Plano Infalível

Antes de entrar na estação, eu sabia que não ia ser pego, mas, por via das dúvidas, resolvi pelo menos combinar com Gosia um plano pra funcionar na mais remota hipótese de sermos pegos. Ela, claro, continuou tirando onda do medo que eu tava tendo de ser pego, mas aceitou fazer aquilo pra poder me deixar mais tranquilo. Combinamos que seria assim: caso alguém nos pegasse, bastava nós fingirmos que não estaríamos entendendo nada pra deixar o cara achar que éramos estrangeiros e também não éramos capazes de falar inglês. Beleza, o plano tava feito. Entramos na estação e ficamos procurando nosso trem.

Mas peraí, esse plano não estava lá tão bem feito! Teríamos que ter uma língua pra fingirmos que estávamos falando entre a gente, afinal, eu e Gosia conversávamos em inglês e caso fôssemos pegos, não poderíamos conversar em inglês porque existia a remota possibilidade dos fiscais do tíquete entenderem. Enfim, Gosia falava alemão, polonês e inglês. Eu falo português e inglês. Como resolver o impasse? Bem, ela me falou que sabia falar algumas palavras em espanhol que ela tinha aprendido do tempo em que morou na Espanha. Como ela não precisávamos conversar sobre “Dom Quixote de la Mancha” caso fôssemos pegos, poucas palavras em espanhol seriam necessárias para poder disfarçar que sabíamos falar entre a gente. Bastava saber falar “o que esta aconteciendo” e cantar uma música da Shakira que eu boto fé que ela passava de espanhola, até porque cara de espanhola ela tinha (tá bom, eu tou ironizando).Bem, agora o plano estava infalível, certo? IMPOSSÍVEL de sermos multados!! NUNCA me pegarão sem tíquete!! NUNCA SERÃO!! Nenhum sistema de transporte é páreo para a minha mente maligna!! Sou invencível!! Hua hua hua (risadas maquiavélicas)

“No entiendo, no entiendo”

Pegamos nosso trem e seguimos pra estação CENTRAL de Praga. A MAIOR da cidade para lá, enfim, podermos encontrar a nossa carona pra Alemanha, motivo de toda essa enrolada há vários posts atrás. Descemos do trem, nada de fiscais. De boa, era só sair da estação, encontrar o nosso carro e sair pro abraço. Beleza, andamos, andamos, andamos… Rapaz, a estação era GIGANTESCA!! Acabou que nos perdemos lá dentro e nada de conseguirmos sair. E vai daqui, e sai dali e nada da gente encontrar pra onde sair. Depois de algum tempo, vimos uma placa escrito “saída” apontando pra uma escada rolante. Subimos a escada rolante e o que encontramos lá? Um canguru? NÃO!! É UMA CILADA, BINO!!

Sim, mermão, FISCAIS DE TÍQUETE!! AAAAAAAAAAHHHHHHH!! Salvem-se quem puder!! Mulheres e maranhenses primeiro!!! AAHHHHH!! São muitos!! NUNCA ME PEGARÃO VIVO!!! AAAAAAAAAHHHH!09652-photo245.jpg

Calma, calma, ainda temos um plano, não? Caraca, bicho!! Na hora veio na minha cabeça: “Que azar da porra, maluco!! Afe maria!!”. Tentamos “dar um migué”, sair pro outro lado, mas os caras, na hora que nos viram, vieram NA FEBRE pra poder pedir o tíquete da gente. Rapaz, mas não teve jeito!! Os dois acuaram a gente no canto e começaram a falar “tíquete, tíquete”. Na hora lembrei do cara da Lituânia. Eles pareciam só saber falar aquilo. Ah, cara, hora de implementar o plano. A gente fez que não tava entendendo nada na esperança de conseguirmos nos livrar dos malas. Na hora que os figuras perceberam que não estávamos entendendo, começaram a FALAR INGLÊS com a gente. Ups, primeira parte do plano por água abaixo!! Eles falavam inglês! TENSÃO!!

Esse cartaz é interessante. Estava na casa da menina que nos hospedou em Praga. É um cartaz de propaganda do tempo da União Soviética. Repare na retratação dos alemães ocidentais como nazistas, nojentos, seres do esgoto etc. Por outro lado, os países comunistas são retratados como felizes, sendo as fronteiras algo imaginário, com os diferentes povos dos países comunistas se ajudando e cooperando. Muito engraçado

Começaram a pedir, em inglês, os nossos tíquetes. Continuamos a fingir que não estávamos entendendo e eles começaram a nos perguntar em inglês: “Como assim, vocês viajam pela Europa e não falam inglês? De onde vocês são? Que línguas vocês falam?”. Era hora de implementar a segunda parte do plano. Comecei a arranhar um portunhol com a Gosia e ela começou a responder: “No entiendo. Como puede? O que elles quierem?”. Eu também comecei a falar pra ela: “No entiendo, no entiendo, o que esta hacendo?”.

Vencemos? Claro que não, né amigo? Se tivéssemos vencido eu não teria postado aqui essa história! Ficamos um tempo conversando entre a gente em espanhol o que vinha na nossa cabeça e os caras ficaram meio confusos. Mas pensa que houve tempo ruim pra ele? Rapaz, passou uns dois minutos, um vira pra Gosia e fala:

– Espanhola? Eres Espanhola?

E virou pra mim e falou:

– Amigo, donde esta lo ticket? Tiene que pagar o ticket! Se não tiene, tienes um problema!

PEEEEEMMMMM!! Mermão, o fiscal do tíquete falava espanhol!! AAAAAAAAAHHH!! MISERÁVEL!!! O cara era trilíngue!!!!!! AH MISERÁVEL!! E não é que o cara falava espanhol não!! Ele falava espanhol, MUITO melhor que eu. Depois de uns cinco minutos, quando eu comecei a me enrolar em falar espanhol o cara foi lá e me perguntou em inglês: – Vocês vão parar de ficar de brincadeira e me dizer logo de onde vocês são ou vai ser preciso eu chamar a polícia pra poder refrescar a memória de vocês?Ah, meu amigo!! Mas ele falou a palavrinha mágica!! Falou “polícia”, eu comecei a cooperar. Ah porra, disse em inglês que era brasileiro ( – Ah, você fala inglês? – ele perguntou), que ia pagar aquela porra daquela multa e queria que tudo fosse pro inferno. Que me desse aquela multa logo porque eu já tinha me conformado em pagar. Pombas!! O fato de achar fiscais trilíngues valeu mais que o preço da multa. Comigo até que foi de boa, o pau comeu foi quando eles pediram a identidade da Gosia e viram que ela era da Polônia. Meu amigo, pense numa pôpa!! Os caras ficaram INJURIADOS quando viram que ela era polonesa. Por quê? Cara, a língua tcheca é MUITO parecida com a língua polonesa. A Gosia quando precisava pedir informação nas ruas, conversava em um “polotcheco” com a galera. Resumindo, ela conseguiria facilmente se comunicar com os fiscais se quisesse. Devido a isso, os caras começaram a descascar a mina! Falando que ela agiu de muita má fé, que se quisessem poderiam nos levar presos, que aquilo não se fazia, que a gente parecia dois moleques e pá pá pá…

Depois de algum tempo pedindo desculpas (e claro, depois de pagar a multinha de 40 dólares cada um), eles finalmente nos liberaram e fomos embora. Enfim conseguimos achar a saída da estação e nos encontrar com os asseclas que nos prometeram dar uma carona. Uma das caronas mais caras da minha vida…

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Sobre o post de ontem e feedback do concurso

Aí galera, algumas pessoas me alertaram pro fato dos links onde eu falava pra clicar no “aqui” do post passado não estarem funcionando. Foi um erro meu que já foi corrigido. Podem clicar lá que tá tudo funcionando agora 😛

Outra coisa, saiu o resultado da primeira fase do meu concurso!! Passei em 64º num total de 100 vagas!! É galera, tamo na expectativa aí, agora vem a segunda fase!!! A boa notícia é que os atrasos dos posts tem hora pra acabar. Depois do dia 18/10, dia da minha última prova, tudo voltará a ser normalizado! Desculpem, mas mais atrasos virão até lá, pois, mais uma vez reiterando, está em jogo um salário de 12.000 reais!!!

Me desejem sorte!! Se eu passar nesse concursos pode botar fé que esse blog NUNCA vai acabar, vai ser uma viagem por ano, hehehehe!!!

Abraços maranhenses

Comentários Comentados

1 – Anônimo perguntou:

Claudio

Vc acha que poderia continuar indefinidamente com a sua viagem? Digo assim, nao acredito que antes de ir a uma viagem dessa vc possa ter uma noção exata de quanto vai gastar.

Eu sei que vc pensou nisso, pensou em nao voltar!! Vc acha que era possivel, realizavel?

R – Cara, eu adoro quando essas perguntas inteligentes são feitas aqui no blog. É legal porque eu acho que atiça a curiosidade da galera e também às vezes me faz pensar sobre o curso da minha viagem.
Então, eu nunca pensei em ficar indefinidamente viajando porque esse nunca foi meu plano e, ao mesmo tempo, depois de oito meses de viagem eu comecei a cansar e não via a hora de voltar pra casa. Mas sim, é possível ficar indefinidamente viajando, cheguei até a comentar isso em um post do Nepal. Conheci dois caras que estavam nessa há algum tempo e não tinham nenhuma vontade de voltar. Como faziam isso? Rapaz, os caras paravam em um lugar, rachavam de trabalhar, juntavam uma grana e depois colocavam o pé na estrada de novo. É bem mais fácil do que a gente possa imaginar. Sério, todo canto do mundo tem gente querendo aprender inglês e geralmente paga-se relativamente bem pra quem dá aulas. Quem leu os posts da Índia deve lembrar de uma amiga minha, a Samanta. Outro dia tava passeando pelo Couchsurfing.org e, falando com ela, soube que Samanta agora está morando na Coréia do Sul. Fazendo? Dando aula de inglês, claro! Também conheci um tiozão que gastava a vida dele pedalando pelo mundo. O conheci na Malásia e ele estava indo para Inglaterra pedalando. Ele já era um caso especial, era aposentado, então não conta.

E realmente, saber quanto vai gastar é meio difícil, mas o que a maioria da galera faz é juntar uma grana, colocar tudo na poupança e ir tirando aos poucos, quando a grana começa a rarear, ou trabalha pelo caminho, ou começa a planejar a volta. Jeito de viajar você sempre arranja, cara!

2 – Tião Medonho perguntou:

Na boa, essa história de que as européias são loucas liberais, que não fodem mas não saem de cima é balela!

A verdade é que a GOSIA queria um amiguinho bicha, daqueles que comenta moda, que passeia junto no shopping e que convida para assistir show da Madonna, e ele fez a vezes de um!

Foi ou não foi!?

R – Hhaahhahaha… Sério, cara, eu sabia que com essa história de contar como foi minha viagem com uma polonesa maravilhosa ao lado, iam vir uns gaiatos pra começar a contestar a minha masculinidade. Infelizmente o fato de eu ter namorada aqui no Brasil não me deixa escrever tudo que eu queria escrever. Sobra isso aí, a galera achando que esse guaraná Jesus aqui é Fanta. Mermão, pára de ficar me zuando, por favor, eu sou macho, viu? Macho até debaixo de outro macho! Sou tão macho que se eu fosse mulher meu nome seria Chuck Norris! Tem os posts de quando eu acampei com as polonesas pra provar a minha masculinidade, se alguém quiser ler, clicar nessa ordem aqui, aqui e aqui

3 – Guilherme Aragao comentou:

Eh isso aeh claudiomar!!!!!
Boa sorte e estamos aeh torcendo por voce!!!

Galera imagina soh ….se como estudande e com grana contada o MA deu volta em meio mundo… qdo virar funcionario publico,com estabilidade de emprego, 15mil de salario mensal,3 meses de ferias,colegio dos meninos pago, aux de supermecado e passagem mensal pra SLZ de graca ele daqui a pouco vai contar suas presepadas sobre a Lua!!!
Abracao e estamos esperando o post chamado “….A minha dormida com a GOSIA… matei o porquinho…” essa ela nao escapa!!!

R – Eu acho engraçado esses caras que trabalham em Nova York. Eles acham que é só porque eles trabalham 100 horas por semana e tem sete dias de férias por ano, que ninguém mais no mundo trabalha e vive de férias. Três meses de férias, tá de sacanagem, né brother?? Eu não tenho 3 meses de férias por ano não, rapaz!! Sendo funcionário público (tou trabalhando no Ministério do Meio Ambiente) só tenho 5 semanas de férias por ano, trabalho de segunda a sexta e todo dia saio cinco horas da tarde do trabalho. Tá achando que a vida é fácil, rapaz?? Heheheh (sim, eu fui irônico! Comparado com a rotina de louco que deve ser a do Guilherme em Nova York, a minha é manha demais, ahahah)

4 – Maricotinha comentou no posto do Italiano Mala:

“Ele ainda que tentou ficar pegando mais do que a metade da cama pra ele, mas foi suficiente só umas três encoxadas minhas pra ele ir chegando pro lado.”

Saudades do canguru australiano, fala aí!

R – Rapaz, essa história do Canguru Australiano não morre não é? Hahahahaha… Pra quem não ainda não sabe a história do Canguru Australiano, vou postar a história abaixo. Ela é um comentário anônimo deixado no post “Tira Teima 2” que expressava a teoria sobre o que havia ocorrido dentro da barraca que eu e uma polaca dormimos juntos na Austrália:

“Depois que saímos de lá, enfim a noite caiu e fomos voltando em direção ao nosso camping. No caminho ainda passamos pra comprar uma pizza e comprar umas cervejas pra tomar na barraca. Mas isso é assunto pros próximos capítulos…”

Minha teoria

Após umas cerveja e já com o bucho cheio o nosso intrépido maranhense resolver tirar um cochilo para repor as energia para mais tarde traçar a delicinha de polonesa, mas então um grupo de Aborígenes australianos e um bando de canguru no cio invadem a barraca e sem dó nem piedade, num revezamento insaciável estupram o nosso representante maranhense e sua amiguinha polaca.
No dia seguintes, depois de contabilizar os prejuízos, o maranhense e a polaquinha fazem um pacto de silencio sobre o ocorrido,(Atenção: esse pacto explicaria o fato do Maranhão nunca ter contado essa história, afinal isso foi quando ele morava na Autralia:)

Anos passam, o Maranhão volta para sua terra natal e depois se lança numa nova aventura pelo mundo, e já na Polonia , novamente se encontra com sua amiga polaquina, onde depois de um cerva começa a relembrar os fatos.

Possivel dialogo:

Polaca: Fala Maranhão, blz?
Maranhão: Oi, + ou -, mas fazer o que é a vida
Polaca: que isso my brother?Pq essa deprê?
Maranhão: Ah, é aquela história da Autralia…..
Polaca: Para com isso, essa história aconteceu na Autralia, meu faz tanto tempo.
Maranhão: Pois é , foi na Australia é tão longe e aquele canguru ingrato não me escreve, não telefona, nem um telegrama ele me manda….

P.s: Na foto, o Golden Temple, da Índia

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Em direção a Munique

No dia seguinte à noite que eu quase ESTUPREI o italiano mala, eu e Gosia nos preparamos pra poder nos encontrar com os nossos amigos alemães que haviam prometido nos dar uma carona até Munique sem nos cobrar nenhum tostão por isso. Saímos de casa logo cedo e fomos para a estação de metrô onde combinamos de poder nos encontrar. Ligamos para eles e descobrimos que os mesmos iriam demorar um pouco pra poder chegar à estação de maneira que não nos restou alternativa a não ser esperá-los na estação por um momento. Como estava um frio de lascar do lado de fora e também do lado de dentro da estação, a Gosia começou a insistir que queria ir para um café pra nós podermos esperá-los lá.

Caminhamos durante meia hora nos arredores e nada de conseguirmos achar um diabo de um café pra podermos nos abrigar. Mudamos de ideia e acabamos indo ver se não havia um café dentro da estação, naqueles lojinhas que sempre ficam dentro de estações de metrô e vendem algumas bugigangas. Acabamos achando, apesar de não ser o que esperávamos.

Compramos cada um um copinho de café (eu ODEIO café, mas naquele frio eu estava topando qualquer coisa pra poder aquecer. Aceitava até a companhia de um italiano lambedor de selos ou um canguru australiano) e ficamos pensando no que poderíamos fazer na estação enquanto aguardávamos a nossa carona. Como estávamos sem fazer nada, resolvemos tentar conseguir algum dinheiro.

Também batemos algumas fotos de pessoas estranhas dentro do metrô, como essa maluca que ficava caminhando dentro da estação com o guarda-chuva aberto.

Após mais ou menos uma hora de infrutíferas tentativas de conseguir algum dinheiro (em uma hora de mendicância, tudo o que conseguimos foram algumas moedas que uma senhora nos deu, apesar do seu olhar meio desconfiado) e como não queríamos tentar ganhar a vida em Praga (apesar de saber que eu ganharia muito dinheiro vendendo meu corpinho em terras tchecas), decidimos ligar novamente para a nossa carona pra saber o que estava acontecendo. Eles pediram desculpas por toda a demora e solicitaram que fôssemos para outra estação de metrô mais perto da casa deles para assim poder ir adiantando logo a viagem.

Entramos na estação e mais uma vez eu fui comprar o meu tíquete para poder pegar o trem. Por que falo com tanta ênfase que PAGUEI pelo meu tíquete? Cara, basicamente porque eu era o cara mais zoado de todo mundo que viajava pelo fato de ser o ÚNICO que pagava pelo tíquete. Sim!! Não havia catraca nas estações de metrô da República Tcheca, para pegar o trem era só entrar na estação e, voalá, você estava dentro. Simples assim? Er, não tanto!! Claro que tudo não é tão fácil, para os espertinhos de plantão, sempre existem os fiscais que ficam checando quem tem tíquete ou não, mas é muito difícil ser pego por um.

Devido a isso, NINGUÉM da galera pagava pra poder pegar o metrô. Eu, como já tinha me dado muito mal nessa história do “não pague o tíquete, Claudiomar, ninguém faz isso” como vocês podem ver no post da Austrália, ia lá e pagava pelo tíquete sozinho, que nem um imbecil. Gosia, obviamente não pagou por nenhum.

Beleza, pegamos nosso trem em direção à estação que os caras combinaram com a gente e ficamos os esperando lá. Depois de um tempo eles nos ligaram novamente e disseram que haviam se confundido e que, se possível, fôssemos para uma TERCEIRA estação onde dessa vez, juraram, poderíamos encontrá-los. “Pô, esses caras só podem estar de sacanagem” – pensei. Tudo bem, estávamos de carona mesmo. Voltamos pra estação e fui lá comprar o TERCEIRO tíquete pra poder ir me encontrar com os papudinhos. Quando já estava na maquininha do tíquete, me preparando pra comprar o TERCEIRO tíquete para ir à estação combinada, aí sim a Gosia começou a tirar uma onda esparrado da minha cara só me chamando de mané!! – “Pô Claudio, pra que diabos você vai comprar um outro tíquete só pra umas três estações? Larga de ser mané!!! Nós já estamos andando há mais de três dias em Praga e NUNCA fomos parados por ninguém pedindo tíquete. Além disso, todos os outros também estão andando sem tíquetes e nunca foram parados. Você acha que vai ser agora que nós vamos ser multados?”.
Ela realmente me convenceu. “ – Ah cara, quer saber? Vamos sem tíquete mesmo!”. Voltamos à estação de metrô, pegamos o trem e seguimos viagem.

Bem, o fim da história fica para o próximo post. Se meus fiéis leitores já estão ligados, eu não colocaria uma história dessas se alguma coisa não tivesse ocorrido. CLARO que ocorreu algo errado. MUITO errado. Errado do tipo quase receber voz de prisão e desfrutar das hospedarias tchecas recebendo comida e refúgio do estado tcheco em alguma cela, mas isso, claro, fica pro próximo post.

Aviso aos navegantes

Opa, e aí galera, bão?
Então, eu vi que algumas pessoas estão curiosas a respeito de como foi o meu concurso.
Eu tava evitando responder até o momento, mas vou logo falar pra não parecer que deixei a galera no vácuo. Gente, ainda não saiu o resultado da primeira fase do meu concurso. Ainda estou esperando sair, mas de qualquer maneira pela minha nota acho que dá pra prever que eu passei na primeira fase e provavelmente dentro das vagas. E aí? Como fica? Bem, fica que agora é estudar mais e mais incansavelmente, cara! Infelizmente quem vai acabar sofrendo vai ser o blog. Minha vida agora tá uma loucura e o tempo livre que eu ando tendo vai ficando menor a cada dia. Ando trabalhando e estudando. Mas enfim, tou tentando fazer o possível pra não deixar as postagens atrasarem, amigos!!
Vou tentar amanhã postar a continuação das postagens de Praga.
Abraços maranhenses

Problemas culturais em Praga – Nosso amigo lambedor de selos

Obs: Pra não deixar o post só com texto corrido e assim ficar maçante, ilustrei o post com algumas fotos tiradas de Praga sem relação com o narrado.
Ao chegarmos em casa, nos deparamos com o nosso outro amigo couchsurfer que já se encontrava dormindo.
Bem, amigo couchsurfer é uma maneira de falar, afinal o cara foi, sem sombra de dúvidas, uma das pessoas que mais me marcou em toda minha viagem de volta ao mundo, depois, claro, do turco de bangkok (pra quem ainda não leu a história do Ping-Pong tailandês e o turco favor clicar aqui, aqui e, por último, aqui. Uma das melhores histórias da viagem, sem noção). Me marcou por que era gente boa? Não, mermão! Simplesmente porque o cara foi um dos couchsurfers mais, com o perdão da palavra, ESCROTOS que eu pude conhecer em toda minha vida. Cara, couchsurfers em si são pessoas bem cosmopolitas, gente boa, abertas, extrovertidas. Pessoas que você se sente bem convivendo junto. Até porque pra você aceitar hospedar ou ser hospedado por estranhos você tem que ser uma pessoa, no mínimo, mente aberta.

Couchsurfers em Praga

 

Foi por essas e outras que esse cara realmente me impressionou. Quando nos conhecemos o cara já não quis nem muito papo pro nosso lado. Falou que era da Itália, falou “oi” pra mim e pros outros couchsurfers da casa e foi pro mundinho particular dele sem falar com ninguém. Por mim, de boa, achei que o cara era autista e não ia ser por causa disso que eu iria me desentender com ele.

Fui conhecê-lo de verdade quando eu e Gosia chegamos de noite depois de uma balada. Imaginem a cena de volta de balada: Você chega conversando com a pessoa ao seu lado comentando tudo que aconteceu na noite. Comigo e Gosia não foi diferente, com o agravante que eu não costumo ser um cara lá muito silencioso. Entrei tagarelando na sala. O cara tava dormindo no sofá e na mesma hora já deu um pulo e começou a fazer “Shhiii, Shiiii” pra gente. Beleza, como tava errado resolvi falar mais baixo e comecei a conversar quase que sussurrando com a Gosia. Rapaz, pra que? O cara invocou!! Pra cada palavra que saía sussurrada da minha boca, o cara mandava um “Shhii” na minha cara. Eu já tava puto com ele devido ao fato do “senhor Shii” não ter cedido o sofá para a Gosia dormir e ter deixado a mina dormir em cima do carpete (pô, cara. Ela era uma mina. Custava nada o cara ser cavalheiro e deixar ela dormir no sofá). Mas enfim, já tinha percebido que ele era sacana e caras sacanas a gente responde com sacanagem. Não, gente, não tou falando do tipo de sacanagem que vocês estão pensando! Eu não ARRANQUEI a roupa da mina no meio da sala ou tirei o meu calção e pulei pra cima do pobre rapaz que dormia de bruços, indefeso a qualquer ataque homosexual de minha parte. A sacanagem que eu fiz foi continuar conversando com a Gosia, deve vez em um tom mais alto só pra irritá-lo cada vez mais. Pode parecer pouco, mas o cara ficou TRANSTORNADO fazendo “SHHII” sem parar!! Parecia até um pneu furado!! Fiquei até com medo de tanto ele botar ar pra fora, acabar morrendo sufocado. Enfim, o coitado só foi dormir depois que eu tive a minha vontade sádica aliviada e enfim parei de encher o saco dele. Mas digo que foi divertido, viu??

No outro dia, não dormimos em casa, dormimos na casa do Yan, mas ao chegarmos nos foi dito que as duas francesas que estavam ocupando a cama de casal iriam embora. Na hora eu pensei: – “Pô, legal, vai vagar uma cama de casal. Vai fechar certinho. Dorme eu e a Gosia na cama de casal e o italiano mala continua dormindo no sofá cama”. Na verdade o que eu pensei foi o que toda pessoa normal pensaria, não? Pois é! Você já sabe a resposta!! Na noite que chegamos em casa depois da nossa última balada, quem a gente encontra dormindo na cama de casal, estirado que nem um calango atropelado:

A) A Xuxa
B) A Chun-Li
C) O italiano.

Acho que vocês acertaram a resposta. Ah, cumpade. Nessa hora eu perdi a cabeça. Pensei em montar de pancada no cara pra ver ele se ajeitava, mas tive uma ideia melhor. Separei um calção ridiculamente pequeno, que mais parece uma cueca samba-canção, entrei no quarto vestindo só aquilo (imagina a cena sexy), e cutuquei ele:

– Ow, ow, afasta aí cara
– Slergherhaham (ele rosnou ainda dormindo)
– OW MEU, DÁ ESPAÇO
– Ãhn? O que? (Ele foi acordando)
– AAAAHHHHH!! QUE DIABO É ISSO (ele falou assim que acordou e viu meu corpinho sexy quase que só de cueca. Acho que no mínimo ele pensou… Bem, você sabe…)
– Uai, cê não deitou na cama de casal? Cê tá achando que vai dormir sozinho? Vamo, dá espaço aí que eu vou dormir com você
– Não, não!! Sai daqui!! Eu vou dormir sozinho.
– Ah, mas é folgado mesmo!! Ah, vai não, brother!! Pode dar espaço aí que eu não vou dormir no chão não! Essa cama tem lugar pra dois!!
– Não, não!! Sai daqui!!
– Mermão, eu não tou pedindo, eu tou FALANDO que eu vou dormir aí – e já pulei na cama.

Ele ainda que tentou ficar pegando mais do que a metade da cama pra ele, mas foi suficiente só umas três encoxadas minhas pra ele ir chegando pro lado. Como eu vi que não ia ser tão fácil tirar ele da cama, fingi que comecei a dormir e comecei a fingir que roncava MUITO alto!! Depois de uns dez minutos se chacoalhando de raiva mais que Lada numa pirraça, o italiano enfim deu o braço a torcer e foi dormir na sala. Gosia, claro, fingiu esse tempo todinho que tava tomando banho e quando ele pulou fora da cama, esperei uns dez minutos, coloquei minha roupa de volta e fui avisar a Gosia que tinha conseguido arrancar o mala da cama. Yes! Conseguimos mais um dia dormir em uma cama de casal. Algo que numa viagem como essa não era nada fácil, já que na noite passada eu já havia até dormido em cima da toalha no melhor estilo “couch no Vietnã”.

O Parlamento Tcheco. Reparem nas suas mais do que famosas esculturas

 

No outro dia, conversando com a host eu comecei até foi a criar pena do cara. Meio que comecei a entender como alguém podia ser tão casca-grossa como ele.

O que é brutalidade para você?

 

Gosia, eu e a grande maioria dos couchsurfers buscam em suas viagens fazer novas amizades, conhecer lugares novos, farrear e coisas assim. O que toda pessoa normal busca, correto? Pois é! O nosso amigo não! No começo achei que ele tinha ido a Praga como todo mundo pra poder comparecer ao encontro do Couchsurfing. Ledo engano. Cara, pra que o figura tava viajando? Álcool? Sexo? Arquitetura Gótica? Não, nenhuma das anteriores! O figura estava em Praga pra… COMPRAR SELOS!! Isso, comprar selos!! Há algo mais interessante a fazer em Praga do que comprar selos? Mulheres, bebida, festas? Bah, isso é coisa pra frutinhas!! Macho que é macho compra selo, rapaz!!

Não se esqueça de sempre levar as crianças à Praga

 

Depois que a minha host me contou isso, eu até comecei a entendê-lo! Enquanto nós, seres humanos normais, ao viajar utilizamos nossa língua pra degustar uma cerveja ou pra conversar (Pra não dizer o mínimo. Sim, pense até onde a sua mente poluída pode te levar e você saberá em que sentido eu quis dizer “usar a língua”), o cidadão utiliza a língua para… Lamber selos… Depois dessa qualquer um perdoaria um figura desses, não é não?

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Post de utilidade pública

Galera, eu não sei quantos de vocês lêem quando escrevo acerca dos “abordes” que ocorrem comigo vez ou outra andando pelas ruas de Brasília ou até aí pelo mundo. Esses dias, pouco tempo após eu ter chegado em Brasília, um brother, que além de tudo era maranhense, me parou no meio da rua dizendo que lia meu blog. Batemos uma foto que postei no blog há algum tempo atrás.
Eu e Fernando no bar Pôr-do-Sol

Qual não foi a minha surpresa, a caminho das salas de estudos pra onde me dirigia com o intuito de estudar pra meu concurso, quando mais uma vez me deparei com o Fernando na Biblioteca Central da UnB. Conversamos por um tempo e ele pediu que eu fizesse uma pequena homenagem a uma, digamos, “pessoa mais próxima” dele. Ele me explicou que havia conhecido meu blog através dela e por muito tempo esse foi o assunto entre os dois. Hoje eles, segundo as próprias palavras do Fernando, eles “tem algo mais”. Trocando em miúdos, o blog http://www.omundonumamochila.com agora, além de site de informação e diversão, também tem o seu quê de site romântico, quase um “yahoo encontros” ou “namorou ou amizade”.
Enfim, ele pediu pra eu postar uma mensagem dele pra ela:
‘Bebê, não importa se são amores ou amoras, se vamos pra Ribamar ou pra Chapada (com ou sem doce de leite…), se vamos ficar juntos amanhã ou só daqui a 10 anos….pouco importa…
O que importa de verdade é que o mundo é redondo e foi feito para se girar (como diriam “as meninas”)…heheheh
Ele já girou uma vez…você ainda duvida que ele pode girar de novo?
Beijo, Lora.”
Agora, a melhor parte não é nem essa, a melhor parte é que eu encontrei esse cara há UM MÊS E MEIO ATRÁS. Logo, sabe como são esses relacionamentos hoje em dia, né? Começam e acabam com uma velocidade impressionante. Espero que esteja tudo certo entre eles, pois senão uma mensagem que era pra ser fofinha vai acabar se tornando uma péssima recordação. Hehehehhe
Fernando, ficam aí meus votos de sucesso e os meus mais sinceros pedidos de desculpas por ter demorado tanto tempo pra postar. Foi mal, cara, mas essa vida de concurso deixou minha vida de pernas pro ar e eu acabei esquecendo teu e-mail.
Amanhã tem post novo, galera.
Claudiomar
P.s: Sério, eu tou me sentindo aqueles caras que ficam nas rádios de roda gigante ou festa junina: “Alow, Mariazinha!! Joãozinho manda um beijo pra você e te espera ali atrás da Igreja!!” hehehehe

Free Hugs em Praga

Cara, vou te dizer, como é legal fazer “Free Hugs”.
Pra quem não sabe “Free Hugs” significa “Abraços Grátis” em português e é um evento onde várias pessoas se reúnem para abraçar estranhos na rua. Eu já havia comentado algo parecido em um post há mmuiiitoo tempo atrás ainda quando escrevia sobre os Estados Unidos.

Entre os eventos do encontro do Couchsurfing em Praga estava previsto uma tarde de “Free Hugs” e como eu tava lá pra o que desse e viesse não vi outra alternativa que não a de seguir com Gosia para a Praça principal da cidade com meu cartaz em punho e sair pro abraço literalmente.

No caminho ainda deu pra sair batendo umas fotinhas. Essa daí eu tirei em frente ao Parlamento Tcheco. Do lado daqueles guardas que mais parecem soldadinhos de chumbo e não podem se mexer…
 
É meio que complicado descrever como é a sensação de fazer parte do Free Hugs, mas digo que é algo engraçado e ao mesmo tempo, digamos, meigo. Houve momentos divertidos como quando chegou uma pancada de ingleses, bêbados que só um gambá, que pegaram cartazes das nossas mãos e começaram a abraçar todo mundo junto com a gente.

Eu adotei uma estratégia diferente da galera. Além de gritar “Free Hugs” como todo mundo fazia, comecei a gritar “ABRAÇÇÇOOOS GRRÁÁÁÁÁTIISSS” em português e bem alto para poder encorajar brasileiros a me abraçar. Acabou dando certo e alguns grupos de brasileiros chegaram a parar pra trocar uma ideia e também se infiltraram no grupo.

Eu, Celso, uma brasileira que morava em Praga e outra cara que acompanhava o Celso, ambos, infelizmente, não lembro os nomes…
Uma galera de Brasília, MUIITOO gente boa, que parou pra nos abraçar em Praga
 
Mais ou menos uma hora e meia depois, uma MULTIDÃO começou a se amontoar ao nosso lado e começaram a olhar pra cima em direção à igreja da praça. Perguntei pros nativos o porquê daquilo e eles me falaram que algo muito da hora ia ocorrer no relógio da igreja e por isso esse povo todo tava reunido. Pô, cara, pro tanto de gente que havia amontoado REALMENTE parecia ser algo extraordinário. O que será que ia ocorrer lá? Ia pular um cara de para-quedas? O Chuck Norris ia aparecer e dar um roundhouse kick? Um duende com um pote de ouro iria sair por detrás de um arco-íris? Não, olhe com os seus próprios olhos e digam pra mim se turista não é o bicho mais idiota que existe no mundo…
Depois de mais ou menos umas quatro horas abraçando geral, subimos pra um piquenique em um morro onde seria possível ver Praga inteira e também onde vários couchsurfers já se encontravam.


Depois de um tempo conversando com a galera, saímos para um jantar e em seguida fomos para casa para mais uma vez tomar banho e descer pra balada.

Gosia e eu tomamos banho (gente, só pra reiterar, um de cada vez) e depois saímos pra balada. Pegamos um bonde e descemos direto no lugar. A balada simplesmente era FECHADA e so entravam couchsurfers. Mermão, doido demais!!! Dançamos até não poder mais e quando foi mais ou menos duas da manhã a balada começou a fechar. Como nos recusamos a sair, cortaram o som. Pensa que a galera desanimou?? NAAADAAAA!! Galera tava tão, mas TÃO empolgado que a galera começou a improvisar e cantar um “tumctztum tumctztum tumctztum” e todo mundo continuou dançando!! Mermão, mas ninguém parava!! Ficamos dançando assim, só com a gente cantando, quase uns quinze minutos até o momento em que o dono da balada implorou pros organizadores do couchsurfing e eles se sensibilizaram pedindo pra gente parar. Cara era muita, mas MUITA energia que aquela galera carregava!!! Só imagina, a galera chegou ao ponto de começar a dançar sem som!! Descemos pra uma outra balada e acabamos indo pra casa só umas cinco da manhã.

“Descanso” improvisado pras máquinas enquanto batíamos foto de todo mundo reunido
 
Na volta, precisamos esperar uns vinte minutos até o metrô abrir. Quem é leitor antigo do blog sabe que esperar o metrô abrir não é uma experiência lá tão nova pra mim, hehehehe. Quando o metrô abriu, logicamente entramos na estação e fomos pegar o nosso trem. Eu como tava indo na frente, já fui pegando a escada rolante e descendo. Rapaz, foi só eu pisar no primeiro degrau e esperar pacientemente a escada me levar pra baixo que eu comecei a escutar um grito “AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH”. Primeiramente achei que fosse um vietcongue tendo seus intestinos arrancados ou algo assim, mas posteriormente pude perceber que um dos alemães que estavam com a gente tinha uma maneira um tanto quanto, digamos, peculiar, de descer escadas rolantes.

Eu e Gosia brincando que nem dois retardados no metrô de Praga
 
O cara simplesmente PULOU no corrimão ENTRE AS ESCADAS ROLANTES e começou a deslizar como quem brincava em um escorregador!! E ainda por cima gritando, isso NO PRINCIPAL METRÔ DE PRAGA!! Na mesma hora a primeira coisa que eu pensei foi: Vou ser deportado! Felizmente nenhum guarda apareceu e pudemos seguir nosso trem com segurança para casa e não para a cadeia.

Galera reunida com o alemão sem noção no meio e de mochila