Viajando pelo Irã – De Yazd, por terra, para Shiraz, passando por Abarkuh

De Yazd seguimos para Shiraz, cidade mais ao sul do Irã, mas antes passamos por Abarkuh.

Em Abarkuh não há muita coisa a se ver, porém a única atração vale a parada na cidade. Lá é possível ver a Cipreste de Abarkuh, uma árvore gigantesca e que é símbolo do Irã. Acredita-se que ela tenha 4.000 anos de vida e seja o segundo ser vivo mais velho de toda a Ásia. Mano, ela é gigantesca, tem 25 metros de altura por 18 metros de circunferência. É grande, mas ainda é menor que o Cajueiro de Natal =)

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Um Basij, polícia religiosa, em Abarkuh
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A Cipreste de Abarkuh
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O cajueiro de Natal

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Na mais tradicional celebração religiosa do Irã – Conhecendo a Ashura

Em Yazd, acabamos vendo tudo numa pressa danada porque no outro dia era Ashura, um dos dias mais importantes para os muçulmanos xiitas. Nesse dia eles comemoram o martírio do Iman Houssein (para saber mais a história dele, clique aqui). São dez dias de comemoração e quanto mais vai chegando perto da data da morte (que ocorreu em 1580), maiores e mais fortes vão ficando as celebrações. Durante a Ashura, o Irã inteiro para, pois fica celebrando o martírio e tudo fecha. Não chegar a ser um Shabat, que quase fez eu dormir na rua em Eilat, Israel (leia sobre a minha agonia no Shabat em Israel clicando aqui).

Ashura pela noite, Ashura pela manhã

Porém, depois de passar pelo lugar dos pombos malditos, ainda tínhamos que procurar algum lugar para ficar. O problema é que Yazd estava lotada e nada de a gente conseguir uma hospedagem. Depois de alguma luta, conseguimos um quarto de hotel (que acabou sendo o quarto mais caro que pagamos em toda a viagem), deixamos nossas coisas por lá e fomos conhecer a cidade. Como o dia era de celebração religiosa, fomos abordados algumas vezes por Basijs, a polícia religiosa, e toda vez eu ficava preocupado (apesar de não estar fazendo nada de errado, polícia sempre me deixa nervoso).

DE REPENTE, RECEBEMOS UM TELEFONEMA DO GOVERNO DO IRÃ!

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Irã – Em Yazd, dormindo em uma hospedaria da histórica Rota da Seda

Seguimos para Yazd que, conforme falei, é a cidade principal para os Zoroastras. Primeiro iríamos dar uma volta nela e depois acompanhar a celebração da Ashura, que vou explicar em outro post. Ciro tinha, de alguma forma, conseguido reservar um apartamento para gente. Quando chegamos o lugar era super agradável, só que não era só para gente. Iríamos ter que dividir. COM POMBOS! Rapaz, aquilo não era um apartamento, aquilo era um viveiro de pombo! Eu nunca tinha visto aquilo! Era pombo para todo lado. Pombo na janela. Pombo na sala. Pombo na varanda. Pombo na cama. Pombo na cozinha. Pombo em cima de pombo… Lugar sujo, sério, troço ruim mesmo.img_336320161010_093612img_3271img_3365

Não tínhamos muita escolha. A cidade tava apinhada de gente, hotéis lotados e eu realmente comecei a considerar ficar por lá. Até a hora que o Ciro foi na sacada e viu um CADÁVER de um POMBO se decompondo e começou a surtar. É, aí já era um pouco demais. Cemitério de Pombo também não! Pegamos nossas coisas e acabamos indo embora. Continuar lendo “Irã – Em Yazd, dormindo em uma hospedaria da histórica Rota da Seda”

Irã – No caminho de Yazd, paramos em Meyboud

A primeira cidade que visitamos no Irã foi Meyboud. Fomos ao Castelo Narin, feito de lama e palha há 2000 anos atrás. Pode parecer algo primitivo ou precário, mas bicho, as paredes eram duras como pedra e, de alguma forma, absorviam o calor de fora, deixando uma temperatura fresca e agradável dentro do castelo. Já foi um bom começo para entender como seria o Irã…

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De Brasília até o Irã: três conexões, 29 horas de viagem e muitas aventuras com uma galerinha do barulho aprontando altas confusões

Sabia que os voos não iriam ser moleza! São muitas horas de viagem. Mas quando a viagem já começa a ter história antes mesmo de você chegar, é um bom sinal! Vamos lá, a saga até chegar no primeiro destino do Irã!

No primeiro voo, do meu lado, um cara de batina!

Aconteceu algo inusitado no meu voo de Brasília para Lisboa. Do meu lado foi sentado um padre. De batina e tudo. Era europeu e vivia no Brasil há mais de 14 anos. Fiquei conversando com ele quase umas duas horas e ele foi me contando o trabalho que fazia de proteção a famílias que foram expulsas de suas casas devido aos bandidos locais. Ele trabalhava para protegê-las e até mesmo acolhia algumas em sua casa. Atormentava ao máximo ministros, juízes, qualquer autoridade possível para pedir ajuda a essas centenas de famílias! Dizia que devido a isso, mandaram a seu whatsapp fotos da porta da sua casa e de sua paróquia, o ameaçando de morte. Na hora lembrei da missionária católica americana Dorothy Stang que foi assassinada no interior do Pará devido ao seu trabalho de proteção de trabalhadores rurais expulsos de suas terras pela grilagem.

Porém, o que mais me impressionou foi que, mesmo sendo ameaçado de morte, mesmo com os bandidos mandando fotos de pessoas esquartejadas (para o padre ver o que acontece com quem se opõe a eles), mesmo com medo, ele não transmitia sensação alguma de ódio, sequer de raiva. As suas palavras eram de paz, eram de pena, era a preocupação de como salvá-los da vida transgressora. Isso é muito doido, ainda mais lembrando que hoje em dia você quer matar alguém só porque pensa diferente de você e ele ali, tendo compaixão de seus carrascos. Continuar lendo “De Brasília até o Irã: três conexões, 29 horas de viagem e muitas aventuras com uma galerinha do barulho aprontando altas confusões”

Promoção do Ebook “O mundo numa mochila” na Amazon por R$ 2,10

Prezados,

Devido ao Black Friday, a Amazon está com promoção de ebooks e o meu está entre os selecionados. O preço baixou de R$ 10,oo para R$ 2,10, portanto uma ótima oportunidade para quem não adquiriu ainda.

https://www.amazon.com.br/mundo-numa-mochila-Presepadas-mochileiro-ebook/dp/B00MX1QAQM/ref=sr_1_1?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1479841117&sr=1-1&keywords=claudiomar

Se ainda não tem conhecimento, segue o prefácio:

“Era para ser apenas mais uma viagem de intercâmbio. Acreditou que a vida seria fácil, mas vivenciou todas a dificuldade e agruras de um imigrante em um país estranho. Lavou carros sob os gritos da máfia eslovena, viu sangue jorrar de suas mãos em uma cozinha de de beira de esquina, descarregou sofás em armazéns, lavou pratos, caminhou kms com mais de 10 kgs de panfletos nas costas, fez entregas, carregou placas de gesso com brutamontes ensandecidos, descarregou carretas e carretas, se desesperou devido ao aluguel e até pulou de janelas à la Seu Madruga para fugir do pagamento… Tudo em um espaço de seis meses. As presepadas, que suplantaram em muito suas pequenas vitórias, são narradas com um humor ácido próprio, com o desespero de um jovem de 21 anos, sozinho, a 13 horas de distância de qualquer conhecido e que se apegava às palavras para esquecer os problemas de uma realidade que lhe levou a viver, literalmente, um dia de cada vez. Apanhou, sofreu, quase foi preso algumas vezes, curtiu, riu, e, acima de tudo, teve uma experiência de vida inesquecível. Coloque o seu mundo também em uma mochila!”

Agora corre que a promoção só vai até o dia 29 de novembro!!!

Se adquirir o livro na Amazon, não deixa de fazer uma avaliação bacana lá na Amazon para dar uma força! Leva menos de um minuto!

Caso tenha interesse em obtê-lo impresso, pode falar diretamente comigo no claudiounb@gmail.com que conversamos sobre o envio.

14 coisas que aprendi viajando no Irã – parte 2

1 – No livro-guia que usei como base havia um roteiro de “como proceder quando for preso”. Não, não cheguei a ser preso.

2 – Como faz para atravessar a rua aqui, cara?

– Ah, é só ir andando, uma hora os carros param. Eles têm bons freios.

– E quando eles não pararem?

– Eles sempre param!

– Tá, mas e se ocorrer um problema e o carro não parar?

– ELES SEMPRE PARAM!

Diálogo que tive com um amigo nas ruas de Teerã.

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14 coisas que aprendi com o Irã

1 – Homem não pode andar de bermuda e mulher não pode andar sem hijab (aquele véu cobrindo o cabelo).

2 – Não há nada mais apavorante do que precisar de um banheiro público. Não é a sujeira, mas porque vez ou outra não tem o bonequinho para dizer qual é o masculino, você tem que ler em alfabeto farsi! A probabilidade de entrar no banheiro feminino é alta e se isso já é um problema grave no Brasil… Teve um cara que me contou que uma vez entrou em um salão de beleza só para mulheres, por engano. Rapaz, diz que a mulherada tava toda sem véu e começou a gritar desesperada. Isso só com o cabelo de fora! Daí você tira o que seria um banheiro errado…

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O país dos Aiatolás e dos Mártires

P.s: Estas duas pinturas gigantes estão hasteadas na principal praça de Esfahan, o principal ponto turístico da cidade e de todo o Irã. O da esquerda é o Ruhollah Khomeini, já morto e o “pai” da Revolução Islâmica Iraniana, e do da direita é seu sucessor, Aiatolá Ali Khamenei, ainda vivo.

Apesar de haver eleições diretas para presidente, decisões podem ser vetadas pelo Aiatolá em exercício. Portanto quem exerce, de fato, o poder no Irã são os Aiatolás, que são idolatrados pelos iranianos mais religiosos. Eles são os “guardiões da revolução” e é possível ver cartazes e fotos dos dois em logradouros públicos, lojas e até casas. Não chega a ser um culto a personalidade como na Coreia do Norte (onde TODO mundo tem as fotos dos “Grandes Líderes”, confira os post aqui e aqui), mas é algo bem forte.

Para mim foi algo mais próximo ao que pude ver em Cuba, onde você não é obrigado a ter as fotos, mas é melhor parecer que gosta deles por via das dúvidas (confira no post de Cuba aqui)

Os iranianos com quem conversei em Teerã, classe média, me disseram que hoje em dia ninguém dá muita atenção a essa questão dos mártires, isso é algo mais do governo mesmo. Me disseram que eles nem reparam mais quando andam nas ruas, só reparam quando um ou outro turista chama a atenção. Continuar lendo “O país dos Aiatolás e dos Mártires”