Eilat

Como estava realmente a fim de tentar dormir aquela noite em Jerusalém, procurei não desistir. Chamei um mochileiro que havia conhecido pela fronteira e nós dois fomos tentar chegar de qualquer maneira em Jerusalém. Andando? Correndo? Quase isso, fomos para a saída da cidade e começamos a pedir carona. Bem, não era tão longe assim. Eram uns 350 quilômetros, dava pra fazer de boa se pegasse uma carona.
Chegamos ao lugar que parecia o melhor local para conseguirmos uma carona. Ficamos lá estendendo os braços. Bem, não precisa dizer que estava difícil, né? Sexta feira, dia de Shabat, à noite, dois homens pedindo carona… Só havia situações adversas contra a gente. Passada uma meia hora, um carro parou. Corremos para ver. Era um táxi. Bem, sabíamos que ele não ia nos dar carona, mas fomos ver se de alguma maneira poderia nos ajudar. Inicialmente começamos a trocar uma idéia, conversar com ele o que poderia ser feito e tal. Bem, não precisa falar que isso ia dar errado, né? Não sei se já falei aqui no blog, mas taxista é a raça mais FILHA DA PUTA que existe nesse planeta. Seja na Índia, seja na Síria, seja em Israel, eles SEMPRE vão querer FUDER a sua vida. Com esse não foi diferente. Inicialmente ele parecia ser um cara realmente gente boa. Chegou cheio de sorriso, sorrindo mais que professor de aeróbica, perguntando qual era nosso problema, falando que não queria nada, que ia só nos ajudar e coisas do tipo, aquele papo de filha da puta. Eu sabia como seria a história no final, sabia que ele queria nos enrolar, sabia que era taxista, mas, cara, eu tava tão desesperado e cansado que resolvi tentar acreditar em pelo menos esse. Achar que pelo menos um escapou do inferno e realmente iria nos ajudar.

Devia ter posto essa foto antes. Visão aérea da travessia da fronteira terrestre entre o Egito e Israel

Naquela conversa lá, papo vai, papo vem, ele conquistou nossa confiança. O inglês dele era realmente muito bom e ele era bem simpático. Depois de um tempo conversando com a gente, ouvindo nosso problema, ele falou que era melhor a gente parar de tentar conseguir carona. Falou o óbvio: que já estava de noite, que éramos dois homens, que era Shabat… Falou ainda que era um pouco perigoso ficarmos ali. Disse-nos que semana passada um mochileiro da Inglaterra havia atirado em uma pessoa que lhe dava carona e isso tinha causado uma comoção tremenda na cidade. Segundo ele, era perigoso ficarmos ali, no meio da rua, pedindo carona, em um Shabat, pois as pessoas estavam revoltadas com caroneiros e, além disso, poderiam se ofender por estarmos fazendo isso em um dia santo. Além disso estávamos do lado da fronteira e isso poderia nos dar problema, pois algum soldado poderia simplesmente ligar no rádio, contatar o pessoal da fronteira que havia dois homens suspeitos no meio da rua e com isso nos mandar de volta pro Egito. Começamos a ficar preocupados e desistimos de tentar conseguir uma carona. Bem, aí depois no final descobrimos o que ele queria:
– Oh, mas se vocês quiserem. Eu posso levar vocês lá em casa, vocês tomam um banho, minha mulher faz um jantar pra vocês. Depois os levo até Jerusalém. Cobro só 100 dólares de cada um…
Quando ele começou a falar isso só demos as costas e começamos a caminhar procurando um albergue. Taxistas…
Procurando um albergue
Bem, apesar de tudo, ele realmente tinha razão, era melhor não dar bobeira em uma cidade de fronteira. Começamos a procurar um albergue e achamos um que parecia até jeitosinho. Além de tudo, o dono falou que colocava uns colchões do lado de fora e cobrava só cinco dólares pra quem quisesse dormir neles. Bem, cinco dólares pra uma noite, em um país que tem um custo de vida semelhante ao da Europa, era realmente um ÓTIMO acordo. Resolvemos ficar por lá mesmo e tentar no outro dia chegar a Jerusalém. Depois que coloquei minhas mochilas lá pelo armarinho que me deram, eu comecei a ler uns avisos meios estranhos colado pelas paredes: “Que Deus abençoe a sua noite”, “Lembre de rezar a Deus antes de ir dormir”, “Apenas casais casados podem dividir um quarto no albergue” e coisas assim. Comecei a me sentir como o Gabriel, o Pensador naquela música 2,3,4,5 meia 7, 8:
Quando a esmola é de mais o santo desconfia/ Essa mina deve tá com algum problema…/ Chegando no local que ela escolheu: Não-sei-o-que-lá-do-reino-de-Deus/Olha o nome do filme: “Jesus Cristo é o Senhor!”/ É comédia?/ (Não é filme/, o cinema acabou, /virou igreja evangélica./ E eu só te troxe aqui pra você comprar pra mim uma vaga no céu!)/

Geral dormindo pelo chão

 
Depois de conversar com alguns dos hóspedes, realmente era o que eu estava temendo. Sim, era uma hospedaria de caráter religioso. Cara, eu não tenho nada contra religiões, mas tenho bastante contra pessoas que só ficam te criticando e acham que sabem o que é melhor pra você, como a maioria dos religiosos fundamentalistas são. Bem, enfim, quem tá na chuva é pra se molhar, já tinha pago, agora era ficar por lá.
Por incrível que pareça, apesar desse meu preconceito bobo, o lugar foi MUITO agradável. Eu não sabia, mas sexta-feira a noite era um dia em que ele reunia os vários cristãos pela cidade e faziam uma celebração, todos juntos. Sempre bom lembrar que Israel é judeu, logo não eram muito os cristãos que havia por lá. Como sexta-feira a noite era impossível achar uma balada por Eilat e aquilo parecia que ia ser uma manifestação cultural realmente interessante, decidi ficar por lá a noite e ver o que iria acontecer.
Cara, foi muito legal! Eles reuniram VÁRIAS pessoas, de VÁRIOS lugares diferentes. A zona externa do albergue ficou MUITO lotada! Quando já estavam todos nos seus lugares, os donos do albergue pediram a palavra e começaram a fazer um sermão. Mas, cara, que sermão, viu? Bicho, foi muito interessante. Eles começaram um debate muito interessante, com vários questionamentos sobre o que era moral, sobre o que era ajudar ao próximo, sobre o valor de se viver uma vida correta, coisas assim. Bem parecido com o que se pode ver no Sermão da Montanha. Mas falavam com muita sobriedade, citando vários filósofos e de uma maneira que realmente fazia você pensar. Muito legal mesmo. Além disso, tinha algo que também era muito interessante. Grande parte dos freqüentadores eram africanos sudaneses que haviam escapado de Darfur e estavam asilados em Eilat.

Como eles não falavam inglês, um deles ficava no meio e ia traduzindo o sermão que era feito. Além dele, havia mais um outro traduzindo para o espanhol para que uns latinos que estavam lá também pudessem entender. Ou seja, o sermão era transmitido em três línguas diferentes. Fiquei lá vendo o brilho dos olhos deles ao transmitirem o sermão. No final ainda houve um jantar, de graça, onde todo mundo pôde comer, inclusive a gente que tava se hospedando no albergue. Bem da hora.

Quando acabou o sermão, fui lá conversar com o pessoal do albergue sobre aquela história do taxista. Se aquilo realmente era verdade. Cara, claro que não, né? Era LÓGICO que ele tava mentindo e enrolando a gente e a história não fazia nenhum sentido. Falaram-nos que isso nunca chegou nem perto de ocorrer e pedir carona era algo bem comum de se ocorrer em Israel. Que tudo aquilo é balela. As pessoas só não costumam pedir no Shabat por causa que há poucos viajando, mas de resto era tranqüilo. Gente, pode parecer que eu tenha sido um idiota, mas é que além do taxista falar com tanta, mas TANTA, convicção, estávamos MUITO cansados e desesperados, logo a gente acabou acreditando piamente no que ele tava falando. Mas enfim, trocando em miúdos, aquele taxista que parecia apenas um cara simpático e gente boa, não era nada mais que mais um grande FILHO DA PUTA. Por essas e outras que eu fiquei meio que feliz com o acontecido com a gente quando tínhamos acabado de sair do posto de fronteira ainda na fronteira de Israel com o Egito.

Fila pro jantar
Assim que saímos do posto, um taxista veio nos abordar e perguntou se não queríamos um táxi pra nos levar do posto até a cidade. Bem, eram uns cinco quilômetros e portanto meio longe pra se ir andando. Dissemos que sim, mas ele queria uns dez dólares pra isso. Comecei a discutir com ele e a dizer que se fosse a dez dólares, eu preferia ir andando (típica negociação que eu sempre faço com esse tipo de corja). Ele ficou meio puto e falou que se eu fazia tanta questão de cinco dólares, que ele faria isso pra mim. Bateu a porta meio com raiva e “Vlupt!!”, cortou o dedão da mão. O sangue começou a descer e eu por uns dez segundos fiquei com pena. Mas hoje quando lembro do outro taxista, o que queria nos levar a Jerusalém, me sinto meio que vingado.
Acabei dormindo cedo, porque queria aproveitar a manhã em Eilat. Querendo ou não, a cidade ficava de frente para o Mar Vermelho, um dos melhores lugares do mundo para mergulho e eu não perderia essa. Pela manhã aluguei uns óculos e um snorkel e fui lá. Cara, não me arrependi, viu? Esse Shabat, apesar de ter feito eu me lembrar dos problemas que tive com o feriado turco, pelo menos me deu o prazer de ficar uma noite e uma manhã em Eilat e curti algumas várias histórias que ocorreram por lá.
Peguei meu busão pra Jerusalém umas duas da tarde.

Como chegar a Israel

Brasileiros não necessitam de visto pra poder entrar em Israel. Isso parecia um bom sinal e parecia que eu realmente não enfrentaria problemas pra poder atravessar a fronteira por terra do Egito para Israel. Pra falar a verdade, eu não cheguei a ter muitos problemas pra poder atravessar fronteiras. Apesar de todo terrorismo que sempre fazem quando você fala que vai pra Europa, o mais próximo que eu cheguei de ter algum problema foi a primeira vez que entrei na Europa e ainda assim foi só coisa da minha cabeça.
É, mas eu estava enganado, eu iria enfrentar problemas. Cara, desde a sua fronteira, Israel já começa a te demonstrar o que é viajar para um dos países mais vigiados e tensos do mundo. Pra quem não está muito por dentro do que estou falando, sempre é bom lembrar que poucos países foram atacados tantas vezes no século passado como Israel foi pelos países árabes. Desde a declaração de sua independência, Israel sofre com os diversos vizinhos árabes e/ou muçulmanos que não reconhecem a sua existência. Os bichos já estiveram em guerra contra Síria, Arábia Saudita, Líbano, Iraque, Egito (o mais populoso país árabe e segundo mais populoso da África)… Com alguns deles por mais de uma vez e por algumas vezes com vários deles coligados. Sabendo disso, fica mais fácil entender toda a neurose que Israel possui com a segurança de seus cidadãos no dia-a-dia. Quem desejar se aprofundar ou entender mais como foram as guerras que Israel atravessou durante o século passado, pode ler nesse link aqui.
Bem, já comecei a sentir o que era isso assim que estava saindo da fronteira com o Egito. Cara, já na porta de saída do posto de fronteira do Egito havia uma oficial de Israel que parava todo mundo e começava a fazer aquelas perguntas de “Onde está indo?” “O que vai fazer em Israel” e coisas do tipo. Pensei “Nossa, o posto de fronteira deles é colado no do Egito!”. Pra você que não está entendendo, deixa eu explicar. Geralmente as fronteiras por terra são assim: Você passa o posto de fronteira do primeiro país, percorre mais uns quilômetros e lá na frente há o outro posto de fronteira. Entre os dois postos de fronteiras, nessa “terra de ninguém”, geralmente há casas de câmbio e free shops, geralmente não há nada, mas sempre há mais ou menos um quilômetro distanciando de um pro outro. Por isso achei estranho “Nossa, mas o posto de fronteira é colado mesmo?”. Nada, ledo engano! Depois da entrevista com a mulher, caminhamos mais uns 500 metros de pista e lá tinha uma plaquinha dizendo “Bem-vindo a Israel” e uma outra oficial que começou a nos fazer as mesmas perguntas.

Eu no Monte das Oliveiras
Bem, depois fiquei pensando “Nossa, que coisa idiota, colocar uma mulher a 500 metros uma da outra pra poder fazer as mesmas perguntas”, mas depois me disseram que na verdade esse é um procedimento padrão para se entrar em Israel. Geralmente há uma breve entrevista feita por um oficial israelense no país de origem e quando você chega a Israel, mais uma entrevista antes mesmo de entrar no posto de controle. Pode parecer idiota isso num posto de controle por terra (como falei, uma oficial estava a meros 500 metros da outra), mas em um aeroporto de origem (imagine pegando um vôo no Brasil pra Israel e já sendo entrevistado no Brasil, por exemplo) isso pode fazer toda a diferença. Enfim, fui “aprovado” na segunda entrevista e prossegui pro controle de bagagens.

Passei na esteira e depois fui direto praquelas cabininhas de controle de fronteira, onde eles checam teu passaporte e visto. Antes de passar por lá foi até engraçado. Tinha uma CARRADA de senhoras em fila, todas falando português e falando pelos cotovelos. Elas faziam parte das milhares de caravanas de brasileiros que vão todos os anos para excursões na “Terra Santa” (bom lembrar que Jesus nasceu em Nazaré, que fica no norte de Israel). O guia levou um lero com a oficial da cabine (sim, amigo, só tinha mulher e GATA nos postos de controle israelenses. O que era aquilo?!?!) e ela foi liberando uma senhora atrás da outra. Quando chegou na minha vez:
– Bom dia, senhor. Passaporte
– O senhor fala inglês, Sr. Claudiomar? – perguntou enquanto folheava meu passaporte.
– Sim, senhora.
– O senhor vai fazer o que em Israel?
– Estou viajando pelo mundo, senhora.
– É, posso ver que o senhor viajou bastan… – ela interrompeu a frase no meio e esbugalhou os olhos.
– O que o senhor fez no Líbano e na Síria, Sr.? – tom de voz mudado, ela ficou BEM mais assertiva.
– Er… Eu estou viajando, sabe?
– Quais outros países muçulmanos o senhor viajou?
– Turquia, Malásia, Egito e Indonésia.
– O que o senhor foi fazer em todos esses países?
– Uai, tou viajando pelo mundo, senhora!
– Segue pra aquela salinha ali.
Salinha? Pronto – pensei – é agora que eles me descem o cacete. Fiquei imaginando os bichos me chamando de lagartixa e me jogando na parede. Brincando de Guantánamo comigo…
Entrei na salinha e um oficial grande e gordo começou a me interrogar e fazer as mesmas perguntas. Pra onde vai, por que, onde vai ficar, vai pra algum território ocupado (Palestina) e eu só respondendo. Depois ele meio que começou a fazer um cadastro comigo e perguntou o nome do meu pai, da minha mãe, dos meus avós… e a entrevista foi indo. Depois de me perguntar até minha décima geração começou a parte mais impressionante da entrevista. Não, eu não fui estuprado. Ele perguntou onde eu morava no Brasil. Resolvi dar o meu endereço do Maranhão, já que parecia mais crível. Ele anotou o nome da rua e:
– O senhor pode me dizer um nome de uma rua paralela?
– Er… Rua X
– Ok, e uma rua paralela a rua X senhor?
– Rua Y.
– Pode escrever nesse papel aqui?
– Claro
– E uma rua perpendicular…
Bem, não sei se você notou o que ele estava fazendo. Sim, é isso mesmo que você está pensando. Ele tava conferindo no GOOGLE MAPS onde eu MORAVA!! Depois de uns quinze minutos do bicho praticamente desenhando São Luís inteira no mapa, eles me mandaram sentar num banquinho no corredor e aguardar. Depois de alguns minutos me chamaram em outra sala e começaram a me fazer exatamente as MESMAS perguntas. E eu lá, que nem um paspalho respondendo, mas morrendo de preocupação com o horário.
Sentei em uma cadeira e de repente apareceu uma TURBA de tias brasileiras que estavam viajando para a Terra Santa. Visivelmente empolgadas, elas faziam um barulho danado, felizes, por estar chegando em um lugar tão sonhado. Como não tinha nada para fazer, fiquei puxando papo com elas enquanto aguardava ser liberado.
Rapaz, para que? O oficial me olhou com uma cara de desconfiado e me perguntou:
– Você não disse que tava viajando sozinho?
– Mas estou
– E por que você está falando com essas senhoras?
– Pô, elas são brasileiras, faz tempo que não vejo brasileiros. A gente tava só batendo um papo. No Brasil é ass…
– Salinha
– Pô, cara, eu gosto de falar com pessoas que estão viajando
– Salinha
– Meu, não tem nada demais
– SALINHA!!!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Ai, caralha, que raiva!! E lá vou eu responder as mesmas perguntas.
Respondi, me deram mais um chá de cadeira e DUAS HORAS depois lá estava eu fora da fronteira de Israel. “Ah, mas de boa, apesar da demora você conseguiu ficar de boa, né?”. Err… Não!

Meninada do serviço militar obrigatório de Israel. Olha a cara de moleque dos meninos. TODO mundo em Israel, apto fisicamente e mentalmente deve servir ao exército. Meninos por três anos e meninas por dois anos. É cumpade, lá o negócio é meio sério…

Cara, nesse dia eu aprendi da pior maneira possível o que significava a palavra “Shabat”. Pra quem não sabe do que estou falando, Shabat é como se fosse o domingo dos judeus. Não é um domingo propriamente dito que nem um nosso, já que o nosso domingo (que teoricamente deveria ser o dia de Deus para os católicos, mas hoje ninguém se lembra mais disso) começa a meia-noite e termina na meia-noite do dia seguinte, que é quando se começa a segunda. Lá não, o Shabat começa no pôr-do-sol da sexta feira e termina no pôr-do-sol do sábado. Entre esse período, amigo, ESQUECE, Israel PARA e pouquíssimo serviços públicos são prestados, na sua maioria por árabes. Trocando em miúdos, eu que achava que ia atravessar a fronteira e pegar um busão direto pra Jerusalém descobri que o último busão pra lá saía um pouco antes do pôr-do-sol e depois só no sábado, ainda assim só um pela tarde (o normal era uns cinco ou seis por dia), ou seja, teria que perder um dia em Eilat, a cidade israelense da fronteira. Tudo isso porque tinha ficado duas horas na fronteira respondendo àquelas perguntas idiotas. Bem, como não me restava o que fazer, o negócio era ficar em Eilat mesmo e aproveitar pra poder curtir o que fosse possível da cidade.

Restaurante de comida etíope em Israel. Eu não sabia, mas a Etiópia tem uma população gigantesca de judeus…
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Perambulando pelo Egito – parte 2

Bem, antes de começar esse post eu gostaria de falar com vocês aqui. Não é de hoje que mais uma vez eu atrasei, e MUITO, um post. Realmente isso vem ocorrendo com uma freqüência maior do que eu gostaria e vi que tem uma galera aqui que fica insatisfeita. Bem, eu dou razão a vocês. As postagens aqui estão ficando cada dia mais raras, mas infelizmente isso deve continuar ocorrendo. Gente, a minha vida tá muito atribulada, tou viajando bastante tanto por conta do trabalho, quanto por conta própria mesmo e, infelizmente, acaba sobrando pro blog que fica cada dia com menos postagem. Antes, quando eu não trabalhava, realmente tava dando pra conciliar legal o blog com minhas outras atividades, mas o problema é que por agora tá ficando complicado. Até porque da um trabalho danado escrever um post. Se for pra escrever, quero fazer bem feito, se for pra fazer ruim prefiro nem escrever. Vou tentar ao máximo diminuir os atrasos, mas alguns ainda devem ocorrer. Conto com a compreensão de vocês.

Velha Cairo
É interessante que todos esses protestos no mundo árabe estejam ocorrendo justamente quando estou começando a escrever sobre como foi a segunda parte da minha viagem pelo Oriente Médio. Pra quem mora dentro de um buraco e não sabe do que estou falando, o mundo árabe, os vários países que possuem maioria árabe, estão enfrentando uma onda de protestos depois que o ditador da Tunísia caiu. Tudo começou quando Mohamed Bouazizi, um feirante da Tunísia, ateou fogo ao seu próprio corpo em protesto por ter seus bens confiscados por policiais. Tal ato de protesto e desespero foi o estopim para que milhões de tunisianos, cansados de viverem sobre uma ditadura fratricida durante mais de vinte anos, fossem protestar por melhores condições de vida e contra o ditador. Os protestos foram tomando proporções absurdas. Acabou que no final o ditador da Tunísia não agüentou e deixou o cargo. Os egípcios, seguindo o exemplo dos tunisianos, acharam que seria uma boa idéia fazerem o mesmo e após algumas semanas de pesados protestos na praça Tahrir, mais um ditador, Mubarak, perdeu o poder. Aí cumpade, aí foi tudo como um dominó. A bola da vez agora é a Líbia e o Bahrein, que uma hora ou outra também vão perder os seus ditadores e influenciar outros países árabes que vivem sobre uma realidade semelhante e opressora e assim a “Primavera Árabe” vai caminhando. E tudo isso por causa do desespero de um pobre feirante tunisiano. Quem quiser mais informações de como tudo está acontecendo, favor clicar no item aqui. Acho engraçado que durante a minha visita às pirâmides, tinham acabado de terminar as eleições norte-americanas e Obama tinha sido eleito com toda aquela esperança de mudança que ele carregava. Foi um momento todo interessante, onde todos nós estávamos cheios de esperança de mudança, que Obama seria melhor para o Brasil, para isso e para aquilo, parecia até que a eleição era pra presidente mundial e não dos Estados Unidos. No Egito não foi diferente. Lembro de um vendedor de bugigangas que conversava comigo na pirâmide e falava que o Obama seria muito bom pro Egito. Que com a eleição dele tudo iria mudar. Não sabia ele que estava fazendo uma das mais certeiras previsões que eu já vira na política internacional. Tudo mudou no Egito, mas não foi por causa do Obama, foi por causa deles mesmos (tá, eu sei que ficou meio “Paulo Coelho” essa passagem, mas vocês entenderam)
Crianças em Cairo

Após visitar as pirâmides, aproveitei pra poder dar uma volta pela cidade do Cairo. Como já havia falado antes, Cairo vai muito além das pirâmides. As minaretes, a “Velha Cairo”, todos são lugares fantásticos de serem visitados. A sensação que dá é que você está caminhando por ruas da Idade Média, principalmente quando visita as ruas do mercado da cidade. No meio da cidade ainda conheci um árabe que era formado em geografia e começou a me apresentar a cidade. Como eu tava com medo do bicho ser guia e depois fazer confusão pra eu pagar a ele uma grana, acabei dando um perdido e não sei até hoje se o cara era gente boa ou não! Maldita Índia que me deixou extremamente desconfiado com pessoas na rua.
Portao do mercado de Cairo construido no seculo VIII

O Museu do Cairo é um espetáculo, ou era, já que fica em frente a praça onde ocorreram a maioria dos protestos e foi seriamente danificado. É lá que fica a mais do que famosa máscara mortuária de Tutancâmon. O museu é GIGANTESCO e você passa horas lá dentro lendo e aprendendo sobre a sociedade egípcia de milhares de anos atrás. Uma das várias curiosidades é que os egípcios acreditavam em vida após a morte e por isso se preocupavam tanto com mumificação. Para os faraós eram elaboradas máscaras mortuárias para que assim, quando a alma fosse retornar, reconhecesse mais facilmente o corpo a que pertencia. Para ajudar na longa viagem também eram mumificados alimentos e outros víveres. Isso foi de grande valia, não porque as almas realmente voltaram, mas porque devido a essa preocupação em mumificar alimentos e separar vários objetos pessoais e colocá-los no túmulo, hoje se sabe bastante sobre como eram os hábitos e os alimentos consumidos durante o período dos faraós. Além de que, caso o arqueólogo chegasse com uma fome danada na tumba, tava ali uma costela fresquinha pra ele fazer um churrasco. Não só pessoas eram mumificadas, animais também obtiveram essa “honra”, como pode ser visto no próprio museu.

Depois da visita ao museu, segui para casa do Mr. French e comecei a planejar minha viagem para Israel. Engraçado que chegando lá ele tava hospedando duas chilenas, que não falavam inglês, e ele não falava espanhol. Sobrou pra mim atuar como tradutor.
Vai um pedaco de costela mumificada ai?

Meu busão pra fronteira com Israel era pela madrugada. Mr. French me falou de um taxista que ele conhecia que era gente boa e que poderia me levar. Ligou pro bicho e ele foi me buscar pela madrugada. Cara, acho que de todos os taxistas que eu tive que lidar, esse foi o único que eu realmente gostei. Ele era bem gente boa. Era engenheiro eletricista, tinha três filhos e pela noite trabalhava como taxista pra poder complementar a renda. Deu-me uma dor no coração conversar com aquele cara. Ele era mais uma de uma geração de egípcios que nasceram sob o regime de Mubarak e, apesar de estudarem bastante, não conseguiam uma vida digna. Ele até me perguntou o que eu fazia no Egito, se eu tava lá pra estudar ou trabalhando. Respondi que estava só viajando mesmo e ele ficou um tanto quanto assustado. “Mas você viaja por viajar?” – ele me perguntou. Cara, fiquei sem graça quando ele falou isso. O bicho lá trabalhando de manhã, de tarde e de noite pra dar comida pros filhos dele e eu só viajando. Ele e o outro formado em Geografia devem ter sido um dos muitos egípcios que tavam tacando pedra lá na praça Tahrir protestando contra Mubarak.
Peguei meu busão e segui pra fronteira com Israel.
Fala serio, todo mundo tem uma foto dessa com um Rayban!! Essa eu tirei na fronteira com Israel!
P.s: Tou no em Recife agora, durante o carnaval postando o blog. E’ complicado, isso aqui e’ um vicio!!!

Depois de Arraial, de volta ao Rio de Janeiro

Inicialmente, não estava nos meus planos gastar um dia para passear no Rio de Janeiro. Desde o começo eu queria mesmo era mergulhar em Arraial do Cabo, pegar meu avião e voltar pra Brasília. Acontece que ocorreu um grande imprevisto. Quando estava em Arraial do Cabo, todos me alertavam que eu deveria me precaver bastante pra poder conseguir chegar a tempo no aeroporto do Rio de Janeiro. Como falei, a Região dos Lagos estava lotada de gente que desceu pra lá pra poder aproveitar o feriado e por isso até peguei um engarrafamento gigantesco na ponte Rio-Niterói. O que foi me falado é que a viagem de volta, devido ao feriado prolongado, deveria ser de mais ou menos umas quatro horas. Aí comecei a fazer as contas. Bem, meu vôo é 20h42min, portanto vou tentar chegar ao aeroporto às 19h. Pra chegar ao aeroporto às 19h, tenho que chegar à rodoviária às 18h30min. Como todo mundo falou que a viagem de ida deve demorar umas quatro horas, vou tentar pegar um busão às 13h30min, uma hora a mais de precaução nunca é demais, né? “O que? Não tem ônibus 13h30min? Só tem 12h50min e 14h10min? Er.. vamos ser prudentes, me dá o busão de 12h:50m!

Comprei a passagem e que horas acabei chegando à rodoviária do Rio? Meu amigo, cheguei à rodoviária eram 3 horas da tarde EM PONTO! Que porra de quatro horas de viagem nada! Você vê como não dispor das informações certas e confiar em besteira que gente sai falando pode lhe dar muito problema! Depois que voltei pra Brasília que fui ver no Google que Arraial do Cabo fica a uns 150 quilômetros do Rio de Janeiro! Cara, se eu fosse demorar CINCO HORAS pra poder chegar de busão, ele ia ter uma velocidade média de 30 km/h! Quase uma bicicleta! Maldita prudência! Podia ter ficado mais em Arraial!
Desci pro aeroporto voado pra ver se ainda conseguia mudar minha passagem e pegar um vôo mais cedo (já que tinha um que saía às quatro e meia). Quem disse? Cheguei lá no aeroporto e o vôo tava lotado. Resultado? Eram rodados 15h30min e meu vôo só saía às 20h42min. E aí, o que fazer? Como tava com uma verdadeira biblioteca na mochila, até pensei em ficar lá lendo e esperando. Mas bicho, meu vôo era OITO E QUARENTA quase CINCO horas depois! Era tempo DEMAIS pra poder ficar esperando sem fazer nada. Decidi que ia achar alguma coisa pra poder fazer por lá mesmo. Comecei a ligar pra alguns amigos em Brasília e alguém me deu a idéia de ir visitar o Museu de Arte Contemporânea, obra do Niemeyer que fica na cidade de Niterói.


Como não tinha muitas escolhas, aluguei um armário lá no aeroporto, joguei minha mochila dentro e peguei um busão pra Niterói. Informei-me com o motorista e a cobradora e eles me falaram que a viagem iria demorar mais ou menos uma hora pra ir, outra pra voltar. Eu tinha cinco horas, duas de transporte, meu vôo era 20h42min, era bom que eu chegasse com uma hora de antecendên… Ah porra! Sem mais cálculos de prudência, se desse pra chegar a tempo, que desse, se não desse, que não desse! Eu iria pra lá, veria o que tinha de ver, quando estivesse satisfeito voltava. Simples assim.
Peguei o busão e comecei a conversar com a cobradora. Primeiro que tinha uma coisa curiosa. A passagem era uns cinco conto em horário de trabalho e uns quatro reais em horário, digamos, de farra. Fiquei pensando pra que diabos aquilo servia. De noite a segurança é precária, tem menos pessoas sendo trafegadas e, pior, estas pessoas tendem a estar bêbadas ou fazendo farra (o que só dá mais trabalho e aumenta a chance de um cobrador ou motorista ter problemas, por exemplo) ou seja, só fatores que tendem a encarecer a passagem. Então, pra que diabos a passagem da noite é mais barata que a da manhã? Faz menos calor e com isso gasta-se menos com ar-condicionado? Difícil saber… Em cidades normais a tendência seria que as pessoas que viajassem pela manhã pagassem menos das que viajasse à noite para incentivar que as pessoas utilizassem transporte público pra poder ir trabalhar. Não o contrário. Mas se bem, que, bem, se bem que é o Rio de Janeiro. A lógica lá deve ser o contrário.
Fiquei conversando com a cobradora e ela foi me explicando que o busão não passava em frente ao museu. Que eu provavelmente iria ter que pegar outro busão dentro de Niterói pra poder ir pra lá. Gasta-se mais tempo quando precisa-se pegar dois busões pra ir, dois pra voltar e por aí vai. Comecei a pensar se realmente valeria a pena eu ir pra esse museu naquele dia. Enquanto pensava no que iria fazer, passamos em frente à Candelária e do lado dela tinha um prédio, Centro Cultural Banco do Brasil, onde estava tendo uma exposição de Escher, o mestre das figuras impossíveis.


Algumas das figuras impossíveis de Escher. Tente seguir o curso da água ou ver quem está subindo e quem está descendo na foto acima.

Durante um tempão eu nutri um desejo de ir a essa exposição quanto teve aqui em Brasília. O problema é que eu fui deixando, deixando, deixando… E quando vi, no final, a exposição acabou e eu não fui. Ah rapaz, quando eu vi as figuras de Escher no topo do prédio, eu não tive dúvidas, parei o busão, desci e fui direto lá.
Cara, quando eu desci do ônibus. Meu amigo! O que era aquilo?!?! Que calor era aquele? Olha, eu sou nascido e criado no Maranhão, mas calor como esse não era algo que eu tava muito acostumado não. Rapaz, era um calor que no Maranhão a gente se refere como “calor de assar diabo”. Quente que só uma assadeira. Tava aquele calor com mormaço, saca? Quando tá prestes a chover? Eu não tinha tido tanto acesso a esse calor antes de descer do busão porque, desde o busão que eu peguei em Arraial do Cabo, passando pelo o aeroporto e o busão pra Niterói, todos tinham ar-condicionado. Rapaz, eu achei que eu ia era assar do lado de fora. Por essas e outras que não me restou outra opção que não a de entrar o mais rápido possível naquele prédio porque lá dava pra ver que tinha ar-condicionado!
Pra quem não sabe quem foi Escher, eu não vou explicar, a Wikipedia faz isso melhor, mas só posso dizer que a exposição era muito, mas MUITO legal. Realmente valeu a pena eu ter ido. Não sei se valeu mais a pena pelas peças em si ou por causa do ar-condicionado mesmo. Depois que eu terminei a volta no museu, ainda era umas cinco da tarde e eu não tava nem um pouco a fim de voltar para o aeroporto. Pensei em descer pra Copacabana pra poder ir tomar um chopp por lá, mas depois acabei descartando a idéia porque ia dar um certo trabalho ir até lá e depois voltar para o aeroporto. Resolvi visitar um dos meus locais preferidos no Rio de Janeiro, o Mosteiro de São Bento, um dos locais mais interessantes do Rio de Janeiro na minha humilde opinião. O mais legal é que no domingo costuma ter um Canto Gregoriano antes da missa, que, cara, é um show a parte! Toda a liturgia, todos os protocolos, o monge lá em cima tocando no órgão, os outros em baixo cantando em latim. Sério, toda vez que eu vou lá e assisto a essa celebração me sinto como se estivesse na Idade Média. É simplesmente SENSACIONAL! Quem não foi ainda lá, vá! Vale muito a pena assistir!
Saí do Mosteiro e resolvi seguir de volta para o aeroporto, pois já era quase seis e meia da tarde e eu realmente tava a fim de ler alguns dos livros que havia comprado. Fui andando por entre as quadras do centro do Rio de Janeiro e peguei um busão de volta, só que esse, infelizmente, sem ar-condicionado! Cara, andar naquele busão sem refrigeração, somado aos quase quinze minutos que caminhei naquela sauna a céu aberto que era o Rio de Janeiro me fizeram simplesmente pirar e desejar ao máximo alguma coisa BEM gelada pra poder beber. Fui voltando pro Aeroporto e pensando o que eu poderia fazer. Beber água de bebedouro? Fora de questão, a água era rala e ainda assim quente. Comprar uma por lá? Ia pagar uns três reais por um copinho de 200 ml. Como o aeroporto era quase que do lado ao centro do Rio, resolvi sair procurando um boteco qualquer ao menos pra poder comprar uma cerveja. Quem disse que achei um aberto? Rapaz, mas carioca até em dia de domingo não gosta de trabalhar.
Como não estava disposto a desistir, continuei andando a esmo disposto a achar um maldito lugar onde fosse possível eu achar um maldito chopp pra poder tomar naquele maldito calor daquele maldito dia! Depois de mais ou menos meia hora andando pra cima e pra baixo, sempre pelas imediações do aeroporto, quando já estava por desistir, me apareceu aquele oásis. Aquele eldorado. Aquela visão do paraíso. Aquela praia de São Luís numa manhã de sol. Cara, surgiu uma loja de conveniência com um freezer cheio, mas CHEIO de cerveja! AH MLK!
Mermão, na hora eu já corri pra lá. Que felicidade! Na hora me lembrei do Mc Donald´s que comi em Fiji, sem sombra de dúvidas o Mc Donald´s mais gostoso da minha vida (link da história aqui)! Cara, que alívio. Nossa, aquela brisa artificial de ar-condicionado é boa demais. Aquele ventinho gelado nos couros! Viva a vida industrializada e os combustíveis fósseis! Sentei lá, pedi uma cerveja, depois outra, depois um pacote de Doritos, depois outro, depois uma coca, depois um guaraná… Chega meu rim doeu de tanta porcaria de bebida e comida que eu enfiava pela goela. Mais uma vez, viva a vida industrializada!
Depois de quase uma hora naquela vida mundana, resolvi seguir de volta ao aeroporto pra poder pegar meu avião de volta. Corri pra sala de embarque (havia um bom ar-condicionado lá) para vir direto a Brasília. De volta a minha vida de servidor público federal.

Arraial do Cabo – conheça o “Taiti carioca”

(esse post vai sem fotos minhas. Fui pra lá sem câmera fotográfica :P)

Bem, fim de semana retrasado fui tentar mergulhar nas praias de arraial do Cabo, uma cidadezinha próxima a Cabo Frio, no Rio de Janeiro, famosa por ser um ótimo lugar de mergulho e cheio de tartarugas. Há muito tempo que nutro o desejo de mergulhar novamente com saudades do tempo em que fazia isso na Tailândia ou apenas fazia snorkeling em praias do Sudeste Asiático e Oriente Médio.

Uma coisa que sempre me chateou é que o Brasil, apesar de possuir um litoral imenso, não parecia possuir sequer um só local apropriado ao mergulho e ao snorkeling. Mas quando digo nenhum, é nenhum MESMO, tirando Fernando de Noronha. Depois de um muito tempo procurando aonde ir, me pareceu que Arraial do Cabo era um lugar apropriado para prática. Não pensei duas vezes, na sexta desci pra rodoviária do Rio de Janeiro e fui comprar a minha passagem pra Arraial do Cabo.
Assim é Arraial do Cabo visto de cima

Consegui meio que de milagre um couch lá (só tinha UMA pessoa oferecendo, isso em um dos lugares mais turísticos do Brasil) e por isso estava animado. Bem, “estava” é a palavra correta pra poder definir meu estado de espírito antes de chegar na rodoviária. Meu amigo, lá tava LOTADO de gente, mas tinha gente, GENTE, mas parecia que tavam era distribuindo farinha. Foi feriado no Rio de Janeiro na quinta feira e muita gente aproveitou pra poder emendar, além de que em Cabo Frio tava rolando o Cabo Folia, o que estava levando mais gente pra lá.

Acabou que eu cheguei à rodoviária umas cinco da tarde e só acabei conseguindo busão pras oito da noite, sendo que saía ônibus mais ou menos de meia em meia hora. Na ponte Rio-Niterói um congestionamento gigantesco! Cheguei em Arraial já era quase onze horas da noite e segui pra poder me encontrar com o host. O host em si era uma figura! Ele se chamava Dudu e era crescido em Arraial do Cabo. Filho de um francês com uma pernambucana. Trabalhava seis meses aqui no Brasil, durante o nosso verão e, durante o inverno, baixa temporada em Arraial do Cabo, seguia para trabalhar em algum país do Hemisfério Norte, já que possuía passaporte europeu. Basicamente passava a vida curtindo verões por aí. Além de que parecia o dono da cidade, já que trabalhava no restaurante do pai, um dos mais importantes da cidade, andava pela rua cumprimentando todo mundo e ainda possuía um barco que ele alugava pra galera ficar fazendo passeio. Tinha todas as informações da cidade de onde era melhor pra comer, mergulhar, fazer o que for! Gente boa demais!
Gruta que visitei

Cheguei no centro da cidade e lá já fervilhava. O pessoal tava fazendo um esquenta pra poder descer mais tarde pro Cabo Folia e por isso tava tomando umas por lá antes de descer pra Cabo Frio (de Cabo Frio pra Arraial parece que são 20 minutos de busão). Dudu também estava indo e perguntou se eu não queria acompanhá-lo. Como não tava muito na pira de sair pra encher a cara e acordar só meio dia do dia seguinte, preferi ficar por lá e dormir cedo, pra poder acordar cedo e procurar uns lugares para mergulhar. O Dudu me passou um bizú de procurar o barco dele e falar que era “amigo do Dudu” pra poder conseguir um desconto no passeio do barco. Engraçado mesmo foi só que acordei pela manhã com a trupe do Dudu chegando em casa, fazendo mó arruaça e gritando que era a “pica das galáxias”. Destaque só pra um diálogo que acabei captando entre dois namorados:

– Amor, onde cê tá indo?
– Ow, minha flor, vou ali fazer um xixizinho no banheiro!
– Ah mor, mija lá fora!
– Mas, minha flor, eu já tou aqui do lado do banheiro! Vou mijar lá fora por quê?
– Ah, mas você já mijou lá fora a noite inteira! Vamo logo embora!
Nada como saber argumentar quando se está com pressa.

E AMANHECE EM ARRAIAL DO CABO

No dia seguinte, procurei o rapaz indicado por ele, falei a senha “amigo do Dudu” e consegui o meu desconto pro passeio de barco pela praias de Arraial do Cabo. Aluguei também um óculos de mergulho, um snorkel e, como tava com um pouco de receio, resolvi comprar um protetor solar pra me proteger do sol também. Bem, aí começou um problema. Qual? Bem, eu nunca na minha vida usei protetor solar, sou nascido e criado no Maranhão e lá, por sempre estar na praia, nunca tive problemas com costas queimadas. Como estava preocupado de estar muito tempo fora da praia, resolvi comprar um protetor porque todo mundo fala que é importante. Qual eu comprei? Comprei o mais barato, ou menos caro (porra, protetor solar é caro demais!), lógico, o de fator 15 😛
O passeio de barco foi interessante, o grande problema foi que como acabei ficando muito tempo no sol voltei do passeio só um caco. As costas ardendo que só uma frigideira, apesar de eu ter usado protetor solar (foi engraçado. Como falei, eu não tenho costume de utilizar protetor solar, portanto só utilizei um pouco e ainda assim no rosto e na parte superior das costas. Rapaz, mas meu lombo e meus braços ardiam…). Resolvi dar uma “pratada” e fui tirar um cochilo. Isso foi o suficiente pra poder ferrar toda a minha vida por lá.
Agora deixa eu explicar meu drama. Apesar de ter chegado numa sexta a noite e ter planejado ir embora no domingo, ou seja, o sábado inteiro em Arraial, eu preferi deixar pra poder fazer o meu mergulho com cilindro só no domingo, pra primeiro conhecer o lugar e só depois ir mergulhar. Se eu não tivesse ido dormir e já emendasse um mergulho vespertino eu poderia ter mergulhado já no sábado e não estaria impedido de mergulhar no domingo. Impedido? É exatamente isso que eu disse, impedido! Só sábado a noite que eu fui lembrar de uma velha regra que todo mergulhador deve seguir. Não se pode mergulhar em um dia e viajar de avião horas depois sob pena de um risco MUITO grande para seus pulmões, haja vista que a 10 metros de profundidade a pressão atmosférica dobra e dentro do avião ela é mais ou menos a metade. Ou seja, essa diferença de quase quatro vezes de pressão pode fazer borbulhar o seu sangue e fazer com que essa viagem de avião seja a última da sua vida! O idiota aqui não tinha lembrado. Trocando em miúdos, eu não poderia ir mergulhar!
Rapaz, mas pense num cara que ficou chateado com isso tudo? Caraca, mas eu queria MORRER depois dessa imbecilidade que fiz. Resultado? Não pude mergulhar de cilindro em Arraial do Cabo!! AAAAAAAHHHHHHHH!! O Dudu até tinha me passado um contato lá e dito pra eu falar que era “amigo do Dudu” pra ganhar um desconto também no mergulho, mas depois nem me animei em ir.
Fiquei bem chateado, pensei até em voltar mais cedo pra Brasília, mas como já estava lá, achei que o melhor era de alguma maneira tentar extrair algo de bom da situação e ficar por lá mesmo. Informei-me e descobri que havia uma praia lá que era bem legal pra se fazer snorkeling. Bem pra quem não tem nada, metade já é muito, resolvi acordar cedo no domingo e ver de qual é. Falei com o Dudu e ele até me passou um bizú de um cara que trabalhava lá e que se eu chegasse e falasse que era “amigo do Dudu” ele podia me dar um desconto (ao que me parece “amigo do Dudu” é algo como uma “senha promocional” em Arraial do Cabo. Agora vocês entendem porque eu disse que o bicho parecia o prefeito da cidade! Eu pensei até em não colocar isso no blog, pra alguém aqui não sacanear caso vá pra lá e diga a “senha”, mas depois pensei que entre centenas de vendedores, dois ou três efetivamente são amigos dele ;P, logo não dá pra alguém usar aleatoriamente!).
Essa é a Praia do Forno

MERGULHANDO COM OS PAULISTANOS

A praia se chamava Praia do Forno e, bem, no final vi que era o que eu estava buscando mesmo. Depois de tantos imprevistos, tantas buscas, tantos problemas, estava chegando ao lugar que sempre busquei. Não era um mergulho na Tailândia ou em Fiji, mas de qualquer maneira foi de longe o melhor lugar que já pude estar mergulhando no Brasil. Peixes de várias cores diferentes, alguns poucos corais e um céu azul indescritível! Ah sim, e também, o mais legal de todo o snorkeling, acabei me deparando com três tartarugas marinhas também. Essas tartarugas salvaram minha viagem! Cara, que coisa linda! Elas nadam devagar, quase flutuando nas águas com muita graça e leveza! Uma cena linda demais de ser vista. Lembrou-me até o Havaí, sendo que lá só vi uma tartaruga e em Arraial do Cabo vi três. Link da viagem do Havaí aqui

Engraçado foi uma hora que eu, já quase chegando à areia, meio que esbarrei num grupo de quatro paulistanos que também estavam mergulhando por lá. Aproveitei pra poder perguntar as horas, pois um deles tinha um relógio a prova d´água no braço. Eles estavam com algumas câmeras de bater foto embaixo d´água e me perguntaram se eu já tinha visto uma tartaruga. Eu falei que já havia visto duas e que era só eles continuarem procurando que logo logo achariam alguma. Fui voltando e vi uma tartaruga meio que encostada nas pedras e resolvi falar pra eles irem vê-la. Rapaz, que arrependimento, viu? Na hora um deles voltou, olhou a tartaruga e só gritou pros outros:
– Ôrra, meu!! Achei uma tartaruga!!! Corre aqui, mano! – falando com aquele sotaque característico dos paulistanos.
Rapaz, que aperreio a bichinha passou, viu? Os malucos ficaram desesperados tentando bater uma foto dela! Começaram a seguir a pobrezinha que, por ser pequena e eles estarem de pé de pato, não conseguia se evadir deles. Depois de um tempo eu só escutei um deles gritando: “Cerca, cerca ela! Vamo bater uma foto!”. E lá foi a pobrezinha ficar mais bandeada que peru em véspera de natal! Ela nadando prum lado, eles cercando pelo outro, ela ia pra um lado, eles cercavam ela! Parecia neguinho perseguindo leitão em festa caipira, só que na versão marinha! A tartaruga desesperada, só faltava saltar pra fora da água. Eu fiquei imaginando o que aqueles abestados queriam fazer, se eles tavam era querendo tirar foto abraçando o pescoço da pobre da tartaruga e dando tchauzinho! Depois fiquei pensando porque cada dia mais tem menos tartarugas por lá. Essa daí nunca mais na vida dela volta pra Arraial do Cabo e assim como elas milhares já devem ter passado por uma situação dessas e resolveram mudar, sei lá, pra Antártida ou algo assim!
Depois dessa cena bizarra, saí da água e segui para rodoviária pra poder pegar meu ônibus pro Rio de Janeiro que, apesar de eu não estar esperando, também acabou sendo bem engraçado…
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Perambulando pelo Egito

Apesar de em Cairo haver pouquíssimas pessoas que podiam falar inglês, trafegar por lá era relativamente fácil. Como falei no post passado, a cidade tem um metrô (e caso você se perca nas estações nele, basta ler o post passado pra poder saber o que acontece) e, além disso, os taxistas (que por sinal cobram muito barato devido ao baixo preço do petróleo) entendem um pouco de inglês, pelo menos os números (o que dá pra você combinar o preço antes de entrar no táxi) e o lugar pra onde você está indo. Bem, isso era no geral, mas caso você pegasse um busão errado ou começasse a caminhar e não conseguisse voltar ao metrô, aí amigo, aí você tava era enrascado. Porque até você achar alguém que realmente falava inglês naquele mundaréu de árabe era complicado.

Aconteceu isso comigo uma vez, saí de casa e fui procurar a estação de metrô pra poder ir até as pirâmides. No meio das ruelas acabei me perdendo e no final não sabia pra que lado ir. Rapaz, e como deu trabalho pra poder achar essa estação de metrô. Como falei, as pessoas não entendiam nada de inglês e placas eram praticamente inexistentes. Acabou que eu saí de um lado pro outro tentando gesticular pras pessoas o que seria um metrô e nada de conseguir. No final eu olhei uma mulher loira na porta de um açougue conversando com o pessoal lá dentro. Bem, loira não podia ser outra, ou era gringa ou era parente de gringo, o que aumentava a possibilidade de poder falar inglês. Quando entrei no açougue, me deu até medo. Moscas voavam por todos os cantos, aquela sujeira, SUJEIRA! Um fedor… As paredes descascadas e o chão que, bem, mais parecia um chão de oficina! Como não fosse o bastante, um gordo, de bigode e, apesar de careca, todo peludo, com pelo saindo até do buraco da orelha e do nariz, cortando a carne que vendia e assobiando na maior normalidade. Às vezes eu costumo entender porque a expectativa de vida no Egito é tão baixa. Saudades do açougue T-Bone naquela hora…

Fui conversar com a mulher e acabei descobrindo que ela era francesa e morava no Egito há algum tempo por causa do marido que era engenheiro e mexia com petróleo. Ela falava um inglês meio ruim (franceses ODEIAM falar inglês), mas ainda assim me deu uma carona (de Pajero!) até a estação mais próxima e assim pude pegar o meu metrô em direção às pirâmides de Gizé.
No metrô ocorreu aquela cena que descrevi no post passado quando dezenas de egípcios me cercaram pra tentar me ajudar.

TAXISTAS SEMPRE SÃO FILHAS DA PUTA

Desci na estação do metrô e, segundo orientação do meu livro, eu deveria pegar um táxi e pedir pra ele me levar às pirâmides. Saí da estação e o primeiro táxi que eu achei eu fui entrando e gesticulando que queria ir até as pirâmides. Do nada entrou um outro cara dentro do carro, falando um inglês perfeito e com uma idade semelhante a minha. Ele falou que morava em Alexandria e também estava indo pras pirâmides, perguntou se eu não queria rachar um táxi com ele. Como ele falava um inglês legal, era árabe e, by the way, já tava lá dentro do táxi mesmo, pensei que seria uma boa idéia que ele me acompanhasse. No caminho o taxista começou a falar com ele e ele foi me traduzindo:
– Então, Claudio, o taxista tá me falando uma parada massa que a gente poderia fazer.
– Sério, cara? O que?
– Ele falou que sabe de outro caminho que a gente pode ir pras pirâmides e talz. Disse que é um caminho menos turístico que o que estamos indo, que só os locais sabem onde fica. Lá a gente pode ainda pegar uns cavalos, uns camelos e fazer um passeio bem legal no deserto que no final termina nas pirâmides.


– Er… Obrigado, cara, mas eu não quero ir.- Mas ele falou que era bem da hora.

– Valeu, mas eu não quero ir.
– Mas pô, pelo lugar que a gente tá indo só tem turista. Vai ser mó turístico.
– Não, obrigado, eu adoro lugares turísticos
– Ah, cara, vamo lá, ele já tá levando a gente pro lugar.
– Cara, não, o-bri-ga-do, eu NÃO quero ir.
– Ah, mas já fechei o preço com ele, nós estamos indo lá.
– Amigo, NÃO OBRIGADO, eu não quero ir!
– Mas ele já tá indo pra lá!
– Amigo, EU NÃO QUERO IR! Fala pra ele parar esse carro AGORA porque senão eu vou começar a gritar quando eu ver o primeiro guarda de trânsito.
– Tá, ok, eu vou falar com ele.
Passou uns dois minutos que eles ficaram conversando em árabe e ele veio falar comigo:
– Sabe, Claudio, ele acabou de receber uma mensagem no celular que a mulher dele tá passando mal. Não vai dar mais pra ele te levar lá na pirâmide. Ele pede desculpas, mas vai ter que deixar por aqui mesmo. Pega um táxi naquela direção…
E me largou num meio de uma avenida de Cairo.

Não era o primeiro e nem seria o último taxista a me roubar. Sendo árabe ou franciscano, aprendam, taxista vai ser SEMPRE FILHO DA PUTA. Pena que dessa vez não teve nenhum cara armado de rifle pra poder me “ajudar” a pegar um táxi (acompanhe essa história que aconteceu na Síria clicando aqui). Graças a Deus aprendi a não confiar nesses miseráveis desde que passei pela Tailândia. Podia ter um fim como esse aqui
Só mesmo um Alcorão para poder me defender desses taxistas

CHEGANDO ÀS PIRÂMIDES

Desci do táxi e fiquei esperando outro passar. Quando ele passou deixei bem claro através de mímica que eu REALMENTE queria ir até as pirâmides. Ele entendeu e me deixou por lá. Chegando por lá, já tinha lido no meu livro mais um golpe que eles costumavam aplicar. Parece que egípcios não precisam pagar pra poder entrar nas pirâmides, ou pagavam muito barato, portanto o guia falava pra NUNCA dar o seu ingresso pra ninguém que viesse com uma desculpa de checar se você tinha pago a não ser para quem estivesse devidamente uniformizado. Mas foi dito e feito, paguei a entrada, entrei no cercado das pirâmides e foi só eu começar a pisar lá que um cara veio me perguntar onde tava o meu ingresso. Pra poder testar o que ele ia fazer, mostrei pra ele, ele pegou e começou a me explicar e guiar pelo parque. Era um guia. Ele esperava que só depois de um tempo eu percebesse que ele não era guarda, que ele não trabalhava lá checando ingresso de ninguém e depois de uns trinta minutos me explicando tudo, esperava que eu ficasse sem graça e desse uma grana pra ele. Já tinha passado por um golpe desses em Kajuharo (acompanhe a história que aconteceu na Índia clicando aqui) se ele se achava esperto, eu era mais esperto que ele. Pedi o meu ingresso de volta e nada de ele me devolver, eu só gritei que ou ele me devolvia o MEU ingresso ou o bicho ia pegar pro lado dele. Como ele não queria confusão, resolveu me devolver . Meu espírito de Varanasi (acompanhe a história clicando aqui) ainda vivia dentro de mim…
Comecei a dar algumas voltas e resolvi entrar em uma das pirâmides. Cara, eu tenho certeza que se eu perguntar aqui pra 90% das pessoas como elas imaginam como seria uma pirâmide por dentro, elas vão me dizer que seria mais ou menos como um negócio assim:

Aquele negócio gigantesco, com vários cômodos por dentro, aquele verdadeiro palácio dentro da pirâmide. Era o que eu achava e é o que eu acho que todo mundo imagina quando pensa no interior de dela, devido principalmente aos desenhos animados. Cara, depois que eu entrei lá, confesso que fiquei até um pouco desanimado com o que vi por lá. Essa é a pirâmide do lado de fora:

Isso é TUDO o que há em uma pirâmide pelo lado de dentro:

Ãhn? Isso mesmo, foi exatamente isso que eu pensei quando entrei. “Mas é só isso?”. Cara, depois que eu parei pra pensar. Os caras fazem uma estrutura GIGANTESCA pra depois deixar só uma kitinete lá dentro? Sei não, esse caras parecem japonês, gostam de fazer tudo grande. Deve ser pra compensar algo…
Bicho e você estava esperando mais o que? Elas foram construídas a mais de seis mil anos atrás SEM ARGAMASSA. Como você acha que seria possível aguentar toda uma estrutura como aquela na parte de dentro? Realmente, não dava pra segurar muita coisa. Mas custava pelo menos deixar umas coisinhas a mais por lá que não só uma cova de um faraó?

Engraçado que quando você vê fotos das pirâmides as imagina no meio de um deserto, mais ou menos como essas duas fotos.

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Couch no Cairo

Eu sei que isso acabou ficando meio que como um clichê aqui do blog, mas o meu couch de Cairo, sem sombra de dúvidas, foi um dos melhores de todos que tive. Acho que o colocaria entre os três melhores couchs que fiquei em toda minha viagem. Mr. French (Senhor “French”, nome do cara que me hospedou) foi uma das pessoas mais gentis que pude conhecer em minha vida e um cara que eu realmente fico feliz do Couchsurfing ter me proporcionado o prazer de conhecer. O cara era muito gente boa e de uma simpatia indescritível. Uma pessoa boa como hoje é difícil de se conhecer…
Olha o que achei num shopping perto da casa do David
De início, quando planejava viajar para o Egito, eu tinha em mente pedir hospedagem na casa de algum egípcio mesmo para ter uma imersão cultural maior. Ocorre que devido a limitação do tempo, eu tive que sair pedindo couch pra uma galera sem que fosse possível escolher bastante a quem eu iria pedir. No final, o David (primeiro nome, French era sobrenome) foi o único que respondeu a tempo de poder me hospedar quando cheguei ao Egito. Ele era australiano e vinha de uma cidade, ou vila, que, segundo ele, tinha 90 habitantes. Ãhn? Não faltou alguns zeros na hora de dizer o número de habitantes da cidade não? Não, amigo, é isso mesmo! Não eram 90 mil, mas sim NOVENTA pessoas que efetivamente viviam na cidade. Segundo David, a cidade dele era turística e só “funcionava” alguns meses por ano, durante o inverno. Nas outras estações, os donos dos hotéis, pousadas e coisas do tipo fechavam os lugares e só retornavam no próximo inverno novamente, deixando a cidade quase que como uma cidade-fantasma. Escolas, supermercados e outras pequenas lojas de grandes necessidades ficavam na cidade vizinha, que eles iam caso precisassem comprar alguma coisa. Numa cidade como essa, qual seria a profissão do pai dele? Cara, você consegue pensar em algum tipo de trabalho que uma cidade dessas pode oferecer em épocas de baixa temporada que não na agricultura? Pois é, eu não consegui pensar em nenhum, só o pai do French que conseguiu pensar e trabalhava como policial. Fico até imaginando como deveria ser difícil o trabalho dele. Ser policial lá só não deve ser melhor do que ser policial em Uzupio.
Metrô perto do apartamento do David

David mudou-se para Cairo para poder dar aula pra crianças na escola inglesa do Egito (e era por isso que eu o chamava de “Mr. French”, pois era como os seus alunos se referiam a ele). Ele me falou que era um trabalho dos sonhos para qualquer professor com espírito aventureiro. Ele recebia um pouco mais que o salário que tinha em Londres (que é mais ou menos duas vezes mais cara que uma cidade como Brasília, por exemplo) pra morar numa cidade como Cairo [que é facilmente duas vezes mais barata que uma cidade como Brasília, por exemplo (Sim, a repetição foi pra dar ênfase, não foi pleonasmo vicioso :P)]. Fazendo as contas. o bicho ganhava MUITA grana pra poder viver em Cairo. Ele podia manter um estilo de vida que poucos em todo o Egito poderiam algum dia pensar em sonhar. Quando eu saia com ele, pra comprar um sanduíche que fosse, ele não deixava eu pagar, sempre pagava as contas de tudo “Aqui é tudo barato, Claudio, pode ficar tranqüilo…”. Eu fiz as contas quando estive por lá e era mais ou menos como se ele fosse professor e ganhasse um salário de 15000 reais líquidos pra viver em São Luís. Bom, porque eu tou dizendo isso? Ah, amigão, só pra vocês entenderem como o couch do bicho era cinco estrelas. Rapaz… Eu fui chegando na casa dele e ele foi me mostrando: “Aqui tem cereal, aqui tem pão, aqui tem não sei o que, não sei o que, não sei o que… Quero tudo vazio até você ir embora…”. O negócio não foi nem a comida, o negócio foi quando o bicho abriu a geladeira. Lá dentro tinha uma caixa de Heineken com umas 30 latinhas de cerveja e, mais uma vez, ele falou que queria que eu secasse até eu ir embora. Rapaz, seu desejo é uma ordem! A casa do bicho parecia um hotel cinco estrelas! Apartamento gigantesco, comida a rodo, cerveja gelada e um quarto só pra mim com ar-condicionado, faltou só eu “ser amigo do rei e ter a mulher que quero na cama que escolherei”. Meu amigo!
Mas o mais engraçado ainda foi no primeiro dia que eu cheguei. Segue o diálogo:
– Claudio, você chegou a menos de 48 horas no Egito?
– Cara, acabei de chegar do aeroporto, por quê?
– Bem, é que é o seguinte. Aqui perto de casa tem uma Duty Free. Lá só podem entrar diplomatas ou turistas que chegaram com menos de 48 horas aqui no Egito e ainda assim só podem comprar até três litros de álcool. Eu tou a fim de comprar três garrafas de Absolut. A gente faz assim, compramos as garrafas juntos. Você entra com o passaporte, eu entro com o dinheiro e nós dois bebemos. Pode ser?
Eu e Mr. French

Ãhn? É o que, homi? Deixa eu ver… Eu dou passaporte, vou lá e… Bem, FECHADO! Temos um acordo, amigão! Rapaz e lá fomos nós comprar as vodkas. Mr. French, grande cara… Fiquei uma semana na casa dele no saudoso bairro de Maadi.

Egito

Pra ser sincero, acho que depois do Camboja, o país que eu mais tinha vontade de visitar era o Egito. Fala sério, quem aí nunca imaginou quão grandiosas e magníficas seriam as pirâmides e como seria louco estar por lá. Sim, cara, o Egito é tudo isso que você está pensando e bem mais um pouco. Cheguei lá esperando MUITA coisa e acabei ainda assim me surpreendendo.
Esqueça as Nações Unidas, o futebol vai salvar o mundo!

Pra quem acha que o Egito são só as pirâmides, está muito enganado. O Egito é MUITO mais que isso. Pra começar pela sua capital, Cairo, que foi fundada mais de cem anos antes de Cristo e durante muito tempo foi considerada a capital do Islã. No Egito também há as belíssimas praias do Mediterrâneo, ou, pra onde acabei indo, as suas praias do Mar Vermelho, com destaque para Dahab.

Apesar de ser conhecida como a terra dos faraós, hoje pouco sobrou do povo desse tempo. O Egito foi conquistado pelo exército de Maomé há uns 1500 anos e hoje os árabes são a etnia dominante no país. O islã é a religião dominante. Possui uma população de mais de 80 milhões de habitantes (com praticamente todas as cidades às margens do Rio Nilo) e uma das maiores da África (atrás apenas da Etiópia e da Nigéria).
Rio Nilo

A sua capital é a cidade do Cairo, a maior cidade e maior metrópole de todo o continente africano. Cairo é conhecida como a cidade das mil minaretes devido ao seu tamanho e também por ser uma das maiores cidades islâmicas. As pirâmides são na cidade ao lado, Gizé, mas chegar lá do Cairo é muito fácil, é mais ou menos como ir em Guarulhos, morando-se em São Paulo capital. Por Cairo, e por todo o Egito, passa o Rio Nilo, um dos grandes responsáveis por todo o esplendor que foi a civilização egípcia. Saber controlar e se beneficiar das cheias e das secas do Nilo foram um dos determinantes para o florescimento da civilização dos faraós.

Tive realmente uma boa impressão do povo egípcio quando estive por lá. Eles são no geral bem amigáveis. Só pra ilustrar essa história, eu costumo contar que um dos maiores problemas que tive foi uma vez quando estava no metrô (por sinal o único de toda a África. E ah, sim, um pouco caro também. O preço do ticket custava uma moeda. Com um dólar você comprava QUARENTA moedas iguais a aquela), em direção as pirâmides, e abri um mapa pra poder checar se estava descendo na estação correta.

Rapaz, voou uma pá de gente em cima de mim na hora e eu achando que ia ser era roubado. Depois de um tempo que eu fui perceber que na verdade eles tavam querendo era me ajudar. Como viram que eu não falava árabe, foram no fundo do trem, pegaram um universitário e trouxeram pra poder falar comigo. O rapaz veio me perguntando se eu estava com algum problema, se necessitava de ajuda, se sabia pra onde eu estava indo. Eu fiquei foi com vergonha de falar pra ele que não tinha nada errado, que eu só tava checando se aquela era a minha estação mesmo, se eu desceria por lá. Falo isso só pra ilustrar como os árabes podiam ser gente boa na rua e o melhor, sem querer nada em troca. Outra que ocorreu comigo foi quando eu estava em uma estação de trem e procurando uma maneira de poder conseguir um busão pra viajar para a fronteira com Israel. De maneira alguma a mulher da rodoviária sabia falar inglês, até que uma hora apareceu um árabe lá e o bicho não arredou o pé do meu lado enquanto não achou o guichê certo pra eu poder comprar a passagem, até em outra estação de ônibus ele foi comigo pra poder me ajudar. E eu desconfiando o tempo todo que ele queria algo em troca. Nada, quando enfim comprei a passagem ele só falou boa sorte e foi embora, não me pediu foi nem um dólar. Fiquei impressionado como eles podiam ser gentis comigo.

Depois do Egito segui para Israel.
P.s: Semana que vem não teremos posts, estarei no Maranhão. Agradecemos a compreensão 😉

Voltando à Viena

Bem, depois de algum tempo escrevendo sobre algumas viagens que fiz pelo Brasil, agora é hora de voltar ao ponto principal do blog que é ainda terminar de escrever acerca da minha viagem de volta ao mundo. Gostei desse formato de escrever um pouco sobre alguma viagem que ocorreu durante os últimos dias e depois voltar a escrever sobre a volta ao mundo. Esperem novas postagens desta maneira =)

De volta à Áustria


Quando saí da Áustria em direção à Eslováquia e à Hungria, eu tinha planos de seguir viagem até a Transilvânia na Romênia e quiçá Bucareste, sua capital. Entre outras atrações na Transilvânia está situado o castelo de Bran, mais conhecido por ter sido castelo que deu a inspiração para criação do personagem Drácula de Bram Stoker. Parecia ser uma cidade que realmente valia a visitação, mas infelizmente não deu pra eu ir. A cidade era bem longe e sairia um pouco caro pra eu poder chegar lá. Por questão de tempo e dinheiro, acabei resolvendo voltar para Viena mesmo e esperar o meu voo para Cairo, no Egito.
Voltei pra Viena e fiquei naquela vida de inseto, só dormindo e comendo. Eu já tinha visto quase tudo da cidade e ainda tinha mais quatro dias pra poder pegar meu avião. Foi aquilo que eu já tinha posto no post passado, comer pizza e jogar XBOX 360.
Ainda dei uma saída a noite com as minhas hosts, mas nada que mereça algum destaque. Interessante mesmo foi que eu passei o meu primeiro domingo em Viena e vi uma cena inusitada. Um dos jornais de Viena, no domingo (logo o principal dia), não colocava pessoas para vender o seu jornal. E aí? Não saía? Não, eles simplesmente deixavam o jornal numa cestinha em um poste e do lado um cofrinho pra você pagá-lo. Simples assim. Você podia ir lá, pegar o jornal e não pagar nada. Ou você podia ir lá pegar o jornal e pagar por ele. Segundo minha host isso acontecia porque contratar mão-de-obra na Áustria durante o domingo é MUITO caro e por isso o jornal optava por fazer isso. Dava certo? Bem, não sei, mas pro jornal estar até hoje fazendo isso, prejuízo não deve dar. Depois eu fiquei pensando, não era mais fácil colocar umas cabines de jornais como essas dos EUA?
Baladinha que saímos. Detalhe pro menu do bar acima
No dia de viajar pro Egito, eu fui conversar com a minha host e perguntar pra ela mais ou menos quanto tempo levava de carro da casa dela até o aeroporto. Ela falou que daria uns trinta minutos. Fiquei pensando: Bem, se de carro dá trinta minutos, vamos dizer que de busão vai dar uns 50 minutos, vinte minutos parece ser uma margem boa, como quero chegar duas horas antes do vôo, saio de casa um pouco antes de três horas antes do vôo e está tudo de boa. Lógico, não? Sim, lógico e confiável pra qualquer brasileiro, mas não pra uma germânica acostumada com tudo funcionando pontualmente, sem sequer um segundo de atraso. Sim, quando eu estava saindo pra poder ir pegar meu metrô e depois busão para o aeroporto, a minha host me parou na porta e me perguntou que horas eu iria sair pro aeroporto, eu respondi que naquela hora. Ela falou que não era preciso sair tão cedo, que era só checar na internet, ver os horários certinhos do metrô e do busão que eu iria pegar e que tava tudo certo.
Beleza, fui lá e fiquei esperando ela ver. Ela postou onde estávamos e quanto tempo daria pra eu poder chegar no aeroporto. E lá foi as contas:
– Você caminha cinco minutos até a estação mais próxima, espera dois minutos pelo próximo metrô, pega esse trem, espera sete estações e desce dezoito minutos depois, anda quatro minutos até a próxima parada de ônibus, espera dois minuto pelo ônibus, desce seis paradas e quinze minutos depois, caminha cinco minutos e pimba! Você está no aeroporto! Levando exatamente… exatamente 48 minutos pra poder chegar lá (gente, lógico que eu não lembro os transportes ou o tempo que levava, foi só pra exemplificar!).
Sigh com o seu ursinho térmico. Como funcionava? Bem, ele tinha uma solução líquida dentro dele. Quando ficava frio ela o colocava dentro do microondas e esquentava. Pimba, ficava quentinho e perfeito pra poder aquecer as mãos ou os pés
– Tá, deixa eu ver, dava mais ou menos o que eu tava planejando antes? E tipo, eu acabei de perder o próximo metrô?
– Er… Sim.
– Pô, então beleza. Obrigado por ter me dado o tempo milimetrado.
Por essas e outras que sempre fui entusiasta do “chute latino”

Curitiba (parte 2)

Passeio ciclístico

Um dos eventos que estavam programados foi um passeio ciclístico por Curitiba. Pra quem não sabe do que estou falando, Curitiba é uma cidade considerada modelo em matéria de sustentabilidade e planejamento urbanístico. Possui uma extensa rede de ciclovias e um dos mais eficientes sistemas de transporte urbano, modelo que já foi copiado por diversos países pelo mundo. O sistema RIT, como também é conhecido, é uma extensa rede de ônibus bi-articulados que cortam a cidade inteira em vias expressas só para eles. Uma inteligente solução de transporte urbano que funciona quase que como um sistema de metrô, porém com um custo ridiculamente mais barato, pois não é necessário cavar por debaixo do chão. Abaixo vão algumas fotos da parada de ônibus e do mapa do trajeto pela cidade.

 

De início era pra galera se reunir em um parque por volta das 9 da manhã, mas como a noite passada foi noite de “passeio turístico” pelos pubs de Curitiba, ninguém conseguiu acordar cedo pra poder pedalar.

 

Pub Crawl em Curitiba

No final, o passeio só acabou se iniciando mesmo por volta de meio-dia. Detalhe que eu deixei a minha bicicleta parada um tempo encostada e no final quando fui buscá-la havia um pequeno “presente” de um passarinho exatamente no banco dela. Maldita natureza!


Passamos por vários parques de Curitiba e paramos por um instante em um local chamado Ópera de Arame. O lugar é bem bonito, como vocês podem ver no verbete da Wikipedia. O mais engraçado foi que chegamos numa típica manhã de fim de semana em Curitiba, com idosos fazendo caminhadas e pais levando as crianças para um passeio. De repente chegou aquela turba enfurecida de couchsurfers de bicicleta. Os habitantes de Curitiba são conhecidos por serem pessoas meio reservadas, que não falam muito, mais ou menos como o estereótipo que temos de alemães. Aí você imagina, aquela galera, mó de boa, conversando sobre a última vez que viajou a “Parris”, tomando um chá e de repente vem aqueles malucos correndo, pulando e gritando “Chegamos a Curitibaaaaa”, “Olha gente, olha! Dá pra gente tirar uma foto que nem o Homem-Aranha!!”, “Homem-Aranhaaaa”, “Pula aí pra ver se cai!!”. Devem só ter pensando “Esses nordestinos…”

Homem Aranhaaaa!!!

Dando uma voltinha em Londres

Cláudia com um São Bernardo fantasiado de bruxa. Ficou fofo, não?

Na saída ainda comprei uma cocada de maracujá que mais parecia um tijolo de construção. Rapaz, cê comia a cocada, comia, COMIA e a bicha chega não terminava. Ignorante demais a tia que vendeu a cocada. Quando eu enjoei de comer tanta cocada, saí distribuindo no final. No final ninguém agüentava mais comer aquilo e o que nos restou foi mesmo dar cocada pros pombos, se duvidar os mesmo que haviam me presenteado antes. Sim, amigo, tinha MUITA cocada!

 

Terminamos o passeio e, tomado pela curiosidade, resolvi visitar o Memorial Árabe que se encontrava do lado do parque em que havíamos alugado as bikes. Eu achava que lá ia ser quase como um parque temático árabe! Um museu dentro! Um restaurante de comida árabe! Ampla biblioteca sobre a cultura! Nada! Quando cheguei lá só havia uns poucos livros embaixo e no segundo andar de amplo mesmo só uma lan house vendendo internet! 

Memorial Árabe
 
Rolou até um Sarau 🙂
Não, não foi dentro do Memorial Árabe!
 
Morretes

Um dos dias também foi reservado para fazermos um passeio para Morretes. A cidade em si não tem muita coisa, é uma cidade pequena e histórica, que vale uns quinze minutos de passeio. O principal atrativo turístico da cidade é ir lá pra comer o famoso “Barreado”, um prato típico de influência açoriana e que é algo como um cozido de carne que fica no fogo por aproximadamente umas vinte horas (sim, não tou hiperbolizando não. São VINTE horas mesmo, pode ver no link), tempo suficiente pra desfiar toda a carne (eu hein, deixar esse tempo todinho só pra desfiar a carne? Mais fácil desfiar na faca, siô!).

Pessoal mandando ver no barreado
 
O que nos fez mesmo ir para Morretes não foi a cidade, mas sim o translado até lá. “Ah, agora você gosta de andar de busão é?”. Não, cara! O mais legal da viagem é que ela é feita de trem, pela Serra do Mar e por dentro de uma reserva da Mata Atlântica! Fazer o passeio de trem por lá te faz imaginar que você está desbravando a própria selva por si só! Uma viagem como era a região antes da colonização humana

 

Nossa chegada em Morretes foi mais ou menos como ocorreu na Ópera de Arame. Tava aquela galera pacata caminhando pela cidade, quando para aquele trem lotado de forasteiros pulando e fazendo zuada! Fomos direto ao restaurante direto comer o tal do barreado que eu insistia em chamar de “barradão”. Depois de comer o bicho que eu fui entender porque diabos o nome do prato era “barreado” ou “barradão”, como preferir. Mermão, é que depois de comer aquela parada você fica barreado o resto do dia! Rapaz, foi comer aquilo, dar uma volta de 5 minutos pela cidade e já correr direto para o busão. No caminho foi engraçado só quando um de nossos amigos, que caminhava com a gente, mandou um “nossa, essa mina vai ser mó gatinha quando crescer” pra uma mina que aparentava uns 13 anos e minutos depois o pai dela passar do nosso lado com uma cara de quem adorou o elogio pra filha dele, hahahaha.

Na rodoviária, com o bucho cheio de barreado…

Visão bucólica da cidade