Servidor Público nas horas não-vagas, escritor nas vagas e mochileiro nas horas felizes. Formado em Relações Internacionais na Universidade de Brasília, Claudiomar ainda procura algo pra utilizar os seus conhecimentos adquiridos na graduação. Devido a este fato viaja e escreve análises socio-economicas sobre o Brasil e pelos locais que passa. Enquanto não viaja, destila toda a sua pseudo-intelectualidade sobre política nacional
No outro dia acordei mais escabreado que peru em véspera de Natal. Assim que fui pra cozinha, Nedved foi saindo pra trabalhar e a mina dele veio falar comigo. Pediu desculpas pelo que tinha ocorrido na noite passada, mas falou que a culpa era minha por ter meio que “provocado” ela. Pensei em pedir desculpas por ser tão irresistível, mas achei melhor falar que tudo tinha ficado de boa. A diplomacia do arroz já tinha obtido sucesso pra fazer amigos, mas fazer uma mulher se apaixonar por mim só porque ela tinha comido do meu arroz (não em duplo sentido nessa frase, cara!), era estranho… Pelo menos era a primeira vez… Meu arroz era meio que um afrodisíaco, pensei…
Depois que eu entrei no banheiro pra tomar um banho que eu comecei a ficar pensando. Êpa, mas peraí, quer dizer que eu estava PROVOCANDO a mina? Ãhn? Como assim?? Eu não fiz nada demais!! E se, ÉGUAS, e se ELA FALASSE ISSO PRA ELE?? Ah mermão, aí o bicho ia pegar!! Imagina o cara ouvindo isso e depois pensando: “Quer dizer que eu dou comida, cerveja, cama e absinto pro cara e ele ainda fica bandeando a minha mulher? Ah, mas ele vai pagar por isso!”. Pronto, agora eu tava feito, pior do que pegar porrada por ter pego a mulher de outro cara, é pegar porrada de um cara e ainda por cima nem ter pego a mulher dele! Mas antes eu tivesse pego!
Enfim, fiquei a manhã e a tarde inteira com o coração disparado! Fiquei imaginando o cara sabendo da história, vindo tomar satisfação comigo e depois me colando na parede a base de pancada. Enfim, uma hora ele iria chegar em casa e eu tinha que pensar no que fazer. Não podia simplesmente pegar minhas coisas e cair fora pra Letônia, afinal, eu tinha combinado com a norueguesa de ir junto com ela. Que desculpa eu iria dar pra não ir? “Ah, tipo, não sei por que, mas me deu uma vontade imensa de ir embora”, não ia colar. O jeito era esperar e enfrentar o urso letão.
O rapaz chegou por volta do final da tarde. Veio falar comigo de boa, naquele jeitão meio louco dele e vi que a mina não tinha contado nada pra ele. Pensa que eu fiquei tranqüilo? Naaadaaa… Pense num menino mais aperreado que moleque correndo de maribondo? Mais aperreado que mãe de astronauta? Pois era eu! Mermão!! Eu chega passei o dia inteiro com as costas viradas pra parede. NÃO TOU EXAGERANDO!! Tou falando sério, mesmo! Eu nunca ia dar minhas costas praquele menino! Não sou nem louco! Ele vinha pra falar comigo eu, CAPLOFT!!!, jogava as costas na parede. Fiquei assim até de noite. Seguro morreu de velho…
Quando foi a noite, ele convidou a mim e a norueguesa para ir a uma balada e fomos nos aprontar. Tomei meu banho, usei uma toalha pra lavar o rosto, outro as pernas e fomos sair. No caminho, claro, o bicho comprou umas cervejas pra gente e descemos pra balada. Chegamos em uma casa que parecia meio abandonada e caindo aos pedaços, mas assim que entramos pude perceber o TANTO de gente que havia no seu subsolo. Uma galera totalmente pirada, dançando e curtindo no melhor estilo “balada Leste Europeu”. Depois de uns dez minutos, Nedved comprou duas cervejas, deu uma pra mim, me chamou no canto e falou: – Claudio, precisamos conversar…
Claudiomar, vc se encontrou com a galera do blog lá no bar? Como foi???????
R – Uai, acabei não indo. Não consegui falar com o Thiagones, tivemos um desencontro, e ninguém no blog aqui chegou a dizer que ia. Às vezes acho que ninguém aqui lê o blog snif snif. Acabou que eu nem fui, preferi ficar em casa pra estudar…
Tou vendo outro dia pra poder sair com o Thiagones, mas minha vida tá meio complicada, ainda mais com o fato do edital ter saído marcando a prova do meu concurso pro dia 30 de agosto! Enfim, vou ver o que fazer…
Pra quem me vê falando tanto desse cara e ainda não sabe quem é Thiagones, ele é um dos caras mais famosos da UnB. Produziu por algum tempo um dos programas mais interessantes e engraçados que eu já vi na vida. Era o “Puxando Papo”. Sério, eu ria demais os assistindo e até hoje fico rindo quando revejo. O programa tinha uma ideia muito boa, mas infelizmente não teve continuidade.
Quem tiver a fim de dar umas boas risadas, cheque o vídeo abaixo. Só não posto todos porque tenho medo de vocês gostarem demais do programa e largarem meu blog de mão, já que o “Puxando Papo” é mil vezes mais engraçado que “omundonumamochila.com”. Inclusive, e isso eu nunca falei pro Thiagones, o termo “Suecas Quentes, Uhhh” eu peguei emprestado do “Enfermeiras Quentes, Uhhhh” do Puxando Papo. Enfim, divirtam-se com o programa:
Beleza cara? Bom, talvez você não se lembre de mim mas eu estudei no Girassol (.. nosso colégio de tradição, hehe) e fiz natação na Nadar. Eu e meu irmão Pedro éramos amigos dos seus irmãos Cláudio e Caio, cade eles? Lembro de uma vez que brincamos de “guerra de dardos” num quarto de brinquedo que tinha na sua casa, bem legal!
Bom, desde aquela época eu percebi que você não era mto certo hehe e achei este blog há um tempo e confirmei as minhas suspeitas. Cara, já me diverti muito com suas presepadas. Quando você tiver aqui em São Luís dá uma avisada no blog, quero beber umas contigo e conhecer a parte censurada das suas aventuras hehe
Abraços maranhenses
R – Cara, não me lembro de você só pelo nome não!
Pombas, mas se for pra falar do guerra de dardos é porque isso faz MUITO tempo!!! Tem como tu deixares teu orkut por aí pra gente conversar?
3 – Maricotinha perguntou:
Tem certeza que a toalha não era usada?
R – Maricotinha, eu acho que não, eu tava até tranqüilo. Numa casa organizada e limpa como aquela acho que eles devem lavar toalhas e lençóis umas cinco vezes por semana, não?
Pra quem não entendeu a pergunta dela, ler o post:
Por acaso nao foi esse a figura q vc encontrou em uzupio?
R – Cara, não era muito parecido com isso não. Esse carro parece ser algo como a polícia séria de Uzupio mesmo! O meu era um tiozão de zoeira!! Mas achei interessante mostrar essa imagem pra galera pra mostrar o que é Uzupio!
Pra quem ainda não sabe o que é Uzupio, é melhor ler um pouquinho mais o blog 😛
Pintou mais uma dúvida aqui da série “dúvidas de futuros viajantes”:
você fez algum tipo de seguro saúde? como fazia (se precisou), em caso de ir a um médico ou ter que ter uma receita pra comprar remédio?
abs! ps.: irada essa idéia do Leo, de fazer o twitter.
R – Cara, dizia a lenda que o seguro saúde é algo obrigatório e que país nenhum te deixaria entrar sem um desses. A desculpa que os países dão é que eles não querem que tu fiques desamparado caso ocorra algum acidente contigo ao viajar. Eu até fiz um seguro-saúde antes de sair do Brasil e ir pros Estados Unidos pela minha agência de intercâmbio mesmo. Depois ainda renovei, porque me falaram que na Europa com certeza não me deixariam entrar sem.
Quer saber a real? Trinta e dois países depois e NINGUÉM sequer mencionou essa droga desse seguro!
Eu acho bom fazer um desses, você nunca sabe quando vai precisar. Eu não precisei em momento algum, pois tenho uma saúde muito boa. Mas meu irmão quando foi para os EUA (ele também é saudável) teve estourado o apêndice dele enquanto ele viajava. Foi levado às pressas pro hospital, submeteu-se a uma cirurgia e teve alta depois de uns dias. Saiu ileso e só gastou 50 dólares, que é “franquia” que você precisa pagar pra poder ser atendido. Se não tivesse seguro-saúde com certeza ele ia gastar uns milhares de dólares no hospital lá. Outro amigo meu também teve que fazer cirurgia pelos EUA. Cara, é aquele negócio, se você tá apertado, não faça, mas saiba que se acontecer uma zebra, você será enterrado como indigente em algum lugar jogado no mundo 😛
Sobre o Twitter, ele já se encontra ao lado do blog. Postarei constantemente falando do blog, espero que a galera curta isso aí 😛
Depois de comermos um arroizão “à maranhensis”, ficamos jogando conversa fora e tomando umas, como já havia dito no post passado.
Começou aí o momento mais emblemático de toda a minha passada pela Lituânia.
A norueguesa depois de um tempo falou que estava começando a ficar com sono e não restou outra alternativa a não ser ir para o quarto dormir. Depois de um tempo, os amigos de Nedved também foram dormir e ficamos só nós três conversando na cozinha. Ficamos um tempão trocando uma ideia. O casal era pirado demais e MUITO gente boa. Conversa daqui, conversa dali, viagem daqui, viagem dali e fomos indo noite adentro. Depois de mais ou menos uma hora, Nedved me falou que tava com sono e que tava muito afim de ir dormir. Perguntou se Riga tava querendo ir também, mas ela falou que não tava com sono e perguntou se eu não poderia fazer um pouco mais de companhia a ela por um tempo. Falei que era de boa, já que eu estava sem sono e fiquei lá.
Nedved falou que tava tudo certo e foi pro quarto. Eu aproveitei pra ir ao banheiro. Quando voltei ocorreu algo que eu tenho na minha cabeça como se tivesse acontecido ontem, ainda agora.
Sentei numa cadeira e quando eu comecei a conversar com a Riga ela começou a olhar fixamente nos meus olhos e sem falar nada. A mulher começou a me encarar de um jeito que eu até comecei a ficar sem graça. Quando eu perguntei o que estava acontecendo, ela nem pensou duas vezes: VLAPT!! VOOU pra cima de mim!! Correu pra cima em um “GO GO FIGHT” sem dó nem piedade. Voou pra cima de mim no famoso “pescoção”.
Eu meio que sem entender o que ela tava fazendo, na hora, instintivamente, achei que ela ia, de molecagem ou brincadeira, tentar me derrubar da cadeira ou jogar cerveja em mim, ou algo assim, por isso desviei. Dei uma de Matrix e por pouco a mina não me beijou.
ÃHN?!?!? Que diabo é isso, doido? A mina tava tentando me beijar? Era isso?? Como assim? Eu estava sendo praticamente atacado! Abusado sexualmente!! Liguem para a polícia!! Chamem a Interpol! Isso é quase um estupro!!
Tentei fazer ela mudar de ideia e demonstrar que eu não queria, mas, pensa que ela desistiu? Claro que não, amigo!! Não é fácil resistir a um corpinho atlético desses aqui. 1,63m de pura emoção!! Não é todo dia que aparece um maranhense desses sarado na sua cozinha!! A mina continuou tentando me agarrar pelo pescoço e a me finalizar e eu desviando no melhor estilo Keanu Reaves.
Por que eu não estava deixando ela me beijar? Não amigo, não é por que eu prezo o matrimônio e a fidelidade entre os casais. Não é por que eu nunca faria um casal feliz e sorridente se desfazer apenas por causa da fraqueza dela perante esse pedaço de mal-caminho aqui não. Ou você acha que eu dei uma de Padre Zezinho e enquanto ela tentava me beijar eu ficava cantando: “Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente/ E que nada no mundo separe um casal sonhador/ Que ninguém interfira no lar e na vida dos dois/ Abençoa senhor as famílias, Amém. Abençoa, senhor, a minha também!”? Claro que não, brother!! Também não é devido a falta de masculinidade! Era mais um instinto de sobrevivência mesmo. Ou você esqueceu que um lituano muito do mal-encarado dormia no quarto ao lado? Acho que o cara não ia gostar muito quando descobrisse o que ocorreu e pensasse no outro dia: “Eu dou comida, cerveja, cama e absinto pro cara e ele ainda come a minha mulher?”. Se um cara normal já ficaria puto imagina um cidadão daquele, com aquela cara de psicopata? No mínimo ele iria servir um “maranhense no espeto” mais ou menos como a chinesa da Austrália…
Você aprontando, né seu maranhense?
Depois de um tempo dela tentando me “atacar” eu tive meio que correr pro meu quarto e dizer que ia dormir. Ela falou que tava tudo bem e perguntou se eu não queria que ela arrumasse minha cama. Numa hora tensa como aquela é claro que eu falei que não. Resolvi ir dormir e ver como o outro dia ia amanhecer.
O que ocorreu pela manhã? Bem, nem preciso dizer que isso é apenas o começo de uma presepada cinco estrelas, né peixe? Fica pro próximo post…
Galera, acabou que de tanto eu escrever sobre Uzupio me esqueci de falar como e por que ocorreu uma mudança de couch enquanto estive na Lituânia. Por que saí do couch da Aistê, onde só fiquei uma noite, e mudei para um outro. Deixa eu explicar…
Assim que eu decidi viajar para Vilnius, sozinho, fiz o que é de praxe no Couchsurfing.org e saí mandando mensagens pra uma galera pedindo pra me hospedarem. Mandei pra umas dez pessoas diferentes e duas me responderam que podiam me hospedar de boa. Acabei decidindo pela Aistê, parte porque o outro couch seria com um casal e o couch da Aistê era só com ela, parte porque o casal parecia ser MUITO louco pros meus parâmetros.
Assim como já expliquei num post passado, um dia antes de eu partir de Varsóvia para Vilnius, uma norueguesa perguntou se eu ainda estava procurando parceiro de viagem. Respondi que sim e ficamos de nos encontrar já pela Lituânia. Como eu sabia que ela não teria onde ficar pedi para o casal que se ofereceu pra me hospedar que hospedasse a norueguesa também. Eles falaram que podiam hospedar e ficou tudo de boa.
Tudo transcorreu bem. Dormi na casa da Aistê, a mina era gente boa demais e no outro dia me encontrei com a norueguesa (gente, eu não lembro o nome dela :P) e fomos dar um rolê por Vilnius. Combinamos que no outro dia iríamos partir de carona para Letônia e ela me perguntou se não seria mais fácil se dormíssemos juntos na casa do casal para assim, pela manhã, sairmos juntos pra pedir carona. Ela ligou pra eles, eles autorizaram e resolvi descer pra lá.
Passei na casa da Aistê, peguei minhas coisas e parti rumo à casa de um dos casais mais LOUCOS que já pude ver em toda minha vida…
Logo de começo me foi apresentado o casal dono do apartamento: Riga e Nedved. Os caras pareciam ser loucos DEMAIS!! Você via pela cara deles que eles não eram pessoas muito “normais”. Larguei minhas mochilas e fui conversar com os bichos.
Antes de eu começar a contar como foi a história, só para ilustrar, vou contar como era o apartamento em que fiquei hospedado. O banheiro tinha uma banheira igual à do Havaí com o mesmo estilo dégradé da de lá. Não existia chuveiro! O “chuveiro” era uma mangueirinha que você ligava e tinha que ficar segurando enquanto se molhava! Impossível de tomar banho!!
Quando pedi emprestada uma toalha, já que a minha estava molhada, o cidadão foi lá e me trouxe duas, ao invés de uma – Pra que diabos eu vou querer duas toalhas? – Eu perguntei. O bicho foi lá e me explicou:
– Rapaz, é porque aqui em casa eu costumo usar duas toalhas e talvez você pensasse em fazer o mesmo! Com uma das toalhas eu enxugo o meu rosto. Com a outra toalha eu enxugo minhas bolas. Ou você acha que a mesma toalha que eu passo nas minhas bolas eu vou passar no meu rosto?
Rapaz… Não é que a parada faz sentido? Você já parou pra pensar que todos os dias você praticamente esfrega as suas, digamos, “partes baixas” na sua cara quando vai se enxugar depois do banho? Diga aí, você nunca mais vai se enxugar direito depois de uma dessas, né? Pois é, eu também não.
Depois que tomei meu banho, Nedved perguntou o que eu queria comer. Falei pra ele que acho que seria de boa se eu preparasse uma comida brasileira pra galera poder sentir um pouco mais o que era Brasil. Ele curtiu a ideia e me chamou pra ir ao supermercado com ele pra poder comprar os ingredientes.
Sambando na Lituânia
Fomos ao supermercado e começamos a pegar os ingredientes para o “brazilian dish”. Ao chegarmos ao supermercado ele foi pegando as coisas e eu comecei a contar: Uma cebola, um tomate, meio quilo de carne, sal, alho, um pacote de arroz e PRÁÁÁ!! CINQÜENTA DE CERVEJAS!!! O cara começou a LOTAR, sem dó nem piedade, o carrinho de cerveja!! E o pior que ele ia enfiando as cervejas dentro do carrinho e ia contando em voz alta: 1, 2, 20, 30, 40, 50!!! CINQÜENTA!! CERTINHO!!! “É melhor sobrar do que faltar” – ele disse pra mim… Er, com certeza!
Voltamos pra casa e a galera nem perguntou do arroz, foi logo abrindo as cervejas e começando a encher a cara! Eu meio que me senti desprestigiado. Pô! Tava cozinhando pra galera e galera só querendo encher a cara!! Enfim, enquanto eu cozinhava o arroz, o casal, a norueguesa e mais uns amigos deles que estavam lá foram detonando as cervejas!! A parada ficou pronta e, como já era de se esperar, foi um sucesso geral! Todo mundo comendo que nem uns bichos o meu arroz, não sei se porque estava gostoso, não sei se era por causa da cerveja mesmo! Depois que terminamos de comer, claro, entrei na onda da galera e comecei a beber também. Rapaz, mas quem disse que deu tempo? Os caras beberam as cervejas MUITO rápido! Só deu tempo de eu beber umas duas garrafas – Devíamos ter comprado 70! – pensei.
Mas acha que tem jogo ruim pra galera? Tem não, amigo!! Lá de dentro dos quartos deles a mina só veio e me apareceu com aquilo que iria marcar a minha noite: Uma mini-garrafa de absinto. Sim, cara, absinto! A fadinha verde, pros mais íntimos!! A galera acho que não tá muito ligada no que estou falando, no que seria absinto. Ela é mais conhecida como a bebida do demônio!! A fada verde! A bebida com maior gradação alcoólica vendida no mundo. No Brasil ela é vendida com a gradação de “apenas” 53% (a legislação brasileira só permite a venda até 54%), mas no exterior ela é comercializada naturalmente a meros 75% de álcool!! DO MAL!!
Olha o que eu trouxe lá de dentro brasileirinho, HUÁ HUÁ HUÁ
Mermão, no início eu fiquei com medo daquela parada, mas quem tá na chuva é pra se molhar. Eita, mas foi a primeira golada e eu já senti a minha alma entrando e saindo do corpo. Parece que você vai virar do avesso!!
Depois de um tempo chegaram algumas bebidas e continuamos conversando e nos divertindo. Após mais ou menos uma hora uma parte do povo foi dormir e eu fui ficando com cada vez menos pessoas comigo na cozinha. Bem, aí você vai pensando… Álcool a rodo, cada vez menos gente ficando na cozinha, todo mundo louco. O que mais pode sair de uma arrumação dessas?
De tanto os caras me falarem como se dizia “Saúde” em lituano e eu nunca decorar, eles foram lá e escreveram no meu braço, hehehe
Enfim, vou deixar vocês curiosos, depois posto o final da história, hehehehe… Mas posso adiantar, a presepada vai ser GRANDE!! Com certeza uma das maiores já ocorridas em toda viagem!! Se não a maior, com certeza a que me fez sentir mais próximo da morte em todo este ano de viagem pelo mundo…
Presepada cinco estrelas, pode contar comigo…
Beba Absinto e tenha o mundo aos seus pés!! Er… Quer dizer, tome absinto e sinta-se aos pés do mundo!!
P.s: Esta é apenas uma peça publicitária. Logicamente eu não capotei embriagado no chão. A garrafa encontra-se quase que totalmente cheia e tampouco fumo, tirei essa foto só pra fazer graça mesmo, hehehehe… Era pra ela ficar parecida com essa foto aqui de baixo:
Povo, vou aproveitar o espaço no blog aqui e dar um recado pro pessoal que mora aqui em Brasília.
Estão abertas as inscrições para o cursinho pré-vestibular “Vestibular Cidadão”.
Até aí nada demais, né? Milhares de cursinho pelo Brasil inteiro estão abrindo vagas.
Mas então, o que diferencia o “Vestibular Cidadão” e os outros cursinhos de Brasília é o fato de o mesmo ser gratuito!! Sim, brother? De graça, NA FAIXA! Ele é um cursinho pré-vestibular que a galera do meu semestre na UnB (eu fui o primeiro coordenador de física, dá pra acreditar?) montou há uns cinco anos atrás!!
Para participar da seleção basta apenas ser aluno de baixa renda oriundo de escolas públicas ou bolsista de particulares.
Caminhei por aquele lugar, que mais parecia saído de uma guerra, por mais ou menos uma hora sem ter noção que tinha acabado de entrar em outro país. As casas eram todas mal-conservadas e pessoas alcolizadas caminhavam mal-vestidas pelas ruas sinuosas. Qualquer cidadão normal ficaria intimidado em andar por aquelas ruas naquela hora da noite, mas como tenho um blog pra escrever e havia vários barzinhos pelo caminho com pessoas bebendo e farreando, fiquei mais tranqüilo.
Observando um pouco mais, pude perceber que algumas obras-de-arte pareciam estar espalhadas pelas ruas. Painéis pintados em paredes de casas, esculturas aparentemente sem sentido e um ar de “arte ao ar livre” indescritível. Uzupio parecia ser mais um bar boêmio, tal qual a Lapa no Rio de Janeiro, o Reviver em São Luís ou o… o… enfim, não tem bairro boêmio em Brasília.
Como já estava começando a ficar tarde, resolvi ir logo me encontrar com minha host e ir pra casa dela pra largar minha mochila por lá, afinal, apesar de ter deixado metade das minhas coisas na Polônia, caminhar um dia inteiro com metade de uma mochila nas costas deixa qualquer um cansado.Ao chegar à casa de Aiste (era como se chamava a minha host) ela me explicou o que era Uzupio. O país que nasceu meio que de zoeira fundado por um bando de bêbados, meio como uma manifestação de arte contra o status quo.
Essa pra mim é uma das preferidas. Uma ponte que liga nenhum lugar a lugar nenhum. Reparem que a ponte não serve de nada! Impossível utilizá-la para atravessar o rio!
Uzupio hoje faz parte do seleto grupo de cidades Patrimônio da Humanidade reconhecido pela UNESCO (assim como São Luís) e é um dos melhores lugares pra sair e se divertir em Vilnius, ou perto de Vilnius, como achar melhor, já que Uzupio declarou independência da Lituânia em 1997.
Galera fazendo o que há de mais importante em Uzupio: Encher a cara e se divertir…
Bandeira de Uzupio
A história de Uzupio começa por volta do século XVI quando judeus começaram a mudar para lá e se estabelecer. Durante o Holocausto, os nazistas dizimaram os judeus de Uzupio deixando o distrito praticamente deserto. As suas casas abandonadas foram dando abrigos para elementos marginais da sociedade lituana, tais quais bêbados, prostitutas e mendigos.
Faço-lhe uma pergunta: Faltamente, qual parece ser sempre o destino de bairros que acabam assim? Com prostitutas e bêbados por todos os lados? Eu sei que você já tem a resposta. Dessas zonas de depreciação humana total costumam sempre emergir contracultura e manifestações artísticas. Foi assim com a Lapa e foi assim com o Reviver no Maranhão.Até a declaração da independência da Lituânia em 1991, Uzupio costumava ser o refúgio de boêmios, guerreiros partisans, local de manifestação e propagação do nacionalismo lituano, já que, devido a seu estado abandonado, pouco chamava a atenção da KGB. Uzupio era o bairro em que, por mais que sofressem uma tirania diária, os lituanos podiam sentir o prazer e orgulho de serem lituanos.Hoje, como já disse anteriormente, Uzupio é um patrimônio Lituano, ou um país independente, como achar melhor, e detém a sua própria polícia, o seu próprio exército (composto de 12 homens, em sua maioria velhos e bêbados), bandeira, unidade monetária e etc.
E claro, como toda nação independente, Uzupio também possui a sua Constituição que se encontra estampada em algumas das paredes de suas ruas.
Pra galera que manja o inglês, vale a pena dar um zoom nessa foto e ler um por os caputs da Constituição de Uzupio. Vale muito a pena
Dentre os vários caputs da Constituição de Uzupio, alguns são os meus preferidos tais quais:
3 – Todo mundo tem o direito de morrer, mas isso não é uma obrigação.
4 – Todo mundo tem o direito de cometer enganos.
5 – Todo mundo tem o direito de ser único.
6 – Todo mundo tem o direito de amar.
10 – Todo mundo tem o direito de amar e cuidar do seu gato.
12 – Um cachorro tem o direito de ser um cachorro (ou em outras palavras, você tem o direito de ser o que você quiser)
14 – Por alguns momentos, as pessoas podem se livrar das suas obrigações
16 – Todo mundo tem o direito de ser feliz
17 – Todo mundo tem o direito de ser infeliz (Esses dois artigos em contradição definem o direito que o homem possui de fazer ou deixar de fazer algo de acordo com o seus desejos)
21 – Todos tem o direito de apreciar a sua falta de importância.
26 – Todos tem direito de celebrar ou não celebrar o seu aniversário (mesmo tipo de artigo do caput 16 e 17).
27 – Todos DEVEM lembrar o seu nome.
28 – As pessoas podem dividir os seus pertences.
29 – Ninguém pode compartilhar o que não é seu.
37 – Todo mundo tem o direito de não ter direitos.
40 – Não retaliem
41 – Nunca desistam.
Constituição de Uzupio em três línguas
Uzupio é isso: uma cidade que ao mesmo tempo em que é uma grande exposição de arte e cultura a céu aberto é totalmente grátis para quem quiser apreciar. Uma grande manifestação para que os homens nunca parem de lutar e nunca se dobrem para nenhum tipo de tirania.
Teve algo que ocorreu com a gente quando voltamos para Uzupio em outra noite que eu nunca esqueci. Estávamos andando pelo meio das ruas bebendo algumas cervejas quando um carro caindo aos pedaços e com uma sirene de polícia em cima apareceu. Ele parou do nosso lado e lá de dentro um tiozão com um bigode IMENSO virou pra gente e perguntou se estava tudo bem, tudo na mais santa paz. Respondemos que sim e após isso ele nos perguntou se já estávamos bêbados. Quando respondemos que estávamos caminhando para isso, ele nos reprimiu e falou que em Uzupio ele costuma colocar nas grades pessoas que andam sóbrias pelas ruas. Apesar de não haver isso na sua Constituição, ele dizia que isso era algo como uma lei local e caso ele voltasse e ainda não estivéssemos bêbados a casa ia cair pra gente. Depois que ele foi embora, o meu host me explicou que aquele tiozão era o xerife de Uzupio, uma figura muito querida na cidade de Vilnius. Ele é um senhor aposentado e passa as suas noites andando com a sua velha viatura e conversando com as pessoas e os turistas. Apenas mais uma das várias figuras que nos reservava aquela estonteante manifestação artística que era Uzupio.
Se ele estava falando sério ou não, resolvemos não nos arriscar. Enchemos a cara e voltamos cambaleando pra casa. É sempre bom seguir os conselhos das autoridades locais…
Abraços maranhenses
Cadeado com o nome e a data de casamento de um casal
P.s: Acabou que eu esqueci de explicar qual era a dos cadeados nas pontes. A galera me explicou que isso é uma tradição na Lituânia. Assim que as pessoas casam, elas vão e colocam cadeados na ponte de Uzupio com os nomes do casal escritos neles. Tá certo que sempre tem uns sem-noção que exageram no tamanho do cadeado, mas fica uma ambientação interessante…
Após o acontecimento com o tiozão com sangue nos olhos, não me restou outra opção senão a de ficar vagando por Vilnius enquanto a minha host não saía do trabalho. Liguei pra ela do skype e ficamos de nos encontrar às 18h numa das praças da cidade.
Desci no centro e fiquei caminhando.
Mais uma vez me chamou bastante a atenção a diferença que parecia haver entre Vilnius e as outras cidades da Polônia que eu já estivera. Parecia haver um precipício imenso entre dois países com histórias tão parecidas (Lituânia e Polônia chegaram a se unir e formar um mesmo país por mais de cem anos) e tão próximos.
Caminhando por lá, acabei indo parar em um tipo de museu que existe em todos os países da Europa Oriental: Museu das atrocidades cometidas pela União Soviética. O museu fica localizado numa das várias ex-prisões da KGB e atende pelo simpático nome de “Museu em homenagem as vítimas do genocídio na Lituânia” Era interessante porque era possível ver as celas onde eles encarceravam os desafortunados da resistência lituana e também os vários brinquedinhos de tortura. Dentre os vários instrumentos de tortura, teve um que me chamou muito a atenção pela simplicidade, mas principalmente pela eficácia. Fiz um esqueminha abaixo pra vocês poderem entender:
Pode parecer idiota, né? É só um cara em cima de um banquinho com um bando de água. E aí? Se ele ficar com sede ele pode até tomar um gole, né? Pois é, agora imagina você tendo que ficar numa sala como essa, em pé, durante dias? Quer piorar? Imagine como deveria ficar agradável durante o inverno? Cinco, três graus… A água vire praticamente um veneno. Não-raro prisioneiros tombavam de exaustão.
Cara, sacaram a genialidade da parada? Você não precisa de carrasco, não precisa se preocupar em gastar energia descendo o cacete no figura e o custo é irrisório. Apenas água e muita determinação. Fiquei de cara com a crueldade da parada, meu…
Também é mostrada no museu a resistência lituana contra a dominação soviética, exaltando os “diversos heróis da pátria” que lutavam numa guerra Partisan, guerra de guerrilhas. Logicamente, tal resistência foi irrisória e apenas serviu para nutrir o sentimento de nacionalismo lituano.
Depois de mais ou menos uma hora na prisão, ainda pude ver no final algumas covas coletivas onde os russos enterravam os corpos de prisioneiros desafortunados.
Assim que saí do museu, conheci uma brasileira gente boa demais que morava na Rússia e tava dando um rolê por aquelas bandas. Ficamos amigos e começamos a andar pela cidade.
Andando com a mina, surgiu essa escultura mais do que louca na nossa frente!! Um bando de torneira jorrando água com uma cambada de pneus jogados. O que seria isso? Uma fonte? Um cérebro (pior que parece mesmo, dá só uma olhada melhor…)? Uma intervenção urbana? Nunca saberemos, amigos…
Depois de alguns minutos e algumas fotos, nos deparamos com uma cena, no mínimo, inusitada.
Vários cadeados de todos os tamanhos, formas e cores encontravam-se dependurados em uma ponte próxima a esta placa abaixo:
Não sabia, mas estava adentrando em outro país, a República Independente de Uzupio, um dos lugares mais interessantes em que estive durante toda a viagem.
Galera… vim aqui só pra avisar aos leitores que ainda estou vivo…
Cometemos uma vacilo aqui em casa e esquecemos de pagar a internet, logo a mesma foi cortada 😛
Só estou conseguindo fazer este post neste exato momento porque consigo roubar um pouco da internet de alguns dos meus vizinhos, mas o sinal está MUITO fraco…
Em um ou dois dias a situação estará normalizada.
Enquanto isso, tava pensando em combinar com o Thiagones de reunir a galera que lê o blog pra gente ir tomar umas cervejas no sábado agora. Tem alguém interessado em aparecer? Nos encontraremos no bar “por-do-sol” (408 Norte), provavelmente no sábado, em horário a definir ainda. Quem estiver interessado e quiser comparecer pra conversar sobre detalhes da viagem, bater um papo ou apenas ouvir sobre presepadas e outras histórias mais que não posso publicar por aqui, me dá um ligada. Meu telefone é 913 4914. Só não liguem das 19h às 22:30, porque estarei em aula 😛
Espero que pelo menos uma pessoa me ligue, hahahaha…
Galera… vim aqui só pra avisar aos leitores que ainda estou vivo…
Cometemos uma vacilo aqui em casa e esquecemos de pagar a internet, logo a mesma foi cortada 😛
Só estou conseguindo fazer este post neste exato momento porque consigo roubar um pouco da internet de alguns dos meus vizinhos, mas o sinal está MUITO fraco…
Em um ou dois dias a situação estará normalizada.
Enquanto isso, tava pensando em combinar com o Thiagones de reunir a galera que lê o blog pra gente ir tomar umas cervejas no sábado agora. Tem alguém interessado em aparecer? Nos encontraremos no bar “por-do-sol” (408 Norte), provavelmente no sábado, em horário a definir ainda. Quem estiver interessado e quiser comparecer pra conversar sobre detalhes da viagem, bater um papo ou apenas ouvir sobre presepadas e outras histórias mais que não posso publicar por aqui, me dá um ligada. Meu telefone é 913 4914. Só não liguem das 19h às 22:30, porque estarei em aula 😛
Espero que pelo menos uma pessoa me ligue, hahahaha…