Sidi Bou Said ou Santorini? A cidade azul da Tunísia

Um dos principais points da Tunísia e, também, de toda a África é a vila de Sidi Bou Said. Uma galera vende um rim para visitar a ilha de Santorini na Grécia e eu fui descobrir que existe algo igualzinho bem ali no Norte da África, na Tunísia! Compare as fotos
Acima, Santorini, um dos principais cartões postais da Grécia. Abaixo, Sidi Bou Said na Tunísia

A vila é extremamente charmosinha e muito da hora de passar uma tarde inteira. Como já estava há um bom tempo gastando muito pouco, achei que não seria nada mal comer uma vez em um restaurante fresco. Segui o conselho do Amin e fui comer em um restaurante chamado Dar Zarrouk lá em Sidi Bou Said. Amin me alertou que ele era um dos restaurantes mais caros da Tunísia e, bem, se era em um dos pontos mais turísticos da turística Túnis, realmente não parecia que ia sair barato. Mas enfim, eu estava gastando pouco, não tinha problema esbanjar uma vez.
Foto do restaurante metido a besta
Fui lá e comecei a olhar no cárdapio do lado de fora o que tinha para comer. Os pratos variavam entre 40 e 50 reais. Realmente não é nada barato, mas nada que vá me deixar pobre, ainda mais se tratando de um dos restaurantes mais caros da Tunísia e ainda mais com a vista que ele tinha. Entrei no restaurante e percebi que os garçons começaram a me olhar meio estranho. Depois que eu fui me tocar que aquilo era um restaurante cinco estrelas e eu vestido… bem… vestido como um mochileiro. Perguntei se eu poderia receber um cardápio e o cara me falou que já tinham encerrado de servir.
Plena quatro horas da tarde.
É óbvio que ele não iria permitir eu comer lá. Bem, para mim dinheiro não tem cheiro, pagando o valor, não vejo problema em ir no lugar. Mas enfim, não me sobrou outra escolha. O universo conspira para que eu coma sempre kebab!
Da série, por que ter um pau de selfie? Pedi uma transeunte para bater uma foto para mim. Se liga na foto que ele tirou e na foto que eu queria, que está abaixo
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EPUB do livro em promoção na Amazon

Não existe nada mais ingrato do que ser escritor em um país que não lê. Porém, são coisas pequenas que trazem satisfação a todo o trabalho de continuar escrevendo =)
Obrigado, Jéssica, fiquei muito feliz em ver a sua mensagem.
Quem ainda não comprou, aproveita que ele está em promoção na Amazon, que jogou o preço do epub lá embaixo o vendendo por dois reais. Quem quiser adquirir, é só clicar no link abaixo:

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Abraços,

Perambulando por Túnis – O museu do Bardo

Para mim a principal característica, e o que mais me espantou, de Túnis foi que… que… tchan tchan tchan… Cara… Só conheci taxista HONESTO em Túnis. DÁ PARA ACREDITAR? Sim, isso mesmo que você leu. A raça MAIS FILHA DA PUTA do planeta, aquela que apedreja carro do Uber, em Túnis é honesta! Tudo bem que taxista honesto é uma contradição em termos, mas lá realmente acontecia. Tive uma experiência semelhante no Saara Ocidental (leia mais sobre a história aqui), mas foi com um taxista, não com TODOS. Além de que pegar táxi lá era ridículo de barato. Só para ter uma noção teve uma corrida que eu, literalmente, cruzei Túnis de uma ponta a outra. Vinte e cinco quilômetros e ridículos 19 reais que tive que pagar. Acabou que eu nem me dava ao trabalho de pegar ônibus, só andava de táxi, que era muito barato e… honesto.
Além disso, se eu tivesse uma chance de imaginar como seria o paraíso, eu lembro de Túnis. Por quê? Cara, por todo canto onde você anda na cidade, em toda esquina, vende KEBAB! Bicho, eu sou MUITO viciado em Kebab e por mim comeria Kebab a vida inteira! Os tunisianos queriam me levar em restaurantes e eu só queria comer Kebab!
Outra parada super da hora de Túnis era o museu do Bardo. Nele estava uma coleção IMPRESSIONANTE de mosaicos romanos, além de peças da antiga Grécia, Cartago… Cara, mas parecia coisa do outro mundo. Obras de artes impressionantes, do tamanho de paredes inteiras. É o segundo maior museu da África depois do museu egípcio (para ver o post que fiz quando fui ao Museu do Cairo, clicar aqui).
Entrada do Museu do Bardo. Dá só uma olhada na imponência

Representações das quatro estações gravadas no túmulo
Único desenho conhecido do poeta romano Virgílio
Compara o tamanho desse mosaico usando como referência a cadeira
Dá para comparar o tamanho desse mosaico usando minha chinela. É… era o que tinha na hora
Porém, o que mais me impressiounou no museu foi que, apesar da imponência, ele estava simplesmente VAZIO. Além de mim, vi só uma excursão de tiozões franceses.
Por quê? Bem, esse já foi um museu super movimentado, mas em 2015 um grupo de terroristas sequestrou frequentadores e depois os passou na bala matando mais de vinte pessoas. Hoje entrar no museu é uma verdadeira operação de guerra.
Operação de guerra para entrar no museu. Se liga nas barricadas
Mosaico em homenagem às vítimas do ataque terrorista ocorrido no museu

Existe até um mosaico homenageando os que morreram no ataque. Um ataque dessa magnitude, com esse número de mortos, em um dos principais pontos turísticos da Tunísia, feriu mortalmente a indústria turística do lugar e é um dos motivos do aviso dos sites europeus para evitar viagens a Tunísia. Uma pena, pois o museu é coisa de outro mundo.
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Histórias de quem vende livros

Peguei um ônibus do aeroporto para o centro do Rio fim de semana passada quando fui às Olimpíadas. 
Quando estava para descer em Botafogo, escuto alguém gritar “Claudiomar, Claudiomar” dentro do ônibus. Olhei e vi um cara que eu não tinha a mínima idéia de quem era. Ao ver minha cara de quem não tava entendendo nada ele me falou: “Comprei seu livro! Sou o Sandro!”
Mano, que coincidência! Fazia menos de duas semanas que eu havia enviado um livro para casa dele. Detalhe, o Sandro mora em Sergipe! Qual a probabilidade da gente se encontrar em um busão em pleno Rio de Janeiro?
Escrever às vezes é uma tarefa custosa e ingrata, mas me traz satisfações peculiares como essas! Mano, que legal!
Histórias de quem vende livros

Hospedagem na Tunísia – Viagem a Monastir

Depois de Cecília da Cidade do México (veja a história AQUI), Amin, o cara que me hospedou em Túnis, foi o segundo couchsurfer que me hospedava depois de antes eu já tê-lo hospedado em Brasília, em 2011. E, cara, vou te falar, mais uma experiência maravilhosa e um dos motivos que me fazem sempre pensar que mesmo que possa ter todo dinheiro do mundo, sempre estarei viajando pelo couchsurfer.
O Amin foi super gentil e se prontificou a ir me buscar no aeroporto. Até ai tudo bem, o problema era que eu não lembrava direito a cara dele e, pode parecer errado falar isso, mas acho os árabes da Tunísia MUITO parecidos. Sério, bicho, parece um caminhão lotado de japonês, eles são tudo iguais! Todo cara que passava eu achava que era o Amin. Até que uma hora ele veio falar comigo, me reconhecendo devido a meu casaco do Brasil.
O Amin era médico e morava em uma casa super bacana nos subúrbios de Túnis. Algo como uma Águas Claras em Brasília. Mano, foi muito da hora. Ele me levou para conhecer os amigos dele, saímos para tomar uma várias vezes e grande parte das informações que vou escrever aqui foram devido a conversas que tive com seus amigos, a maioria médicos e com inglês fluente.
Vamos falar de um medo universal
Enquanto estive lá tive a sorte de ter coincidido uma viagem que o Amin precisava fazer a uma cidade chamada Monastir. Ele me perguntou se eu não queria ir e obviamente a minha resposta foi que sim.
E o lugar era bem bonito, como é possível ver nas fotos.
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Entre cafés e cartagineses – história da Tunísia

Nós nunca ouvimos falar muito da Tunísia que parece ser um país distante e perdido lá no meio das Arábias. Porém, mal sabemos que eles têm uma história muito rica que chegamos até mesmo a aprender na escola.
Os fenícios, povo baseado no Líbano e que foram os reis do Mediterrâneo à época, fundaram devido à localização estratégica um entreposto que depois se tornou uma das cidades mais importantes do Mediterrâneo, Cartago. Os bérberes, povo que existe até hoje e o qual já escrevi sobre no post sobre o Marrocos (ler aqui o post) tomaram a cidade depois. Da mistura de fenícios, bérberes e alguns europeus, formou-se o império cartaginês. Ele chegou a ter quase metade da Península Ibérica, grande parte do Norte da África, as ilhas de Córsega, Sardenha e o Oeste da Sicília. Um império tão forte que começou a preocupar Roma.
Império cartaginês no auge
Os romanos viviam um relacionamento de amor e ódio com Cartago. Tanto que hoje quando alguém quer se referir a algum chato e pedante e que no final sempre quer dizer a mesma coisa, quando ele termina de falar você complementa “Delenda est Carthago” (Cartago deve ser destruída). Isso faz referência ao Senador Catão, o Velho, que podia estar no Senado falando de economia ou golfinhos, mas sempre no final terminava o seu discurso dizendo “Delenda est Carthago”
O desfecho não poderia ser outro e Roma saiu pro pau com Cartago dando origem as famosas Guerras Púnicas que duraram quase 120 anos. Cartago foi sendo devargarinho capitulada, primeiro perdendo suas ilhas no Mediterrâneo, depois a Península Ibérica e depois sendo destruída. Não foi uma guerra tão simples quanto imagina. Em determinado momento, um general cartaginês, Aníbal, atravessou os Pirineus e chegou as portas de Roma com seus elefantes de guerra e Roma quase conheceu o seu fim. Ele era um estrategista tão brilhante que até hoje a forma com que ele organizava e movimentava suas tropas é estudada nos manuais militares. Em resposta, os romanos lançaram um ataque direto a cidade de Cartago que obrigou Aníbal a recuar. Roma venceu a batalha e conquistou Cartago. Eles tinham tanto ódio da cidade que a reduziram a cinzas e escravizaram os seus habitantes.
Após as Guerras Púnicas o Mediterrâneo foi renomeado como Mare Nostrum (nosso mar) e Roma de fato conquistou todo o mundo conhecido pelos Ocidentais. Hoje seria um feito mais ou menos como um país tomar e unificar todo o Atlântico sobre seu poder.
Ainda existem algumas ruínas de Cartago nos subúrbios de Túnis, mas não são da Cartago original. Roma, mais uma vez devido ao posicionamento estratégico de Cartago, reconstruiu uma cidade no mesmo lugar a e renomeou como Cartago, que depois virou Túnis.
Depois da queda de Roma alguns impérios tomaram conta de Cartago, como os vândalos, até que os árabes islâmicos tomaram a cidade novamente, o que se mantém até hoje já que 99% da Tunísia é islâmica e de maioria árabe com algumas minorias bérberes e europeias. Em 1881, se tornou colônia francesa vindo a conquistar a sua independência apenas em 1956. Da colonização francesa houve a herança da língua, o francês que é falado virtualmente por todo mundo, e a urbanização de Túnis, que em sua avenida principal lembra as ruas parisienses com seus cafés
Semelhanças entre os cafés em Tunis (acima) e um café em Paris (abaixo)
Herdaram da França, também, o talento que eu mais gostava: Tortas! Rapaz, eu comia pelo menos uma dessas aí abaixo por dia!
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Tunísia!!

Sempre havia ouvido falarem bem da Tunísia, tanto pela galera que havia viajado para lá quanto depois da Primavera Árabe, quando diziam que a Tunísia era um dos países árabes mais bem organizados. Aproveitando que fui visitar um amigo na Mauritânia (ENTENDA MAIS CLICANDO AQUI) comecei a planejar dar uma passada também na Tunísia. De início fiquei um pouco cauteloso, pois, havia uma recomendação do Foreign Advice Travel de que só fossem realizadas viagens a Tunísia indispensáveis e não evitáveis.
Soldado armado com fuzil em um dos principais pontos turísticos de Túnis
Comecei a pesquisar porque e vi que havia ocorrido um atentado terrorista no principal museu da Tunísia onde morreram mais de vinte pessoas (até uma colombiana). Para piorar, um pouco antes de eu chegar a Tunísia, quase 60 pessoas foram mortas em embates entre forças do governo e islamitas radicais.
Além disso, vários tunisianos haviam viajado para se juntar ao Estado Islâmico e a Tunísia possuiria um centro de capacitação do Estado Islâmico (mais detalhes nessa reportagem daFolha). Segundo alguns relatos, quem quisesse se juntar as fileiras do Estado Islâmico poderia ir para a Tunísia para depois seguir à Turquia e assim cruzar a fronteira em direção a Síria.
Bem, pensei que Túnis, capital e cidade para onde eu iria, era uma cidade com milhões de habitantes e 20 pessoas deve ser o que se morre por dia em São Paulo. Confesso que tava até um pouco com medo, mas depois de ver o que a imprensa estrangeira tava falando do Rio antes das Olimpíadas, pensei que eles tavam até era pegando leve com a Tunísia
E, conforme eu falei em outro post, morreu gente para caramba na Bélgica e na França esses últimos tempos e ninguém saiu falando que os dois países são perigosos para se viajar.
Porem, por via das dúvidas, entrei em contato com três couchsurfers meninas (geralmente se sentem mais vulneráveis) e estrangeiras (geralmente os locais sempre tendem a falar muito bem da terra deles apesar da adversidade. Nisso nós brasileiros somos bons =P) e perguntei se a situação estava tão ruim quanto estavam narrando mesmo. Elas foram unânimes em me dizer que não era preciso se preocupar, que viajavam sozinhas pela Tunísia e nunca se sentiam sequer em perigo.

Bem, passagem comprada e lá vamos para Tunísia.

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Participação no programa de TV “Brasileiros Mundo Afora”

Há algum tempo atrás fui entrevistado por uma equipe do programa “Brasileiros Mundo Afora” para o quadro “O que vi do mundo”. Ficou bem legal e eu pude falar um pouco mais sobre a Coreia do Norte. A gente imagina que lá é super perigoso e difícil de entrar, mas no vídeo explico que foi bem mais simples do que eu pensava viajar para lá, além de que os coreanos que víamos nas ruas sempre serem super simpáticos com a gente. Foi um dos países mais bacanas por onde já viajei.
Quem quiser mais informações sobre visto para Coreia do Norte entre outras é só clicar abaixo:
http://www.omundonumamochila.com.br/search/label/Cor%C3%A9ia%20do%20Norte
Por ele explico detalhadinho vistos, custos e minhas experiências em si

Continuar lendo “Participação no programa de TV “Brasileiros Mundo Afora””

Na busca do Flamingo mauritano

Imagine se teria muito o que se fazer a noite no meio de um país onde quase não se acha bebida alcóolica para vender? Óbvio que eu e Emanuelzinho queríamos ver alguma coisa para fazer. Começamos a perguntar em alguns restaurantes se havia alguma balada, algum lugar onde pudéssemos sair a noite e nos foi sugerido ir a um lugar chamado “Flamingo”, mas que lá só abría para lá de meia noite.
Fiquei pensando. Em um país onde começa a escurecer e todo mundo se entoca em suas casas, onde não há um teatro, cinema e outros entretenimentos, onde muita gente vive sobre regras estritas da religião e não escuta nem música que não seja religiosa, quem diabos iria se dar ao trabalho de ficar esperando dar meia noite para poder ir a alguma balada? Pelo sim, pelo não, eu e Emanuelzinho decidimos ir para lá antes ao menos para checar. Confesso que a gente ficou até um pouco encabulado de sair perguntando na rua se alguém sabia onde era esse tal desse Flamingo porque, bem, considerando o contexto e o nome, era muito provável que fosse um lugar onde, digamos, as “mulheres dançavam com muito pouca roupa”… Tudo que a gente menos queria era parar em um lugar como esses e depois termos algum tipo de problema. Enfim, conseguimos chegar ao lugar.
A casa tinha muros imensos e uma porta grande. Batemos lá e veio um cara super mal encarado falar com a gente perguntando o que a gente queria por lá. Falamos que ouvimos falar que lá tinha uma balada e ele, meio que desconfiado, nos perguntou o que queríamos, já que lá só abria meia noite. Dissemos que queríamos ver o lugar porque estávamos pensando em ir mais tarde e ele falou que não era permitido entrar. Argumentamos que só queríamos olhar para ver como era e depois iríamos embora. Ele ficou olhando, pensou e falou que só um de nós poderíamos ir, desde que o outro ficasse do lado de fora. Não poderíamos entrar sem a mochila e ele me passou o detector de metal. Nessa hora eu tive certeza que o lugar era um puteiro.
Quando fui entrando, apareceu um espanhol super gente boa e simpático e começou a falar com a gente. Ele era o dono do lugar. O cara foi bem bacana, convidou a gente para entrar, mostrou o lugar e dizia que lá vendia uísque!!!!! Mano!!!! Não era nem Gin contrabandeando em garrafas de plástico, era uísque!!!!!
Voltamos para casa encucados com isso e decidimos que iríamos de qualquer jeito. Passamos antes para comer um kebab. Eu pedi um de carne e ele de frango. Rapaz, mas foi a gente chegar em casa que eu comecei a passar mal e a vomitar (um mauritano nos falou que devem ter dado carne de burro invés de carne de vaca). Eu fiquei incapacitado. Pior que outro dia eu também comi no mesmo lugar e passei mal de novo.
Acabamos que não podemos ir e conferir o que diabos era o lugar.
Porém, o que me deixou ainda mais encucado foi que eu saí pesquisando na internet se havia alguma informação sobre o lugar. Sei lá, qualquer comentário na internet já bastava. Nada. Procura daqui, procura de lá e o máximo que consegui achar foi o Facebook do espanhol que encontramos lá.
Com a foto abaixo como sua última postagem:
Rapaz… Anota o nome aí. Boate Flamingo em Nouakchott. Quem um dia for lá, depois me diz que tipo de bruxaria rola dentro daquele lugar. Obviamente, não precisa nem mostrar as fotos.
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Vida em Nouakchott – Capital da Mauritânia – Curiosidades sobre a Mauritânia

Os mauritanos são apaixonados por futebol. Rolou a final da Champion´s League entre Atlético de Madrid e Real Madrid e, cara, parecia final de Copa do Mundo! Simplesmente não havia lugares onde ver o jogo nos cafés (lá eles não tem bar) e tinha gente, literalmente, do lado de fora.
A gente acabou tendo que improvisar.
 Assim como no Nordeste tem uns traidores que torcem para times cariocas ou paulistas (além de um time do estado), todo mauritano tem um time local e um time europeu, geralmente espanhol, geralmente Real Madrid ou Barcelona. Quando o Real Madrid foi campeão, os bichos comemoraram demais.
Teve galera passando de carro no meio da rua buzinando e comemorando e tudo. Como falei, parecia final de Copa do Mundo.
Outra coisa estranha é que ser gay dá pena de morte, mas os homens lá andam de mãos dadas, se cumprimentam se beijando, um senta no colo do outro e tudo mais. Às vezes o cara pode ser gay e nem saber, já que se for, ninguém vai notar.
Apesar de ser permitido as mulheres se divorciarem, esse parece ser um dos poucos direitos as quais elas têm acesso. Andam todas empacotadas e sempre com o véu na cabeça. As poucas que vi na rua sem estarem todas cobertas, só com o rosto de fora, ou eram estrangeiras ou bem negras, o que me leva a crer que eram da África Subsaariana, provavelmente Senegal. Nos restaurantes, os garçons eram sempre homens, com exceção de alguns poucos lugares onde éramos atendidos por senegalesas. Os homens usam uma indumentária própria também, chamada de boubou, que parece uma capa que cobre o corpo inteiro. É bem característico de lá e quase todo mundo usa na rua.
Galera de boubou assistindo ao jogo
Aqui um grupo de homens de boubou próximos a um lugar onde se vende detector de metais. Sim, a venda de detectores de metais lá na Mauritânia tá bombando. Acharam ouro no interior do país e a galera tá indo em peso tentar a sorte
Conversei com uma brasileira que havia conhecido um mauritano no Rio. Eles se casaram e mudaram pra Mauritânia. Perguntei se ela usava o véu para cobrir o cabelo ao sair na rua. Ela me disse que às vezes sim às vezes não, mas que gostava de usá-lo porque não precisava ter o trabalho de ficar arrumando o cabelo todo dia pela manhã, como a maioria das mulheres no Brasil fazem. Era só levantar, colocar o véu no cabelo estivesse ele arrumado ou não e sair para trabalhar.
Isso me lembrou de um livro onde eu lia uma discussão entre uma árabe e uma francesa sobre liberdade. Achei interessante quando a árabe falava que as ocidentais eram supostamente mais livres em se vestir, mas havia uma cobrança muito grande de si mesmas por sempre estarem bonitas, bem vestidas e maquiadas até para fazer as coisas mais banais quando saíam as ruas. Isso sem falar no tanto de tempo que elas perdiam fazendo isso todos os dias pela manhã. Sem falar na depilação constante. Apesar de uma aparente maior liberdade, as ocidentais também enfrentavam um certo cerceamento na sua aparência e que nesse estrito ponto as árabes eram mais livres.
Assim como no Marrocos, que também foi colônia da França, na Mauritânia também vendem aqueles doces de confeitaria francesa
Embaixada da França na Mauritânia. Ela é monstruosa, pega um quarteirão inteiro
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