Servidor Público nas horas não-vagas, escritor nas vagas e mochileiro nas horas felizes. Formado em Relações Internacionais na Universidade de Brasília, Claudiomar ainda procura algo pra utilizar os seus conhecimentos adquiridos na graduação. Devido a este fato viaja e escreve análises socio-economicas sobre o Brasil e pelos locais que passa. Enquanto não viaja, destila toda a sua pseudo-intelectualidade sobre política nacional
O outro figura-mor da Malásia foi uma saudita que eu conheci quando dei uma passada na casa do “Mo”, o queniano. Eles dividiam apartamento.
Quando eu cheguei o saudita tava escrevendo algo em um caderninho de anotações. Fui conversar com ele pra poder ficar amigo do cara. Segue o diálogo:
– Fala rapaz, tudo bom? Eu sou Claudio, do Brasil.
– Oi cara, tudo bom? Eu sou … (esqueci o nome dele) da Arábia Saudita.
– Pô, massa, você faz MBA aqui na Malásia também?
– Sim, sim! Mas tou parado uns tempos, tou cansado de estudar
– Ah Beleza, mas o que é que você tá escrevendo nesse caderninho?
– Ah, tou tentando inventar a minha própria língua…
– Que nem o Tolkien ou Zamenhof (criador do Esperanto)?
– Sim…
Alguns segundos de silêncio…
– Você não é um cara muito ocupado não, né?
– Não.
Esse saudita era figura demais, cara! O bicho ficava o dia inteiro lá, no caderninho dele, no seu ócio criativo, tentando inventar a sua própria língua. Além disso, ele ficava o tempo todo filmando a gente com o celular: – É pra guardar os bons momentos – ele dizia.
O post sobre a Malasia ja esta pronto. Eu ia posta-lo, hoje. Mas antes, como ja e’ de praxe, vamos para mais uma sessao de comentarios comentados.
1 – Meu pai fez um comentario ha um tempo atras perguntando sobre como e’ a visibilidade dos produtos brasileiros aqui na Asia. Achei interessante e queria compartilhar a resposta com voces. Produtos brasileiros que realmente carregam a “Marca Brasil” que encontrei na Asia, ate agora, foram so as Havaianas, que sao febre hoje no mundo inteiro e os diversos rodizios de carne que hoje se espalham mundo afora. Eles chamam esses rodizios de “Brazilian Barbecue Restaurant” e se espantam com o tanto de carne que tem na parada. Alem desses dois tambem tem a cachaca e a caipirinha. Achei cachaca sendo vendida numa ilha da Tailandia, Ko Tao e na Australia, mas a cachaca acho que anda “pau a pau” com as Havaianas, ja que ja e’ bem conhecida mundo afora.
De resto eu pude encontrar alguns produtos da Perdigao num mercadinho em Hong Kong, como mostra a foto abaixo e ja ouvi falar de alguem que comprou Brahma por algum lugar na Asia. Na Oceania (dois anos atras, antes dessa viagem) teve um que me assustou, que foi quando eu estava em Fiji e encontrei pra vender em um mercadinho chocolates da Lacta e biscoitos da Bauducco como pode ser visto neste dois topicos aqui e aqui. Na Australia eu quase fui pra uma festa que tinha Brahma sendo vendida. Ah sim, em Bali eu fui em um restaurante brasileiro (sim e comi farofa e feijao), mas nao sei se conta como produto brasileiro. Acho que foi so isso.
2 – Pergunta da Rafa: oi claudiomar!estou lendo o seu blog aos poucos,quero ler ate o final, gostei muito.mas eu fiquei confusa, vc falou q a foto que vc tirou no templo, vc mandou p jacare bangula…so que ja faz um tempinhi isso, ne?vc foi em bali duas vezes, ou vc escreve os posts c atraso mesmo?fiquei c essa duvida, ehehehheabraços p vc, seu blog é otimo.
Rafa, sim, eu sempre escrevo com um atraso os posts. O atraso varia de uma a duas semanas. Faco isso porque apos ficar em um lugar, eu depois fico pensando nas presepadas que vou escrever, pesquiso um pouco sobre a cultura local, edito fotos e videos e etc. E ah sim, eu tambem viajo de vez em quando, hehehe.
Portanto, amanha tem o post da Malasia, mas hoje estou na India. As vezes coloco uns posts “em tempo real”, mas tento deixar bem claro pra galera nao se confundir.
3 – A Cynthia do Goias postou: OI Claúdio, sou a Cynthia de Goiás, pira cara (nois é caipira mesmo!!!) !!!!!estou sempre lendo seu blog e percebo que as coisas ocias que vc fala sobreos lugares são apenas tiradas de 1 ou no máximo duas pessoas…isso é mal, pois imagina ao contrário, uma pessoa chega no brasil e troca uma i´deia com uma pessoa, será que é isso que ela vai levar consigo?? adoro todas suas informações, mas fica essa perguntinha que não quer calar!beijos querido
Cynthia, voce tocou num ponto importante sobre a minha maneira de escrever. Toda e qualquer informacao sobre o blog que posto, na maioria das vezes eu procuro fontes pra poder escrever e confimar. Como funciona essa postagem dessas informacoes? Alguem me diz alguma coisa sobre determinado pais ou regiao. Eu acho interessante e decido postar no blog. Antes de postar no blog, procuro outra fonte confiavel na internet pra confiar ,e se confirmo, ai sim posto no blog.
Tento sempre fazer isso. So que, as vezes, eu tenho que soltar logo um post e por isso fico sem tempo pra poder confirmar o que o cara me falou. Quando isso ocorre, eu deixo bem claro, “segundo fulano”, “sicrano me falou isso” e por ai vai… Se eu nao adotasse essa metodologia do “nunca postar o que ouviu de boca sem checar informacoes” eu ja tinha escrito MUITA besteira no blog.
4 – Maricotinha postou no topico em que falei que ia subir pro teto da casa pra uma festa no Vietnam: Porra Claudiomar, vc vai parar no outro lado do mundo para ir em PAGODE NA LAJE? Tenha santa paciência!
Mermao, esse foi, de longe, o post que mais me deu trabalho pra postar. Primeiro porque muita coisa rolou em Bali e, segundo, que a vida aqui no Vietnam nao me deu tregua! Rapaz, mas toda vez que eu enfiava o pen drive no laptop pra poder comecar a escrever o blog, alguem me puxava pelo braco pra fazer algo! Mermao, a vida aqui foi ocupada, amigo!
Mas enfim, vai agora a segunda parte de Bali. Espero que voces gostem, postei MUITAS fotos. Tem um post com bastante informacao sobre Timor Leste tambem. Nao se preocupem com os atrasos, agora voltaremos agora a programacao normal!
Conheci uma americana pelo couchsurfing que também ia passar uns dias em Bali e marcamos de nos encontrar na praia. Conversa daqui, bate um papo dali, a gente decidiu cair na água. Quando estávamos na água, começamos a trocar idéia com um dos instrutores de surf que tava trabalhando. Conversa daqui, conversa dali, o cara era Timorense e se chamava Rui Costa!
Ficamos amigos e depois, como SEMPRE faço com alguém que conheço de um lugar exótico, comecei a perguntar tudo que eu sempre quis saber sobre Timor Leste pra ele.
Tecla PAUSE
Como esse blog também é cultura, vai um briefizinho sobre Timor Leste.
Timor Leste foi uma colônia de Portugal de 1512 até 1975. Tem uma população semelhante a da ilha de Sao Luis (mais de 900 habitantes) descedentes de portugueses e nativos. A despeito de outras colônias portuguesas da Ásia, como Goa, Macau, Malaca etc. Timor Leste realmente abraçou o português como sua língua oficial (Ok, em Macau, português também é língua oficial, mas é difícil achar um asiático que fale português) e o português é ensinado dentro das escolas. Tal qual todas as colônias portuguesas remanescentes após a Segunda Guerra Mundial, Timor Leste obteve sua independência no final da ditadura de Salazar, apos a Revolucao dos Cravos. Tres dias após ficar independente, Timor Leste foi anexado pela Indonésia que se encontrava sobre a ditadura de Suharto.
Após anos e anos de guerra pela independência, eles conseguiram enfim se livrar dos malas na decada de 90, mas herdaram um país em fragalhos. Uma das principais obras sobre Timor Leste, é da autora Rosely Forganes e chama-se “Queimado queimado, mas agora nosso! Timor: das cinzas à liberdade”, só pra vocês terem uma idéia do pau que comeu por lá esses tempos.
Conversando com o Rui, ele me falou várias coisas sobre Timor que a gente não ouve falar tão facilmente. Tudo que vou falar agora, não sei se é 100% verdade, mas foi o que ele me passou.
Segundo ele, hoje, a situação em Timor não encontra-se lá tão estável. Execuções sumárias por parte de policiais são rotina e muitas pessoas são mortas apenas pelo fato de serem provenientes da Indonésia. Depois das oito da noite ninguém pode sair de casa, não sei se devido a um toque de recolher imposto pelo governo ou se porque realmente a parada é muito séria e ele não conseguiu me explicar.
Em 11/02/2008, o primeiro ministro Ramos Horta sofreu um atentado, mas acabou escapando com vida, apesar de todos os seus guarda-costas terem morrido.
Apesar de todos os pesares, Timor Leste hoje encontra-se menos pior do que sob os auspícios de Suharto.
Tecla PLAY
Rui era gente boa demais, cara! O bicho era muito engraçado e parecia ser bem inteligente. Só pra vocês terem uma idéia, ele me falou que falava oito línguas diferentes. Todas bem parecidas, claro! Ele falava inglês, balinês, indonésio, um pouco de português, a língua local do Timor, e, pasmem, JAPONÊS e RUSSO! Tinha mais uma outra língua local, que não lembro. Mas mermão, o cara falava japonês e russo!! Bicho, duas das línguas mais esquizofrênicas do mundo! Achei que ele tava só de sacanagem, por isso fui lá e comecei a falar um pouco em japonês com ele.
Mermão, o cara destruía no japonês!! Falava bem demais!! Depois, a pedido da americana, ele levou a gente numa casa de massagem japonesa e eu fiquei de cara vendo ele falar em japonês com os atendentes! Perguntei pra que diabos ele tinha aprendido japonês e ele me falou que em Bali é assim mesmo, quase todo mundo fala inglês e japonês por causa do turismo. Beleza, tem até lógica. Mas pra que diabos ele falava russo? Alguém quer arriscar um palpite?
– Ah, Claudio, é que tu sabe, né? Não tem lugar pra ter mulher que nem a Rússia, meu amigo! Eu adoro aquelas mulheres brancas, loiras e imensas!!
– Ahn? Quer dizer que tu aprendeste russo só pra pegar mulher?
– E por que outro motivo eu deveria aprender russo?
E no Brasil ainda tem gente que quer aprender língua estrangeira por causa de emprego, estudo e essas idiotices, nada que seja relacionado a putaria. No final, emprego ou estudo, a gente sabe mesmo “o que é que a gente quer”.
O bicho era figura demais, rapaz! Só sei que marcamos de sair pra balada mais tarde eu, ele e a americana.
Descemos pra balada e lá ele me apresentou pra uma GALERA de Timor Leste, uns sete ou oito caras diferentes. Tudo gente boa pacas. No meio daquela galera, conheci um Timorense que tava morando em Londres. Na hora bateu a curiosidade: Como sera que ele conseguiu visto pra morar por lá?
Conheci esse tiozao na balada. O bicho era figura demais! Ia pra balada com camisa do Flamengo e ficava la zuando com a gente. A despeito da barba branca, o bicho zoava geral com a gente! Nao podia passar uma sueca que ele ja dava uma encoxada federal! Hahahaha. Curti demais esse cara!
Ele me explicou uma parada muito massa que fizeram pra Timor Leste. Devido ao fato do país estar destruído após anos de guerras, um grupo de mais de quarenta países concede vistos especiais para timorenses. Segundo ele, você paga 25 dólares e pode escolher dentre uma lista que possui Inglaterra, Portugal, Brasil etc. um lugar pra poder ficar por cinco anos. Segundo ele novamente, eles fizeram isso como um incentivo pro povo timorense, pois o cara pode trabalhar nesses lugares, juntar um dinheiro, transferir pra conta da mãe e assim mover a economia do país. Só pra vocês terem uma idéia, Timor hoje é um dos países mais caros do Sudeste Asiático, devido ao fato da economia deles ser dolarizada (eles não tem moeda própria, utilizam o dólar) e também devido a ao fato das remessas de dinheiro do exterior. Nessas horas eu lembro da brasileirada que “pena” pra poder conseguir um visto de trabalho temporário nos EUA enquanto os bichos tem uma lista pra eles escolherem. Nessa “roleta de vistos”, grande parte daqueles timorenses que conheci moravam pela Europa e vinham pra Bali só pra passar férias, além de vários deles terem me confidenciado que têm parentes no Brasil. Mais uma vez, tou com preguiça de checar como isso funciona. Se essa parada dos vistos for realmente como ele falou é uma grande invenção pra reconstrução de países. Os países ricos conseguem manter o seu fluxo de mão-de-obra barata enquanto ajudam países menos desenvolvidos sem precisar tirar nenhum tostão do bolso.
Só sei que depois de um tempo na balada, percebi que a americana tava dando um mole absurdo pro Rui. Como não queria “empatar” o cara, resolvi me distanciar um pouco deles e fui ficar zoando com os brasileiros, assim ele podia chegar na mulher em paz. Rapaz e passa meia hora, 45 minutos, uma hora e nada dele pegar essa mina. Achei que o cara era mole e resolvi chegar pra falar pra ele:
– Pô mermão! Chega “chegando” na mina! Ela te dando um mole absurdo!
– E eu com isso rapaz? Eu já te falei, eu gosto é das russas. Faz um favor pra mim, fica conversando com a americana aqui enquanto eu chego naquelas duas russas ali.
E lá foi ele, pequenino, quase da mesma altura que a minha, pra cima de uma par de russas de 1,80m, me deixando sozinho com a americana de coração partido.
Cansado dessa vida mundana, de balada e surfe, resolvi fazer alguma coisa útil, afinal, ainda tenho um blog pra rodar, né? Dei uma olhada em uns guias sobre Bali que achei pela internet e comecei a planejar uma viagem por dentro da ilha.
Conversando um pouco com a galera e levantando informações, descobri que o aluguel de uma moto em Bali é bem barato, algo como 5 reais o dia. Além disso, Bali não tem muitas estradas, logo, se você quiser seguir pra uma cidade é só ir seguindo reto, reto e reto… Ah sim, transporte entre as cidades era ABSURDAMENTE caro. O preço que eles cobram pra te levar de uma cidade do sul até uma cidade do norte dá pra pagar quase uma semana do aluguel de moto e gasolina.
Beleza, decidi que ia alugar uma moto. Mas só tinha um problema. O problema não era que eu não tinha carteira de motorista pra dirigir motocicleta, o problema é que antes daquele dia eu NUNCA havia guiado motocicleta na minha vida e, como já falei pra vocês, trânsito na Indonésia é caótico.Fui conversar com os brasileiros e eles me falaram que não era muito difícil dirigir aquelas motinhas estilo “Bis” (aquelas que parecem uma enceradeira e andam quilômetros e quilômetros com um litro de gasolina) não. Se eu alugasse uma automática, seria mais ou menos como guiar uma bicicleta, com a única diferença que eu não precisaria pedalar! Pensei; “- Pô, bicicleta eu tenho as manhas fortes de guiar, passei quatro anos da minha graduação numa bike. Se for só acelerar mesmo, não tem problema, vou catar uma moto!”. Peguei uma moto dos caras emprestada e realmente era muito fácil guiar a bichinha, pois só tinha acelerador e freio. Pra tirar a prova de fogo, aluguei uma motinha por um dia e falei com um brasileiro se eu podia seguí-lo até uma praia que ele ia surfar pra ver se eu me dava bem com o trânsito.Ele me deixou bem tranquilo quando falei pra ele que eu ia tinha alugado uma motinha pra poder dar um rolê pela ilha: – “O QUE? CÊ É LOUCO? Nunca dirigiu moto na vida e agora vai querer andar em Bali? Cara, faz isso não! Aqui o trânsito é louco, você pode se machucar feio!! Você pode MORRER!”. Depois dessas palavras de consolo, deu até vontade de devolver a moto, mas como eu já tinha alugado, não teve outra, fui seguir o cara!
Nusa Dua, sul de Bali. Lugares que você só chega de motinha!
Mermão, foram os 40 minutos mais longos da minha vida! O cara parecia um louco dirigindo! Saía cortando os carros, metendo buzina em todo mundo e o caramba! Fui tentando segui-lo, mas, claro, na medida do possível tentando respeitar as regras de trânsito. Acabei chegando vivo na praia! No final valeu MUITO a pena! Fomos à praia de Uluwatu, situada na parte sul da ilha! E cara, que praia linda, mermão!! Vários desfiladeiros e uma praia de águas transparentes embaixo! Cara, parecia coisa de cinema! Se liga nas fotos:
Só sei que ele ficou lá embaixo surfando e eu acabei ficando na parte de cima, trocando idéia com os milhares de brasileiros e batendo fotos! O lugar era lindo demais! Eu até pensei em tentar pegar umas ondas, mas as ondas eram grandes demais e além disso o chão não era de areia, mas sim de recifes, logo, se eu errasse uma onda (o que era bem provável), ia fazer valer a grana que gastei no meu plano de saúde internacional.
Aprazível o lugar pra surfar, né?
Só sei que no final, na hora de voltar, me bateu um medo MUITO grande de voltar pra casa. Era de noite e eu ainda ia voltar seguindo um cara não muito calmo no trânsito. Não sei o que deu, só sei que no final eu me perdi dele e acabei tendo que voltar sozinho pro meu hotel que por sinal ficava em outra cidade. Ainda bem que eu me perdi dele, viu? Se eu tivesse voltado com ele, com toda certeza eu teria devolvido a minha moto no outro dia.
Voltando sozinho, pude perceber que REALMENTE dirigir uma Bis automática é bem mais fácil que guiar uma bicicleta. Quando você anda de bicicleta, a sarjeta é o lugar que você trafega e, como falei, você ainda tem que pedalar. Na Bis, eu só ficava sentado movendo o pulso direito e podia ir no meio da pista que os carros me respeitavam. O asfalto por toda a ilha me impressionou, lisinho e sem buracos. Além de tudo, como eu estava dirigindo uma “bicicleta motorizada” eu realmente levei a sério essa história de bicicleta e trafegava a 40 km/h com alguns picos de 60km/h quando tinha uma reta imensa! Ia à velocidade de bicicleta! – “Mas aí você demorava anos pra poder chegar nos locais?” – você deve estar pensando. Aí eu só respondo: – “Meu amigo, eu tou em Bali, eu vou ter pressa pra que?”.
O trânsito é louco e complicado pra quem dirige louco e desesperado! Tá certo que eu demorei quase duas horas pra andar menos que 30 km, mas voltei pra casa são e salvo.Tinha passado a minha prova de fogo.
Aluguei a moto por quatro dias, botei meus óculos escuros, meu capacete, minha mochila, Matanza no ouvido e virei o James Dean das matas dos cocais! Crushi’n Bali estava apenas por começar!
Antes de começar a viagem por Bali em si, resolvi mais uma vez me testar e ver se eu conseguiria seguir no trânsito de boa. Segui para Uluwatu, mas desta vez para o templo e não para a praia.
Que coisa absurda! O parque que tinha o templo era lindo DEMAIS! Como falei, os balineses tem bom gosto pra poder fazer templos, viu? Aproveitaram o maior desfiladeiro e fizeram um templo lá em cima.
Não nos era permitido entrar no templo, mas só de poder ficar batendo fotos dos desfiladeiros, já valeu a viagem. Lindo demais, a foto que eu mandei pro jacarebanguela.com.br foi nesse templo e eu já havia postado algumas fotos desse lugar aqui no blog também.
Mas os macaquinhos que tinham lá eram um show a parte. Meu amigo, tinha MUITO macaco por lá. Era uns saguizinhos não maiores do que um vira-lata e que ficavam bem perto da gente. Você podia ficar alimentando eles também que não tinha problema. Uma galera comprava comida antes de ir pro templo ou comprava da mão dos guias (que era dez vezes mais caro). Teve um dia que eu fiquei foi uma tarde inteira alimentando os macaquinhos. Outra coisa que era muito engraçado relacionada a eles era que havia uma placa bem grande, em várias línguas, inclusive em português, avisando pras pessoas tirarem os óculos e tudo que pudesse chamar a atenção, pois senão eles metiam a mão. Cara, era muito engraçado! O que eu vi de gente perdendo boné, brinco, óculos de sol, óculos de grau e o caramba porque os micos roubavam não tá escrito. Você ficava andando, dando comida pra eles e do nada você escutava um grito, quando via, era mais um que tinha sido roubado. Hahahaha
Se liga no pe dele. Oculos de grau roubadoGuia indo buscar mais um brinco que foi roubado
Depois de Uluwatu, resolvi, com uma câmera na mão, uma motocicleta nos pés e um blog por escrever, meter o pé na estrada e começar a minha viagem pela ilha. Comprei um mapa de Bali e me meti pra cima. Fui em direção ao templo de Tanah Lot, na parte sudeste da ilha. Como quase todos os templos de Bali, ele também era quase que milenar, foi construído no seculo 15 (mais de 600 anos atras).
Esse templo foi algo que me impressionou, viu bicho? Como esses balineses tem gosto pra fazer templo, meu amigo! Eles aproveitaram que a natureza deu uma rocha pra eles no meio de uma praia e fizeram um templo em cima. O local é lindo DEMAIS. Não é permitido acesso ao templo. Mas o que mais me encucou lá não foi nem o templo ser em cima de uma rocha no meio da praia, mas sim o fato de que de dentro dessa rocha, tinha uma fonte que jorrava ÁGUA DOCE! Caraca, doido! Imagina que coisa louca? Uma fonte que jorra água doce no meio de uma praia? Segue as fotos:Me falaram que o melhor de Tanah Lot é o pôr-do-sol, mas como eu não tinha tanto tempo, resolvi seguir logo para Ubud, aonde me foi explicitado que havia a famosa “Monkey Forrest” (Floresta dos Macacos).
Segui pra Ubud. Essa tal dessa “Floresta dos Macacos” não teve nada demais. Poucos macacos, bem menos que no templo de Uluwatu.
Fofinha essa foto, não?
No caminho pra Ubud, tiveram algumas coisas interessantes. Cara, tinha uns campos de arroz muito, mas MUITO bonitos, bicho! Sério, eu fiquei de cara vendo aquilo! Eu não sei se todo arroizais são assim, mas aqueles eram lindos demais! Vários níveis de altura, com a imagem do céu refletindo neles. Na hora eu só pensei naquela paráfrase do poema de Fernando Pessoa que havia feito: “Deus ao arroz a gordura e o amido deu, mas foi nele em que espelhou o céu.”. Sério, porque era lindo demais ficar vendo. Cheguei em alguns momentos a parar a moto, sentar no chão e ficar só admirando a paisagem. Não obtive muito sucesso porque acabei pisando em cima de um formigueiro, mas enfim…
Além dos arrozais no caminho, vi também um balinês estirado no chão e um bando de gente socorrendo o cara. Provavelmente algum carro pegou ele e foi embora. Na hora que eu vi aquilo até que me deu uma vontade de voltar pra casa e largar essa vida de moto pra lá, mas como já tinha passado o meio do caminho, ou o “turning point” como preferir, não tive como voltar. A solução foi reduzir ainda mais a velocidade média e torcer pra Deus me proteger, até porque pedi proteção pra Brahma ou Vishnu (deuses hindus) não dá muito certo, como o próprio balinês tava ali pra mostrar.
Comeca assim. Voce da o amendoim na mao do macaco. Ele come, agarra no seu sarongue e so solta quando voce joga uns amendoins pra ele ir buscar. Quando voce joga os amendoins, ai vem um bando de macaco querendo mais amendoins. Ai, meu amigo, ja viu…
Em Ubud a única coisa que aconteceu de engraçado foi quando eu cheguei, mais uma vez, com um bando de amendoim pra alimentar os macacos. Entrei no parque e o primeiro macaco que eu já vi eu já fui dando um amendoim. Rapaz, pra que? Esse macaco começou a me seguir o parque inteiro. Depois de um tempo, não era um só, mas uma quadrilha de saguis tavam no meu encalço! Eu só sei que comecei a andar mais rápido e me escondi atrás de um guia do parque pedindo ajuda. Pode me chamar de medroso, mas ver 10 ou 15 saguis com dentes afiados te seguindo é uma visão do inferno!
A momentos em que uma disputa por amendoins transforma-se numa batalha de vida e morte entre dois primatas.
O guia acabou por espantá-los e perguntar o que eu tinha dado pra eles. Eu falei que tinha dado amendoins e ele falou que naquele parque não era permitido dar amendoim pros macacos porque senão eles ficavam agressivos com você (eu ainda comprei amendoim apimentado, hehehe). Falei que tava de boa e comecei a andar no parque procurando alguém vendendo comida pra dar pros macacos. Cheguei numa banquinha de uma véia desdentada, sentada e fumando um cigarro com o canto da boca. Perguntei quanto eram as bananas e a véia já foi “enfiando a faca”. Me falou que pra uns pedacinhos de nada ela queria dois dólares. Nessa hora quem ficou agressivo fui eu, quase que eu dei foi uma cadeirada nela! Pensei: – “Quer saber? Porra de banana, eu vou dar é amendoim mesmo. Se eles são agressivos, eu sou mais ainda”. Peguei um pedaço de pau e chamei os macacos pra porrada! Com a mão direita eu dava amendoim e com a esquerda eu segurava o porrete, se algum daqueles miquinhos se metessem a besta, o pau ia comer! Se eles tentaram me atacar depois? Rapaz, não queira ver um maranhense, do altos dos seus 1,63m, com um pedaço de pau e sangue nos olhos não, viu? Acho que os macaquinhos perceberam que seria mais prudente ficar de boa comigo. Como dizia o ditado: “Pequinês que brinca com pitbull vira pequenique de urubu.”
Depois da expedição à ilha dos macacos, segui pra um hotelzinho pra poder dormir e seguir pro vulcão no outro dia.