Siem Reap

Enfim cheguei em Siem Reap, a cidade do Angkor Wat, o templo mais famoso do Sudeste Asiático!
 
Velho, tou ficando num albergue que mais parece um sonho. Tou pagando um dólar pela minha cama e tou numa casa ABSURDAMENTE gigante! Pra melhorar ainda mais, internet de GRAÇA!! Égua mermão, que dá vontade de não sair daqui mais nunca
Hehehe
 

Ah sim, a cerveja custa cinquenta centavos de real. Me protege, senhor!

 

 
Post sobre Bali vindo, aí. Já tá pronto, tou só dando mais um tempinho. Amanhã coloco um vídeo de Bali já.
 
Abraços maranhenses

Noticias em tempo reais

Primeiro, antes de tudo, gostaria de compartilhar com voces minha alegria!! Acabei de comprar minha passagem pro Vietna!! Essa semana tou descendo la! Mermao! Tou muito empolgado!! Vou passar uns 3 ou 4 dias so visitando museu e lendo tudo que puder sobre a guerra do Vietna! Caraca, doido demais! Meu visto pra India tambem ja saiu! Tou aportando la no comecinho de Julho, se tudo der certo!
 
Segundo. Amanha tou indo pro Angkor Wat! O lugar de longe que eu mais queria conhecer em todo sudeste asiatico! Nao sabem o que e’? Google!! Vejam que loucura a parada!
 
Terceiro. Galera, vi algumas pessoas fazendo varias perguntas e colocacoes interessantes na parte de comentarios, por isso resolvi responder para que todos leiam.
 
O Lucas Veloso, LARAZENTO que falou que eu parecia o boca (tou brincando, ri muito disso. Hahaha), me fez algumas perguntas legais:
 
1 – viajar por toda a asia como vc ta fazendo?
 
Cara, aqui, tudo e’ MUITO barato. Minha viagem em si ta sendo baseada nisso. Muiito tempo em lugares baratos e exoticos e quase nada em lugares caros e que todo mundo vai. Logo, provavelmente nao visitarei a Franca, com toda certeza nao vou mais na Inglaterra e agora estou planejando demais passar na Etiopia, Quenia, Tanzania e, meu maior sonho, RUANDA! Por todos esses lugares que passo, mantenho uma meta de gastar por volta de 15 dolares, com picos de 20. Ta dando super certo! Alem disso, ate agora, em todos lugares que passei, fiquei em couchs. (http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL295001-5602,00.html reportagem pra quem nao sabe do que estou falando)
 
2 – quanto tempo deve-se trabalhar como slave (escravo) nos EUA pra conseguir $$$?
 
Cara, eu trampei so quatro meses. Fiz uma grana massa, consegui fazer quase 4000 dolares. Juntei com uma grana que tinha do Brasil, com uma grana que meu pai me deu e fui embora. Mas, na minha opiniao, oito ou nove meses de USA da pra fazer um regaco!
 
O Daniel Uchida, amigo da graduacao da UnB fez uma colocacao interessante. No video que fiz sobre as luzes de Jakarta, eu, a todo momento, burrinho, falo “mosteiro”, quando na verdade queria falar “mesquita”. A parada e’ que mesquita em ingles e’ “mosque” e como eu tava pensando em ingles, acabei traduzindo burramente pra “mosteiro”. Valeu pela correcao, Dani, ja coloquei um comentario sobre isso no post.
 
Por ultimo, meu pai me perguntou como os asiaticos veem o Brasil. Cara, essa era uma curiosidade que eu tinha tambem. Os asiaticos com mais estudos, ate sabem alguma coisa do Brasil. Eles falam que quando veem o Brasil, veem um pais grande, com um grande economia, grande populacao e grande produtor de alimentos. Agora, o asiatico medio, quando perguntado sobre o Brasil, os caras so sabem falar Rivaldo, Ronaldo, Robinho e Kaka. Os caras so conhecem o Brasil por causa do futebol e mais nada, nem do Rio de Janeiro eles ja ouviram falar (quantos brasileiros ja ouviram falar de Bali, que e’ MUITO mais famoso?).
 
A imagem que eles tem do Brasil e’ a de um lugar aonde todo mundo fica jogando bola o dia inteiro. Eu nao culpo eles. Eu percebi bem o que e’ voce ser ignorante sobre um pais. Na Indonesia, as indonesias me perguntaram qual era a imagem que eu tinha da Indonesia. Minha resposta? Um pais grande, muculmano, que matou muita gente no Timor Leste e tambem matou muita gente na ditadura de Suharto e nada mais. Fiquei ate com vergonha de falar. Mas eu pergunto pros leitores, qual e’ a imagem que voces tem da Indonesia?? Muita gente vai dizer Indo o que? E olha que a Indonesia nao e’ um pais trivial! Os bichos tem uma populacao maior que a do Brasil. Por isso que nao culpo quando um gringo diz que a capital do Brasil e’ Buenos Aires (sim, uma holandesa me respondeu isso na Malasia. Mas, mais uma vez, sera se todo mundo sabe a capital da Holanda? Da Belgica? E da Suica?).
 
Mas e’ isso ai’. Amanha solto um videozinho que fiz sobre Bali e daqui a dois ou tres dias, solto a primeira parte de Bali, que, serio, ta MUITO engracada.

Jacarta – A cidade

Isso e’ o que ha’ de mais proximo da civilizacao em Jakarta. Nao, nao e’ metro. Chama-se busway. Nada mais sao que uns onibus especiais que trafegam em zonas especiais da cidade. Nao e’ nenhuma Brastemp, mas quebra um galho, principalmente por causa do ar-condicionado.
Cara, se for pra resumir Jakarta em poucas palavras, eu só digo uma coisa: Jakarta é caos! Mermão, pense numa cidade com quase nove milhões de pessoas, sem metrô, sem trem, nem nada dessas “frescurinhas”? Com grande parte de suas ruas com apenas duas mãos? Uma indo e a outra voltando? Sério, depois que você passa uns quatro dias em Jakarta, você começa a achar São Paulo o paraíso! Bicho é uma loucura! Aquela cidade é a personificação perfeita do caos! Como se já não fosse bastante, pra melhorar ainda mais o quadro, Jakarta possui o oitavo pior índice de poluição do ar do mundo.
O trânsito de lá é uma loucura! É moto pra tudo que é lado, todo mundo xingando todo mundo, buzinaço o dia inteiro e um calor dos infernos! CAOS TOTAL! Mermão, a parada era tão caótica que chegava a ser engraçada! Toda vez que eu voltava pra casa, eu voltava rindo vendo aqueles motoqueiros passando um por cima dos outros, o motorista do busão xingando todo mundo e os carros tirando fino! Pra melhorar ainda mais o quadro caótico daquela cidade, de dez em dez minutos subia um violeiro desafinado no busão, ficava uns 15 minutos cantando em língua local e tentando fazer uns trocados. Sinfonia de Jakarta: Gritos, buzinaço, ronco dos motores e viola desafinada.
Devido ao fato da cidade ser o grande centro financeiro da Indonésia não há nada de muito bonito pra se olhar por lá. Inicialmente estava pensando em ficar uma semana, mas depois fui aconselhado pelas meninas que me hospedaram a deixar isso de lado e ir logo pra Bali, que lá eu teria muito mais diversão. Acabei não me arrependendo.

Jakarta – Onde quase fui fuzilado de bala

Cara, como falei, Jakarta não tinha muita coisa pra se ver não. Grande centro financeiro e lugar pra se fazer dinheiro, não para se passear. Os dias em que fiquei por lá, eu ficava sempre fica perambulando pela cidade procurando o que fazer e nunca achava nada demais.
Curti essa catedral no centro de Jakarta. E’ a catedral da foto que fica em frente a mesquita
Acabou que eu só me divertia mesmo jogando bola nos parques e fliperama nos shoppings (mermão, 20 centavos de real a ficha, ACREDITA? PARAÍSO!). Mas ainda rolaram alguns fatos engraçados.
Um dia desses tava voltando pra casa, depois de uma pelada. Tava andando pelas calçadas pra poder pegar meu ônibus e sempre me esbarrava em alguém e pedia desculpas (as calçadas são lotadas de gente). Só sei que uma hora, não sabendo porque, eu virei uma esquina e comecei a andar numa calçada que mais parecia um oásis! Ninguém andando nela e sem carros por perto buzinando. Comecei a pensar o que diabos tinha acontecido. Depois de alguns segundos me deliciando com tudo o que estava ocorrendo, comecei a pensar que aquilo não deveria ser um sinal muito bom, haja vista que se não tem ninguém na calçada, talvez seja porque a calçada É PRA NINGUÉM ANDAR, caramba! Antes de eu terminar este pensamento, ocorreu o inevitável!
Quando eu menos me espanto, aparece um Indonésio de uniforme, lááá longe! O único problema é que ele tinha um rifle na mão e vinha apitando e xingando! Cara, eu não sei se vocês sabem do que eu tou falando, mas um indonésio de rifle é muito mais assustador do que uma tailandesa de faca na mão no meio da noite (post antigo do blog). O caba veio pra cima de mim numa “vula” danada, gritando mais que viuva tirando o atraso! Tomei um susto tão grande que acabei caindo sentado, literalmente, com a bunda no chão! Na hora o primeiro pensamento que me veio foi:
– Pronto, ao invés de ter escrito na minha lápide “Foi poeta, sonhou e amou na vida” como Álvares de Azevedo, eu vou ter escrito “Nascido no Maranhão, crescido em Brasília, morto na Indonésia”.
Monumento `a liberdade proximo ao local que quase fui fuzilado
E o caba xingava, doido! O bicho nervoso que só gato em dia de faxina! Eu acabei ficando mais angustiado que barata de cabeça pra baixo! Depois dele muito me xingar, eu entendi que ele tava falando pra eu sair da calçada e ir pro outro lado da rua, já que me encontrava em frente ao palácio presidencial e por razões de segurança eles não permitem que pessoas trafeguem em frente ao mesmo!
Só sei que passado o susto, cheguei vivo em casa com o meu coração ainda palpitando. Depois eu so pensei:
– Pombas, mas custava colocar uma placa?

Couch em Jakarta

A casa que eu fiquei em Jakarta foi até certo ponto diferente. Como já disse, a Indonésia é um país majoritariamente muçulmano, logo, foi um choque relativamente grande quando eu cheguei na casa e tinha imagem de santo pra tudo que era lado! A familia que me hospedou, era toda catolica! A Mega e a Jeanny (duas irmãs, as unicas que falavam ingles na casa) e toda a família! Só no meu quarto tinham duas imagens de Cristo, uma cruz e uma imagem de Nossa Senhora.
As duas meninas eram muito fofinhas! Nossa, a Mega então, fofa demais a menina! Ela era gente boa demais, engraçada e, além de tudo, era jornalista desportiva e cobria eventos futebolísticos. XONEI nela, cara! Pombas, pense numa mulher que é fissurada por futebol? Cara, a gente ficava conversando sobre futebol e coisas afins e dava pra ver que a mina sacava DEMAIS! Se liga como foi uma das primeiras conversas que tive com ela:
– Você faz o que da vida, Mega?
– Ah, eu sou jornalista desportiva!
– Sério? O que você faz o dia inteiro no seu trabalho?
– Ah, eu fico lendo várias notícias sobre futebol.
– Uau! Mas perai, ja que voce trabalha com isso, voce não precisa pagar pra poder ver as partidas mais importantes? Certo?
– Sim
– E você viaja a trabalho pra ver as grandes finais?
– Sim
– E eles bancam toda sua viagem?
– Sim
– Uau. Mas perai, eles ainda te pagam um salário?
– Sim!
Mermão! Pense num emprego dos sonhos? Só pra vocês terem uma idéia, quando eu cheguei em Jakarta, a Mega tava viajando. Ela tinha ido pra Rússia pra ver uma partidinha entre um tal de Manchester United e um tal de Chelsea. Foi so a final da Liga dos Campeoes da UEFA, o campeonato de clubes mais importante da Europa. Enquanto eu tava vendo a partida num albergue sujo na Malásia, ela tava na sala de imprensa, ar-condicionado, dentro do estádio! E sendo paga pra ver aquilo! A vida não é justa mesmo!
A outra parte engraçada era o banheiro. Desde a Tailândia, eu sempre vinha escapando de banheiros, digamos, mais exóticos! Daqueles banheiros que a gente diz no Brasil, “banheiro turco”. Aquele que o sanitário é só um buraco no chão! Eu sempre dava um jeito. Em Jakarta não teve jeito de dar jeito, amigo! Ate nos shoppings da cidade que eu procurei eu so achei banheiro turco, se liga na foto do banheiro do shopping:
O melhor foi que, na casa que fiquei, além do banheiro não ter sanitário normal, também não tinha chuveiro! Sim, ocidental é sempre cheio de frescura mesmo, pra que chuveiro? Pra que chuveiro se você pode encher uma tina d’água, pegar um baldinho e tomar banho, como a gente diz no Nordeste, tomar banho de cuia?
Mermão, era desse jeitinho mesmo! O banho na Indonésia era banho de cuia! Nas duas casas que fiquei em Jakarta foram desse jeito! Você enchia a tina, pegava a cuiazinha e jogava água na cabeça, nada mais simples! Você sabe quantos litros d’água você desperdiça quando toma banho de chuveiro? Banho de cuia é a salvação do planeta, meu caro! A Jeanny me falou que um banheiro tradicional indonésio é assim, sanitário no chão e banho de cuia! Diz ela que do mais rico ao mais pobre, todo mundo tem isso!
Cara, que castigo, viu? Não sei se vocês já tentaram fazer as necessidades de cócoras, mas, mermão, é ruim demais!!! É muito estranho e eu sempre tenho a sensação que vai descer pelas pernas! Quando eu tou no meio do mato e não tenho solução, eu sempre vou pro meio de um rio ou algum lugar com água corrente e me alivio por lá mesmo! Pelo menos não precisa ficar de cócoras! Ainda bem que em Bali, no meu hotel não tive esse tipo de problema!
Outra coisa que ri que só foi conversando com a Mega. A gente tava conversando sobre vistos e afins e ela me confidenciou que é uma dificuldade danada pros indonésios pra poder conseguir vistos pros EUA e pra Austrália:
– Uai, mas por que é tão difícil pra vocês conseguir um visto pra poder ir pra Austrália?
– Ah, não sei, acho que é porque eles não gostam da gente.
– Mas por que é que eles não gostam de vocês, assim, gratuitamente?
– Ah sei la, eles nao gostam de pessoas de paises em desenvolvimento.
– Sim, mas o Brasil e’ pais em desenvolvimento tambem. Nao e’ facil pra gente, mas tambem nao e’ dificil. Sera se nao tem nenhum motivo em especial pra eles nao gostarem de voces?
– Ah, sei lá! Talvez seja tambem porque gente andou explodindo a embaixada dos Estados Unidos e da Austrália em Jacarta uns dias aí.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
– Arf… Esses paises ricos sempre implicando com paises em desenvolvimento por causa de nada.

Show de luzes em Jakarta


Galera, amanha com certeza tem post… Tou deixando passar mais um tempo pra nao colocar logo de uma vez o post sobre Jacarta…
Enquanto isso, vai um videozinho pra poder ir aquecendo pra amanha
obs: Gente, o Uchida me chamou a atenção e depois eu notei. Eu, burramente, falo “mosteiro” quando na verdade quero falar “mesquita”. Isso deve-se ao fato de que mesquita em ingles e’ “mosque” e eu acabei trocando as bolas. Valeu Uchida.

E com voces! O inicio do post da Indonesia!!!

Seguindo a metodologia que vinha aplicando antes, nao vou colocar o post da Indonesia blocado. Vou soltando ele aos poucos para que nao apareca um post gigante (gigante mesmo, so pra voces terem uma ideia, o de Bali eu vou dividir em dois ou tres dias, aconteceu muita coisa por la!) de uma vez e as pessoas acabem nao lendo com tanta atencao.Hoje, vou postar um apanhado geral sobre a Indonesia e sua sociedade e amanha ou depois de amanha, publico sobre Jakarta e depois sobre Bali. Tou escrevendo aqui do Camboja e vou ter que ficar uma semana preso em Phnom Phen porque tenho que esperar o meu visto pra India sair. A parte boa e’ que eu fico o dia inteiro sem fazer nada, so escrevendo e colocando em dia o blog. So pra voces terem uma ideia, hoje eu escrevi quase 12 paginas acerca da Indonesia! E’ bom que depois que sair daqui eu vou ficar quase um mes sem escrever, hahaha. Vou so soltando as historias aos poucos.
Desculpem pelos erros que vierem, mas tou sem corretor do word em portugues e meu teclado ta sem acento.
Antes de comecar o post sobre a Indonesia, como ja e’ de costume, vamos para as buscas no google que levaram a meu site e que me fizeram rir MUITO! Nao sei o que levou alguem a procurar isso, mas um amigo caiu no blog fazendo a busca “me estuprava quando era crianca”, nao sei se achou a resposta, mas que eu ri muito tentando imaginar o que ele procurava, eu ri! Seguindo a nossa secao “mais o que e’ que a gente quer”, tiveram as buscas: “um cara comendo varias mulheres”, “maranhense no puteiro com suecas quentes”, “paulistano fazendo sexo com mulher das cavernas” e pra mim o mais engracado de todos, “mulher comendo coco”. Pra que diabos alguem quer ver uma mulher comendo coco, meu amigo? Fica ai o questionamento!

Indonesia

Cara, sabe tudo que eu havia falado sobre a Tailândia? Aquela conversa de como a Tailândia é um paraíso na terra e um local que eu tenho vontade de voltar varias vezes? Muleque, esquece tudo isso! Não tá mais aqui quem falou! Pode me chamar do que quiser, de imbecil, de idiota, até de piauiense, mas eu mudei completamente de idéia depois de ir para a Indonésia!
A Indonésia é fantástica e acima de tudo, incrivelmente barata! Vou só dar um exemplo. Quais são os grandes paraísos naturais do Brasil? Abrolhos, Fernando de Noronha, Florianópolis, São Luís etc. O que todos esses lugares citados tem em comum? São todas ilhas oceânicas, com praias de águas azuladas ou esverdeadas (tá São Luís nem tanto). Agora, pense num lugar que não tem uma, duas ou três ilhas oceânicas? Pense num lugar que possui mais de 18000 ilhas? O maior arquipélago do mundo? Isso é a Indonésia! Acho que você precisa de umas três vidas pra poder conhecer metade desse país.
Rodizio num dos melhores shoppings, com direito a sorvete e sobremesa por 7 reais? Bem vindo a Indonesia, meu caro!

A Indonésia possui como moeda oficial a Rúpia Indonésia (1 dólar aproximadamente 9200 rúpias) e um PIB semelhante ao da Polônia e ao da Turquia, apesar de ser um país extremamente pobre. Pra falar a verdade, eles guardam muita semelhança com um país bem grande da América do Sul, com poucas pessoas com muito dinheiro e muitas pessoas vivendo na miséria.
Achei isso aqui engracado. Na Indonesia o Mac Donald’s serve frango e arroz!

Curti a Indonésia também pelo fato de que a mesma foi uma quebra de paradigmas impressionante! Antes de mais nada, a Indonésia é o maior país muçulmano do planeta, com uma população de 235 milhões de pessoas, portanto superior à população do Brasil.

Tecla PAUSE

Gente, acho que não preciso explicar qual a diferença entre ser um país muçulmano e ser um país árabe, né?? Pelamordedeus, não é a mesma coisa! Quando falamos mulçumanos nos referimos à religião e quando falamos árabes nos referimos ao povo! Os povos árabes são os povos descendentes das tribos arábicas, como países como a Arábia Saudita e a Síria. O Líbano, apesar de ser um país árabe, possui entre sua população 40% de católicos. Além disso, os maiores países muçulmanos hoje não são árabes, como a Indonésia, a Índia e o Paquistão. Pra ficar mais claro vou citar alguns exemplos: o Irã é um país originário dos povos persas de religião muçulmana, a Turquia é um país originário dos povos turcos de religião muçulmana e a Arábia Saudita é um país originário dos povos árabes de religião muçulmana. Deu pra entender? 🙂

Tecla PLAY

Além disso, a Indonésia também faz parte da nova geração dos tigres asiáticos e alcançaram um rápido crescimento econômico com posterior desenvolvimento de sua sociedade no século XX.
A quebra de paradigmas que digo que vivenciei durante o tempo que fiquei na Indonésia refere-se às imbecilidades que várias vezes são repetidas e enfiadas dentro de nossas cabeças acerca dos países muçulmanos e que nos fazem acreditar que são verdade. Questões sobre a mulher no Islã, liberdade de expressão, liberdade de religião e coisas do tipo realmente me chocaram enquanto estive na Indonésia. Mas isso vou falar no tópico abaixo!
Numa das aveninas principais de Jakarta tem uma foto do Ronaldinho Gaucho. Acho que e’ pra espantar os maus espiritos!

Quebra de paradigmas

Já fico até imaginando a imagem que aparece na cabeça de algumas pessoas quando falo de países muçulmanos. Um bando de barbudos com turbante, segurando lança-foguetes, gritando Alá o dia inteiro e espancando a mulher em casa. A sua mulher, alem de sempre ser espancada, passa o dia inteiro vestida de burca, aquela vestimenta que cobre a mulher de cima a baixo sem deixar aparecer nem os olhos. Esta e’ a imagem que a mídia coloca todos os dias em nossas casas e que acabamos absorvendo. Pensamos que todos os muçulmanos são revolucionários atrás da guerra santa e querem explodir os nossos miolos.
Este esteriótipo de muçulmanos logicamente não condiz com todos os povos que tem Maomé como o grande profeta! O problema é que a imprensa, nao sei se propositalmente, faz uma reportagem nos confins do Afeganistão ou da Árabia Saudita e quer te fazer acreditar que esta é a grande verdade, que a religião muçulmana foi feita para busca pura e gratuita de sangue, fundamentalismo e machismo. Imagine uma TV do Afeganistão ou do Iraque fazendo o mesmo com a gente. Ir numa dessas igrejas universais da vida, filmar todo mundo batendo cabeça, os caras fazendo exorcismos e extorquindo dinheiro do povo e a partir disso dizer que todos os cristãos (lembrar que protestantes são cristãos, pois seguem Cristo. Religiões cristãs: protestantes, católicos, ortodoxos, anglicanos etc.) são desta maneira.
A Indonesia que vi com meus olhos, nao foi uma Indonesia habitada por varios “Bins Ladens”, mas sim um país absurdamente parecido com o Brasil. Liberdade de imprensa, democracia em formação, pessoas indo pras baladas e bebendo no meio da rua etc. Nada de barbudos gritando Alá e queimando bandeiras americanas no meio da rua.
A maior mesquita de Jakarta fica em frente a maior catedral. Nao, eles nao ficam jogando foguetes um em cima dos outros o dia inteiro. Isso se chama liberdade de crenca.

Uma das maiores experiências que obtive, foi quando fui sair pra um barzinho com alguns indonésios pra jogar conversa fora. Como estava começando a ficar tarde e não queria voltar pra casa da Mega (indonésia que me hospedou em Jacarta) tarde da noite, resolvi pedir pra alguma das pessoas da mesa pra poder dormir na casa de alguém. Uma das meninas (Hafisa) que estavam por lá, falou que era de boa, que eu poderia ficar na casa dela por uma noite!
Eu adoro essa imagem. Ela mostra a convivencia de duas culturas tao distintas num shopping de Jakarta. Uma islamica, utilizando o seu tradicional veu, trabalhando numa loja de heavy metal vendendo camisas com demonios e caveiras. Isso e’ Indonesia!

HAFISA ME EXPLICANDO COMO ERA A VIDA DE UMA MULHER NA INDONESIA

Beleza, ficamos até mais ou menos duas da manhã e seguimos pra casa da Hafisa. No caminho, conversando um pouco sobre Indonésia e Brasil, a Hafisa me falou que era muçulmana. Cara, na hora foi um choque! Não porque deu medo de dormir na casa dela e ela me entregar pro Bin Laden, mas sim porque ela, politicamente correto à parte, parecia tão “normal”! Sim! Ela não usava véu, passou a noite inteira com a gente no barzinho e estava levando um homem que ela havia acabado de conhecer pra dormir na casa dela (olha a mente poluída).

Gente, essa foto foi montada, tá?

Engraçado que depois de ver que eu tinha uma Hello Kitty rosa na minha carteira (longa historia) ela me deu tudo rosa pra eu poder dormir, como pode ser visto ao lado (não gente, não chupo o dedo antes de dormir, foi só personificação)

Pode parecer pouco, mas agarrado aos meus preconceitos e esteriótipos, eu nunca imaginaria que isso poderia ocorrer. Eu achava que ela era católica, tal qual a Mega. A primeira coisa que veio à cabeça quando ela me falou que ela era muçulmana foi:

– Ué’, mas cadê a burca? Cade o véu?

Perguntei a ela e ela deu uma risadinha de boa da minha cara e falou:

– Nem todas as muçulmanas precisam usar o véu. É sua escolha, se você quiser usar, tudo bem! Se não quiser usar, tudo bem também! O islão não obriga ninguém a fazer nada! A escolha é sua. Ninguém vai te incriminar por não usar o véu, na cabeça, apenas os mais imbecis vão te encher o saco!

Fiquei pensando e vi como é a mesma coisa no Brasil. Venho de uma família de protestantes e católicos e entre os meus tios tem desde os que não tão nem aí pra como as filhas se vestem, até os que acham que mulher não pode andar de mini-saia ou usar biquíni.

Chegando na casa dela, achei que ia dormir na sala, pois tinha um colchão lá. Fui arrumando minhas coisas pra dormir e ela me falou:

– Não quer dormi no meu quarto? Tem duas camas, a minha e do meu companheiro de quarto, mas dá pra colocar um colchão no chão. É melhor porque tem ar-condicionado!

Mermão, foi aí que a vaca foi pro brejo! Como assim, uma mulher, islâmica, me chamava pra dormir no quarto dela? Pra falar a verdade, como assim uma mulher dividia quarto com um homem? Realmente era demais pra mim! Isso é algo impensável até para a “ala mais liberal” da minha família, cara! Sempre era uma luta danada quando a gente viajava pra não fazer com que homens e mulheres não-casados dormissem no mesmo quarto!

No outro dia, ficamos conversando um pouco sobre a vida em países muçulmanos. Na verdade eu fiz quase que um interrogatório com ela, perguntando tudo que sempre quis saber mas nunca tive ninguém pra perguntar.

Ela me falou que a Indonésia é o maior país muçulmano do planeta e ao mesmo tempo possui liberdade de imprensa, liberdade de religião, voto direto pra representantes, venda de bebidas alcoólicas (apesar de ser proibido pelo islã) etc. Não muito diferente do Brasil, cara! O problema, como ela deixou bem claro, não é a religião em si, o problema é o fundamentalismo! No Alcorão tem escrito que a mulher deve-se vestir adequadamente. Pros Bin Ladens da vida, isso quer dizer que a mulher tem que se cobrir dos pés à cabeça e se ela mostrar os tornozelos é pra descer o cacete nela! Pra outras pessoas vestir adequadamente é usar roupas adequadas aos lugares, porra! Se for à mesquita, usar calças, se for à praia, usar biquínis, nada mais simples!

O que oprime as pessoas em países como Arábia Saudita e Afeganistão, não é a religião em si, mas sim o sistema político que utiliza a religião para se legitimar. Apesar de católicos, acho que os brasileiros não concordam com as diversas pessoas que a Igreja Católica queimou durante a Inquisição ou aos diversos massacres de civis (mulheres e crianças) durante as Cruzadas. Então, porque botar na conta do Islão, o que alguns imbecis fazem, supostamente, em prol da religião? Fica aí o questionamento.

Só pra deixar vocês um pouquinho mais encucados. Em países muçulmanos as mulheres são tratadas como meras reprodutoras, correto? Enquanto o maior país muçulmano do mundo já teve uma chefe de estado mulher (Megawati Sukarnoputri 2001 a 2004), o Brasil nunca teve uma mulher que sequer chegou perto da presidência (me recuso a levar a Heloísa Helena a sério). Enquanto no Paquistão, a maior estrela da oposição era um mulher, Benazir Bhutto (morta num atentado), no Brasil a maior esperança da ala feminista um dia foi Roseana Sarney ¬¬

Mas nao esquecam que as mulheres sao inferiores em paises islamicos e tem o mesmo status em paises catolicos.

(post escrito antes da eleição de Dilma…

 

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