Procurando lugar pra ficar em Beirute…

Assim que descemos do ônibus já foi aquele choque na primeira parada. Ao contrário da Síria, país islâmico com uma ditadura sanguinária e repressora, Beirute é uma cidade que respira liberdade em um Oriente Médio onde as liberdades individuais parecem ser repreendidas cada vez mais. Como não havia conseguido um couch a tempo (culpa minha, pois comecei a procurar com pouco tempo de antecedência. Ah sim, o Líbano foi o ÚNICO país em que não consegui ficar de graça em nenhuma de suas cidades), tive que procurar um albergue com os outros dois amigos do Matt. O canadense, Dino, como era bem mais esperto, já tinha reserva em um albergue super da hora e nós fomos conferir se havia vagas nele para que pudéssemos ficar também.
Tanque com soldados em cima no meio da rua de Beirute (sim, eu bati a foto meio mal porque eu não podia bater uma foto abraçado com o tanque, né cara? Se os militares vissem que eu tava batendo fotos poderiam encrencar…) 
Infelizmente ao chegar no albergue onde o Dino possuía as reservas ele se encontrava lotado e tivemos que sair à procurar de um lugar pra ficar. Estávamos na região central de Beirute e achávamos que não seria muito complicado conseguir um lugar para ficar. Repararam na ênfase no verbo “achávamos”, né? Sim, porque foi isso que aconteceu mesmo. Cara, saímos que nem um bando de loucos pra poder achar um lugar pra ficar e todo lugar que a gente ia sempre tava lotado. Só nos restou um último albergue que nós REALMENTE não queríamos ficar…
Bem, por quê? Cara, leitores MMMUIIITOOO antigos do blog podem lembrar de uma descrição que eu fiz do albergue que fiquei em Fiji. Mas, mermão, esse era MUITO pior. Primeiro que o lugar parecia uma casa mal-assombrada, tudo mal-iluminado com paredes descascadas. A porta de ferro que os caras usavam pra fechar o albergue de noite era crivada de bala (reflexo das inúmeras guerras civis que ocorreram por lá) e além de tudo o tiozão, com uma bela barriguinha de chopp, que atendia lá era mais fedorento que arroto de corvo. Afe maria…
Parte de trás do prédio do albergue
Bicho, os quartos era totalmente abafados e o banheiro, bem, o banheiro não merece comentários, vamos apenas naquela do “uma imagem vale mais que mil palavras”:
“Mas se tava ruim, porque você resolveu ficar por lá?”. Cara, no final não tive escolhas, ou era ficar naquele albergue ou dormir na rua, já que, como falei, todos os outros albergues estavam lotados. O tiozão ainda teve a cara de pau de querer cobrar pra gente o mesmo tanto que os caras cobravam no albergue do Dino que, comparado com o nosso, mas parecia um hotel cinco estrelas… No começo eu achava que ele tava era tirando onda com a gente quando falou quanto que custava a noite naquele pardieiro, mas ele REALMENTE estava falando sério. Cara, aí já era demais, tudo o que eu menos esperava era além de ter que ficar naquele pardieiro, ainda ter um tiozão daquele querendo me roubar. Pensei em voar na jugular dele e brincar de “guerra civil libanesa”, mas apenas fomos BEM duros com eles e o cara acabou fazendo por metade do preço que, real, saiu MUITO caro, pois aquela espelunca dele não valia nem os cascos da parede.
Só sei que fiquei lá por uma noite. Quando foi no outro dia, o Dino me passou o bizú que abriu uma vaga no albergue dele. Se eu queria ir? Opa, na hora! Fui só buscar minhas coisas lá no albergue mal assombrado e desci pra ficar lá no albergue do Dino.
Quando fiz meu check-in, acabei ficando amigo dos donos do albergue. Bastante simpáticos, eles me explicaram que antes daquele lugar ser um albergue, ele foi um campo de concentração há mais ou menos trinta anos atrás e por isso ele tinha conseguido comprar tão barato. Além disso, tinha outra curiosidade também. Pra poder tomar banho, você tinha que pedir autorização na recepção pros caras poderem liberar o registro do banheiro. Cada hóspede tinha direito a dois banhos por dia de sete minutos cada, o que eles REALMENTE levavam muito a sério. Se você tivesse se ensaboando e terminasse seu tempo, ele falava que era pra tirar o sabão com a torneira da pia, porque eles realmente não iriam liberar mais água pro chuveiro. Perguntei se teria como a gente negociar, de eu pegar parte das cotas de outras pessoas, já que eu tinha quase certeza que uma pancada dos caras do meu quarto não chegavam nem perto de utilizar sua cota diária, os caras fediam demais, hehehehe. Mas não teve jeito. Os caras não liberavam mesmo e eles SEMPRE cortavam a minha água enquanto eu tomava banho, pois eu sempre esquecia que tinha essa maldita cota, afinal, o calor lá era de lascar e nada mais confortável que um banho.
Teve outro fato engraçado também. Como a recepção sempre tinha uma galera lá, eu gastava um bom tempo conversando com geral. Uma vez, eu fiquei conversando em inglês com um figura por quase trinta minutos pra depois descobrir que ele era brasileiro também, hahaha. Cara, a gente REALMENTE não reparou que éramos do mesmo país. Eu jurando que ele era árabe e ele achando que eu era italiano. O nome dele infelizmente não lembro, mas ele era correspondente da BBC Brasil no Líbano e estava lá desde os bombardeios de 2004. Disse que cobriu o conflito e diariamente ele via caças israelenses sobrevoando a sua cabeça. Imagina que vida mais pacata…

Como chegar ao Líbano – Perrengue

Pra falar a verdade, quando ainda planejava a minha viagem de volta ao mundo, a Síria não estava nos meus planos. O país que mais me fascinava no Oriente Médio (além de Israel) era sem sombra de dúvidas o Líbano. Por quê? Cara, não sei dizer… Talvez pela grande influência libanesa na cultura brasileira. Talvez por ter conhecido alguns libaneses na Austrália que eram apaixonados por Beirute (quando ela não estava sendo bombardeada, é lógico) e a imagem da Paris do Oriente Médio.

Talvez por me fascinar como um país com metade da extensão do menor estado brasileiro (Sergipe) ou o dobro da área do Distrito Federal possuir tanto conflitos e religiões. Enfim, o Líbano me fascinava. Eu acabei indo pra Síria quase que na inércia mesmo, pois a única fronteira terrestre possível de ser cruzada para o Líbano é a fronteira com a Síria (já que a fronteira com Israel é fechada). Inclusive, uma curiosidade que eu acho que eu ainda não contei pra vocês. Quando você vai entrar na Síria ou no Líbano eles fazem poucas perguntas e quase não lhe importunam. A ÚNICA coisa que eles procuram com bastante seriedade é se você tem traços de que passou por Israel, ou seja, se você viajou pra Israel antes de ir para a Síria ou para o Líbano.

Se você tiver uma passagem aérea com trechos passando por Tel-Aviv ou um carimbo da imigração israelense no seu passaporte demonstrando que você entrou no país, você é barrado antes de entrar nesses países. E não só no Líbano e na Síria. Possuir um carimbo da imigração de Israel no seu passaporte automaticamente o impede de entrar também no Irã, no Afeganistão, na Argélia, Iraque, Kuwait, Líbia, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Iêmen… Ou seja, planeje bastante a sua viagem pro Oriente Médio pois senão você pode ser barrado numa fronteira de um país sem nem saber porque (eles não falam inglês. Então a única coisa que eles irão fazer é apontar para o outro lado da fronteira e mandar você voltar. E ah sim, sempre bom lembrar, eles tem rifles, e os caras que possuem rifles sempre possuem a razão, como eu já falei diversas vezes no blog nessas histórias aqui e aqui).

Como eu consegui ir a Israel e a esses países pedreiras ao mesmo tempo? Bolei um plano… Primeiro fui pra Síria e pro Líbano por terra, vindo da Turquia, regressei a Turquia, voltei para a Europa, da Europa fui de avião pro Egito e do Egito atravessei, por terra, a fronteira de Israel. Sem problemas, certo? Errado! Você até pode entrar em Israel tendo carimbos de países hostis como Líbano e Síria, mas pode ter certeza que passará por um looonnngooo interrogatório na fronteira, tal qual ocorreu comigo, mas isso é história, muito engraçada por sinal, pra posts lá na frente.

Quando estava na Síria, alguns amigos europeus do Matt também estavam planejando ir ao Líbano em alguns dias. Acabei ficando mais dois dias na Síria além do esperado, mas no fim valeu a pena, haja vista que os amigos do Matt falavam um pouco de árabe e isso tornava tudo sempre mais fácil. Fomos à rodoviária, a mesma do Servicio del taxi, e lá começamos a recolher informação de como nós poderíamos seguir para o Líbano. “Nós” é jeito de dizer, pois a única função que foi delegada ao latino burro aqui foi ficar cuidando das mochilas enquanto os caras saíam perguntando qual ônibus deveríamos pegar.

De qualquer maneira fiz o meu melhor pra guardar as mochilas e elas se comportaram direitinho, no final, o que me ajudou bastante.

Depois de um bom tempo sem sucesso, conseguimos falar com um cara que sabia como era o esquemas e resolveu ajuda a gente. Rapaz, esse cara só faltou pegar a gente pela mão. O bicho foi num guichê, foi em outro, foi no outro, achou o guichê que vendia a passagem pro Líbano, começou a barganhar pra ver se o cara fazia mais barato (éramos quatro no total), enfim, o cara fez tudo pra gente. No final, nos entregou a passagem e eu já estava me preparando pra tirar a grana da carteira que eu tinha certeza que ele ia pedir uma comissão pra ele… Que nada… O cara só falou que tava tudo certo, nós agradecemos e ele foi embora. Nada mais que isso.

No final ainda perguntei pros caras: “Pô, o bicho foi mó gente boa, a gente não vai dar nenhum troco pra ele em agradecimento?”. Rapaz, fui seriamente repreendido por eles. Eles me falaram que é esse tipo de pensamento do tipo “se você me ajuda, eu te dou dinheiro” que contaminam as relações entre as pessoas quando você viaja mundo afora. Por isso que vários lugares turísticos, você não pode contar com as pessoas porque certamente elas irão tentar te enganar pra poder pegar um pouco de dinheiro de você. Rapaz, os caras ficaram brabos comigo. Mas pô, foi o que eu aprendi quando estava viajando, tratar as pessoas que nem foca: Foca faz uma pirueta? Toma um peixe! Ela bate palma? Toma outro peixe… Só estava contaminado, hehehehe.

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Eu e o Dino em Beirute

Entramos no busão e seguimos em direção ao Líbano. Lá conhecemos um canadense, Dino, MUITO gente boa, que virou nosso amigo e que ia nos ajudar bastante no Líbano, já que ele falava francês e quando os caras não conseguiam falar em árabe com os libaneses (já que o sotaque era diferente da Síria), o canadense desenrolava pra gente em francês. Além disso, eu, como estava com um agasalho do Brasil, acabei chamando a atenção de um molequinho que estava dentro do ônibus! Rapaz, esse guri ficou doido pra brincar comigo! A mãe dele falava algum inglês e me explicou que o menino era doido pelo Brasil. Que ele tinha várias camisas da seleção, sempre assistia os jogos do Brasil e coisas do tipo. Eu como gosto de criança e, pra agradar, fiquei brincando com ele enquanto viajávamos. Chegamos à fronteira e todo mundo teve que descer do ônibus. Rapaz, que inferno.

Descemos do ônibus e nos dirigimos ao guichê de imigração. Ninguém do busão precisou apresentar nada, só a carteira de identidade, nós, como éramos os únicos estrangeiros, tivemos que ir pra longa fila e o ônibus inteiro ficou nos esperando e olhando já com uma cara de raiva. Peguei a fila que eu julgava ser a menor. Rapaz, pra que? Só depois que eu vi que uma das mulheres que estava no balcão tinha era um BOLO de passaportes do IRAQUE na mão e o soldado do guichê foi lá pra poder carimbar, um por um, as DEZENAS de passaportes que ela trazia com ela. Depois eu fiquei pensando: Que guerra civil que nada! Pra quem mora no Iraque, o Líbano deve ser seguro como as ruas da Suíça.

Pra facilitar e agilizar a nossa vida, nos separamos em diversas filas e combinamos que quem chegasse no guichê primeiro, pegava os passaportes de todos os outros e assim a gente passava logo. Bem, iríamos fazer exatamente como a iraquiana com milhares de passaportes e todos os outros estavam fazendo.Ficamos esperando na fila por quase uma hora. E a galera do busão querendo MATAR a gente, pois, enquanto não resolvêssemos nosso problema, ninguém chegava em Beirute. Até que chegou a hora do Dino e ele pegou nossos quatro passaportes e deu pro cara carimbar pra gente poder passar. Rapaz, eu não sei o que aconteceu, o que foi que o cara do guichê viu no Dino que na hora que ele pegou os nossos quatro passaportes, ele jogou de volta e disse que não ia fazer aquilo. Que só ia carimbar se fosse um por vez. Por quê? Vai perguntar lá pra ele porque eu não tenho a MÍNIMA ideia! Só sei que na hora nós quatro tentamos sair das nossas filas e ir pro lugar do Dino pro soldado no guichê ver nossas caras uma por uma. Os outros caras que estavam na fila não nos deixaram passar. Resultado? Mais UMA HORA na fila com a galera no ônibus esperando doida pra achar um cinto de bombas e explodir a gente…

Só sei que no final o rapaz resolveu enfim carimbar os nossos passaportes e nos deixar passar. Quando entramos de volta no busão, a galera chega nos fuzilava com o olhar! A galera tava era FUMAÇANDO de raiva por causa de todo esse tempo de demora! Resolvi nem trocar olhares com ninguém, sentar e esperar até chegar em Beirute e cair logo fora dali. Na hora que eu fui sentar eu comecei a procurar o meu casaco. Não tava no meu banco, quando eu fui achar olha onde ele tava…

Era o meu “bem vindo ao Líbano” 🙂

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Líbano


Depois da Síria, era chegada a hora de seguir para o próximo destino: Líbano.
O Líbano é um país situado no Oriente Médio e ilustra perfeitamente o mosaico de religiões e conflitos que se desenrolam pela região. Ao contrário de seus vizinhos que possuem maiorias incontestáveis de uma ou outra religião (Israel é um país judeu e Síria, Iraque, Irã, entre outros, são países muçulmanos), o Líbano não possui uma maioria religiosa que consegue se impôr. É interessante, mas o Líbano possui a maior comunidade católica entre os árabes! Sim, árabes católicos! Sabe aquele esterótipo que a gente tem dos muçulmanos? Barbudos, morenos e com rostos de traços robustos? Pois é, há vários desses, mas que professam a fé cristã assim como nós! Isso pode ser uma vantagem ou até bonitinho para as pessoas dizerem “olha só, são várias religiões reunidas!!”, mas na verdade esse é o grande problema do Líbano. Como nem católicos, nem muçulmanos conseguem se impor uns aos outros, o pau sempre come solto por lá, com guerras civis sendo tão constantes como Copas do Mundo.
Para se tentar conseguir algum tipo de paz ou estabilidade, amplos governos de coalizão necessitam ser formados para que as várias correntes possam ser representadas. Durante boa parte do século passado isso até funcionou, pois a população se dividia basicamente em metade católicos, metade muçulmanos. O problema é que as taxas de natalidades das famílias católicas costumam ser menores do que as das famílias muçulmanas. E isso desequilibrou a frágil estabilidade religiosa no país. Eu cheguei a ouvir que hoje provavelmente o Líbano possui 70% de muçulmanos contra 30% de católicos e outras minorias. Para evitar que o pau coma solto mais ainda, que essa proporção seja oficializada e assim os árabes clamem por mais poder e por transformar o Líbano em um país muçulmano assim como a Arábia Saudita ou a Síria, nunca mais houve um censo oficial para que seja atestada essa proporção. Apesar das diversas demonstrações de força, pressão e apoio popular do Hezbollah, o acordo de repartição dos poderes entre católicos e muçulmanos se mantém como há décadas atrás.

Devido a todo a sua instabilidade, o Líbano foi palco de diversas guerras civis e bombardeios israelenses que sempre comprometem a infraestrutura do país. O país foi sede de vários massacres (com Sabra e Chatila o seu mais famoso. Quem quiser ler o massacre, basta clica nesse link aqui, a reportagem está sensacional, vale a pena gastar uns minutos lendo) e de guerras que muitas vezes nem tem relação com o povo libanês.
Isso ocorre porque durante muitos anos o Líbano foi quase uma “terra de ninguém”, com tropas israelenses, sírias, francesas e americanas estacionadas no seu território. Se aproveitando desse vácuo de poder, diversos grupos terroristas ali se abrigam para poder atacar Israel. Como nenhum país árabe é páreo contra o poderio militar da nação judia (na verdade Egito, Síria, Jordânia, Iraque, Arábia Saudita, Sudão, Argélia e Kuwait chegaram até mesmo a se juntar para lutar contra o pequeno país judeu e levaram um cacete TREMENDO), diversos países fornecem armamentos a grupos terroristas que atuam no Líbano e, de suas fronteiras, atacam o norte de Israel. O maior e mais poderoso entre eles é o Hezbollah que, acredita-se, recebe um grande apoio de tropas e armamentos da Síria e do Irã. Não sei se vocês lembram de 2006, quando Israel bombardeou mais uma vez o Líbano e mais uma vez comprometeu a infra-estrutura de Beirute. Isso ocorreu por causa de ataques terroristas provenientes do território libanês. Quem acabou pagando o pato foi o Líbano inteiro.
Foto da internet

Devido a essa história marcada por sangue e guerras constantes, grande parte dos libaneses (principalmente os cristãos) migraram para o Brasil para buscar uma vida melhor e com um pouco mais de paz. Chegando aqui encontram um país miscigenado e com grande aceitação a estrangeiros. Por aqui ficaram e deixaram as suas marcas como grandes comerciantes e, er…, políticos: Rua 25 de março, Hospital Sírio-Libanês, Paulo Maluf, Gilberto Kassab, Geraldo Alckmin…
Mas nem tudo é sangue nesse belo país. O Líbano foi um dos berços de toda a civilização ocidental. Uma de suas cidades (onde estive e escreverei sobre ela) chama-se Byblos, não por coincidência parecido com o a palavra Bíblia. Byblos em grego significa “livro” e foi o nome que eles deram a essa cidade libanesa que segundo se acredita foi uma das cidades que criou o alfabeto grego que depois evoluiu para o nosso. Posteriormente falarei sobre ela. Além disso, Beirute (capital do Líbano e principal cidade com quase dois milhões de habitantes), devido ao seus diversos cafés, também foi durante muito tempo conhecida como a “Paris do Oriente Médio”.

Bem, acho que já falei demais. Vou parando por aqui, falarei mais das cidades quando estiver escrevendo sobre elas.

Voltei..

Er… Olá!!
Então galera, tudo bom?
Sim, estou vivo. Quem estava que eu tinha morrido, felizmente errou o diagnóstico. Eu apenas estava quase morrendo. Meu concurso foi nesse fim de semana e por isso eu estava dando um gás final pra poder fechar toda a matéria. Cara, eu realmente estava estudando insanamente, controlando até o tempo de banho diário. Como não podia deixar de ser, tive que deixar o blog um pouco de lado, pois estava com outras prioridades. Podem ficar tranquilos que agora tentarei fazer isso aqui voltar ao normal com posts a cada dois ou três dias.

Infelizmente não deu pra mim nesse concurso. A prova veio totalmente esquizofrênica e infelizmente eu acabei rodando. Agora é estudar pra outro concurso e continuar tentando que um dia eu passo nem que seja de teimoso. Peço desculpas a todos vocês por todo esse tempo sem postar, mas, como já disse, o concurso era a minha prioridade.
O post de hoje já está pronto. Estou apenas o finalizando e dando uns retoques finais. Daqui a uma hora ou duas eu o posto aqui.
Abração!

Comentários Comentados

1 – Aiana perguntou no post “Perambulando por Antália”:
Só tem polonesa nesse mundo?
R – Tem que ver na Polônia como é cheio…
2 – Paulistana perguntou:
Oi, Cláudio! Sim, eu continuo lendo e acompanhando, apesar de comentar menos 😉

Vim comentar porque agora me surgiu uma dúvida, sabe?
Como era a questão da alimentação na sua viagem. Você comia mais na casa dos couchsurfers ou mais fora? Você gastou muita grana com comida ou preferia comer “mal”?

Abraços paulistanos 🙂
R – Caraca! Ela ainda está viva! Achei que a Paulistana já tinha se esquecido deste humilde blog. Então, a alimentação dependia do lugar, mas geralmente eu, assim que chegava a um país, comprava um saco de arroz, alguns legumes, um tipo de carne (geralmente frango) e ficava cozinhando em casa mesmo… Comia um pratão de comida antes de sair de casa (geralmente umas 10 da manhã) e quando chegava em casa de noite comia novamente. Era a maneira mais barata que havia de gastar menos sem ter que sofrer alguns riscos desnecessários. Além de que eu comia bem 😛
3 – Joao Paulo has left a new comment on your post “Saí no jornal :)”:
Olá Claudiomar,

Acabei chegando ao seu seu blog novamente através da matéria no Correio, eu costumava acompanhá-lo em 2007, quando estava com uns planos de mochilar por aí. Acabei perdendo o link do blog e agora passarei a acompanhá-lo novamente. Mas pelo que percebi, você anda meio que “aposentando” tua mochila, para se dedicar a vida dos concursos. Quando voltará a ativa? E sobre as análises socioeconomicas das regiões visitadas, você as formalizou em um artigo, algo do tipo, ou serão divulgadas somente no blog? Sou estudante de Relações Internacionais e Ed.Física, achei interessante as análises, principalmente as sobre o “American Way”. Penso em fazer umas viagens parecidas, “a la claudiomar”, você acha que devo primeiro terminar as graduações ou fazer nas férias?

Bem, chega de perguntas.

Belo trabalho, parabéns e boas provas.
R – Rapaz, esse mundo dos concursos tá complicado, viu? Tou indo do jeito que dá. Estava estudando pro concurso de EPPGG e havia passado em 60 (eram 100 vagas). Na segunda fase obtive uma das PIORES notas que a galera tirou (sério, até hoje eu não entendo como pude ir tão mal). Somando as duas provas eu ainda fico nos classificados, mas na posição 173, longe das vagas. Mas pelo menos classificado. Agora tou estudando pra um outro de mesmo salário (12.500 reais) e que vai ocorrer no próximo sábado. Tou estudando INSANAMENTE e por isso tá ficando cada vez mais difícil atualizar o blog. Mas assim que eu passar num concursos desses eu volto a ativa, hehehehe.
4 – Jv perguntou
Que países faltam ainda você escrever?
R – Cara, em ordem? Líbano (próximo post), Eslovênia, Itália, Vaticano, Áustria, Eslováquia, Hungria, Egito, Israel, Palestina, Jordânia, Suíça, Espanha e Portugal. Além do Norte da Índia que eu deixei pra poder escrever depois, mas que é realmente MUITO interessante!
Além dessa ele fez outras perguntas:
1. Você fez toda sua hospedagem pelo Couchsurfing?
Bem, dos 32 países que eu visitei, o único que eu não fiquei no couchsurfing foi a Jordânia. Uma amiga minha pagou o hotel pra mim. Vocês vão ouvir falar bastante dela no post da Palestina.
2. Pela europa, como vc se locomoveu?
Fi, de todo jeito. Avião, trem, carona, busão… Do que você imaginar… Mas a maioria por avião mesmo, já que a minha passagem de volta ao mundo tinha sete paradas na Europa.
3. Na Europa, caso vc tenha ido no inverno, levou alguma roupa especial?
Não cheguei a pegar inverno brabo por lá não
4. Seu round the world foi pela star alliance?
Sim 🙂
Abraços maranhenses, galera!

Contos em Damasco – Final

Depois de um tempo conversando com esse sírio que eu gastei dois posts falando sobre, ele saiu e foi conversar com uma galera do lado de fora. Acabaram ficando poucas pessoas no local em que eu estava. Fiquei vendo algumas coisas na internet num laptop que tinha por lá e depois de um tempo percebi que havia outro sírio no nosso café e que parecia ter uns papos bem interessantes com uma galerinha que havia por lá. Ele era meio gordinho, vestido todo de preto e muito branco. Parecia com aquele “Bulk”, o gordinho dos Power Rangers, o da foto abaixo.


Percebi que ele trazia no pescoço um pingente com o símbolo da foice e do martelo amarrado no pescoço e que ele era amigo do jornalista que havia conversado comigo por um tempo. Sim, ele era comunista. Mais um. Como pude falar em uns posts atrás, aquele café parecia ser algo como um point da galera síria dissidente do governo, um local em que eles sabiam que facilmente iriam encontrar estrangeiros e com isso pessoas dispostas a ouvir as suas histórias sobre o governo, a repressão que eles sofriam e, logicamente, sobre Israel.
Como já tinha ouvido bastantes histórias sobre repressão e coisas do tipo, resolvi puxar assunto com ele sobre Israel e ouvir um pouco da visão de um árabe acerca de um conflito que dia após dia vemos no noticiário relacionado a mortes e ataques terroristas. Logicamente, não foi das melhores. Ele realmente tinha argumentos bons e me questionava coisas que me faziam pensar e refletir um pouco sobre o posicionamento favorável que tenho acerca da criação do Estado Judeu. Seguem algumas partes do diálogo que tive com ele:
– Cara, eu realmente concordo que os judeus sofreram bastante durante séculos vivendo na Europa e logicamente nas mãos de Hitler. Concordo que realmente era necessário a criação de um estado Judeu para que em algum lugar os judeus pudessem viver em paz e protegidos contra qualquer genocídio. Mas, meu Deus, porque fizeram isso na Palestina? O que os palestinos tinham a ver com isso? Os árabes tiveram que pagar por um genocídio que eles não cometeram? Logo os árabes que durante séculos toleraram que os judeus vivessem sob seu domínio sem persegui-los ou colocá-los em guetos como os cristãos? Se os judeus sofreram tanto com os nazistas, porque não arrancaram um naco do território da Alemanha e lá fizeram um estado judeu? Porque aqui no meio da gente? A gente se sente numa situação mais ou menos assim. Um dia você sai de sua casa por algumas horas pra poder comprar um pão ou algo assim e quando você volta tem um ladrão dentro da sua casa. Você ordena que ele se retire e ele diz que não vai se retirar, que ele sabe que “era” sua casa, mas a partir de agora é dele e que ele vai ficar lá dentro. Ele não vai sair de lá e se você que quiser que vá procurar outro lugar pra morar. Você vai reclamar na polícia e a polícia dá razão pro ladrão e também manda você ir morar em outro lugar. Como é que você aceita uma situação dessas? Você não vai querer amarrar um cinturão de bombas e sair explodindo geral? É mais ou menos por isso que nunca haverá paz aqui se os palestinos não forem respeitados…
– Outra coisa são as colinas de Golã (território da Síria ocupado por Israel). Porque diabos Israel quer aquela região? Lá não há recursos naturais, não há riquezas, não há ninguém morando, não há nada!! É como essa latinha de refrigerante seca que você tem na frente de você, ela não serve pra nada, mas eu vou roubar de você só porque eu quero te pirraçar. É mais ou menos isso que eu vejo que ocorre com as colinas de Golã.
– Se eu temo que Israel volte a atacar a Síria? Cara, muito pelo contrário, eu torço por isso. Pra mim e pra milhões de sírios, não há nada mais glorioso que morrer num campo de batalha pela Síria. Se um dia eu vou morrer mesmo, porque eu vou escolher morrer velho e sem dente numa cadeira de casa se eu posso morrer batalhando e lutando por meu país? É assim que foi e é assim que sempre será. Nunca haverá paz nessa região enquanto existir o estado de Israel nessa região. Infelizmente essa é a triste verdade…

Contos na cadeia

Depois de um tempo conversando com o gordinho, o jornalista voltou mais uma vez e começou a contar suas histórias novamente. O gordinho foi lá e pediu pra contar a história de uma vez que ele foi preso e apanhou que nem um menino porque teve um ataque de riso e não conseguia parar de rir toda vez que o carcereiro pedia uma coisa pra ele fazer. E ele foi contar pra gente essa história.
Diz ele que foi preso outra vez porque estava filmando em um outro local que não era permitido com mais outros amigos comunistas. Foram todos em cana e jogados numa cela na delegacia. Depois de um tempo, foi constatado que eles eram comunistas e a casa começou a cair pro lado deles. Ser comunista na Síria é algo realmente sério e você é punido exemplarmente, mais ou menos como ocorria nos tempos da ditadura militar aqui no Brasil. Por essas e outras, acharam que seria melhor ficar pianinho lá dentro da cela pra que nada de pior pudesse vir a ocorrer.
Depois de um tempo, o delegado chamou o carcereiro na sala e falou que desconfiava que eles tinham um Marx entre eles e mandou o carcereiro ir buscar (gente, em tempo. O delegado falou que havia um livro do Marx com eles e mandou que o carcereiro fosse buscar o livro). O carcereiro como não devia ser um dos caras mais letrados que eles acharam, já entrou na cela distribuindo borrachada pra todo mundo e gritando que era pra eles dizerem logo quem dentre eles era esse tal desse Marx porque se ele não se entregassem o pau ia comer. Ele disse que ninguém acreditava como alguém podia ser tão burro e com isso caíram na gargalhada. O soldado achando que eles tavam rindo da cara dele, batia mais na galera e ficava cada vez mais nervoso gritando pro Marx se entregar. E quanto mais ele gritava “Marx!!”, mais os caras caíam na risada!! Isso me lembrou uma história que meu professor me contou do tempo da UnB durante a ditadura. Segundo ele, algum tempo após o golpe, alguns soldados foram designados para ir na biblioteca da UnB e recolher todos os livros que pudessem ser subversivos. A ordem era “TODO E QUALQUER Marx, deveria ser retirado das prateleiras”. Até aí tudo bem, o problema é que depois de um tempo era impossível achar qualquer livro de MAX Weber por lá. Os caras iam na biblioteca e procurando Marx, Max, sei lá, por via das dúvidas acabam levando os livros do Max Weber que não tinha nada a ver com a história. Acabou que o carcereiro deu tanto neles, que no final cansou e não conseguiu descobrir que entre eles era o tal do Marx.


Essa noite que eu passei nesse café foi realmente muito interessante e enriquecedora. Gastei três posts só falando dela porque acho que realmente houve uma troca de culturas muito intensa conversando com esses figuras. Gente boa demais os caras! No final o jornalista ainda gravou no meu pendrive alguns dos trabalhos dele que era pra eu levar como recordação pra casa…

Festa árabe


No outro dia o Matt me convidou pra ir numa festa árabe/muçulmana que ocorreria na casa de um dos conhecidos deles lá. A festa não teve nada demais, ela era oferecida por um argentino (!!!!!) gente boa demais e que também era muçulmano. A única parada interessante foi que de uma hora pra outra a festa PAROU e ficou só eu e o Matt conversando. Quando eu vi, todo mundo se alinhou e começou a rezar no meio da festa!! Caraca, massa demais, velho! Os homens fizeram uma filha à frente, as mulheres uma atrás e daí se ajoelharam e começaram a rezar em direção a Meca! Meio complicado transmitir em palavras, mas foi a primeira vez que pude presenciar de uma maneira tão explícita pessoas rezando juntas como foi naquela ocasião, legal demais! Depois de uns dez minutos, eles se levantaram e continuaram conversando como se nada tivesse acontecido…

Contos em Damasco parte 2

E o figura continuou contando as peripécias dele por ambiente nunca dantes navegados (ou documentados, como achares melhor). Uma hora veio um pedido que eu tenho certeza que era o desejo de várias pessoas diferentes naquele recinto. Um dos espectadores que ouvia maravilhado as suas histórias pediu para que ele contasse algumas das suas peripécias quando havia sido enjaulado por perturbar a paciência da censura síria. Pensei que ele ia não gostar muito de ficar falando dessas coisas, afinal, ele poderia ter problemas por causa disso, mas ele estava visivelmente empolgado por possuir uma plateia internacional para suas histórias e parecia não se importar muito.
Ele contou que certa vez trabalhava pelas proximidades da fronteira da Síria com o Iraque quando ele começou a filmar alguns veículos militares sírios patrulhando a área. Se tem uma das coisas que aprendemos cedo quando viajamos por zonas problemáticas, é essa: Nunca, sob motivo algum, filme ou bata foto de militares. Eles realmente não ficarão felizes com isso. Agora imagine como deve ocorrer com militares numa fronteira próxima a um campo de batalha como aquela? Logicamente aquilo não iria acabar bem…


Os militares viram aquele jornalista serelepe e não tiveram dúvida. Correram atrás dele, deram algumas bordoadas e o levaram preso sob a cordialidade do exército sírio. Ele foi jogado numa cela imunda e lá ficou durante alguns dias temendo o que poderia acontecer com ele, já que não era a primeira vez que ele fora preso e, caso os militares descobrissem os seus “antecedentes”, ele poderia estar encrencado, pois eles poderiam achar que ele era um espião a serviço de alguém. Como “direitos e garantias fundamentais do cidadão” não devem ser o forte da Constituição deles, uma suspeita dessas poderia, segundo ele, ser motivo para execução sumária.
Felizmente, ele não foi identificado e ficou apenas por umas semanas naquela prisão até ser enfiado dentro de um camburão e solto em Damasco. Apesar de ter ficado apenas alguns dias, ele disse que foi o suficiente pra poder testemunhar algumas histórias, no mínimo, inusitadas em uma prisão do barulho com uma galerinha agitada aprontando altas confusões.


Dois dias depois que ele havia chegado, apareceu uma daquelas figuras que a gente acha que só existe em um filme americano de baixo orçamento ou nos cartazes de grupos xenófobos. Apareceu na cela dele um saudita com um turbante branco na cabeça, um alcorão gigantesco nas mãos e uma cara de maluco sem igual. Conviveram juntos por um tempo. Esse saudita ficava o dia inteiro sentado no canto da cela lendo o Alcorão e cantando músicas de adoração a Maomé. O cara era o estereótipo de fanático que nos vemos por aí na Tv. Depois de um tempo, ele, como não tinha muito o que fazer, resolveu puxar um papo com o saudita e saber o que diabos um cara daqueles fazia numa prisão síria. Ele explicou que indignado com o que via na TV (sempre ela), com os americanos bombardeando dia após dia árabes em todo o Oriente Médio e devido a cumplicidade de seu país que não fazia nada para mudar esse quadro (gente, só pra lembrar, a Arábia Saudita é uma das mais importantes aliadas dos EUA no Oriente Médio), ele resolveu fazer alguma coisa. Juntou uma boa grana, conversou com alguns caras barra-pesada que manjavam de explosivos e decidiu o que ele queria ser quando crescer: ir pro Iraque porque queria se explodir com um americano. Eu admiro esse tipo de gente, rapaz! Esse tipo de gente que vai lá e tenta mudar a situação ao invés de ficar em casa vendo TV e reclamando que ninguém faz nada. Esse rapaz é um exemplo! Seria bom se tivéssemos um cara desse aqui em Brasília pra ver se ele explodia logo era o Arruda e toda aquela máfia dele…


Chegando na Síria, ele viu que teria dificuldades de conseguir cruzar a fronteira para o Iraque, pois, afinal, nunca é fácil entrar numa zona de conflito. Depois de conversar com algumas pessoas que haviam por lá, ele conheceu um taxista que sabia de uma trilha pra poder atravessar a fronteira do Iraque sem ter problemas com postos de fronteira ou tropas da coalizão, mas que, devido o risco que era gigantesco, ele só aceitaria levá-lo se o saudita pagasse uma boa grana:
– 5000 dólares tá bom? – ofereceu o saudita
– Cara, bom, bom, não é! Mas como você tem uma boa causa (boa causa… Explodir americanos no Iraque sempre deve ser uma boa causa, né?), eu vou fazer isso por você. Entra no carro aí, a gente parte agora…


E logicamente vocês já deduziram o final da história. O taxista embolsou os 5000 dólares do saudita e entregou aquele louco para a polícia de fronteira. Não precisa ser um bacharel em ciências militares pra poder deduzir que pra atravessar fronteiras desapercebido (ainda mais uma das fronteiras MAIS VIGIADAS do planeta), você o faz a pé, de caminhonete 4X4, de barco, sei lá, trilhas alternativas, mas certamente você não consegue fazer isso com um táxi amarelo escrito “Welcome to Syria” com um saudita como uma cara de louco no banco de passageiros. E lá estava o saudita sob a hospitalidade do exército sírio, cada dia mais sonhando com o dia em que iria se explodir em pedaços levando uma americano consigo.
Galinha não!! Galinha não!!



E não é que Alá é um cara irônico? Alguns dias depois do saudita maluco ter chegado na prisão dos caras, apareceu um cara que era totalmente diferente de tudo o que já havia aparecido por aquela prisão. Ele era alto, tinha olhos claros, pele branca… Sim, um soldado americano.
O cara estava patrulhando a fronteira e se perdeu dos seus companheiros. Ficou perdido vagando por uns dois dias à procura da base até que, sem saber, cruzou a fronteira do Iraque, entrou na Síria e foi capturado por tropas sírias. Ele se rendeu e foi levado sob custódia para essa mesma prisão na fronteira que parecia ser bem movimentada. O nosso amigo sírio não chegou a conhecê-lo pessoalmente, mas depois de um tempo foi perguntar a um dos guardas porque eles riam tão alto enquanto interrogavam o americano. Pô, torturar até pode, né, cara? Arrancar uns dentes, quebrar uns ossos, furar um dos olhos, arrancar as unhas, jogar água fervente no cara, botar ele pra assistir Superpop… Tudo tá valendo, mas vê-los rir, assim, sadicamente, enquanto torturam um prisioneiro deveria ser algo para deixar qualquer um com medo. Ainda mais quando você lembra que VOCÊ é um prisioneiro sob suspeita de espionagem e fatalmente, mais cedo ou mais tarde, terá o mesmo destino dele.

O carcereiro foi contou a história desse pobre americano. Assim que ele foi capturado, os soldados sírios o levaram para a “sala do chefe” pra saber o que deveriam fazer com ele. Sentaram-no num sofá e ficaram discutindo o que fazer. Logicamente eles conversavam em árabe. Depois de um tempo o chefão lá achou que seria melhor tratá-lo bem, pois ele poderia mais tarde ser utilizado como moeda de troca por prisioneiros sírios no Iraque e era fundamental que ele estivesse bem alimentado e bem-tratado para facilitar as negociações. Devido a isso, ele comeria não a comida dos prisioneiros comuns (que era um lixo), mas sim a comida dos oficiais. Como o cara havia ficado alguns dias perdido no deserto, ele deveria ter fome e o chefão ordenou que servissem galinha para ele comer.
Rapaz, pra que? Na hora que esse cara ouviu a palavra “galinha” em árabe, ele se desesperou!! Diz que ele começou a gritar que nem louco, no pouco árabe que ele sabia: “galinha não, galinha não!”, desesperado. Dizendo o carcereiro que até se ajoelhar o americano se ajoelhava gritando “galinha não, galinha não!”. Os militares ficaram se olhando com uma cara de “esses ocidentais são realmente bem estranhos” e ficaram querendo entender qual o seria o singelo motivo daquele medo de galinha incontrolável do americano. E ele não parava… Quase chorando, implorando e gritando “galinha não, galinha não” por um bom tempo. E os sírios sem entender porque diabos o cara tinha tanto medo de galinha como ele… Será se ele já havia sido atacado por uma ave antes?
Será se ele já havia sido abusado sexualmente por um galo ensandecido?
Por que galinha despertava aquele medo tão grande no cidadão? Era algo que ninguém conseguia explicar…
Até que um dos soldados percebeu que o cara não estava falando a palavra “galinha” em árabe, mas sim, sei lá, algo como “galin”. Tipo, o soldado não estava implorando pra não lhe servirem galinha, ele estava implorando porque havia entendido o nome de uma cidade do Iraque com o nome MUITO parecido com a palavra “galinha” em árabe, cidade onde, pelo menos durante o tempo que ele estava lá, estavam ocorrendo os combates mais vorazes entre tropas da coalizão e insurgentes e onde soldados americanos morriam a rodo!! O soldado, como não falava árabe, só entendia eles falarem a palavra “galinha” e achava que os militares estavam discutindo como iam fazer para entregá-lo para os insurgentes que lutavam nessa cidade. E, digamos assim, os insurgentes não seriam lá tão amigáveis se o pegassem. Por isso que o cara gritava desesperado que “galinha não! Galinha não!”. Ele na verdade implorava para que não o enviassem para essa cidade. Quando eles entenderam, a gargalhada foi geral e depois de algum tempo conseguiram explicar pra ele a situação. Só assim pro bicho ficar mais calmo.
O que deu desse soldado no final? O sírio disse que não soube, ele foi solto antes do soldado americano e também não chegou a sequer trocar algumas palavras com ele. Por quê? Bem, porque enquanto ele conversava com o carcereiro acerca dessa história, um maluco lá no cantinho da cela, lendo o Alcorão, ouviu parte da conversa e começou a gritar:
– Americano?!?!? Americano?!?!?!? Onde?? Há um americano aqui??? Tragam pra mim!! Tragam-no!!! Tragam-no que eu quero me explodir com ele!! Eu o matarei com as minhas próprias mãos!! Tragam-o aqui…


Acharam melhor não colocar o americano naquela cela com o saudita por motivos óbvios.. O americano não saíria.
O saudita era realmente “gente que faz”…

A Gruta

Galera, essa semana tá meio embaçado pra eu postar algo no blog. Tou passando o dia inteiro na biblioteca e a noite tou tendo aula, logo, vocês já devem ter deduzido: Sem tempo pra poder escrever o blog. É o meu último mês antes do concurso, portanto vou ter que focar mais pra não perder essa oportunidade. Logo, por favor, não se importem com os atrasos que possam vir a ocorrer.
Pra não deixar vocês sem nada nesse post, vou postando um vídeo que o Thiagones me passou o Bizú. É um filme interativo, algo como uma mistura de RPG e Você Decide. O filme tem vários finais diferentes e você vai decidindo como a história pode se desenrolar. Cara, eu fiquei IMPRESSIONADO com a qualidade das filmagens e mais ainda com a atriz! Gente, que mulher linda!! No Maranhão tem mulher assim não…
Pra quem não lembra quem é o Babalu e o Thiagones, basta dar um bizú no vídeo abaixo, o Puxando Papo, um dos programas preferidos da casa:
O Thiagones é o grandalhão e o Babalu o de cabelo rastafári.
Então, o filme é composto de onze finais diferentes e você pode ir jogando e escolhendo como ela se desenrola. Cara, é MUITO legal e você realmente pode perder HORAS jogando e se divertindo. Uma ideia GENIAL e uma edição perfeita. Só uma palavra: SENSACIONAL!!!
Mermão, PIREI vendo isso, hahahahahahahaha
Abraços maranhenses

Contos em Damasco

P.s: Galera, coloquei algumas fotos de Beirute bombardeada pra poder ilustrar a história. LOGICAMENTE as fotos não são minhas e as peguei na internet…


Numa das noites que eu fiquei em Damasco, o Matt me levou pra um lugar super interessante. Era parecido com um café, com almofadas coloridas pelos cantos e algumas pessoas conversando e tomando cerveja. É meio complicado de explicar, mas o ambiente respirava um agradável ar de liberdade devido aos assuntos discutidos por todos que se encontravam por lá. Dentre todas as pessoas que se encontravam, uma se destacava: Era um árabe com uma idade um tanto quanto maior que a maioria das pessoas que lá estavam (ele parecia ter uns 35 anos) e todo mundo parava pra poder ouvir as histórias do cara.


Não lembro o nome dele, mas ele trabalhava com documentários e trabalhos jornalísticos. O cara realmente era bem carismático e era bem interessante ouvir o que ele falava. Ele já havia sido preso algumas vezes pelo governo sírio, porque, cá entre nós, jornalistas sempre se dão mal em regiões como essas, ainda mais um cara como ele que, pra piorar ainda mais a sardinha dele na Síria, era comunista. Comunista e jornalista na Síria deve ser como ser pobre e favelado no Brasil: Alvo preferido da polícia. Uma das grandes atrações foi ele contando das diversas vezes que ele foi preso. Mas isso vou deixar pra falar mais na frente, porque antes de contar sobre isso, boto fé que seria muito interessante contar sobre a experiência do figura na sua cobertura dos conflitos no Oriente Médio.


O figura já era veterano de quebra-pau. Já havia “servido” no Líbano em 2006 durante a invasão israelense e também ficou durante um tempo cobrindo a Guerra do Iraque. Ele tinha várias história e todas tinham um desfecho inesperado.
Ele disse que durante o tempo em que ele estava cobrindo os bombardeios israelenses ao Líbano em 2006, estava viajando pelo país com uma americana que também era jornalista. Eles estavam exatamente na zona de conflito e enquanto ele dirigia, a americana pôde ver que havia fumaça ao longe por detrás de algo que parecia ser uma colina e, como diz o ditado popular, onde há fumaça, há fogo. Os dois resolveram ir lá pra ver o que era e se deparam com uma das cenas mais chocantes que ele já tinha visto na vida dele. E olha gente, pra uma cena chocar um cara desses, um cara que trabalha no Oriente Médio, cobrindo zona de conflito, deve ter sido um petisco do inferno mesmo. Ele falou que assim que eles pararam o carro e ele foi ver, ele viu um ônibus amarelo em chamas e vários corpos dentro completamente carbonizados. Quando ele pôde se aproximar, percebeu que era realmente o que ele temia que tivesse acontecido. Os corpos que estavam lá dentro não eram corpos de adultos, mas sim de… crianças! Um míssil israelense havia atingido um ÔNIBUS ESCOLAR por engano e matado TODOS os ocupantes que estavam lá dentro. Há sim, sempre bom lembrar… Todos morreram carbonizados, queimados, como você acha melhor. Segundo ele, foi possível perceber que um dos braços que estava do lado de fora do que restou da janela do ônibus parecia segurar algo como um lenço branco, o que o levou a deduzir que as crianças ao avistarem que caças israelenses sobrevoavam por cima de suas cabeças, tentaram desesperadamente acenar com bandeiras brancas para demonstrar que eram civis. Logicamente não funcionou, haja vista que é impossível pra um piloto de caça há milhares de metros do chão avistar uma bandeira branca. Acabaram todos tendo uma morte lenta e agonizante.


Com uma cena daquelas na frente dele, ele sacou a sua câmera da mochila e começou a filmar e a fotografar o que havia restado dos pequeninos corpos para posteriormente entregar para as emissoras de TV sírias que, segundo ele, não tinham essas “frescuras” de ficar cortando as cenas mais chocantes. Mostram a verdade nua e crua diretamente na telinha. Depois de algum tempo chocado e filmando tudo o que pôde, ele voltou para o carro e começou a dirigir novamente com a americana. Diz ele que estava tudo de boa quando algo lembrou a ele que por onde passavam. Algo o relembrou que eles estavam atravessando uma zona de conflito. O carro deles começou a ser alvejado por tiros de metralhadoras vindos de todos os lados. Ele como bom cavalheiro e levando em consideração que havia uma mulher ao lado dele, fez o que era certo: Abriu a porta do carro, pulou pra fora, começou a meio que correr e rastejar ao mesmo tempo e deixou a americana lá dentro desesperada gritando por ajuda. É amigo, ali o negócio era de macho mesmo. Ele se escondeu atrás de uma moita e depois de um tempo a mulher parou de gritar. Os gritos cessaram e algumas vozes gritando em árabe puderam ser ouvidas. Elas gritavam para ele se render. Ele começou a gritar que não era israelense, mas sim sírio e os soldados foram lá falar com ele. Quando realmente viram que ele era sírio, pediram desculpa pela forma que o “abordaram” (esses soldados sempre tem maneiras singulares de abordar as pessoas, basta ver como fui abordado nesse tópico aqui. Me lembrou uma abordagem semelhante na Indonésia…) e falaram que eles meteram bala porque acharam que eles fossem de alguma patrulha israelense que estava fazendo reconhecimento de terreno, pois eles haviam acabado de ser bombardeados. No final ele só explicou que era jornalista e a americana que tava lá dentro também. Enfim, ele só achou que a americana não ia aceitar muito as desculpas porque, digamos, o pedido de desculpas ia chegar um pouco tarde, já que como ela tinha parado de berrar desesperadamente dentro do Jipe, eles acharam que ela tinha sido morta, mais furada que uma tábua de pirulito.


Ele foi lá pra checar e, MILAGROSAMENTE, ela não tinha sido sequer atingida. Diz que o susto foi tão grande que no final ela acabou desmaiando e isso salvou sua vida, porque se tivesse ficado sentada, fatalmente teria morrido. Eles deram três tapas na cara dela e ela acordou com a aquela cara de “São Pedro, é você?”. Ela levou um tempo pra se recuperar e pra realmente acreditar que ainda estava viva. No final eles seguiram de volta pra Damasco e ele nunca mais ouviu falar dessa jornalista… Acho que depois desse susto ela nunca mais quis saber de ser jornalista na vida dela… Deve estar trabalhando até hoje de babá em alguma casa de uma madame americana. Hahahahaha…
Ele também contou que por um tempo cobriu a Guerra do Iraque morando em Bagdá e que ficou um tempo por lá. Perguntei pra ele se não era perigoso ele morar por lá e ele falou que era de boa, afinal, ele era árabe, falava árabe e se misturava com os árabes. Depois de um tempo por lá ele resolveu capar o gato (ir embora) quando ouviu que os americanos estavam procurando qualquer sírio ou iraniano que estivesse trabalhando por Bagdá e oferecendo uma recompensa por eles. Os americanos temiam que cidadãos desses dois países pudessem estar trabalhando para a inteligência inimiga e, pra não arriscar, estavam à caça de qualquer forasteiro que tivesse acabado de chegar de um desses dois países pra levar pra um interrogatório ou possivelmente uma temporada de férias em Guantánamo. Depois disso, ele resolveu picar a mula dele e por isso tinha voltado a Damasco para poder trabalhar na Síria mesmo porque era, veja só, mais seguro…


No próximo post conto mais história engraçadas acerca desse figura…

Síria – O pais onde há o maior restaurante do mundo

De noite apenas passamos em casa pra tomar um banho e seguimos direto para o maior restaurante do mundo (Huá Huá Huá). Pra que eu não precise explicar tanto acerca do estabelecimento, colo uma reportagem da Folha de São Paulo que fala sobre ele:
“ Com capacidade para mais de 6.000 pessoas, o restaurante Damascus Gate, na Síria, entrou para o “Guinness”, o livro dos recordes, como o maior restaurante do mundo.
O Damascus Gate conquistou o título que pertencia a um restaurante na Tailândia, com capacidade para 5.000 pessoas. Para confirmar o recorde, representantes do “Guinness” exigem que o restaurante tenha capacidade para servir todas as mesas. Segundo Qusai Halasa, representante do livro de recordes, “a cozinha do restaurante pode ser comparada a uma minifábrica”.
O restaurante, que fica nos subúrbios de Damasco, está aberto desde 2002.Além de fontes e réplicas de ruinas arqueológicas, o Damascus Gate também tem áreas temáticas separadas para a culinária indiana e a chinesa. Durante o verão, a época de mais movimento, até 1.800 empregados trabalham no restaurante.”

O restaurante em si é bem legal, cara. Logo na entrada do restaurante, há uma plaquinha onde é possível observar o certificado que o Guiness entregou comprovando o recorde a que lhe foi atribuído.A comida não era cara e, o melhor, eles serviam muita, mas MUITA carne!! Pode parecer besteira, mas a gente se acostuma tanto em comer carne no Brasil que acha que isso é normal no mundo inteiro.

Tecla Pause

Bem, é bom sempre lembrar que o nosso país é hoje o maior produtor de carne bovina do mundo, por isso que aqui ela é tão barata e por isso que comemos em abundância. Mas depois de um tempo viajando, cara, a carne na comida vai rareando mais e mais até que chega um dia em que você começa a salivar quando olha um gato passeando no meio da rua. Só pra vocês terem uma ideia, eu fui preparar um almoço quando estava em Istambul e fui cair na besteira de comprar carne. Rapaz… o quilo da carne no restaurante tava custando um absurdo: 18 dólares o quilo do bife. Nem era filé-mignon, nem nada. Era aquele bife mesmo que a gente compra no supermercado pra poder fazer um sanduba quando chega em casa.
Venham a mim, fiéis…
Tecla Play
Eu PIREI na Síria quando vi o meu prato LOTADO de carne quando ele chegou. Comida barata, foi uns 15 reais pelo jantar, mais ou menos o que a gente paga em restaurante por quilo aqui no Brasil. A diferença é que eu estava no MAIOR RESTARAUNTE DO MUNDO!! (Huá Huá Huá, risadas maquiavélicas).
Além da experiência de estar no MAIOR RESTAU… bem, você já sabem, também foi interessante porque o Matt chamou um amigo dele egípcio pra ir com a gente e o cara era gente boa DEMAIS!! Infelizmente o nome dele eu não lembro mais, mas ele é esse cara aí com a língua de fora ao lado do Matt:
Ele me explicou várias curiosidades sobre o Egito e o Islã que eu não sabia. Primeiro, o Egito possui a inacreditável população de 66 milhões de pessoas!! “Ah, mas peraí, o Brasil inteiro tem 190 milhões de pessoas”. Sim, amigo, mas só a título de comparação, o estado do Mato Grosso que é um pouco menor que o Egito, tem uma população de 2,5 milhões de pessoas. “Tá, mas o Mato Grosso é despovoado”. Ok e que tal o Estado de Minas Gerais? Tem a metade do território do Egito, é o segundo estado mais populoso do Brasil e possui 20 milhões de habitantes!! Menos de um terço da população do Egito! E, ah sim, o Estado de Minas Gerais tem vários rios cortando o território, São Francisco o mais notável, e além disso possui grandes extensões de terras férteis e agricultáveis!! Depois ele pediu pra eu checar em um mapa e quando eu me dei ao trabalho de fazer isso e vi que, assim como ele me falou, o Egito é praticamente uma faixa! Mais de 90% da população egípcia vive às margens do Rio Nilo!! O resto do país é extremamente desértico! Vejam que as principais cidades do Egito praticamente “seguem” o Rio Nilo e apenas algumas grandes cidades situam-se no deserto e fora da região costeira.

Eu achei isso muito impressionante.

Ele também me explicou como é que funcionava a peregrinação anual que os muçulmanos faziam a Meca. Pra quem ainda não está ligado, a religião islâmica se baseia em cinco pilares. A primeira é que você deve acreditar em apenas um Deus. A segunda é que você deve orar cinco vezes ao dia voltado a Meca. Terceira, sempre que possível pagar esmolas para ajudar aos necessitados. Quarta, jejuar durante o Ramadã (quase como os nossos amigos faziam na Turquia). Quinto e último é o de, realizar um ataque suicida contra os Estados Unidos?, não! O quinto pilar é o de que todo muçulmano deve fazer uma peregrinação a Meca pelo menos uma vez durante a vida. Lógico que quem não tiver condições financeiras ou de saúde não será renegado ao inferno, mas todos tentam ao máximo realizar a sua peregrinação para a cidade sagrada. Muitos economizam a vida inteira para poder obter essa graça.

“E como ocorre essa peregrinação a Meca?” A wikipedia sempre explica:
“Ocorre durante o décimo segundo mês do calendário islâmico. Os muçulmanos vestem-se com um traje especial todo branco, antes de chegar a Meca, para que todos estejam igualmente vestidos e não haja distinção de classes. Durante toda a peregrinação não se preocupam com o seu aspecto físico. Depois de praticarem sete voltas em torno da Kaaba, os peregrinos correm entre as duas colinas de Safa e Marwa. Na última parte do Hajj os muçulmanos devem passar uma tarde na planície de Arafat, onde Maomé disse o seu “Último Sermão”. Os rituais chegam ao fim com o sacrifício de carneiros e bodes.”
Durante este período, se, LOGICAMENTE, você for muçulmano, a Arábia Saudita concede vistos de graças para todos os interessados em visitar as duas cidades, para facilitar que os peregrinos possam ter a graça de visitar a cidade mais importante para eles. Lendo a descrição acima parece fácil, né? Mas imagina como é para organizar milhões de pessoas para que elas possam dar as voltas em torno da Kaaba, correr entre as duas colinas … Segundo ele, a logística de um evento dessa magnitude é uma das maiores obras da humanidade. Uma grande demonstração de fé que infelizmente só é possível presenciar para os muçulmanos.

Depois da peregrinação a Meca, quando você volta pra casa, há uma grande festa em que todos comemoram a sua façanha e você segue feliz a sua vida sabendo que cumpriu mais uma etapa tão importante da sua vida. Ele depois ficou falando que hoje, devido ao grande número de pessoas que peregrinam a Meca todos os anos, os sauditas tiveram que deslocar montanhas pra poder ter mais espaço na cidade. E ele ficava gritando o tempo todo: MONTANHAS!! VOCÊ SABE O QUE É ISSO? MONTANHAS… Hahahaha. Acabou que depois disso quando todo mundo ficava calado a gente ficava gritando “MONTANHAS!! MONTANHAS!!!”. Gente boa demais o figura… No final pegamos um táxi pra poder voltar pra casa. Não sei se eu já falei isso pra vocês, mas taxista é a raça mais FILHA DA PUTA que eu pude conhecer enquanto viajava. Como dessa vez não tinha soldado pra colocar o bicho no motorista, ele tentou, logicamente, nos roubar quando chegamos. O Matt e um outro suíço que estava com a gente simplesmente falaram pra gente descer do carro e ir andando. O taxista desceu do carro e foi gritando com a gente quase uns cem metros, mas no final percebeu que a gente não ia dar nada, também que ele não ia conseguir botar medo em uns quatro machos e resolveu seguir o rumo dele. Eita racinha ruela essa…

Matt e o suíço negociando com o taxista. Reparem a mina rindo com uma cara de “esse taxista só pode ser lunático…”

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