Praga

Depois do Angkor Wat, Praga era o segundo lugar que eu mais tinha vontade de visitar no mundo inteiro! Imaginava como seria caminhar por aquelas ruas góticas com suas igrejas tentando tocar o céu!

Antes que comece a descrever a cidade, é necessário dizer que Praga é uma cidade de sorte. Durante a Segunda Guerra Mundial foi uma das poucas capitais européias que não sofreu bombardeios, já que, antes mesmo da Guerra começar, a Alemanha já havia se apoderado da antiga Checoslováquia sem enfrentar resistências. Por causa disso, poucas batalhas ocorreram nos arredores da cidade.

Devido a seu estado de preservação e à sua arquitetura gótica, Praga é hoje uma das cidades mais visitadas da União Européia. As diversas pontes cruzando o rio Moldava são cartões-postais conhecido no mundo inteiro e já serviram de cenários para diversos filmes como Triple X (Vin Diesel), Missão Impossível etc. Os seus bairros góticos e suas igrejas quase que tocando os céus são um cenário impossível de descrever com apenas algumas palavras de um blog. Com certeza um lugar imperdível para se conhecer.

Nunca é demais falar, mas Praga é a capital da República Tcheca também.

A República Tcheca é famosa na União Européia devido ao seu elevado consumo de cerveja índice per capita, o maior da Europa (logicamente excluindo-se os russos). A cerveja lá é incrivelmente barata e de alta qualidade, o que faz de Praga um paraíso para boêmios do mundo inteiro (apenas por um segundo, imagine a combinação: cerveja de qualidade barata, mulheres loiras e lindas por todos os lados e baladas por todos os cantos e vocês terão ideia do paraíso a que estou me referindo).

Como eu já falei aqui umas trinta vezes, eu e Gosia resolvemos ir para Praga já que lá ocorreria o encontro continental do Couchsurfing.org e não queríamos de maneira alguma perder a oportunidade de farrear até a morte nesse “Éden perdido”. Foi engraçado a maneira como conseguimos chegar a Praga, mas não foi nada engraçado o meio que foi necessário para conseguir um couch para ficarmos. Por que seria difícil? Cara, Praga é a terceira cidade que mais recebe pedidos de couch em toda a Europa!! Apenas em Londres e Paris há mais pessoas procurando por casas de couchsurfers pra ficar do que em Praga!! Aliado a isso havia o fato que precisávamos de um couch para duas pessoas (é sempre mais difícil conseguir um lugar para mais de um, haja vista que dificilmente as pessoas possuem mais do que um sofá sobrando em casa)!!! Não satisfeito? Uai, mais uma vez é bom lembrar! Iria ocorrer um encontro do Couchsurfing.org e, além das centenas de pessoas que normalmente já procuram abrigo, mais de 200 pessoas estavam previstas para ficar em Praga que já estava à beira do limite!!! Mermão, pense no inferno!!

Gosia foi sem medo e após contactar mais de cem (eu disse CEM) pessoas diferentes, ela conseguiu que uma mina nos cedesse o CHÃO da sua casa para dormirmos!! Trocando em miúdo, um pedaço de chão para estendermos nossas toalhas!! Quando eu falei que dormir em camas, tal qual ocorreu em Wroclaw, seria um luxo, eu não estava mentindo!! Beleza, tudo pra gente é festa!! Seria melhor do que cair em um albergue! Aceitamos e depois descobrimos que a mina que nos hospedaria até tinha camas sobrando, mas elas já iriam ser ocupadas por QUATRO outros couchsurfers que também estavam a caminho do encontro. Um desses couchsurfers inclusive rendeu uma história engraçada, mas vou contar depois…

Enfim, conseguimos cumprir o primeiro passo de nossa missão em direção a um dos mais movimentados e divertidos fins-de-semana da minha viagem. Espere cenas dos próximos capítulos…

A caminho de Praga

Era chegada a hora de ir para Praga, nossa meta. Na nossa única noite em Wroclaw, encontramos uma galera do Couchsurfing.org em um pub e tomamos uma cerveja. Papo vai, papo vem, descobrimos que uma das meninas que estavam lá iria no outro dia para uma cidade no caminho de Praga e poderia nos dar uma carona. Encurtou-nos o nosso caminho em uns 50 km.

Sim, é pra aquele lado que estamos indo…

Aceitamos prontamente e no outro dia nos encontramos cedo em uma praça da cidade e seguimos viagem. Quando chegamos à cidade tive uma surpresa: o local era um vilarejo minúsculo de apenas 3000 habitantes. Na hora achei isso muito louco. Como assim alguém poderia morar numa cidade com 3000 habitantes? Brother, só a UnB tem 26.000 alunos!!! Eu tenho quase a metade disso só em amigo no orkut!! Sério, isso é quase nada!!! Mas sim, ela era desse vilarejo e nos largou por lá.

Engraçado como é praticamente possível você deduzir se o país em que você se encontra possui um nível alto, médio ou baixo do índice de desenvolvimento humano apenas pela observação de suas cidades. Em países de baixo desenvolvimento humano (Índia ou o Nepal) as grandes cidades parecem com as pequenas cidades do Brasil; Prédios pequenos, ruas estreitas e com pouco asfalto, poucas casas com saneamento básico, eletricidade, internet e etc. Em países de alto desenvolvimento humano, praticamente não parece haver diferença entre cidades grandes e cidades pequenas; andar por uma rua de uma cidade pequena é quase como andar em Wall Street. Parece não haver aquele “ar de cidade pequena” que podemos sentir em cidades como Cajazeiras, Caxias ou outras cidades do interior do Nordeste. Já países de médio desenvolvimento humano, como o Brasil, se você mora em cidades grandes e possui um nível de renda não tão alto é possível possuir água encanada, internet banda larga, telefone etc. em sua casa. Não sendo tão fácil ocorrer o mesmo em cidades com menos de 5000 habitantes. Eu não sei se fica muito claro pra vocês que estão lendo, mas só presenciando para perceber o que estou falando e como isso parece ser muito claro. Eu cheguei a comentar no post acerca de Jaipur: http://claudiomar.blogspot.com/2009/03/jaipur.html

Mas enfim, chegamos à cidade da mina. Um pacato vilarejo que possuía até a sua própria atração turística: uma torre inclinada ao estilo “torre de Pisa”. Batemos uma foto, eu e Gosia e fomos para a “saída da cidade” e começamos a pedir carona. Um frio lazarento comia as nossas costas e não nos restou outra opção a não ser tremer como uma vara de bambu verde e tentar descolar nossa carona para Praga.

Torre de Pisa polonesa

Praga. Alguém, alguém?

Depois de uns dez minutos um caminhão CHEIO de galinhas parou e nos ofereceu uma carona. Um tiozão caipira como o Chico Bento, nos enfiou dentro do caminhãozinho dele e seguimos viagem em direção à República Tcheca. Gritaria generalizada de galinhas (que pareciam saber o triste desfecho reservado a elas assim que fossem desembarcadas), cheiro de merda, pena voando na nossa cara, nada baixava a nossa moral! Quem já morou no Maranhão e teve “Sarneys” como governadores sabe como é viver na adversidade.

Gosia querendo pagar de fotografia artística enquanto caminhávamos para o posto

Chegamos à fronteira, andamos mais uns 10 quilômetros e o cara nos largou na saída da vilazinha dele. Tentamos pedir carona por uns 40 minutos e NADA de passar pelo menos um carro. A cidade parecia perdida no meio do faroeste americano! Percebemos que aquilo não ia dar muito certo e então resolvemos voltar à cidade e pedir alguma informação. Pra melhor a situação ninguém falava inglês, mas Gosia conseguiu entender algo do que eles falavam (a língua polonesa é parecida com a língua tcheca) e eles nos disseram que a cidade era fora de qualquer via importante à República Tcheca. Eles nos aconselharam a andar CINCO quilômetros até um posto de gasolina que ficava em um entroncamento com uma via que seguia diretamente à Praga. Como estávamos sem escolha, resolvemos caminhar! Pode parecer pouco, mas imaginar caminhar essa distância com uma mochila de uns cinco quilos nas costas!

Se liga na mochila da mina…

Enfim, fomos indo e depois de mais ou menos uma hora chegamos ao posto. Depois de uns 30 minutos parou um cidadão lá e Gosia começou a trocar uma ideia com ele em “Poloteco” (mistura de polonês e tcheco). O cara entendeu, falou que estava indo a Praga e que poderíamos ir com ele. Entramos no carro e seguimos viagem.

Felizmente o cara não falava inglês, não puxou conversa e pudemos descansar um pouco a caminho de Praga. O cara era tão gente boa que antes de descermos ele insistiu em nos dar dez dólares para gastarmos como quiséssemos. Não quisemos pegar, mas o cara insistiu tanto que não tivemos outra opção senão a de aceitar. Hahahaha. Diga aí, essa carona rendeu. Se pegássemos um busão de Wroclaw a Praga gastaríamos vinte dólares cada um. Fomos de carona e ainda ganhamos dez dólares!!! Hehehehe… Viva a vida nas estradas…

Wroclaw



Wroclaw é a terceira maior cidade da Polônia e possui uma arquitetura e um clima singulares.

Como expliquei, fomos visitá-la porque estávamos a caminho da República Tcheca onde ocorreria o encontro do Couchsurfing.org e que estávamos doidos pra ir. Fomos hospedados por Tomasz, um polonês que estudava marketing na universidade local (Wroclaw é uma cidade com grande número de universidades).

Tomasz, nosso host em Wroclaw. Ele lembra um amigo nosso do Havaí, não?

O interessante acerca de Wroclaw é que ela detém uma história peculiar, bem ao estilo “cidade da Europa Central” com todo aquele “samba do criolo doido” que são aquelas cidades que ora pertencem a um país, ora a outro. A cidade já pertenceu aos arcaicos estados tchecos, austríacos, alemães (inclusive há grande número de pessoas provenientes da etnia germânica na cidade) e hoje, finalmente, ela faz parte da Polônia.

A cidade foi incorporada depois do impressionante “deslocamento de território” que a Polônia experimentou após a Segunda Guerra Mundial. Sim, cara, não tou brincando não! A Polônia foi MOVIDA após o fim da Segunda Guerra. Eu nunca tinha visto isso na história! Já vi países se formarem, serem extintos, se fundirem ou deixarem de existir, agora, um país se MOVER, foi a primeira vez que eu vi na vida. Pessoas mudam de casa, mas países é um pouquinho mais difícil…

Isso ocorreu porque após a guerra a Rússia anexou grande parte da região oriental da Polônia pra si e a Polônia, como não é besta, anexou parte da região oriental da Alemanha se “deslocando” alguns quilômetros pra direita assim como pode ser visto nas figuras abaixo.

Polônia antes da guerra.

Polônia após a guerra.

Territórios perdidos e conquistados pela Polônia após a guerra só pra vocês compararem. As áreas cinzas a Polônia perdeu da Rússia e as rosas os poloneses pegaram da Alemanha.

Wroclaw entrou nessa “movimentação”. Ela fazia parte da Alemanha e inclusive foi o berço de um dos maiores heróis alemães, Manfred von Richthofen, o lendário “Barão Vermelho” (favor não confundir com a lendária brasileira “Suzane von Richthofen”, que matava também, mas que, mais pragmática, matava com barras de ferros bem mais baratas e que exigiam bem menos perícia) e também de outro famoso alemão ganhador do prêmio Nobel de Física, Max Born.

Push me… and then just touch me… so i can get my… satisfaction

Não há muito do que eu falar acerca da minha estada em Wroclaw. Chegamos eu e Gosia pela tarde, nos encontramos com Tomasz, demos uma volta pela cidade e voltamos pra casa.

Tomasz e Gosia assim que chegamos à cidade

Em casa eu apenas preparei um macarrão, tomamos umas cervejas e fomos dormir. No outro dia acordamos cedo e fomos pedir carona em direção à Praga.

O único fato que merece destaque é que em todas as viagens que fiz com Gosia, Wroclaw foi o único lugar em que conseguimos dormir em uma cama de casal. Por todos os outros lugares dormimos apenas em sofás, colchões no chão, em cima de toalhas, no carpete etc. Pra falar a verdade, foi a primeira vez em que eu dormi em uma cama propriamente dita desde a minha hospedagem na casa de Avinash na Índia.

“Where is the Polish girl”? Onde está a Polonesa?

Já tinha até me esquecido como é que era dormir que nem gente. Vou te dizer que até achei estranho. Após um mês dormindo no chão, quando você dorme em cima de uma cama a mais ou menos 30 cm de altura parece até que você tá é flutuando…


Ah, zoa não, todo mundo tem uma foto dessas, fala aí!

Após a Letônia, era chegada a hora de voltar para Polônia…

Obs: Galera, desculpem pelo texto sem acentos, mas tou postando da biblioteca aqui da UnB e o pc ta sem, nao sei por que!! Mermao, voces nao imaginam a batalha que ta sendo pra poder postar. A internet ainda e’ lenta que so tartaruga. Desculpem pelas poucas fotos, mas a situacao aqui ta brava!

Juntei meus trapos, peguei o meu busao e mais uma vez estava de volta a terras polonesas. Nao digo que voltava para casa que estava porque foi um baile danado pra poder conseguir entrar no apartamento novamente. Cheguei na Polônia por volta de nove da manha, horario que minha host ja havia saído para o trabalho. Resultado? Claudiomar o dia inteiro do lado de fora de casa com uma chuva miserável ainda pra poder ajudar.

Enfim, pelo menos estava de volta a Polonia e sem saber o que me esperava em menos de um semana…

Pe na estrada novamente…

Situacao recorrente comigo na Polonia

Uma noite depois de eu ter voltado a Varsovia, ocorreu um encontro do couchsurfing. Uma galera compareceu e foi bem da hora. Gosia estava la e quando me viu ja foi me contando as novidades. Iria ocorrer, em uma semana, o encontro continental do Couchsurfing.org em Praga, capital da Republica Tcheca. Mais de trezentas pessoas de todos os lugares do planeta ja estavam confirmadas para esse encontro e, logicamente, nao iriamos ficar de fora.

A melhor parte nao era o encontro em si, mas sim como iriamos. Ganha um doce quem pensou que a gente ia chegar la de carona. Segue o dialogo:

  • Mas Gosia, como e’ que a gente vai, algum plano?

  • Uai, ja tenho tudo planejado. Vamos eu, voce, o Toni e a namorada dele. O Toni ta querendo ir no carro dele, mas eu estou o pressionando para que possamos ir de carona! Viajar de carro e’ muito chato!

Mermao, quando eu dizia que essa mina era doida de pedra, voces nao tinham nocao, ne? Brother, nao e’ que iriamos apenas de carona, mas a mina tava PRESSIONANDO um cara que queria ir de carro a deixar o carro em casa e ir de carona com a gente!! Mas enfim, a ideia de ter um indiano com um turbante na cabeca, pedindo carona no meio de uma auto-estrada era algo que me atraia. Imagina a presepada?

O plano era dividir em duas duplas: Eu e Gosia X Toni e sua namorada…

  • Cara, voce nao e’ muito certa mesmo, ne? Po, o cara quer ir de carro e voce nao deixa? Enfim, quantos km da daqui ate Praga?

  • Uns 600 km…

  • Ah, entao e’ perto, ne?

  • Perto, ce ta louco?? Voce sabe o que sao 600 km?? 600 km ja e’ outro pais!!! Outro pais!!! Isso porque a Polonia e’ um dos maiores paises da Europa!

  • Uai, de onde eu venho e’ so outro estado. E mesmo assim quando voce cruza a fronteira dos dois, ganha como um brinde um passeio por Teresina. E’ por essas e outras que longe pra mim comeca com 1200 km, que era a distancia que dava entre a minha casa e a casa do meu avo na Paraiba… Isso porque o meu estado e’ apenas o sexto maior do Brasil…

No final acabou que o Toni desistiu de ir, ficando so eu e Gosia para enfrentarmos 600 km de estrada e, ainda por cima, pedindo carona! Combinamos certinho e menos de uma semana depois marcamos de, mais uma vez, nos encontrarmos na saida da cidade para poder seguirmos caminho, mais uma vez mais uma louca semana estava apenas por comecar. “Vida louca, vida, vida breve, ja que eu nao posso te levar, quero que voce me leve…”

O plano

Wroclaw, Polonia

Acabamos nao chegando a um consenso, eu e Gosia, se 600 km era perto ou longe, mas uma coisa foi consensual, 600 km e’ uma distancia um tanto quanto grande para poder fazer em apenas um dia de carona. Como nao estavamos desesperados pra chegar e queriamos apenas curtir a viagem, Gosia resolveu repartir a viagem em duas. Iriamos parar numa cidade no meio do caminho: Wroclaw (pronuncia-se Vrotisuavi. Bem parecido com a escrita, ne? Pois e! Demorou uma semana pra eu poder conseguir falar o nome certo, juro!), terceira maior cidade da Polonia e centro de uma das maiores universidades. Dormiriamos la na casa de um couchsurfer que ela ja havia arrumado pra poder hospedar a gente e, no dia seguinte, seguiriamos caminho para Praga. Plano perfeito, pois seguiriamos de carona, nao precisariamos sair numa jornada exaustiva, conheceriamos uns couchsurfers novos e, de quebra, eu ainda conheceria uma outra cidade polonesa, a quarta ja no repertorio!

Wroclaw, Polonia

Quatro dias depois, como combinado, mochilas nas costas, encontro na estacao de trem e pe na estrada em direcao a uma viagem que eu nao sabia quantas surpresas me aguardavam…

Comentários Comentados

1 – Anonymous comentou no post “Claudio, Claudio, acorda!”:
“Tu teve foi medo do dedão da mina”

2 – Anonymous comentou no post “Claudio, Claudio, acorda!”:
“TU ia ganhar um fio terra que ia esquecer de vez do Kanguru ingrato, kkkkkkkk………..”
R – Rapaz, eu fico o que esses caras pensam de mim. Heehehehee… O dedão da mina dava medo mesmo, hahaahaha. E, caraca, essa história desse canguru ainda não morreu?

3 – Suellen has left a new comment on your post “Claudio, Claudio, acorda!”:
E cade a nossa foto no Infarta Madalena?? Eu to esperando ehn….HAUhauhauhauhau Beijos
R – Cara, essa foi uma história que me deixou impressionado! Fui a São Paulo esse fim de semana pra resolver um problema meu com a carteira de reservista (malditos militares) e, pra não perder viagem, resolvi sair com uns amigos meus de São Paulo pra uma balada. Estava lá na balada e DO NADA uma menina enfiou o dedo na minha cara e me perguntou se eu escrevia um blog. Qual não foi a minha surpresa em ser reconhecido DENTRO DE UMA BALADA em SÃO PAULO por umas meninas do RIO DE JANEIRO!! Hehehehe… Relaxa, Suellen, posto sua foto essa semana, tou só esperando o meu amigo Gorilão me mandá-la!


4 – Maricotinha comentou no post “Pegando a balada” sobre a foto abaixo:

“Esse príncipe letão está mais para Shrek…”
R – Pra quem não tá ligado acerca do que a Maricotinha está falando, esse rapaz com cara de bravo é o marido de uma paraibana que conheci lá pela Letônia. Eu contava que ela havia conhecido o príncipe encantado dela em Natal. E olha só o comentário que a Maricotinha me deixa. Hahahaha… Esse povo é muito mal!
5 – Kamaia comentou no post “Comentário Comentados”:
“a entrevista no Jô já rolou?
todos estava numa numa campanha forte pra mandar vc pro sofá dele, mas realmente deu certo?”
R – Cara, acabou que até agora não tivemos muito resultado. O pessoal fez uma campanha forte por aí, mas acabou que todo mundo andou desempolgando dentre outros motivos pelos poucos posts que venho colocando aqui esses dias. Mas volto a reiterar, isso é só porque estou estudando pra um concurso muito difícil, galera! Depois de um mês voltamos à normalidade e a posts diários aqui.

6 – Rodrigo Cardoso comentou no post “Comentário Comentados”:
“Cara na boa, vc não vai falar do Egito? E de quem te hospedou lá?
Abraço”
R – Rapaz, Rodrigo, que pressa é essa, meu amigo?? Ainda tem MUITA história pra postar até o Egito! Só pra tu teres uma ideia, ainda tem, nessa ordem, Polônia, República Tcheca, Alemanha, Turquia, Síria, Líbano, Eslovênia, Itália, Áustria, Eslováquia e, ufa, Hungria. Vai demorar um pouquinho pra eu começar a falar sobre o Egito, hehehee.
Mas só pra sanar a sua curiosidade, quem me hospedou no Egito foi o David French, um australiano MUITO gente boa. Pode sentar que com esse cara rolou história, meu amigo!
P.s: Renato, guardei suas perguntas viu? Pode ficar tranquilo que vou respondê-las posteriormente…

Pegando a balada

Depois da troca de culturas do post passado, era chegada a hora de sairmos à noite para uma troca de culturas, digamos, mais interessante. Quem sabe até movida a cachaça, depravações e nudez gratuita, não necessariamente nesta ordem. Era a hora de cair na esbórnia.
Saímos eu, a Iveta e a norueguesa e ficamos dando um rolê pela cidade. Assim que chegamos ao centro, Iveta nos mostrou algumas construções e ficamos procurando um lugar pra tomar uma cerveja. Ao passamos perto de uma baladinha com uma bandeira de Cuba na porta, comecei a ouvir um som um tanto quanto característico. Parecia ser uma salsa, só que bem mais rápida. Convidei as duas pra entrar e quando entramos constatei a melhor das minhas expectativas: os caras cantavam em português!!

Mermão, que felicidade! A primeira balada brasileira que eu ia desde a Polônia há menos de uma semana atrás (sacou a piada? Áh Áh?)! Entramos e os caras já foram mandando ver um “Trem das Onze” na nossa chapeleta! Mermão, foi o suficiente pra eu já começar a me empolgar!
Começamos a dançar, nós três e depois de um tempo a Iveta falou que tava cansada e que estava indo embora. Deu-nos a chave de casa e falou que podíamos voltar a hora que quiséssemos. Filéééé…
Peguei a norueguesa e comecei a mostrar a ela como se dançava forró e a mina curtiu pacas. Depois de um tempo ela reconheceu uma galera do couchsurfing.org por lá e qual não foi a minha surpresa quando dentre eles estava um dos melhores amigos de um grande amigo meu da UnB. Muita coincidência, achar um cara conhecido no meio da Letônia. Ficamos todos curtindo a valer na festa. Depois que a bandinha parou de tocar, fui falar com os caras da banda. Saber de onde eles eram e talz…
O vocalista da banda veio falar comigo e me falou que era do Rio de Janeiro. Foi trago de lá por alguém que queria que ele fizesse uma apresentação na Letônia e acabou que ele foi ficando… Nessa, ele já tava há mais de seis meses e não tinha a mínima vontade de voltar. O outro cara era estrangeiro, não lembro ao certo de onde. O terceiro, o que tocava só com as mãos era, surpresa, MARANHENSE!!!! Pombas, o cara era maranhense, brother!! Pô fiquei feliz pacas quando ele falou isso. Ele foi o primeiro maranhense que havia conhecido desde que havia começado a viajar. Pra falar a verdade ele acabou sendo o único (em Portugal eu conheci uma maranhense de Barra do Corda, mas não conta porque trocamos apenas algumas palavras…).

Os maranhenses
 
A galera em si era gente boa demais. Conheci um mineiro que era casado com uma letã (felicidade danada – ele dizia. Hehehe), uma paraibana casada com um letão (conheceram-se em Natal), dois cariocas que vieram pra jogar bola na Letônia (os caras são muito perna-de-pau, mané – eles falavam acerca dos letões) e por aí vai. Várias figurinhas que marcaram aquela minha noite pela Letônia e que infelizmente não consegui o contato de nenhum deles.

A paraibana
E o seu príncipe letão…
Depois de algumas horas resolvemos ir embora. Pegamos um táxi e já dentro do mesmo havia sugestões de onde você poderia ir caso se sentisse entediado.

O cara sem conseguir falar uma palavra em inglês tentando xavecar uma mina. Esse bicho era muito engraçado, brother…
 
Enfim, chegamos em casa eu e a Norueguesa e fomos nos preparar pra dormir. Ao entrarmos no quarto ocorreu algo que, esse sim, foi uma das noites mais engraçadas da minha vida, pode apostar que a presepada foi boa…

Comentário Comentados

1 – Luiz perguntou:

fala claudiomar. sempre li teu blog (desde a australia), mas nunca deixei recado. aproveitando que perguntaram sobre o seguro saude, gostaria de saber como fizeste com o comprovante de estada para entrar na europa, uma vez que utilizarias as maravilhas do CS?

abracos.

luiz


R – Boa Pergunta. Cara, eu não tive muitos problemas com isso na imigração não. Na verdade, na verdade, eu sempre imprimia o e-mail do cara que ia me hospedar com as indicações de como chegar na casa dele. Caso alguém na imigração me perguntasse (nunca me perguntaram) eu mostraria aquele e-mail. Acho que não teria como o oficial da imigração encrencar, pô, se o host tá te mostrando como chegar na casa dele, deve ficar bem claro que somos amigos e assim eu não precisaria explicar pro oficial da imigração o que é couchsurfing.com. Tem um post que eu cheguei a comentar isso. Se liga: http://claudiomar.blogspot.com/2009/04/saindo-da-india.html

2 – Fabiano Lima perguntou:

Estava um pouco ausente do Blog. Caracas, essa viagem não acaba meu irmão? E como foi o concurso? Já está gastando por conta?

3 – Maricotinha comentou:

Por 12 conto vc está perdoadíssimo!!! E gostei da idéia do Diego, de distribuir viagens aos leitores! Olha q eu sou leitora das antigas, hein!

R – Então, galera, o concurso ainda não rolou. A prova já está marcada. Vai ser dia 30 de agosto. Até lá, como já reiterei, peço paciência. Tá muito difícil conciliar o blog com o meu ritmo de estudos. Não vou poder escrever um post novo hoje porque daqui a dez minutos tou saindo. Pra fazer o que? Concurso! Anac! Mas esse é só pra teste! Só pra ir aquecendo! Até dia 30, o blog vai continuar nessa letargia aqui. Me doe no coração, mas tenho que deixar de mão várias coisas importantes para conseguir esse objetivo. Quando passar nesse concurso, juro que vou pra Ilha de Páscoa, heeheh. E sobre a pergunta do Fabiano. Essa viagem não termina nunca, cara! Juro que ainda não escrevi nem sobre a metade dela, hahahah. Só da Índia ainda tem mais umas duas semanas!!

4 – Anônimo comentou sobre o post passado:

É. Eu entendi o que vc quis dizer com INTENSAS trocas culturais em uma noite.


heuhehueuhehehuhe


R – Olha o bicho, rapaz!! Esses caras de mente poluída, hahahaha!

5 – Celso comentou:

hahaa

Depois dessa idéia do diego vim té comentar, não esqueça dos leitores antigos, eles tem prioridade [:P]


como anda teu amigo ‘macarrão’?? e a familia dele que foi te visitar vcs lá na austrália?


R – Como anda? Rapaz, o bichinho anda mal, coitado. Vai começar a enfrentar umas dificuldades financeiras. Passou em um concursinho besta aí. Um tal de diplomacia. Vai ser apenas diplomata. Coitado, tá mal que só o Parreira, sabe nem como vai gastar tanto dinheiro. heheeheh
Pra quem não sabe quem é Macarrão, ele é um grande amigo meu que viajou junto comigo à Austrália. Pra quem saber quem é o figura (ou o diplomata, como achar melhor), favor visitar o blog dele: http://jonasnaaustralia.blogspot.com/
Galera, vou indo!! Tenho que sair AGORA pro concurso senão perco a prova!
Abraços maranhenses

Trocando uma ideia com a host

Chegamos mais ou menos umas três da tarde em Riga. Como nossa host estava trabalhando, ficamos de nos encontrar às 18 horas na praça principal da cidade.

Comemos alguma coisa, aproveitamos pra trocar algum dinheiro e ficamos dando um rolê até o horário combinado. Quando foi às 18h, como combinado, nos encontramos e seguimos de ônibus para a casa de Iveta.

Casa da Iveta, bati foto do apartamento dela caso me perdesse 😛

Ao chegarmos à sua casa nos foi apresentado o quarto em que iríamos dormir. Tomamos um banho e depois fomos conversar com ela. Iveta era uma simpática letã na casa dos quarenta anos que trabalhava em uma empresa de alta tecnologia. Ela era um dos milhares de habitantes dos países bálticos que trabalham em empresas de ponta nórdicas que abrem fábricas no território báltico devido à proximidade com Noruega, Suécia e Finlândia, mão-de-obra qualificada disponível e salários ridiculamente mais baixos que os praticados na Escandinávia. Trocando em miúdos, Suécia e, principalmente, Finlândia investem pesadamente e mantém o crescimento da economia dos Bálticos. Ela falava um inglês muito bom, porque no passado havia sido tradutora. O que mais me marcou nela foi a intensa troca de culturas que tivemos nos poucos momentos que ficamos juntos (uma noite pra ser mais exato :P)

Iveta havia vivido o auge da cortina de ferro (pra quem não sabe o que foi a cortina de ferro, clicar aqui pra mais informações). Foi educada numa escola soviética em russo, aprendeu a língua letã apenas em casa, ainda assim em segredo, pois, segundo ela, era perigoso. Na escola, aprendeu que o capitalismo era o pior das modelos econômicos, pois as pessoas trabalhavam demais (não deixa de ser verdade :P), algumas vezes até 18 horas por dia e nunca podiam ser felizes, pois sempre trabalhavam pra enriquecer os donos das fábricas. Qualquer tipo de manifestação contra o governo era punida severamente e pessoas desapareciam constantemente. Basicamente tudo o que ela me falou está relacionado ao que sabemos do terror soviético, mas foi a primeira vez que pude conversar com alguém que realmente viveu aquilo, que presenciou e que se criou sobre uma ditadura. Foi muito interessante poder conversar com ela e ter cada pergunta pacientemente respondida.

Ela disse que foi muito engraçado quando a cortina de ferro caiu e as informações começaram a chegar à Letônia e ela pode descobrir que havia um mundo MUITO grande e diferente lá fora. No início ela até ficou com medo do capitalismo malvado que estava por chegar, mas fala que prefere mil vezes viver agora a viver em outra ditadura comunista outra vez.

Monumento à liberdade feito para comemorar a independência da Letônia à URSS

Ela me contou também que era praticamente impossível viajar para fora da União Soviética e impossível viajar para países fora da influência soviética, tais qual França ou Inglaterra. Um passaporte era uma burocracia absurda e eles vasculhavam a vida inteira da pessoa antes de conceder um para viajar para a Polônia, por exemplo. Apenas pessoas da mais alta burocracia, atletas e artistas conseguiam permissão para poder viajar para bem longe da cortina de ferro.

Ela contou que, apesar de tudo, sentia saudade de algumas coisas boas dos tempos de União Soviética. Primeiro ela fala que sente saudades principalmente das manifestações artísticas. Como naquele tempo a TV passava programas bem mais inteligentes e interessantes do que o lixo americano/europeu que chega às nossas casas todos os dias. Era um humor inteligente, ver TV naqueles tempos era realmente algo que engrandecia as pessoas e não apenas as emburrecia. Mas o mais interessante foi ela me contando como era viajar dentro da União Soviética:

– Era bem interessante viajar por dentro da federação. Não precisávamos de passaporte, vistos ou qualquer autorização especial. Bastava apenas pegar um trem e podíamos já estar em Moscou. Era como viajar dentro do mesmo país.

Exatamente isso, “era como viajar dentro do mesmo país”. Estranho, né? A gente aprendeu na escola que a União Soviética era um só país, mas para ela a Letônia sempre existiu. Foi como aquele letão/russo do post passado me falou “etnias são o eu importam”. Não importa se oficialmente a Letônia era parte da União Soviética, se alguém perguntasse de que país ela era a resposta sairia rápida: Letônia. Nunca na minha vida eu ia saber disso, na minha cabeça era todo mundo a mesma coisa! Pombas, mesma moeda, mesmo time de futebol, mesma língua oficial!! Chegávamos até a chamar os mesmos de “russos”, quando na verdade a Rússia era apenas uma das nações que faziam parte do imenso território soviético. Só pra lembrar, a “Rússia” de hoje tem como nome oficial “Federação Russa”, sendo, ainda hoje, a Rússia apenas uma das nações. Engraçado demais isso…

Por último ela me falou da incerteza de quanto tempo mais a Letônia ficará independente. Como é complicado você ser de um país pequeno incrustado entre grandes potências que traçam os seus planos, anexando ou deixando independentes os pequenos países segundo seus próprios interesses. Como apesar de toda esse falatório internacional acerca de auto-determinação dos povos, as grandes potências podem fazer o que querem e às pequenas nações só resta rezar a Deus. Como exemplo citou a Sérvia que perdeu parte do seu território (virou Kosovo) ou a Geórgia que levou um cacete dos Russos, perdeu 30% do território e tudo ficou por isso mesmo. Ela conta que até hoje sente um grande receio da Rússia.

Quanto você dá pela Geórgia? Cartaz espalhado pelas ruas de Riga, Letônia, fazendo alusão às grandes potências (Rússia e EUA), traçando o mundo à sua maneira. Foi colocada para estimular o debate acerca do tema que a Iveta falava comigo…

Lembrou-me até eu conversando com uma lituana sobre a invasão da Rússia na Geórgia:

– Cara, pode ter certeza, o próximo alvo da Rússia após a Geórgia vai ser um país báltico – ela me disse.

– Mas como assim, a Rússia não seria louca de invadir outro país – eu respondi.

– Não, hoje, mas isso é só uma questão de tempo. Primeiro a Geórgia, depois a Ucrânia e depois eles vem pra cima da gente de novo. Eles querem de volta o território perdido.

– Não, minha filha. Pode ficar despreocupada. Eu lhe dou 150% de certeza que a Rússia NUNCA faria isso.

– Por que não?

– Ora, por que não. A Lituânia hoje faz parte da União Européia e da OTAN. Um ataque a um país membro de uma dessas alianças é considerado como um ataque a toda aliança.

– Isso é o que você pensa, no primeiro momento que a Rússia atacar a gente, os europeus ou a OTAN vão falar assim “Ups, a Lituânia não é mais OTAN, podem fazer o que quiser com eles!”.

Seria cômico se não fosse trágico vê-la falando essas coisas. Imagina se uma aliança militar que é feita, dentre outros motivos, para proteger os países da aliança, ia simplesmente chutar um país membro assim. Além de ser uma grande humilhação para a aliança, ninguém iria querer fazer parte, afinal, se fizeram isso com os outros, farão com o seu país também.

Isso é só pra ilustrar o que é MEDO, cara! O pavor que a Rússia até hoje desperta no imaginário popular dos países bálticos e também dos países que um dia viveram as atrocidades de Stálin. Como as pessoas deixam até de pensar racionalmente frente a uma ameaça como essa se aproxima.

Enfim, depois de mais ou menos umas duas horas conversando com Iveta, fomos nos arrumar para pegar a balada em Riga.

Letônia

A Letônia faz parte dos países bálticos juntamente com a Lituânia e a Estônia, situando-se no meio das duas. A sua língua oficial é a Letã que guarda muita semelhança com o idioma lituano, mas é completamente diferente da língua estoniana (Esta absurdamente semelhante ao norueguês – dizia a norueguesa). Junto com o lituano, são as únicas duas línguas de raízes bálticas remanescentes na Europa. Engraçado que o nome do país em inglês é bem diferente da pronúncia que utilizamos nas línguas latinas, já que dizemos Letônia em português e Latvia em inglês. Pode parecer pouco, mas demorou um tempo pra eu descobrir que falávamos de um mesmo país quando conversava em inglês. Achava que estavam se referindo a uma outra cidade ou algo do tipo…

 

 

A sua moeda é o “Lats” que dentre outros motivos me deixou deveras impressionado com a valorização da mesma! Só pra vocês terem uma idéia do que falo, um dólar comprava apenas 50 centavos de Lats!! A moeda era mais valorizada que a libra inglesa! O que isso quer dizer, trocando em miúdos? Bem, quer dizer que a Letônia acabou sendo um dos países mais caros que visitei!! Algo parecido com a Suécia! Imagina, se um dólar compra 50 centavos, um real compra 20 centavos! E não havia nada lá que custasse menos que um Lat!! Coisa de louco!! O Jonas havia me pedido que trouxesse uma moeda de cada país pra ele. Eu sempre pegava de vários valores diferentes pra ele, mas o Lat não teve jeito, hehehe! Ficou só com uma mesmo e por que não deu pra trocar!! Moedazinha valorizada da égua, meu!

 

Yes, nós trocamos reais aqui!

 

A Letônia hoje é um país membro da OTAN e também da União Européia, mas nem sempre a vida foi fácil assim pra eles. A minha host, me explicou que a Letônia nunca havia sido independente de fato até 1991, data que o Império Soviético se esfacelou. Antes disso eles haviam saboreado um breve período de independência no período Entreguerras (1919 – 1939), mas foram logo tomados de volta pelos soviéticos, sendo obrigados a sentir o doce sabor de serem governados pela tirania de Stálin e dizimados pelos alemães nos períodos subseqüentes (os alemães mataram uma pancada de judeus na Letônia. Cinco por cento do país em números da época). Só pra vocês terem uma ideia do que estou falando, durantes cinco anos, os letões travaram uma guerra de guerrilha contra os nazistas. Em 1944, as tropas russas chegaram e impuseram uma grande derrota ao que restava do exército de Hitler. A Letônia foi tomada por uma euforia inicial, mas quando eles perceberam que as tropas de Stálin haviam chegado para ficar, os guerrilheiros letões chegaram ao cúmulo de se unir aos alemães nazistas para tentar expulsar os soviéticos. Como já sabemos o fim da história, isso não deu certo e, ambos, letões combatentes e alemães, foram dizimados.

 

O povo na Letônia é meio estranho, cara!! Eles se casam não com mulheres, mas sim com carros! Se bem que com uma Mercedes dessa eu casava fácil! Tem até nome de mulher já!

 

A economia da Letônia vinha indo bem, com uma das maiores taxas de crescimento da Europa, devido principalmente a investimentos externos diretos. Mas com a crise mundial e posterior retração do fluxo de capitais na economia internacional, a Letônia foi dos países que mais sofreram com a crise em toda Europa, com o seu PIB no primeiro trimestre de 2009 caindo TREZE por cento! A maior queda em toda zona do Euro.

 

 

São Luís? Ponte Bandeira Tribuzzi? Não, Riga mesmo 😛

 

Apesar do país se chamar Letônia, um em cada quatro habitantes são russos, falam russo e detêm passaporte russo. Mesmo que tenham nascido e crescido na Letônia, não se sentem letões e se orgulham de ser russos. A minha host havia me falado deles, mas eu fui ver o que ela realmente falava quando conheci um brother desses na Síria. O moleque tinha passaporte letoniano, mas se dizia russo e ficava realmente muito puto quando o chamávamos de letão!

– Mas você não nasceu na Letônia, cara?

– Sim!

– Então você é Letão!

– Não, eu não sou! Eu sou russo!! Não importa onde você nasceu, mas sim a etnia dos seus pais! Na Europa o que importa é o sangue que você tem!! É por isso que as pessoas ainda se matam por lá!

E realmente, a grande porcentagem de russos dentro da Letônia é motivo de cada vez mais choques com os letonianos. Para eles o passado e as atrocidades de Stálin ainda estão bem claros na memória e cada vez que uma estátua de Lênin ou uma “memória a um soldado russo morto lutando contra os nazista” é arrancada de uma praça, o pau costuma comer feio!

Noivo sendo carregado por amigos no meio da rua em Riga!

Chegando a Riga…

Entramos no carro e seguimos em direção à Riga, capital da Letônia.

Assim que o cara começou a dirigir, tentei ser simpático e puxar assunto:

– Poxa, cara, obrigado por estar levando a gente. Estávamos a algum tempo esperando por carona já e pá pá pá…

Depois de um tempo sem respostas que eu fui me tocar que os dois não falavam NADA de inglês! Os caras estavam dando carona pra gente não por que procuravam alguém pra conversar ou fazer companhia, como a maioria das caronas que peguei por aí, mas sim pelo simples e singelo prazer de ajudar mochileiros desesperados em tentar chegar a algum lugar.

Devido a isso, eu e a norueguesa aproveitamos pra descansar um pouco, já que estávamos exaustos da noite passada.

A viagem prosseguiu tranqüila, a única coisa que merece destaque foi só quando passamos pelas instalações abandonadas do antigo posto de fronteira entre a Lituânia e Letônia que hoje, devido a União Européia, não serve mais pra nada.

Assim que avistamos as placas de “Bem-vindo a Riga” não entendi o que, mas parecia que o casal tentava falar algo pra gente. Não deu pra compreender o que era, mas gesticulamos meio que dizendo “o que quer que seja, pra gente está tudo bem” e seguimos. Depois que fomos entender. Eles não iriam entrar na cidade. Fomos indo cada vez mais longe até a hora que paramos numa casa no meio de uma floresta de eucaliptos. Era a casa de campo deles!

Quando chegamos foi aquela cena típica de filme americano. Um carro entrando, um cachorro chamado Bob saindo de uma casinha amarela e uma cambada de crianças correndo pra abraçar o avô. A gente ficou meio que sem entender o que diabos tava rolando. Depois de um tempo ele falou com uma mina lá e ela veio explicar pra gente, em inglês fluente, que os avós delas não estavam com planos de irem pra Riga, mas iriam levar a gente pra lá. Ela explicou que, quando novos, os avós dela sempre viajavam de carona e devido a isso iriam quebrar esse galho pra gente, deixando a gente no centro da cidade.

Achei bem interessante e legal essa parada. A solidariedade entre duas gerações de mochileiros diferentes. O mesmo tipo de solidariedade que tenho com as pessoas quando as hospedo em minha casa.

O figura nos colocou em outro carro e começou a dirigir pra Riga. No caminho, através de gestos, ele falou que queria ligar pro hotel em que ficaríamos hospedados. Demos o telefone da Iveta e, através do seu celular, ele ligou pra ela e vimos que ele mudou de caminho. Não, o cara não estava satisfeito em apenas nos levar de Vilnius a Riga, ele ainda iria nos deixar NA PORTA DE CASA. Melhor que isso só pagando o nosso almoço.

Chegamos à casa de Iveta e o cara, não satisfeito, ainda nos ajudou a subir com algumas malas da norueguesa, hehehe.

Figura demais…

Conseguindo couch em Riga

Acabou que depois de toda aquela loucura que rolou na Lituânia, acabei esquecendo de falar pra vocês como foi que conseguimos um couch na Letônia.

Fui deixando pra última hora a missão de começar a pedir couch e quando foi dois dias antes de chegar à Riga, me toquei que estávamos sem ter onde dormir. Meio que me desesperei e saí mandando mensagem pra Deus e o mundo implorando às pessoas que alguém me concedesse um teto para poder ficar embaixo. Só pra vocês terem uma ideia, a mensagem tinha o título de “Salvem um pobre brasileiro”.

No outro dia, uma simpática letã nos ofereceu vaga em seu apartamento. Nos comunicamos e ficou tudo bem. O nome dela era Iveta e parecia ser um amor de pessoa.

Tou escrevendo isso pra vocês só pra demonstrar como o Couchsurfing.org é uma ferramenta poderosa. Dois dias antes, você pode estar sem lugar pra ficar, manda uma mensagem pedindo ajuda e momentos depois já consegue um lugar super-aprazível pra poder ficar. Deus, abençoe o couchsurfing!

É interessante como é fácil hoje ficar viajando por aí, cara! Com ferramentas como o Couchsurfing.org e solidariedade de gerações de mochileiros atrás o mundo fica pequeno demais. Chega até mesmo a caber dentro de uma mochila…