Autor: claudiomar23
No caminho para Coréia do Norte

No outro dia pela manhã, segui para o aeroporto e fui direto para o guichê do meu voo para Coréia. La encontrei o dono da empresa, David, que me passou algumas orientações e segui para a sala de espera. Na sala de espera para o voo da Coréia do Norte dava para perceber a ansiedade de todos os presentes. Entramos no avião e, cara, o primeiro susto! Bicho, mas sabe aqueles aviões russos, da década de 60, que você vê em filme de comedia americana zuando a União Soviética?






Peguei a fila com todo mundo e foi passando um por um. Passou um, passou outro, e outro, e outro. Bem, você já deve ter deduzido o ocorrido. Sim, o oficial coreano resolve invocar comigo! Eu disse “agora pronto!”. E eu não entendia o que ele falava e eu tremia mais que vara de bambu verde e eu não conseguia falar inglês e quanto menos eu falava inglês menos ele me entendia (você tá rindo, mas queria ver você, tigrão, no meu lugar!) ate que o David interviu e me disse que eu deveria pegar a outra fila porque, veja você!, eu era o UNICO de todo o nosso grupo que tinha visto no passaporte, pois havia tirado o visto no Brasil. Todos os outros não haviam tirado visto, tinham apenas um “visto grupal” que o David entregou antes de passarmos a imigração. E dai? Bem, e dai que eu fui o UNICO que ficou com o carimbo da Coréia do Norte no passaporte. Oh yeah! Highway to Hell! Sabe o que isso significa? Todos os outros só dirão que viajaram pela Coréia do Norte, mas o passaporte deles continuar em branco! Foi engraçado ver a galera passando e IMPLORANDO, quase ajoelhando, literalmente, para que o oficial da imigração carimbasse o passaporte deles!!

Depois da imigração, foi a vez de termos as mochilas minimamente vasculhadas, os celulares e passaportes confiscados e seguirmos para o ônibus. Sim, eles ficam com os nossos celulares guardados numa caixa do aeroporto (os passaportes ficam com os guias) e só nos devolvem na saída. E, cara, depois que você compra um smartphone (ou espertophone), você meio que se vicia nele. Foi bem difícil para mim ficar uma semana longe do meu celular. Como você faz para poder colocar o alarme para despertar? E se você quiser ouvir música? E se quiser uma lanterna? Cara, como fiquei feliz quando consegui o meu de volta.

Pior que na hora de eles começarem a vasculhar a minha mochila eu passei um gelo danado.
Eu tinha duas revistas Piauí na minha mochila e uma delas tinha uma charge de um cara vasculhando uma cabeça oca (meio que questionando uma sociedade sem liberdade de expressão como a da Coréia do Norte o que poderia me fazer ser confundido com um ativista ou jornalista), parecida com a acima e outra como a abaixo sobre a recessão espanhola, fazendo referência ao culto ao consumo, mas trajando as pessoas como na Coréia do Norte. O cara folheou, folheou, viu as charges, mas graças a Deus não me perguntou nada. Caraca, que gelo na espinha…

Engraçado que não pode celular e câmera com GPS, mas Ipad eles não encanam. Tudo bem que o Ipad tem 3g, GPS e o que for… Porque eles não retém o Ipad? Vai saber… Só para vocês terem uma ideia de como é a neura deles com celular, outro dia estávamos conversando sobre a falta que o celular estava fazendo para gente. Rapaz, um dos guias tava no ônibus, envolto em seus pensamentos, viajando, olhando pro lado, mas foi só ele escutar a palavra “celular” que o bicho deu uma popa, olhou pra trás e começou a prestar atenção no que conversávamos. Outra coisa que ocorreu foi com um amigo nosso. Ele tinha um daqueles celulares furrecas, chulé, saca? Sabe aquele que você compra pra ir pra show pra se perder não ter problema? Pois é, ele tinha um desses e esqueceu na mochila. Na ida, passou na máquina de raio-x, ele não lembrava que estava lá e o cara da máquina não viu. Trocando em miúdos? Ele ficou uma semana com um celular na mochila na Coréia do Norte. Rapaz, na volta isso deu um moído grande… Quando ele estava passando a máquina de raio-x deu um barulhinho. Aí foi oficial daqui, oficial dali, e cada hora aparecia um oficial com um chapéu maior e mais broche pendurado na roupa, ou seja, mais graduado. A gente já estava imaginando que ele ia era ser fuzilado. Depois de um tempo que ele foi entender que aquela confusão toda era para saber como ele havia conseguido passar com o celular e ficado essa semana com o celular na mochila. Ele explicou que havia esquecido. Os caras perguntaram que horas ele havia entrado, que dia e se a máquina era a 1, a 2, a 3 o a 4. Ele falou qual era e os caras foram lá na planilha de operadores de raio-x para saber QUEM HAVIA DEIXADO ELE ENTRAR com o celular. Eita porra, eu não queria ser esse pobre coitado operador de raio-x. Nessa exata hora deve estar em uma prisão de trabalhos forçados levantando pedras…

Nossos passaportes ficam com os guias e só nos são devolvidos no ultimo dia! O meu, inclusive, veio com dois carimbos a mais depois do dia que passei pela imigração. O primeiro com a data que eu havia chegado, normal em todos os países, e mais duas datas diferentes. As datas a mais foram de visitas de oficiais coreanos que foram no hotel apenas para conferir se estava “tudo certo!”.
Mochila extraviada e mercado com muita confusão

Como não havia o que fazer, fui reclamar no guichê da empresa no aeroporto da China e, lógico, não havia ninguém que falasse um inglês decente para poder me explicar o que estava acontecendo. Papo de cá, mimica de lá, acabamos que nos entendemos e eles ficaram de me entregar a minha mochila no próximo dia pela manhã. Como eu havia mudado minha rota (saí direto de Washington), minha mochila tinha sido extraviada. Saí do guichê com aquela cara de “tá, eu tenho certeza que tudo vai dar certo, United Airlines! Você nunca me aprontou uma!” (NOT!!!!!) e fui para o centro de Pequim procurar o meu couch.
COUCH (HOSPEDAGEM) EM PEQUIM
Eu iria ficar num couch super irado. No lugar moravam um francês, um inglês, uma russa, uma estoniana e uma chinesa, fora os agregados que iam se jogando lá pelos sofás (quando eu cheguei, além de mim, havia um esloveno babaca). E sim, o lugar era mais bagunçado que o Campeonato Maranhense de Futebol. Assim que cheguei, Sacha, a russa, me perguntou se eu queria dormir um pouco e eu, lógico, disse que não, que era melhor ficar acordado.
Tecla PAUSE
Tecla PLAY

PRECISO DE ROUPAS!!!
Na verdade, na verdade, eu precisava mesmo era ir em um mercado, pois todos meus materiais de higiene pessoal (tirando escova de dente e desodorante) estavam na minha mochilona que só Deus sabia onde estava viajando nesse momento. Não tinha nenhuma roupa tirando a do corpo (que já estava com ela por pelo menos umas quarenta horas) e, o pior, não tinha cuecas.
Descemos para uma feira em um shopping que de cara dava para ver que era bem turístico. Por quê? Nada, só porque a atendente já começou me atendendo em espanhol (não era que lá eles falavam inglês! Ela fala espanhol!). Comprei algumas camisas no melhor estilo “fui em Beijing e lembrei de você”, uma bermuda e depois seguimos para o mais complicado: “comprar cuecas”. Porque? Ah, parceiro, se já é constrangedor você chegar em um camelô e falar “desce um par de cuecas ai”, imagina ter que chegar em um camelô e, por mímicas, querer dizer “estou procurando cuecas”. Parceiro, não teve outro jeito, tirei o cinto da calça, virei de lado, puxei de dentro da calça o “lado” da cueca que eu tava usando (tentando não deixar escapar as teias de aranha e morcegos porque já eram rodados quase 47 horas de uso da mesma cueca) e o cidadão entendeu. Mas, veja bem, eu tava fazendo isso de maneira discreta. A Sacha, amigo, não queria nem saber, já chegava botando o bicho na galera e alardeando para quem quisesse ouvir na feira “estou procurando cuecas para o maranhense ao lado aqui!!!”. E tome constrangimento!

Tentei dizer para ela que aquela cena toda era meio constrangedora, uma menina intermediando com seu parco chinês uma compra de cuecas pra mim, mas ela só ficou mais discreta mesmo quando uma vendedora disse que tinha cuecas bem baratas para o seu marido!! Sim, porque se você vê dois gringos de idade semelhante caminhando numa feira e a mulher pedindo cuecas para o homem, você na hora vai deduzir o que? Se bem que, ela devia era ter achado o máximo! Não é todo mundo que pode se dar ao luxo de ser casada com um maranhense com 1,60m de pura emoção. Compramos alguns poucos pares, pois, me havia sido prometido que no outro dia pela manhã, eu receberia minha mochila de volta. Comprei mais cuecas mesmo pq o preço tava barato e eu tava precisando de cuecas de qualquer forma. Outra parada bem engraçada é que, muita gente diz que é lenda, mas cara, aquilo sobre os asiáticos é verdade, viu? Não, eu não fui trocar de cueca com o vendedor no banheiro, mas acontece que eu tive que pegar a cueca XXXXXL para ficar um pouco apertada, mas confortável.

PORQUE TODO MUNDO TEM O SEU DIA DE GRINGO SOLTA FRANGA
No outro dia, como era de se esperar, minha mochila não chegou. Lá fui eu ter que ir comprar mais roupas (principalmente cuecas) só que dessa vez sozinho, pois a Sacha tinha que trabalhar. Após me encontrar com o pessoal da agência de turismo da Coréia do Norte em um restaurante de Pequim e pagar o meu pacote, segui para o mesmo shopping que havia ido com Sacha no dia anterior para comprar as cuecas. Só que, ferrou, tava fechado! O lugar fechava as sete. E aí, parceiro? Se lá que a galera falava pouco inglês já era difícil, imagina como seria nos outros lugares que NINGUÉM fala inglês. Vamos dar um jeito. Camisas eu ate podia pedir emprestadas para a galera do meu couch, mas cueca já é um pouco demais. Fui andando pela rua a procura de algo ou algum lugar que pudesse parecer vender cuecas e nada. Parei em frente a um sex shop e pensei “será se sex shop vende cueca?”, mas depois desisti da ideia de chegar na Coréia do Norte (cujo voo era no outro dia pela manhã) com cuecão de couro (uuhuuuooo!!) ou cuecas de super-homem, águias, elefantes (imagine como seria a tromba), Homem-Aranha, angry birds ou coisas assim. Depois de um tempo, entrei em um supermercado e qual não é a minha surpresa ao descobrir que nos fundos havia uma lojinha de roupas.
Cheguei lá e só vi calcinha para vender (não, amigão, eu não comprei calcinha. Se eu cogitei comprar? Se eu tivesse, cê acha que eu falaria?). Fiquei procurando cueca e nada de achar. Quando fui procurar um vendedor, problema! Só tinha vendedora mulher! Qual problema? Pombas, eu não poderia usar minha estratégia de virar de lado e puxar minha cueca dizendo que eu precisava de aquilo porque, bem, porque ela era mulher, cara! Vai que ela entende que eu tou assediando ela sexualmente (E ai, gatinha? Quer terminar de tirar isso aqui lá em casa?). Sei lá, ninguém falava inglês. Dai, no desespero, não deu outra, apela pra mimica. Nada dela entender. Mais desespero. Tento desenhar uma cueca no papel, nada dela entender. Mais desespero. Resolvi apelar. Comecei a apontar para a calcinha e depois para mim, batendo no peito tentando explicar “quero um desses, só que para homem!”. Na hora eu vi que a cara que ela fez foi “pronto, mais um gringo querendo comprar calcinha! Mais um que vem para Ásia para soltar a franga!” e me entregou uma calcinha!!!! Falei que não era aquilo!! Ela ficou me olhando com uma cara meio estranha e depois fez que entendeu. “Ufa”, pensei. Parceiro, a mulher não me vem lá de dentro e me traz um sutiã? Aí eu realmente tive certeza que ela achava que eu torcia pro São Paulo. Na hora eu fiquei meio sem saber o que falar (pô cara, a mulher achou que eu fui lá para comprar sutiã!!!), mas depois comecei a apontar para a minha bacia!! Ate que, enfim, uma velha que tava lá atrás do balcão entendeu e me trouxe umas cuecas XXXXXL acabando por vez com minha agonia.
United, você me apronta cada uma.
Pior que no final não adiantou de nada. Assim que eu cheguei em casa, Sacha recebe uma ligação. Pela reação dela parecia ser algo bom. Descemos e NA MINHA ULTIMA NOITE EM PEQUIM ANTES DA CORÉIA, me para uma Kombi e me desce um GORDO suado com a minha mochilinha, inteirinha, viva, sã e salva e, o melhor, com todas as minhas cuecas dentro!






A caminho da China – Coréia do Norte – a emoção já começa no aeroporto!

Minha primeira passagem aérea fazia o singelo trecho Brasília – São Paulo- Washington – Nova York – Pequim. Tranquilinho, 35 horas entre conexões e horas de voo pela United Airlines. Trinta e cinco horas não dão nem para sentir a viagem, quanto mais ficar cansado. Vida loca!
Eu já estava esperando dar algo errado no meu voo, afinal eu voava pela United Airlines. Não imaginava que seria logo na minha primeira parada: Estados Unidos. Assim que eu cheguei ao aeroporto de Washington já tenho a primeira surpresa. Meu voo de Washington para Nova York estava atrasado em mais de quatro horas e muito provavelmente eu não conseguiria chegar a tempo de pegar o voo Nova York – Pequim. Qual o problema disso tudo? Bem, deixa o tio te explicar.





Para não arrancar a goela da atendente, resolvi me sentar em um dos bancos e pensar o que eu poderia fazer. De repente tive uma ideia: “E se ao invés de voar de Washington para Nova York e depois para Pequim, eles me mandassem pra Pequim direto de daqui de Washington?”. Sim, eles tinham voos direto. Procurei um atendente que parecia mais latino (por isso, esperava eu, mais amigável) e expliquei meu drama, a minha viagem para Coréia do Norte e coisas assim. O cara foi bem mais amigável (fica a dica, sempre procurem os latinos) e ficou de ver isso pra mim. No final falou que era possível e que provavelmente me colocaria na cabine executiva como um pedido de desculpas da United. Bem, não rolou a desculpa da United e nem a cabine executiva, mas pelo menos o voo para Pequim partiria em três horas. Iria chegar uma hora mais tarde, mas, enfim, vinte vezes melhor que chegar no outro dia. Viagem para China e Coréia resolvida, era chegada a hora de tratar de um problema BEM MAIS SÉRIO.

Liguei a wireless do meu celular e fiquei uns vinte minutos caminhando pelo aeroporto para poder achar o melhor sinal, até que consegui. Mais problemas (cara, tem tanto drama aqui que esta parecendo novela mexicana…), a wireless não deixava assistir vídeos! Juro que nessa hora, parei, olhei para cima e perguntei “o que eu fiz para merecer isso?!?!?! Porque o senhor faz isso comigo? Já não basta eu ter nascido maranhense e ter que ficar a vida inteira ouvindo piada sobre ser filho do Sarney e além disso ser parecido com o Zacarias??”.
Rapaz, você sabe o que é você ter que acompanhar a final olímpica por narração escrita em tempo real? Globoesporte.com? Enfim, foi o melhor que eu consegui. Começa o jogo, um minuto do primeiro tempo, gol do México (bicho, aquele não era o meu dia mesmo!!!). E lá vou eu ficar lendo o jogo. Começa o segundo tempo, chamada do meu voo!! E agora? Vou ou não vou? Resolvi enrolar o máximo possível e ficar na fila acompanhando pela wireless do celular antes de entrar no avião. Vinte minutos do segundo tempo escuto um “ou você entra no avião agora, ou o avião vai te largar aqui!” e tive que embarcar. ONZE HORAS DE TENSAO no avião sem saber como terminou o jogo.
O final da historia vocês já sabem, chego na fila de bagagens e fiquei mendigando para as pessoas com smartphone, procurando um que tivesse 3G e tivesse a piedade de deixar eu ver o resultado. Um inglês que morava na China se predispôs a me ajudar. Pela risadinha na cara dele, eu deduzi a surpresa que o Mano Menezes havia me preparado. Fiquei tão baqueado que nem fiquei tão chateado quando descobri que minha mochila havia sido extraviada. É, Pequim realmente estava sendo emocionante!

Apenas uma divagação de um maranhense preso dentro de um hotel em Pyongyang.
Preso dentro do hotel, em uma noite entendiante, sem ter o que fazer… Um lero inicial explicando como estava ocorrendo a semana em Pyongyang. Um pouco longo, mas vale pela informações…
Viajando de Pequim para Pyongyang numa lata velha voadora
Coréia do Norte e China. Vai começar a epopéia – Um oficial da Coréia do Norte visita minha casa em Brasília
“Mas porque diabos você vai viajar para Coréia do Norte? O que diabos você vai fazer lá?” essa com certeza era a pergunta que eu mais escutava depois de “você não tem medo de morrer lá?” (como se o Brasil não fosse um dos países mais violentos do mundo). A resposta que eu sempre quis dar, e isso você poder ter certeza, era: – “Por que não? Porque diabos ir para os Estados Unidos então?”.




QUANTO CUSTOU O VISTO?
Tudo começou quando eu resolvi deixar o meu passaporte na Embaixada da Coréia do Norte antes de ir para o trabalho. Fui lá as nove em ponto e fui chegar no trabalho só por volta das nove e meia da manhã. Como cheguei depois das nove, tive que estacionar meu carro em uns dos anexos atrás da Esplanada dos Ministérios. No fim da tarde, quando terminei o trabalho e fui pegar o carro para ir buscar meu passaporte de volta na embaixada, o que encontro? Meu carro arrombado, meu estepe roubado e, SABE DEUS PORQUE, o cara levou o cabo que eu conecto o meu celular no som. Não, ele não levou o som, levou SÓ O CABO! Além de não ter estepe, eu também teria que dirigir sem escutar musica, o que eu odeio! Resultado? 450 reais para poder arrumar a fechadura.

Você pode até argumentar que a probabilidade de ser roubado em cima ou embaixo da Esplanada é a mesma, mas se NAQUELE DIA eu tivesse estacionado o carro no mesmo lugar de sempre, NAQUELE DIA, ele não seria roubado. Logo, coloquei na conta do visto. Beleza, desencanei e segui o meu dia. Paguei os 100 reais do visto e bola para frente. No outro dia fui treinar meu Krav Maga na hora do almoço e depois do treino, um amigo me passou um bizú de onde eu poderia comprar um cabo igual ao que, SABE DEUS PORQUE, o ladrão tinha me roubado. Beleza, desci a quadra que ele havia me falado e fiquei olhando pros lados procurando a loja. Bem, olhar para os lados quando se dirige para frente não é muito esperto. Sim, enfiei o meu carro na traseira de outro! Para piorar me desce do carro batido um brutamontes com uma camisa escrita “Muai Tai (boxe tailandês), Professor!”. Porque tudo o que você mais quer depois que bate na traseira de um carro, que parece novinho, é que desça uma maquina de matar pronta para lhe encher de porrada porque você é um imbecil e, sim, ainda vai merecer levar uns tabefes na orelha. 
Pronto, pensei, é agora que eu apanho mesmo. O cara, graças a Deus, SUPER calmo. Só trocou uma ideia, pegou meu telefone e no mesmo dia levou o carro dele para consertar. Prejú? 500 contos transferidos no mesmo dia. Ou seja, se NAQUELE DIA eu não tivesse ido tirar o visto, NAQUELE DIA, eu não teria tido o cabo roubado e, NO OUTRO DIA, não teria desviado o meu caminho do Krav Maga para o trabalho para procurar um cabo e batido meu carro. Consegue entender a cadeia causal, a lei de Murphy, de todo esse visto? Pois é. Mas se eu faria de novo? Ah, amigão! Nem que eu tivesse que enfiar o meu carro na traseira de um carro da policia eu teria feito tudo de novo para conseguir esse visto!
UM OFICIAL DA CORÉIA DO NORTE E MUITA CONFUSÃO


P.s: Depois que eu fui descobrir. Como fazia tempo que eu havia feito meu cadastro para o visto, o cara foi no apartamento antigo. Os meus antigos companheiros de apartamento ficaram meio em duvida se davam ou não meu novo endereço quando descobriram que um oficial norte-coreano procurava por mim, mas por via das duvidas, resolveram mandar o cara para minha casa nova. Trocando em miúdos, se você é um serial-killer ou um matador de aluguel querendo me furar de bala, pode bater no meu endereço antigo. Meus amigos serão bem prestativos em lhes enviarem para o endereço certo!!!

Panamá, parte 2 – Pergunta aí, Juanito
Cara, parece que todo táxi que você pega no Panamá gera uma história maluca. Voltando da balada não foi diferente. Como tava meio cansando ainda da viagem de Nova York e sabia que no outro dia iríamos acordar cedo pra poder ir pro Canal, falei pro Vicent que iria pegar um táxi pra ir pra casa. Ele prontamente se disponibilizou a voltar comigo, mas como não queria matar a noite dele, falei que tava tudo bem, que eu pegava um táxi sozinho e enrolava no espanhol com o taxista caso tivesse algum problema pra chegar em casa.
Anotei o endereço e telefone dele e perguntei se havia um bom ponto de referência próximo ao edifício dele. Nada, só havia uma UNIVERSIDADE colada onde ele morava. Uma UNIVERSIDADE com MILHARES de alunos, logo, na pior das hipóteses, era só falar o nome do lugar (Universidade del Istmo, lembro até hoje. Fica a dica pro leitor pesquisar o que é Istmo na Wikipédia =P) e pedir pra me largar ali do lado. De boa na lagoa, fui pegar o táxi.
O primeiro que passou do meu lado, perguntei se ele sabia onde era meu endereço e ele falou que era de boa. Achei meio estranho, pois além do motorista havia um carona, mas tranquilo, achei que era algo como um táxi compartilhando, algo comum em alguns países. Mas não, depois vi que eles eram amigos, o que me deixou com medo de acontecer algo de errado. De fato aconteceu, não fui sequestrado, mas houve uma dor-de-cabeça semelhante. Em um sequestro pelo menos o cara sabe pra onde tá te levando, não podia dizer o mesmo do meu taxista.
Cara, eu ia pra rua 37. O taxista foi lá e entrou no bairro. Passou a rua 31, 32, 33, 34 e VLUPT, virou a esquerda. Depois ia na 31, 32, 33, 34 e virava de novo. Depois da terceira vez deu vontade de perguntar “Amigo, com licença, mas o senhor tá de sacanagem com minha cara?”, mas preferi tentar conversar com meu Portunhol e perguntar se estava tudo certo. Lógico que não, o cabra tava mais perdido que calcinha em lua-de-mel. Mas não sabia pra que lado tava indo!! Engraçado que ele perguntava pra Juanito, se ele sabia onde era o lugar e Juanito só ficava com cara de pastel, olhando pros lados. Praticamente um Dom Quixote e um Sancho Pança. E vira daqui e vira de lá e ele me perguntava se eu sabia onde era e eu só dizia que era pra ele me deixar na Universidade del Istmo e nada desse cidadão achar! Diacho, o cara era taxista e não sabia onde ficava uma UNIVERSIDADE!!! E ele parava no posto de gasolina e falava “Pergunta aí, Juanito, onde é o lugar” e Juanito ficava com aquela carinha dele de pastel característica, eu que ia lá e perguntava pro frentista onde diabos era essa universidade, explicava pro motorista e lá ia o bicho se perder de novo. E eu dava o telefone do Vicent e ele ligava pro Vicent e o Vicent explicava e ele falava que entendia e ele se perdia de novo e eu já começava a me acostumar com a ideia de dormir na rua.
E lá ia ele… Rua 31, 32, 33, 34 e VLUPT, virava a esquerda. E eu pensando comigo “Rapaz, será se não é mais fácil o cidadão seguir até a 37 e depois virar?”, mas achei que era uma pergunta tão idiota que eu nem me dei ao trabalho de perguntar. Depois de um tempo, resolvi perguntar porque ele não seguia após a rua 34 e ele me explicou que a 35 tava fechada. Daí perguntei porque ele não ia até a 34, contornava a 35 e depois seguia? Ele falou que ele tava tentando fazer isso e Juanito tava tentando explicar como fazer a volta. Eu preferiria confiar no Tiririca gerenciando o Programa Nuclear Brasil do que confiar no Juanito tentando explicar como chegar a algum lugar. Foi aí que eu assumi as rédeas e comecei a explicar o caminho e enfim cheguei em casa pra encontrar o Vicent já na sala quase dormindo querendo saber porque eu demorei tanto pra poder conseguir chegar em casa são e salvo! E tudo isso porque eu queria chegar em casa mais cedo pra poder dormir.
VISITANDO O CANAL DO PANAMÁ
No outro dia, tive sorte. O Vicent já tinha programado de ir visitar o Canal do Panamá pela manhã e eu pude pegar uma carona com os figuras. O Vicent estava bem empolgado, pois dizia que um dos principais motivos que o levava a hospedar pessoas era ter a oportunidade de poder visitar o Canal do Panamá com os guests. Dizia que adorava o lugar porque era o dia inteiro passando navios gigantescos, maquinânimos, faraônicos! Algo fantástico! Inexplicável! Neil Armstrong ficaria menos estupefato ao pisar na lua se tivesse visto o Canal do Panamá antes. Além de que, claro, o Canal do Panamá é uma das maiores obras de engenharias já realizadas pelo homem. Cara, fui super empolgado lá pra poder usufruir da experiência. Bicho! É uma experiência única ir pra lá! Confesso que estava super ansioso.



No outro dia pela manhã, pegamos o carro do chefe do Vicent (!!!!!) e seguimos para o Canal. Cara, chegamos lá… Aquelas águas, aqueles navios, aquela infra-estrutura… Pô… que droga! Cara, não tinha nada demais. Era só um canal (que mais parecia um riozinho), uns navios passando, uma pancada de gente em pé numa arquibancada que cabiam todos sentados (!!!!) e um narrador chato que não parava de falar em inglês e espanhol (sabiam que o canal tem 20 variações de peixes? 40 toneladas de areia marrom? 14 espécies de peixes? e dezenas de outras “curiosidades”) que na hora me lembrou a guia do barco em Piaçabuçu. Cara, é isso, nada demais. Achei que ao chegar lá, eles iam levar a gente por um tour, conhecer as eclusas, ver a sala de operações, algo parecido com um tour que respeite e contemple a grandiosidade da obra de engenharia correspondente, que nem um tour por Itaipu, por exemplo. Mas não, era isso, você ia lá, parava em frente a um riozinho e ficava escutando o narrador chato falar um bando de abobrinhas. Aquele negócio, já está no Panamá? Vá ver o canal! Se não, vá embora! Não vale a pena ir para o Panamá só pra ver isso…



CAMINHO DE VOLTA
Depois do passeio, seguimos para um lugar onde eu pudesse pegar um táxi para ir ao aeroporto. Paramos um táxi que tava andando por lá e segui caminho. Bem, mais uma vez, se repetiu o script, eu cansado, querendo tentar dormir até o caminho do aeroporto e o taxista não parava de falar. Esse, pra piorar, além de não parar de falar o cara parece que tinha tomado um banho dentro de uma piscina de perfume. Não, mas não era aquele perfume francês não, o cara parece que tinha tomado banho com uma garrafa daqueles perfumes que vendem em garrafa pet de dois litros. Eita diacho, mas ele ainda inventou de ir no ar-condicionado. Eu que não aguentei e falei pra ele abrir o vidro do carro senão corria o risco de eu morrer sufocado.
E lá ia o cidadão. Ele parecia até gente boa, mas não PARAVA de querer falar comigo e eu sem saber falar espanhol, tudo só piorava as coisas. E foi a viagem inteira falando de Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo e outros asseclas. Aquele aeroporto parecia que não chegava nunca.
Enfim cheguei ao aeroporto e até fiquei com pena do taxista, ele parecia que realmente tinha gostado de mim e ficou triste quando fui embora. Que bonito, fiz mais um amigo, pena que ele não tinha facebook. O ruim foi só pegar a fila pra poder fazer o check-in. O site da Copa Airlines tava dando pau e por isso não consegui fazer o check-in em casa e tive que enfrentar a fila. Cara, não sabia, mas a Copa Airlines, apesar de ser uma empresa internacional, mas parecia uma grande Webjet. Mas juro que eu tava esperando eles servirem amendoim no avião (se bem que a Webjegue hoje não serve nem água)… Ow esculhambação! Outra curiosidade, o Panamá não cobra visto ou taxa de entrada para ingressar no país. Porém, se você passou mais de 24 no Panamá, tem que pagar uma módica taxa de saída de QUARENTA DÓLARES!!! Deve ser desses quarenta dólares que eles tiram o dinheiro pra construir aqueles prédios gigantescos! É, parceiro, malandro é o cavalo-marinho que finge de peixe pra não puxar carroça. Pelo menos cheguei vivo em casa e nem fui parado na Receita =)

Panamá – O país, não o canal!
Eu realmente não imaginava que algum dia iria visitar o Panamá. Na verdade, até nutria uma certa curiosidade pelo lugar devido ao Canal do Panamá, mas nada que me levasse a viajar pra lá só pra ver isso. No final, fiquei relativamente satisfeito de poder visitar sem pagar nada, só por causa de uma escala monstruosa da Copa Airlines que tive de fazer na volta de Nova York.

Cara, vou te dizer, viagem perdida não foi. Acabou que essas 20 horas que fiquei em solo panamenho realmente foram bem intensas e bem legais. Pra começo de conversa, o que mais me impressionou quando saí do aeroporto, a caminho da casa da pessoa que iria me hospedar pelo Couchsurfing, foi o tamanho dos prédios na orla da Cidade do Panamá. Cara, eles são MUITO altos! A primeira cidade que lembrou quando cheguei por lá foi Hong Kong devido aos arranha-céus que havia desde o caminho do aeroporto até o bairro do meu brother. Não parece que você está em um país pobre da América Central, mas sim em Doha ou alguns daqueles emirados árabes podres de rico pelo petróleo. Depois fui me lembrar que o Panamá é um paraíso fiscal, por isso tanta grana passeando por lá. No meu ver, o Panamá é um país que se sustenta basicamente em rendas do Canal do Panamá (que dá MUITO dinheiro), da Copa Airlines (uma das maiores empresas aéreas das Américas, por isso o Panamá ser um hub tão importante na América Central), um porto gigantesco e falcatruas de suas benevolentes e flexíveis regras fiscais. Pode parecer que não, mas um dos grandes motivos da Suíça ser podre de rica é que durante muito tempo eles se mantiveram com dinheiro roubado de outros países.
Acaba que o Panamá é uma representação de um país que nós conhecemos bem. Aqueles bolsões de riqueza margeados por áreas gigantescas de pobreza. Toda a renda sendo gerada e revertida na capital e o resto do país tentando de alguma forma sobreviver. Cara, você fica impressionado com o tanto de carrões e camionetes que passam quase que te atropelando pela Cidade do Panamá.

Peguei o táxi e, graças a Deus, o meu taxista sabia onde ficava o endereço que eu ia. Combinamos uma bela tarifa salgada de 20 dólares e ele foi me levando pra lá. Aqui cabe outro parênteses, o Panamá não tem moeda própria. Eles utilizam o dólar americano e o país só cunha moedas de centavos, ou seja, de um dólar pra baixo, a moeda é o Balboa (não, brother, não é o Rocky Balboa, mas sim um importante navegador que explorou o Panamá). Dez centavos de Balboa valem exatamente dez centavos de dólares, o que me levou a deduzir que eles devem cunhar essas moedas por ser mais simples do que trazer centavos de dólar dos Estados Unidos. O país em si também é MUITO americanizado. Várias expressões do inglês são utilizadas no idioma local e a comida também é bem semelhante (o dia inteiro eu SÓ comi cachorro quente, que basicamente era uma salsicha gigantesca com um pão e mostarda em cima, do jeito que americano adora), isso deve ser reflexo de todo o tempo em que os Estados Unidos mandaram de fato no Panamá (inclusive a o Panamá pertencia a Colômbia e ficou independente sob patrocínio dos Estados Unidos que queriam fazer o maldito canal).

“AIRE A JANTA”
No caminho percebi que o taxista tava muito a fim de conversar. Ele não falava inglês e eu não falava espanhol. Resultado? Portunhol! Pode parecer que não, mas cara, é MUITO difícil se tentar falar espanhol quando você não tem domínio. Você entende tudo que o cara fala, mas ele não entende bulhufas do que você responde. Acabou que o caminho inteiro o cara foi só falando “Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo” e eu só sorrindo. Depois de uns dez minutos, quando aqueles edifícios majestosos começaram a aparecer, ele parou o táxi no posto e falou alguma coisa como “Vou aire janta!”. Cara, sabe quando você fica sem reação olhando com aquele cara de “eu não acredito nisso”? ou “mas que cara folgado!!”. O bicho simplesmente ia me deixar no carro enquanto ia parar no posto e… Jantar! “Claro, taxista, pode ficar a vontade, eu nem tava querendo chegar logo no meu destino mesmo…”. Fiquei lá, olhando ele descer e calibrar o pneu! Uai, primeiro ele calibra o pneu e depois ele come? Não! “Janta” em espanhol do Panamá é PNEU! Ele disse que tava indo colocar “ar no pneu” e eu entendi que ele tava indo “para a janta!”. Falsos cognatos malditos…
MEU COUCH. ONDE FIQUEI HOSPEDADO

O bicho morava DO LADO do canteiro de construções do metrô. Até aí tudo bem, né? Morava do lado do trabalho, não tinha que se deslocar muito… Só tinha um detalhe, o canteiro era 24 HORAS!! E fazia barulho, mas fazia BARULHO!! Queria entender como os vizinhos conseguiam dormir com toda aquela barulheira. De boa, era um quarto só pra mim e ele realmente era uma pessoa agradável, então, de boa, couch super da hora. Ele até me preparou um jantar quando cheguei =)
Fui hospedado por um francês super gente boa. Ele se chamava Vicent e tinha um sobrenome parecido com “Castle” (castelo em inglês), que ele acabou adotando como apelido. Ele era engenheiro e morava no Panamá porque foi contratado por uma empresa europeia pra trabalhar no primeiro metrô do país, o que o deixava bem orgulhoso por “estar prestando um serviço a sociedade” =) ! Ele recebia um bom salário pra morar lá, além de que o aluguel do apartamento era por conta da empresa. Uma preocupação a menos. Depois acabei deduzindo que o apelido dele não era Castle porque o sobrenome dele era semelhante à palavra, mas sim porque o apartamento que ele morava era GIGANTESCO, quase um castelo!! Era um desses trabalhos legais, que eles contratam engenheiros europeus recém-formados e com disponibilidade de viajar.
Ele tinha alguns amigos, todos engenheiros e franceses, claro, e aproveitamos pra sair a noite. Na noite, nada demais a acrescentar, só que foi muito parecida com as noites que saí em vários países pobres. “Primas” para todos os lados tentando vender os seus serviços para gringos velhos gordos e nojentos e uma galera super da hora bebendo cerveja bem barata. Foi legal, no final. A galera foi sentando em uma mesa, eu saí pra ir no banheiro e quando voltei vi que o Vicent falava com alguns outros amigos na mesa. Sentei no meio e comecei a conversar com todo mundo. Depois de uma hora que eu fui descobrir que “os amigos do Vicent”, na verdade era só um cara que ele tava falando e que metade da mesa que eu tava conversando não era amigo de ninguém e eu cheio de intimidade. Viva o mico gratuito!
MÁFIA
Entre os amigos do Vicent, havia um italiano que morava em Barcelona, o único não-francês e não-engenheiro. Ele era formado em Filosofia e, como todo bom morador da Espanha, tava desempregado. Tava dando uma volta pelo Panamá para, veja você, conseguir um emprego. A coisa tá realmente bem ruim na Espanha. Depois de conversar um pouco, descobri que ele era proveniente do sul da Itália.

Ele me explicou que a máfia hoje, não é mais aquela máfia dos filmes, com pessoas se executando no meio das ruas e balas por todos os lados. Isso só ocorre quando eles estão disputando diferentes territórios. Na verdade, é de interesse deles que pessoas não morram e assaltos não ocorram para que assim a polícia fique longe. A calmaria é a aliada dos seus negócios. Hoje em dia cada máfia é especialista em um nicho, algumas em tráficos de mulheres, outra em tráfico de imigrantes, outras em tráfico de drogas, outra em construção civil (comprando contratos do governo que nem aqui) e por aí vai. Mas uma coisa é certa, todas precisam lavar o seu dinheiro e é aí que mora o problema.Não sabia, mas, segundo ele, a máfia ainda é muito forte na Itália e na Europa como um todo. Aprendi bastante sobre o tema com ele =)
Os tentáculos da máfia são espalhados por vários setores diferentes. Eles pegam o dinheiro que obtém de forma ilegal e o investem em negócios lícitos por toda a Europa como supermercados, hotéis, lojas de conveniência, gerando, veja só, empregos e renda por todo o continente. Dessa forma a própria economia acaba por ficar dependente da máfia. Em regiões como a dele, a maioria dos negócios são pertencentes a máfia e com isso ou você trabalha para os bichos, ou vai embora, ele foi pra Barcelona. Formado em filosofia, conseguiu de alguma forma trabalhar como gerente de uma empresa, chegando a chefiar um grupo de 50 pessoas, mas, como já falei, foi engolfado pela maré da recessão espanhola e agora estava no Panamá =)
Nova Iorque – Estados Unidos



















