"Breaking the Law"

Localizacao do vulcao e do lago. Proximo a cidade de Kintamani
Como já havia falado, em Bali tem um vulcão no meio da ilha. Coisinha boba, coisa de alguns milhares de metros de altura. Acordei cedo em Ubud e segui viagem. Quando estava a caminho, vi só aquelas sirenes. Polícia! Não que os caras estivessem correndo atrás de mim ou algo assim, mas eles estavam parando todo mundo pra poder checar os documentos. Me toquei que… er… bom… eu não tinha carteira de motorista internacional, tampouco carteira de moto, mas fui lá, fui em frente fingindo que tava tudo certo.
O cara estendeu o braço e me parou. O guardinha, até gentil, foi me pedindo meus documentos e eu fui lá, fingindo que não tinha nada de errado. Registro da moto, registro do aluguel da moto e talz. Ele pediu a carteira de motorista. Com a maior cara de pau, dei a carteira de motorista brasileira e falei que a categoria “B” significava categoria “Bike” (moto em inglês) logo eu estava habilitado para dirigir moto. Só sei que o cara não caiu muito na conversa e começou a encrencar que minha carteira não era internacional, que isso era sério, que ele podia me levar pra delegacia e coisas do tipo. Eu vi que ele tava querendo me pressionar. Fiquei de boa e falei:
– Oh, meu amigo, claro que essa carteira aí é internacional.
– Mas tá tudo em português, meu caro! – ele respondeu.
– Sim, mas é internacional, é que a parte em inglês fica na parte de trás da carteira, olha o outro lado pra você ver.
Minha carteira de motorista fica dentro de um envelopinho. Quando ele virou a carteira de motorista, na parte detrás dela, dentro do envelopinho, reluzia uma notinha de 50000 rúpias, algo como 10 reais. Rapaz, mas na hora que ele viu aquela notinha brilhando, ele abriu foi logo um sorrisão. Mas na mesma hora minha carteira virou internacional:
– É mesmo, eu não tinha notado que era internacional. Às vezes eu preciso ser mais atento. – disse ele pegando o dinheiro disfarçadamente e com um sorriso maroto.
– Relaxa, seu guarda, acontece.
Claudiomar Jean: – “Porque com uma moto possante na mao, as regras existem para ser quebradas”. Blog omundonumamochila.com mostrando que tambem sabe ser rebelde.
E lá fui eu seguindo viagem…

Bali – Vulcão

Cheguei no vulcão por volta do meio-dia. Valeu toda a grana que eu havia gastado pra poder chegar lá. O lugar era absurdamente lindo e, sério, como tudo em Bali, parece que Deus teimou em ser caprichoso. Além de um vulcão, ainda havia um lago imenso pra poder completar a paisagem. Louco demais!
Fiquei dando um rolê com a motinha, dessa vez a 20km/h pra poder admirar a paisagem. Quando me toquei, estava sendo seguido. Um balinês numa motinha um pouco mais potente que a minha (o que não era muita coisa, já que até uma tia gorda numa bicicleta devia ser mais potente que minha lambreta) trafegava à mesma velocidade que eu e teimava em não sumir do meu retrovisor. Como vi que ele queria alguma coisa, fui reduzindo a velocidade pra ver se ele me ultrapassava. Quando finalmente parei a moto ele colou do meu lado e falou:
– Oi, meu caro amigo, você não quer dar uma olhada no meu trabalho? Eu faço alg…
Acelerei a moto e deixei ele falando sozinho. Rapaz, não é que o cara continuou me seguindo? Pra satisfazer um pouco mais meu prazer sádico fiquei nessa umas cinco vezes. Parava a moto, esperava ele colar do lado e quando ele começava a falar, eu deixava ele falando sozinho. E fui assim até a hora de vencê-lo pelo cansaço. Não, depois de cinco vezes ele continou me seguindo. Resolvi dessa vez esticar, andar em alta velocidade pra ver se ele me deixava em paz. Deixei o espírito Felipe Massa tomar conta de mim e enfiei a mão no acelerador. Comecei a trafegar a incríveis 60 km/h, próximo a velocidade da luz. O cara continuou me seguindo. Rapaz, mas eu andei, contados, nove quilômetros com o bicho atrás de mim. Fui lá, dei a volta, voltei os noves quilômetros e o bicho continuava no meu retrovisor. Rapaz, ele realmente sabia como ser chato. Só sei que depois de muito tempo, eu acabei foi ficando com pena dele e resolvi parar a moto pra ver essa droga desse trabalho dele. Depois de quase uma hora me seguindo, o pobrezinho foi lá me mostrar alguns desenhos toscos do vulcão e perguntando o que eu achava. Se liga no papo dele:
– Amigo, olha como meus desenhos são legais. Dá uma olhada nesse aqui. E esse. E esse.
Todos desenhos toscos que só o Batoré. Me senti tratando com o Ednaldo Pereira (http://www.youtube.com/watch?v=r6Zv6QPFG2s) balinês. Mas o mais engraçado foi ele falando depois:
– Não que eu esteja pressionando você, longe de mim querer fazer isso, eu só quero lhe mostrar minha arte.
Depois de 20 km me seguindo, realmente a última coisa no mundo que ele tava fazendo era me pressionar. Só pra vocês terem uma idéia de como ele era gente boa, eu falei que eu precisava trocar dólares por rúpias. Ele falou que não tinha problema, que ele fazia aquilo pra mim com o maior gosto, que ele fazia aquele “favor” “só porque queria ser meu amigo”. Falou que pra cada dólar que eu desse pra ele, ele me dava 7000 rúpias. O bicho era gente boa mesmo, o único problema era que a taxa de câmbio, na pior das casas de câmbio, era uma dólar valendo 9200 rúpias. Depois dessa, deixei ele falando sozinho e segui pro local aonde eu poderia contratar um guia pra poder subir o vulcão. O Ednaldo Pereira, claro, foi me seguindo até lá.

Subindo o vulcão

Cheguei na sede já fazendo “zuada”. Conversa daqui, conversa dali, me foi cedido um guiazinho pra poder subir o vulcão comigo e os caras enxotaram de vez o “mala dos desenhos”. Paguei um pouco caro, é verdade, 22 dólares só pra essa bendita subida, mas depois de dias e dias gastando 10 dólares por dia, meu orçamento permitia um luxo desses.
A subida do vulcão não foi nada impressionante, mas foi legal. Eu não sou muito fã de ficar fazendo “trekking” (caminhada). O que salvou foi o lago, que me rendia umas boas paisagens.

Chegando no topo, na cratera do vulcão foi até engraçado. Eu achando que lá no meio ia ter um bando de lava explodindo, pterodatilos voando, o Smegol com o anel do Senhor dos Anéis lá dentro, uma placa escrito “Ahá, pegadinha do Malandro” e tudo! Mas que nada! Nada demais. A cratera era um buraco, nada mais que um buraco com umas pedras dentro. O vulcão era inativo. Só tinha umas fumacinhas subindo, mas nada de muito impressionante.
Cadê o Frodo


Fiquei meio decepcionado, porque havia gastado uma grana absurda. Até que o passeio foi legal, só não valeu os 22 dólares.
Na beirada da cratera do vulcao, tinham varias garrafas plasticas d’agua. O guia me explicou que os hindus da ilha aproveitam que o vapor da cratera condensa em algumas saliencias da rocha e goteja. Esse liquido e’ algo como um liquido puro e sagrado que eles utilizam pra fazer sacrificios de pequenos animais, como galinhas.


De mais interessante mesmo, foi que do lado da cratera, tinha uma vendinha. Fui lá pra ver quanto custava uma garrafa d’água e quase que caí pra trás. O cara cobrava nada mais nada menos que cinco vezes o valor de mercado! Enquanto você paga 5000 rúpias numa garrafa d’água na cidade, na mão dele era 25000. Beleza, é a mão invisível do mercado, meu amigo! A demanda de garrafas d’águas por turistas exaustos depois de uma hora caminhando e subindo uma montanha, deve ser alta, e só ele fornece. Além disso, a mão invisível do mercado não ajuda ele a carregar as garrafas d’água nas costas todos os dias e ele também não tem helicóptero. Logo, todo santo dia, o cara coloca dez ou quinze quilos de águas e outras mercadorias e sobe mais de 1000 metros num sol escaldante. Pode cobrar cinco vezes mais, não tem problema.

Depois de cair fora da cratera do vulcão, o guia ainda foi gente boa e me levou pra dar uma volta na cidade. Pedi pra ele me levar pra dar um banho no lago e lá fomos nós. O lago em si não tinha nada demais, mas parecia um açude, fui logo tirando minha roupa e caindo dentro d’água. Depois do açude, falei pra ele que queria tomar um banho e ele me levou pra um local aonde todos os moradores locais tomavam banho e que, segundo ele, era uma fonte de água quente natural.
Quando cheguei nesse lugar demorou um pouco pra eu poder tomar coragem e cair dentro d’água, viu? Mermão, era todo mundo de cueca e calcinha, velho, criança, homem, mulher, maranhense, tudo, tudo! Todo mundo dentro de uma pocinha de uns 5 metros por 7. Todo mundo caía dentro da parada e ficava se ensaboando lá dentro mesmo. A água chega era azulada, só de sabão. Fiquei pensando: – Pô, se é assim de sabão imagina como não deve ser de urina.
Deixei de frescura e caí logo dentro da pocinha, que realmente, era quente demais, cara! Ele depois me explicou que aquela água era quente devido ao fato de que a fonte dela era próximo à cratera do vulcão.
Depois de algum tempo tomando um banho de urina e sabão, resolvi trocar de roupa e cair na estrada pra poder voltar pra casa. Como só tinha uma estrada de acesso, era quase 100% de chance dos guardinhas lazarentos ainda estarem lá e eu ter que pagar mais 50000 rúpias pra minha carteira de motorista “virar internacional”.
Decidi que ia ficar lá pelas montanhas, até esperar anoitecer. De noite é BEM melhor pra se dirigir, haja vista que o trânsito é inexistente e não tem guardinha checando nada também. Só sei que quando deu umas 5 da tarde, eu desisti e fui me embora logo. Por quê? Mermão, eu tava a 2000 metros de altura. A cada minuto que escurecia fazia um frio MISERÁVEL (so pra voces terem uma ideia, Campos do Jordão, a “Suica brasileira”, fica a 1600 metros) e ainda tava ventando muito! Pra piorar eu não tinha nenhum agasalho (valeu, levar agasalho pra Indonésia, é como levar agasalho pra ir pra Teresina!). Como não queria ficar duas horas tremendo mais que vara de bambu verde por causa de 10 reais, resolvi arriscar dar de cara com os guardinhas de novo.
Mandei tudo pro inferno, cd do Matanza no ouvido e pé na estrada. Graças a Deus tudo transcorreu bem, não me deparei com nenhum guardinha e voltei pra Kuta de boa, são e salvo.
Só algo que eu deveria citar. Sabe aqueles insetos que você vê em fazendas, que ficam ao redor das lâmpadas de noite? Pois é, eu andava tão devagar que eles ficavam voando ao redor do farol da minha motinha. De vez em quando eu dava uma acelerada e acabava que engolia uns. Eles são salgadinhos.
Eu e o guia
Depois dessa viagem, foi só continuar a vida PPC de Kuta e pegar meu vôo no outro dia pra Malásia.
Mas aí já é outra história.
Bali me deixou saudades.

Posts atrasados…

Galera, uma serie de fatalidades tao me atrapalhando pra poder postar o blog…
Serio, hoje eu tava com tudo certo, texto formatado, fotos editadas, pen drive no laptop… Nesse exato momento, com o pen drive ainda no pc, na hora que ia começar a postar, todo mundo subiu no telhado da casa pra tocar violão e tao me chamando aqui… Ta, vocês são importantes, mas o dever me chama!! Se eu não zuar com a galera não tem historia no blog, né?? aheuahuehe
Daqui a 12 horas, sem falta, post novo… Pode cronometrar…
Juro que so vou subir no telhado pra tocar violao e tomar cerveja por que estou pensando em voces… Tudo pelo blog!!
abraços maranhenses
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Comentarios comentados…

Como ja falei, como tem varias perguntas e colocações que aparecem na parte de comentarios parecem ser pertinentes para todo mundo, vou responder por aqui.
1 – Bali é igual aquela ilhazinha da Tailândia que nem polícia tem?…

Cara, essa foi uma questao que eu fiquei me perguntando por um bom tempo. A ilhazinha, no caso Ko Chang, e’ apenas uma ilha com varias vilas diferentes e com uma populacao minuscula, por isso nao tem policia e se tiver, parece nao funcionar. Ja Bali e’ uma ilha imensa com 3 milhoes de pessoas, logo, claro, tem ter policia. O que parece e’ que a policia nao parece ser algo tao eficiente, a nao ser em momentos em que ela possa extorquir algum dinheiro de turistas, como no caso das carteiras de motoristas. Ainda vi uns policiais patrulhando pelas ruas de Kuta, mas nunca vi nenhum deles entrando pra separar as diversas tretas que ocorrem todas as noites.
2 – o melhor dos videos depois do conteudo mostrado eh o tributo ao velhas virgens muito loko!mais fala ae na moral.. num da vontade de fica fumano back e curtindo uma paisagem dessa o dia todo? xD
Nao, hehehe. 🙂


3 – Pedro postou: iiih, hoje é meu aniversario heinespero que no proximo post tenha um parabens para mim!

Feliz aniversario atrasado, Pedro (serio, esse blog ta ficando cada vez mais almoco de familia, hehe)
4

4.1 -Jane borges postou: OPÁAAAAAAAAA PARA TD QUE EU QUERO DESCER!GALERA 0,50 CENTAVOS A CERVEJAISSO É UM PARAÍSOHEHEHE E EU QUE PENSAVA EM COMEMORAR A MINHA FORMATURA INDO D MOCHILÃO CONHECER AS PIRÂMIDES DA AMÉRICA DO SUL , MUDEI DE IDÉIArssrsrsBJS

4.2 – Nande postou: 50 centavos a cerveja!?!?!?!?!Me dá o endereco que to indo agora!!!!Caracas!!! eu pago quase R$ 30,00 em um copo aqui na Suécia.100,00 Kronos um copo de cerveja…Por isso que a galera aqui só bebe bebida forte. rsrsr
Nessas horas eu lembro do boteco fundo de quintal que fomos ontem. A jarra de dois litros e meio de cerveja custava 1,75 dolares. DOIS LITROS E MEIO!

Se liga no sorrisão da galera.

Essa Asia cada vez me encanta mais.

Bali

Nusa Dua – Bali

Cara, Bali, ao contrário do que eu pensava, não é uma cidade. Bali é o nome de uma dentre as milhares de ilhas pertencentes ao arquipélago Indonésio. É uma ilha até grandinha (qualquer ilha maior que a ilha de São Luís pra mim é grande!). Possui uma população de aproximadamente tres milhões de pessoas e várias cidades diferentes dentro da mesma ilha!
Um dos varios resorts de luxo em Bali

Sério, Bali, de todos os lugares que visitei, sem a menor sombra de dúvidas foi o local que mais me encantou! Cara, o que me deixou mais impressionado é que naquela ilha tem quase TUDO o que você deseja! É uma ilha perfeita para viajantes de todos os tipos, seja mochileiros, seja casais em lua-de-mel. Você quer o que? Praias de águas azul-esverdeadas? Tem em Bali. Resorts absurdamente confortáveis? Tem em Bali. Uma praia quase que deserta pra poder passar lua-de-mel? Tem em Bali! Mermão, Bali tem lugares para mergulho de scuba, lugares para mergulho de snorkeling, uma das melhores ondas do mundo, montanhas (cara, o ponto mais alto da ilha tem mais de 3000 metros! Uma ilhazinha de nada tem um pico com altura semelhante ao maior pico do Brasil, o Pico da Neblina) vulcão, templos, baladas, florestas e etc. etc. etc.
Os caras “vigiando” o nosso hotel as tres da manha. Pra que stress? Isso e’ Bali!

É sério, esquece tudo que eu falei sobre a Tailândia! Bali dá de pau nas ilhas da Tailândia que visitei! E o melhor, barato, cara, ABSURDAMENTE BARATO! Eu tava pagando pra ficar numa suíte de hotel (não confundir com albergue) nove reais por dia. DUAS CAMAS!! Com café da manhã! Uma cama eu dormia, a outra eu colocava minha mala! Refeições a dois reais e banquetes oito, nove reais…
Uluwatu – Bali
A parte que ferve na ilha é a parte sul, na cidade de Kuta, aonde se concentram a maioria dos hotéis e onde fiquei hospedado. Em Kuta aconteceu a maioria das história que vou postar aqui.
Por do sol na praia de Kuta
Loja das Havaianas em Bali


Mas como Bali não é só paraíso

Apesar de todo o seu encanto, Bali também tem as suas histórias tristes. Bali é um dos locais preferidos para a realização de atentados terroristas. Pensem comigo. Os islâmicos radicais, com Bali, receberam uma benção de Alá! Uma ilha hindu (93% da população de Bali é hindu, portanto de outra religião que não a sua), dentro do seu país, que você pode chegar por terra (logo, sem checagem de bagagens nem nada) e o melhor, apinhado, APINHADO de “infiéis”, principalmente da Austrália (país que mantém tropas no Iraque)? Cara, Bali é o local PERFEITO pra atentados terroristas!
Eu, em um dos varios templos hindus de Bali. Como e’ um lugar sagrado, eu preferi nao bater foto sorrindo ou fazendo graca. Engracado notar como eu fico sem jeito pra poder bater foto seria.

Antes que você me pergunte, eu já vou dizendo. É CLARO que, antes de eu ir, não falei sobre nada disso pra minha mãe, meu pai ou pra a menina de Brasília, CLARO QUE NÃO! Se eu falasse isso pra eles, era pedir pra matar um dos três do coração nessa semana que passei lá! Em 2002, ocorreu o atentado mais devastador dos últimos tempos. Matou por volta de 200 pessoas e em sua maioria, em sua IMENSA maioria, infiéis australianos. Eu bati uma foto do memorial que tem por lá pra vocês verem quantos mortos são da Austrália. É gente demais, amigo! Tem também dois brasileiros entre os falecidos.
A pancada da bomba foi tão forte, mas tão forte que um dos brasileiros me falou que um carro foi lançado em cima do telhado de um restaurante a pelo menos 30 metros do local da explosão. Não é brinquedo não!
Local aonde rolava a balada que sofreu o atentado. O lugar lembra MUITO os cenarios sombrios de jogos de terror do tipo Silent Hill ou Resident Evil
Se fiquei com medo de atentado terrorista? Claro que não! Joga isso na cadeia de probabilidades aí e calcula. Dezenas de milhares de brasileiros vão pra Bali todos os anos e até hoje apenas dois morreram em atentados terroristas. Nenhum maranhense. Se for pra eu morrer numa pancada dessa, era porque era meu dia mesmo! Muitos brasileiros moram em regiões ou cidades com índices de homicídios maiores que regiões em guerra e não tem medo de sair de casa todo santo dia. Porque eu vou ter medo de curtir minha balada em Bali? Ter medo de atentado terrorista em Bali, morando no Brasil que é ABSURDAMENTE mais violento, é tão imbecil quanto o cara que, com medo de morrer num acidente aéreo, viaja só de carro, que possui um índice de mortalidade infinitamente maior ou botar alarme em Fiat 147.

Drogas em Bali

Outro fator que muita gente, mas MUITA gente, se dá mal em Bali e na Indonésia refere-se ao consumo de drogas. Cara, lá não tem meio termo, não tem meia conversa, se te pegarem com o que for, um baseadinho de nada, você tá encrencado, mas MUITO encrencado! Pra começar, a Indonésia, como vários países muçulmanos, pune com pena de morte tráfico de drogas. Não tou falando que você vai pra forca se te pegarem com cinco toneladas de pó não, tou falando que eles consideram tráfico de drogas uma parcela ínfima de drogas no seu bolso. Sei lá, um indonésio me disse que sete pastilhas de “ecztazy” no bolso já é o suficiente pra te mandar pra conversar com Alá!
Eu, pra botar pilha na galera, andando no meio da rua fui lá e perguntei como fazia pra conseguir uma bala ou um doce (ecztazy e LSD), drogas bastantes populares entre baladeiros (pela milésia vez, eu não curto isso, mãe!). Rapaz, mas na hora os caras fecharam a cara e falaram pra eu sair dessa! Falaram que até pra fumar um baseado você precisa ter cuidado, mas MUITO cuidado! Se te pegarem, você tá muito ferrado!
Eles me falaram e confirmei depois lendo pela internet, que alguns policiais ficam à paisana oferecendo drogas na frente das baladas e, se você aceita, na mesma hora ele se apresenta como um policial e fala que vai te levar em cana! E pra ele te soltar, cara, não é qualquer 100 dólares que você dá pra ele não! É coisa de milhares de dólares pra você conseguir pisar novamente em terras brasileiras. Eles falam que se você quiser fumar um ou pegar outra parada mais pesada, tem que ter uma fonte ABSURDAMENTE confiável, pois senão você tá encrencado!
Conversando depois, me contaram a infeliz história de um brasileiro que foi pego com duas pastilhas de ecztazy no bolso e amargou uma cana de dois anos na Indonésia! Mermão, se cana no Brasil já é ruim, imagina cana na Indonésia? Um país do outro lado do mundo e que fala uma língua completamente diferente da sua? Eu que não queria estar na pele dele! Depois também me lembrei da história de outro infeliz que foi pego. Mas esse já era um brasileiro “mais mala”.
Pegaram o cara no aeroporto com alguns quilos de cocaína escondidos dentro de uma prancha de surf. Esse aí não teve conversa, saiu na mesma hora em cana e foi condenado a pena de morte!
Não sei se vocês lembram dessa história, isso ocorreu em 2004, mas esse cara da prancha de surf me marcou bastante! Pegaram ele na Indonésia e, devido à probabilidade de ser executado, o Lula foi pedir clemência ao chefe de estado indonésio pra poder converter a pena de morte dele em prisão perpétua, já que no Brasil não há pena de morte!
Antes que eu expresse minha opinião só gostaria de deixar algo claro. Eu poderia colocar vários clichês diferentes do tipo “ah, mas o mais importante é a vida” ou então “ah, mas ele era só um rapaz sem juízo” ou coisa do tipo, mas, um dos melhores motivos relacionado a blogs, é a liberdade de falar o que quiser sem ter que passar sobre um editorial. Se não é politicamente correto o que eu vou dizer, paciência, vou expressar apenas minha opinião.
Quando tavam caçando o Fernandinho Beira-mar no meio da floresta, ficou o país inteiro torcendo pra que ele resistisse à prisão, levasse um tiro na testa e fosse morto de uma vez! Ninguém fica com pena quando a polícia mata mais um traficante de drogas na favela e todo mundo bateu palma pra “Tropa de Elite”. Agora, quando pegam um branco, filho da classe média brasileira, fica todo mundo com peninha do bichinho e vai o presidente, que tem coisa MUITO mais importante pra se preocupar do que com um traficante de drogas, pedir clemência pro pobre menino que não sabia o que estava fazendo!
Eu fico pensando no fato de que o Fernandinho Beira-mar foi um cara que teve pouquíssimas escolhas na vida: família totalmente desestruturada e vida na miséria. O nosso amigo da prancha de surf, teve uma família, teve educação e várias escolhas: poderia ter tido um emprego, uma casa, um carro e uma família, como todo classe média brasileiro. Infelizmente uma das escolhas dele foi fazer dinheiro com tráfico de drogas! Ele sabia do vespeiro que ele tava mexendo, todo mundo é adulto e sabe o que faz. Se eu não tenho pena do Marcola, porque eu vou ter pena desse cara? So me deu pena foi da mae dele…
Mas enfim.. Forca nele! Um traficante de drogas a menos.

Bali – Brasileirada por todo lado

Um dia em Kuta, enquanto eu estava numa Lan House acessando internet, do nada, vi dois caras falando em português. Colei nos bichos e fui conversando. Os dois caras eram de Santa Catarina e eram gente boa demais. Trocando uma idéia com eles, eles me chamaram pra sair pra balada. Na hora eu aceitei.
Saímos da Lan House e quando chegamos em frente a uma loja de conveniência, mermão, muito engraçado, uma brasileirada ABSURDA bebendo e trocando uma idéia. Fiquei impressionado com o tanto de brasileiro que tinha lá, estimo que pelo menos uns 20 brasileiros de todos os lugares do Brasil!
Depois de muito papo, eles me falaram que sempre tem brasileiro por Bali, em sua maioria surfistas, e eles sempre se encontram pelo menos uma ou duas vezes por ano em Bali. Ninguém marca nada com ninguém não! Alguns vão todos os anos, alguns uma vez a cada dois, três anos, depende de cada um. Mas uma coisa é certa, SEMPRE vai ter brasileiro por lá durante os meses de maio e setembro (não lembro exatamente se são esses meses mesmo). Vários daqueles caras já vão constantemente à Bali por pelo menos oito, nove anos, além de que conheci alguns que ficam quatro, cinco meses sem voltar pro Brasil. É loucura demais, cara!
Fiz amizade com dois recifenses gente boa demais! Mudei até pro hotel dos bichos depois! Eles tavam nessa também, uma ou duas vezes por ano, juntam os trapos e vão surfar em Bali. O mais engraçado é que em Bali, eles não fazem nada além daquilo não! Eles “só” vão pra Bali pra ficar surfando! Um dos dois vai há mais de oito anos e nunca foi sequer na parte central da ilha. “Que mané montanha o que, eu quero é surfar” um deles me falava, hehehe.
Pelo que pude notar, a vida em Bali da grande maioria desses brasileiros se resume a balada de noite, surfe quando acorda, balada de noite. Todo santo dia! Mas é todo santo dia mesmo, amigo! Os caras acordam meio dia, vão surfar, descem pra balada, tentam pescar uma sueca ou qualquer outra nórdica, voltam pro hotel, dormem, acordam, vão surfar e ficam nesse ciclo por semanas, meses!
Lembro que no meu primeiro dia de Bali, perguntei pra um dos brasileiros há quanto tempo ele já tava lá, ele falou que tava há dois meses! DOIS MESES! Perguntei pra ele como ele podia ficar tanto tempo e ele falava:
– Ah, você chega, planeja ficar duas semanas, vai postergando a passagem, vai postergando, quando vê, deu dois meses e acabou o seu dinheiro! Tá há quanto tempo aí já, Maranhão?
– Pô, já deu uma semana em Bali!
– Toma cuidado, rapaz, daqui a pouco dá dois meses!
E o pior que quase deu dois meses mesmo! Juro que só não mudei a passagem porque teria que mudar três passagens diferentes: Bali – Malásia, Malásia-Camboja e Tailândia-Índia, mas senão…