Contos de um mochileiro perdido em San Pedro do Atacama a caminho do Salar de Uyuni – como não passar mal e urinar nas montanhas

São Luís é uma cidade úmida, ao nível do mar e quente. O trajeto pelas montanhas desérticas entre Chile e Bolívia seria por um ambiente seco, alto e com frio negativo. Ou seja, um totalmente contrário ao que eu havia crescido.
– Cara, você precisa tomar alguns cuidados pois vai a um pouco mais de 5.000 metros de altitude. Sugiro você comprar aspirinas para afinar seu sangue e diminuir sua dor-de-cabeça. Além disso, um dos principais problemas quando estais a alta altitude é que você fica meio lesado e pode esquecer de beber água ou urinar e isso só vai piorar o seu mal-estar. Sugiro também você comprar diuréticos para urinar – o cara da agência me falava.
Beleza, fui a farmácia e comprei um pacote de aspirinas (que no final não usei) e pedi esse tal desse diurético.
– Qual diurético você quer, senhor?
– Eeer… me vê o mais barato.
– Então, diurético só com receita.
Voltei ao albergue e falei com a menina que trabalhava lá, paulistana por sinal, que precisava de um diurético e ela me indicou um farmacêutico que teoricamente vendia sem receita.
Fui lá.
– Senhor, preciso de diurético pois vou para as montanhas amanhã.
– Qual você quer?
– O mais barato.
– Diurético só com receita, senhor.
– Mas então… não tem como a gente dar um jeito? Realmente preciso de um diurético para ir para as montanhas amanhã.
Ele me olhou com aquela cara de “hummm, sei onde você quer chegar”
– Claro que sim, senhor, damos um jeito, porém você terá que pagar o dobro do preço a custas de “taxa de boa vontade”.
Pombas, o cara tava querendo se aproveitar do meu desespero, mas dei um jeito.
Chegando ao albergue a menina veio falar comigo:
– E aí, conseguiu comprar o diurético sem receita?
– Sim, dei meu jeito.
– Que legal, qual diurético você comprou?
– Uma caixa de cerveja chilena.
Mijei a noite inteira nas montanhas.
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O que fazer em San Pedro de Atacama

Depois de Santiago peguei um voo para Calama. Quando desci peguei um transporte por terra direto do aeroporto para San Pedro de Atacama, cidade chilena porta de entrada para o deserto do Atacama e também para o passeio do Salar de Uyuni Boliviano. Já quando você está no desembarque do aeroporto, vem uma galera oferecer transporte terrestre para San Pedro do Atacama, o que, depois analisando, tem um preço que compensa. Logo na saída há um verdadeiro mar de pick-ups no estacionamento que em sua maioria são alugadas pelas empresas de mineração, já que são 4X4, robustas e aguentam o pancadão de andar no meio do deserto. Elas são vermelhas para, em caso de algum problema, serem mais facilmente avistáveis. Também servem alguns turistas que desejam se aventurar pelo deserto.
Caminho de Calama a San Pedro de Atacama com suas retas infinitas no deserto e as pás de energia eólica no melhor estilo Top Gear
Pickups para aluguel
No caminho vários memoriais
Quando ainda estava em San Pedro de Atacama, o céu resolve nos brindar com esse pôr-do-sol maravilhoso

San Pedro do Atacama é uma cidadezinha pequena e é como Bonito no Rio Grande do Sul (veja o post sobre Bonito aqui), vive nitidamente apenas para o turismo. Para onde você olha é agência de turismo, restaurantes, baladas, hotéis e albergues para acomodar a galera que quer se aventurar no Atacama ou seguir para Uyuni na Bolívia. Outra coisa engraçada que logo descobri é que tem tanto, mas TANTO brasileiro viajando por lá que um guia me falou que eles tão quase para mudar o nome da cidade para “São Paulo do Atacama”. Inclusive cheguei a conhecer alguns brasileiros que moravam lá pela cidade mesmo. Arrumaram um emprego e me disseram gostar de viver por lá devido a tranquilidade do lugar. Não consegui conversar muito com eles, pois eles pareciam meio arredios, não me davam muito papo e realmente pareciam não querer conversar comigo. Acho que é tanto brasileiro por lá, fazendo tantas vezes a mesma pergunta “como é morar aqui em San Pedro” que os caras acabam por encher o saco.

Inclusive conheci um filha da puta lá que me colocou maior medo sobre as montanhas bolivianas. Disse-me que fazia um frio de matar qualquer um. Quando eu disse que só tinha um sobretudo, um agasalho, uma calça e algumas meias, ele só faltou dizer que eu ia morrer congelado por lá. Gastei uma grana na cidade comprando meias, calças, gorros, luvas com preços extorsivos. No final nem precisei usar. Comprei tudo só por causa do medo que aquele filho da puta me colocou.

Igrejinha no centro de San Pedro de Atacama

No albergue em que eu estava conheci um ítalo-brasileiro que tinha acabado de chegar do passeio de Uyuni e tava encantado. Falou-me mil maravilhas da agência com que ele tinha contratado o passeio e me sugeriu de eu ir com eles, mas que iria pagar caro. Para quem quiser saber qual foi a agência, é só ir no site deles (http://www.sanpedrodeatacama.net/), sugiro demais contratar com eles. Lembrei dos nordestinos que conheci em Santiago (post passado que você pode conferir aqui) e não pensei duas vezes. O passeio seria por um ambiente alto, seco e com frio negativo. Nasci em uma cidade quente, úmida e ao nível do mar, tudo o que eu não queria era arriscar em um ambiente hostil como aquele.

Além disso, escutei relatos de se você pagar barato corre o risco de pegar um motorista bêbado, louco ou sacana. Ou os três juntos. Ou, pior, acontecer como o ocorrido com uma amiga de um brother nosso que estava viajando no meio do Salar quando do nada o motorista pergunta se alguém tinha uma bússola. Com a negativa de todos, após duas horas rodando, o motorista começou a chorar dizendo que estava perdido e que não podia morrer porque tinha mulher e filhos para sustentar. Assim, nessa sutileza. Cara, se o motorista que é a base da sua confiança em um deserto começa a chorar, você faz o que? Pois é, paguei caro para tentar evitar esse risco.

Paguei 100.000 pesos chilenos (uns 550 reais) pelo passeio, com todas refeições inclusas, alojamento e aluguel de um saco de dormir. Depois acabei descobrindo que nem paguei tão mais caro que a galera que contratava por San Pedro de Atacama mesmo. Acabou que casou certinho, cheguei em uma tarde a San Pedro de Atacama e no outro dia de manhã já estava partindo para as montanhas bolivianas. Tive até sorte, pois quando cheguei a San Pedro de Atacama era feriado no Chile, a cidade tava tão cheia que até água chegou a faltar e tava difícil conseguir vagas nos passeios.
Atacama

San Pedro tem vários passeios que você pode fazer, até cheguei a fazer um  conhecido como Vale da Lua devido a semelhança do terreno com o lunar. Achei legalzinho, mas acho que realmente não compensa fazer pois as paisagens que vimos no passeio do Salar de Uyuni eram muito mais interessantes. Todos os outros passeios que também haviam por lá, geysers, piscinas termais, passeios pelo deserto, pareciam bem mais ou menos e bem mais caros do que os que eu vi no passeio do Salar de Uyuni. Então, minha sugestão é, se vai para Uyuni e está com o tempo apertado, não gaste seu tempo fazendo esses passeios de San Pedro, vale muito mais a pena aproveitar a vida noturna da cidade, o que eu não tive oportunidade.

San Pedro de Atacama pela noite
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Chile

De início o planejamento da minha viagem passava por Bolívia e Peru e não pelo Chile. Tinha como principal objetivo visitar o Salar de Uyuni na Bolívia, Machu Picchu no Peru e o que mais desse tempo para fazer. Porém, fazendo as simulações de passagem vi que seria mais barato descer em Santiago e depois voltar por Lima do que descer em La Paz conforme eu estava planejando. Seria até mais fácil fazer o Salar se começasse pelo Chile e depois ficasse direto na Bolívia, portanto, minha viagem acabou incluindo o Chile de última hora e ficou assim: Brasília – Santiago de avião; Santiago – Calama (Chile) de avião; Calama – Cusco (Peru) – por terra; Cusco – Lima de avião e Lima – Brasília de avião. Ficou um trajeto legal e sugiro que quem queira visitar os três países faça o mesmo.

SANTIAGO E BOLÍVIA ALERT

O Chile durante algum tempo ficou nas manchetes jornalísticas devido a prisão do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, que foi o responsável por uma das ditaduras mais sanguinárias da América do Sul junto com a Argentina. Apesar de ter sido um carniceiro, há chilenos que apoiam Pinochet pelas reformas liberais que, segundo o que muitos defendem, foram as responsáveis pelo Chile hoje ser o país mais desenvolvido da América Latina. Além de Pinochet todo mundo lembra do Chile por causa dos mineiros que ficaram soterrados ou por eles terem ganho a Copa América de 2015. É uma pena, porque o Chile para mim é sinônimo do meu poeta latino favorito, Pablo Neruda. Segue um dos meus poemas preferidos:
Amor, quantos caminhos para chegar a um beijo, que solidão errante até chegar a ti! Os comboios continuam vazios rolando com a chuva. Em Taltal a primavera não amanheceu ainda. Mas tu e eu, meu amor, estamos juntos, juntos da roupa às raízes, juntos pelo outono, pela água, pelas ancas, até sermos apenas tu e eu juntos. Pensar que custou tantas pedras que o rio arrasta, a embocadura da água do Boroa, pensar que separados por comboios e nações. Tu e eu devíamos simplesmente amar-nos, com todos confundidos, com homens e mulheres, com a terra que implanta e educa os cravos.
 
Porém, se tem um país que realmente não se esquece de se lembrar do Chile é a Bolívia. Os dois países entraram em guerra há uns 150 anos atrás devido uma região riquíssima em cobre e outros minerais. A peleja foi a pior coisa que ocorreu para Bolívia que perdeu o acesso ao mar e até hoje culpa o Chile por seu subdesenvolvimento (a Bolívia é o país mais pobre da América do Sul). Sair do Chile e entrar na Bolívia, como eu fiz, é quase que sair do céu para o inferno e será descrito posteriormente.
Desci direto em Santiago e fiquei uma noite na casa de uma grande amiga que durante muito tempo foi membra do Couchsurfing Brasília, hoje casou com um chileno e tem um filhinho. Cheguei à casa dela e ela já estava hospedando dois outros couchsurfers nordestinos. Conversando com esses caras me veio o primeiro choque do que seria a minha viagem pela Bolívia. Eles não gostaram da Bolívia. E DETESTARAM os bolivianos, que eles só chamavam de mau-caráter. Disse que tudo eles tentavam enganar e que ficasse de olho nos pacotes turísticos que eles iriam me vender, principalmente os ônibus, porque eles te vendiam a passagem em um ônibus que na foto era uma beleza. Tinha calefação, cadeira-cama, mas quando você chegava era um caindo aos pedaços, que só comprasse as passagens momentos antes de subir no ônibus sob pena de ser enganado. Quiseram economizar na empresa onde compraram o passeio para o Salar de Uyuni e foi a pior coisa que puderam fazer, pois o motorista era um babaca e a comida que lhes foi oferecida era quase que inexistente.
Criançada pirando no teatrinho de rua no centro de Santiago
No final acabei por perceber que o que eles diziam não era tanto assim. Tanto assim. Porque sim, de todos os povos da América Latina que já pude presenciar, os bolivianos foram, de longe, as piores experiências. Realmente os mais safados e, pior, os menos amigáveis de todos os latinos (Cuba também é um país pobre e também se aplicam golpes como é possível ver nesse post aqui, porém era um povo muito amigável. Os bolivianos parecem não gostar de estrangeiros). Porém, no final, não achei algo tão alarmante como eles me falaram. Talvez porque quando me falam de um lugar com gente safada, penso logo na Índia, lugar onde há mais filhas da puta por metro quadrado neste planeta, e que, sim é bem pior que a Bolívia. Conversei pouco com os nordestinos que estavam hospedados lá, mas foi de grande valia pelo alerta relativo aos bolivianos.
Saí para dar um passeio com a Camila por Santiago. A cidade em si não tem muita coisa para se ver. Ela é boa devido aos restaurantes e cafés. Sentar e ficar curtindo o dia passar. É legal porque atrás de Santiago há uma bela visão dos picos nevados dos Andes (Os Andes são ótimos para evitar que os argentinos venham para cá – dizia Rodrigo, o marido chileno da Camila demonstrando que todo mundo gosta dos hermanos), muito parecidos com Santa Bárbara na Califórnia (relatos sobre Santa Bárbara nos Estados Unidos aqui).
No Chile é assim, os caras entram de greve, tomam o guindaste de assalto e ainda içam o carro da empresa. Tudo isso no meio do centro de Santiago. Legal, né?
Depois de algum tempo caminhando, começou a bater uma fome, mas não tive coragem de comer o ceviche (peixe cru) que a galera vendia no meio da rua, de forma que Camila me levou a um mercado para podermos comer alguma coisa. Algo me chamou atenção. Alguns pratos diziam “carne a la pobre”, “frango a la pobre”. Você olha alguma coisa a “la  pobre” e imagina o que? Imagina que vem um pratinho de nada. Rapaz, “a la pobre” que dizer que o prato vai vir com aquela montanha de comida, seria um “a la pedreiro” no Brasil, mais ou menos como a foto abaixo:
Já fica a dica.
Outra curiosidade do Chile é que os bombeiros lá não são profissionais como no Brasil. Sim, os bombeiros são uma atividade voluntária, vivem de doações e vez ou outra fazem vaquinhas para poder comprar carros e equipamentos. Doido isso, né?
Mercado central de Santiago
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Belém – Quem tem um sonho não dança

Depois de todos os caminhos pela América Central, ainda me restavam alguns dias em Belém antes de voltar para Brasília. Como já tinha ido algumas vezes a Belém (pô, é do lado de São Luís), não me restou muitas coisas turísticas a se fazer a não ser aproveitar a cidade. Fiquei hospedado na casa de um cara super gente boa do Couchsurfing.org. Até fomos a uma disputa de marchinhas onde a que eu mais gostei os caras fizeram com base em uma história quando foram pescar na Ilha de Marajó e um deles foi ferroado por uma arraia dando origem aos versos “Não arraia comigo que eu ferro com você”.
Porém, o que eu mais gostei passeando por Belém foi ter tido uma surpresa próximo ao teatro de Belém. Perambulando por lá, resolvi parar em um barzinho para tomar uma! Cadeira no meio da praça, hippies vendendo a arte, bêbados maltrapilhos dormindo nos bancos, mendigos por todos os lados, enfim, aquele paraíso para se tomar um chopp e descansar um pouco do mormaço. Cerveja Cerpa no copo e suor descendo pelas costas, noto, de repente, uma movimentação. Era um bloco de pré-carnaval! Éguas! Havia esquecido! Estávamos próximo do carnaval!
Pedi a conta e desci para lá. Quando estava indo a caminho, escutei uma senhora apontando e falando para o filho dela “Olha, o Gim manobrista tá ali no meio, vamos lá bater uma foto!”. Ela parecia realmente feliz em ir atrás dele.
Da floresta tira-se remédio para tudo, de colesterol a derrame!
Fui lá para o bloco para também conhecer esse Gim Manobrista. Depois que eu fui ver que na verdade não era nada de manobrista. Era uma morena, de cabelos longos e olhos escuros, aquele exemplar de beleza do Pará mesmo! O nome dela era “Gina Lobrista”! As pessoas pareciam felizes perto dela, o que me levou a crer que se tratava de uma cantora famosa!
No outro dia, andando com o Lysmar, couchsurfer que me hospedou em Belém, voltei novamente para a praça do Teatro onde estava havendo algo como uma feirinha. Ambiente muito legal, apresentação de capoeira, disputa de rimas, feira de doação de animais, vários eventos ocorrendo naquilo que nos faz lembrar como as cidades podem ser vivas quando ocupadas pelas pessoas fora de suas casas.
E, claro, onde há concentração de pessoas, há Gina Lobrista! E onde há Gina Lobrista, há um turbilhão de gente ao redor batendo foto com ela. Depois que fui saber da sua história. Há alguns anos, Gina Lobrista sai pela manhã de casa com uma caixa de som tocando suas músicas pelos pontos de maior concentração de Belém vendendo seus CDs por cinco reais cada um. Para ter noção do sucesso, vi um programa do Pará que visitava a casa dela e os caras davam uma volta no carro que ela comprou vendendo seus CDs de cinco reais.
Simplesmente adorei. Gina Lobrista é a representação do correr atrás de um sonho do jeito que der. Bota seu carrinho de som na rua, acredita no que você tem para mostrar e sai pelas ruas sem se perguntar se isso vai dar certo ou não. Se Glauber Rocha era o cara do “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, pode-se dizer que Gina Lobrista é a mulher do “um carrinho de mão e um sonho na cabeça”. O som dela é legal, algo entre a sofrência do Pablo e o brega característico do Pará. No início era tudo ela sozinha mesmo, depois começou a chamar alguma atenção e hoje ela já tem até clipe:
Cheguei para bater uma foto com ela, mas preferi ficar de longe e bater foto da muvuca de pessoas se amontoando para poder comprar o cd, tê-lo autografado e tirar foto com ela. 
Gina Lobrista é hoje a Índia Apaixonada e patrimônio imaterial de Belém!

Quem tem um sonho não dança, já diria Cazuza.

Saindo da Guiana Inglesa e pelejando para chegar em Belém

Depois de sair da Guiana, a Surinam Airways, acho que de tanto eu reclamar dela, resolveu nos preparar uma surpresa. Como ela é uma empresa que faz questão de não cumprir horário, fez algo que eu nunca vi acontecer em um voo. Como todo mundo já estava no aeroporto, o voo acabou saindo… mais cedo! Uma hora mais cedo para ser mais exato! Valeu Surinam Airways! Se isso não significasse exatamente nada para mim! Depois da Guiana eu ainda tinha escala no Suriname e na Guiana Francesa. Descemos uma hora mais cedo no Suriname! Yes!!! Porém, só havia um detalhe! Com esse adiantamento do voo, descobri a única coisa em que a Guiana foi melhor que o Suriname. No aeroporto da Guiana havia internet grátis. No aeroporto do Suriname, não! Uma hora a menos de internet. É isso aí, até quando a Surinam Airways tenta ajudar, ela me arrebenta!
Tudo bem, Surinam Airways, o que vale é querer ajudar!
Já de volta ao Brasil, uma fila gigantesca na imigração. Pior que pela primeira vez gostei de uma fila grande. Era interessante ficar ouvindo as histórias que os garimpeiros iam comentando entre si, empolgados na volta para casa. Um falava que tinha recebido um carimbo vermelho do Suriname (o que o impedia de voltar ao país por alguns anos), o outro falava que voltava cheio de dinheiro, o outro que tinha gastado tudo com bebidas e mulheres (de longe o que melhor investiu o dinheiro), fora as diversas histórias de amigos que tinham sumido e ninguém sabia por onde estavam na mata. Vida loca!
Na fila vi um cara cabisbaixo, com o olhar perdido no piso do aeroporto. Fui conversar com ele porque caras assim sempre rendem boas histórias. Tinha um passaporte diplomático à mão. Não entendi se ele era diplomata ou não, mas sei que trabalhava auxiliando os brasileiros na Guiana Francesa. Conversou comigo meio baixinho como era um inferno a vida dele. Cara, imagina ter que lidar com esses bandos de garimpeiros tudo na ilegalidade? O coitado vai lá, estuda para concurso, é aprovado, chega no Itamaraty cheio de esperança, acha que vai ser lotado em Paris ou Londres e jogam o pobre coitado lá no meio da selva amazônica para cuidar de garimpeiro. Ê fase! O trabalho dele basicamente se resumia a visita à prisão, ao hospital e ao necrotério. A vida infernal dos garimpeiros tornava, por tabela, a vida dele também infernal. 
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Uma Guiana francesa diferente – Visão dos garimpeiros brasileiros

P.S: As imagens não são minhas. Foram todas tiradas da internet
Não cheguei a visitar a Guiana Francesa devido a questão do tempo e também porque lá precisamos de visto para entrar. Sim, não precisamos de visto para entrar na França, porém, para a Guiana Francesa, sim. Doido, né? Isso é devido ao grande fluxo de garimpeiros brasileiros que se aventuram na Guiana Francesa e que a França tenta evitar de todo jeito.
Porém, conversando com os garimpeiros que nas guianas, aprendi bastante sobre a Guiana Francesa, pelo menos sobre os garimpos. Todos os garimpeiros que conversei eram unânimes em falar que o pior garimpo é o da Guiana Francesa. Por mais que eu esperasse o contrário (bem, a França é um país um pouquinho mais organizado que as Guianas), o “Garimpo da França” era absurdamente mais perigoso que os garimpos do Suriname e da Guiana Inglesa. Nos garimpos da França todo mundo anda armado e, segundo as próprias palavras dos garimpeiros, o seu documento é uma escopeta. Os garimpos brasileiros na França são ilegais e, onde não há Estado, não há lei. Todas as pendengas são resolvidas na base da bala.

Conheci um cara que trabalhava como músico de garimpo. Ele me disse que era de um dos bairros mais violentos de Belém, mas que ainda assim se assustou com o que viu nos garimpos franceses. O bando de armas que as pessoas carregavam foi a visão mais próxima que ele viu de um filme de faroeste. Disse-me que quem anda “desarmado” por lá anda pelo menos com uma pistola no bolso. Apesar de tudo, diz que rola um respeito entre os garimpeiros e eles não saem se matando assim gratuitamente, até porque, bem, em um lugar que todo mundo anda armado, talvez seja melhor manter a calma.

Ele me disse que uma vez estava tocando em um garimpo e caiu na besteira de tocar uma música do rei da sofrência. Sim, ele começou a tocar Pablo. Rapaz, diz que é só tocar Pablo que os cabas ficam doidos. Diz que ele tava lá de boa, moendo o teclado quando só escutou uma rajada que de tão alta ele se assustou e caiu por cima do teclado. Quando foi ver o que estava acontecendo, era um cara empolgado dando tiro para cima com uma escopeta. O que a sofrência não faz.

 O pagamento por todo tipo de serviço, como o de músico, é feito, lógico, em ouro, não em dinheiro. Mas como eles fazem, metem o ouro no bolso e voltam ao Brasil? Eu também fiquei com essa dúvida. Não, não dá para fazer isso. Andar com ouro no bolso é muito arriscado, ainda mais no meio do mato e na ilegalidade. Alguém pode querer te matar para ficar com seu ouro ou a polícia ou alfândega do Brasil ou das Guianas vão te questionar o que você vai fazer com isso e, como nada é declarado, obviamente, será confiscado. Nesses lugares de garimpo ou tem várias casas que simplesmente compram ouro ou casas em que você faz o depósito em ouro e eles remetem o valor para uma conta no Brasil, obviamente tirando a comissão deles. Cara, tudo já é engrenado para o garimpo, por isso que tem tantos brasileiros pelas Guianas fazendo isso.
Diz que esses garimpos ilegais na França dão uma grana danada para todo mundo, mas tem que extrair tudo o mais rápido possível, pois dá um mês, dois meses, chega a polícia francesa, dá o flagrante e leva todo mundo preso além de tacar fogo em tudo que for possível, das cabanas ao maquinário. A polícia taca fogo, os caras perdem tudo, são mandados de volta ao Brasil só para dar o tempo de comprar novamente um novo maquinário e se embrenhar na selva francesa novamente com máquina e tudo para um novo garimpo. E aí fica esse eterno jogo de gato e rato. Por isso que precisamos de visto para viajar a Guiana Francesa como se isso, obviamente, fizesse alguma diferença a quem sai se embrenhando no mato.
Engraçado que conversando com Raimundo, o maranhense que conheci no aeroporto da Guiana Inglesa, fiquei surpreso quando ele me disse que já tinha ido a Guiana Francesa:
–          Mas como tu conseguiste entrar lá, Raimundo? Lá precisa de visto!
–          Ah, eu dei um jeito.
Hoje fico pensando o quão idiota foi pergunta isso para ele. Cara, os bichos conseguem atravessar o rio e entrar ilegalmente na Guiana Francesa com TONELADAS de equipamentos e maquinários. Dragas do tamanho de carretas. Imagina como deve ser difícil só atravessar o esquálido do Raimundo.
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Na Guiana Inglesa, um maranhense bem esperto e eu

Quando estava saindo da Guiana Inglesa, ainda no aeroporto, conheci um brasileiro. Depois de um tempo conversando fui descobrir que o cidadão era maranhense. Chamava-se Raimundo, estava na Guiana fazia seis meses e foi trabalhar no garimpo. Antes trabalhava como barrageiro, que é como chamam a galera que trabalha na construção de barragens. É um serviço interessante e meio itinerante onde ele disse que dava para tirar uma grana legal. Como queria conhecer outros países (bem, a Guiana Inglesa é outro país, não?), aproveitou que tinha uma tia no Oiapoque, cidade no topo do Amapá, e resolveu se aventurar nas guianas. Passou seis meses no garimpo e tinha juntado quase 25.000 reais em seis meses trabalhando lá, já descontando as despesas com alimentação, hospedagem e passagens. Nada mal, não?
Ele começou a me falar como era o garimpo na Guiana Inglesa. Disse que era de boa, que lá quase não morria ninguém assassinado no garimpo (ênfase no “quase ninguém”), era só não ter boca grande e não sair falando quanto o garimpo que você trabalhava tava dando de lucro. Foi outro também que me disse que hoje no garimpo ninguém mais faz nada a mão, é tudo mecanizado!
Cara, ele era tão humilde que nem escrever direito sabia, praticamente desenhava o nome e me pediu diversas vezes para preencher o cartão de imigração dele, já que escrevia muito devagar. Na hora que nos chamaram para fazer a imigração, eu meio que me distanciei dele, pois, bem, ele tava meio enrolado. 
Catedral anglicana de São George. Uma das mais altas igrejas de madeira do mundo.
Interior da Catedral
Senti-me um pouco mal de deixar um brasileiro a própria sorte, mas aeroporto é assim. Não poderia ficar do lado dele o tempo todo pois, afinal, cara, ele não tinha preenchido no formulário de imigração o endereço em que havia ficado em Georgetown, o endereço que iria ficar em Belém, ele só poderia ficar três meses no Suriname e estava há seis, tinha trabalhado mesmo só tendo visto de turismo e para piorar, bem, ele era garimpeiro. Era um cara legal, mas garimpeiro tende a se envolver em enrolada. 
Parlamento Guiano
Interior de uma igreja católica em Georgetown

Trocando em miúdos, ia dar problema. Por mais que quisesse ajudá-lo, se desse algum problema e me vissem do lado dele, até eu explicar que havíamos nos conhecido há algumas horas no aeroporto e que não estávamos juntos… Bem, poderia ser o suficiente para eu perder o voo e ter que pagar pela remarcação de todas escalas seguintes.

Falei para ele ir na frente e fui para o outro guichê. No meu guichê o cara me bombardeou de perguntas, onde eu tinha ficado, o que havia feito na Guiana, o que fazia no Brasil, assim, como se alguém que passa dois dias na Guiana vai para lá para garimpar. Tudo sendo perguntado em inglês e eu pensando “rapaz, se a coisa tá ruim assim para mim que tou com tudo certo, imagina para Raimundo que nem escrever o nome dele sabe direito”. Sei que depois do batalhão de perguntas, quando vejo, tá Raimundo lá frente, todo sorridente, já tinha passado até o Raio-X.
Fui, lógico, perguntar para ele como ele tinha resolvido, já que, beleza, ele podia até ter tido sorte de não arrumarem problema com ele, mas ao menos o visto expirado eles iam fazer alguma pergunta e ele não falava inglês. Ele não se fez de rogado e me respondeu:
– Claudio, foi simples, eu coloquei 1000 dólares guianenses (cerca de 10 reais) dentro do meu passaporte. O cara folheou, folheou, folheou, quando viu a nota, só sorriu e me mandou seguir.
Raimundo não era fluente no inglês, mas sabia a única língua que importava.
Banco Central da Guiana
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Histórias de um vendedor de livros…

Recebo um pedido de amizade de uma menina que eu não lembro de conhecer:
– Oie, tudo bem, você me adicionou no Facebook, de onde nos conhecemos?
– Então, não nos conhecemos. Moro em Indaiatuba e trabalho com uma empresa de transporte logístico da Azul Linhas Aéreas. Comecei a ler o seu livro e simplesmente adorei. Daí resolvi te adicionar.
– Nossa, que legal. Sem problemas. Mas então, não temos nenhum amigo em comum e não lembro de ter te vendido o livro. Como conseguiste ele?
– Ah, um amigo me deu.
– Sabe o nome dele?
– Então, foi um outro amigo que deu para ele.
– Hum, faz assim então. Todo livro que eu vendo eu faço uma dedicatória e coloco a data. Checa aí por favor.
– Bem, o livro tem a data do dia 19 de março e a dedicatória está em nome de Tiba.
Momentos depois…
– Pô, Tiba, tudo bem, cara? Você sabe onde está o livro que você comprou comigo? Pois eu sei onde está e sei que não está contigo!
– Tá brincando que tu sabe, Maranhão! Bicho, esqueci o livro em cima de um banco em Viracopos!!!! Onde ele foi parar?!?!?!
….
Histórias de um vendedor de livros…
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A Guiana Inglesa, Jonestown e Jim Jones

A Guiana será para sempre lembrada por um acontecimento infeliz: Jonestown.

Tudo começou quando Jim Jones (leia mais sobre ele na Wikipedia), um conhecido líder de uma seita estadunidense, conseguiu uma gleba de terra próxima a fronteira com a Venezuela e resolveu fundar a sua própria comunidade, chamada Jonestown, no meio da floresta guiana. Centenas de americanos pertencentes a sua seita mudaram para a comunidade.
Tudo parecia caminhar normalmente até que começaram a surgir denúncias de abusos com os residentes que, supostamente, não poderiam sair livremente de Jonestown e voltar aos Estados Unidos.
Um congressista americano, Leo Ryan, recebeu autorização do governo americano para visitar o local e viajou ao local com alguns repórteres da NBC. Quando chegou foi calorosamente recebido. Tudo parecia bem e Ryan inclusive elogiou a comunidade.
Porém, com o passar dos dias, grupos de pessoas procuravam Ryan com a intenção de desertar. Jim Jones até chegou a liberar a sua saída, não sem antes acusa-los de traidores. Isso criou um clima de tensão no local.
Após uma agressão a faca sofrida por Ryan, ele pensou que talvez fosse bom ir embora dali e adiantou a sua saída de Jonestown. Quando estava se preparando para pegar seu avião, guardas responsáveis pela segurança de Jones mataram Ryan (até hoje o único congressista estadunidense a ser morto no exercício da função) e os repórteres da NBC.
Assim que soube da morte de Ryan, Jones colocou em prática o seu plano de suicídio em massa. Ele inclusive já teria ensaiado em suas “noites brancas” ritual onde todo mundo era obrigado a tomar um líquido, porém sem veneno. Aquela seria a última “noite branca”.
Todos foram induzidos a beber sucos de uva com cianeto com as crianças recebendo diretamente na boca ou por meio seringas. Quem tentava fugir era abatido a tiros.
Cinco minutos depois, 918 corpos jaziam no solo da Guiana marcando o nome do país para sempre a esta tragédia.
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Guiana Inglesa, como é a vida? Como vivem os brasileiros que moram lá?

Das três guianas, o único país que efetivamente ficou com o nome de Guiana foi a antiga Guiana Inglesa.

Se o Suriname foi tudo o que eu não imaginava, a Guiana Inglesa terminou por ser tudo o que eu imaginava. Ou pior. Não há nada que deixe um surinamês mais feliz do que comentar como o Suriname parece um país ano-luz na frente da Guiana Inglesa e não há nada que deixe um guiano mais chateado do que comentar como o Suriname parece um país ano-luz à frente da Guiana.

A Guiana Inglesa é a mais pobre das três guianas e, de longe, a mais caótica. Quando comentava no Suriname que iria viajar a Guiana as pessoas me perguntavam “vai lá para ser morto?”. Georgetown é uma cidade entregue ao caos onde parece que não há nenhuma presença de Estado. Comércio, favela, vala de esgoto, plantação de cana, cabras passeando pelas ruas, tudo misturado em meio ao ambiente urbano. O trânsito é maluco e não há uma rua da cidade onde não há uma vala de esgoto passando. Assim, eu sei que no Brasil tem muitas ruas assim, mas o que eu estou falando é que na avenida principal, da principal cidade da Guiana, tem uma vala de esgoto margeando a pista. Seria mais ou menos como termos isso na Avenida Paulista. Em defesa dos guianos pode-se dizer que a cidade de Georgetown foi construída abaixo do nível do mar e essas valas são para drenar a cidade por meio de uma bomba que está na cidade desde a época dos ingleses.

Como diria um amigo meu, a gente acha que entende de pobreza porque vive no Brasil, porque vemos pobreza e tal, mas cara, quando você chega na Guiana você aprende que a lição número 1 do lugar é que tudo sempre pode piorar. A aparente ausência de estado, o “salve-se quem puder” no meio das ruas, tudo isso pode até ter em uma cidade de fronteira do Brasil ou em cidades do interior mais pobres, mas na Guiana Inglesa é na capital do país, em Georgetown.
Depois do Camboja, a Guiana foi o único lugar onde pude ver alguém na rua cobrando para você utilizar uma balança e ver seu peso. Clique aqui para ver a foto no Camboja
Como curiosidade, a Guiana é o único país da comunidade dos países de língua inglesa na América do Sul. O termo Guiana vem de dialetos indígenas locais e significa “terra de muitas águas”, devido ao grande números de rios. A sua economia é dependente da exportação de produtos primários, principalmente minérios, o grande responsável pelo afluxo de brasileiros. Ao que me parece, a única coisa que faria valer uma viagem para o país seriam as impressionantes Cataratas de Kaieteur para ler mais sobre elas clique aqui), pois Georgetown é caos.
Estátua de Gandhi em um parque de Georgetown
Georgetown é uma cidade litorânea, porém a praia foi o de mais sujo e horripilante que pude presenciar e não vi ninguém corajoso o bastante para pular na água enquanto estive andando na orla.
Inicialmente estava planejando ficar em um hotel indicado pelo Lonely Planet. Quando comecei a checar, vi que o hotelzinho era sujo e caro o que me fez seguir uma sugestão de hotel que um couchsurfer me indicou onde ficar. Chama-se Juliens guesthouse. Era nova, perto do bairro onde ficavam os brasileiros e em um bairro relativamente seguro. No final, o hotelzinho era até bom, tirando o fato que ele literalmente balançava quando passava um caminhão do lado.
Tentei dar uma volta, sair do hotel a noite, porém caminhei por Georgetown procurando por um suposto bar brasileiro a noite e posso dizer que foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida. Acabou que fiquei a noite encastelado no hotel que serviu quase como um bunker.

E OS BRASILEIROS NA GUIANA – COMO ELES VIVEM?

Enquanto no Suriname a pergunta padrão era “você é de Belém?” na Guiana a pergunta quando eu falava que era brasileiro era “você é garimpeiro?”. No início eu imaginei que os garimpeiros brasileiros eram visto com maus olhos pelos guianos, por supostamente roubar empregos deles ou algo assim, porém pude perceber que há uma certa convivência pacífica.  Um dos motivos é devido a forma como é feito o garimpo hoje em dia. Quando se fala em garimpo, eu imaginava aquela galera peneirando na beira do rio esperando que dali vai sair algum ouro. Pelo que pude perceber, o garimpo hoje está longe disso e é algo extremamente mecanizado. E grande parte dessa mecanização na Guiana é devido aos brasileiros que tem mais capital que os guianos para isso. Lógico que isso não deve ser sempre a regra, também deve haver muitos brasileiros pobres disputando vagas com Guianenses.

Em Georgetown há diversos empreendimentos ou de brasileiros ou para brasileiros, em vários deles todo mundo só falava português. Fui em um restaurante brasileiro recomendado pelo livro-guia, que na verdade era pior que aquelas churrascarias de posto de gasolina do interior do Maranhão, tentei bater papo com o dono do restaurante. Ele era paranaense . Como esse cara veio se tocar lá do Sul para a Guiana não tive tempo de conversar já que ele não me deu papo e era todo desconfiado. O máximo que consegui de informação com ele foi um bar onde facilmente eu iria encontrar brasileiros, ele me indicou um que era até do lado de onde eu estava hospedado. Fui em um dia a noite só para descobrir que o lugar era um prostíbulo. Bem, em viagens prostíbulos sempre são os melhores lugares para ser preso, ferido ou morto, então voltei para o hotel.

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