Arequipa – Peru

Cheguei a Arequipa ainda de madrugada. Corri para um albergue para poder tentar dormir, já que, passar a noite em ônibus, sabe como é. Ao fazer o check-in no albergue, o carinha da recepção foi até gente boa e me deixou ir para minha cama as quatro da manhã quando eu teria direito a ir só meio dia. Loki Hostel de Arequipa, fiquem nesse lugar senhores, o melhor albergue da cidade. Peguei as mochilas, segui para o quarto com vinte beliches, joguei a mochila no chão, troquei de roupa e me preparei para dormir. Quando eu coloco a cabeça no travesseiro sinto aquele peso na cabeça característico de quem vai pegar no sono em alguns minutos. Minutos. Infelizmente não em segundos.

Quando eu tava para pegar no sono, escuto o diálogo:

– Gary, o que diabos você está fazendo?!??!!?!??!

– Ora o que estou fazendo! Estou mijando! Bebi demais ontem a noite!

– SEU IDIOTA, VOCÊ NÃO ESTÁ NO BANHEIRO, VOCÊ ESTÁ MIJANDO A SUA CAMA!!

Sim, cara, o bicho da beliche ao lado estava tão bêbado que começou a mijar na cama. Aí foi aquela zorra. Liga a luz, chama o cara da recepção, acorda o quarto inteiro, pega o moleque pelo braço para se limpar, não deixa o cara que tava na cama de baixo dar porrada nele… Enfim, quando terminou toda aquela zorra já era de manhã e eu resolvi ir conhecer a cidade.

Não foi a primeira “boas-vindas” que tive hospedado em um albergue.

Fui passear na cidade onde umas das principais vantagens foi que, pela primeira vez depois de semanas, eu tive a oportunidade de usar sandálias e bermuda, luxo que não pude ter em La Paz. Como Arequipa está a “apenas” 2.300m de altitude, ela não era tão fria e assim pude, enfim, novamente, me livrar de calça e tênis.

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Tirando a foto perfeita no Salar de Uyuni na Bolívia

Porque bater uma foto nem sempre parece tão fácil quanto parece…
O guia não sabia que estava me filmando, daí saiu esta pérola deste vídeo. Pô, achei engraçado eu lá pulando que nem um besta sem saber que ele não tava batendo foto de coisa alguma…
Prestar atenção também na musiquinha irritante atrás. Sim, a gente foi ouvindo ela por três dias.
A mesma música.
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Vista de Copacabana da Horca Del Ilca, Bolívia

Depois de uma caminhada de quase uma hora morro acima, a quase 4.000 metros de altura, cheguei ao Observatório dos Incas que todos falavam que valia muito a pena visitar. Quando cheguei, era só uma pedra em cima da outra. Pelo menos a vista de Copacabana e do Lago Titicaca valia o esforço. Prestar atenção a respiração ofegante…
O observatório era utilizado pelos astrônomos incas para observar as estrelas e determinar o início do ano-novo inca, que ocorria após o solstício de primavera, 20 de março, ao contrário do nosso que comemoramos em 1º de janeiro.
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Incas – História do Peru

Falar de Peru e Bolívia é falar sobre os Incas, o maior império que existiu nas Américas antes de Colombo. Uma civilização tão avançada que era capaz de até mesmo fazer cirurgias cerebrais com abertura de buracos no crânio sem com que isso implicasse na morte do paciente.

Estátua de Pachacútec no centro de Cusco
Impressionantes muros de pedras feitos pelos incas sem nenhuma argamassa e que sobrevivem a dezenas de terremotos durante séculos. Essa da foto acima se destaca por ser a mais alta restante. 12 pedras
Ao contrário do que eu imaginava, “inca” não era uma etnia, mas sim o título que recebia o dirigente máximo do império. Assim, “inca” seria o mesmo que “imperador”. Os incas na verdade governavam uma miscelânea de civilizações com mais de 700 línguas onde a mais falada, e língua franca, era o quéchua, com destaque também para o aimará. Eu também imaginava que os incas tinham sido um império glorioso, vasto e que durou por centenas de anos. Errei só no centena de anos. O Império Inca durou menos de cem anos, período em que conquistou terras da Colômbia até a Argentina. Porém, deixou diversas marcas como as construções em pedras que, conforme as tradições passadas de gerações em gerações, foram criadas para durarem para sempre. Quando o governante Inca morria, ao invés de luto, havia uma grande festança que durava até oito dias, o tempo que se acreditava necessário para o governante Inca poder se despedir de todos a quem havia conhecido.
Diz a lenda que o Império Inca foi fundado por Manco Capac e Mama Ocllo que foram enviados diretamente pelo Deus Sol e os fez surgir diretamente do Lago Titicaca, demonstrando a importância que esse Lago tinha para os incas (mais ou menos como o Mediterrâneo para os Romanos). Eles caminharam pelas montanhas até que acharam um bastão todo forjado em ouro, local onde foi fundada a cidade de Cusco. Essa de vagar até achar um determinado símbolo é parecida com a lenda da fundação dos astecas, que vagaram até achar uma cobra em cima de um cacto comendo uma serpente, lenda que relato aqui. Andando por Cusco, por diversos momentos, você se depara com uma bandeira com as cores do arco-íris. Quem olha pensa que é alusiva ao movimento gay, mas não. Os incas tinham um profundo respeito pelo arco-íris, haja vista que ele só ocorre após um período de chuvas e chuvas serviam para fertilizar o solo. Um guia que estava com a gente dizia que, quando criança, sua mãe dizia para ele não apontar o dedo para o arco-íris, pois senão o dedo poderia cair, isso vem desde o tempo dos incas e o respeito que eles tinham.

Quando os espanhóis chegaram ao Império Inca os seus olhos brilharam que nem em desenho animado. Isso porque os Incas conseguiram chegar ao ponto de forjar metais e tinham ouro, MUITO OURO. Eles acreditavam que o ouro era o sangue do Deus Sol e a prata lágrimas da Lua, por isso só a nobreza tinha permissão para vestir roupas feitas de ouro. Porém, os incas não chegaram a forjar espadas, usando os metais em sua maioria para decoração e ostentação.
Quando os espanhóis chegaram ao Império Inca, a varíola já tinha chegado ao Império e matava aos milhões. Foi trazida pelos mensageiros que viajavam centenas de quilômetros. Nessa horas ter um e-mail ajuda, né? Além disso, tiveram muita sorte quando chegaram pois os Incas tinham acabado de sair de uma sangrenta guerra civil entre a parte sul e norte, o que havia dizimado parte do Império facilitando a sua conquista. Porém não foi uma batalha fácil. Os Incas batalharam por mais de 30 anos antes de serem capitulados totalmente pelos espanhóis.
Os peruanos dizem que foram os Incas que foram responsáveis pela domesticação de diversos vegetais populares na alimentação humana. Acho pouco provável que isso tenha ocorrido em menos de cem anos, porém com certeza foram os grandes responsáveis, com seu vasto e conectado império, pela popularização de diversos alimentos que até hoje comemos como milho, batata, feijão, batata doce, amendoim, abacaxi, mamão,  graviola… Todas essas frutas são de origem andina. Segundo os peruanos existem milhares de variedades de milho. Não sei até que ponto isso é verdade, mas vi uma coisa é certa, o Chicha Morada ganha de longe o título de milho mais estranho. Ele é PRETO!!! E, cara, faz um dos mais deliciosos sucos que já pude tomar. Se for ao Peru, não deixe de anotar. Anote o nome aí. Suco de Chica Morada!
Variações de milho em um mercado peruano de Cusco. Todos esses nas cestas de baixo são tipos diferentes de milho
Chica Morada, o milho preto

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Peru

O Peru é um país fascinante e facilmente dá para se ficar viajando um mês por lá. O país foi berço de várias civilizações e disputa com o Oriente Médio o título de lar das cidades mais antigas já existentes.

MachuPicchu, Cusco, as linhas de Nazca, Huacachina, Kuelap… Não falta lugar para ir.

Como dica que eu poderia dar é de não comprar a passagem aérea de Cusco a Lima, como eu fiz. Só depois que eu comprei a passagem que fui descobri esse site aqui http://www.peruhop.com/ onde os bichos te vendem uma passagem de ônibus Cusco a Lima com várias paradas no caminho. Você pode descer em uma cidade, ficar lá quantos dias quiser e depois pegar um busão, que sai diariamente, para a próxima. Daí você faz várias cidades gastando pouco e sem ter que ficar fazendo bate-e-volta. Além de que eles parecem bem profissionais

Lhamas em uma praça de Arequipa
Plaza de las Armas, Cusco
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De Isla del Sol, Bolívia, a Arequipa no Peru

Segui para Isla del Sol, ilha sagrada para os Incas e onde é possível encontrar alguns santuários. Ela é povoada por quéchuas e aymarás que se dedicam basicamente ao pastoreio (tem burro para todo lado lá) e também ao turismo. Na ilha existem muitos sítios arqueológicos. Estudos e a tradição oral sugerem que civilização Inca teve origem na ilha quando Manco Capac emergiu das águas do Titicaca para guiar os Incas em sua grande civilização.
A ilha tem uma trilha onde é possível caminhar do norte até o sul e que leva entre três e quatro horas para poder ser completada. Quem tiver coragem para fazer uma trilha dessas a 4.000m de altura, boa sorte, não é muito a minha praia.
Cheguei a ilha e a primeira coisa que eu vi foi um paredão IMENSO, com uma escadaria IMENSA que levava até o topo da ilha onde havia as vilas e alguma coisa para se ver. Quem tá na chuva é para se molhar, quem tá na Bolívia é para se ferrar. Mochila nas costas e vamos lá para cima. Até foi legal dar umas voltas, mas como eu já tava extremamente cansado devido a subida à Horca del Inca, só bati umas fotos e logo desci. Tem gente que fica por lá e dorme na Isla del Sol, mas deve ser legal fazer isso acompanhado. Sozinho achei meio sem graça e voltei logo.
Adorei esse burrinho pastando a la Alpes Suíços
Montanhas geladas ao fundo, do outro lado da ilha
Local perfeito para se fazer um jantar
Se eu pudesse sugerir algo a quem está indo hoje a Copacabana seria pegar o passeio de barco que eles oferecem. Ele passa pela Isla del Sol, Isla del Luna e umas ilhas flutuantes. É o dia inteiro e nem é tão caro.
Depois de Isla del Sol, voltei a Copacabana e fui pegar meu ônibus para Arequipa no Peru. Já escaldado da mulher que tinha me enrolado em La Paz, fui um dia antes em uma agência de turismo e perguntei qual era o ônibus que iria me levar à Arequipa. A mulher me apontou um ônibus todo bonitão na foto e me falou “é esse”. É parceiro, mas como sou esperto, fui um dia antes e falei “me aponta aí qual é o ônibus que eu vou viajar amanhã”. A mulher foi lá e me apontou o mesmo ônibus da foto. Além disso, vi um cara que tinha acabado de comprar uma passagem com eles indo entrar no busão. Pensei “agora eu tou bem”. Rapaz, no outro dia na volta de Isla del Sol, quando eu vou para agência para perguntar onde eu pegava meu ônibus, a mulher me falou “pega aquela vanzinha ali que vão te levar no teu ônibus”. Comecei a achar estranho:
 – Mas não era o mesmo ônibus de ontem
– Sim, mas ele vai estar esperando lá na fronteira
É lógico que fui feito de besta novamente. O ônibus que ela havia me mostrado ia para La Paz e não para Arequipa. Lógico que era um pau-de-arara. Enfim, no final fiquei aliviado de sair da Bolívia. De Copacabana fui com uma van até a fronteira. Atravessei a pé. Peguei o ônibus que me esperava do outro lado. Segui para Puno no Peru. Desci na rodoviária de Puno, esperei três horas e depois peguei o outro busão para Arequipa. Acho que foram umas oito horas de viagem a noite. Mais uma noite dormindo em busão. Infelizmente não seria a última.
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Contos de um mochileiro pelos Andes Bolivianos – A truta dos trutas

Cheguei a Copacabana na Bolívia e esqueci do pequeno detalhe que talvez fosse uma boa saber que horas saíam os barcos para a Ilha do Sol, umas das que existem no Lago Titicaca. Corro daqui, corro de lá, fiquei que nem um louco para poder conseguir um pacote que compensasse, além de uma passagem de ônibus para Arequipa no Peru ainda no fim daquele dia. Quando resolvi tudo, já era rodado quase uma e dez da tarde, eu não havia comido nada o dia inteiro e estava morrendo de fome. O barco para a Ilha do Sol saíria à uma e meia e seria uma hora e meia de viagem, iria chegar lá as três da tarde. Teria que me contentar com um salgado ou um pacote de bolacha, já que não daria para ir em um restaurante pedir um prato e comer algo decente.

Escuto alguém chamando meu nome. Quando olho, no segundo andar de um dos restaurantes mais caros de Copacana, de frente para o lago, estavam os irmãos Ortiga, dois caras que eu havia conhecido em Uyuni e saindo para tomar uma em La Paz. Chegando à mesa, tavam eles dois se banqueteando com uma truta andina, o prato mais típico de Copacabana que eu ainda não tinha experimentado. O cheiro delicioso do prato deles se espalhava pelo restaurante e torturava meu pobre estômago vazio:
– Come com a gente aí, Maranhão.
– Não, cara, valeu, acabei de comer, estou cheio – dizia eu que não havia comido nada o dia inteiro, mas estava sem graça de dar umas bicadas em um prato que eles pagaram certamente uma fortuna e não me deixariam pagar.
– Come aí, rapaz, deixa de frescura.
– Nada, cara, muito obrigado, mas realmente comi bastante – insistia eu bem sem-graça.
Depois de algum tempo, devido a insistência gente boa deles e para não ficar chato, até dei umas bicadas no filé de peixe na minha frente. Desci, comprei uma empanada e acabou que nem deu tempo de eu pedir uma porção dessa truta andina para mim.
Alguns dias depois os encontro novamente:
– E aí, cara! Como foi o passeio da Ilha do Sol? Curtiram bastante?
– Maranhão, você nem sabe! Depois que a gente comeu aquela truta, passamos mal, viu¿ Mas, assim, passamos tão mal que tivemos alucinações. Acordávamos a noite vendo coisas e nem sabendo onde estávamos. Nossa, acho que nunca peguei uma intoxicação alimentar tão forte na minha vida como aquela do dia dessa truta!
Quem precisa de chá do Santo Daime, quando se tem truta andina.
Dessa eu escapei…
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Viajando por Copacabana na Bolívia

Assim que cheguei a Copacabana subiu um tiozinho no nosso ônibus e nos disse que estava havendo uma “promoção” em parceira com a empresa TransTiticaca. Todo mundo que havia chegado em Copacabana com aquela empresa teria direito a ficar em um quarto do hotel dele por 20 reais, mas só se descesse do busão naquele hora e fechasse com ele dentro do busão. Eu, macaco velho, saquei logo que era golpe, resolvi ficar na minha e depois que descesse do ônibus iria sair batendo nos hotéis até achar um que me apetecesse. Desci, bati em um, 40 reais, outro 50 reais, outro 70… Pensei que não iria ser nada mal se fosse no hotel do nosso amigo do ônibus e desse uma conferida no quarto dele. Cara, o bicho realmente queria 20 reais por uma suíte com chuveiro quente e café da manhã! Detalhe, o hotel chamava-se “El Mirador” (grave esse nome, sugiro demais ficar lá) e todos os quartos foram construídos só de um lado do edifício para assim terem vista pro Lago Titicaca. Fui lá imaginando que seria golpe, mas não, o chuveiro era quente e o quarto limpo. Fiquei procurando as câmeras para ver se era pegadinha, mas não, era de verdade mesmo. Enquanto fiquei pensando em fechar com ele, outro casal entrou na frente e acabou pegando o quarto que era para eu ficar. Acabou que tive que esperar até as 15h para poder pegar um outro quarto que ficava no sexto andar. SEM ELEVADOR!!!  Tive que colocar as mochilas no lombo e sair subindo sozinho!
A Wi-Fi, como todos os hotéis que fiquei na Bolívia, só pegava quando todo mundo tava dormindo e ninguém usando e no café da manhã só havia pão, manteiga e… folha de coca (?!?!?!), mas por vinte reais tava bom que tava danado.
Como o hotel era bom e confortável, acabou que aconteceu o de sempre quando estou em um hotel bom, passei o dia inteiro dormindo.
No outro dia pela manhã fui subir uma montanha lá para bater umas fotos de toda Copacabana. Chamava-se Horca Del Ilca, local onde os astrônomos incas iam para poder observar as estrelas. Achei que ia chegar lá em cima e ter um bando de informação, construções… Nada, é só uma pedra em cima da outra.
Todo esforço para ver essa maravilha aqui
E cara, vou te dizer, se subir morro já é algo difícil, imagina subir um morro estando a 4.000m de altitude? É terrível, o coração dispara, você respira o ar não vem. Realmente achei que ia passar mal, pois, para piorar, fui correndo porque ainda queria ir a Isla del Sol no mesmo dia.
Titicaca ao pôr-do-sol

Um pequeno passo para um homem pequeno mas um grande passo para um maranhense
Janela do quarto de 20 reais
Só depois de subir o morro que fui pegar informações sobre como seguir para a Isla del Sol, uma ilha no meio do Lago Titica e motivo pelo qual eu havia viajado a Copacabana. Achava que, como todo mundo viaja a Copacabana para ir a esta ilha, a ilha era um lugar do lado da cidade, que tinha barco saindo de dez em dez minutos e que levaria uns 20 minutos do trajeto. Nada, a ilha ficava a UMA HORA E MEIA de barco e só saíam dois barcos por dia, um pela manhã, outra pela tarde. Perdi o barco da manhã, acabei indo no da tarde que ficava só uma hora por lá. Mas enfim, era o que tinha.
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Chegando a Copacabana – Bolívia

O nome Copacabana é um vocábulo indígena boliviano proveniente da união de duas palavras: copa e caguana e que quer dizer lugar luminoso, resplandecente.
Depois de La Paz segui para Copacabana, cidade situada à beira do Lago Titicaca. Quando ainda estava no Bacoo Hostel, comprei o busão de La Paz para Copacabana. O ônibus sai pela manhã ou pela tarde e leva cinco horas para poder fazer o trajeto. Na hora que fui ao balcão do albergue para comprar, o busão na foto era lindo, espaçoso, com ar-condicionado e confortável. Fui lá e paguei acreditando que, bem, no albergue eles não iriam ter coragem de me roubar.

Nunca subestime a Bolívia.

O ônibus quando chegou era uma lata velha, mas como eu só queria chegar a Copacabana acabei indo nele.

Como é a história de Nossa Senhora de Copacabana? Francisco Tito Yupanqui, um nativo, supostamente descendente direto dos Reis Incas, de forte fé cristã, esculpiu uma imagem de Nossa Senhora, mãe de Jesus. No início ela ficou tosca, foi até jogada fora, mas posteriormente foi melhorada e, depois de muita insistência de Tito que recebeu várias negativas antes disso, foi posta no altar principal da Basílica recebendo o nome de Nossa Senhora de Copacabana. A perseverança, insistência, humildade e tenacidade de Yupanqui para atingir o seu objetivo de fé tem hoje o simbolismo de representar todo o povo Boliviano e suas qualidades, por isso que a minúscula cidade recebe peregrinações de Bolivianos de todo o país para sua Basílica. Eles inclusive levam os seus carros novos, recém adquiridos e com enfeites comemorativos, para serem benzidos em frente a Basílica. 
Estátua de Francisco Tito Yupanqui na porta da Basílica segurando a sua escultura
Esse aí vai precisar de muita bênção para esse carro pegar sempre.. Sim, é uma Brasília
Tenho certeza que você está se perguntando o mesmo que eu. Ué? Copacabana também na Bolívia? Sim, na verdade há Copacabana também no Brasil, haja vista que a praia mais famosa do Brasil tem seu nome devido a Copacabana boliviana. Comerciantes peruanos e bolivianos trouxeram uma cópia da imagem para o Rio de Janeiro e construíram uma capela em sua homenagem na rocha que separa a Praia de Copacabana da Praia de Ipanema, dando origem ao nome da praia mais famosa do Brasil. América Latina e suas histórias.

O caminho de Copacabana para La Paz é simplesmente belíssimo! Você vai margeando o lago Titicaca em uma visão privilegiada. 
Caminho para Copacabana
Quando chega o momento de atravessar o Titicaca de balsa, chegamos e somos saudados por uma estátua de Manco Capac, primeiro rei inca, que vou explicar a história posteriormente.

Manco Capac saudando o Titicaca
Apesar da maioria das pessoas irem a Copacabana devido ao Titicaca, o que eu mais gostei mesmo foi da Basílica que tem na cidade. Como eu expliquei, ela é um dos lugares mais importantes para todos bolivianos, sejam crentes ou não. Uma curiosidade é que além da capela principal, foi construída também uma capela aberta para cerimônias ao ar livre. Tais cerimônias eram costume dos indígenas locais e assim ficou mais fácil a assimilação das ideias cristãs.

Capela aberta


Procissão em Copacabana

City tour por La Paz – As Cholitas

Porém, nada é mais Bolívia do que as Cholitas.
As Cholitas são facilmente identificáveis pelas ruas bolivianas e estão virtualmente por toda a parte. Inicialmente eram das zonas rurais bolivianas, em suas maioria Quéchuas ou Aimarás, que migravam para La Paz a procura de uma vida melhor. Eram discriminadas e até impedidas de entrar em certos lugares, porém, devido a muita determinação e trabalho, hoje as Cholitas são parte fundamental da economia boliviana.
Como são as Cholitas? 
Bem, uma coisa que você vai facilmente perceber é o traje característico delas. Elas sempre estão de saias longas e grossas e um xale por cima de suas costas. Isso ocorre porque elas acordam bem cedo, quando está se fazendo muito frio, para poder trabalhar e usam os chales para se esquentar.
Seus cabelos são longos, porém sempre em tranças, para facilitar o trabalho.
Cholita com suas tranças
Elas geralmente tem um formato meio arredondado. Sim, as Cholitas são bem atarracadas. Isso é devido ao padrão de beleza Aimará. Enquanto para a gente uma mulher bonita é uma mulher esguia, para os indígenas das montanhas as mulheres atarracadas são bem mais atraentes. Isso ocorre porque elas precisam ser fortes para poder trabalhar e caminhar pelas montanhas. Quanto mais forte for uma mulher, mais forte será a prole que ela irá gerar. Para os Aimarás e Quechuas, “Strong and big is beautiful” (forte e grande é linda!). Inclusive a parte considerada mais atraente de uma Cholita são as suas canelas (enquanto para a gente é a… er… bunda?). Segundo o guia, uma Cholita pode estar seis meses grávida, carregando um saco de batata em cada braço, um bebê nas costas e ainda assim pode caminhar mais rápido e por mais tempo nas montanhas do que qualquer um de nós.
Porém nada, absolutamente nada, chama mais a atenção nas Cholitas do que o que elas tem na cabeça. Cara, é muito engraçado você ver aquela mulher toda agasalhada, com roupas coloridas, joias e na cabeça ter uma… CARTOLA MASCULINA. E MINÚSCULA! Sim, elas tem uma cartola minúscula, que não entra na cabeça,  amarrada entre as orelhas! Cara, como é engraçado ver aquilo na cabeça delas, parece a todo tempo que vai cair de tão pequena que é essa cartola. Segundo o guia isso aconteceu porque durante a construção de uma estrada de ferro os ingleses encomendaram milhares de cartolas a uma empresa italiana. Porém, houve um erro, as cartolas vieram bem menores do que o encomendado e lógico que não serviu na cabeça dos gringos. Eles tentaram dar um jeito e vender para os bolivianos. Porém, os bolivianos, apesar de pequenos, tem cabeças muito grandes e as cartolas também não serviram. Alguém vai saber porque cargas d´água, mas as Cholitas simplesmente adoraram as cartolas e as adotaram como vestimenta obrigatória! E isso tem mais de cem anos! As cartolas são tão importantes para as Cholitas que elas tem um código para usá-las. 
Se a cartola é colocada no meio da cabeça, a Cholita é casada. Se é colocada ao lado da cabeça, quer dizer que a Cholita é solteira e você pode ir lá tentar a sorte. Agora, prepare-se. Ser casado com uma Cholita implica em ter vários filhos, pelo menos uns sete, pois Cholitas gostam de famílias grandes. Então, nem pense que você vai passar o domingo vendo futebol. Vai passar o domingo “trabalhando”.
Uma coisa interessante e que você não vê muito facilmente em La paz: Supermercados. Sim! Segundo o guia, é porque tudo o que você queira comprar em La Paz é possível comprar nas mãos da Cholitas. Quando você quer comprar algo, não vai ao supermercado, mas sim aos mercados que existem por toda cidade.
Ele levou a gente para um mercado a céu aberto onde pudemos ver as “Caseras”, que são como são conhecidas as Cholitas que trabalham naquele mercado. No mercado inclusive vende-se muita folha de coca.
Mercado de rua com várias Cholitas
Nesse mercado, você estabelece um laço meio maternal com elas que inclusive te chamam de “Caserito”. Se algum dia estiver triste ou precisando de alguém para te escutar, pode só chegar do lado que ela vai escutar tudo o que você tem para falar com muita atenção e te dar vários conselhos. Porém, se prepare para que toda a feira saiba no outro dia, já que elas conversam sobre tudo entre elas. Disse-nos que depois que você compra um produto em uma determinada “Casera” você estabelece uma relação permanente e nunca mais pode comprar em outra, mais ou menos como a máfia das tias das Casas Particulares em Cuba (leia essa história aqui). Ela pode até te ver comprando em outra, uma banana por exemplo, porém se no outro dia você chegar e pedir alguma coisa à sua Casera, ela não vai te atender e vai te falar para você comprar na sua “nova Casera”. Explicou também que não costuma se barganhar naquele mercado aberto, pois sabe-se que fazendo isso está se roubando do pequeno lucro delas.
Porém, você pode pedir uma “Iapa”, que é como o nosso famoso “Chorinho”. Você compra dez bananas, daí vai lá e pede uma banana a mais de Iapa e a sua Casera fará o possível para atender ao seu Caserito.
Disse o guia também que várias delas são riquíssimas, inclusive são donas de imóveis e lojas, mas que todos os dias, faça chuva ou faça sol, estarão ali, na feira, esperando seus Caseritos para comprar mais uma penca de bananas ou apenas um ombro para ganhar um pouco de afeto.
América Latina e suas histórias peculiares…