Perambulando pelo Egito – parte 2

Bem, antes de começar esse post eu gostaria de falar com vocês aqui. Não é de hoje que mais uma vez eu atrasei, e MUITO, um post. Realmente isso vem ocorrendo com uma freqüência maior do que eu gostaria e vi que tem uma galera aqui que fica insatisfeita. Bem, eu dou razão a vocês. As postagens aqui estão ficando cada dia mais raras, mas infelizmente isso deve continuar ocorrendo. Gente, a minha vida tá muito atribulada, tou viajando bastante tanto por conta do trabalho, quanto por conta própria mesmo e, infelizmente, acaba sobrando pro blog que fica cada dia com menos postagem. Antes, quando eu não trabalhava, realmente tava dando pra conciliar legal o blog com minhas outras atividades, mas o problema é que por agora tá ficando complicado. Até porque da um trabalho danado escrever um post. Se for pra escrever, quero fazer bem feito, se for pra fazer ruim prefiro nem escrever. Vou tentar ao máximo diminuir os atrasos, mas alguns ainda devem ocorrer. Conto com a compreensão de vocês.

Velha Cairo
É interessante que todos esses protestos no mundo árabe estejam ocorrendo justamente quando estou começando a escrever sobre como foi a segunda parte da minha viagem pelo Oriente Médio. Pra quem mora dentro de um buraco e não sabe do que estou falando, o mundo árabe, os vários países que possuem maioria árabe, estão enfrentando uma onda de protestos depois que o ditador da Tunísia caiu. Tudo começou quando Mohamed Bouazizi, um feirante da Tunísia, ateou fogo ao seu próprio corpo em protesto por ter seus bens confiscados por policiais. Tal ato de protesto e desespero foi o estopim para que milhões de tunisianos, cansados de viverem sobre uma ditadura fratricida durante mais de vinte anos, fossem protestar por melhores condições de vida e contra o ditador. Os protestos foram tomando proporções absurdas. Acabou que no final o ditador da Tunísia não agüentou e deixou o cargo. Os egípcios, seguindo o exemplo dos tunisianos, acharam que seria uma boa idéia fazerem o mesmo e após algumas semanas de pesados protestos na praça Tahrir, mais um ditador, Mubarak, perdeu o poder. Aí cumpade, aí foi tudo como um dominó. A bola da vez agora é a Líbia e o Bahrein, que uma hora ou outra também vão perder os seus ditadores e influenciar outros países árabes que vivem sobre uma realidade semelhante e opressora e assim a “Primavera Árabe” vai caminhando. E tudo isso por causa do desespero de um pobre feirante tunisiano. Quem quiser mais informações de como tudo está acontecendo, favor clicar no item aqui. Acho engraçado que durante a minha visita às pirâmides, tinham acabado de terminar as eleições norte-americanas e Obama tinha sido eleito com toda aquela esperança de mudança que ele carregava. Foi um momento todo interessante, onde todos nós estávamos cheios de esperança de mudança, que Obama seria melhor para o Brasil, para isso e para aquilo, parecia até que a eleição era pra presidente mundial e não dos Estados Unidos. No Egito não foi diferente. Lembro de um vendedor de bugigangas que conversava comigo na pirâmide e falava que o Obama seria muito bom pro Egito. Que com a eleição dele tudo iria mudar. Não sabia ele que estava fazendo uma das mais certeiras previsões que eu já vira na política internacional. Tudo mudou no Egito, mas não foi por causa do Obama, foi por causa deles mesmos (tá, eu sei que ficou meio “Paulo Coelho” essa passagem, mas vocês entenderam)
Crianças em Cairo

Após visitar as pirâmides, aproveitei pra poder dar uma volta pela cidade do Cairo. Como já havia falado antes, Cairo vai muito além das pirâmides. As minaretes, a “Velha Cairo”, todos são lugares fantásticos de serem visitados. A sensação que dá é que você está caminhando por ruas da Idade Média, principalmente quando visita as ruas do mercado da cidade. No meio da cidade ainda conheci um árabe que era formado em geografia e começou a me apresentar a cidade. Como eu tava com medo do bicho ser guia e depois fazer confusão pra eu pagar a ele uma grana, acabei dando um perdido e não sei até hoje se o cara era gente boa ou não! Maldita Índia que me deixou extremamente desconfiado com pessoas na rua.
Portao do mercado de Cairo construido no seculo VIII

O Museu do Cairo é um espetáculo, ou era, já que fica em frente a praça onde ocorreram a maioria dos protestos e foi seriamente danificado. É lá que fica a mais do que famosa máscara mortuária de Tutancâmon. O museu é GIGANTESCO e você passa horas lá dentro lendo e aprendendo sobre a sociedade egípcia de milhares de anos atrás. Uma das várias curiosidades é que os egípcios acreditavam em vida após a morte e por isso se preocupavam tanto com mumificação. Para os faraós eram elaboradas máscaras mortuárias para que assim, quando a alma fosse retornar, reconhecesse mais facilmente o corpo a que pertencia. Para ajudar na longa viagem também eram mumificados alimentos e outros víveres. Isso foi de grande valia, não porque as almas realmente voltaram, mas porque devido a essa preocupação em mumificar alimentos e separar vários objetos pessoais e colocá-los no túmulo, hoje se sabe bastante sobre como eram os hábitos e os alimentos consumidos durante o período dos faraós. Além de que, caso o arqueólogo chegasse com uma fome danada na tumba, tava ali uma costela fresquinha pra ele fazer um churrasco. Não só pessoas eram mumificadas, animais também obtiveram essa “honra”, como pode ser visto no próprio museu.

Depois da visita ao museu, segui para casa do Mr. French e comecei a planejar minha viagem para Israel. Engraçado que chegando lá ele tava hospedando duas chilenas, que não falavam inglês, e ele não falava espanhol. Sobrou pra mim atuar como tradutor.
Vai um pedaco de costela mumificada ai?

Meu busão pra fronteira com Israel era pela madrugada. Mr. French me falou de um taxista que ele conhecia que era gente boa e que poderia me levar. Ligou pro bicho e ele foi me buscar pela madrugada. Cara, acho que de todos os taxistas que eu tive que lidar, esse foi o único que eu realmente gostei. Ele era bem gente boa. Era engenheiro eletricista, tinha três filhos e pela noite trabalhava como taxista pra poder complementar a renda. Deu-me uma dor no coração conversar com aquele cara. Ele era mais uma de uma geração de egípcios que nasceram sob o regime de Mubarak e, apesar de estudarem bastante, não conseguiam uma vida digna. Ele até me perguntou o que eu fazia no Egito, se eu tava lá pra estudar ou trabalhando. Respondi que estava só viajando mesmo e ele ficou um tanto quanto assustado. “Mas você viaja por viajar?” – ele me perguntou. Cara, fiquei sem graça quando ele falou isso. O bicho lá trabalhando de manhã, de tarde e de noite pra dar comida pros filhos dele e eu só viajando. Ele e o outro formado em Geografia devem ter sido um dos muitos egípcios que tavam tacando pedra lá na praça Tahrir protestando contra Mubarak.
Peguei meu busão e segui pra fronteira com Israel.
Fala serio, todo mundo tem uma foto dessa com um Rayban!! Essa eu tirei na fronteira com Israel!
P.s: Tou no em Recife agora, durante o carnaval postando o blog. E’ complicado, isso aqui e’ um vicio!!!

Depois de Arraial, de volta ao Rio de Janeiro

Inicialmente, não estava nos meus planos gastar um dia para passear no Rio de Janeiro. Desde o começo eu queria mesmo era mergulhar em Arraial do Cabo, pegar meu avião e voltar pra Brasília. Acontece que ocorreu um grande imprevisto. Quando estava em Arraial do Cabo, todos me alertavam que eu deveria me precaver bastante pra poder conseguir chegar a tempo no aeroporto do Rio de Janeiro. Como falei, a Região dos Lagos estava lotada de gente que desceu pra lá pra poder aproveitar o feriado e por isso até peguei um engarrafamento gigantesco na ponte Rio-Niterói. O que foi me falado é que a viagem de volta, devido ao feriado prolongado, deveria ser de mais ou menos umas quatro horas. Aí comecei a fazer as contas. Bem, meu vôo é 20h42min, portanto vou tentar chegar ao aeroporto às 19h. Pra chegar ao aeroporto às 19h, tenho que chegar à rodoviária às 18h30min. Como todo mundo falou que a viagem de ida deve demorar umas quatro horas, vou tentar pegar um busão às 13h30min, uma hora a mais de precaução nunca é demais, né? “O que? Não tem ônibus 13h30min? Só tem 12h50min e 14h10min? Er.. vamos ser prudentes, me dá o busão de 12h:50m!

Comprei a passagem e que horas acabei chegando à rodoviária do Rio? Meu amigo, cheguei à rodoviária eram 3 horas da tarde EM PONTO! Que porra de quatro horas de viagem nada! Você vê como não dispor das informações certas e confiar em besteira que gente sai falando pode lhe dar muito problema! Depois que voltei pra Brasília que fui ver no Google que Arraial do Cabo fica a uns 150 quilômetros do Rio de Janeiro! Cara, se eu fosse demorar CINCO HORAS pra poder chegar de busão, ele ia ter uma velocidade média de 30 km/h! Quase uma bicicleta! Maldita prudência! Podia ter ficado mais em Arraial!
Desci pro aeroporto voado pra ver se ainda conseguia mudar minha passagem e pegar um vôo mais cedo (já que tinha um que saía às quatro e meia). Quem disse? Cheguei lá no aeroporto e o vôo tava lotado. Resultado? Eram rodados 15h30min e meu vôo só saía às 20h42min. E aí, o que fazer? Como tava com uma verdadeira biblioteca na mochila, até pensei em ficar lá lendo e esperando. Mas bicho, meu vôo era OITO E QUARENTA quase CINCO horas depois! Era tempo DEMAIS pra poder ficar esperando sem fazer nada. Decidi que ia achar alguma coisa pra poder fazer por lá mesmo. Comecei a ligar pra alguns amigos em Brasília e alguém me deu a idéia de ir visitar o Museu de Arte Contemporânea, obra do Niemeyer que fica na cidade de Niterói.


Como não tinha muitas escolhas, aluguei um armário lá no aeroporto, joguei minha mochila dentro e peguei um busão pra Niterói. Informei-me com o motorista e a cobradora e eles me falaram que a viagem iria demorar mais ou menos uma hora pra ir, outra pra voltar. Eu tinha cinco horas, duas de transporte, meu vôo era 20h42min, era bom que eu chegasse com uma hora de antecendên… Ah porra! Sem mais cálculos de prudência, se desse pra chegar a tempo, que desse, se não desse, que não desse! Eu iria pra lá, veria o que tinha de ver, quando estivesse satisfeito voltava. Simples assim.
Peguei o busão e comecei a conversar com a cobradora. Primeiro que tinha uma coisa curiosa. A passagem era uns cinco conto em horário de trabalho e uns quatro reais em horário, digamos, de farra. Fiquei pensando pra que diabos aquilo servia. De noite a segurança é precária, tem menos pessoas sendo trafegadas e, pior, estas pessoas tendem a estar bêbadas ou fazendo farra (o que só dá mais trabalho e aumenta a chance de um cobrador ou motorista ter problemas, por exemplo) ou seja, só fatores que tendem a encarecer a passagem. Então, pra que diabos a passagem da noite é mais barata que a da manhã? Faz menos calor e com isso gasta-se menos com ar-condicionado? Difícil saber… Em cidades normais a tendência seria que as pessoas que viajassem pela manhã pagassem menos das que viajasse à noite para incentivar que as pessoas utilizassem transporte público pra poder ir trabalhar. Não o contrário. Mas se bem, que, bem, se bem que é o Rio de Janeiro. A lógica lá deve ser o contrário.
Fiquei conversando com a cobradora e ela foi me explicando que o busão não passava em frente ao museu. Que eu provavelmente iria ter que pegar outro busão dentro de Niterói pra poder ir pra lá. Gasta-se mais tempo quando precisa-se pegar dois busões pra ir, dois pra voltar e por aí vai. Comecei a pensar se realmente valeria a pena eu ir pra esse museu naquele dia. Enquanto pensava no que iria fazer, passamos em frente à Candelária e do lado dela tinha um prédio, Centro Cultural Banco do Brasil, onde estava tendo uma exposição de Escher, o mestre das figuras impossíveis.


Algumas das figuras impossíveis de Escher. Tente seguir o curso da água ou ver quem está subindo e quem está descendo na foto acima.

Durante um tempão eu nutri um desejo de ir a essa exposição quanto teve aqui em Brasília. O problema é que eu fui deixando, deixando, deixando… E quando vi, no final, a exposição acabou e eu não fui. Ah rapaz, quando eu vi as figuras de Escher no topo do prédio, eu não tive dúvidas, parei o busão, desci e fui direto lá.
Cara, quando eu desci do ônibus. Meu amigo! O que era aquilo?!?! Que calor era aquele? Olha, eu sou nascido e criado no Maranhão, mas calor como esse não era algo que eu tava muito acostumado não. Rapaz, era um calor que no Maranhão a gente se refere como “calor de assar diabo”. Quente que só uma assadeira. Tava aquele calor com mormaço, saca? Quando tá prestes a chover? Eu não tinha tido tanto acesso a esse calor antes de descer do busão porque, desde o busão que eu peguei em Arraial do Cabo, passando pelo o aeroporto e o busão pra Niterói, todos tinham ar-condicionado. Rapaz, eu achei que eu ia era assar do lado de fora. Por essas e outras que não me restou outra opção que não a de entrar o mais rápido possível naquele prédio porque lá dava pra ver que tinha ar-condicionado!
Pra quem não sabe quem foi Escher, eu não vou explicar, a Wikipedia faz isso melhor, mas só posso dizer que a exposição era muito, mas MUITO legal. Realmente valeu a pena eu ter ido. Não sei se valeu mais a pena pelas peças em si ou por causa do ar-condicionado mesmo. Depois que eu terminei a volta no museu, ainda era umas cinco da tarde e eu não tava nem um pouco a fim de voltar para o aeroporto. Pensei em descer pra Copacabana pra poder ir tomar um chopp por lá, mas depois acabei descartando a idéia porque ia dar um certo trabalho ir até lá e depois voltar para o aeroporto. Resolvi visitar um dos meus locais preferidos no Rio de Janeiro, o Mosteiro de São Bento, um dos locais mais interessantes do Rio de Janeiro na minha humilde opinião. O mais legal é que no domingo costuma ter um Canto Gregoriano antes da missa, que, cara, é um show a parte! Toda a liturgia, todos os protocolos, o monge lá em cima tocando no órgão, os outros em baixo cantando em latim. Sério, toda vez que eu vou lá e assisto a essa celebração me sinto como se estivesse na Idade Média. É simplesmente SENSACIONAL! Quem não foi ainda lá, vá! Vale muito a pena assistir!
Saí do Mosteiro e resolvi seguir de volta para o aeroporto, pois já era quase seis e meia da tarde e eu realmente tava a fim de ler alguns dos livros que havia comprado. Fui andando por entre as quadras do centro do Rio de Janeiro e peguei um busão de volta, só que esse, infelizmente, sem ar-condicionado! Cara, andar naquele busão sem refrigeração, somado aos quase quinze minutos que caminhei naquela sauna a céu aberto que era o Rio de Janeiro me fizeram simplesmente pirar e desejar ao máximo alguma coisa BEM gelada pra poder beber. Fui voltando pro Aeroporto e pensando o que eu poderia fazer. Beber água de bebedouro? Fora de questão, a água era rala e ainda assim quente. Comprar uma por lá? Ia pagar uns três reais por um copinho de 200 ml. Como o aeroporto era quase que do lado ao centro do Rio, resolvi sair procurando um boteco qualquer ao menos pra poder comprar uma cerveja. Quem disse que achei um aberto? Rapaz, mas carioca até em dia de domingo não gosta de trabalhar.
Como não estava disposto a desistir, continuei andando a esmo disposto a achar um maldito lugar onde fosse possível eu achar um maldito chopp pra poder tomar naquele maldito calor daquele maldito dia! Depois de mais ou menos meia hora andando pra cima e pra baixo, sempre pelas imediações do aeroporto, quando já estava por desistir, me apareceu aquele oásis. Aquele eldorado. Aquela visão do paraíso. Aquela praia de São Luís numa manhã de sol. Cara, surgiu uma loja de conveniência com um freezer cheio, mas CHEIO de cerveja! AH MLK!
Mermão, na hora eu já corri pra lá. Que felicidade! Na hora me lembrei do Mc Donald´s que comi em Fiji, sem sombra de dúvidas o Mc Donald´s mais gostoso da minha vida (link da história aqui)! Cara, que alívio. Nossa, aquela brisa artificial de ar-condicionado é boa demais. Aquele ventinho gelado nos couros! Viva a vida industrializada e os combustíveis fósseis! Sentei lá, pedi uma cerveja, depois outra, depois um pacote de Doritos, depois outro, depois uma coca, depois um guaraná… Chega meu rim doeu de tanta porcaria de bebida e comida que eu enfiava pela goela. Mais uma vez, viva a vida industrializada!
Depois de quase uma hora naquela vida mundana, resolvi seguir de volta ao aeroporto pra poder pegar meu avião de volta. Corri pra sala de embarque (havia um bom ar-condicionado lá) para vir direto a Brasília. De volta a minha vida de servidor público federal.

Arraial do Cabo – conheça o “Taiti carioca”

(esse post vai sem fotos minhas. Fui pra lá sem câmera fotográfica :P)

Bem, fim de semana retrasado fui tentar mergulhar nas praias de arraial do Cabo, uma cidadezinha próxima a Cabo Frio, no Rio de Janeiro, famosa por ser um ótimo lugar de mergulho e cheio de tartarugas. Há muito tempo que nutro o desejo de mergulhar novamente com saudades do tempo em que fazia isso na Tailândia ou apenas fazia snorkeling em praias do Sudeste Asiático e Oriente Médio.

Uma coisa que sempre me chateou é que o Brasil, apesar de possuir um litoral imenso, não parecia possuir sequer um só local apropriado ao mergulho e ao snorkeling. Mas quando digo nenhum, é nenhum MESMO, tirando Fernando de Noronha. Depois de um muito tempo procurando aonde ir, me pareceu que Arraial do Cabo era um lugar apropriado para prática. Não pensei duas vezes, na sexta desci pra rodoviária do Rio de Janeiro e fui comprar a minha passagem pra Arraial do Cabo.
Assim é Arraial do Cabo visto de cima

Consegui meio que de milagre um couch lá (só tinha UMA pessoa oferecendo, isso em um dos lugares mais turísticos do Brasil) e por isso estava animado. Bem, “estava” é a palavra correta pra poder definir meu estado de espírito antes de chegar na rodoviária. Meu amigo, lá tava LOTADO de gente, mas tinha gente, GENTE, mas parecia que tavam era distribuindo farinha. Foi feriado no Rio de Janeiro na quinta feira e muita gente aproveitou pra poder emendar, além de que em Cabo Frio tava rolando o Cabo Folia, o que estava levando mais gente pra lá.

Acabou que eu cheguei à rodoviária umas cinco da tarde e só acabei conseguindo busão pras oito da noite, sendo que saía ônibus mais ou menos de meia em meia hora. Na ponte Rio-Niterói um congestionamento gigantesco! Cheguei em Arraial já era quase onze horas da noite e segui pra poder me encontrar com o host. O host em si era uma figura! Ele se chamava Dudu e era crescido em Arraial do Cabo. Filho de um francês com uma pernambucana. Trabalhava seis meses aqui no Brasil, durante o nosso verão e, durante o inverno, baixa temporada em Arraial do Cabo, seguia para trabalhar em algum país do Hemisfério Norte, já que possuía passaporte europeu. Basicamente passava a vida curtindo verões por aí. Além de que parecia o dono da cidade, já que trabalhava no restaurante do pai, um dos mais importantes da cidade, andava pela rua cumprimentando todo mundo e ainda possuía um barco que ele alugava pra galera ficar fazendo passeio. Tinha todas as informações da cidade de onde era melhor pra comer, mergulhar, fazer o que for! Gente boa demais!
Gruta que visitei

Cheguei no centro da cidade e lá já fervilhava. O pessoal tava fazendo um esquenta pra poder descer mais tarde pro Cabo Folia e por isso tava tomando umas por lá antes de descer pra Cabo Frio (de Cabo Frio pra Arraial parece que são 20 minutos de busão). Dudu também estava indo e perguntou se eu não queria acompanhá-lo. Como não tava muito na pira de sair pra encher a cara e acordar só meio dia do dia seguinte, preferi ficar por lá e dormir cedo, pra poder acordar cedo e procurar uns lugares para mergulhar. O Dudu me passou um bizú de procurar o barco dele e falar que era “amigo do Dudu” pra poder conseguir um desconto no passeio do barco. Engraçado mesmo foi só que acordei pela manhã com a trupe do Dudu chegando em casa, fazendo mó arruaça e gritando que era a “pica das galáxias”. Destaque só pra um diálogo que acabei captando entre dois namorados:

– Amor, onde cê tá indo?
– Ow, minha flor, vou ali fazer um xixizinho no banheiro!
– Ah mor, mija lá fora!
– Mas, minha flor, eu já tou aqui do lado do banheiro! Vou mijar lá fora por quê?
– Ah, mas você já mijou lá fora a noite inteira! Vamo logo embora!
Nada como saber argumentar quando se está com pressa.

E AMANHECE EM ARRAIAL DO CABO

No dia seguinte, procurei o rapaz indicado por ele, falei a senha “amigo do Dudu” e consegui o meu desconto pro passeio de barco pela praias de Arraial do Cabo. Aluguei também um óculos de mergulho, um snorkel e, como tava com um pouco de receio, resolvi comprar um protetor solar pra me proteger do sol também. Bem, aí começou um problema. Qual? Bem, eu nunca na minha vida usei protetor solar, sou nascido e criado no Maranhão e lá, por sempre estar na praia, nunca tive problemas com costas queimadas. Como estava preocupado de estar muito tempo fora da praia, resolvi comprar um protetor porque todo mundo fala que é importante. Qual eu comprei? Comprei o mais barato, ou menos caro (porra, protetor solar é caro demais!), lógico, o de fator 15 😛
O passeio de barco foi interessante, o grande problema foi que como acabei ficando muito tempo no sol voltei do passeio só um caco. As costas ardendo que só uma frigideira, apesar de eu ter usado protetor solar (foi engraçado. Como falei, eu não tenho costume de utilizar protetor solar, portanto só utilizei um pouco e ainda assim no rosto e na parte superior das costas. Rapaz, mas meu lombo e meus braços ardiam…). Resolvi dar uma “pratada” e fui tirar um cochilo. Isso foi o suficiente pra poder ferrar toda a minha vida por lá.
Agora deixa eu explicar meu drama. Apesar de ter chegado numa sexta a noite e ter planejado ir embora no domingo, ou seja, o sábado inteiro em Arraial, eu preferi deixar pra poder fazer o meu mergulho com cilindro só no domingo, pra primeiro conhecer o lugar e só depois ir mergulhar. Se eu não tivesse ido dormir e já emendasse um mergulho vespertino eu poderia ter mergulhado já no sábado e não estaria impedido de mergulhar no domingo. Impedido? É exatamente isso que eu disse, impedido! Só sábado a noite que eu fui lembrar de uma velha regra que todo mergulhador deve seguir. Não se pode mergulhar em um dia e viajar de avião horas depois sob pena de um risco MUITO grande para seus pulmões, haja vista que a 10 metros de profundidade a pressão atmosférica dobra e dentro do avião ela é mais ou menos a metade. Ou seja, essa diferença de quase quatro vezes de pressão pode fazer borbulhar o seu sangue e fazer com que essa viagem de avião seja a última da sua vida! O idiota aqui não tinha lembrado. Trocando em miúdos, eu não poderia ir mergulhar!
Rapaz, mas pense num cara que ficou chateado com isso tudo? Caraca, mas eu queria MORRER depois dessa imbecilidade que fiz. Resultado? Não pude mergulhar de cilindro em Arraial do Cabo!! AAAAAAAHHHHHHHH!! O Dudu até tinha me passado um contato lá e dito pra eu falar que era “amigo do Dudu” pra ganhar um desconto também no mergulho, mas depois nem me animei em ir.
Fiquei bem chateado, pensei até em voltar mais cedo pra Brasília, mas como já estava lá, achei que o melhor era de alguma maneira tentar extrair algo de bom da situação e ficar por lá mesmo. Informei-me e descobri que havia uma praia lá que era bem legal pra se fazer snorkeling. Bem pra quem não tem nada, metade já é muito, resolvi acordar cedo no domingo e ver de qual é. Falei com o Dudu e ele até me passou um bizú de um cara que trabalhava lá e que se eu chegasse e falasse que era “amigo do Dudu” ele podia me dar um desconto (ao que me parece “amigo do Dudu” é algo como uma “senha promocional” em Arraial do Cabo. Agora vocês entendem porque eu disse que o bicho parecia o prefeito da cidade! Eu pensei até em não colocar isso no blog, pra alguém aqui não sacanear caso vá pra lá e diga a “senha”, mas depois pensei que entre centenas de vendedores, dois ou três efetivamente são amigos dele ;P, logo não dá pra alguém usar aleatoriamente!).
Essa é a Praia do Forno

MERGULHANDO COM OS PAULISTANOS

A praia se chamava Praia do Forno e, bem, no final vi que era o que eu estava buscando mesmo. Depois de tantos imprevistos, tantas buscas, tantos problemas, estava chegando ao lugar que sempre busquei. Não era um mergulho na Tailândia ou em Fiji, mas de qualquer maneira foi de longe o melhor lugar que já pude estar mergulhando no Brasil. Peixes de várias cores diferentes, alguns poucos corais e um céu azul indescritível! Ah sim, e também, o mais legal de todo o snorkeling, acabei me deparando com três tartarugas marinhas também. Essas tartarugas salvaram minha viagem! Cara, que coisa linda! Elas nadam devagar, quase flutuando nas águas com muita graça e leveza! Uma cena linda demais de ser vista. Lembrou-me até o Havaí, sendo que lá só vi uma tartaruga e em Arraial do Cabo vi três. Link da viagem do Havaí aqui

Engraçado foi uma hora que eu, já quase chegando à areia, meio que esbarrei num grupo de quatro paulistanos que também estavam mergulhando por lá. Aproveitei pra poder perguntar as horas, pois um deles tinha um relógio a prova d´água no braço. Eles estavam com algumas câmeras de bater foto embaixo d´água e me perguntaram se eu já tinha visto uma tartaruga. Eu falei que já havia visto duas e que era só eles continuarem procurando que logo logo achariam alguma. Fui voltando e vi uma tartaruga meio que encostada nas pedras e resolvi falar pra eles irem vê-la. Rapaz, que arrependimento, viu? Na hora um deles voltou, olhou a tartaruga e só gritou pros outros:
– Ôrra, meu!! Achei uma tartaruga!!! Corre aqui, mano! – falando com aquele sotaque característico dos paulistanos.
Rapaz, que aperreio a bichinha passou, viu? Os malucos ficaram desesperados tentando bater uma foto dela! Começaram a seguir a pobrezinha que, por ser pequena e eles estarem de pé de pato, não conseguia se evadir deles. Depois de um tempo eu só escutei um deles gritando: “Cerca, cerca ela! Vamo bater uma foto!”. E lá foi a pobrezinha ficar mais bandeada que peru em véspera de natal! Ela nadando prum lado, eles cercando pelo outro, ela ia pra um lado, eles cercavam ela! Parecia neguinho perseguindo leitão em festa caipira, só que na versão marinha! A tartaruga desesperada, só faltava saltar pra fora da água. Eu fiquei imaginando o que aqueles abestados queriam fazer, se eles tavam era querendo tirar foto abraçando o pescoço da pobre da tartaruga e dando tchauzinho! Depois fiquei pensando porque cada dia mais tem menos tartarugas por lá. Essa daí nunca mais na vida dela volta pra Arraial do Cabo e assim como elas milhares já devem ter passado por uma situação dessas e resolveram mudar, sei lá, pra Antártida ou algo assim!
Depois dessa cena bizarra, saí da água e segui para rodoviária pra poder pegar meu ônibus pro Rio de Janeiro que, apesar de eu não estar esperando, também acabou sendo bem engraçado…
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Perambulando pelo Egito

Apesar de em Cairo haver pouquíssimas pessoas que podiam falar inglês, trafegar por lá era relativamente fácil. Como falei no post passado, a cidade tem um metrô (e caso você se perca nas estações nele, basta ler o post passado pra poder saber o que acontece) e, além disso, os taxistas (que por sinal cobram muito barato devido ao baixo preço do petróleo) entendem um pouco de inglês, pelo menos os números (o que dá pra você combinar o preço antes de entrar no táxi) e o lugar pra onde você está indo. Bem, isso era no geral, mas caso você pegasse um busão errado ou começasse a caminhar e não conseguisse voltar ao metrô, aí amigo, aí você tava era enrascado. Porque até você achar alguém que realmente falava inglês naquele mundaréu de árabe era complicado.

Aconteceu isso comigo uma vez, saí de casa e fui procurar a estação de metrô pra poder ir até as pirâmides. No meio das ruelas acabei me perdendo e no final não sabia pra que lado ir. Rapaz, e como deu trabalho pra poder achar essa estação de metrô. Como falei, as pessoas não entendiam nada de inglês e placas eram praticamente inexistentes. Acabou que eu saí de um lado pro outro tentando gesticular pras pessoas o que seria um metrô e nada de conseguir. No final eu olhei uma mulher loira na porta de um açougue conversando com o pessoal lá dentro. Bem, loira não podia ser outra, ou era gringa ou era parente de gringo, o que aumentava a possibilidade de poder falar inglês. Quando entrei no açougue, me deu até medo. Moscas voavam por todos os cantos, aquela sujeira, SUJEIRA! Um fedor… As paredes descascadas e o chão que, bem, mais parecia um chão de oficina! Como não fosse o bastante, um gordo, de bigode e, apesar de careca, todo peludo, com pelo saindo até do buraco da orelha e do nariz, cortando a carne que vendia e assobiando na maior normalidade. Às vezes eu costumo entender porque a expectativa de vida no Egito é tão baixa. Saudades do açougue T-Bone naquela hora…

Fui conversar com a mulher e acabei descobrindo que ela era francesa e morava no Egito há algum tempo por causa do marido que era engenheiro e mexia com petróleo. Ela falava um inglês meio ruim (franceses ODEIAM falar inglês), mas ainda assim me deu uma carona (de Pajero!) até a estação mais próxima e assim pude pegar o meu metrô em direção às pirâmides de Gizé.
No metrô ocorreu aquela cena que descrevi no post passado quando dezenas de egípcios me cercaram pra tentar me ajudar.

TAXISTAS SEMPRE SÃO FILHAS DA PUTA

Desci na estação do metrô e, segundo orientação do meu livro, eu deveria pegar um táxi e pedir pra ele me levar às pirâmides. Saí da estação e o primeiro táxi que eu achei eu fui entrando e gesticulando que queria ir até as pirâmides. Do nada entrou um outro cara dentro do carro, falando um inglês perfeito e com uma idade semelhante a minha. Ele falou que morava em Alexandria e também estava indo pras pirâmides, perguntou se eu não queria rachar um táxi com ele. Como ele falava um inglês legal, era árabe e, by the way, já tava lá dentro do táxi mesmo, pensei que seria uma boa idéia que ele me acompanhasse. No caminho o taxista começou a falar com ele e ele foi me traduzindo:
– Então, Claudio, o taxista tá me falando uma parada massa que a gente poderia fazer.
– Sério, cara? O que?
– Ele falou que sabe de outro caminho que a gente pode ir pras pirâmides e talz. Disse que é um caminho menos turístico que o que estamos indo, que só os locais sabem onde fica. Lá a gente pode ainda pegar uns cavalos, uns camelos e fazer um passeio bem legal no deserto que no final termina nas pirâmides.


– Er… Obrigado, cara, mas eu não quero ir.- Mas ele falou que era bem da hora.

– Valeu, mas eu não quero ir.
– Mas pô, pelo lugar que a gente tá indo só tem turista. Vai ser mó turístico.
– Não, obrigado, eu adoro lugares turísticos
– Ah, cara, vamo lá, ele já tá levando a gente pro lugar.
– Cara, não, o-bri-ga-do, eu NÃO quero ir.
– Ah, mas já fechei o preço com ele, nós estamos indo lá.
– Amigo, NÃO OBRIGADO, eu não quero ir!
– Mas ele já tá indo pra lá!
– Amigo, EU NÃO QUERO IR! Fala pra ele parar esse carro AGORA porque senão eu vou começar a gritar quando eu ver o primeiro guarda de trânsito.
– Tá, ok, eu vou falar com ele.
Passou uns dois minutos que eles ficaram conversando em árabe e ele veio falar comigo:
– Sabe, Claudio, ele acabou de receber uma mensagem no celular que a mulher dele tá passando mal. Não vai dar mais pra ele te levar lá na pirâmide. Ele pede desculpas, mas vai ter que deixar por aqui mesmo. Pega um táxi naquela direção…
E me largou num meio de uma avenida de Cairo.

Não era o primeiro e nem seria o último taxista a me roubar. Sendo árabe ou franciscano, aprendam, taxista vai ser SEMPRE FILHO DA PUTA. Pena que dessa vez não teve nenhum cara armado de rifle pra poder me “ajudar” a pegar um táxi (acompanhe essa história que aconteceu na Síria clicando aqui). Graças a Deus aprendi a não confiar nesses miseráveis desde que passei pela Tailândia. Podia ter um fim como esse aqui
Só mesmo um Alcorão para poder me defender desses taxistas

CHEGANDO ÀS PIRÂMIDES

Desci do táxi e fiquei esperando outro passar. Quando ele passou deixei bem claro através de mímica que eu REALMENTE queria ir até as pirâmides. Ele entendeu e me deixou por lá. Chegando por lá, já tinha lido no meu livro mais um golpe que eles costumavam aplicar. Parece que egípcios não precisam pagar pra poder entrar nas pirâmides, ou pagavam muito barato, portanto o guia falava pra NUNCA dar o seu ingresso pra ninguém que viesse com uma desculpa de checar se você tinha pago a não ser para quem estivesse devidamente uniformizado. Mas foi dito e feito, paguei a entrada, entrei no cercado das pirâmides e foi só eu começar a pisar lá que um cara veio me perguntar onde tava o meu ingresso. Pra poder testar o que ele ia fazer, mostrei pra ele, ele pegou e começou a me explicar e guiar pelo parque. Era um guia. Ele esperava que só depois de um tempo eu percebesse que ele não era guarda, que ele não trabalhava lá checando ingresso de ninguém e depois de uns trinta minutos me explicando tudo, esperava que eu ficasse sem graça e desse uma grana pra ele. Já tinha passado por um golpe desses em Kajuharo (acompanhe a história que aconteceu na Índia clicando aqui) se ele se achava esperto, eu era mais esperto que ele. Pedi o meu ingresso de volta e nada de ele me devolver, eu só gritei que ou ele me devolvia o MEU ingresso ou o bicho ia pegar pro lado dele. Como ele não queria confusão, resolveu me devolver . Meu espírito de Varanasi (acompanhe a história clicando aqui) ainda vivia dentro de mim…
Comecei a dar algumas voltas e resolvi entrar em uma das pirâmides. Cara, eu tenho certeza que se eu perguntar aqui pra 90% das pessoas como elas imaginam como seria uma pirâmide por dentro, elas vão me dizer que seria mais ou menos como um negócio assim:

Aquele negócio gigantesco, com vários cômodos por dentro, aquele verdadeiro palácio dentro da pirâmide. Era o que eu achava e é o que eu acho que todo mundo imagina quando pensa no interior de dela, devido principalmente aos desenhos animados. Cara, depois que eu entrei lá, confesso que fiquei até um pouco desanimado com o que vi por lá. Essa é a pirâmide do lado de fora:

Isso é TUDO o que há em uma pirâmide pelo lado de dentro:

Ãhn? Isso mesmo, foi exatamente isso que eu pensei quando entrei. “Mas é só isso?”. Cara, depois que eu parei pra pensar. Os caras fazem uma estrutura GIGANTESCA pra depois deixar só uma kitinete lá dentro? Sei não, esse caras parecem japonês, gostam de fazer tudo grande. Deve ser pra compensar algo…
Bicho e você estava esperando mais o que? Elas foram construídas a mais de seis mil anos atrás SEM ARGAMASSA. Como você acha que seria possível aguentar toda uma estrutura como aquela na parte de dentro? Realmente, não dava pra segurar muita coisa. Mas custava pelo menos deixar umas coisinhas a mais por lá que não só uma cova de um faraó?

Engraçado que quando você vê fotos das pirâmides as imagina no meio de um deserto, mais ou menos como essas duas fotos.

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Couch no Cairo

Eu sei que isso acabou ficando meio que como um clichê aqui do blog, mas o meu couch de Cairo, sem sombra de dúvidas, foi um dos melhores de todos que tive. Acho que o colocaria entre os três melhores couchs que fiquei em toda minha viagem. Mr. French (Senhor “French”, nome do cara que me hospedou) foi uma das pessoas mais gentis que pude conhecer em minha vida e um cara que eu realmente fico feliz do Couchsurfing ter me proporcionado o prazer de conhecer. O cara era muito gente boa e de uma simpatia indescritível. Uma pessoa boa como hoje é difícil de se conhecer…
Olha o que achei num shopping perto da casa do David
De início, quando planejava viajar para o Egito, eu tinha em mente pedir hospedagem na casa de algum egípcio mesmo para ter uma imersão cultural maior. Ocorre que devido a limitação do tempo, eu tive que sair pedindo couch pra uma galera sem que fosse possível escolher bastante a quem eu iria pedir. No final, o David (primeiro nome, French era sobrenome) foi o único que respondeu a tempo de poder me hospedar quando cheguei ao Egito. Ele era australiano e vinha de uma cidade, ou vila, que, segundo ele, tinha 90 habitantes. Ãhn? Não faltou alguns zeros na hora de dizer o número de habitantes da cidade não? Não, amigo, é isso mesmo! Não eram 90 mil, mas sim NOVENTA pessoas que efetivamente viviam na cidade. Segundo David, a cidade dele era turística e só “funcionava” alguns meses por ano, durante o inverno. Nas outras estações, os donos dos hotéis, pousadas e coisas do tipo fechavam os lugares e só retornavam no próximo inverno novamente, deixando a cidade quase que como uma cidade-fantasma. Escolas, supermercados e outras pequenas lojas de grandes necessidades ficavam na cidade vizinha, que eles iam caso precisassem comprar alguma coisa. Numa cidade como essa, qual seria a profissão do pai dele? Cara, você consegue pensar em algum tipo de trabalho que uma cidade dessas pode oferecer em épocas de baixa temporada que não na agricultura? Pois é, eu não consegui pensar em nenhum, só o pai do French que conseguiu pensar e trabalhava como policial. Fico até imaginando como deveria ser difícil o trabalho dele. Ser policial lá só não deve ser melhor do que ser policial em Uzupio.
Metrô perto do apartamento do David

David mudou-se para Cairo para poder dar aula pra crianças na escola inglesa do Egito (e era por isso que eu o chamava de “Mr. French”, pois era como os seus alunos se referiam a ele). Ele me falou que era um trabalho dos sonhos para qualquer professor com espírito aventureiro. Ele recebia um pouco mais que o salário que tinha em Londres (que é mais ou menos duas vezes mais cara que uma cidade como Brasília, por exemplo) pra morar numa cidade como Cairo [que é facilmente duas vezes mais barata que uma cidade como Brasília, por exemplo (Sim, a repetição foi pra dar ênfase, não foi pleonasmo vicioso :P)]. Fazendo as contas. o bicho ganhava MUITA grana pra poder viver em Cairo. Ele podia manter um estilo de vida que poucos em todo o Egito poderiam algum dia pensar em sonhar. Quando eu saia com ele, pra comprar um sanduíche que fosse, ele não deixava eu pagar, sempre pagava as contas de tudo “Aqui é tudo barato, Claudio, pode ficar tranqüilo…”. Eu fiz as contas quando estive por lá e era mais ou menos como se ele fosse professor e ganhasse um salário de 15000 reais líquidos pra viver em São Luís. Bom, porque eu tou dizendo isso? Ah, amigão, só pra vocês entenderem como o couch do bicho era cinco estrelas. Rapaz… Eu fui chegando na casa dele e ele foi me mostrando: “Aqui tem cereal, aqui tem pão, aqui tem não sei o que, não sei o que, não sei o que… Quero tudo vazio até você ir embora…”. O negócio não foi nem a comida, o negócio foi quando o bicho abriu a geladeira. Lá dentro tinha uma caixa de Heineken com umas 30 latinhas de cerveja e, mais uma vez, ele falou que queria que eu secasse até eu ir embora. Rapaz, seu desejo é uma ordem! A casa do bicho parecia um hotel cinco estrelas! Apartamento gigantesco, comida a rodo, cerveja gelada e um quarto só pra mim com ar-condicionado, faltou só eu “ser amigo do rei e ter a mulher que quero na cama que escolherei”. Meu amigo!
Mas o mais engraçado ainda foi no primeiro dia que eu cheguei. Segue o diálogo:
– Claudio, você chegou a menos de 48 horas no Egito?
– Cara, acabei de chegar do aeroporto, por quê?
– Bem, é que é o seguinte. Aqui perto de casa tem uma Duty Free. Lá só podem entrar diplomatas ou turistas que chegaram com menos de 48 horas aqui no Egito e ainda assim só podem comprar até três litros de álcool. Eu tou a fim de comprar três garrafas de Absolut. A gente faz assim, compramos as garrafas juntos. Você entra com o passaporte, eu entro com o dinheiro e nós dois bebemos. Pode ser?
Eu e Mr. French

Ãhn? É o que, homi? Deixa eu ver… Eu dou passaporte, vou lá e… Bem, FECHADO! Temos um acordo, amigão! Rapaz e lá fomos nós comprar as vodkas. Mr. French, grande cara… Fiquei uma semana na casa dele no saudoso bairro de Maadi.

Egito

Pra ser sincero, acho que depois do Camboja, o país que eu mais tinha vontade de visitar era o Egito. Fala sério, quem aí nunca imaginou quão grandiosas e magníficas seriam as pirâmides e como seria louco estar por lá. Sim, cara, o Egito é tudo isso que você está pensando e bem mais um pouco. Cheguei lá esperando MUITA coisa e acabei ainda assim me surpreendendo.
Esqueça as Nações Unidas, o futebol vai salvar o mundo!

Pra quem acha que o Egito são só as pirâmides, está muito enganado. O Egito é MUITO mais que isso. Pra começar pela sua capital, Cairo, que foi fundada mais de cem anos antes de Cristo e durante muito tempo foi considerada a capital do Islã. No Egito também há as belíssimas praias do Mediterrâneo, ou, pra onde acabei indo, as suas praias do Mar Vermelho, com destaque para Dahab.

Apesar de ser conhecida como a terra dos faraós, hoje pouco sobrou do povo desse tempo. O Egito foi conquistado pelo exército de Maomé há uns 1500 anos e hoje os árabes são a etnia dominante no país. O islã é a religião dominante. Possui uma população de mais de 80 milhões de habitantes (com praticamente todas as cidades às margens do Rio Nilo) e uma das maiores da África (atrás apenas da Etiópia e da Nigéria).
Rio Nilo

A sua capital é a cidade do Cairo, a maior cidade e maior metrópole de todo o continente africano. Cairo é conhecida como a cidade das mil minaretes devido ao seu tamanho e também por ser uma das maiores cidades islâmicas. As pirâmides são na cidade ao lado, Gizé, mas chegar lá do Cairo é muito fácil, é mais ou menos como ir em Guarulhos, morando-se em São Paulo capital. Por Cairo, e por todo o Egito, passa o Rio Nilo, um dos grandes responsáveis por todo o esplendor que foi a civilização egípcia. Saber controlar e se beneficiar das cheias e das secas do Nilo foram um dos determinantes para o florescimento da civilização dos faraós.

Tive realmente uma boa impressão do povo egípcio quando estive por lá. Eles são no geral bem amigáveis. Só pra ilustrar essa história, eu costumo contar que um dos maiores problemas que tive foi uma vez quando estava no metrô (por sinal o único de toda a África. E ah, sim, um pouco caro também. O preço do ticket custava uma moeda. Com um dólar você comprava QUARENTA moedas iguais a aquela), em direção as pirâmides, e abri um mapa pra poder checar se estava descendo na estação correta.

Rapaz, voou uma pá de gente em cima de mim na hora e eu achando que ia ser era roubado. Depois de um tempo que eu fui perceber que na verdade eles tavam querendo era me ajudar. Como viram que eu não falava árabe, foram no fundo do trem, pegaram um universitário e trouxeram pra poder falar comigo. O rapaz veio me perguntando se eu estava com algum problema, se necessitava de ajuda, se sabia pra onde eu estava indo. Eu fiquei foi com vergonha de falar pra ele que não tinha nada errado, que eu só tava checando se aquela era a minha estação mesmo, se eu desceria por lá. Falo isso só pra ilustrar como os árabes podiam ser gente boa na rua e o melhor, sem querer nada em troca. Outra que ocorreu comigo foi quando eu estava em uma estação de trem e procurando uma maneira de poder conseguir um busão pra viajar para a fronteira com Israel. De maneira alguma a mulher da rodoviária sabia falar inglês, até que uma hora apareceu um árabe lá e o bicho não arredou o pé do meu lado enquanto não achou o guichê certo pra eu poder comprar a passagem, até em outra estação de ônibus ele foi comigo pra poder me ajudar. E eu desconfiando o tempo todo que ele queria algo em troca. Nada, quando enfim comprei a passagem ele só falou boa sorte e foi embora, não me pediu foi nem um dólar. Fiquei impressionado como eles podiam ser gentis comigo.

Depois do Egito segui para Israel.
P.s: Semana que vem não teremos posts, estarei no Maranhão. Agradecemos a compreensão 😉

Voltando à Viena

Bem, depois de algum tempo escrevendo sobre algumas viagens que fiz pelo Brasil, agora é hora de voltar ao ponto principal do blog que é ainda terminar de escrever acerca da minha viagem de volta ao mundo. Gostei desse formato de escrever um pouco sobre alguma viagem que ocorreu durante os últimos dias e depois voltar a escrever sobre a volta ao mundo. Esperem novas postagens desta maneira =)

De volta à Áustria


Quando saí da Áustria em direção à Eslováquia e à Hungria, eu tinha planos de seguir viagem até a Transilvânia na Romênia e quiçá Bucareste, sua capital. Entre outras atrações na Transilvânia está situado o castelo de Bran, mais conhecido por ter sido castelo que deu a inspiração para criação do personagem Drácula de Bram Stoker. Parecia ser uma cidade que realmente valia a visitação, mas infelizmente não deu pra eu ir. A cidade era bem longe e sairia um pouco caro pra eu poder chegar lá. Por questão de tempo e dinheiro, acabei resolvendo voltar para Viena mesmo e esperar o meu voo para Cairo, no Egito.
Voltei pra Viena e fiquei naquela vida de inseto, só dormindo e comendo. Eu já tinha visto quase tudo da cidade e ainda tinha mais quatro dias pra poder pegar meu avião. Foi aquilo que eu já tinha posto no post passado, comer pizza e jogar XBOX 360.
Ainda dei uma saída a noite com as minhas hosts, mas nada que mereça algum destaque. Interessante mesmo foi que eu passei o meu primeiro domingo em Viena e vi uma cena inusitada. Um dos jornais de Viena, no domingo (logo o principal dia), não colocava pessoas para vender o seu jornal. E aí? Não saía? Não, eles simplesmente deixavam o jornal numa cestinha em um poste e do lado um cofrinho pra você pagá-lo. Simples assim. Você podia ir lá, pegar o jornal e não pagar nada. Ou você podia ir lá pegar o jornal e pagar por ele. Segundo minha host isso acontecia porque contratar mão-de-obra na Áustria durante o domingo é MUITO caro e por isso o jornal optava por fazer isso. Dava certo? Bem, não sei, mas pro jornal estar até hoje fazendo isso, prejuízo não deve dar. Depois eu fiquei pensando, não era mais fácil colocar umas cabines de jornais como essas dos EUA?
Baladinha que saímos. Detalhe pro menu do bar acima
No dia de viajar pro Egito, eu fui conversar com a minha host e perguntar pra ela mais ou menos quanto tempo levava de carro da casa dela até o aeroporto. Ela falou que daria uns trinta minutos. Fiquei pensando: Bem, se de carro dá trinta minutos, vamos dizer que de busão vai dar uns 50 minutos, vinte minutos parece ser uma margem boa, como quero chegar duas horas antes do vôo, saio de casa um pouco antes de três horas antes do vôo e está tudo de boa. Lógico, não? Sim, lógico e confiável pra qualquer brasileiro, mas não pra uma germânica acostumada com tudo funcionando pontualmente, sem sequer um segundo de atraso. Sim, quando eu estava saindo pra poder ir pegar meu metrô e depois busão para o aeroporto, a minha host me parou na porta e me perguntou que horas eu iria sair pro aeroporto, eu respondi que naquela hora. Ela falou que não era preciso sair tão cedo, que era só checar na internet, ver os horários certinhos do metrô e do busão que eu iria pegar e que tava tudo certo.
Beleza, fui lá e fiquei esperando ela ver. Ela postou onde estávamos e quanto tempo daria pra eu poder chegar no aeroporto. E lá foi as contas:
– Você caminha cinco minutos até a estação mais próxima, espera dois minutos pelo próximo metrô, pega esse trem, espera sete estações e desce dezoito minutos depois, anda quatro minutos até a próxima parada de ônibus, espera dois minuto pelo ônibus, desce seis paradas e quinze minutos depois, caminha cinco minutos e pimba! Você está no aeroporto! Levando exatamente… exatamente 48 minutos pra poder chegar lá (gente, lógico que eu não lembro os transportes ou o tempo que levava, foi só pra exemplificar!).
Sigh com o seu ursinho térmico. Como funcionava? Bem, ele tinha uma solução líquida dentro dele. Quando ficava frio ela o colocava dentro do microondas e esquentava. Pimba, ficava quentinho e perfeito pra poder aquecer as mãos ou os pés
– Tá, deixa eu ver, dava mais ou menos o que eu tava planejando antes? E tipo, eu acabei de perder o próximo metrô?
– Er… Sim.
– Pô, então beleza. Obrigado por ter me dado o tempo milimetrado.
Por essas e outras que sempre fui entusiasta do “chute latino”

Curitiba (parte 2)

Passeio ciclístico

Um dos eventos que estavam programados foi um passeio ciclístico por Curitiba. Pra quem não sabe do que estou falando, Curitiba é uma cidade considerada modelo em matéria de sustentabilidade e planejamento urbanístico. Possui uma extensa rede de ciclovias e um dos mais eficientes sistemas de transporte urbano, modelo que já foi copiado por diversos países pelo mundo. O sistema RIT, como também é conhecido, é uma extensa rede de ônibus bi-articulados que cortam a cidade inteira em vias expressas só para eles. Uma inteligente solução de transporte urbano que funciona quase que como um sistema de metrô, porém com um custo ridiculamente mais barato, pois não é necessário cavar por debaixo do chão. Abaixo vão algumas fotos da parada de ônibus e do mapa do trajeto pela cidade.

 

De início era pra galera se reunir em um parque por volta das 9 da manhã, mas como a noite passada foi noite de “passeio turístico” pelos pubs de Curitiba, ninguém conseguiu acordar cedo pra poder pedalar.

 

Pub Crawl em Curitiba

No final, o passeio só acabou se iniciando mesmo por volta de meio-dia. Detalhe que eu deixei a minha bicicleta parada um tempo encostada e no final quando fui buscá-la havia um pequeno “presente” de um passarinho exatamente no banco dela. Maldita natureza!


Passamos por vários parques de Curitiba e paramos por um instante em um local chamado Ópera de Arame. O lugar é bem bonito, como vocês podem ver no verbete da Wikipedia. O mais engraçado foi que chegamos numa típica manhã de fim de semana em Curitiba, com idosos fazendo caminhadas e pais levando as crianças para um passeio. De repente chegou aquela turba enfurecida de couchsurfers de bicicleta. Os habitantes de Curitiba são conhecidos por serem pessoas meio reservadas, que não falam muito, mais ou menos como o estereótipo que temos de alemães. Aí você imagina, aquela galera, mó de boa, conversando sobre a última vez que viajou a “Parris”, tomando um chá e de repente vem aqueles malucos correndo, pulando e gritando “Chegamos a Curitibaaaaa”, “Olha gente, olha! Dá pra gente tirar uma foto que nem o Homem-Aranha!!”, “Homem-Aranhaaaa”, “Pula aí pra ver se cai!!”. Devem só ter pensando “Esses nordestinos…”

Homem Aranhaaaa!!!

Dando uma voltinha em Londres

Cláudia com um São Bernardo fantasiado de bruxa. Ficou fofo, não?

Na saída ainda comprei uma cocada de maracujá que mais parecia um tijolo de construção. Rapaz, cê comia a cocada, comia, COMIA e a bicha chega não terminava. Ignorante demais a tia que vendeu a cocada. Quando eu enjoei de comer tanta cocada, saí distribuindo no final. No final ninguém agüentava mais comer aquilo e o que nos restou foi mesmo dar cocada pros pombos, se duvidar os mesmo que haviam me presenteado antes. Sim, amigo, tinha MUITA cocada!

 

Terminamos o passeio e, tomado pela curiosidade, resolvi visitar o Memorial Árabe que se encontrava do lado do parque em que havíamos alugado as bikes. Eu achava que lá ia ser quase como um parque temático árabe! Um museu dentro! Um restaurante de comida árabe! Ampla biblioteca sobre a cultura! Nada! Quando cheguei lá só havia uns poucos livros embaixo e no segundo andar de amplo mesmo só uma lan house vendendo internet! 

Memorial Árabe
 
Rolou até um Sarau 🙂
Não, não foi dentro do Memorial Árabe!
 
Morretes

Um dos dias também foi reservado para fazermos um passeio para Morretes. A cidade em si não tem muita coisa, é uma cidade pequena e histórica, que vale uns quinze minutos de passeio. O principal atrativo turístico da cidade é ir lá pra comer o famoso “Barreado”, um prato típico de influência açoriana e que é algo como um cozido de carne que fica no fogo por aproximadamente umas vinte horas (sim, não tou hiperbolizando não. São VINTE horas mesmo, pode ver no link), tempo suficiente pra desfiar toda a carne (eu hein, deixar esse tempo todinho só pra desfiar a carne? Mais fácil desfiar na faca, siô!).

Pessoal mandando ver no barreado
 
O que nos fez mesmo ir para Morretes não foi a cidade, mas sim o translado até lá. “Ah, agora você gosta de andar de busão é?”. Não, cara! O mais legal da viagem é que ela é feita de trem, pela Serra do Mar e por dentro de uma reserva da Mata Atlântica! Fazer o passeio de trem por lá te faz imaginar que você está desbravando a própria selva por si só! Uma viagem como era a região antes da colonização humana

 

Nossa chegada em Morretes foi mais ou menos como ocorreu na Ópera de Arame. Tava aquela galera pacata caminhando pela cidade, quando para aquele trem lotado de forasteiros pulando e fazendo zuada! Fomos direto ao restaurante direto comer o tal do barreado que eu insistia em chamar de “barradão”. Depois de comer o bicho que eu fui entender porque diabos o nome do prato era “barreado” ou “barradão”, como preferir. Mermão, é que depois de comer aquela parada você fica barreado o resto do dia! Rapaz, foi comer aquilo, dar uma volta de 5 minutos pela cidade e já correr direto para o busão. No caminho foi engraçado só quando um de nossos amigos, que caminhava com a gente, mandou um “nossa, essa mina vai ser mó gatinha quando crescer” pra uma mina que aparentava uns 13 anos e minutos depois o pai dela passar do nosso lado com uma cara de quem adorou o elogio pra filha dele, hahahaha.

Na rodoviária, com o bucho cheio de barreado…

Visão bucólica da cidade

Rio de Janeiro

Galera, estive sumido no blog esses dias porque estava na reta final de um concurso e não queria me desfocar muito. Por uma questão de prioridades, tive que deixar o blog um pouco de lado. Porém, teve um lado bom. Ocorreram várias coisas engraçadas no Rio de Janeiro e resolvi escrever sobre elas porque eu realmente não gostaria de esquecê-las. Fazia algum tempo que eu não viajava ao Rio de Janeiro. A última vez que eu tinha ido lá acho que foi há uns quatro ou cinco anos atrás e nem deu pra eu viajar bastante. Por isso eu estava bastante empolgado em voltar ao Rio novamente.

Aeroporto Santos Dumont invadindo o oceano
 
Uma das coisas mais legais no Rio de Janeiro é pousar no Santos Dumont. Cara, parece que o avião vai cair na água e, de repente, aparece a pista do aeroporto e o avião pousa de boa. É muito legal. Quando cheguei ao aeroporto, peguei o mapa do caminho da casa do Marco Aurélio, meu amigo que ia me hospedar, e comecei a pedir informação de onde eu tava indo pro pessoal na rua. Engraçado que todo mundo, por mais que eu chegasse do lado deles andando e estivesse a apenas algumas centenas de metros do lugar que eu estava procurando, me perguntava: – Cê vai andando? Me dava vontade de responder: – Não, eu não vou andando! Eu vou voando, tem uma asa-delta aqui na minha mochila!!!!!!! Mas enfim, consegui chegar de boa na casa dele. Chegando lá eu descobri que havia mais algumas pessoas na casa: um casal amigo nosso do couchsurfing, um outro amigo do Marco e mais a namorada do Marco. Todo mundo num apartamento de um quarto e sala. Bem, pra quem já dormiu em oito num sala, isso não seria lá um grande problema… Demos um jeito de acomodar todo mundo lá dentro e no final ficou tudo de boa.

Arcos da Lapa
 
A primeira noite que cheguei, uma sexta feira, aproveitamos logo pra poder ir para a Lapa, tradicional ponto da boemia carioca. Fomos nos arrumar e mais ou menos meia-noite, quando todo mundo tava pra poder ficar pronto, nos foi dito que era melhor a gente esperar um pouco porque a Lapa só começaria a ficar legal mais ou menos umas duas da manhã, horário que geralmente a gente volta da balada aqui em Brasília. Sim, o pessoal no Rio sabe se divertir. A Lapa é bem legal! Parecia o carnaval de rua que eu estava acostumado a ir em São Luís, com uma cambada de gente se divertindo, bêbados pra todo lado e aquele esgoto passando debaixo do seu pé dando o último toque de decadência no lugar. A diferença é que em São Luís é assim cinco vezes por ano e no Rio é todo fim de semana. O único problema hoje é que agora os caras tão pintando os arcos da Lapa pra poder deixá-los mais bonitinhos pros turistas, o que eu achei uma droga, já que a principal graça da Lapa é o seu estado decadente, típico de lugares boêmios. Além de tudo, a lata de cerveja de 500ml era vendida pelo inacreditável preço de dois reais! Deus não dá asa a cobra mesmo, no fim de semana que eu não posso beber por causa do concurso, me aparece uma dessas.
Depois de um tempo caminhando, chegamos em uma das escadarias da Lapa e sentamos por alguns instantes. Do nada sentou um cara do lado de um dos couchsurfers que tava com a gente e começou a trocar maior papo com ele. O cara tinha álcool no sangue de um jeito que se ele passasse do lado de uma churrasqueira ele explodia. De repente apareceu um mendigo meio louco lá que ficava colocando uma venda nos olhos e caminhando pra cima e pra baixo no maior estilo David Coperfield. Esse cara que conversava com nosso amigo saiu da escadaria e começou a pular e a abraçar o mendigo que tava mais sujo que pau de galinheiro. A gente falou pro nosso amigo ir lá apartar o cara, já que o mendigo tava sujo que só o diabo e qual não foi a nossa surpresa ao descobrir que não, o nosso amigo não conhecia aquele cara não, ele só tinha era aparecido do nada mesmo e tava conversando, mais louco que o Batman. Cara, depois fiquei pensando que caminhar pela Lapa é quase que uma experiência antropológica.
Saímos de lá e acabamos nos perdendo do Marco Aurélio e da namorada e ficamos num lugar mais próximo da Catedral. Só depois de um tempo que eu fui perceber que estávamos na área gay da Lapa e que, sim, os couchsurfers que estavam com a gente, com a exceção dos casais, eram todos gays (isso explicava muita coisa…). Bem, cara, pra mim isso não é um problema, até porque eu acho a galera gay muito engraçada e de bem com a vida, mas quando a gente fica num lugar desse só tem que tomar cuidado, né? Todo mundo quer tirar casquinha de um pedaço de maranhense como esse aqui e a galera chegou até a me mostrar um cara que não parava de me encarar. Mundo perigoso esse.
Acabamos ficando por lá mesmo, já que a bancada gay do Couchsurfing tava, como a gente dizia no Maranhão, “toda toda” e tava bem engraçado. Só teve uma hora que me deu uma vontade súbita de ir embora. Por quê? Bem, um dos nossos amigos conversava com um cara e eu cheguei lá só pra poder fazer um social. Cara, o cabra era grande, mas GRANDE. Comecei a conversar com ele e quando fui perguntar o nome dele, ele já foi se apresentado como Fernando, o EMPALADOR! Um cabra com uma, digamos, “alcunha” dessas é algo realmente assustador… Bem, com um nome desses, qualquer um começaria a tremer na base e não foi de outra maneira que ocorreu comigo. Deu logo um sono e resolvemos logo voltar pra casa pra poder dormir, já que já eram rodados quase seis horas da manhã e “o empalador” estava a solta.

Esse era o tipo de coisa que o nosso amigo empalador gostava de fazer com as pessoas. Digamos apenas que ele tinha uma “estaca” própria pra isso…
 
No outro dia fomos para um samba que estava rolando no centro da cidade do Rio de Janeiro e onde iria comparecer, mais uma vez, uma galera gente boa do Couchsurfing. Fomos caminhando até o próximo ponto de ônibus e começamos a ouvir uma buzina tocando. Quando vimos era o bonde que se aproximava e aí, bem, aí trepamos no bicho de qualquer maneira e fomos dar uma volta. O bonde saía do nosso bairro e ia diretamente para o Centro, próximo ao local que estávamos pensando em ir. A melhor parte do bonde é que no final, ele ainda passava por cima dos arcos da Lapa, onde dava pra bater uma fotos legais do centro do Rio de Janeiro.

O bonde cobra 0,60 centavos se você for sentando e não cobra nada caso você vá em pé. Lógico que eu fui de pé.
 
O samba foi até bem legal, mas não pude ficar muito tempo, já que queria dormir cedo pra poder ir pro concurso do dia seguinte. Ainda choveu um pouco o que acabou por dispersar a galera. Foi legal pq fomos para um bar do Rio chamado Mangue Seco, onde pude comer a melhor empadinha de camarão da minha vida. Domingo foi fazer prova e segunda feira de volta ao batente.
Acabou? Bem… a semana ainda promete. Essa semana vai rolar o encontro nacional do Couchsurfing em Curitiba, lógico que eu estarei por lá e lógico que escreverei sobre ele quando voltar. Desculpem o post vir sem fotos que eu tirei, mas é que as esqueci em casa e não queria atrasar mais ainda a postagem.
Aguardem o desenrolar da programação…
Abraços maranhenses

Chapada dos Veadeiros

Opa… voltei…
Então, galera, pra vocês aí que achavam que eu estava morto, volto aqui pra poder dar o ar da graça e deixar claro que volto ao blog novamente. Tomei esse chá de sumiço durante essas semanas pq minha vida mais uma vez virou de pernas pro ar. Pedi exoneração do meu emprego passado no Ministério das Comunicações pra poder assumir o meu novo cargo na ANAC. Nessa semana e meia que fiquei sem trabalhar, resolvi dar um pouco de tempo na vida e viajei pra Chapada dos Veadeiros com o Ivyson (meu companheiro de apartamento) e com uma belga do Couchsurfing que ficou lá em casa mais ou menos uma semana e meia. Entre esse tempo de assumir um emprego, sair do outro e viajar, acabou que eu tive que comprometer as postagens do blog. Mas fiquem tranqüilos que agora voltaremos a programação normal.
Pra poder pedir desculpas, dar uma variada nas histórias sobre Europa e como a viagem foi bem engraçada, resolvi escrever sobre ela e postar aqui no blog. Espero que vocês gostem…

Chapada dos Veadeiros

A parte mais conhecida da Chapada dos Veadeiros é o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Situada no norte do Estado de Goiás, a reserva possui uma rica variedade da flora e fauna típicas do Cerrado Brasileiro. Por ser uma região rica em diferentes tipos de cristais que, literalmente, brotam do chão (com destaque para o quartzo), a Chapada dos Veadeiros adquiriu um caráter meio esotérico.

Cristais que podem ser encontrados na região

Milhares de malucos belezas do Brasil inteiro descem pra lá todos os anos pra poder ficar, como dizemos aqui em Brasília, “chapados na Chapada”. Devido a esses “malucos magrelos, de cabelos amarelos que gostam de cogumelos”, como dizia o Ventania, a Chapada possui uma das maiores concentrações de malucos por metro quadrado do planeta, talvez perdendo só pro Partido da Causa Operária (aquele que defende salário mínimo de 2500 reais).

Sim, a galera aqui lombra bastante, amigo!

Irmãos gêmeos…


Chapada, here we Go

Como estava numa época de “transição de concursos”, resolvi folgar uns 10 dias e viajar pra algum lugar do Brasil que ainda não estivesse visitado pra poder espairecer um pouco, já que os últimos dois meses eu estava estudando pro MPU. Como fui meio que de surpresa pego pela nomeação da ANAC, não pude me programar melhor pra poder viajar pra algum lugar mais distante, já que as passagens aéreas estavam um pouco mais caras. Fui conversar com Ivyson e ele também me falou que estava a fim de viajar pra algum lugar pra comemorar que havia acabado de formar e também que o concurso do MPU tinha acabado. Como nunca tínhamos ido à Chapada, foi ela a primeira opção que veio na nossa cabeça e começamos a planejar como faríamos pra ir. No meio tempo uma belga do Couchsurfing.org pediu pra poder ficar no meu apartamento e disse que também estava querendo viajar. Apesar de tentarmos por diversas vezes conseguir mais gente pra poder pelo menos lotar o carro e assim deixar um pouco mais barata a viagem, não havia desocupados o suficiente para poder deixar o trabalho numa segunda feira de manhã e voltar na quarta-feira. No final só iria mesmo eu, Ivyson e a Marie-Line, a belga do Couchsurfing.

Os três incautos a caminho de São Jorge


Na segunda feira tentamos acordar cedo pra poder sairmos antes da hora do almoço, mas isso infelizmente estava fora de questão. Acabamos pegando o carro só umas duas da tarde. Sair de Brasília foi até sussa, difícil mesmo foi pra poder conseguir pegar a estrada correta em direção a Alto Paraíso (a última cidade antes da Chapada) e depois São Jorge (povoado que fica na entrada do parque). Mas isso não seria lá um problema, era só a gente tentar traçar o mapa no Google Maps e, caso algo desse errado, perguntar pra alguém na estrada qual seria o caminho em direção a São Jorge. E foi o que acabou ocorrendo.

Imagina pra quais ervas esse caminho vai te levar..

Alguns minutos depois de saírmos do Distrito Federal, começamos a suspeitar que havíamos pego uma estrada errada e resolvemos perguntar pra primeira pessoa que vimos qual era a estrada pra Alto Paraíso. Avistamos ao longe, um cidadão caminhando ao lado da estrada com algo que parecia ser um carrinho de mão. Encostamos do lado dele e fomos pedir informação. De repente a surpresa. O cidadão confessou que não poderia muito nos ajudar, entre uns dos motivos porque ele não era dali. De onde ele era? Era do Rio Grande do Sul. Pra onde estava indo? Pra Fortaleza. Onde ele estava? No meio de Góias. Sim, isso mesmo que você pensou, o cidadão estava viajando do Rio Grande do Sul até Fortaleza com carrinho de mão. Ruim? Bem, se você pensar bem, tecnicamente, ele já tava no meio do caminho, né? Só não dava era pra dar informação pra gente. Enfim, de qualquer maneira conseguimos chegar de boa em São Jorge.

Cara, engraçado como a gente já está tão acostumado com bomba de álcool que nem mais se dá conta que isso só tem no Brasil, né? Depois que eu fui ver que a belga tinha batido foto, boto fé que pra mostrar quando estiver na Europa…


São Jorge

Chegando a São Jorge a primeira coisa que pareceu é que não havia ninguém no povoado além da gente. Cara, como já falei, poucas são os vagabundos que podem se dar ao luxo de viajar numa segunda-feira pra Chapada. Enfim, nós já estávamos lá e como não havia quase ninguém, pudemos barganhar e conseguir apartamentos mais baratos. Acabamos conseguindo um preço bem barato pelo quarto pra gente. No final ainda foi engraçado. A pousada era de dois andares. Eu pedi pra gerente da pousada um quarto de cima, porque era mais ventilado, sei lá. A menina olhou pro quarto do segundo andar, olhou pra cama reserva que ela ia ter que carregar pra colocar no quarto… Ficou pensando que não tinha mais ninguém na pousada… Acabou que ela resolveu nos alugar dois quartos pelo preço de um. Filé…

Ateliê de “boas vindas” da cidade. O será que esse figura toma antes de ir pintar?

Largamos nossas coisas na pousada e resolvemos descer para um local onde havia várias piscinas termais. Já era noite, portanto a temperatura seria ideal. Pegamos o carro e fomos em direção ao lugar. Dezessete quilômetros de estrada de chão. Não precisa dizer que Ivyson, dono do carro, foi o único que realmente não gostou da ideia de irmos lá.

Piscinas termais

Chegamos lá e parecia não ter NINGUÉM no lugar. Ah, cumpade, depois de quase meia hora de estrada de chão (sim, fi, meia hora pra andar 17 quilômetros. A estrada era ruim DEMAIS), tudo o que a gente não iria fazer era voltar sem pular nessas drogas dessas piscinas. Começamos a gritar até a hora que apareceu uma veia de pijama com aquela cara de “cambada de corno, você acabaram de me acordar”, perguntar o que era que a gente queria fazendo tanto barulho. A gente falou que queria descer pras águas termais.
Ela abriu o lugar e fomos indo em direção à piscina. Achamos que o lugar seria simplesmente atrás do portão que a mulher abriu. Nada! Caminhamos quase uns dez minutos dentro de uns matos, no mais profundo breu, até chegarmos à piscina. O detalhe era que um gato malhado nos acompanhava o caminho inteiro. Pulamos na piscina e o gato ficou do nosso lado só nos observando. Dez, quinze, vinte minutos e esse gato não mudou de posição, ficou lá, estático e nos olhando. Começamos a comentar que aquele gato parecia um pouco diabólico, já que ficava estático olhando pra gente e sem emitir nenhum som.

Depois de umas duas horas, saímos da piscina e fomos em direção a saída, mas dessa vez o gato não nos seguiu de volta. Não, melhor, ele preferiu ficar do lado da piscina e quando saímos de perto, aí sim começou a dar medo. O gato começou a miar loucamente. Mas não era um miado fininho e fofo que estamos acostumados a ouvir dos gatos. Era um miado grosso, parecido com um uivo de um lobo, algo como “eu quero a alma de vocês!”. Cara, era horripilante. Só sei que a gente meio que apressou o passo. Claro não que estávamos com medo, mas… Pra que arriscar, né? No final quando estávamos próxima a saída quem cruza com a gente? O mesmo gato? Não, um gato preto!! Sim, um gato preto cruzou na nossa frente. Cara, sem noção, aquelas piscinas eram diabólicas.

O gato na pose estática que ficou nos observando

No caminho de volta, naquele breu imenso, a gente voltou no carro, mas claro, o tempo todo atentos pra ver se um gato cruzava na nossa frente. Graças a Deus nada disso aconteceu. Engraçado só mesmo a belga checando na sua máquina e a gente perguntando pra ela o que ela tava vendo lá. A resposta?

Eu só queria saber o porquê da cara de felicidade de Ivyson. O carro dele era branco, pode acreditar…

– Rapaz, eu só quero ter certeza que o gato realmente saiu nas fotos enquanto eu fotografava ele. Imagina como ia ser bonito a gente fotografá-lo e ele não aparecer?
Macabro…