Decadencia humana

Cara, dentre várias características de Bali, a decadência presenciada por lá me chocou bastante. Vocês lembram daquela música do Cazuza que o Gabeira até utilizou pra poder falar do Severino? “Transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro”?. É exatamente desta maneira que funciona Bali.
Ok, a Indonésia é um país muçulmano, mas isso não impediu com que aquela ilha apinhada de turistas e seus dólares tenha sido transformada em um puteiro para se ganhar mais dinheiro.
Primeiro que na balada é impossível você saber quem é prostituta e quem não é. É tanta “prima” pelas baladas que fica difícil você saber se a balada que você tá é uma discoteca mesmo, ou um cabaré. Além de que, tudo em Bali funciona na base da corrupção. Os preços para comprar os policiais ou oficiais de imigração são quase que tabelados.
Como já fui conversando com os brazucas, macacos-velho, eles já me passaram a “tabelinha” caso eu precisasse subornar alguém algum dia. Dirigir sem carteira internacional: “5-10 dólares”. Extensão do visto sem precisar sair da Indonésia e voltar: 55 dólares.

Tecla PAUSE

Pra galera que nunca viajou por países assim. O visto na Indonésia só é válido por 30 dias e não é possível estender de forma legal. Se você quiser estender legalmente, você precisa sair da Indonésia, ir pra outro país (Malásia, Timor Leste…) e voltar. Ou então pagar o suborno que fica mais fácil

Tecla PLAY

Dizem eles que quando você paga os 55 dólares certinho, vem um oficial todo sorridente no seu quarto de hotel com um carimbinho na mão. O serviço é VIP, meu amigo.
Isso serve pra demonstrar que quando a situação gira em torno de MUITA grana circulando pela região e oficiais mal-pagos, não interessa se o país é muçulmano ou flamenguista, a corrupção vai comer solta.
Depois de obter essas informações sobre compra de guardas e oficiais, me veio uma pergunta na cabeça e que provavelmente muitos de vocês também devem estar se perguntando: – Uai, se dá pra subornar todo mundo, porque os caras que agora tão aguardando pena de morte não fazem o mesmo? A parada é, a Indonésia é que nem o Brasil, você até consegue fazer as coisas debaixo dos panos, mas quando a imprensa aparece, amigo, aí, como a gente diz no Maranhão, “morreu Maria Preá”. O cara do ecztazy ficou na jaula porque não tinha dinheiro pra pagar o suborno (que nesse caso os caras cobram alguns milhares de dólares pra te soltar), já o traficante “classe-média” foi pego no aeroporto e na mesma hora a imprensa bateu em cima. Aí, já era. Botaram a cara dele na TV, falaram que pessoas como eles estão destruindo a juventude da Indonésia e pegaram ele como exemplo. Não precisa dizer qual vai ser o final dele, né?

Bali – PPC, Puta barata, Porrada e Cana

Como falei, em Bali, qualquer balada que você for são profissionais do sexo por todos os lados! Os caras me falaram que, via de regra, asiática na balada é “prima”, logo, se elas chegarem em você, nem se empolgue! Eles me falaram que de vez em quando quando você sai da balada no “0x0” e, como dizia “Velhas Virgens”, com “dinheiro no bolso, bebida e tesão”, acabando pegando uma daquelas tiquiras e levando pro hotel. E viva o sexo barato!
No meu segundo dia estávamos na balada curtindo e eu fui conhecendo cada vez mais brasileiros. No meio daquele mar de paulistas e sulistas, acabei conhecendo um cearense que tava mais louco que o “Batiman”, bêbado que só um gambá de alambique! Tentei trocar uma idéia com o cara, mas ele tava tão bêbado que nem falava nada direito. Como o bicho tava bebaço, deixei ele de mão e continuei a falar com os outros brazucas.
Rapaz, dez minutos depois de esse cearense falar comigo começou um tumulto imenso. Puxa daqui, empurra dali, a “turma do deixa disso” entrou no meio pra poder separar. Só deu pra ver que foi alguma confusão. No meio daquela fuzarca toda, levanta o cearense com o olho roxo e um bando de brasileiro insano querendo partir pra cima de um cara! O cearense, bêbado, acho que mexeu com uma das mulheres que um bicho IMENSO tava “arroizando” (acompanhando) e o caba, pra se “amostrar” pra mulheres, virou uma cotovelada e um cruzado de direita na venta do pobre do cearense, que, franzino, foi nocauteado que nem um saco de batata.
Aí foi aquela confusão, mermão! Separa daqui, separa dali, o grandão querendo partir pra cima de dez brasileiros, dez brasileiros querendo moer o grandão, segurança no meio de todo mundo, balada parada e eu lá! No meio de tudo querendo filmar pra poder colocar no blog.
Só sei que um dos amigos do cearense, que vou chamar de Adalberto (não lembro o nome dele), ficou insano pra querer dar no cara. INSANO é a palavra certa pra descrever como o bicho ficou. Ele ficou insano porque o gringo agiu na maldade, cara! Pô, O gringo virou dois bofetes sem aviso e sem chance de defesa em um cara com 40 quilos a menos que ele! Só sei que as meninas que tavam com o grandão, tentaram segurar ele e o Adalberto ficou na balada procurando o grandão pra tomar satisfação! Só sei que o gringo grandão se aproveitou da distração do Adalberto e encaixou um soco bonito no rosto do bicho! Mas foi um soco lindo, cara! Perfeito! Reto, em direção ao alvo e, mais uma vez, sem chance de defesa! Algo como um toquinho de bico do Romário no canto. Chega eu vi a deformação momentânea da onda de choque trafegando no rosto do Adalberto!
Rapaz, mas aí que ele se ferrou! O grandão não pegou um, mas dois brasileiros na covardia! Foi o estopim pros brasileiros da “turma do deixa-disso” (eu no meio) virarem a turma do “vamo pegar ele”. Eu fiquei mais injuriado não foi nem dele dar nos caras não, eu fiquei injuriado foi, com tanto paulista, sulista e principalmente argentino, o cara acha logo de dar num cearense, pô? Num nordestinho? Aí não vale!
Cara, todo mundo nervoso começou a gritar em português: – “Pô, bateram em fulano e em sicrano, vamo pegar ele, vamo pegar ele!” e aí que começou a ficar engraçado. Do nada, apareceu um bando, mas UM BANDO de brasileiro, uma turba enfurecida verde-amarela pra pegar o pobre do grandão que tava acompanhado apenas de duas lindas mulheres e de mais outro amigo que, mais prudente, só tentava acalmar todo mundo! Bicho, mas era engraçado! Só o fato deles gritarem em português na balada foi o suficiente pra juntar uma galera muito grande. Muitos dos que apareceram pra poder pegar o bicho, nem conheciam quem apanhou, chegavam, se apresentavam como brasileiros e diziam que queriam pegar o cara! No meio daquela confusão até um argentino e um português entraram no meio da história! E claro, um maranhense sempre com a câmera na mão!
Os amigos do grandão, trancaram ele no banheiro e ficaram na porta pra não deixar ninguém pegá-lo (ninguém ia bater em mulher, né?) e também pra não deixar sair o gringo que, numa atitude de coragem que me deixou impressionado, queria partir pra cima de uma turba, dessa vez multinacional, de umas 30 pessoas.
Só sei que no final, a história não teve como terminar diferente. Aproveitando-se do grande número de brasileiros, os caras fizeram um plano! Separaram vários grupos diferentes de brasileiros pelas diversas saídas pra esperar o figura e fingiram não saber de uma saída meio escondida que tinha no meio da balada. O grandão, dessa vez numa atitude mais esperta, tentou cair fora por essa saída. Só não contava que fosse uma armadilha e que o grosso dos brasileiros se encontravam no meio da rua, escondidos no meio da multidão. O grandão tentou correr, foi derrubado e apanhou, apanhou, apanhou que só cachorro sem dono, cara! Vários caras batendo, alguns nem sabendo por que! Alguns disseram que juntaram oito em cima dele, outro mais exagerados quinze, não sei! Só sei que ele apanhou de dar pena! E ele ficou apanhando lá! Polícia na Indonésia? Tá querendo demais, né? Ele só parou de apanhar porque os seguranças entraram no meio pra separar e tiraram ele do fuzuê.
Eu sou um rapaz meio pacato, confesso. Nunca entrei numa briga na vida (ah não ser quando menino), não sei se porque sou pequeno demais ou porque sempre quero ficar longe da confusão, mas gostei de saber que o cara apanhou. Pô, o cara deu em dois bichos na covardia, só porque era grande! Aprendeu a lição que todo baixinho sempre conhece! O cara pode ser grande que for, mas no limite ele é só um! Só fiquei triste porque no final não consegui bater nenhuma foto e nem fazer nenhum vídeo! Na hora não tinha entendido o plano direito e acabei ficando em uma saída errada.
Foi engraçado depois, o cearense andando no meio da balada com um saco de gelo na venta! Ele nem voltou pro hotel não, ficou por lá! Depois eu entendi o porquê! O safado se juntou com o amigo dele e ficou andando pela balada e chegando nas suecas pedindo pra elas darem um beijinho nele pra sarar! Mermão, teve uma hora que eles dois chegaram em duas loiras lindíssimas e descolaram alguns beijos delas nessa conversa! Nessa hora a primeira coisa que eu pensei foi: – Vou levar um soco na cara também!!
Como depois me toquei que os benefícios de ser “pego” por uma sueca lindíssima como aquela, não supriam os malefícios de ser “pego” por um namorado ciumento, resolvi deixar de lado essa história.
Depois conversando com alguns brasileiros, eles me falaram que isso sempre ocorre! Devido ao fato de que armas de fogo são raríssimas na Indonésia, ainda mais em Bali, toda confusãozinha vira porradaria, já que o risco de sair muito ferido ou morto é baixo. Além de que, não existe polícia em Bali, você pode sair no pau que nem dá nada!
Depois desse fuzuê todo e dessas “porradarias diárias” eu fui até perguntar pra um dos brasileiros:
– Vem cá, quer dizer então que a noite aqui em Bali, grande parte das vezes, se resume à tríade Puta barata, Porrada e Cana? O famoso PPC?
– Basicamente, sim!
O que mais você precisa na sua vida? Amor?
Desce mais uma, garçom.

Problemas no Camboja

Diálogo ouvido na recepção do albergue hoje momentos antes de eu vir atualizar o blog:
 
– Cara, tudo bom? Será se dava pra você fechar minha conta no albergue? Tou indo embora amanhã.
– Beleza, que quarto?
– Quarto 1
– Tudo certo, cara. De onde você é?
– Ah, sou do Brasil!
– Brasil?? Ah é, você tá com uma camisa da seleção brasileira! Pô cara, eu curto demais o Brasil, os brasileiros são gente boa demais – ele me cumprimenta
– Pode crer. Especialmente os caras do norte do Brasil.
– Uau! Brasil! Melhor futebol do mundo! Kaká, Ronaldo, Ronaldinho!
– Robinho também é bom (sou fã do Robinho)
– Ué, mas peraí, agora que eu lembrei. Brasil acabou de ter um jogo esses dias, não foi?
– Uai, tou viajando, não tou ligado.
– Sim, sim!! Ah!! Lembrei, vocês acabaram de perder pro Paraguai de 2X0, né?
– Foi? ¬¬
 
Nem sabia. Chequei agora na net.
 

 

Depois dessa foi só abrir a conta de novo e pegar mais uma cerveja de 50 centavos. Afogar as mágoas…

Esse Dunga. Só me faz passar vergonha…

 

 

Um “briefzinho” do lugar que eu estava hoje. Sim, o Camboja é fantástico! Superou DE LONGE, minhas expectativas. E olha que esse templo não é um dos melhores. Vou deixar vocês com curiosidade até o post do Camboja.

Siem Reap

Enfim cheguei em Siem Reap, a cidade do Angkor Wat, o templo mais famoso do Sudeste Asiático!
 
Velho, tou ficando num albergue que mais parece um sonho. Tou pagando um dólar pela minha cama e tou numa casa ABSURDAMENTE gigante! Pra melhorar ainda mais, internet de GRAÇA!! Égua mermão, que dá vontade de não sair daqui mais nunca
Hehehe
 

Ah sim, a cerveja custa cinquenta centavos de real. Me protege, senhor!

 

 
Post sobre Bali vindo, aí. Já tá pronto, tou só dando mais um tempinho. Amanhã coloco um vídeo de Bali já.
 
Abraços maranhenses

Noticias em tempo reais

Primeiro, antes de tudo, gostaria de compartilhar com voces minha alegria!! Acabei de comprar minha passagem pro Vietna!! Essa semana tou descendo la! Mermao! Tou muito empolgado!! Vou passar uns 3 ou 4 dias so visitando museu e lendo tudo que puder sobre a guerra do Vietna! Caraca, doido demais! Meu visto pra India tambem ja saiu! Tou aportando la no comecinho de Julho, se tudo der certo!
 
Segundo. Amanha tou indo pro Angkor Wat! O lugar de longe que eu mais queria conhecer em todo sudeste asiatico! Nao sabem o que e’? Google!! Vejam que loucura a parada!
 
Terceiro. Galera, vi algumas pessoas fazendo varias perguntas e colocacoes interessantes na parte de comentarios, por isso resolvi responder para que todos leiam.
 
O Lucas Veloso, LARAZENTO que falou que eu parecia o boca (tou brincando, ri muito disso. Hahaha), me fez algumas perguntas legais:
 
1 – viajar por toda a asia como vc ta fazendo?
 
Cara, aqui, tudo e’ MUITO barato. Minha viagem em si ta sendo baseada nisso. Muiito tempo em lugares baratos e exoticos e quase nada em lugares caros e que todo mundo vai. Logo, provavelmente nao visitarei a Franca, com toda certeza nao vou mais na Inglaterra e agora estou planejando demais passar na Etiopia, Quenia, Tanzania e, meu maior sonho, RUANDA! Por todos esses lugares que passo, mantenho uma meta de gastar por volta de 15 dolares, com picos de 20. Ta dando super certo! Alem disso, ate agora, em todos lugares que passei, fiquei em couchs. (http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL295001-5602,00.html reportagem pra quem nao sabe do que estou falando)
 
2 – quanto tempo deve-se trabalhar como slave (escravo) nos EUA pra conseguir $$$?
 
Cara, eu trampei so quatro meses. Fiz uma grana massa, consegui fazer quase 4000 dolares. Juntei com uma grana que tinha do Brasil, com uma grana que meu pai me deu e fui embora. Mas, na minha opiniao, oito ou nove meses de USA da pra fazer um regaco!
 
O Daniel Uchida, amigo da graduacao da UnB fez uma colocacao interessante. No video que fiz sobre as luzes de Jakarta, eu, a todo momento, burrinho, falo “mosteiro”, quando na verdade queria falar “mesquita”. A parada e’ que mesquita em ingles e’ “mosque” e como eu tava pensando em ingles, acabei traduzindo burramente pra “mosteiro”. Valeu pela correcao, Dani, ja coloquei um comentario sobre isso no post.
 
Por ultimo, meu pai me perguntou como os asiaticos veem o Brasil. Cara, essa era uma curiosidade que eu tinha tambem. Os asiaticos com mais estudos, ate sabem alguma coisa do Brasil. Eles falam que quando veem o Brasil, veem um pais grande, com um grande economia, grande populacao e grande produtor de alimentos. Agora, o asiatico medio, quando perguntado sobre o Brasil, os caras so sabem falar Rivaldo, Ronaldo, Robinho e Kaka. Os caras so conhecem o Brasil por causa do futebol e mais nada, nem do Rio de Janeiro eles ja ouviram falar (quantos brasileiros ja ouviram falar de Bali, que e’ MUITO mais famoso?).
 
A imagem que eles tem do Brasil e’ a de um lugar aonde todo mundo fica jogando bola o dia inteiro. Eu nao culpo eles. Eu percebi bem o que e’ voce ser ignorante sobre um pais. Na Indonesia, as indonesias me perguntaram qual era a imagem que eu tinha da Indonesia. Minha resposta? Um pais grande, muculmano, que matou muita gente no Timor Leste e tambem matou muita gente na ditadura de Suharto e nada mais. Fiquei ate com vergonha de falar. Mas eu pergunto pros leitores, qual e’ a imagem que voces tem da Indonesia?? Muita gente vai dizer Indo o que? E olha que a Indonesia nao e’ um pais trivial! Os bichos tem uma populacao maior que a do Brasil. Por isso que nao culpo quando um gringo diz que a capital do Brasil e’ Buenos Aires (sim, uma holandesa me respondeu isso na Malasia. Mas, mais uma vez, sera se todo mundo sabe a capital da Holanda? Da Belgica? E da Suica?).
 
Mas e’ isso ai’. Amanha solto um videozinho que fiz sobre Bali e daqui a dois ou tres dias, solto a primeira parte de Bali, que, serio, ta MUITO engracada.

Jacarta – A cidade

Isso e’ o que ha’ de mais proximo da civilizacao em Jakarta. Nao, nao e’ metro. Chama-se busway. Nada mais sao que uns onibus especiais que trafegam em zonas especiais da cidade. Nao e’ nenhuma Brastemp, mas quebra um galho, principalmente por causa do ar-condicionado.
Cara, se for pra resumir Jakarta em poucas palavras, eu só digo uma coisa: Jakarta é caos! Mermão, pense numa cidade com quase nove milhões de pessoas, sem metrô, sem trem, nem nada dessas “frescurinhas”? Com grande parte de suas ruas com apenas duas mãos? Uma indo e a outra voltando? Sério, depois que você passa uns quatro dias em Jakarta, você começa a achar São Paulo o paraíso! Bicho é uma loucura! Aquela cidade é a personificação perfeita do caos! Como se já não fosse bastante, pra melhorar ainda mais o quadro, Jakarta possui o oitavo pior índice de poluição do ar do mundo.
O trânsito de lá é uma loucura! É moto pra tudo que é lado, todo mundo xingando todo mundo, buzinaço o dia inteiro e um calor dos infernos! CAOS TOTAL! Mermão, a parada era tão caótica que chegava a ser engraçada! Toda vez que eu voltava pra casa, eu voltava rindo vendo aqueles motoqueiros passando um por cima dos outros, o motorista do busão xingando todo mundo e os carros tirando fino! Pra melhorar ainda mais o quadro caótico daquela cidade, de dez em dez minutos subia um violeiro desafinado no busão, ficava uns 15 minutos cantando em língua local e tentando fazer uns trocados. Sinfonia de Jakarta: Gritos, buzinaço, ronco dos motores e viola desafinada.
Devido ao fato da cidade ser o grande centro financeiro da Indonésia não há nada de muito bonito pra se olhar por lá. Inicialmente estava pensando em ficar uma semana, mas depois fui aconselhado pelas meninas que me hospedaram a deixar isso de lado e ir logo pra Bali, que lá eu teria muito mais diversão. Acabei não me arrependendo.

Jakarta – Onde quase fui fuzilado de bala

Cara, como falei, Jakarta não tinha muita coisa pra se ver não. Grande centro financeiro e lugar pra se fazer dinheiro, não para se passear. Os dias em que fiquei por lá, eu ficava sempre fica perambulando pela cidade procurando o que fazer e nunca achava nada demais.
Curti essa catedral no centro de Jakarta. E’ a catedral da foto que fica em frente a mesquita
Acabou que eu só me divertia mesmo jogando bola nos parques e fliperama nos shoppings (mermão, 20 centavos de real a ficha, ACREDITA? PARAÍSO!). Mas ainda rolaram alguns fatos engraçados.
Um dia desses tava voltando pra casa, depois de uma pelada. Tava andando pelas calçadas pra poder pegar meu ônibus e sempre me esbarrava em alguém e pedia desculpas (as calçadas são lotadas de gente). Só sei que uma hora, não sabendo porque, eu virei uma esquina e comecei a andar numa calçada que mais parecia um oásis! Ninguém andando nela e sem carros por perto buzinando. Comecei a pensar o que diabos tinha acontecido. Depois de alguns segundos me deliciando com tudo o que estava ocorrendo, comecei a pensar que aquilo não deveria ser um sinal muito bom, haja vista que se não tem ninguém na calçada, talvez seja porque a calçada É PRA NINGUÉM ANDAR, caramba! Antes de eu terminar este pensamento, ocorreu o inevitável!
Quando eu menos me espanto, aparece um Indonésio de uniforme, lááá longe! O único problema é que ele tinha um rifle na mão e vinha apitando e xingando! Cara, eu não sei se vocês sabem do que eu tou falando, mas um indonésio de rifle é muito mais assustador do que uma tailandesa de faca na mão no meio da noite (post antigo do blog). O caba veio pra cima de mim numa “vula” danada, gritando mais que viuva tirando o atraso! Tomei um susto tão grande que acabei caindo sentado, literalmente, com a bunda no chão! Na hora o primeiro pensamento que me veio foi:
– Pronto, ao invés de ter escrito na minha lápide “Foi poeta, sonhou e amou na vida” como Álvares de Azevedo, eu vou ter escrito “Nascido no Maranhão, crescido em Brasília, morto na Indonésia”.
Monumento `a liberdade proximo ao local que quase fui fuzilado
E o caba xingava, doido! O bicho nervoso que só gato em dia de faxina! Eu acabei ficando mais angustiado que barata de cabeça pra baixo! Depois dele muito me xingar, eu entendi que ele tava falando pra eu sair da calçada e ir pro outro lado da rua, já que me encontrava em frente ao palácio presidencial e por razões de segurança eles não permitem que pessoas trafeguem em frente ao mesmo!
Só sei que passado o susto, cheguei vivo em casa com o meu coração ainda palpitando. Depois eu so pensei:
– Pombas, mas custava colocar uma placa?

Couch em Jakarta

A casa que eu fiquei em Jakarta foi até certo ponto diferente. Como já disse, a Indonésia é um país majoritariamente muçulmano, logo, foi um choque relativamente grande quando eu cheguei na casa e tinha imagem de santo pra tudo que era lado! A familia que me hospedou, era toda catolica! A Mega e a Jeanny (duas irmãs, as unicas que falavam ingles na casa) e toda a família! Só no meu quarto tinham duas imagens de Cristo, uma cruz e uma imagem de Nossa Senhora.
As duas meninas eram muito fofinhas! Nossa, a Mega então, fofa demais a menina! Ela era gente boa demais, engraçada e, além de tudo, era jornalista desportiva e cobria eventos futebolísticos. XONEI nela, cara! Pombas, pense numa mulher que é fissurada por futebol? Cara, a gente ficava conversando sobre futebol e coisas afins e dava pra ver que a mina sacava DEMAIS! Se liga como foi uma das primeiras conversas que tive com ela:
– Você faz o que da vida, Mega?
– Ah, eu sou jornalista desportiva!
– Sério? O que você faz o dia inteiro no seu trabalho?
– Ah, eu fico lendo várias notícias sobre futebol.
– Uau! Mas perai, ja que voce trabalha com isso, voce não precisa pagar pra poder ver as partidas mais importantes? Certo?
– Sim
– E você viaja a trabalho pra ver as grandes finais?
– Sim
– E eles bancam toda sua viagem?
– Sim
– Uau. Mas perai, eles ainda te pagam um salário?
– Sim!
Mermão! Pense num emprego dos sonhos? Só pra vocês terem uma idéia, quando eu cheguei em Jakarta, a Mega tava viajando. Ela tinha ido pra Rússia pra ver uma partidinha entre um tal de Manchester United e um tal de Chelsea. Foi so a final da Liga dos Campeoes da UEFA, o campeonato de clubes mais importante da Europa. Enquanto eu tava vendo a partida num albergue sujo na Malásia, ela tava na sala de imprensa, ar-condicionado, dentro do estádio! E sendo paga pra ver aquilo! A vida não é justa mesmo!
A outra parte engraçada era o banheiro. Desde a Tailândia, eu sempre vinha escapando de banheiros, digamos, mais exóticos! Daqueles banheiros que a gente diz no Brasil, “banheiro turco”. Aquele que o sanitário é só um buraco no chão! Eu sempre dava um jeito. Em Jakarta não teve jeito de dar jeito, amigo! Ate nos shoppings da cidade que eu procurei eu so achei banheiro turco, se liga na foto do banheiro do shopping:
O melhor foi que, na casa que fiquei, além do banheiro não ter sanitário normal, também não tinha chuveiro! Sim, ocidental é sempre cheio de frescura mesmo, pra que chuveiro? Pra que chuveiro se você pode encher uma tina d’água, pegar um baldinho e tomar banho, como a gente diz no Nordeste, tomar banho de cuia?
Mermão, era desse jeitinho mesmo! O banho na Indonésia era banho de cuia! Nas duas casas que fiquei em Jakarta foram desse jeito! Você enchia a tina, pegava a cuiazinha e jogava água na cabeça, nada mais simples! Você sabe quantos litros d’água você desperdiça quando toma banho de chuveiro? Banho de cuia é a salvação do planeta, meu caro! A Jeanny me falou que um banheiro tradicional indonésio é assim, sanitário no chão e banho de cuia! Diz ela que do mais rico ao mais pobre, todo mundo tem isso!
Cara, que castigo, viu? Não sei se vocês já tentaram fazer as necessidades de cócoras, mas, mermão, é ruim demais!!! É muito estranho e eu sempre tenho a sensação que vai descer pelas pernas! Quando eu tou no meio do mato e não tenho solução, eu sempre vou pro meio de um rio ou algum lugar com água corrente e me alivio por lá mesmo! Pelo menos não precisa ficar de cócoras! Ainda bem que em Bali, no meu hotel não tive esse tipo de problema!
Outra coisa que ri que só foi conversando com a Mega. A gente tava conversando sobre vistos e afins e ela me confidenciou que é uma dificuldade danada pros indonésios pra poder conseguir vistos pros EUA e pra Austrália:
– Uai, mas por que é tão difícil pra vocês conseguir um visto pra poder ir pra Austrália?
– Ah, não sei, acho que é porque eles não gostam da gente.
– Mas por que é que eles não gostam de vocês, assim, gratuitamente?
– Ah sei la, eles nao gostam de pessoas de paises em desenvolvimento.
– Sim, mas o Brasil e’ pais em desenvolvimento tambem. Nao e’ facil pra gente, mas tambem nao e’ dificil. Sera se nao tem nenhum motivo em especial pra eles nao gostarem de voces?
– Ah, sei lá! Talvez seja tambem porque gente andou explodindo a embaixada dos Estados Unidos e da Austrália em Jacarta uns dias aí.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
– Arf… Esses paises ricos sempre implicando com paises em desenvolvimento por causa de nada.

Show de luzes em Jakarta


Galera, amanha com certeza tem post… Tou deixando passar mais um tempo pra nao colocar logo de uma vez o post sobre Jacarta…
Enquanto isso, vai um videozinho pra poder ir aquecendo pra amanha
obs: Gente, o Uchida me chamou a atenção e depois eu notei. Eu, burramente, falo “mosteiro” quando na verdade quero falar “mesquita”. Isso deve-se ao fato de que mesquita em ingles e’ “mosque” e eu acabei trocando as bolas. Valeu Uchida.