outra parada mais pesada, tem que ter uma fonte ABSURDAMENTE confiável, pois senão você tá encrencado!
Conversando depois, me contaram a infeliz história de um brasileiro que foi pego com duas pastilhas de ecztazy no bolso e amargou uma cana de dois anos na Indonésia! Mermão, se cana no Brasil já é ruim, imagina cana na Indonésia? Um país do outro lado do mundo e que fala uma língua completamente diferente da sua? Eu que não queria estar na pele dele! Depois também me lembrei da história de outro infeliz que foi pego. Mas esse já era um brasileiro “mais mala”.
Pegaram o cara no aeroporto com alguns quilos de cocaína escondidos dentro de uma prancha de surf. Esse aí não teve conversa, saiu na mesma hora em cana e foi condenado a pena de morte!
Não sei se vocês lembram dessa história, isso ocorreu em 2004, mas esse cara da prancha de surf me marcou bastante! Pegaram ele na Indonésia e, devido à probabilidade de ser executado, o Lula foi pedir clemência ao chefe de estado indonésio pra poder converter a pena de morte dele em prisão perpétua, já que no Brasil não há pena de morte!
Antes que eu expresse minha opinião só gostaria de deixar algo claro. Eu poderia colocar vários clichês diferentes do tipo “ah, mas o mais importante é a vida” ou então “ah, mas ele era só um rapaz sem juízo” ou coisa do tipo, mas, um dos melhores motivos relacionado a blogs, é a liberdade de falar o que quiser sem ter que passar sobre um editorial. Se não é politicamente correto o que eu vou dizer, paciência, vou expressar apenas minha opinião.
Quando tavam caçando o Fernandinho Beira-mar no meio da floresta, ficou o país inteiro torcendo pra que ele resistisse à prisão, levasse um tiro na testa e fosse morto de uma vez! Ninguém fica com pena quando a polícia mata mais um traficante de drogas na favela e todo mundo bateu palma pra “Tropa de Elite”. Agora, quando pegam um branco, filho da classe média brasileira, fica todo mundo com peninha do bichinho e vai o presidente, que tem coisa MUITO mais importante pra se preocupar do que com um traficante de drogas, pedir clemência pro pobre menino que não sabia o que estava fazendo!
Eu fico pensando no fato de que o Fernandinho Beira-mar foi um cara que teve pouquíssimas escolhas na vida: família totalmente desestruturada e vida na miséria. O nosso amigo da prancha de surf, teve uma família, teve educação e várias escolhas: poderia ter tido um emprego, uma casa, um carro e uma família, como todo classe média brasileiro. Infelizmente uma das escolhas dele foi fazer dinheiro com tráfico de drogas! Ele sabia do vespeiro que ele tava mexendo, todo mundo é adulto e sabe o que faz. Se eu não tenho pena do Marcola, porque eu vou ter pena desse cara? So me deu pena foi da mae dele…
Mas enfim.. Forca nele! Um traficante de drogas a menos.

Bali – Brasileirada por todo lado

Um dia em Kuta, enquanto eu estava numa Lan House acessando internet, do nada, vi dois caras falando em português. Colei nos bichos e fui conversando. Os dois caras eram de Santa Catarina e eram gente boa demais. Trocando uma idéia com eles, eles me chamaram pra sair pra balada. Na hora eu aceitei.
Saímos da Lan House e quando chegamos em frente a uma loja de conveniência, mermão, muito engraçado, uma brasileirada ABSURDA bebendo e trocando uma idéia. Fiquei impressionado com o tanto de brasileiro que tinha lá, estimo que pelo menos uns 20 brasileiros de todos os lugares do Brasil!
Depois de muito papo, eles me falaram que sempre tem brasileiro por Bali, em sua maioria surfistas, e eles sempre se encontram pelo menos uma ou duas vezes por ano em Bali. Ninguém marca nada com ninguém não! Alguns vão todos os anos, alguns uma vez a cada dois, três anos, depende de cada um. Mas uma coisa é certa, SEMPRE vai ter brasileiro por lá durante os meses de maio e setembro (não lembro exatamente se são esses meses mesmo). Vários daqueles caras já vão constantemente à Bali por pelo menos oito, nove anos, além de que conheci alguns que ficam quatro, cinco meses sem voltar pro Brasil. É loucura demais, cara!
Fiz amizade com dois recifenses gente boa demais! Mudei até pro hotel dos bichos depois! Eles tavam nessa também, uma ou duas vezes por ano, juntam os trapos e vão surfar em Bali. O mais engraçado é que em Bali, eles não fazem nada além daquilo não! Eles “só” vão pra Bali pra ficar surfando! Um dos dois vai há mais de oito anos e nunca foi sequer na parte central da ilha. “Que mané montanha o que, eu quero é surfar” um deles me falava, hehehe.
Pelo que pude notar, a vida em Bali da grande maioria desses brasileiros se resume a balada de noite, surfe quando acorda, balada de noite. Todo santo dia! Mas é todo santo dia mesmo, amigo! Os caras acordam meio dia, vão surfar, descem pra balada, tentam pescar uma sueca ou qualquer outra nórdica, voltam pro hotel, dormem, acordam, vão surfar e ficam nesse ciclo por semanas, meses!
Lembro que no meu primeiro dia de Bali, perguntei pra um dos brasileiros há quanto tempo ele já tava lá, ele falou que tava há dois meses! DOIS MESES! Perguntei pra ele como ele podia ficar tanto tempo e ele falava:
– Ah, você chega, planeja ficar duas semanas, vai postergando a passagem, vai postergando, quando vê, deu dois meses e acabou o seu dinheiro! Tá há quanto tempo aí já, Maranhão?
– Pô, já deu uma semana em Bali!
– Toma cuidado, rapaz, daqui a pouco dá dois meses!
E o pior que quase deu dois meses mesmo! Juro que só não mudei a passagem porque teria que mudar três passagens diferentes: Bali – Malásia, Malásia-Camboja e Tailândia-Índia, mas senão…

Decadencia humana

Cara, dentre várias características de Bali, a decadência presenciada por lá me chocou bastante. Vocês lembram daquela música do Cazuza que o Gabeira até utilizou pra poder falar do Severino? “Transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro”?. É exatamente desta maneira que funciona Bali.
Ok, a Indonésia é um país muçulmano, mas isso não impediu com que aquela ilha apinhada de turistas e seus dólares tenha sido transformada em um puteiro para se ganhar mais dinheiro.
Primeiro que na balada é impossível você saber quem é prostituta e quem não é. É tanta “prima” pelas baladas que fica difícil você saber se a balada que você tá é uma discoteca mesmo, ou um cabaré. Além de que, tudo em Bali funciona na base da corrupção. Os preços para comprar os policiais ou oficiais de imigração são quase que tabelados.
Como já fui conversando com os brazucas, macacos-velho, eles já me passaram a “tabelinha” caso eu precisasse subornar alguém algum dia. Dirigir sem carteira internacional: “5-10 dólares”. Extensão do visto sem precisar sair da Indonésia e voltar: 55 dólares.

Tecla PAUSE

Pra galera que nunca viajou por países assim. O visto na Indonésia só é válido por 30 dias e não é possível estender de forma legal. Se você quiser estender legalmente, você precisa sair da Indonésia, ir pra outro país (Malásia, Timor Leste…) e voltar. Ou então pagar o suborno que fica mais fácil

Tecla PLAY

Dizem eles que quando você paga os 55 dólares certinho, vem um oficial todo sorridente no seu quarto de hotel com um carimbinho na mão. O serviço é VIP, meu amigo.
Isso serve pra demonstrar que quando a situação gira em torno de MUITA grana circulando pela região e oficiais mal-pagos, não interessa se o país é muçulmano ou flamenguista, a corrupção vai comer solta.
Depois de obter essas informações sobre compra de guardas e oficiais, me veio uma pergunta na cabeça e que provavelmente muitos de vocês também devem estar se perguntando: – Uai, se dá pra subornar todo mundo, porque os caras que agora tão aguardando pena de morte não fazem o mesmo? A parada é, a Indonésia é que nem o Brasil, você até consegue fazer as coisas debaixo dos panos, mas quando a imprensa aparece, amigo, aí, como a gente diz no Maranhão, “morreu Maria Preá”. O cara do ecztazy ficou na jaula porque não tinha dinheiro pra pagar o suborno (que nesse caso os caras cobram alguns milhares de dólares pra te soltar), já o traficante “classe-média” foi pego no aeroporto e na mesma hora a imprensa bateu em cima. Aí, já era. Botaram a cara dele na TV, falaram que pessoas como eles estão destruindo a juventude da Indonésia e pegaram ele como exemplo. Não precisa dizer qual vai ser o final dele, né?

Bali – PPC, Puta barata, Porrada e Cana

Como falei, em Bali, qualquer balada que você for são profissionais do sexo por todos os lados! Os caras me falaram que, via de regra, asiática na balada é “prima”, logo, se elas chegarem em você, nem se empolgue! Eles me falaram que de vez em quando quando você sai da balada no “0x0” e, como dizia “Velhas Virgens”, com “dinheiro no bolso, bebida e tesão”, acabando pegando uma daquelas tiquiras e levando pro hotel. E viva o sexo barato!
No meu segundo dia estávamos na balada curtindo e eu fui conhecendo cada vez mais brasileiros. No meio daquele mar de paulistas e sulistas, acabei conhecendo um cearense que tava mais louco que o “Batiman”, bêbado que só um gambá de alambique! Tentei trocar uma idéia com o cara, mas ele tava tão bêbado que nem falava nada direito. Como o bicho tava bebaço, deixei ele de mão e continuei a falar com os outros brazucas.
Rapaz, dez minutos depois de esse cearense falar comigo começou um tumulto imenso. Puxa daqui, empurra dali, a “turma do deixa disso” entrou no meio pra poder separar. Só deu pra ver que foi alguma confusão. No meio daquela fuzarca toda, levanta o cearense com o olho roxo e um bando de brasileiro insano querendo partir pra cima de um cara! O cearense, bêbado, acho que mexeu com uma das mulheres que um bicho IMENSO tava “arroizando” (acompanhando) e o caba, pra se “amostrar” pra mulheres, virou uma cotovelada e um cruzado de direita na venta do pobre do cearense, que, franzino, foi nocauteado que nem um saco de batata.
Aí foi aquela confusão, mermão! Separa daqui, separa dali, o grandão querendo partir pra cima de dez brasileiros, dez brasileiros querendo moer o grandão, segurança no meio de todo mundo, balada parada e eu lá! No meio de tudo querendo filmar pra poder colocar no blog.
Só sei que um dos amigos do cearense, que vou chamar de Adalberto (não lembro o nome dele), ficou insano pra querer dar no cara. INSANO é a palavra certa pra descrever como o bicho ficou. Ele ficou insano porque o gringo agiu na maldade, cara! Pô, O gringo virou dois bofetes sem aviso e sem chance de defesa em um cara com 40 quilos a menos que ele! Só sei que as meninas que tavam com o grandão, tentaram segurar ele e o Adalberto ficou na balada procurando o grandão pra tomar satisfação! Só sei que o gringo grandão se aproveitou da distração do Adalberto e encaixou um soco bonito no rosto do bicho! Mas foi um soco lindo, cara! Perfeito! Reto, em direção ao alvo e, mais uma vez, sem chance de defesa! Algo como um toquinho de bico do Romário no canto. Chega eu vi a deformação momentânea da onda de choque trafegando no rosto do Adalberto!
Rapaz, mas aí que ele se ferrou! O grandão não pegou um, mas dois brasileiros na covardia! Foi o estopim pros brasileiros da “turma do deixa-disso” (eu no meio) virarem a turma do “vamo pegar ele”. Eu fiquei mais injuriado não foi nem dele dar nos caras não, eu fiquei injuriado foi, com tanto paulista, sulista e principalmente argentino, o cara acha logo de dar num cearense, pô? Num nordestinho? Aí não vale!
Cara, todo mundo nervoso começou a gritar em português: – “Pô, bateram em fulano e em sicrano, vamo pegar ele, vamo pegar ele!” e aí que começou a ficar engraçado. Do nada, apareceu um bando, mas UM BANDO de brasileiro, uma turba enfurecida verde-amarela pra pegar o pobre do grandão que tava acompanhado apenas de duas lindas mulheres e de mais outro amigo que, mais prudente, só tentava acalmar todo mundo! Bicho, mas era engraçado! Só o fato deles gritarem em português na balada foi o suficiente pra juntar uma galera muito grande. Muitos dos que apareceram pra poder pegar o bicho, nem conheciam quem apanhou, chegavam, se apresentavam como brasileiros e diziam que queriam pegar o cara! No meio daquela confusão até um argentino e um português entraram no meio da história! E claro, um maranhense sempre com a câmera na mão!
Os amigos do grandão, trancaram ele no banheiro e ficaram na porta pra não deixar ninguém pegá-lo (ninguém ia bater em mulher, né?) e também pra não deixar sair o gringo que, numa atitude de coragem que me deixou impressionado, queria partir pra cima de uma turba, dessa vez multinacional, de umas 30 pessoas.
Só sei que no final, a história não teve como terminar diferente. Aproveitando-se do grande número de brasileiros, os caras fizeram um plano! Separaram vários grupos diferentes de brasileiros pelas diversas saídas pra esperar o figura e fingiram não saber de uma saída meio escondida que tinha no meio da balada. O grandão, dessa vez numa atitude mais esperta, tentou cair fora por essa saída. Só não contava que fosse uma armadilha e que o grosso dos brasileiros se encontravam no meio da rua, escondidos no meio da multidão. O grandão tentou correr, foi derrubado e apanhou, apanhou, apanhou que só cachorro sem dono, cara! Vários caras batendo, alguns nem sabendo por que! Alguns disseram que juntaram oito em cima dele, outro mais exagerados quinze, não sei! Só sei que ele apanhou de dar pena! E ele ficou apanhando lá! Polícia na Indonésia? Tá querendo demais, né? Ele só parou de apanhar porque os seguranças entraram no meio pra separar e tiraram ele do fuzuê.
Eu sou um rapaz meio pacato, confesso. Nunca entrei numa briga na vida (ah não ser quando menino), não sei se porque sou pequeno demais ou porque sempre quero ficar longe da confusão, mas gostei de saber que o cara apanhou. Pô, o cara deu em dois bichos na covardia, só porque era grande! Aprendeu a lição que todo baixinho sempre conhece! O cara pode ser grande que for, mas no limite ele é só um! Só fiquei triste porque no final não consegui bater nenhuma foto e nem fazer nenhum vídeo! Na hora não tinha entendido o plano direito e acabei ficando em uma saída errada.
Foi engraçado depois, o cearense andando no meio da balada com um saco de gelo na venta! Ele nem voltou pro hotel não, ficou por lá! Depois eu entendi o porquê! O safado se juntou com o amigo dele e ficou andando pela balada e chegando nas suecas pedindo pra elas darem um beijinho nele pra sarar! Mermão, teve uma hora que eles dois chegaram em duas loiras lindíssimas e descolaram alguns beijos delas nessa conversa! Nessa hora a primeira coisa que eu pensei foi: – Vou levar um soco na cara também!!
Como depois me toquei que os benefícios de ser “pego” por uma sueca lindíssima como aquela, não supriam os malefícios de ser “pego” por um namorado ciumento, resolvi deixar de lado essa história.
Depois conversando com alguns brasileiros, eles me falaram que isso sempre ocorre! Devido ao fato de que armas de fogo são raríssimas na Indonésia, ainda mais em Bali, toda confusãozinha vira porradaria, já que o risco de sair muito ferido ou morto é baixo. Além de que, não existe polícia em Bali, você pode sair no pau que nem dá nada!
Depois desse fuzuê todo e dessas “porradarias diárias” eu fui até perguntar pra um dos brasileiros:
– Vem cá, quer dizer então que a noite aqui em Bali, grande parte das vezes, se resume à tríade Puta barata, Porrada e Cana? O famoso PPC?
– Basicamente, sim!
O que mais você precisa na sua vida? Amor?
Desce mais uma, garçom.

Jacarta – A cidade

Isso e’ o que ha’ de mais proximo da civilizacao em Jakarta. Nao, nao e’ metro. Chama-se busway. Nada mais sao que uns onibus especiais que trafegam em zonas especiais da cidade. Nao e’ nenhuma Brastemp, mas quebra um galho, principalmente por causa do ar-condicionado.
Cara, se for pra resumir Jakarta em poucas palavras, eu só digo uma coisa: Jakarta é caos! Mermão, pense numa cidade com quase nove milhões de pessoas, sem metrô, sem trem, nem nada dessas “frescurinhas”? Com grande parte de suas ruas com apenas duas mãos? Uma indo e a outra voltando? Sério, depois que você passa uns quatro dias em Jakarta, você começa a achar São Paulo o paraíso! Bicho é uma loucura! Aquela cidade é a personificação perfeita do caos! Como se já não fosse bastante, pra melhorar ainda mais o quadro, Jakarta possui o oitavo pior índice de poluição do ar do mundo.
O trânsito de lá é uma loucura! É moto pra tudo que é lado, todo mundo xingando todo mundo, buzinaço o dia inteiro e um calor dos infernos! CAOS TOTAL! Mermão, a parada era tão caótica que chegava a ser engraçada! Toda vez que eu voltava pra casa, eu voltava rindo vendo aqueles motoqueiros passando um por cima dos outros, o motorista do busão xingando todo mundo e os carros tirando fino! Pra melhorar ainda mais o quadro caótico daquela cidade, de dez em dez minutos subia um violeiro desafinado no busão, ficava uns 15 minutos cantando em língua local e tentando fazer uns trocados. Sinfonia de Jakarta: Gritos, buzinaço, ronco dos motores e viola desafinada.
Devido ao fato da cidade ser o grande centro financeiro da Indonésia não há nada de muito bonito pra se olhar por lá. Inicialmente estava pensando em ficar uma semana, mas depois fui aconselhado pelas meninas que me hospedaram a deixar isso de lado e ir logo pra Bali, que lá eu teria muito mais diversão. Acabei não me arrependendo.