Encontros inusitados

Esses dias eu tava reparando que quando eu sou reconhecido na rua, eu bato uma foto com a pessoa, prometo que vou publicar no blog e nada! Só depois de um tempo vendo e-mails passados que vou ver a profunda sacanagem que acabo fazendo com esse povo.

Galera, desculpa, não faço isso por mal, não. Mas é que às vezes as coisas acabam se acumulando e, quando vou ver, não fiz o post. Por essas e outras que resolvi fazer meio que um “pacotão” com as fotos de algumas pessoas que acabei encontrando nas ruas,prometi que ia postar e acabei não postando nada!

Em primeiro lugar vai uma história super-engraçada que acabou rolando esses dias por São Luís e eu acabei não colocando por aqui. Dois amigos meus estavam viajando por lá e foram tomar uma cerveja num dos barzinhos da Lagoa da Jansen. Eles tavam lá de boa e, eu não tenho a mínima ideia de como, começaram a conversar com uns caras de uma mesa do lado. Papo vai, papo vem, meus amigos falaram que moravam em Brasília e que estavam apenas dando uma volta por São Luís. Foi quando o figura da outra mesa falou que ainda não tinha visitado Brasília, mas conhecia um cara que morava por lá, mas era maranhense e tinha um blog muito legal. Sim, acho que vocês já deduziram o que aconteceu! Dois amigos meus de Brasília, em São Luís, conheceram um cara (Anderson), que também viajava por São Luís, em um bar na Lagoa da Jansen e perceberam que falaram da mesma pessoa!! Na hora um dos meus amigos me ligou aqui em Brasília e botou o Anderson pra falar comigo no celular! Eu achei isso muito engraçado! Já aconteceu comigo, como já postei no blog, que algumas pessoas me abordaram no meio da rua e me reconheceram. Agora, amigos meus, conhecendo caras que lêem meu blog foi realmente engraçado!! Depois desse leriado todo, o Anderson até deixou um comentário pra mim no blog:

“Cara aqui e o Anderson que em são Luis lahh no calhau na lagoa do jansen que falou contigo quando ele(o bruno)ligou. o bruno e o outro cara lahh de brasília um com cara de regueiro mas que de maconheiro não tem nada.

já o bruno…

sem comentarios.

hauahuahua

maluco me add ai no orkut cara que eu queria muito bater um papo c vc.

mas relaxa que nao e p te cantar nao.rs.

Engraçado essa.”

Outra que ocorreu comigo foi quando eu estava em um barzinho com amigos e um cidadão me abordou falando que lia meu blog. O nome dele era Maurício (viu, Maurício? Eu lembrei!) e o bicho disse que fazia Direito na UnB. Tirei uma foto com o bicho prometendo colocá-la no blog depois. Até aí tudo bem. Rapaz… Quando foi uns três dias depois… Vocês nem sabem! Fui pra um happy-hour da UnB com uns amigos e quem eu encontro por lá? Olha só, ele mesmo! Maurício! Mais louco que o Robocop na chuva! Rapaz, o bicho chega passava era de cinco em cinco minutos falando: – Esse aqui é o Claudiomar! O bicho tem um blog muito legal!! Passava dois minutos e vinha ele caindo por cima de mim e falando de novo: Esse aqui é o Claudiomar, ele é muito legal!! Hahaha. O mlk era muito engraçado. Vai a foto do figura (sóbrio) aí pra vocês verem!

E por último tem uma foto que eu tirei com o Rafael numa festa de alguns amigos diplomatas daqui de Brasília. Faz MUIIITO tempo que eu bati essa foto com esse cara e também tinha esquecido de publicá-la aqui no blog.

Gente, fui só eu ou mais pessoas repararam que até agora só macho me parou pra bater foto comigo? Qual é, meninas? Cadê vocês? Não é possível que só macho leia meu blog!

Florença

Tenho que confessar que inicialmente Florença não estava nos meus planos. Basicamente, eu tinha curiosidade de conhecer apenas as cidades de Roma, Veneza e talvez Pisa. Por que acabei indo pra Florença então? Bem, quando estava em Roma, vendo como poderia fazer pra poder chegar em Veneza, percebi que vários horários de trens diferentes faziam algumas paradas em Florença e, além disso, os caras que estavam me hospedando em Roma também estavam indo para lá pra poder passar o fim-de-semana. Pesquisei, vi que sairia até um pouco mais barato ir de trem pra Florença e de lá pra Veneza e com isso não tive dúvidas: Segui para Florença!
Protesto por mais verbas estudantis na estação de trem quando eu ia pra Florença.
 
Dois dias antes de viajar, saí desesperadamente pedindo couch pra quem quer que eu via no Couchsurfing e, por sorte, um cara aceitou me hospedar pro fim-de-semana. O nome dele era Matias, ele era francês e estava participando do Eramus (um programa de intercâmbio estudantil que encoraja cidadãos de diferentes países da Europa a estudarem em outros países da União Européia). Morava numa república com mais quatro estudantes e, no final, eu iria acabar ficando mais ou menos só uma noite com ele, já que chegava no sábado bem cedo e iria embora na segunda feira de madrugada.
Matias e sua república
Até cheguei a pesquisar um pouco sobre a cidade de Florença, sobre seus museus e lugares turísticos, afinal, Florença foi um dos berços do Renascimento. Acabou que eu nem visitei museu, nem porra nenhuma. Ah não, brother! Eu já tinha ficado a semana INTEIRA em Roma só fazendo isso! Museu pra cá, museu pra lá, catedral pra cá, catedral pra lá! Não havia saído nem uma noite sequer! Quando soube que iria ficar em uma república, só com estudantes universitários, deu pra perceber que as minhas noites florentinas seriam um pouco “ocupadas”. A cidade pela noite FERVE!! Florença é uma cidade com várias universidades e vários estudantes da Europa inteira indo fazer intercâmbio por lá, por aí você imagina como é a situação. A noite lá é caos!
Depois de tanto tempo reclamando do restaurante universitário da UnB, olha onde fui parar. Restaurante universitário de uma universidade de Florença. Ah sim, a carteirinha não era minha 😛
Cara, não deu outra. Foram duas noites em Florença, duas festas em repúblicas de estudantes. A primeira em uma república de estudantes espanhóis. A segunda… bem… a segunda eu nem soube de quem era a república, só sei que foi uma bagaceira só!
Eu, Matias e uma das suas companheiras de apartamento tomando um sol na praça no melhor estilo europeu
 
Saímos para essa festa dos espanhóis e fomos chegar em casa quase quatro horas da manhã. Como vida de malandro não é fácil, acordei já as oito da matina e fui logo fazer um passeio pela cidade que, se não tinha tantas atrações como Roma, com certeza valia pelo menos um dia inteiro de caminhada pois, como já disse, Florença foi um dos berços do Renascimento.
Eu e o Matias na festa dos espanhóis
Saí de casa, visitei algumas praças florentinas e, claro, visitei a mais do que famosa catedral de Florença, com seu estilo gótico. Uma obra prima do Renascimento. Dei mais umas voltas e me encantei com uma ponte que, apesar de muito famosa, eu nunca ouvira falar dela. Era a Ponte Vecchio, uma ponte que, de tão antiga, data do tempo do Império Romano. Diz a lenda que a palavra “bancarrota” provém desta ponte. Há muito tempo atrás, ela era um importante centro comercial do Império e para montar-se uma banca nela, era necessária uma autorização especial bem cara. Quando o mercador não tinha a autorização ou não pagava as suas dívidas, a sua banca era quebrada pelos soldados romanos. Essa prática era conhecida como bancorotto (banco de “banca” e rotto de “soldado”).
Bati fotos também do Palácio Vecchio, sede do município de Florença e um dos símbolos da cidade. Em sua fachada é possível ver alguns brasões que simbolizam algumas famílias do tempo da República de Florença e também alguns lemas da cidade, como sua fidelidade ao papa.
No final subi um morro, um dos lugares mais visitados de Florença, onde era possível ter uma visão panorâmica da cidade.
Segunda Noite
A noite fomos para a outra festa. E que festa, viu rapaz? Cara, lá foi legal demais! Descemos todos juntos pra uma outra república de estudantes. Rapaz, foi só eu chegar que eu fui logo ficando amigo de um português muitooo gente boa. O nome dele infelizmente eu não lembro mais! Mas o cara era gente boa demais e engraçado. Quando falei que era brasileiro ficamos logo amigos. O cara mandava demais no violão e a gente acabou virando logo o centro da festa. Ele depois de um tempo tocando, virou pra mim e perguntou:
– Cara, tu sabes tocar violão?
– Pô, bicho, sei não!
– Pô, mas tu não é brasileiro? Todo brasileiro não toca violão?
Rapaz, eu fiquei pensando sobre a pergunta do figura. Só faltava essa. Eu já tava acostumado com as pessoas me questionando, ao eu dizer que era brasileiro, se eu fazia algumas coisas. Era o que eu chamava de “brasileiro pacote completo”. Na maioria das vezes, na hora que as pessoas te perguntam se você é brasileiro, elas de cara já perguntam:
1 – Você sabe jogar futebol?
2 – Você sabe dançar samba (às vezes até mesmo salsa, eles perguntam)?
3 – Você joga capoeira?
É meio que uma visão estereotipada que algumas pessoas tem do Brasil. Eu não vejo ninguém perguntando pra alguém “Ah, você é japonês? Você sabe consertar vídeo-cassete?”, mas é só dizer que é brasileiro que já vem essas perguntas. Eu que, logicamente, não vou querer sair fazendo uma discussão antropológica com cada pessoa que acabei de conhecer só porque ela tem uma visão estenotipada do meu país, né? No final acabo sempre rindo e falando que sei fazer todas essas coisas (salsa, por exemplo, eu não sabia dançar. Aprendi a dançar na viagem de tanto as pessoas me perguntarem se eu sabia), não tão bem, mas sei algo. Mas, tocar violão, ele era o primeiro que vinha me perguntar!
A festa com o português tocando violão

Respondi negativamente e continuamos tocando o violão. De repente, o telefone do cara tocou. Era uma amiga dele chamando a gente pra uma festa que estava rolando numa das praças de Florença. Ele falou que ia e me convidou pra ir junto com ele. Cara, a festa onde estávamos tava bem legal e tinha uma espanhola me dando uma moral danada, mas o cara era tão gente boa que acabei indo com ele. Fui também porque o Matias decidiu ir. No caminho alguém resolveu levar quase um barril de cerveja que tinha lá no meio da festa! A marca da cerveja era “Beck” e acabamos apelidando nosso barril de “Bequinho”, nada mais meigo e carinhoso do que um nome como esse. E fomos lá pra igreja, com Bequinho debaixo do braço, fomos chegando!

Eu e Beckinho
 
Chegamos na praça e tava uma GALERA tomando cerveja sentada numa escadaria de uma igreja que, eu vendo a placa posteriormente, vi que foi construída no século XV!!! Igreja renascentista e a galera bebendo cerveja nos degraus! Não tem respeito nenhum!!
Cara, a gente tinha acabado de chegar no lugar, já me passa um cara numa bicicleta e vira pra gente perguntando se não queríamos comprar. Uai, assim? Comprar uma bicicleta no meio da rua? Cara, essa galera realmente é empreendedora. Perguntei, só por curiosidade, pro figura quanto ele queria nela e qual foi a resposta dele? 50, 40 euros? Não, CINCO euros!! Será se a bicicleta era roubada? Hahahahah…. Tinha acabado de sair do forno, digo, acabado de ser roubada. Hahahaha. O Matias até que ficou um pouco interessado, mas eu falei pra ele não comprar. Rapaz, é como eu disse, a noite da cidade é CAOS!
Sentamos nos degraus e começamos a tomar nossa cerveja. Continuamos tocando um violão, cantando algumas músicas do Chico Buarque (o português sabia MUITAS músicas do Chico) e mais uma vez viramos o centro das atenções. Sentaram duas espanholas do nosso lado e começaram a dar mó papo pra mim e pra ele. Mais pra ele que pra mim, pra falar a verdade. Maldito poder que o violão tem pra poder impressionar as mulheres! De repente o português já deu um go-go-fight no pescoço de uma das duas e começou a pegar a menina! Rapaz, na hora eu já achei que era a minha deixa e pulei no pescoço da outra. Ela meio que ficou se fazendo de difícil e como eu não tava com muita paciência, resolvi não investir muito, afinal, já eram jogadas duas horas da manhã e meu trem no outro dia saía cinco horas da manhã pra Veneza. Como a viagem só durava duas horas (tempo que eu iria dormindo no trem), resolvi voltar pra casa pra poder tentar dormir ao menos umas duas horinhas a mais. Duas em casa, mais duas com a do trem na viagem, dariam quatro horas. Não são muitas horas, mas já é alguma coisa pra ajudar. Bom lembrar que eu iria ficar o dia INTEIRO caminhando e portanto deveria dormir um pouco, afinal, Veneza é VENEZA e eu precisava estar disposto pra poder aproveitar uma das poucas cidades que eu REALMENTE desejava visitar na Europa.
Beckinho a caminho da praça
Desci pra casa e fui dormir. Quando deu mais ou menos uns vinte minutos toca o meu celular. Quem era? Minha mãe com saudades? Claro que não!!! Era o português!! O bicho me ligou desesperado dizendo que tava querendo “dar um rolê” com a espanhola dele e que não tava podendo porque ela não podia deixar a amiga sozinha. Depois de um tempo conversando com ela, ele convenceu a outra espanhola a me dar uns pegas e disse que era pra eu descer que ela “tava só me esperando”. Proposta indecente é pouco pra poder descrever a situação que o cara me deixava. Fiquei naquela indecisão miserável!! Descia e dava uns pegas na espanhola, mas ficava que nem um zumbi o dia inteiro em Veneza e não aproveitava nada? Ou fingia que não era comigo e simplesmente dormia pra poder aproveitar a minha cidade favorita na Europa inteira? Diga aí? É ou não é uma decisão difícil?
Eu fiquei, “pô, o que é que eu faço?”. Eu sei que muitos de vocês vão até duvidar da minha masculinidade, mas eu realmente acabei optando por ficar e não descer do apartamento. Entre outras coisas que eu pensei, mulheres tem em todo o mundo, mas Veneza era só aquela e sabe Deus se um dia terei oportunidade de visitar novamente. Apesar dos insistentes protestos do português, eu acabei ficando em casa e dormindo mesmo. Até hoje essa decisão me assombra. Dilema do prisioneiro o cacete!! Isso sim foi um dilema difícil pra mim! Nem no filme do Homem-Aranha alguém teve que tomar uma decisão tão difícil.
Sei que minha noite terminou com o português lá embaixo gritando o meu nome pra ver se eu descia e eu fingindo que não era comigo. Hahahhah… Cara, que tristeza eu ter perdido o contato daquele cara, viu? Poucas pessoas pude conhecer tão gente boa como ele. Mas enfim, a vida é assim. Bola pra frente. Não era a primeira vez que eu conhecia alguém que nunca mais veria na minha vida. Lembrou da Tailândia…

Show dos pássaros estorninhos no céu de Roma

Galera, eu já estava começando a escrever o post novo sobre Florença quando, futricando as minhas fotos aqui, percebi que havia alguns vídeos que fiz em Roma e que acabei esquecendo de postá-los. Um deles, um dos mais interessantes, é esse verdadeiro show que pude presenciar quando estava caminhando pelas ruas de Roma com o Brian. Foi engraçado porque quando já estávamos voltando pra casa, eu e o Brian começamos a discutir como faríamos pra poder ir. Eu queria ir de metrô (era barato, mais ou menos um euro), mas o Brian bateu o pé e falou que queria ir caminhando já que éramos mochileiros. Acabei concordando com ele e enfrentei uma caminhada de quase uma hora na volta pra casa. Mas no final valeu a pena, viu?? Fomos tomados de surpresa quando verdadeiros “cardumes” pareciam flutuar num balé indescritível pelos céus romanos. Eram pássaros estorninhos que, durante o frio inverno europeu, costumam buscar refúgio nos climas mais amenos das cidades do sul da Europa como Roma.
Cara, é SIMPLESMENTE sensacional vê-los deslizando com toda sua leveza pelos céus, como se estivessem em um aquário. Eu e Brian acabamos ficando quase uma hora parados só admirando aquele show de rara beleza.Mas como nem tudo é festa, é sempre bom lembrar que um pássaro tem uma cloaca e MILHARES de pássaros tem MILHARES de cloacas! Cara, você tem que ver a destruição que esses passarinhos saem fazendo. Cagando a cidade inteira. Se você ficou puto com aquele pombo que cagou no seu carro hoje de manhã, agradeça a Deus por não ter dado de cara com esse “batalhão cagador” no caminho. Seu carro poderia acabar como esse aqui embaixo…Doido demais.Amanhã tem jogo do Brasil e não sei se vai dar pra eu postar algo, mas vou me esforçar ao máximo pra que quarta feira eu já comece o post sobre Florença.
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Perambulando por Roma

Cara, perambular por Roma é uma parada muito complicada. A cidade tem muita história, tem muitas atrações e muitas ruínas pelos seus cantos. Pra eu falar de tudo o que eu vi quando estava por lá, necessitaria de um blog só pra escrever sobre ela, isso porque teve muita coisa que eu via e não tinha muita idéia do que era. Cara, eu passei uma semana na cidade e não deu pra ver tudo. Uma semana! Mas não foi aquela semana que eu passava quando tava em Delhi não. Aquela semana que a gente saía pra tomar uma cerveja a noite, eu acordava onze da manhã, saía meio dia e voltava as quatro. Foi uma semana puxada, acordando categoricamente às oito da manhã, voltando as seis da tarde e ainda assim não deu pra ir a todos lugares que eu havia planejado. Só pra vocês terem uma idéia, o Museu do Vaticano tem tantas, mas TANTAS esculturas e quadros, que certa vez eu li na Internet um cara dizendo que se você gastasse oito segundos pra ver cada peça demoraria cerca de dois anos pra ver tudo. Cara, é um museu que tem quase a idade da Igreja Católica e que reúne o acervo que vários papas diferentes foram adquirindo, ou roubando, pelos séculos.

Dentro do Museu

Outra coisa interessante que podemos falar é que Roma foi uma das poucas cidades na Europa que eu achei parecida, E MUITO, com as nossas grandes cidades aqui do Brasil. Mas particularmente com São Paulo. Cara, Roma é MUITO suja! É lixo pra tudo que é lado! Outra coisa, parece ser uma cidade muito pobre. Toda esquina tem gente pedindo esmola ou africanos vendendo quinquilharias. Roma foi a ÚNICA (e quando digo única, é literalmente) cidade da Europa inteira que tive a oportunidade de ver pessoas nos sinais limpando vidros de carros e pedindo algo em troca. Uma cena bem comum em nosso país e que infelizmente não deu pra eu tirar fotos…Pra não escrever um post de vinte páginas sobre os pontos turísticos que eu vou citar aqui, vou apenas citar o nome e quem não souber do que eu estou falando, clica no link que vai levar direto pra um link da Wikipedia explicando tudo.

Roma era tão engraçado que até chegar em casa era uma epopeia sem tamanho. Rapaz, mas o bairro em que eu estava hospedado, todas as ruas pareciam as mesmas, não tinha muita diferença. Aí era uma treta só pra poder chegar em casa. Depois de dois dias eu notei um curioso objeto que ficava escorado no parapeito de uma grade que era só virar à esquerda assim que visse o objeto que eu estava em casa. O que era? Uma estátua romana? Uma escultura do Papa? Não, uma meia suja que continuou jogada lá durante TODA A SEMANA que fiquei por Roma! Impressionante!

O caminho de volta pra casa era assim: Vire à direita no castelo gigantesco e impressionante.

E á esquerda na meia suja. Ainda bem que em uma semana ninguém pegou essa meia suja para lavar, senão eu tava ferrado

Bem, mas vamos começar falando sobre a perambulada por Roma.

Em frente ao Panteão

Pra começar, lógico, fui no Museu do Vaticano. Porque, entre outros motivos, o passeio no Museu do Vaticano terminava na Capela Sistina, onde seria possível ver os famosos afrescos de Michelangelo. A entrada era um pouquinho salgada, uns 17 euros, mas valia cada centavo.

Perseu e Medusa

Laocoonte e seus filhos. Episódio dramático da Guerra de Tróia.

Tirei fotos de algumas esculturas que eu ainda lembrava o que era do tempo que estudei Artes Plásticas no Colégio, e gastei meu dia inteiro por lá.

Cara, eu sei o nome dessa escultura, mas eu achei ela muito massa. A apelidei de “Pegaram!”. Achei muito engraçada a cara do cavalinho com a língua de fora. Hehehe

Escola de Atenas, umas das mais famosas pinturas de Rafael

Museu do Vaticano é assim. É tanta escultura pelos cantos, que qualquer bustozinho de 1000 anos vira apoio pros braços.

No final, claro, havia o mais importante: o teto da Capela Sistina. Uma coisa que me deixou um pouco impressionado foi que antes de você entrar na capela, há dezenas de avisos colados nas paredes avisando: “Não tire fotos dentro da Capela Sistina!”, “Não é permitido tirar fotos dentro da Capela Sistina”. Eu até fiquei chateado por isso, mas enfim, eu achava que tinha que respeitar. Rapaz, ledo engano. Foi só eu entrar lá que eu vi o mundarél de flashs saindo lá de dentro. Flash!, Flash!, Flash!. Rapaz, era TODO mundo tirando fotos do teto da capela. Ah porra, quando eu vi que a parada era bagunçada mesmo também comecei a tirar fotos também. Ninguém é de ferro.

Tinham umas pessoas que estavam meio que disfarçando que batiam fotos, mas eu já não tava muito preocupado! Tava descarado mesmo!

Pietá, escultura na Basílica de São Pedro, próxima à Capela Sistina.

Depois de uns dez minutos me esbaldando, veio só uma mãozona na minha máquina. POU! Quando eu já me preparava pra poder sair na porrada, eu só vi aquela voz: NÃO É PERMITIDO TIRAR FOTOS!! Era um segurança da capela! Sim, eles existiam!! Levei até um susto. Depois fiquei pensando que vida miserável deve ser aquela de ter que ficar controlando aquela horda de turistas enfurecidos todos os dias. Pombas, não quer que tirem fotos lá dentro? Eu tenho uma ótima idéia. Tirou fotos? Multa: 1000 euros! Queria ver quem ia bater fotos lá dentro. Além disso ia dar pra tirar uma grana massa com essa história.

Essa foi a hora que eu levei a mãozada do segurança da capela. Olha a cara de espanto do tiozão vendo aquilo.

No outro dia ainda visitei a Fontana di Trevi. Como dizia a tradição joguei uma moeda na fonte e fiz um desejo. A fonte era até bonitinha, mas o que mais me impressionou não foi a fonte em si, mas a GIGANTESCA horda de turistas fazendo o mesmo. Rapaz, mas era gente, GENTE DEMAIS!

Êêê Tiozão, vai lá!! Joga a moedinha!

Outra coisa, também havia vários turistas brasileiros por lá. Fiquei um pouco impressionado com isso. Mas depois que eu fui lembrar: Roma faz parte do “mainstream” das viagens que os brasileiros fazem pra “conhecer a Europa”. Talvez em Paris e Londres fosse o mesmo. Só pra lembrar, a maioria dos lugares que viajei era bem complicado achar brasileiros por onde passava, ainda mais com uma guia segurando a bandeirinha. Além de Roma só vi grupos assim quando visitei Israel, mas isso eu conto depois.

Visitei também o Coliseu. Cara, o Coliseu é muito engraçado. Primeiro que pra entrar, parece uma fila do Playcenter. É gente, GENTE na fila esperando a sua vez. Segundo que eu estava esperando (e eu tinha certeza que a maioria de vocês também) que o piso do Coliseu fosse uma parada maciça. Um piso mesmo. Mas não, cara! Quando você chega lá, dá até pra se tomar um susto. Se liga como é.

Cara, pelo que eu entendi lendo pela Internet, isso acontecia porque o chão do Coliseu durante as apresentações era quase que uma produção do James Cameron, tamanho o número de efeitos especiais que surgiam de lá. Por aqueles corredores poderiam surgir tigres, animais, bestas-feras, alçapões, o caramba, pra poder influenciar na luta dos gladiadores. Ter que se preocupar com o fato de que o outro cara com a espada está afim de te fazer em pedacinhos acho que não era suficiente pros romanos. Eles tinham que colocar algumas coisinhas a mais pros gladiadores não ficarem entediados com aquele duelozinho mixuruca.

O chão era recoberto com madeiras e jogado areia por cima pra poder corrigir as imperfeições. Tem uma cena do filme O Gladiador, que eu não sei se vocês lembram, que é quando eles colocam quatro tigres pra poder delimitar o espaço que eles podem lutar. A cena que eu falo está mais ou menos no minuto 1:38 do vídeo abaixo.

Depois de lá, pude visitar o lugar onde Mussolini costumava fazer os seus famosos discursos para o povo italiano.

Cara, olha a visão do povo que o cara tinha!! Diz aí!! Dá até vontade de ser um ditador saguinário só pra fazer discursos daí de cima, ou não?

Visto de outro ângulo

Teve também a Embaixada Brasileira em Roma que entre os seus momentos mais tristes abrigou Itamar Franco como embaixador.

O local onde Giordano Bruno foi queimado por, entre outras heresias, propôr que o universo era infinito e que havia outros sistemas solares espalhados pelo universo. Olha só que idiotice que ele falou! Claro que ninguém acredita nessas coisas hoje em dia. Achei foi pouco ele ter sido assassinado.

Outro lugar interessante que visitei, foi o lugar onde Júlio César foi assassinado. O nome do lugar? Claro, não podia ser outro. Largo Argentina! A história é feita pelos homens, mas no final sempre acaba sendo justa. O “Largo Argentina”, situa-se no antigo Teatro de Pompeu, onde Júlio César foi assassinado nas suas escadas.

Cara, mas uma coisa que me chamou a atenção mesmo, além do nome mais do que justo, foi a “gataiada” que tinha por lá. Rapaz, mas era gato pra todo lado, depois que eu fui descobrir que lá também funcionava meio que um “abrigo pra gatos” abandonados que existem pela cidade. Sim, como já falei, Roma parece uma cidade de um país subdesenvolvido como o Brasil, eles também tem esses tipo de problemas. Mas com a diferença que lá os gatos ficam abrigados em Largos milenares!

Roma

Cheguei à cidade eterna vindo direto da Eslovênia, como já havia falado. Meu host só poderia me buscar pelo final da tarde e, “infelizmente”, tudo o que me restou foi ficar passeando por Roma e todo a sua impressionante beleza arquitetônica. Cara, a primeira coisa que eu acho que tenho que chamar a atenção sobre Roma é que, cada vez que você vira uma esquina, cada vez que você cruza uma rua, você deve abrir seu guia novamente e ver o que aquilo representa. É uma estátua de 500 anos aqui, uma construção do tempo de Roma ali e muitas, MUITAS, fontes. Rapaz, ow lugarzinho pra ter fonte, viu? Aquilo é impressionante! Virou uma esquina, aparece uma fonte diferente…

Mas o que eu queria mesmo ver era o Vaticano! Corri direto da estação de trem para a Praça de São Pedro e já fui pra fila pra entrar na Basílica de São Pedro. Infelizmente não me foi permitido entrar porque eu estava de bermuda. Tive que me contentar apenas em bater algumas fotos do obelisco e dar uma voltas pelas imediações do Vaticano.Tem como ser mais claro?

No outro dia, já com calças, em frente ao obelisco na Praça de São Pedro

Bati logo umas fotos da Guarda Suíça, a guarda pessoal do Papa, que chama a atenção por suas roupas, digamos, incomuns. Dizem por aí que foi o próprio Michelangelo que desenhou os seus uniformes, mas se isso é verdade, esse cara devia ter era um péssimo de um mal-gosto. Imagina você tentando impôr respeito num exército inimigo com uma farda dessas? Mais parece um bobo da corte! Como o próprio nome já diz, eles são suíços e, excetuando-se os oficiais, todos celibatários.

Visitei também as ruínas do fórum romano, o antigo centro comercial e coração do Império Romano. Como eu não estava com muito tempo sobrando e, logicamente, sem DINHEIRO sobrando, infelizmente não deu pra eu contratar um guia que pudesse me explicar tudo que existia por lá. Sem histórias e sem alguém que lhe explique alguma coisa, pilastras são apenas pedaços de pedras e ruínas, apenas ruínas… Ficou um sentimento de que eu havia deixado MUITA história trás, mas foi o que deu pra eu fazer devido a sérias restrições orçamentárias.

Depois de algum tempo passeando foi chegada a hora de enfim me encontrar com meu host. Marcamos de nos encontrar em frente à praça de São Pedro e ele foi me buscar.

Couch em Roma

Os caras que me hospedaram em Roma foram realmente bem legais. Eram todos americanos e estavam fazendo um intercâmbio de alguns meses na cidade. Os caras meio que tinham acabado de começar o Couchsurfing e ainda estavam tentando se adaptar as ferramentas. Resultado? Meio que se confundiram, acabaram se enrolando e saíram falando “sim” pra quase todo mundo que pediu couch pra eles. No final eu fiquei hospedado na casa com mais outras quatro pessoas, duas israelenses e um casal francês.

O casal francês em si já merece um aparte. Os caras tinham duas motinhas que eles haviam comprado no Vietnã. Aí você pergunta: “Como foi que eles levaram as motinhas pra Roma?”. Sim, foi exatamente do jeito que você está pensando. Eles vieram dirigindo as bichinhas de lá! Rapaz!! Do Vietnã a Roma eles foram por todo tipo de estrada que você imaginar. Depois de conhecer um cara que foi de bicicleta da Inglaterra à Malásia, um casal que tava indo de moto do Vietnã até a França, ficar na casa de uma menina em Praga que havia viajado da Inglaterra até a Índia de busão, acho que só me faltava conhecer alguém que estivesse fazendo um trajeto desses caminhando… Era só o que faltava..

Durante o dia cada um seguia o seu caminho, mas quando era noite todo mundo se encontrava na casa. Resultado? Festa!! Rapaz, toda noite era uma festa danada naquela casa. Ás vezes a gente cozinhava, às vezes a gente saía pra tomar uma cerveja, às vezes a gente tocava uma viola… Sei lá, sempre se achava uma coisa pra se fazer. Lembrou-me demais a nossa casa no Vietnã.

Além dessa trupe de malucos que fiquei, também pude reencontrar um antigo brother por lá. Ele era canadense e havíamos nos conhecido, na Eslovênia?, não! Reencontrei com um cara que havia conhecido quando ainda viajava por Macau!! Couchsurfing é uma coisa engraçada mesmo, né cara? Eu fiquei em um mesmo couch em Macau com um canadense e alguns meses depois nossos caminhos se cruzam e pudemos nos encontrar em Roma!! O nome dele era Brian e ficamos um dia inteiro caminhando por Roma. Mas isso fica pro próximo post, quando vou comentar sobre como foi a perambulada por Roma.

Comentários Comentandos

A Paulistana disse tudo.

hehehehehe

Cara, deixa eu te fazer um pergunta. Mas o negócio é sério mesmo, daí se quiser esponder na sessão “Comentários Comentados” ou por outro meio, agradeceria de verdade.

Ano que vem pretendo passar uns 5/6 meses na Alemanha, estudando lá (intercâmbio pela Faculdade mesmo). Daí o lugar que eu pretendo ir já vi que é meio embassado de arranjar moradia estudantil.

Daí, pão-duro/pore como sou, estive matutando: será que rola de conseguir moradia via couch surifing por quase meio ano?

No caso, lá na região de Frankfurt, vi que é bastante movimentado no http://www.couchsurfing.org mas 6 meses eu tô ligado que é embassado.

Enfim, la pergunta: na tua experiência (melhor brazuca rankiado), você acha que rola de descolar um couch desses? Ou um bem bolado, do tipo eu ajudar nas despesas extras, ou conseguir uns 2 por 3 meses…

Só.

De resto valeu a menção lá nos Comentários Comentados.

E Parabéns atrasado. O/

Abração

R – Cara, isso é um negócio meio complicado. Couchsurfing em si é uma ferramenta mais para algo temporário, pra quem tá viajando e talz. Eu já vi história de neguinho hospedando alguém por até dois meses (eu mesmo hospedei um cara um mês e meio), mas isso é meio raro. Eu diria até impossível, se tu não conheceres a pessoa. Um semestre já não é mais um “intercâmbio de culturas em si”. Um semestre é já MORAR com a pessoa. Aí eu já acho inclusive abuso. A maioria da galera do couchsurfing, pelo o que eu pude ver, acha que o ideal é que alguém peça um couch com duas semanas de antecedência e queira ficar entre quatro ou cinco dias (de preferência fim de semana). Geralmente mais do que isso a galera já começa a embassar..

2 – Flávia perguntou:

Olá Claudiomar,

Eu irei para o Egito em julho e não sei se até lá vc já vai ter postado sobre esse país, então eu já gostaria de te peguntar se vc me indica algo em especial para fazer lá, algum lugar específico pra ir, se vc tem alguma dica e tal… com excessão das coisas básicas como visitar as pirâmides, ver os camelos…

Abraços,

Flávia

R – Cara, se eu pudesse indicar um lugar, com certeza eu diria pra você ir a Dahab. É uma cidade egípcia que fica no Mar Vermelho. Eu achei MUITO da hora. Foi um dos melhores mergulhos que eu pude fazer enquanto estava viajando. Além dela, também, claro, gaste MUITO tempo em Cairo. Fique, quatro, cinco, seis dias caminhando pelos cafés da cidade, suas mesquitas milenares, sua história latente em cada esquina. Cairo por muito tempo foi considerada a capital do mundo islâmico, rivalizando até com Meca e Medina. Portanto, tempo lá você não vai perder. Há também Alexandria, que eu não fui, mas ouvi falar bem dela.

3 – Anônimo perguntou:

Se foi Outono, então, provavelmente entre final de setembro inicio de outubro. Pois não parece muito frio.

Mas, na independente de vc te passado o rodo ou não nas loira. As minas dão mole pros latinos? mas na real, Polonesa, Thecas… é moleza arrastar na baladas?

Para um paraiba, do teu naipe, quais as chances de se dar bem. De cada dez tentativas, quantos tocos vai tomar?

R – Cara, um maranhense, desse naipe aqui, 1,60m de pura emoção. Pode colocar aí que você se surpreenderia… E sim, cara, elas dão um certo mole pra gente. Quando entramos na balada costumamos até chamar a atenção, se for com uma camisa do Brasil então… Lá todo mundo é meio que muito parecido. Branquelão mesmo. Quando aparece um maranhense, moreno de cabelo escuro, rapaz… Fica mais bandeado que peru em véspera de Natal. Vai por mim, lá é bem legal…

4 – Júnior comentou:

ehuie he ih eiuhe e… Cara na europa… um bando de mulhe do lado e quer ficar dormindo… tem gente que só batendo mesmo =P

4.1 Anônimo comentou:

Maranhão

é melhor vc mandar um post novo pois os kara vão ficar te zoando.

Tambem, vc dar motivo, não pega as gringa ainda fica de graça com jumentinho, ovelhinha… A galera da tua região já tem fama de gostar de uma cabritinha

R – Rapaz, olha como esse povo é maldoso… Eu tenho que tomar cuidado com as palavras quando escrevo por aqui. Qualquer deslize, neguinho já chega matando. Não se pode estar cansado, que você é baitola!Não pode se envolver em atividades lúdicas nas montanhas da Eslovênia que a galera já acha que você tá querendo fazer um jumentinho a tucupi. Sério, eu acho que vou eu ter que flexibilizar uma das regras do meu blog, que é de não falar das meninas que apareceram por aí, porque senão vão acabar achando que eu sou é viado… Ou Zoófilo…

Tá, mas não vou mentir… Eu ri bastante desses comentários… Hahahahahah. Pra quem não sabe das fotos que eles estão comentando, vão elas abaixo:

5 – Guilherme Aragão comentou:

Eai Claudiomar!!

Estive sumidos dos comentarios e dos comentarios comentados, mas queria avisar que estou de volta!!! Passei uma semana lendo os posts antigos e agora ja estou a par do Blog!!

Como sempre… super interessante/engracado e informativo!!!

Abracao
GAragao


R – Seja bem-vindo, rapaz. Achei que você não estava mais lendo o blog 😉

Itália e Vaticano

Cara, do trecho mais badalado por todos que vão fazer uma viagem pra Europa (França, Inglaterra, Itália, Portugal, Espanha, Holanda e Alemanha), a Itália era o único país que eu realmente fazia questão de viajar. A Alemanha eu nem estava planejando ir, acabei indo por acidente quando consegui uma carona pra Munique quando estava em Praga. Espanha e Portugal eu só fui mesmo porque já estava no trajeto que eu havia desenhado. Mas a Itália não! A Itália desde o começo estava nos meus planos de viagem e, além de Polônia, República Tcheca, Grécia (que infelizmente não deu pra eu ir) e Hungria, era um dos únicos países europeus que eu REALMENTE sonhava em ir desde que ainda fazia trajetos numa calculadora de milhas aqui no Brasil.Por quê? Bem, cara, porque o Império Romano e a Grécia Antiga são os pilares de toda a civilização e pensamento do Ocidente. Basta lembrar do Direito Romano (de onde se origina o nosso Direito); a influência de Sócrates, Platão, Aristóteles, Pitágoras, Arquimedes na filosofia ocidental e também na matemática; a democracia, que não existiria sem Clístenes e Sólon; a base da Igreja Apostólica Romana entre outros. Roma e Atenas são cidades que respiram história por todas as suas esquinas e becos. Infelizmente, como já falei, não deu pra ir à Grécia, mas felizmente pude visitar Roma, “a cidade eterna”, Veneza (que faz parte do imaginário de qualquer pessoa) e ainda deu pra dar uma passadinha marota em Florença.
Uma curiosidade que acabou ocorrendo comigo na Itália e que não ocorreu em nenhum outro país europeu enquanto viajava. A Itália foi o único país da Europa que pediram meu passaporte pra poder atravessar uma fronteira que teoricamente não existia (já que atravessava da Eslovênia que também faz parte da União Européia). Deixe eu explicar melhor. Pra quem não sabe, viajar dentro da União Européia é como viajar dentro do próprio Brasil. Mais ou menos, guardada as devidas proporções, como viajar do Maranhão pro Piauí. Não há posto de imigração, controle de fronteira, visto, nada disso! Você apenas vai viajando e, PIMBA, quando vê tá lá a placa dizendo “bem vindo” ao outro país. Todas as fronteiras que eu cruzei; Polônia-República Tcheca, República Tcheca-Alemanha; foram assim. A única que eu tive um certo tipo de problema foi quando eu viajava da Eslovênia pra Itália. Pô, peguei o trem noturno! Oito horas de viagem! O que eu pensei? Claro! Vou dormindo a viagem inteira. Quem disse? Deu umas três horas da manhã acordo com um cara me chacoalhando no trem. Quando eu já ia abrindo a boca pra xingar o figura que eu fui perceber que era um policial italiano. Ele começou a falar em italiano comigo, mas deu pra entender que ele pedia meu passaporte. Deu vontade de mandar ele cuidar da vida dele, já que ele não poderia fazer aquilo, mas acabei dando meu passaporte e perguntando o que estava acontecendo. Ele nem se deu ao trabalho de me responder. Apenas checou meu passaporte e me devolveu. Safado! Só pra ferrar meu sono.
Além de toda a sua história milenar, também queria viajar a Roma porque, sempre bom lembrar, lá há o menor país hoje em extensão: o Vaticano. Roma é quase uma figurinha premiada! Uma visita a Roma vale dois pontos no álbum de figurinhas da viagem! Dá pra visitar dois países (Itália e Vaticano) em um só dia, olha só!
Caso vocês estejam perdidos e não tenham se tocado, a sede da Igreja Católica é um país soberano. Como isso pôde acontecer? Bem, todos sabemos que a Igreja Católica sempre foi (e ainda é) uma das maiores instituições detentoras de terras do planeta. Durante vários anos, as terras próximas de Roma e a própria cidade foram governadas pelo Papa, que se comportava como um verdadeiro soberano destas terras. Isso durou até o século XIX, século da unificação da Itália. Durante o processo de unificação do território que hoje corresponde ao país, as tropas italianas foram conquistando e anexando as terras papais até o momento em que conseguiram entrar triunfantes em Roma e tomar controle da cidade. Como compensação pelas terras perdidas, os italianos ofereceram a área que hoje é o Vaticano para o estabelecimento de um país para a Igreja. O Papa logicamente não aceitou e se trancafiou no seu palácio alegando que estava sendo feito refém pelo poder laico. Essa confusão durou um bom tempo até que, vendo que não conseguiria muita coisa, o Papa resolveu aceitar os termos, assinando o tratado de Latrão com Benito Mussolini, e assim foi criado o menor país do mundo. Apesar de reconhecido por diversas nações como um país soberano, o Vaticano não possui direito de voto nas Nações Unidas. Motivo? A oposição dos países não-católicos que não o reconhecem como um país, mas apenas como a sede administrativa da Igreja Católica.
Trocando em miúdos, o Vaticano possui uma área de 0,44 quilômetros quadrados e uma população de 800 pessoas. Possui a menor taxa de natalidade do mundo (sacou a piada? Há há? Há há?). A Itália, por outro lado, possui uma população de 60 milhões de habitantes e uma das maiores economias do mundo, com destaque para os setores automobilístico (Ferrari, Fiat…), moda (Armani, Benneton…) e turismo (a Itália é hoje o quinto país mais visitado do mundo). Uma coisa engraçada da Itália é o grande contraste que existe lá dentro. Se vocês acham que o Nordeste brasileiro é muito diferente de São Paulo, é porque nunca ouviram falar do Norte e do Sul da Itália. O Norte da Itália é altamente industrializado, sede de suas maiores empresas e muito, mas MUITO rico. Já o sul, bem, o sul da Itália nada mais é do que um grande brasilzão. Pobre pra todo lado, essencialmente agrário e com muito, mas MUITOS problemas de máfia e corrupção (no ranking da ONG Transparência Internacional a Itália aparece como um dos países mais corruptos do mundo, apenas 10 posições acima do Brasil). Bom lembrar que todos os filmes de mafiosos são de famílias italianas, principalmente sicilianas e calabresas.
Cara, eu poderia ficar o tempo inteiro falando da Itália e do Vaticano e de suas diversas atrações, mas vou ficando por aqui. Quando eu começar a falar de cada cidade que visitei por esses locais vou falando com mais detalhes, acho que assim fica melhor.

E o dia amanhece na Eslovênia

No dia “pós balada”, pela manhã, era chegada a hora de fazer o mais difícil: Levantar da cama! Caraca, doido, é sério, é muito difícil você tentar levantar da cama quando se está na Eslovênia. O clima é MUIITOO gostoso, aquele friozinho saboroso que dá vontade de ficar o dia inteiro debaixo das cobertas (fico imaginando como deve ser ainda mais difícil levantar quando se tem uma loira eslovena ao lado).

Chegamos da balada quase cinco horas da manhã. Quando cheguei em casa pra dormir, achei que teria sossego pra poder ficar na cama até umas cinco da tarde. Ledo engano. Quando foi no outro dia, nove da madrugada, o telefone fixo da casa começou a chiar sem parar. Enfiei o travesseiro entre as orelhas e fiquei esperando que a Tanja uma hora atendesse o telefone. Ela não foi atender. Depois de um tempo que eu fui me lembrar que ela havia me dito que sairia cedo pro trabalho no outro dia e eu ficaria sozinho em casa. Bem, achei que era melhor deixar ele tocando porque, mesmo que eu atendesse, eu não falava esloveno. E o telefone tocou até cair a ligação. Depois tocou novamente. E depois novamente. E depois novamente. Comecei a ficar preocupado se alguma coisa tinha dado errado e resolvi levantar pra ver o que era. Quando atendi, surpresa, a ligação era pra mim:

– Claudio?

– Urghehaekhaehgaha (rosnei de sono)… Sim?

– Oie! Somos as meninas que ontem fomos para a balada contigo. A Tanja falou que era pra te pegar no outro dia pela manhã pra podermos fazer uma coisa que sempre fazemos após uma noite de balada como aquela.

A minha mente poluída pensou em algo bem legal, mas deixa pra lá…

– Ir pro hospital?

– Não, vamos fazer uma caminhada e subir um dos morros mais altos ao redor de Ljubljana. Dá pra ter uma vista fenomenal da cidade lá de cima.

Nossa, olha só que idéia genial. O que se fazer quando você não consegue ficar em pé de tão cansando? Isso, subir um morro pra ver a vista lá de cima. E depois? Ah, depois descer o morro. Pombas, baixa uma foto na Internet e pronto, cara, não precisa ir lá em cima pra ver a cidade, alguém já fez isso pra você… Eu fiquei pensando: – Será se eu tou sonhando? É isso mesmo que eu tou ouvindo? Tradiçãozinha sem-vergonha tem esses bichos, rapaz. Olha só, você sai pra balada, volta mais doido que o Robocop na chuva e no outro dia o que eles propõe? Subir um morro pra poder ver a cidade lá de cima. Gente do céu, isso sim é ser hardcore… Ainda bem que eles não tinham essas idéias no Nepal…

– Gente, vocês beberam de mais ontem ou o que? Vocês tão é ficando loucas é? Deixa eu dormir, pelamordedeus? Eu não tenho mais idade pra ficar fazendo essas pirações não, amiga! Lá no Brasil a galera costuma pirar de várias maneiras, nenhuma que seja subindo morros depois de uma balada destruição.

– Cláudio, você não me entendeu. Você NÃO TEM ESCOLHA, nós não estamos pedindo que você vá com a gente. Nós estamos DIZENDO que você vai. Ou você vai ou vamos ficar ligando até a hora que você resolver descer. E vem logo que a gente tá com pressa.

Como eu vi que não tinha muita escolha, acabei entrando naquela loucura junto com elas. Fui ao monte.

SUBINDO O EVEREST ESLOVENO

Cara, vou te dizer, não foi um Everest, mas pareceu viu? Mermão, como foi engraçado subir aquela parada. Pra começar que fomos eu, uma amiga da Tanja, a “cigana” e a sua “filha” fruto do relacionamento entre um sérvio e uma cigana.

Chegamos lá e começamos a subir a trilha. Pô, o lugar era realmente muito bonito, um perfeito local para se dar uma volta quando a noite passada foi bem dormida (longe de ser meu caso). As folhas das árvores estavam num misto de verde e avermelhado, de um outono que estava para começar.  Engraçado que a gente ia seguindo a trilha e a cachorrinha também ia junto com a gente, andando pra todo lado, fazendo maior bagunça e tentando brincar com todo tipo de bichinho que aparecia por lá.

Depois de mais ou menos uma hora de intensa caminhada nos deparamos com uma cena inusitada. Cara, DO NADA, apareceu um burrico caminhando pela trilha sem NINGUÉM segurando ele ou algo assim. Eu achei bem engraçado e aproveitei até pra bater uma foto com ele.

Além desse burrico tinhas umas ovelhas também, que eu, pra fazer graça, comecei a sair correndo atrás delas pra saber qual seria a reação delas.

Mas o mais engraçado de tudo, sem sombra de dúvidas, foi quando a cachorrinha achou de invocar com esse burro que apareceu do nada. Rapaz, ela ficou latindo no ouvido do bicho até a hora que ele perdeu a paciência e saiu correndo atrás dela. Foi uma das cenas mais surreais que eu já vi, um burro correndo atrás de um cachorro e o cachorro desesperado tentando fugir…

Subimos, batemos algumas fotos e depois eu voltei pra casa.

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Dá só uma olhada na neblina que a gente teve que enfrentar na volta para casa

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Embaixada brasileira

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SISTEMA EDUCACIONAL EFICIENTE

Chegamos já pelo começo da tarde. Tanja já havia voltado do trabalho e me esperava em casa pra podermos dar uma volta. Ela me levou em um castelo que havia lá em Ljubljana. Depois de um tempo dando uma volta, paramos numa doceria pra poder comer alguma coisa. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que essa doceria era em frente à nossa minúscula embaixada na Eslovênia.

Enquanto estávamos comendo e conversando por um tempo, um mendigo veio se aproximando pra falar com a gente. Ele chegou e começou a falar alguma coisa em esloveno pra mim, provavelmente pedindo dinheiro e eu só falei o de sempre: “Sorry, I just speak English”. Pensa que ele se fez de rogado? Nadaaaa… Ele só virou pra mim e começou a falar: “Sorry, sir, but I just wanna know…”. Cara, cê acredita nisso? O mendigo simplesmente apertou a tecla SAP e começou a falar inglês comigo. Nessa hora eu fiquei tão sem graça que pra mim não restou outra opção senão dar uns trocados pro bicho. Pô, cara!! Que país maluco é esse que até mendigo sabe falar inglês? Hahaehahe

Só sei que conversando com ela, acabei mudando os meus planos. Inicialmente os meus planos eram de visitar Ljubljana, seguir para Viena e de Viena pegar um trem ou alguma coisa que fosse pra poder descer para Itália. Ela me convenceu que seria muito melhor sair da Eslovênia direto para Itália, pois era bem mais barato e perto fazer isso. Foi o que eu acabei fazendo. Só liguei pra companhia aérea, remarquei a passagem de avião pra Viena pra uma semana depois e segui direto para a Itália.

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Perambulando por Ljubljana – Eslovênia

Cara, como já disse, não ocorreu nada de muito diferente nessa semana que passei em Ljubljana, pois estava lá tentando ao máximo recuperar as energias que tinha perdido. Eu basicamente só saía de casa pra ir no supermercado, comprar alguma coisa pra comer e voltar. A única coisa que merece destaque foi que depois de uns três dias que havia chegado, a Tanja me falou que iria rolar uma aula experimental de capoeira e perguntou se eu não queria ir. Pô, depois de jogar capoeira na Síria e em Mumbai, já era a hora de tentar a sorte na Eslovênia, né? A probabilidade de encontrar mulheres loiras, lindas, de olhos claros e pagando pau pra brasileiros seria bem alta numa aula de capoeira na Europa Oriental, ou não? “Topo, topo, por que não? Vamo cair pra dentro…”

Fomos eu e ela pra aula de capoeira e, como previsto, foi tudo o que eu estava esperando. Rapaz, imagina o Éden? Pois aquilo era um pouquinho melhor… Mermão, mas SÓ TINHA MULHER no lugar. De homem só tinha eu e mais um outro cara por lá. Era aquele plantel de mulheres lindas e loiras doidas pra saber um pouco mais daquilo que parecia ser algo tão exótico para elas. Eu, claro, coloquei o meu agasalho do Brasil nas costas e já caí pra dentro. Escolhi uma moreninha dos olhos azuis como parceira de treino e fiquei tentando trocar uma idéia com ela. No final, foi tudo como eu estava esperando, excetuando o quesito “meninas pagando pau pra brasileiro”. Tentei de toda maneira conversar com uma, com outra, com outra, com outra… E no final acabei chupando dedo… Acho que eu fui tão afoito que eu nem consegui achar nada. Eu parecia mais criança em loja de doce, não sabendo pra onde ir. Acho que se eu fosse um negão que realmente tivesse uma cara de capoeirista, não essa cara de pangaré velho que eu tenho, eu talvez conseguisse alguma coisa… Ainda tentei trocar uma idéia com a instrutora, sem querer nada demais, só curiosidade pra saber se ela falava português ou se tinha morado no Brasil, mas a mina foi mó estranha. Foi falando comigo, assim, já querendo ir embora. Depois que algumas pessoas foram me falar que ela tinha brigado com o único instrutor de capoeira brasileiro da cidade, que foi mestre dela, porque ela ia abrir uma escola de capoeira e parece que ia levar aluno dele. Boto fé que ela ficou preocupada de eu ser amigo dele, só pode ter sido isso pra mina ter sido tão esquizofrênica ao falar comigo.

BALADA AÍ VAMOS NÓS

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Olha como a caipirinha é bem feita na Eslovênia, rapaz…

Bem, depois de mais ou menos uns cinco dias em Ljubljana dormindo mais que uma pedra, eu já tava começando a ficar com vontade de fazer algo. Graças a Deus o fim de semana vinha chegando e, bem, acho que não preciso explicar mais nada, né? Tanja me convidou pra poder sair com umas amigas dela pra uma balada já que estávamos em plena sexta feira à noite. Acho que não seria de todo mal fazer isso, né? Nos arrumamos e descemos pra algo como um “esquenta” que ia rolar na casa de uma das amigas dela. Quando chegamos, como não podia deixar de ser, SÓ TINHA MULHER. Rapaz, isso parecia ser uma constante naquele país. Todo lugar que eu ia parecia SÓ TER MULHER. Eu ficava pensando como é que eles faziam pra poder se reproduzir por lá. Se era algo parecido com a lenda das amazonas ou algo assim… A dona da casa era uma menina MUITO gente boa e que dizia ser descendente de ciganos, talvez por isso era a única “não-loira” da casa, tinha só cabelos castanhos (A Tanja estava com os cabelos castanhos, mas porque ela pintou). Ela dizia que era cigana e que tinha uma filha do tempo do relacionamento que ela teve com um sérvio (destaque pro fato de que ele não era esloveno, ele era sérvio. Já falei, aquele país SÓ TINHA MULHER!), chegando até a ser casada com ele. Perguntei onde estava a filha dela e ela disse que ia chamar. Ela assobiou, pisou duas vezes no assoalho e gritou um nome eslavo lá que eu não lembro. Fiquei pensando: – Rapaz, nesse país esse povo é todo doido. Eles chamam o filho como quem chamam um cachorro!! Depois de um tempo apareceu a “filha” dela. Na verdade era realmente uma cachorra, eheheh. Uma cocker spaniel preta. Quando a cachorra veio chegando ela me falou: – Esse é o filho que dá de uma mistura entre uma cigana e um sérvio. Sai uma cocker spaniel dessa… Huhaeuhaeuheaea. Depois de ser apresentado à dona da casa, passei por aquele corredor polonês… digo… corredor esloveno e fui sendo apresentado a todas. Até que uma veio pra mim e perguntou: – Tu és brasileiro? Opa, essa aí já vai ser a primeira a ser degolada – pensei – Sou sim, por quê? – Ah, faz um favor pra gente? Faz umas caipirinhas? Lá na cozinha tem um balde de limão, um outro de gelo e uma cachaça. Fica lá fazendo? Er… hum… bem… não teve como negar. – Ta, deixa eu ir lá. E lá foi o idiota do “brasileiro” para os fundos do apartamento enquanto todas aquelas eslavas se embriagavam na sala. E assim acabou a minha noite no esquenta. Fazendo caipirinha atrás de caipirinha. Virei mão-de-obra escrava. Há ônus e bônus em ser brasileiro. Dessa vez eu fiquei com o ônus.

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O idiota na cozinha fazendo caipirinha

Descemos depois para a balada e posso dizer que foi bem da hora. Logicamente, pros mais afoitos, não vou dizer se peguei alguém ou não, não faz parte da política do blog. Mas enfim, me diverti bastante. A noite na Eslovênia é realmente bem legal. No outro dia de manhã também houve um passeio, mas isso é assunto pro próximo post.214a7-sdc11825 (1)6a72a-sdc118324c337-sdc11815

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Chegando à Eslovênia

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Postando de um Pub
Cara, a Eslovênia foi engraçada, viu? Foi a primeira vez desde quando eu comecei a viajar que eu senti o cansaço. A Eslovênia foi meio que o meu “turning point” e o momento em que eu realmente comecei a ficar de saco cheio de viajar e com vontade de voltar pra casa. Já estávamos em outubro e eram rodados dez meses desde a saída do Brasil. O cansaço já se fazia latente nos meus couros. Pra complicar mais ainda a situação a minha viagem pelo Oriente Médio havia sido MUITO cansativa, como vocês puderam ver no post anterior.

Trocando em miúdos. Cheguei na Eslovênia SÓ O BAGAÇO!! Tudo o que eu mais queria quando cheguei por lá era uma cama confortável e um lugar pra dormir e foi o que eu acabei conseguindo.

Enfim, antes de sair da Turquia, mais uma vez, me preparei todo pra poder passar pela imigração. Passagem de volta, dinheiro na conta, lugar onde eu ia ficar etc. Mais uma vez fui numa tensão sem fim pra poder passar na fila de imigração. Cara, pode parecer besteira, mas fila de imigração SEMPRE dá um frio sinistro na barriga. Lembrei de como foi minha passada na Áustria e pensei, se lá não deu tudo errado, boto fé que vai ser aqui que meu azar vai dar as caras e terei problemas. Como não tinha o que fazer no avião, fui treinando as respostas das possíveis perguntas que me seriam feitas quando estivesse frente a frente com meu inquisitor, digo, com o oficial de imigração. Chegando na Eslovênia, aquela rotina que eu já estava acostumado, europeus de um lado, a ralé de outro. Peguei a fila da ralé.

Fiquei lá esperando até a hora que o oficial me chamou. Ele olhou dentro dos meus olhos com aquele olhar que só oficial de imigração sabe fazer, aquele olhar de “eu sei que você veio se prostituir na Europa” e me perguntou: ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?

Nessa hora eu comecei a pensar: “Será se ele ta fazendo uma pegadinha comigo??”. Sério, porque, tipo, eu passando esse guichê só terei uma escolha pra onde ir. Para a saída do aeroporto, ou não? Tipo, será se atrás desse guichê tem tipo um tobogã onde a gente pula e cai dentro de outro país da Europa? Inglaterra, sei lá? Por que, real, eu passando esse cara eu vou pra onde? Maranhão? Juro que eu pensei em perguntar o que ele queria dizer com isso, mas só me limitei a falar “Eslovênia?”. Ele só puxou meu passaporte, disse “bem-vindo” e deixou eu passar… Passei pelo guichê, saí direto na saída do aeroporto e, PIMBA, estava livre!! Até hoje eu fico pensando o que diabos ele queria dizer com “ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?”. Será se ele estava era testando se eu realmente sabia onde estava? Acho que até hoje ele espera alguém dizer “Espanha” pra ele responder “país errado, favor voltar para o avião, a sua parada é a próxima” que nem motorista de ônibus faz quando a gente erra a rodoviária… Pensei até em voltar lá, dar uma bisca na cabeça dele e dizer: TOU NA EUROPA, FI DUMA ÉGUA!! AGORA EU NÃO VOLTO MAIS!!, mas achei que talvez seria uma péssima idéia.

Assim que sentei no aeroporto e liguei pra minha host ir me buscar, comecei a notar algo que seria a característica principal da Eslovênia. O país parece que é feito de Lego, cara! Tudo é pequenino lá e bem arrumadinho. O aeroporto é MINÚSCULO e a praça de alimentação, sem brincadeira, deve ser do tamanho do meu apartamento aqui em Brasília. Tinha só um café e uma lojinha de lanches. Real, até a rodoviária de Bacabal parecia ser maior. Depois fiquei pensando, quem diabos viaja pra Eslovênia além de um maranhense perdido que nem eu? Liguei pra Tanja e fiquei esperando ela ir me buscar.

COUCH EM LJUBLJANA

Cara, acabou ocorrendo algo muito interessando na Eslovênia. Pela primeira e única vez em toda minha viagem, meio que ocorreu um “intercâmbio” de couchs. Ao contrário dos outros couchs, não acabei achando a Tanja na louca, como todos os outros, pedindo pra trinta pessoas e esperando uma me falar que eu poderia ficar em sua casa. Na verdade a Tanja JÁ HAVIA sido hospedada na minha casa aqui em Brasília. Bem pra ser mais exato, ela havia sido hospedada na minha ex-casa de Brasília. Enquanto eu estava viajando, ela e uma amiga estava viajando pelo Brasil e acabaram ficando no apartamento que eu morava. Os meus antigos colegas de apartamento me falaram e me passaram o endereço dela e quando cheguei na Eslovênia, ela meio que pra retribuir também me hospedou em sua casa. Uma mão lava a outra…

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Tanja e meus ex-companheiros de casa
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Eu e Tanja

A Tanja foi uma pessoa super agradável, me disponibilizou prontamente a sua casa, me deu a chave e disse que eu poderia entrar e sair a hora que quisesse, mas nem precisava. Cara, a primeira coisa que eu fiz foi falar “muito obrigado” e, CATAPLOFT, caí na cama. Eram sete horas da manhã e ela estava indo trabalhar, por isso me deixou dormir. Acordei só as sete da noite com ela voltando para casa. Ficamos conversando um pouco, preparei algo pra comermos e quando deu onze horas da noite, fomos dormir. Acordei só no outro dia quase duas da tarde. Isso mesmo, em 24 horas dormi quase as 24 horas inteiras. Quando digo que estava cansado da Turquia, cara, não era a toa não. Aquela viagem simplesmente me matou.

Além disso, de todo esse desgaste físico que os países árabes me proporcionaram, a Eslovênia parecia também não contribuir para que eu ficasse acordado. Cara, tava um clima muito agradável por lá. Sabe aquele friozinho gostoso? Ainda mais depois de ter pego uns 40 graus na Síria? Pois era assim mesmo que tava lá. Todo dia eu acordava umas dez, saía pra dar uma volta e era aquele friozinho gostoso no pescoço. Cara, teve dia que eu saí quase meio dia de casa e ainda tinha neblina, dá pra acreditar? Aí não tinha jeito, volta pra casa e continua dormindo.

Só sei que essa semana pra mim foi quase que baixando filme o dia inteiro, escrevendo blog, fazendo planos e, claro, dormindo MUITO!! Mermão, essa Eslovênia foi bem legal…

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